A tessitura da memória

A tessitura da memória Obviamente, a pintura de Kaphar seria uma denúncia eloquente do racismo, mesmo se vista isoladamente e desprovida de qualquer contexto. Justaposta à fotografia de Papf, no entanto, ela assume uma outra camada importante, pois serve para lembrar e testemunhar a violência e a crueldade da escravidão até mesmo nos espaços mais íntimos e domésticos.

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18.10.2018 | por Paulo de Medeiros

Jimmie Durham e a mentalidade colonial no Brasil

Jimmie Durham e a mentalidade colonial no Brasil Ao questionar a história, Durham questiona a própria ideia de passado, e traz a tarefa de tratarmos de nossos traumas no presente. Ele não faz comentários sobre a arte brasileira especificamente, muito menos sobre nossa antropofagia cultural. O artista está interessado nas características e consequências da mentalidade colonial da sociedade brasileira.

Cara a cara

18.10.2018 | por Maíra das Neves

"Uma extensão da busca política por novas perspectivas", entrevista a Juliano Gomes sobre Vazante

"Uma extensão da busca política por novas perspectivas", entrevista a Juliano Gomes sobre Vazante será bem vindo um filme que possa reestudar a escravidão e colonialismo brasileiro a partir de matrizes estéticas e conceituais que emergiram com mais visibilidade nos últimos anos. Mas o filme histórico carrega em geral uma barreira financeira muito complexa de ser dissolvida, custa dinheiro, arte, fotografia, locações. Isso toca aquela questão do “poder falar de tudo”

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16.10.2018 | por Michele Salles

O design da identidade nacional através do vestuário: o pánu di téra de Cabo Verde

O design da identidade nacional através do vestuário: o pánu di téra de Cabo Verde Do mesmo modo que reinventamos a nossa infância individual, criando uma narrativa – uma dentro das várias possíveis − com a qual escolhemos identificar-nos, podemos afirmar que as identidades nacionais vão sendo criadas, retrospetivamente, através de discursos nos quais os próprios cidadãos são agentes ativos.

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15.10.2018 | por Ana Maria Garcia Nolasco da Silva

Chega de ódio, pela democracia no Brasil e no mundo

Chega de ódio, pela democracia no Brasil e no mundo Não se trata de mais um acto eleitoral, assistimos ao sintoma de uma preocupante escalada de forças e movimentos de extrema-direita no mundo. Lançamos por isso um alerta para o sério risco de retrocessos sociais, ecológicos, políticos e humanos, que estão em jogo nas eleições brasileiras.

Mukanda

15.10.2018 | por vários

Como resistir em tempos brutos

Como resistir em tempos brutos Aprendi com os povos da floresta amazônica, que tiveram suas vidas destruídas junto com a floresta mais de uma vez, e que resistem e resistem e resistem, que o principal instrumento de resistência é a alegria. Oswald de Andrade dizia que a alegria é a prova dos nove. Mas eles já sabiam disso muito antes. Metem o dedo na cara do opressor, que continua lá, e riem por gostar de rir. Riem só por desaforo.

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09.10.2018 | por Eliane Brum

Manifesto do pau-brasil

Manifesto do pau-brasil A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.

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08.10.2018 | por Oswald de Andrade

Toda a imagem é pele: cartografia do afecto ou os mundos outros na fotografia de Pieter Hugo

Toda a imagem é pele: cartografia do afecto ou os mundos outros na fotografia de Pieter Hugo Antes de quaisquer pretensões estéticas, no entanto, interessa ao fotógrafo sobretudo agir com sinceridade e ser frontal – criar espelho. Por isso, aposta em tornar visível o que lhes reconhece: um “equilíbrio entre [a] dignidade, [a] autoridade e [a] vulnerabilidade”.

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08.10.2018 | por Madalena Dornellas Galvão

a dívida impagável: lendo cenas de valor contra a flecha do tempo

a dívida impagável: lendo cenas de valor contra a flecha do tempo A dívida impagável, enquanto imagem dialética, ajuda a ler o valor simultaneamente nas cenas econômica e ética, e como o capital é a mais recente configuração da matriz moderna de poder, contando com dispositivos de conhecimento (conceitos e categorias), uma gramática ética (princípios e procedimentos) e arquiteturas jurídico-econômicas (práticas e métodos), que derivam sua força de como a necessidade opera por meio de separabilidade, determinação e sequencialidade.

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04.10.2018 | por Denise Ferreira da Silva

Esquecer em português

Esquecer em português É um facto: as sociedades esquecem. É um processo necessário à criação de identidades coletivas, de solidariedades políticas, de projetos de governação da sociedade, de sobrevivência e de reinício coletivo após guerras civis ou outros eventos responsáveis por ruturas.

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02.10.2018 | por Hélia Santos

Tomorrow is another day

Tomorrow is another day  	   	Poderíamos pensar numa espécie de teatro decolonial com sua dramaturgia própria, personagens, atores sociais, narrativas, em que se explicita as dinâmicas que animaram e ainda animam as relações que se perpetuam na contemporaneidade com referencias ao passado e construção do presente, da filosofia da estética em relação com a cidade, e que questiona quem somos nós nesta peça?

