Cabo Verde, rap e movimentos sociais

Cabo Verde, rap e movimentos sociais O papel do rap na mediação dos processos de paz no contexto da violência dos gangues de rua e contributo no processo de transformação dos gangues em organizações de rua. Por outro lado, tornou público os discursos infrapolíticos contra um sistema de Estado-bipartidário pós-colonial e nocivo aos interesses do cidadão comum e serviu de fundo sonoro às grandes movimentações de rua que marcaram o país nos últimos anos.

05.08.2020 | por Redy Wilson Lima

O que é este momento político?

O que é este momento político? Esta campanha, em articulação estreita com organizações comunitárias locais, tem como principal objetivo contribuir para ampliar as redes de solidariedade que visam colmatar a quase ausência de apoio estatal a famílias negras, ciganas, migrantes e em situação de maior vulnerabilidade, particularmente fustigadas pela crise atual.

29.07.2020 | por Ana Bigotte Vieira

Bairrismo em tempo de pandemia do COVID-19

Bairrismo em tempo de pandemia do COVID-19 o bairrismo tende a agudizar-se em tempos de COVID-19 e na discussão do EEP, ou seja, tanto do ponto de vista das relações sociais como político , na base de instituições jurídicas e políticas, bem como os modos de pensar e as respectivas ideologias ao estruturar a sociedade caboverdeana.

26.07.2020 | por Elsa Fontes

Visualidade das políticas públicas de memória: caso de Padre António Vieira

Visualidade das políticas públicas de memória: caso de Padre António Vieira A contradição das ações e representações históricas e memorialísticas no espaço público marcam a visualidade empreendida num discurso público e institucional que abarca um complexo de memórias referente ao colonialismo até à atualidade. Tento expor a situação alusiva aos lugares de memória que reclamam memórias invisibilizadas pela história, recorrendo ao exemplo da estátua do Padre António Vieira.

12.07.2020 | por Carolina Ferreira Mourão

Os condenados pela Covid-19: uma análise fanoniana das expressões coloniais do genocídio negro no Brasil contemporâneo

Os condenados pela Covid-19: uma análise fanoniana das expressões coloniais do genocídio negro no Brasil contemporâneo Proponho uma análise fanoniana das relações dialéticas entre capitalismo, colonialismo e racismo, subjacentes à conjuntura política e sanitária brasileira. Em um primeiro momento, tomo a noção de violência colonial presente em 'Os Condenados da Terra', como referência para problematizar as respostas brasileiras à pandemia de Covid-19.

10.07.2020 | por Deivison M. Faustino

Cabo Verde e a discussão sobre os símbolos esclavagistas, colonialistas e de reprodução da prática morgadia

Cabo Verde e a discussão sobre os símbolos esclavagistas, colonialistas e de reprodução da prática morgadia A carta que hoje traz o assunto da remoção dos símbolos esclavagistas e colonialistas, à qual acrescento o fim da reprodução da prática morgadia em modo de instalação de placas de ostentação da fulanização do poder, enquadra-se na terceira vaga de protestos antirracistas e anticolonialistas com séculos de história, mas materializado em parte com a declaração simbólica da independência.

17.06.2020 | por Redy Wilson Lima

Cabo Verde, História e a continuidade colonial

Cabo Verde, História e a continuidade colonial É quase heresia falar da história da escravatura, do colonialismo e do neocolonialismo em Cabo Verde. Não se fala desses assuntos porque o Estado e a elite não gostam. Porque vamos afetar a nossa relação com Portugal, ou a Europa de forma geral. Nem se fala destas questões por sermos nós tão “específicos”, tão “especiais”, tão “ singulares”.

14.06.2020 | por Alexssandro Robalo

Diário de um etnólogo guineense na Europa (3)

Diário de um etnólogo guineense na Europa (3) O tio Paulo Bano diz que os tugas têm orgulho e vaidade nos símbolos de poder, de violência e de opressão, e não toleram quem não os respeite. Chegaram à Guiné, destruíram todos os símbolos das pessoas, dizendo que eram maus, e colocaram os símbolos deles. Contou-me que os tugas obrigavam toda a gente na Guiné a aprender uma cantiga, para mostrar a sua importância e grandeza, até o próprio mar era nada perante um tuga.

14.06.2020 | por Marinho de Pina

O Renascimento do Harlem: uma nova identidade afro-americana

O Renascimento do Harlem: uma nova identidade afro-americana No auge do movimento, o Harlem foi o epicentro da cultura americana. O bairro fervilhava com editoras e jornais afro-americanos, companhias de música, teatros, casas noturnas e cabarés. A literatura, a música e a moda criaram uma cultura definida e “cool” para negros e brancos, tanto na América quanto no mundo.

15.04.2020 | por vários

Caminhar pelas ruas de Maputo é encontrar um futuro do passado

Caminhar pelas ruas de Maputo é encontrar um futuro do passado Os antigos nomes das ruas da cidade foram trocados por homenagens a líderes revolucionários socialistas: Anchieta, Diogo Cão, General Rosado, Álvarez Cabral, Duque de Connaught foram então substituídos por líderes da esquerda global considerados exemplares como Patrice Lumumba, Samora Machel, Ho Chi Min, Agostinho Neto, Mao Tse Tung, Karl Marx, Salvador Allende, Vladimir Lenine, Frederich Engels... Isso marca uma profunda distância dos nomes de rua desprovidos de história da capital brasileira - Brasília, em que a via pública é referenciada como quadras, blocos, setores pertencentes a zonas e asas do plano piloto, de forma “neutra e moderna”.

