O futebol a dar vida à cidade? Talvez sim...

O futebol a dar vida à cidade? Talvez sim... O Campeonato Interbairros põe Bissau em movimento: reúne bairros, cria oportunidades de trabalho e faz do futebol um lugar de encontro. Mamadu Alimo Djaló recupera a lição de unidade de Amílcar Cabral para lembrar que a paixão pela bola não pode servir de distração perante a falta de respostas para a saúde, a educação, a agricultura e a justiça.

24.09.2026 | por Mamadu Alimo Djaló

Cáucaso: a romã de doces estilhaços pós-soviéticos (parte 2)

Cáucaso: a romã de doces estilhaços pós-soviéticos (parte 2) A memória histórica da União Soviética foi-nos, regra geral, vendida dentro de uma embalagem de amnésia seletiva a preto e branco, pelos mesmos que nos tentaram vender o capitalismo como o fim da História, essa com H grande. Agora que já não havia Muro de Berlim — vamos pôr as palas etnocêntricas para não ver os outros muros, ainda maiores, que entretanto cresceram em Ceuta, no México ou na Cisjordânia —, convenceram-nos de que viveríamos ainda melhor do que os nossos pais e de que a prosperidade e a liberdade seriam sempre a somar. Omitiram a parte em que uns poucos, muito poucos, são cada vez mais, muito mais, prósperos e livres do que todos os outros.

18.09.2026 | por André Almeida

O Paraíso em Braga

O Paraíso em Braga Religar-se às referências da Afrodescendência é hoje um imperativo, no contexto em que o espaço político, de opinião e de decisão pública é massivamente dominado por um discurso de ódio contra a imigração e a diversidade. Iniciativas que se proponham a recolocar as discussões sobre as minorias são formas de resistência: relembram aquilo que podemos fazer com o que herdamos.

17.09.2026 | por Zezé Nguellekka

Corpo como Fronteira, a fotografia de Ildefonso Colaço

Corpo como Fronteira, a fotografia de Ildefonso Colaço A fotografia de Ildefonso Colaço desloca os bairros periféricos de Maputo para o centro da cidade e acompanha uma nova geração que inventa formas de ser através da moda, do corpo e da performance. Em diálogo com o Mapiko e a memória cultural makonde, estas imagens interrogam as máscaras, as identidades e os sonhos de liberdade que atravessam o Moçambique contemporâneo.

08.09.2026 | por Inês Cordeiro Dias

Cáucaso: a romã de doces estilhaços pós-soviéticos (parte 1)

Cáucaso: a romã de doces estilhaços pós-soviéticos (parte 1) Entre Yerevan e Tbilisi, o Cáucaso revela-se uma região de fronteiras esborratadas, memórias imperiais e estilhaços pós-soviéticos. Uma viagem pela Arménia dos prédios de cimento, dos Maybachs reluzentes, do Ararat perdido para a Turquia e de um genocídio que continua a organizar a memória coletiva — com escalas aeroportuárias, mapas em papel e um detox digital condenado ao fracasso.

05.09.2026 | por André Almeida

A Melhor história deste Mundial

A Melhor história deste Mundial Cabo Verde atirou-se ao jogo com o desespero de quem sabia que o lugar deles era ali, ao contrário do que muitos dos seus jogadores ouviram a vida inteira. Não vou reproduzir os palavrões quando, do mesmo lugar de onde fizera o golo, mas agora num livre directo, Sidny faz um remate igual, mas o guarda-redes argentino defende in extremis para canto. Cabo Verde caiu de pé, e muitos argentinos venceram deitados no chão, derreados pelo esforço. Que orgulho devem ter os cabo-verdianos numa equipa verdadeiramente inspiradora. Nem todas as histórias bonitas têm um final feliz. Esta tinha-o merecido sobejamente.

04.09.2026 | por Pedro Goulão

É na periferia que o futuro se revela! Festival de Músicas do Mundo

É na periferia que o futuro se revela! Festival de Músicas do Mundo O festival é feito de um posicionamento político, defendendo e pondo em prática um mundo em que todos acedem a direitos e deveres, em que o respeito pelo outro se constrói muito para além dos números e dos artigos das convenções, através da descoberta, da compreensão e do diálogo. Carlos Seixas, programador e criador do FMM, é reconhecido pelos músicos, programadores e produtores da cena nacional e mundial pelo seu carisma, generosidade e talento. O festival tem a marca da sua curadoria e criou um legado que é importante preservar, reconhecer e dignificar.

14.08.2026 | por Maria Prata

Cuba Sí!