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27.09.2018 | por Cristiana Tejo

Sou filha desse passado, mas sinto que não faço parte dele.

Sou filha desse passado, mas sinto que não faço parte dele. E isso é uma herança do passado colonial. O estereótipo do negro, do negro que não sabe falar bem, do negro que não se veste bem, do negro que não se comporta bem, do negro que não tem estudos, que não lê, não escreve, não pensa. Isto ficou. Essa herança do passado ficou. E eu sou esse passado. Eu nasci por causa desse passado; sou filha desse passado. Sei disso. Mas sinto que não faço parte dele.

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26.09.2018 | por Ariana Furtado

O Museu Casa da Memória (Medellín) e a memória como passado-presente

O Museu Casa da Memória (Medellín) e a memória como passado-presente A proposta museológica passa pois por utilizar a memória como ferramenta reflexiva que permita ressignificar esse passado-presente e que abra espaço para modos partilhados e plurais de contar o acontecido, um elemento que se evidencia percorrendo a exposição permanente Medellín: Memorias de Violencia y Resistencia e - de forma ainda mais evidente – nos processos participativos de construção das exposições Geografías de la Verdad (que esteve patente ao público até agosto) e Medellín ES (atualmente visitável e que terá uma segunda parte inaugurada em final de setembro). Museologia viva em conexão com as comunidades, o MCM tem no recurso à expressão artística um eixo fundamental do seu labor.

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25.09.2018 | por Miguel Cardina

Entre a memória e o seu apagamento: O Grande Kilapy de Zézé Gamboa e o legado do colonialismo português

Entre a memória e o seu apagamento: O Grande Kilapy de Zézé Gamboa e o legado do colonialismo português Gamboa contribui para a descolonização do imaginário ao reclamar memórias e reenquadrar a história, mas também como esta redenção e transmissão da memória se encontra limitada pelos constrangimentos de produção e de distribuição enfrentados pelo próprio filme e determinados pelas configurações de poder características do espaço lusófono pós-colonial. As estratégias alternativas empregues n'O Grande Kilapy, tais como a transmissão oral de histórias, são essenciais para superar estes limites.

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24.09.2018 | por Katy Stewart

Introduzir novas estéticas e novas linguagens para a dança em Angola, entrevista a Ana Clara Guerra Marques

Introduzir novas estéticas e novas linguagens para a dança em Angola, entrevista a Ana Clara Guerra Marques "A modernidade chegou às aldeias e as formas de poder tradicionais já não possuem as mesmas características, nem as mesmas abrangências. Os distintos agentes sociais alteram as suas funções e transformam-se as essências." conta a coreógrafa e directora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola.

Palcos

24.09.2018 | por Marta Lança

Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos

Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos Em sua visão, “uma sociedade é racista ou não é” e “o racismo colonial não difere de outros racismos”. Quando busca explicar uma idéia-força e mostrar o escândalo que representa, sua prosa poética e retórica se revela. Além disso, para ele, a libertação dos indígenas passa pela recusa do mundo da interdição, pela afirmação do “eu” negado pelo colonizador, que os vê como uma massa disforme e serviçal.

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23.09.2018 | por Anne Mathieu

A falácia do “racismo inverso”

A falácia do “racismo inverso” E é deste contexto que surge o que denominamos de racismo, uma opressão histórica, violência sistémica, uma relação de poder e de profunda desigualdade. E é por isso que o racismo está intrinsecamente, e historicamente, ligado à inferiorização dos negros (e não dos brancos).

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22.09.2018 | por Joacine Katar Moreira

Não serei eu mulher? As mulheres negras e o feminismo - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Não serei eu mulher? As mulheres negras e o feminismo - PRÉ-PUBLICAÇÃO O meu intenso empenho na crescente consciência feminista levou‑me a confrontar a realidade das diferenças de raça, de classe social e de género. Tal como me tinha revoltado contra as ideias sexistas acerca do lugar de uma mulher, também contestava o lugar e a identidade das mulheres no seio dos círculos de emancipação feminina; não conseguia encontrar lugar para mim no movimento. A minha experiência enquanto jovem e negra não era reconhecida.

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17.09.2018 | por bell hooks

Europa, periferia das ilhas crioulas

Europa, periferia das ilhas crioulas trata-se na verdade de uma peregrinação ao longo do rio Sado em demanda dos rastos de descendentes de escravos negros trazidos para esta zona, para o cultivo do arroz, no século XVIII, que se entrelaça com a vida de outros negros na Europa e da sua própria vida de mestiço, herdeiro de tantas cicatrizes, diásporas e cruzamentos, flagrados em histórias ocultas e silenciadas, em fragmentos dispersos, indícios, fantasmas.

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15.09.2018 | por Margarida Calafate Ribeiro

Lula Liberto!

Lula Liberto! Esse continuum escravocrata não tolera as brechas criadas e conquistadas – provocando uma tragédia com o Brasil, jogando-o numa espiral recessiva e numa sobreposição de crises (política, econômica, social, existencial). A fome – seu fim como símbolo maior das conquistas do período Lula – volta a rondar muita gente.A austeridade, criminosa em qualquer canto do planeta, ganha outras camadas de perversidade por essas bandas.

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13.09.2018 | por JeanTible