“Agora sabemos que o colonialismo está vivo e esperneia”. A renovação do AfricaMuseum no filme de Matthias De Groof

“Agora sabemos que o colonialismo está vivo e esperneia”. A renovação do AfricaMuseum no filme de Matthias De Groof Um modo de vermos a colonialidade ressurgir é precisamente na missão que o museu se atribui. "África" ​​é um objeto de estudo, enquanto a ideia de representatividade e o desejo de ser uma janela num continente são os princípios epistemológicos básicos da lógica imperialista. A cenografia dá continuidade à "coisificação" e à “domesticação",

23.10.2019 | por Marta Lança

A Story From Africa, entrevista a Billy Woodberry

A Story From Africa, entrevista a Billy Woodberry As fotografias foram tiradas por um membro do exército português, o olhar colonial vem da sua condição histórica. Porém, estas mesmas fotografias admitem e apontam - involuntariamente talvez - para um testemunho espetacularmente raro do seu tempo: a luta e a reacção das populações nativas ante as campanhas de conquista e a subjugação colonial, testemunho este que seria muito difícil de alcançar de qualquer outro modo dado que o povo Cuamato não teve oportunidade de registar a sua própria luta e discernimento sobre a batalha.

18.10.2019 | por Marta Lança

sobre as sessões Re-imaginar o arquivo (pós)colonial. Reflexões/refrações

sobre as sessões  Re-imaginar o arquivo (pós)colonial. Reflexões/refrações O que se busca é uma consciência crítica das representações calcificadas ou ausentes dos arquivos, fomentando o debate sobre modos de reimaginação e abordagens éticas não só às imagens que se fazem imagem-arquivo mas também aos arquivos de imagens na sua materialidade.

18.09.2019 | por Maria do Carmo Piçarra

Let's Not Make Hollyood Great Again - ou o último Tarantino numa sala de cinema perto de si

Let's Not Make Hollyood Great Again - ou o último Tarantino numa sala de cinema perto de si Se o Once Upon a Time... é mesmo o Make America Great Again do Tarantino, com os seus dois super-heróis ‘trumpistas’ avant la lettre, brancos, machistas e racistas quanto baste – ou que sobretudo apostam no regresso a ‘'tempos mais simples'’, então eles (o Rick e o Cliff) bem podiam ser o duplicado (ou o duplo) desse par de hillbillies sinistros que aparecem no final do Easy Rider a salvarem-nos dos hippies, dos motards e da contracultura como de outros tantos drogados, criminosos e psicopatas.

10.09.2019 | por Nuno Leão

Arquivos cinematográficos: filmes e debates interrogam heranças coloniais e o seu futuro

Arquivos cinematográficos: filmes e debates interrogam heranças coloniais e o seu futuro De 24 a 27 de setembro, o Goethe-Institut de Lisboa promove, em parceria com a Culturgest, o ciclo de cinema e debates que aborda o confronto de vários artistas com a herança colonial dos países europeus através dos arquivos cinematográficos, no âmbito do projeto internacional "Tudo passa, exceto o passado".

06.09.2019 | por vários

Meninos negros vão ao cinema: a marginalidade como estética para um outro sonho de liberdade

Meninos negros vão ao cinema: a marginalidade como estética para um outro sonho de liberdade Tornar as masculinidades negras como categoria nas teorias de gênero, não de forma isolada ou contrária à ascensão dos movimentos feministas negros ou LGBT, mas como mais uma particularidade do discurso que põe em causa o patriarcado branco. A hegemoneidade das masculinidades brancas são uma das principais facetas do conjunto de dominação, controle e repressão do aparato colonial que funda as sociedades ocidentais da contemporaneidade.

