A Revolução Mahsa Amini

A Revolução Mahsa Amini Em resposta e apoio a esta repressão e contestação popular, a União Europeia tem o dever de agir e apoiar os direitos das mulheres do Irão, em particular e, em geral, apoiar os cidadãos deste país do Médio Oriente. A União Europeia, um dos maiores blocos económicos mundiais e líder internacional na defesa dos Direitos Humanos e da Democracia, tem à sua disposição várias ferramentas que podem colocar em ação o quanto antes.

08.11.2022 | por Rui Martins

Brasileiros na fronteira, um rasto no deserto

Brasileiros na fronteira, um rasto no deserto Desde 2019, a crise económica no Brasil atirou dezenas de milhares de pessoas para uma longa rota de migração em direção à fronteira entre o México e os Estados Unidos. Famílias inteiras juntam-se a centro-americanos, cubanos, haitianos, venezuelanos, africanos ou asiáticos num caminho perigoso. Sem retorno, este caminho, para os que o deserto lhes tira o alento.

26.10.2022 | por Pedro Cardoso

Visão de África I

Visão de África I A única solução potencial para a Europa, onde os reformados excedem os trabalhadores, sendo duas vezes mais do que estes, e onde as mortes superam os nascimentos, será contar com um fluxo constante de imigrantes, com a maioria dos recém-chegados a serem oriundos do único continente que ainda apresenta um crescimento na população: África.

18.10.2022 | por Ednilson Leandro Pina Fernandes

As histórias de jovens mortas nas manifestações por liberdade e contra o uso do véu no Irão

As histórias de jovens mortas nas manifestações por liberdade e contra o uso do véu no Irão A morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial levou à eclosão de uma onda de protestos no Irão. A jovem foi detida pela chamada "polícia da moralidade" por causa da forma como usava o véu islâmico – segundo relatos, teria deixado alguns fios de cabelo visíveis sob o hijab. Segundo testemunhas, Mahsa foi agredida numa viatura. A polícia nega, e diz que ela morreu por causa de um problema cardíaco pré-existente. O uso do véu tornou-se obrigatório no país após a Revolução Islâmica, em 1979, que transformou a vida dos iranianos – principalmente as mulheres, que viram os seus diretos serem bastantes restringidos.

12.10.2022 | por Haniya Ali

Os fantasmas de Tlatelolco

Os fantasmas de Tlatelolco No verão de 1968, uma crise estudantil no México põe o governo de Gustavo Díaz Ordaz à beira de um ataque de nervos. O braço-de-ferro acaba de forma abrupta a 2 de outubro, com o massacre de um número indeterminado de manifestantes na Praça das Três Culturas, no bairro de Tlatelolco.

03.10.2022 | por Pedro Cardoso

Imigrantes versus refugiados: dividir para reinar

Imigrantes versus refugiados: dividir para reinar A conceção liberal de refugiado tem um efeito prático inegável: segrega. Deixa poucos direitos aos refugiados e nenhuns aos migrantes económicos. A criação destas categorias, baseadas, muitas vezes, em artificialismos, permitem, à partida, escolher as pessoas, aquelas que merecem, ou não, o nosso apoio. Que merecem, ou não, ser salvas. E, ao catalogá-las permanentemente, estamos a desprovê-las de capacidade reivindicativa, a inibir qualquer mobilização coletiva. A despojá-las do direito a ter direitos.

09.08.2022 | por Mariana Carneiro

Por um mundo sem fronteiras

Por um mundo sem fronteiras O imaginário da invasão tem alimentado uma espécie de “psicose coletiva”, baseada no medo do outro, do desconhecido, na propalada ameaça permanente do terrorismo. E este espectro da invasão serve como justificação para a construção de muros e vedações que aumentam a brecha entre nós e os outros, que alimentam os nacionalismos excludentes e os discursos e práticas xenófobos e racistas tão acarinhados pelos movimentos de extrema-direita.

09.08.2022 | por Mariana Carneiro

Carta de Berlim: Restitutions Art Lab

Carta de Berlim: Restitutions Art Lab O debate sobre as restituições em Portugal continua praticamente inexistente. Quase emergiu em 2020 quando a ex-deputada Joacine Katar Moreira submeteu uma Proposta de Alteração ao Orçamento do Estado de 2020 para a constituição de uma comissão de especialistas cuja tarefa seria listar os objetos roubados ou “adquiridos” em contexto colonial. Face a esta simples proposição – a de um comissão – logo uma série de argumentos escabrosos saltaram para as páginas dos jornais e inundaram redes sociais: “esse é um debate importado, que não faz sentido em Portugal”, “não há pedidos de restituição”, “e então e os objetos portugueses, como a xorca de Sintra, no British Museum?”. A discussão, no espaço público português, ficou por aqui, enquanto que em países como a Alemanha, a Bélgica e a França tem dado frutos, nomeadamente manifestada em devoluções concretas.

