O capitalismo algorítmico: a guerra, o caos e nós

O capitalismo algorítmico: a guerra, o caos e nós Se aceitarmos que o nosso presente está marcado pela emergência de uma nova ordem mundial à qual chamamos capitalismo algorítmico - com a produção de guerra e caos e baseado na lógica do conectivismo entre homem e máquina - quais desafios temos à nossa frente, em termos de ações e da sua organização? Ou, dito de outras formas, como construir as conexões com aqueles segmentos da cadeia indispensáveis para que o conflito seja levado lá, onde o capital ganha maior força, isto é, onde produz informação abstrata, por meio da apropriação da cooperação social em escala global?

22.03.2026 | por Stefano Rota e Rodrigo Magalhães

Patrice Lumumba e o Neocolonialismo, a soberania africana em causa

Patrice Lumumba e o Neocolonialismo, a soberania africana em causa O contexto contemporâneo é diferente, os atores multiplicaram-se e o próprio Estado congolês atravessou transformações significativas. Contudo, a questão central colocada por Lumumba, de quem controla os recursos e em benefício de quem, mantém-se atual. A sua memória persiste não apenas como símbolo anticolonial, mas como uma interrogação política ainda em aberto sobre soberania e autonomia africana no século XXI.

06.03.2026 | por Pedro Oliveira

Massiv – o próximo Blog___

Massiv – o próximo Blog___  São vozes da diáspora, vozes ocidentais e vozes resistentes em África, que questionam, propõem e avançam novas formas de pensar, representar e acreditar em África e no seu futuro. Na sua superação. Porque depende de uma renascença africana o respeito pela Identidade e Imagem dos Negros à escala global. Sem essa ascensão de África os negros continuarão a ser alvos de racismos mais ou menos velados, mais ou menos estruturais. Essas vozes percebem que a Imigração de africanos para a Europa ou para a América, não é solução para os seus problemas identitários, que estão radicados em África.

06.03.2026 | por Brassalano Graça

Etnologias e contentores cronológicos em fricção. Subverter os tempos no Museu da América

Etnologias e contentores cronológicos em fricção. Subverter os tempos no Museu da América Constituindo-se como cenário “neutro” que, na realidade, continua a operar sob limites opacos entre consentimento e poder colonial, enquanto a negação das subjetividades protagonistas se expressou em categorias genéricas como “índio” ou “encontro”. Perante essa forma de vigência colonial, todas as narrativas simultâneas que se lhe contrapuseram, bem como as contradições e afrontas à nostalgia imperialista, entraram em confronto com a hegemonia ideológica, arquitetónica e visual imposta por este lugar desenhado segundo os padrões de um claustro colonial ajardinado.

03.03.2026 | por Lorena Tabares Salamanca

A caixa preta e outros mal-entendidos: Histórias do Experimental

A caixa preta e outros mal-entendidos: Histórias do Experimental Em causa, como no caso da disseminação da Caixa Preta, estariam então uma série de mal-entendidos: entre concepções do tempo e modos de fazer, filiações dramatúrgicas, modos de habitar a cidade, modos de entender o teatro e o fazer artístico. Mas para entender o que está em causa num mal-entendido é sempre necessário proceder a um exercício de localização dos vários entendimentos das partes em questão, ou por outras palavras, o mal-entendido opera frequentemente como revelador de formas de temporalidade e regimes de historicidades diferentes.

01.03.2026 | por Ana Bigotte Vieira

Armas sine qua non - parte 1. uma genealogia do poder

Armas sine qua non - parte 1. uma genealogia do poder A violência é a matriz da política. A história das nações não é de abraços à volta da fogueira, invocando ancestrais, mas de sangue, medos, tributos e exércitos. Tudo o resto, as leis, os parlamentos, as constituições, são apenas ferramentas de gestão para manter a máquina oleada e disfarçar essa verdade antiga da civilidade: lei do mais forte. Como disse alguém: a paz é a guerra bem administrada. É só estar atento ao termo “pacificação”. Considerando isso, como podemos ler a situação da Guiné-Bissau, fora de uma análise simplista e maniqueísta?

