Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 2

Um país que recusou morrer de fome

Aproveitando a boleia de “Cabo Verde no centro do espectáculo de futebol”, continuo a relacionar pontas soltas sobre a “excepcionalidade” do país.

 Uma experiência que atravessa quase toda a história moderna de Cabo Verde é a fome. Nas secas devastadoras no século XX, entre as décadas de 1920 e 1940, e sobretudo durante a grande fome de 1941-1948, morreram dezenas de milhares de cabo-verdianos. E é preciso lembrar que essa fome não foi devido à escassez de uma especial falta de chuva, mas puro produto do abandono colonial. Foi um crime político e moral. A metrópole salazarista recusou reconhecer a dimensão da tragédia, demorou a mobilizar ajuda e nada fez para impedir que milhares de pessoas morressem à fome, em desespero. E silenciou o assunto, foi mais um dos massacres que não vêm na cartilha das maravilhas coloniais. Enquanto noutras partes do império circulavam mercadorias e recursos, nas ilhas acumulavam-se corpos e gente a tentar fugir.

Como escreve José Vicente Lopes em Cabo Verde: Um Corpo que se Recusa a Morrer, “a história das ilhas é a história de uma luta permanente contra a morte, onde a sobrevivência se tornou uma forma de identidade coletiva”. Assim, é impossível compreender as questões de identidade de Cabo Verde sem esta memória da fome, que vai tendo menmónicas na literatura, na música, nas histórias familiares, e até no modo como o país se pensa e vivie a emigração. 

Depois de conquistada a independência, em 1975, Cabo Verde herdou muito pouco para além da pobreza. Não havia quase infraestruturas nem recursos capazes de financiar o Estado, a agricultura continuava vulnerável às secas, e a emigração aumentou brutalmente. Foi o início dessa imensa comunidade cabo-verdiana em Portugal (com 76 mil pessoas atualmente, que começou a viver em bairros como São Bento, Alcântara, expandindo-se para toda a linha de Sintra, margem sul e Oeiras - Cova da Moura, Fontainhas, Vale da Amoreira, etc.).

A grande diferença da gestão da fome é que, ao contrário do tempo colonial, depois da independência, o poder político respondia perante a população das ilhas e não perante Lisboa. Durante décadas, a fome fora administrada como fatalidade - morrer de fome era natural - e passou a ser entendida como problema político, como são todas as fomes.

A democracia começa em 1991 com o multipartidarismo, mas o Estado vem antes. Foi no período do partido único - PAIGC e depois com o PAICV - com grande centralização do Estado (muita vigilância ideológica e limitação das liberdades partidárias) que se construiu, praticamente do zero, a administração pública, a rede escolar, o sistema nacional de saúde, os programas de vacinação e a alfabetização. E assim, passou a haver algum planeamento o que permitiu enfrentar as secas sem voltar a conhecer fomes daquela dimensão do período colonial. 

Regressando à ideia de Cabral de lutar para viver melhor - para comer, estudar, cuidar da saúde, trabalhar, criar os filhos e envelhecer com dignidade - enquanto critério para avaliar os cinquenta anos de independência. É que nem o debate ideológico - entre o socialismo e a abertura ao mercado - nem as experiências de modelos económicos são centrais em Cabo Verde (apesar da ideologia marcada na Geração de Cabral). Numa contínua procura de condições para que as ilhas continuem habitáveis, pensa-se antes de mais em como melhorar a vida concreta das pessoas.

Diz-se que a transição democrática em 1991 é uma das mais tranquilas do continente africano. Esta abertura ao multipartidarismo coincidiu com a abertura económica, em que se deixou de olhar para o Estado como único motor do desenvolvimento e passaram a apostar no investimento estrangeiro, na iniciativa privada, nas remessas da diáspora e na integração na economia global. Essa estabilidade política tornou-se um “ativo”, nomeadamente para atrair o turismo.