30.06.2022 | por Inês Beleza Barreiros e Kitty Furtado (Ana Cristina Pereira)

Uma América sem América

Uma América sem América Na semana passada, os Estados Unidos organizaram a 9ª Cimeira das Américas em Los Angeles, Califórnia. O encontro da Organização de Estados Americanos (OEA) foi parco em resultados e repleto em rebeldia. O encontro ficou marcado pela ausência do México, El Salvador, Guatemala, Honduras e Bolívia, em protesto pela recusa dos EUA em convidar Cuba, Venezuela e Nicarágua. Nunca mais uma América sem América, exigiram.

16.06.2022 | por Pedro Cardoso

Nós, os Refugiados

Nós, os Refugiados Um refugiado costuma ser uma pessoa obrigada a procurar refúgio devido a algum acto cometido ou por tomar alguma opinião política. Bom, é verdade que tivemos que procurar refúgio; mas não cometemos nenhum acto e a maioria de nós nunca sonhou em ter qualquer opinião política radical. O sentido do termo “refugiado” mudou connosco. Agora “refugiados” são aqueles de nós que chegaram à infelicidade de chegar a um novo país sem meios e tiveram que ser ajudados por comités de refugiados.

15.06.2022 | por Hannah Arendt

A fuga dos alemães

A fuga dos alemães Desde Junho de 2021, uma inusitada onda de alemães assentou-se no sul do Paraguai. São milhares de imigrantes. Fogem dos impostos, das vacinas anti-Covid e dos refugiados muçulmanos na Alemanha que, asseguram, são violentos e desvirtuaram a matriz germânica do país. A história mete ao barulho seitas religiosas, falcatruas, corrupção e uma extrema direita europeia com tentáculos no outro lado do oceano.

02.05.2022 | por Pedro Cardoso

Los Cabos Russos

Los Cabos Russos Em tempos de guerra, o paraíso de Los Cabos, em Baixa Califórnia Sul, no México, está em voga entre os multimilionários russos. Os iates de luxo que flutuam nas marinas último modelo contrastam, porém, com os acampamentos improvisados de russos e ucranianos que esperam em Tijuana para entrar nos Estados Unidos. À medida que EUA e Rússia disputam uma vez mais a influência política na América Latina, a região olha, com espanto, para uma Europa frágil e assustada.

31.03.2022 | por Pedro Cardoso

Lucio Costa era racista? Notas sobre raça, colonialismo, e a arquitetura moderna brasileira

Lucio Costa era racista? Notas sobre raça, colonialismo, e a arquitetura moderna brasileira No título, Paulo Tavares dá o tom de seu ensaio ao perguntar: “Lucio Costa era racista?” Em seguida, revê alguns de seus textos cruciais, demonstrando como a questão racial e o colonialismo embasam seu pensamento. Se em 1928, na entrevista que concedeu ao jornal O Paiz, Costa diz que “Tudo é função da raça. A raça sendo boa o governo é bom, será boa a arquitetura. Falem, discutam, gesticulem, o nosso problema básico é a imigração selecionada, o resto é secundário, virá por si”, em 1957, no Relatório do Plano Piloto de Brasília, ele afirma: “Trata-se de um ato deliberado de posse, de um gesto de sentido ainda desbravador, nos moldes da tradição colonial”.

23.02.2022 | por Roberto Conduru e Paulo Tavares

Tradicionalidade «versus» Contemporaneidade

Tradicionalidade «versus» Contemporaneidade O crioulo como uma língua dinâmica foi acompanhando a evolução e desde sempre adotou vocabulários de outras línguas, fenómeno associado às nossas caraterísticas culturais: somos um povo “aberto” ao mundo e àquilo que ele tem para nos oferecer. “Todas” as nossas manifestações culturais mais tradicionais são o culminar de uma mistura de povos que deram origem ao caboverdiano: a Tabanca, o Batuku, o Finaçon, o Funaná, a Morna, a Coladeira. A nossa forma vestir, a culinária, a pintura, a escultura, a tecelagem, a forma como os nossos escritores escrevem, a forma como nós pensamos e agimos. Cada uma destas manifestações culturais tem uma matriz influenciadora, toda a criação tem uma origem, uma influência. Esta influência está patente na cultura cabo-verdiana e é preciso protegê-la, cultivá-la e deixá-la fazer o seu caminho.