27.02.2026 | por Marinho de Pina

O estatuto constitucional da língua caboverdiana e a suposta inconstitucionalidade do ALUPEC

O estatuto constitucional da língua caboverdiana  e a suposta inconstitucionalidade do ALUPEC Perseguido, vilipendiado, ostracizado, completamente arredado do ensino formal oficial, religioso e particular e activamente reprimido, menosprezado, marginalizado e estritamente circunscrito à comunicação oral nos meios populares mais humildes e desapossados pelos poderes estrangeiros opressores vigentes no período da consolidação da dominação colonial portuguesa na sua forma clássica, o crioulo caboverdiano logrou resistir com sucesso às investidas coloniais glotofágicas e assimilacionistas.

24.02.2026 | por José Luís Hopffer Almada

Eu, cabo-verdiano, analfabeto me confesso: porque escrever um povo não é erguer uma Torre de Babel

Eu, cabo-verdiano, analfabeto me confesso: porque escrever um povo não é erguer uma Torre de Babel Hoje, cinquenta anos depois da independência, em que a língua materna teve um papel pedagógico e mobilizador fundamental, valorizar o cabo-verdiano passa por assumirmos a responsabilidade de perguntar, sobretudo quando comunicamos para o grande público: o que estou a escrever está conforme? Respeita minimamente as convenções existentes? Contribui para fortalecer ou para fragilizar a língua? Como posso escrever melhor e enriquecer, a partir da nossa própria fonte, com matérias endógenas, esta língua nossa, o cabo-verdiano?

23.02.2026 | por Apolo de Carvalho

O Rei que Seguiu o Caminho Oposto

O Rei que Seguiu o Caminho Oposto   Quando os livros finalmente nomearam o que Portugal tinha feito, chamaram-lhe Era da Descoberta, mas pelo menos foi escrito. Por mais que tenham suavizado a linguagem, polida que fosse a história, pelo menos ficou inscrito. O Atlântico deixou um rastro documentado. O deserto deixou marcas quase imperceptíveis na areia, constantemente erodidas pelos redemoinhos do deserto, embora essas areias devem ser assombradas pelos angustiados e ensanguentados, separados das suas linhagens, identidades, vidas e, muitas vezes, membros e órgãos genitais.

21.02.2026 | por Chinenye Egbuna Ikwuemesi

Apresentação do livro de poesia "Elogio da Saudade", de Fredilson Semedo

Apresentação do livro de poesia "Elogio da Saudade", de Fredilson Semedo A literatura cabo-verdiana tem continuidade e novos intérpretes. Fredilson Semedo é um deles. A sua poesia revela compromisso com as duas línguas de Cabo Verde e diálogo com grandes mestres da tradição lusófona e universal. Felicito o autor por este marco na sua trajectória literária.

16.02.2026 | por José Luís Hopffer Almada

O adultério jaz ali

O adultério jaz ali Passou a visitar as campas dos seus ancestrais frequentemente, o seu maior desejo era ver-se livre desta vida terrena cheia de abismos. Num desses dias enquanto dormia, despertou e ouviu vozes ruidosas a chamar por ele em direção ao cemitério familiar e para lá foi. Quando ali chegou, ajoelhou-se na campa do avô e gritou: levem-me às alturas. No mesmo instante, uma serpente apareceu.

10.02.2026 | por Edna Matavel

Porque Preciso de Dizer o Óbvio – Instalação de Edgar de Oliveira / Avital Barak

Porque Preciso de Dizer o Óbvio – Instalação de Edgar de Oliveira / Avital Barak O que faz, então, uma família ser uma família? Será puramente genético — uma linhagem que pode ser traçada até uma ancestralidade comum — ligando pessoas de lugares, línguas e vidas diferentes? Sabemos que os laços emocionais e a memória coletiva desempenham um papel importante nas relações de sangue. Ao mesmo tempo, a família é também uma unidade económica e, em muitos aspetos, um microcosmo da sociedade em que existe.

07.02.2026 | por Avital Barak e Edgar Oliveira

Cidadanias Periféricas. Muçulmanos em Sintra

Cidadanias Periféricas. Muçulmanos em Sintra Ao privilegiar uma abordagem centrada nas vivências das pessoas, assume-se como uma disciplina humanizadora, que tenta resgatar as particularidades do dia a dia, mais além dos recortes estatísticos e dos determinismos sociais. É claro que existem estruturas, tendências e políticas que ultrapassam as vontades das pessoas e que devem ser analisadas (vejam-se os processos de racialização e de precarização), mas o olhar mais localizado sobre as suas estratégias, sonhos e aspirações permite compreender quais são as suas possibilidades de escolha em campos socialmente delimitados, situando as suas forças e fragilidades.