Durante muito tempo, este modelo pareceu funcionar. Cabo Verde acumulou indicadores internacionais de boa governação, reduziu a pobreza extrema, melhorou a esperança média de vida, expandiu o ensino superior, desenvolveu infraestruturas e consolidou a tal imagem de país seguro, previsível e aberto ao mundo. A expressão «o melhor aluno de África» começou a circular precisamente neste contexto, repetida por instituições internacionais e pela imprensa estrangeira (e eu já a referi umas 3 vezes). Mas a narrativa de sucesso corre o risco, mais uma vez, de esconder aquilo que deixa de perguntar.

A abertura ao mercado trouxe crescimento, investimento, turismo e maior circulação internacional, mas aprofundou novas e velhas formas de dependência. Cabo Verde exporta sobretudo pessoas (“recursos humanos”) e importa quase tudo o que consome, depende das remessas da diáspora, do turismo e da ajuda externa. Ou seja, continua profundamente vulnerável às oscilações do mundo.

As desigualdades cabo-verdianas de hoje explicam-se muito por essas dependências e dificuldades que vêm sempre no guião do capitalismo neoliberal: concentração da riqueza, acesso desigual às oportunidades entre ilhas, precariedade laboral, inflação na habitação - nas zonas turísticas e não só, impossibilidade de muitos jovens imaginarem um futuro nas ilhas.  

fotografia de João Barbosafotografia de João Barbosa

A cultura antes do país ser uma marca

A cultura tem sido o território fértil de afirmação identitária. Muito antes de os relatórios internacionais elogiarem a boa governação cabo-verdiana, ou os empates no Mundial de Futebol 2026 já a música tinha colocado o país no mapa sentimental do mundo. Cesária Évora fez do Mindelo uma capital universal da melancolia, a morna, com a sua gravidade marítima, deu forma estética à saudade, à distância, à partida, ao amor sem garantia de regresso. Mas reduzir Cabo Verde à morna seria injusto. Há batuque, funaná, coladeira, tabanka, finaçon, hip-hop, fulana punk, spoken word, literatura, cinema, artes visuais, pensamento crítico. 

Germano Almeida deu humor, ironia e complexidade narrativa à vida insular. Dina Salústio abriu caminhos fundamentais na escrita das mulheres. Corsino Fortes fez da poesia um corpo cívico. Mário Lúcio move-se entre música, literatura e pensamento. Joaquim Arena faz circular histórias incríveis em cenários caboverdianos dentro e fora das ilhas. Tchalé Figueira satiriza as figuras e os podres poderes. César Schofield pensa os arquivos e a arte contemporânea, pondo em causa as narrativas consolidadas. Mayra Andrade, Lura, Sara Tavares, Tito Paris e tantos outros transportaram a língua, os ritmos e as inquietações do arquipélago para outros públicos. O hip-hop, sobretudo nas gerações mais novas, trouxe energia urbana, frontal, impaciente em sair da morabeza transformada em cartão-postal. E tantos outros.

O que me contam as pessoas do setor cultural e interessados é que falta uma política pública consistente. Celebrar artistas e o reconhecimento internacional é pouco se não se investe em arquivos, bibliotecas, escolas artísticas, bolsas, residências, cinema (produção e salas), artes performativas, artes visuais, tradução, edição, preservação patrimonial e circulação internacional - esta não apenas para Portugal, Europa e diáspora ocidental, mas também para Senegal, Angola, Moçambique, Gana, Nigéria, África do Sul. Nos últimos anos tem-se feito alguns projetos artísticos em conjunto entre Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé, como a Bienal de Bissau, o Laboratório Atlântico ou a Bienal de São Tomé. 