22.02.2022 | por Ednilson Leandro Pina Fernandes

Equidade de Género e Políticas Públicas - Angola é com Mulheres e Homens

Equidade de Género e Políticas Públicas - Angola é com Mulheres e Homens O empoderamento económico pressupõe que mulheres e homens participem, contribuam e beneficiem dos processos de crescimento, tenham acesso igual às fontes de renda e tenham igual controlo dos recursos produzidos. Em Angola, as estatísticas nacionais de acesso ao emprego e a fontes de rendimento da população economicamente activa, assim como, as estratégias de desenvolvimento nacional na área do emprego, demonstram um cenário desigual, em que as mulheres têm maior dificuldade no acesso ao emprego formal. Neste estudo são discutidos alguns dos fundamentos da disparidade salarial entre géneros, isto é, a relação entre as fontes de rendimento e o nível de remuneração por género, por zona geográfica de residência e por nível de escolaridade. São também discutidos o acesso a bens e recursos importantes para a sobrevivência e garantia de autonomia financeira, como sejam, o acesso à terra e a recursos animais.

16.02.2022 | por vários

"Partilhar histórias de migração é criar pontes empáticas", entrevista a Tiago de Faria

"Partilhar histórias de migração é criar pontes empáticas", entrevista a Tiago de Faria Não há ninguém que não tenha feito pelo menos uma experiência de migração. A escala pode ser diferente, tu podes mudar de uma sala de aula para outra, isso é uma migração. Podes mudar de um bairro para outro e isso é uma migração. De uma cidade para outra, de país para país e depois de continente para continente. As emoções associadas são as mesmas, com matizações associadas a escalas absolutamente diferentes.

14.02.2022 | por Teatro Manga

Ação de Graças, o luto do povo da Primeira Luz

Ação de Graças, o luto do povo da Primeira Luz Os perus, pão de milho, abóboras, amoras e bolos são a cara feliz do dia de Ação de Graças. Nesta celebração fofa que Hollywood nos impinge, as famílias unem-se e abraçam-se; os bons cidadãos ajudam os pobrezinhos que não têm que comer; milhares desfilam pelas ruas das cidades. A festa celebra o amor ao próximo e prepara os estômagos e ânimos para o Black Friday na virada das 24 horas. Oficialmente, a comezaina e arrebate de caridade têm origem lá no início da fundação dos EUA em terra indígena, quando o primeiro grupo de colonizadores europeus com intenções claras de assentar arraiais aportou às praias do que hoje é Massachusetts. Eram 102 e passaram para a História como os “pais peregrinos”. Era o ano de 1620.

01.12.2021 | por Pedro Cardoso

Livro: 'Oil Dorado'

Livro: 'Oil Dorado' Num regime de propriedade dominado por grandes latifúndios e num contexto sociodemográfico de abandono e de envelhecimento da população, as imagens recolhidas são expressivas de uma realidade mais profunda, enraizada na concentração do poder de decisão e no vazio sócio-ambiental criado pelo progressivo desvínculo da paisagem por parte daqueles que possuem um maior sentido de comunidade e de ligação à natureza envolvente.

16.11.2021 | por André Paxiuta

Ambiente e paz: a luta toda

Ambiente e paz: a luta toda Querendo pensar de modo global, afasto a minha lupa como uma criança que, simplificando a visão do mundo, nos transporta para as questões essenciais que, por vezes, deixamos de ter presentes. O mundo depende em larga medida da eventualidade de um confronto ou da possibilidade da manutenção da paz. Paz! Esta palavra! Pouco em voga depois de Schopenhauer que tanto fez para glamorizar o pessimismo, a inevitabilidade do conflito. A paz pessimista, agregada à teoria realista das Relações Internacionais, é a paz episódica. A paz que só é paz para o vencedor. A paz que é neste sentido uma expressão de poder. Os realistas, desde Tucídides, aperceberam-se do perigo que representam estados em rápido crescimento económico em momento de declínio de estados protagonistas, onde um estado aspira ao status de hegemónico e outro pretende mantê-lo. A própria obtenção de prestígio durante as maiores guerras esteve sempre relacionada com destrutivos conflitos armados.

11.11.2021 | por Sara F. Costa

Perdão? Que perdão?

Perdão? Que perdão? Em 2019, uma carta oficial do México a exigir perdão a Espanha pelos crimes cometidos durante a Conquista pôs as relações entre os dois países às avessas. Dois anos depois, a discussão ganha proporções inimagináveis, metendo ao barulho governantes, ex-presidentes, a extrema direita espanhola, independentistas catalães e até Joe Biden e o Papa Francisco. Nos seus territórios, os povos indígenas assistem ao espetáculo em silêncio. Sabem melhor que ninguém que 500 anos é pouco para lidar com a memória e o sangue.

01.11.2021 | por Pedro Cardoso