02.02.2026 | por Raquel Carvalheira e José Mapril

Guiné-Bissau: one «capitalismo do caju» é uma mina terrestre

Guiné-Bissau: one «capitalismo do caju» é uma mina terrestre  Geração após geração cresceu envolta na mesma violência estrutural que o poder colonial institucionalizou. O cajueiro permanece não apenas como símbolo da violência colonial e do apartheid económico; sobreviveu também à queda do colonialismo, às reformas da revolução e às austeridades do ajustamento estrutural. A castanha de caju — e a instabilidade política — são o mais próximo que a Guiné-Bissau tem de continuidade.

02.02.2026 | por Klas Lundström

Baralho de Cartas 5

Baralho de Cartas 5 Estamos sobre a terra, mas os corpos continuam a querer viver na massa líquida de onde saíram há milhões de anos. A água deixa-nos a alma enrugada, na água passamos com tudo, uma morte rasteira que escorre conforme à gravidade. Seguir o princípio do fogo deixa-nos a cabeça alinhada com os astros, tentamos escapar à humidade onde tudo se confunde. O mundo é deslocação, como lembras na última carta, e a disponibilidade de que fala a Silvina é um combate contra esta queda que procura os lençois freáticos, Bachelard diz que é uma morte onírica, o que vai de encontro à fantasmagoria presente.

28.01.2026 | por Ricardo Norte

Promenade - galeria

Promenade - galeria Zona de orla marítima povoada por hotéis, piscinas, cais de acesso ao mar públicos e privados, restaurantes, cafés, zonas ajardinadas, miradouros, lugares de lazer e descanso, a promenade estende-se da zona do Lido ao túnel da Doca do Cavacas que antecede a Praia Formosa, tendo daqui continuidade um percurso que vai até à baía de Câmara de Lobos. Outrora também conhecido por Jardins do Lido, na página oficial deste passeio marítimo refere-se que é pautado por uma flora diversa composta por espécies endémicas e exóticas.

24.01.2026 | por Ana Gandum

A narrativa Janeirista e a crescente tentativa de uma calendarização hipervalorizada

A narrativa Janeirista e a crescente tentativa de uma calendarização hipervalorizada   Numa perspetiva jurídico-constitucional, o 13 de Janeiro abriu efetivamente espaço para a expansão quantitativa e qualitativa dos direitos e garantias individuais, sem alterar substancialmente os direitos coletivos. O ápice do direito coletivo reside na formação de um Estado soberano enquanto representação política e simbólica da coletividade.

19.01.2026 | por Abel Djassi Amado

A problemática da erosão do solo em Amílcar Cabral – em defesa da terra

A problemática da erosão do solo em Amílcar Cabral – em defesa da terra Nas regiões semiáridas, como Cabo Verde, a primeira medida é o aproveitamento e a utilização, com o mínimo de perda possível, da água das chuvas, com o intuito de diminuir a velocidade do escoamento, reduzir o desgaste das terras e reter, na medida do possível, as mesmas águas, aumentando a disponibilidade hídrica.

13.01.2026 | por Yussef B

O que está a acontecer na Guiné-Bissau?

O que está a acontecer na Guiné-Bissau? O que é claro é que a situação para a população é aguda e a miséria é profunda. Golpe ou não, as estruturas de realpolitik permanecem intactas: enraizadas num exercício vertical de poder onde as salas internas do poder permanecem trancadas e fora do alcance daqueles que esperam por um comboio algures fora de Lisboa. «O futuro?» diz um guineense a caminho de um trabalho diário no sector da construção e ri. «Estamos a falar de África —e o único futuro que alguma vez tivemos é o que está debaixo dos nossos pés.»

09.01.2026 | por Klas Lundström

Di Povu Pa Povu: mobilizar sem organizar?

Di Povu Pa Povu: mobilizar sem organizar? Perante um membro do partido, o povo cala-se, torna-se «carneiro» e manifesta alguns elogios ao governo e ao dirigente. Mas, na rua, pela noite, no sossego da aldeia, no café ou junto do rio, ouve-se essa amarga decepção do povo, essa desesperança, mas também essa raiva contida. (Fanon, 1961: 189)

09.01.2026 | por Apolo de Carvalho e Alexssandro Robalo