Quanto às questões de memória, seria importante pensar os museus como centros de investigação, memória e conflito produtivo. A memória é um campo de batalha. Quem guarda os arquivos guarda a possibilidade de contar a história e Cabo Verde tem uma importância imensa para pensar o Atlântico, a escravatura, a crioulização, as migrações, a fome, a resistência, os nacionalismos africanos e a relação entre ilhas e continentes. Investir em meios, em técnicos, na conservação, digitalização, investigação e acesso público. Um arquivo fechado, degradado ou invisível é uma forma lenta de esquecimento. 

A própria ideia de património que se alargue dos edifícios restaurados para visitantes. Um país que viveu tanto da oralidade não pode permitir que apenas o que foi escrito segundo normas coloniais entre no arquivo legítimo. Fazem parte desse património imaterial vozes, ritmos, modos de cozinhar, a relação com a água, festas populares, práticas religiosas, histórias de mulheres, memórias de fome, fotografias de família, cartas da emigração, cadernos de professores, programas de rádio, fanzines, letras de rap, vídeos de telemóvel, documentos de associações comunitárias. Com todos estes elementos se pode produzir arte. 

Estas sugestões nada têm de original, são mais uma tentativa de sistematizar algumas ideias, quase como uma mediadora entre o que ouço dizer de quem está com as mãos na massa, neste caso com a mão e a mente.  

O turismo e os seus espelhos

Lembro-me de caminhar na Laginha, em São Vicente, e de pensar como aquela minúscula praia conseguia concentrar tantas versões de posições sociais: Turistas acabados de chegar com a expectativa de aventuras em África, empregados dos hotéis que regressavam a casa depois do turno, pescadores a arrumar as redes, crianças a mergulhar da muralha e as banhistas madrugadeiras (que aparecem nos livros de Germano de Almeida). Todos partilham a mesma baía mas basta afastarmo-nos uns metros da água para perceber como o  turismo tem sido uma promessa e ameaça, e sempre desgual na distribuição de possibilidades. Desde os anos noventa, Cabo Verde apostou fortemente nele como motor económico. O setor trouxe investimento, emprego, infraestruturas, receitas, visibilidade internacional. Em ilhas como Sal e Boa Vista, foi de facto transformador de paisagens e economias. Os números impressionam: mais de um milhão de hóspedes por ano em estabelecimentos hoteleiros, crescimento contínuo depois do choque pandémico, dependência crescente dos mercados europeus. Para um país com poucos recursos naturais, o turismo pareceu uma solução evidente. Mas todos os paraísos têm o seu reverso infernal, quem sobrevive e faz acontecer o paraíso, sabe quanto custa mantê-lo.

O turismo de resort, sobretudo em modelo all included criar enclaves esmagadores. Lugares onde o visitante consome praia, sol, música, simpatia e segurança sem ter necessariamente contacto com a complexidade local a não ser por transações comerciais. O país da morabeza transforma-se em produto. Suaviza-se o funaná e o batuque nos palcos de hotel e restaurantes. A arquitetura copia fantasias cúpulas arabescas, máscaras africanas, palmeiras cenográficas, uma espécie de Las Vegas atlântica com mais vento. Até camelos e tendas foram levados para a Boa Vista para simular as Arábias.

Num artigo sobre o filme A Cidade e as Trocas, filme de Pedro Pinho e Luísa Homem de 2014 descrevo um Plano sobre a avenida Marginal que explica um pouco este desfasamento: os turistas calcorreiam-na em passeio, os caboverdianos em trabalho. Começamos então a descortinar uma linha do filme: a acumulação de imagens vai criando um mundo paralelo, que interage mas mutuamente se desconhece. Esses dois mundos são dados a ver num certo maniqueísmo, notoriamente assumido pelos realizadores. De um lado, os caboverdianos lutadores que resistem aos constrangimentos que os fustigam, cuja vida difícil é atenuada por relações interpessoais de solidariedade e alguma alienação; por outro, os turistas que ali vão parar também alienados na sua lógica desterritorializada: tanto faz estarem ali como noutro lado qualquer, não apreendem nada da cultura local, mantendo apenas relações comerciais com aquele lugar. 