Cuba Sí! Os progressos da revolução estavam à vista e eram inegáveis. Desde logo na educação, na saúde, no combate à miséria e no entusiasmo popular. E a admiração de todos os que, pelos cinco continentes, ansiavam por uma terra sem amos era cada vez maior. Por isso mesmo, desde os alvores da libertação, Cuba tornou-se um alvo privilegiado dos donos do mundo, em particular do imperialismo norte-americano.

13.08.2026 | por José António Cerejo

Coleção enquanto operação Instrumentos e metodologias para pensar a coleção e a restituição

Coleção enquanto operação Instrumentos e metodologias para pensar a coleção e a restituição Colecionar implica selecionar, retirar do uso, preservar, ordenar e expor. Na génese deste processo encontra-se uma intenção que legitima a apropriação do objeto, retirando-o da sua circulação natural e transformando-o num símbolo. Neste sentido, os objetos musealizados são reinscritos em regimes de valor, inteligibilidade e memória, passando a operar como mediadores. Este gesto, profundamente marcado pela relação entre identidade e posse, participa na produção do poder através do visível.

24.06.2026 | por Johanna Carter Abad

Entre arte e memória: Rosana Paulino e a construção de narrativas decoloniais

Entre arte e memória: Rosana Paulino e a construção de narrativas decoloniais A prática de Rosana Paulino insere-se num movimento mais amplo da arte contemporânea internacional que, a partir de cerca de 1990, passou a tomar o arquivo histórico como material crítico. Hal Foster, no ensaio An Archival Impulse (2004), identifica uma geração de artistas contemporâneos como Christian Boltanski, Walid Raad e Tacida Dean que trabalham e recuperam documentos, fotografias e registos institucionais para os reconfigurar segundo outras lógicas de sentido, não para restaurar o passado, mas para tornar legíveis as suas lacunas e violências.

24.06.2026 | por Luiza Calixto Tarasconi

Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 2

Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 2 Cabo Verde tem uma relação muito concreta com os limites: repartir o que há, desenrascar o que falta. Num sistema que continua a identificar progresso com crescimento infinito - e das crises ecológica e social produzidas por esse mesmo modelo -, o talento de países pequenos e sem recursos como Cabo Verde, capazes de transformar sobrevivência em comunidade, é uma inspiração. Um modo de lutar por condições que talvez venha da experiência histórica de sobreviver à fome. Da prática de djunta mon - de partilhar mãos e recursos, inter-ajuda entre vizinhos, parentes e emigrante. A música, que transformou perda e dor em coisas bonitas. Das mulheres que sustentam praticamente a economia doméstica durante décadas de emigração masculina. Toda essa energia não se reduz aos diagnósticos e político-sociais-económicos e aos indicadores internacionais.

24.06.2026 | por Marta Lança

Olhares críticos no arquivo colonial – sombras e memórias

Olhares críticos no arquivo colonial – sombras e memórias Seis artistas foram convidados a desenvolver obras inéditas a partir de uma investigação nos arquivos das missões científicas coloniais realizadas na Guiné-Bissau, em Angola e em Moçambique entre as décadas de 1930 e 1950. A exposição apresenta o resultado de vários meses de pesquisa nas reservas do museu, através de diferentes linguagens artísticas, propondo uma reflexão sobre o papel do museu enquanto repositório de memórias e patrimónios africanos.

23.06.2026 | por vários

Limites, silêncios e ausências, a propósito da exposição ‘Ceci N'est Pas Francisco’

Limites, silêncios e ausências, a propósito da exposição ‘Ceci N'est Pas Francisco’ O trabalho de Marta Pinto Machado tem-se desenvolvido em torno da fotografia e do arquivo, explorando as relações entre memória, história, identidade e pertença, bem como os seus limites, silêncios e ausências. É precisamente nesse território, situado entre o visível e o invisível, entre a memória e o esquecimento, que se desenvolvem muitas das questões presentes nesta exposição. Para compreender melhor esta exposição, gostaria de partir de três projetos da artista que me parecem fundamentais para compreender algumas das questões que atravessam esta exposição.

11.06.2026 | por Inês Vieira Gomes

Palimpsesto: a curadoria como montagem de temporalidades em Notre Feu

Palimpsesto: a curadoria como montagem de temporalidades em Notre Feu Na série L’invention du courage (O salto) (2021-2025), Isabelle trabalha sobre retratos transferidos para madeira e posteriormente quebrados e intervencionados com tinta acrílica. Importa sublinhar que a fotografia original permanece intacta. Aquilo que é destruído é a imagem transferida. Os rostos tornam-se parcialmente ocultos por cortes e manchas de cor intensa.

