Sahara Ocidental descolonizado, já!

Sahara Ocidental descolonizado, já! A causa saharaui, justa e legítima, é uma questão pendente na nossa transição para a democracia, como tem sido a exumação do ditador Francisco Franco do “Vale dos Caídos”. Não podemos continuar a fazer ouvidos surdos e a olhar para o outro lado. Seria desejável, portanto, que Espanha, como Portugal no caso de Timor-Leste, fizesse o mesmo no caso do Sahara Ocidental – a nossa antiga 'Província 53' - honrando assim as suas responsabilidades históricas e pondo fim à enorme injustiça cometida contra o povo saharaui. É hora de descolonizar.

30.05.2020 | por Luis Portillo Pasqual del Riquelme

Lembranças, souvenirs, recuerdos

Lembranças, souvenirs, recuerdos Nessa altura mais ou menos exacta, ouvi histórias em várias mãos sobre vontades de fuga, decisões de partir e preparativos de viagem, exílio, estratégias de resistência, ânsias de trabalho e dinheiro, aquisições de casas, anéis e carros, perdas materiais e amorosas, despedimentos, cartas trocadas, memórias esquecidas repensadas e por isso lembradas, a ausência da lembrança, casamentos, primeiras-comunhões e baptizados, mudanças de cidade, mudanças de estado, nascimentos, passeios pela cidade e pelo campo, visitas da família, férias em Portugal, considerações sobre a pátria nem sempre amada, sobre música, desbunda, mandioca e carnaval.

24.05.2020 | por Ana Gandum

Mascogos. Os índios africanos cantam blues

Mascogos. Os índios africanos cantam blues Quando a liberdade é questão de vida ou morte, a Humanidade supera-se sem filtros. Há 170 anos, escravos africanos e tribos de índios uniram-se numa fuga desesperada dos Estados Unidos para o México. Em serras áridas na linha de fronteira, construíram uma comunidade com língua e cultura próprias. El Nacimiento é ainda hoje a casa dos Mascogo, os índios negros com blues na voz.

10.05.2020 | por Pedro Cardoso

Contágio Social: guerra de classes microbiológica na china

Contágio Social: guerra de classes microbiológica na china É uma abertura instrutiva na qual podemos rever questões substanciais sobre como a produção capitalista se relaciona com o mundo não-humano num nível mais fundamental — como, em suma, o mundo natural, incluindo o substrato microbiológico, não pode ser compreendido sem referência a como a sociedade organiza a produção (porque os dois não estão, de fato, separados). Ao mesmo tempo, é um lembrete de que o único comunismo que vale o nome é aquele que inclui o potencial de um naturalismo totalmente politizado.

29.03.2020 | por COLETIVO CHUǍNG

Uma política das lutas em tempos de pandemia

Uma política das lutas em tempos de pandemia Proponho olhar para a pandemia enfatizando os espaços que se abrem para movimentos, lutas sociais em curso e para a própria esquerda. Não subestimo a questão do controlo, a expansão dos poderes do Estado e a posterior promoção de uma política do medo. Isto está claramente presente no cenário atual. Mas como invertê-lo? Comecemos pela “cura” do comum, para reverter o atual rumo do “laboratório italiano”, e colhamos, na situação atual, as oportunidades para generalizar uma política de lutas em tempo de pandemia.

16.03.2020 | por Sandro Mezzadra

Inquietude no Luisiana

Inquietude no Luisiana Acrescentaria que podemos encontrar um paralelismo entre a lógica universalista da geologia, o plano de gestão (ou falta dele) de descargas tóxicas e o racional supremacista por trás das estratégias de recuperação costeira, que estão a ser elaboradas à porta fechada em maquetes que fazem lembrar um centro de comandos de guerra, lembrando-nos sem reservas que vivemos na época da militarização da água.