Nada contra haver turistas, mas tudo contra organizar o território em função do turismo que é o que está a acontecer também na minha querida Lisboa. Em Cabo Verde grandes empreendimentos ocupam zonas costeiras, até a Laginha, uma praia minúscula, ficou circundada de grandes hoteis, os trabalhadores vivem longe dos espaços onde servem, a paisagem torna-se mercadoria a cultura vai-se ajustando ao gosto do visitante e o preço da habitação não está acessível a quem precisa. Desenvolvimento afinal para quem? 

O próprio crescimento económico não se traduz em melhoria de vida para a população, vi isso em Angola. Os hotéis cheios não têm correspondência em casas dignas, escolas fortes, hospitais eficientes ou salários suficientes. 

Cabo Verde conhece bem as dependências. Primeiro dependeu das rotas atlânticas e dos poderes coloniais. Depois das remessas da diáspora e da ajuda internacional. Hoje depende fortemente do turismo global, ou seja, não sai da vulnerabilidade. A pandemia mostrou, lá como em muitos lugares, que uma crise externa pode atingir brutalmente o turismo - economia precisamente baseada na circulação de pessoas. É quase certo que a crise climática também afetará este arquipélago de recursos hídricos limitados, sujeito a secas, sem capacidade de resposta a tempestades (como a de 2025 em São Vicente) e vulnerável à subida do nível do mar. Perante este quadro, não convém pôr todas as fichas na cultura de turismo superintensivo em consumo territorial, por mais que lindas e encantadoras as praias, as pessoas  a música.

Há ainda outra conquista extraordinária em Cabo Verde! Se a escassez de chuva (e a negligência política) levou à fome, migração e morte durante séculos, hoje, o país tornou-se uma referência africana na dessalinização da água do mar e na gestão de recursos hídricos. Mas produzir água exige energia, investimento e infraestruturas e a crise climática promete secas mais frequentes e imprevisíveis. Ora, o turismo aumenta exponencialmente o consumo num território onde cada litro continua a contar. Basta olhar para os campos áridos de muitas ilhas para perceber que a abundância nunca fez parte da paisagem.  

Uma rede super intrincada em fusos horários diversos

Numa rua da Praia mostraram-me uma casa enorme, de dois andares, varandas largas, azulejos brilhantes e portão automático. «É de um primo que vive em Boston» Estava fechada havia meses. Voltaria em agosto, talvez no Natal. Há muitas casas assim em Cabo Verde: construídas ao longo de décadas de trabalho no estrangeiro, cuidadosamente pintadas, demasiado grandes para quem as ocupa por tempos ao ano. Casas que são monumentos à emigração, histórias de sucesso, e à ausência enquanto a vida acontece noutro continente.

A maior parte dos caboverdianos moram fora de Cabo Verde. Uma proporção de 500 mil para 2 milhões. Boston, Brockton, Lisboa, Roterdão, Paris, Luxemburgo, Dakar, Luanda, São Tomé: a geografia cabo-verdiana prolonga-se por bairros, associações, restaurantes, igrejas, equipas de futebol, rádios comunitárias e grupos de WhatsApp espalhados pelo mundo, numa rede super intrincada em fusos horários diversos.

Em todas as famílias cabo-verdianas há caboverdianos no mundo. As crianças de cá podem aprender o crioulo cabo verdiano ao telefone com avós que vivem a milhares de quilómetros. Amigos contam que celebram o reencontro desejado mas também um certo incómodo quando vão às ilhas de férias. Quem saiu mudou, quem ficou também, então o regresso, tão sonhado e planeado, é às vezes mais construção do que real. 