08.08.2019 | por Marco Aurélio

Filme moçambicano sobre juventude e raptos, entrevista a Mickey Fonseca e Pipas Forjaz

Filme moçambicano sobre juventude e raptos, entrevista a Mickey Fonseca e Pipas Forjaz "O modo como as personagens morrem tem muito a ver com a traição entre pessoas na vida real. A meu ver, a sociedade moçambicana tornou-se muito gananciosa. O tempo dos favores já se foi, em troca veio o tempo do refresco. A corrupção aumentou, a prostituição também. Hoje em dia vende-se crianças, albinos são cortados aos pedaços, assassinam-se indianos, rapta-se portugueses, ricos, pobres. Tudo em troca de dinheiro."

05.08.2019 | por Marta Lança

Resistência e inconformidade à violência policial, entrevista a Welket Bungué

Resistência e inconformidade à violência policial, entrevista a Welket Bungué Sobre dois mais recentes filmes: "Eu Não Sou Pilatus" e "Intervenção Jah". A violência é um espinho, ela não escolhe a quem tocar mas também não é qualquer pessoa que se aproxima dela, tem que estar de alguma maneira convencida, se certo ou errado, isso não sei. Nos meus filmes, sobretudo de realidade social, tento não desvirtuar a violência daquilo que é a sua génese, a meu ver, o sentido de justiça.

26.07.2019 | por Marta Lança

Cinema negro português

Cinema negro português Inserido no contexto atual em que vozes negras ou afrodescendentes reclamam um lugar de fala e o direito de autorrepresentar-se em Portugal, o filme O canto do Ossobó levanta uma série de questões de cunho político e social para a imagem. Tal reivindicação tem como lastro as lutas anti-coloniais, os escritos pós-coloniais no contexto anglo saxão, o “giro decolonial” na América Latina, e as novas formas de pensar e fazer cinema no Terceiro Mundo que emergiram em lugares tão distintos como Vietnã, Senegal e Brasil.

24.07.2019 | por Michelle Sales

Cenas da memória colonial: a decadência e as ruínas de Macau

Cenas da memória colonial: a decadência e as ruínas de Macau O que resta do Hotel Império, além de uma alegoria asiática com referência a Portugal? Não só um aglomerado de ruínas de um edifício que evoca a memória de um esplendor antigo e agora desbotado, que sobrevive só residualmente, mais como imagem estética do que como um fato documentável e reconhecido.

06.07.2019 | por Roberto Vecchi

Um mundo que não tenha nada daquilo que está representado no filme, entrevista com Welket Bungué

Um mundo que não tenha nada daquilo que está representado no filme, entrevista com Welket Bungué Uma das barreiras foi ter novamente o corpo negro no lugar do marginal, decidir construir a personagem Arriaga à volta da delinquência. Foi uma decisão difícil. Difícil por também eu ser Negro. Difícil por estar a entrar no campo do estereótipo. É difícil contornar a necessidade que tenho de escrever para atores negros e nesse caso trata-se de uma faca de dois gumes. Querer dar protagonismo a uma personagem que, do ponto de vista moral, vive na margem de decisões incautas.

15.05.2019 | por Yolanda Kiluanji

Entre o visível e o invisível – cinema indígena de auto-representação

Entre o visível e o invisível – cinema indígena de auto-representação Os cinemas indígenas devem ser compreendidos como um capítulo a mais, um capítulo contemporâneo, no vasto e complexo território de relações com as imagens, com os espíritos, com as alteridades, presentes entre estes povos há tempos imemoriais. Regimes de visibilidade singulares que se relacionam às heterogeneidades nas formas de fazer, conceber e conferir uso às imagens. A Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil, realizada no Coleção Moderna do Museu Gulbenkian, traz um recorte de um múltiplo e diverso cinema, feito por realizadores indígenas, desconhecido ainda para tantos de nós.

28.03.2019 | por Daniel Ribeiro Duarte e Júnia Torres

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos O desempenho dos protagonistas do filme e a extrema fragilidade de laços sociais faz o espectador mergulhar numa intensidade de cenas portadoras de mágoas, incompreensões e revoltas internas sobre os problemas enfrentados pelas sociedades ditas modernas e globais, que colocam tatuagens em grupos sociais e povos face à pobreza e corrupção do serviço público desumanizante para quem não tem capacidade de montar um sistema alternativo - mesmo que marginal - que possa garantir segurança e possibilidade de continuar a viver com dignidade.