06.03.2020 | por Margarida Mendes

Os perdidos: angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos

Os perdidos: angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos Por terra ou por mar, os angolanos Luzia, Ana e João chegaram ao Panamá. Avançam agora a pé pelo “Tampão do Darién”, selva perigosa e mortífera, a caminho dos Estados Unidos e Canadá. Os corpos de africanos que não aguentaram a viagem afundam-se nos pântanos. Os ladrões, narcotraficantes e violadores escondem-se na vegetação impenetrável. Neste “inferno na terra”, Luzia esperou a morte.

26.02.2020 | por Pedro Cardoso

A Ética do Género e a Verdade do Nome

A Ética do Género e a Verdade do Nome Descobri recentemente que Disforia temos todos, ou seja, um estado latente de várias condições não contempladas pelo estreito, bem estreitíssimo, traço imperialista dos Estados Unidos em modo regiões económicas, onde até a China se constipa de morte. Disforia Intelectual, Social, Económica, Moda e até Médica (foi a mais surpreendente). Disforias que nos deixam a braços com uma vida em teia de mecanismos de cope ou coping ou aguentamento lol. Um colossal trabalho de compensação imaginada, mas sentida e sofrida, ausência de um instrumento de adequação cultural que sabemos estar em falta desde sempre.

16.02.2020 | por Adin Manuel

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos - os afogados

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos - os afogados A rota de migração ilegal de africanos que parte do Equador para os Estados Unidos e Canadá segue de Quito para o Caribe colombiano. No extremo norte do país, o mar é cemitério. Os migrantes angolanos Luzia, Ana e João passam agora por águas e praias onde, há precisamente um ano, crianças angolanas afogaram-se ao tentar cruzar num barco ilegal para o Panamá.

14.02.2020 | por Pedro Cardoso

E o muro o vento levou

E o muro o vento levou Na linha da fronteira, a terra tem a mesma cor, os rios correm na mesma direção. Ainda que não pareça. Entre o México e os Estados Unidos, a frontera-border é um livro surpreendente de histórias. Mais que os mortos do Rio Bravo, as crianças migrantes enjauladas ou a cidade-pecado de Tijuana. Muito mais. Um anedotário mexicano que, com galhofa e bazófia, resiste ao avançar da sombra.

07.02.2020 | por Pedro Cardoso

Os invisíveis: migração de angolanos para os Estados Unidos

Os invisíveis: migração de angolanos para os Estados Unidos  Desde 2014, centenas de angolanos estão em marcha desesperada pela selva, montanhas e desertos da América, em migração clandestina para os Estados Unidos ou Canadá. Fogem da insegurança e da crise económica no país, num caminho perigoso onde vários angolanos já perderam a vida.

29.01.2020 | por Pedro Cardoso

BUALA vai ter nova secção intitulada PÓLEN NO AR

BUALA vai ter nova secção intitulada PÓLEN NO AR O conceito de conflito ambiental deriva da existência de processos de oposição, de resistência e mobilização coletiva suscitados por situações de efetivo ou potencial dano ambiental, social, ou à saúde (contaminação ambiental, perda de biodiversidade ou outros bens naturais, perda de qualidade de vida e autonomia local, entre outros).

23.01.2020 | por vários

Xmas in Lesbos, pessoas ou coisas?

Xmas in Lesbos, pessoas ou coisas? Afinal descobri que sou uma lésbica que nasceu com corpo de um homem. Isto de identidade e desejo é muito estranho. Faz todo o sentido, tive anos para me preparar para isto, não foi fácil tinha tudo a perder o meu trabalho, a minha reputação, a minha família talvez, a minha conta bancária do Novo Banco, o Visa da American Express e pronto o resto dos lobbies que não vou divulgar aqui. Ganhei dinheiro indevidamente, pois sim, confesso que sim. Tenho um Off Shore na Island of Man (ela há coisas fantásticas) e hoje acho que ganha o Boris, por isso está seguro.