As remessas dos emigrantes ajudam a construir casas, a pagar estudos, a abrir pequenos negócios, a enfrentar crises económicas e dificuldades familiares. Sustentam o país tanto quanto ou mais do que qualquer política pública.  Ir embora foi quase sempre a forma mais realista, e a única, de melhorar de vida. Os ilhéus crescem a olhar para o aeroporto, com os planos de estudar fora, trabalhar fora. É preciso tratar de documentos, conseguir um visto. Voltar um dia ou talvez não.

Já eu sou turista europeia, posso ir a Cabo Verde amanhã se me apetecer sem pensar nas fronteiras. Pago 30 eur por um visto à entrada, desfruto da “sabura” das ilhas e regresso a casa mais enriquecida com experiência. Um cabo-verdiano que queira fazer o percurso inverso, enfrenta consulados, vistos, comprovativos, entrevistas burocracias e muitas vezes recusa.

Conclusão que todos sabemos, mas devemos lembrar: a livre circulação num mundo globalizado é uma miragem quase exclusiva para quem tem passaporte europeu. Outra: o privilégio branco continua em força.

 

Os Tubarões Azuis estarem no Mundial de 2026 representa uma nação arquipelágica, dispersa, multilocal, mas capaz de reconhecer-se num mesmo sobressalto de expetativa em jogos de futebol. Um país não vive de símbolos, bem sei, é mais políticas públicas, trabalho, saúde, escola, habitação, transportes, cultura, justiça. Mas os símbolos e o entusiasmo coletivo também ajuda a pensar, e o melhor seria que o entusiasmo da bola contribuísse para confrontar os problemasEu nem gosto de futebol tampouco sou nacionalista, mas gosto desta ideia de, apesar das distâncias, das diferenças de classe, das variantes linguísticas e dos percursos migratórios, se torça em cabo-verdiano. 

A juventude cabo-verdiana parece menos disposta a escolher entre África, Atlântico, Europa e mundo. Pode ouvir rap em crioulo, afrobeats nigeriano, kizomba angolana, drill francês, mornas antigas e funk brasileiro. Estudar em Portugal e sentir-se mais africana do que a geração anterior e estar na luta pela Vida Justa. Usar o português como ferramenta sem o aceitar como medida de superioridade. Reivindicar Cabral sem querer transformar Cabral num imortal políticamente correto. Pode amar a Cesária e, ao mesmo tempo, sair dessa asfixia da saudade. Defender a língua cabo-verdiana sem desprezar outras línguas. Olhar para o continente africano não como ameaça à especificidade cabo-verdiana, mas como parte amputada de uma conversa que precisa de regresso. Pôr África no centro do debate também não significa negar a crioulidade, mas libertá-la da sua versão mais higienizada, desarrumá-la como campo de tensão. A cultura crioula não nasceu da harmonia, mas não tem de ficar prisioneira da violência original. Cabo Verde não tem de escolher entre ser africano e ser atlântico, entre crioulo e português, se conseguir construir um bilinguismo menos assimétrico.

Embora a conversa da língua possa ser cansativa, conflituosa e por vezes circular, tem qualquer coisa de sinal de vitalidade.

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Cabo Verde tem uma relação muito concreta com os limites: repartir o que há, desenrascar o que falta. Num sistema que construiu a ideia de progresso como crescimento infinito, e nos embrulhou nos males capitalistas, a capacidade cabo-verdiana de transformar sobrevivência em comunidade é uma inspiração. Ou seja, há uma energia que não se reduz aos diagnósticos políticio-sociais-económicos. Talvez venha da experiência histórica de sobreviver à fome, a prática antiga de djunta mon, reunindo mãos, recursos, vizinhos, parentes, emigrantes e comunidade. Talvez venha da música, que transformou perda e dor em coisas bonitas. Das mulheres terem sustentado praticamente todas as economias domésticas durante décadas de emigração masculina. 

 

Ler a primeira parte de Cabo Verde não cabe nas ilhas

por Marta Lança
Vou lá visitar | 24 Junho 2026 | água, Cabo Verde, cultura, diáspora, futebol, turismo