25.03.2020 | por Priscila Dorella e Matheus Pereira

Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal

Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal O presente artigo dá conta de um roteiro sobre a presença negra em Setúbal, nos séculos XV a XVIII, concebido enquanto “aula-passeio”, espaço de educação não formal sobre o colonialismo português. Pretende-se suscitar o rompimento com a narrativa lusotropicalista, entender a escravatura como um sistema complexo e parte de conflitos geopolíticos globais e conduzir os participantes na “descoberta” de como os outros estão, afinal, em nós.

10.03.2020 | por Ana Alcântara, Carlos Cruz e Cristina Roldão

Bahia dinheiro curto mas sonho comprido. E Angola?

Bahia dinheiro curto mas sonho comprido. E Angola? Onde foi que nos perdemos de nós? Deitamos fora o tempo, não mais nos sabemos direito. Uns para um lado. E outros sem ele. Não insistimos no que nos pertence... e por aqui nos “vence” com estórias que são as nossas. Fazemos nada por ser parecido, quando se é igual. A vida passa ao lado. Nada nos amola. A festa não rola. O que foi que nós fizemos? O que foi que permitimos que nos fizessem?

09.02.2020 | por Isabel Baptista

Reparar no olhar: Lisboa anos 90

Reparar no olhar: Lisboa anos 90 A cidade surge, no livro, frequentemente perspectivada a partir das periferias, ou mostrada a partir de espaços intersticiais no que diz respeito à representação, hoje tão claramente tipificada, do centro histórico, (e ali praticamente ausente, tal como as Avenidas Novas). “O que é que pomos no nome Lisboa?”, questionou-se a dada altura na conversa, referindo-se também que a sua paisagem (e aqui inclui-se os ditos espaços verdes), surge em muitas das imagens na condição de espaço desabitado ou circunscrito ao olhar de um único indivíduo.

24.01.2020 | por Ana Gandum

Opaco | ɔˈpaku, fotografias de Lubanzadyo Mpemba Bula

Opaco | ɔˈpaku, fotografias de Lubanzadyo Mpemba Bula As doze performances pensadas para a câmara fotográfica habitam a tensão entre duas dimensões de representação - a cidade como espaço e o mundo como corpo - uma vez que a cidade é-nos apresentada pelo seu betão anónimo e o mundo é tido como a experiência acumulada e materializada do indivíduo através do seu corpo.

15.11.2019 | por Raquel Lima

Amazona

Amazona Se a espécie humana se autodestruísse e desaparecesse do planeta, o Rio de Janeiro seria uma das primeiras cidades a recuperar o seu biótopo natural. Em poucos meses, a humidade racharia o cimento, permitindo a infiltração da água, e o tempo faria essas fendas se alargarem, favorecendo a irrupção de ervas. Se os esgotos fossem destruídos, antigos cursos de água reapareceriam e novos surgiriam. Não tardaria para que praças e ciclovias fossem invadidas por gambás, gaviões, cobras, capivaras e corujas. Em pouco tempo, a floresta ocuparia toda a região.

29.10.2019 | por Rita Brás

A lua de Atenas

A lua de Atenas Que ferida é esta que me consome e me deixa com o vento de mil cascos de cavalos em fuga adiante pelo horizonte. A miragem? A ferida que espuma de perda e desarranjo, de memória, de remorso, de... é tarde demais, escrevo, para a cura. Fraco demais para tanta batalha, tanta purga. Vou falando aqui e ali sobre o que é ter disforia de gênero uma vida inteira e não saber como me curar. Só em Atenas e ainda assim com toda a noite de Atenas.

27.10.2019 | por Adin Manuel

Chile: um modelo de maltrato e privilégio

Chile: um modelo de maltrato e privilégio Encontrei slogans contra a polícia e o governo, barricadas com fogo, muita gente batendo panela, saques em supermercados, esperança, indignação, medo e muita solidariedade. Senti-me parte de um coletivo e, vivendo um momento único, senti orgulho de ser chileno.

24.10.2019 | por Pablo Mardones

Investigando o conflito urbano e a reciprocidade entre a Chicala e Luanda, Angola

Investigando o conflito urbano e a reciprocidade entre a Chicala e Luanda, Angola No contexto da actual trajectória neoliberal de regeneração urbana de Luanda, após uma longa guerra civil (1975-2002), a Chicala atravessa um período de demolição e substituição por projectos imobiliários de alto padrão. A investigação teve início justamente antes que iniciassem os planos da eliminação completa do bairro, e que as autoridades e investidores privados obrigassem os seus habitantes a deslocar-se para assentamentos remotos em condições de vida inadequadas.

22.10.2019 | por Paulo Moreira

OUTROS BAIRROS: as intervenções nos bairros de Alto de Bomba, Covada de Bruxa e Fernando de Pó

OUTROS BAIRROS: as intervenções nos bairros de Alto de Bomba, Covada de Bruxa e Fernando de Pó Esta experiência permitiu, ainda, reflectir sobre a política pública de habitação de Cabo Verde que, até ao momento não apresentava nenhuma acção especifica para este tipo de assentamentos que, sobretudo nas cidades da Praia e do Mindelo, são, cada vez mais, parte considerável das suas periferias.

17.10.2019 | por Nuno Flores

Gentrilogy: Trilogia da Gentrificação

Gentrilogy: Trilogia da Gentrificação O projeto levantou uma discussão crítica sobre o papel de artistas, instituições culturais e seus operadores (trabalhadores do conhecimento) sobre a transformação urbana. O fenômeno da gentrificação está associado à difusão de economias em transformação, motores de capitalismo cognitivo, parte de um sistema econômico unificado de que nós mesmos, como trabalhadores do conhecimento, somos parte.

12.09.2019 | por Laura Burocco