12.12.2019 | por Adin Manuel

El baile de los que sobran

El baile de los que sobran O contraste entre dois discursos sobre o continente sul-americano, num deles o levante progressista é instrumentalizado para a desorganização do estado democrático em benefício das elites conservadoras e autoritárias, noutro o levante reaccionário não é senão o ritual da sua queda, uma espécie de último estertor do conservadorismo - a verdade, como o futuro, é um terreno em disputa.

09.12.2019 | por Bruno Caracol

Mobilidades contemporâneas no contexto pós-colonial: Mbembe, Glissant e Mattelart

Mobilidades contemporâneas no contexto pós-colonial: Mbembe, Glissant e Mattelart Uma das questões que tensiona os campo dos direitos humanos é justamente a restrição contemporânea do direito ao universalismo, a pertencer ao mundo, a viajar por ele e deixar a sua marca como humano. Passaremos por algumas leituras da contemporaneidade que explicitam a questão do outro e o caráter universal dos direitos.

08.12.2019 | por Iolanda Évora, Daniele Kowalewski, Giovanna Modé Magalhães e Flávia Schilling

Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason

Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason Saí de Portugal rumo a Londres em 1993, a Lisa Stansfield era a musa do momento e os Eurythmics ainda faziam boa música, daquela que nos movia a questionar e já nos apresentava boas pistas. “There must be an angel playing with my heart”. Éramos uma geração de europeístas verdinhos como manda a lei da vida, com vinte aninhos de vontade, tesão e muita alegria.

06.11.2019 | por Adin Manuel

Mar Fronteira

Mar Fronteira E eis que agora, na praia, Teófilo aguarda para que o sibilar do vento erga as ondas. Vê-a agitar as asas com graciosidade. Os seus pulsos tocam-se na fluidez da respiração. As penas negras da cabeça confundem-se com o tutu negro e o ondular de todo o corpo flutua em círculos pelo mar. E, de repente, uma perna tem a liberdade de um braço. A cabeça basculante debate-se. Fátima voa, foge, tem medo, encolhe-se. Mergulha e emerge. É devorada pela água. Emerge. Vai para cima e para baixo, repetidamente. Entre o mar e o céu, o céu e o mar.

30.10.2019 | por Yara Monteiro

O rebentar sul-americano, encruzilhadas do neoliberalismo

O rebentar sul-americano, encruzilhadas do neoliberalismo Há algumas semanas que as direitas sul-americanas estão numa encruzilhada. As resistências no Chile, Equador e Argentina procuram, por diversas vias, confrontar o neoliberalismo pós-globalizado. As pessoas sentem que já nada têm a perder. Menara Guizardi diagnostica três respostas a um modelo voraz. São compostas pela reação imediata ao ajuste económico e pela experiência acumulada durante anos de protestos.

26.10.2019 | por Menara Guizardi

Os novos navegadores da memória cultural portuguesa

Os novos navegadores da memória cultural portuguesa A história portuguesa tem sido reimaginada e reenquadrada por escritores, artistas, críticos, e curadores do final do século XX e XXI que trabalham em contextos lusófonos, desconstruindo discursos recalcitrantes, enfrentando ondas de “nostalgismo”, confrontando tradições e discursos cada vez mais traiçoeiros, ultrapassando os limites de consciência. Eu imagino-os como os “novos navegadores”.

13.10.2019 | por Sharon Lubkemann Allen

Os Barcos Negros e dizem as velhas na praia que não voltas. São loucas!

Os Barcos Negros e dizem as velhas na praia que não voltas. São loucas! Assim, resta-me acrescentar que me gamaram nas andanças em que me meteu a minha empresa. O meu cartão do cidadão e, mais tarde, em sequência o meu laptop e docs oficiais que comprovam que por maluqueira sou do género masculino e tenho assim o direito de me chamar o que bem entender. Tal como a Pepper. Foi-se tudo e agora depois de ter da minha empresa respostas cada vez mais estranhas que implicam ficar nas mãos de sabe-se lá quem e onde.

10.10.2019 | por Adin Manuel