23.03.2019 | por Miguel de Barros

No trilho de Malangatana – do legado à memória,

No trilho de Malangatana – do legado à memória, O eixo à volta do qual gravita toda a narrativa do documentário é o extraordinário conjunto escultórico “A Sagrada Casa dos Madjaha”, obra de Malangatana votada à degradação e ao esquecimento num subúrbio de Maputo. A partir deste exemplo particular, revisita-se vida e obra do criador moçambicano de modo a fundamentar a necessidade de preservar não só o conjunto escultórico, como a sua memória e o seu legado.

22.03.2019 | por Lurdes Macedo

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B)

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B) Nós, os humanos, aquilo a que chamamos Humanidade, “quando não estamos ocupados em predar uns aos outros, estamos a predar o planeta”. Então que Humanidade é essa? “Será que essa ideia não está na base de muitas escolhas erradas? Por exemplo, a de que os homens brancos tinham o direito de sair colonizando, de trazer os obscurecidos para uma luz incrível, que é o buraco que agora estamos fazendo?” Como se existisse um jeito certo, “uma verdade de estar aqui na terra”, um modo civilizador. “Hoje podemos pôr em questão essa Humanidade.” Questionar a “disposição para a servidão voluntária”, o domínio das corporações, as estruturas que tentam substituir “os estados-nação falidos”. “As corporações conseguiram comprar uma narrativa de que não tem mais História.”

17.03.2019 | por Alexandra Lucas Coelho

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil A Mostra Ameríndia integra uma multiplicidade de experiências que nos retiram dos lugares convencionais de olhar e entender o cinema. Nestes filmes, os coletivos indígenas atuam em diferentes níveis. São cineastas no sentido ocidental, apontam a câmera para a sociedade colonial, para o quotidiano da sua aldeia, para os seus rituais, ou ainda para os avanços do agronegócio. Também colaboram com não-indígenas na produção e realização dos seus filmes.

09.03.2019 | por vários

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo Isabelle Kouraogo trata o tema do abandono paterno com segurança e respeito, acrescentando detalhes invulgares e inesperados a uma narrativa que é a realidade de muitos milhares de crianças. Os dois atores representam com eficácia e sobriedade as respetivas personagens e espelham bem todas as vivências e desejos que os habitam.

05.03.2019 | por Luísa Fresta

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada Este artigo surge do interesse pelo contexto de produção do cinema brasileiro contemporâneo, caracterizado por um redimensionamento dos aspectos políticos de sua atuação a partir de uma breve digressão sobre o cinema da Retomada até o filme O som ao redor. Analisaremos também o filme Vazante cujo tema abordado está contido no interior de rearranjos culturais do cinema contemporâneo tornando-se um filme importante para compreensão do atual contexto cultural e político no Brasil.

19.02.2019 | por Michelle Sales

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda No limite, talvez um homem deva prescindir da sua própria existência para dar lugar a uma nova vida, e é essa uma das linhas mestras da história de Ahmed Zeda. Há uma mensagem que cada espectador desvendará segundo os seus próprios referentes. O cineasta é sobretudo o projetor que ilumina a cena, como um sol potente que afasta as nuvens mais carregadas.

18.02.2019 | por Luísa Fresta

«Maison de Retraite», um filme de Ismaël Césaire Nebyinga Kafando

«Maison de Retraite», um filme de Ismaël Césaire Nebyinga Kafando O filme de Nebyinga Kafando traz a lume a questão: quais os desafios para os mais jovens e para a sociedade em geral no que diz respeito ao acompanhamento dos mais velhos nos dias de hoje e num futuro próximo, nomeadamente em África, quando a doença bate à porta e o idoso, já algo afastado do convívio da família nuclear, se torna ainda mais excluído por via da invalidez?

06.02.2019 | por Luísa Fresta