08.06.2026 | por Francisca Listopad

Uma questão de... lixo

Uma questão de... lixo O lixo moderno veio com os tugas, e não saem nem por nada. Teimosos como tudo. Não desaparece se não for tratado... estou a falar do lixo, os tugas não me chateiam. A Câmara de Bissau (CMB) também anda a aprender com os europeus, então leva o lixo para bem longe da vista, limpa-se Bissau e os resíduos vão de camião para Safim, para aproveitar a autoestrada de oito quilómetros, e é atirado, contaminando canais de água que passam por bolanhas. É só uma questão de logística: Bissau, cidade limpa. Safim que se lixe. Antes era em Antula, quando este era "o fim do mundo", agora que Antula é Bissau, o lixo é que tem de se pôr a andar. Gentrificação lixuosa.

06.06.2026 | por Marinho de Pina

SURPRESA! 45 anos de Oficina da Criança

SURPRESA! 45 anos de Oficina da Criança Gosto de pensar que … Supresa!! é como que uma secreta homenagem à persistência deste impulso inicial, algo utópico, que sobrevive no dia-a-dia da Oficina da Criança, mesmo se a sua formulação seja menos segura e assertiva que há 45 anos. (…) E gosto de pensar que a exposição iluminava, também, uma fé subjacente à criação e existência de espaços como a Oficina da Criança. É a fé na possibilidade – e não só na possibilidade, na exigência – de uma maneira diferente de fazer, baseada na generosidade, nos valores democráticos (antídoto eficaz contra o cinismo dominante de que “não é possível”, “não há alternativa”, “não vale a pena”), nas crianças e nos seus direitos e capacidades – fé que hoje pode parecer ingênua mas que alimentou e se alimenta de 45 anos de sólida prática. E porque não será possível? “Estamos vivos. Nada nos detém,”

22.04.2026 | por Gerbert Verheij

Um outro olhar para a Líbia de Gaddafi

Um outro olhar para a Líbia de Gaddafi Durante mais de quatro décadas, o regime de Gaddafi procurou assim construir um modelo político próprio, baseado na afirmação da soberania nacional sobre os recursos naturais e numa forte intervenção do Estado na economia. Esse projeto acabaria, contudo, por enfrentar profundas transformações no início do século XXI, culminando nos acontecimentos que levariam à queda do regime em 2011.

02.04.2026 | por Pedro Oliveira

Memórias da COP30: os documentos

Memórias da COP30: os documentos a COP de Belém entrou para a história por, na primeira vez, a convenção apresentar um Plano de Ação de Gênero de Belém (Belém Gender Action Plan 2026–2034), documento que reconhece que mulheres e meninas, incluindo indígenas, migrantes, com deficiência, agricultoras familiares e residentes de áreas rurais e remotas, sofrem impactos diferenciados da crise climática e, ao mesmo tempo, têm papel central como agentes de mudança. Também pela primeira vez, documentos oficiais da conferência mencionam afrodescendentes, reconhecendo vulnerabilidades específicas e a necessidade de políticas que considerem populações historicamente marginalizadas.

26.11.2025 | por Gabriella Florenzano

Zineb Sedira: ainda aqui sem saber que caminho tomar

Zineb Sedira: ainda aqui sem saber que caminho tomar Foi esse contexto histórico de trocas políticas e utopias que inspirou a artista Zineb Sedira a desenvolver Standing Here Wondering Which Way To Go, um projeto multimídia que explora sonhos emancipatórios, redes transnacionais e noções de convívio. O título da exposição refere-se a uma canção interpretada pela cantora afro-americana Marion Williams no Festival Pan-Africano de Argel, remetendo-nos para o espírito de solidariedade e resistência global dos anos 1960 tão presente na Argélia recém-independente. Dividida em quatro "cenas", a exposição também celebra a cultura em suas diversas formas como uma ferramenta vital para a mobilização social e a consciência política. Do ponto de vista da carreira da artista, este projeto expande e reforça o notável trabalho de Sedira em torno do arquivo, concebendo-o como um espaço de movimento, ação e interação onde narrativas autobiográficas, documentais e históricas se justapõem.

13.11.2025 | por Amanda Tavares

nós-rio Uma exposição com o Rio Grande da Pipa pelo coletivo c.a.m.p.o

nós-rio Uma exposição com o Rio Grande da Pipa pelo coletivo c.a.m.p.o nós-rio é o resultado dessa co-existência e dessa co-autoria, que se foi revelando nos mais diversos formatos. O impacto acabou por se reproduzir em praticamente todos os trabalhos. Multiplicar essas paisagens foi, também, um modo de nos tornarmos veículo do rio: mapeamos para conhecer e proteger, quer seja em pinturas, fotografias, filmes ou bordados.

02.10.2025 | por coletivo c.a.m.p.o s