Restituição e Reparação na identidade pós-conflito

Restituição e Reparação na identidade pós-conflito Com base em estudos de caso e debates, a Associação Cultural Mbenga, em conjunto com a Oficina de História (Moçambique), pretendem reintroduzir conceitos de "restituição" e "reparação" no contexto contemporâneo da nossa história. Observando como estes conceitos emergem hoje em dia na cultura literária e artística, bem como na nossa investigação jornalística e académica, será desenvolvido um conjunto de temas em diversos formatos, tais como webinars, exposições e filmes. Com o objectivo de depurar a importância destes conceitos para uma identidade pós-conflito em Moçambique.

02.06.2021 | por vários

O primeiro jornal da história do Brasil como testemunha das origens dos escravizados do Rio de Janeiro oitocentista

O primeiro jornal da história do Brasil como testemunha das origens dos escravizados do Rio de Janeiro oitocentista A chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro, em março de 1808, provocou um grande impacto na cidade, capital da então colônia de Portugal. O efeito pode ser notado em diversos aspectos, sobretudo no que se refere ao aumento populacional da região e à expansão da importação de indivíduos escravizados. Impactado pela inédita transferência de uma Corte europeia para um território colonial e pelo decreto de abertura dos portos brasileiros às nações amigas, o Rio sofreu modificações marcantes.

01.06.2021 | por João Victor Pires

A noite das estátuas

A noite das estátuas Pois, para mim, entre portugueses e holandeses venha o diabo e escolha... E nós, muitas vezes, fizemos o papel de diabos para nos livrarmos ou de uns ou de outros... Mas para que estamos a falar mais uma vez nisto? É sempre a mesma coisa, parece que não estamos só presos na Fortaleza, mas nessa história que nos juntou e não se livra de nós, nunca, enquanto houver uma noite de ex-estátuas...

29.05.2021 | por Onofre dos Santos

“O perigo de uma história única”: a construção da identidade africana negra no romance Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

“O perigo de uma história única”: a construção da identidade africana negra no romance Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie Durante muitos anos, ouvimos histórias sobre o continente africano -as suas guerras, catástrofes, doenças e fomes- que se tornaram a única verdade sobre África. É importante sabermos que cada história tem dois lados, e nunca podemos ouvir apenas uma das versões.

25.05.2021 | por Neusa Sousa

Caro Amigo Preto

Caro Amigo Preto Estava a escrever para o amigo branco, mas tirei um pouco de tempo para ti. Resolvi que era melhor começar por falar contigo, por estares aqui mais perto de mim. Mas antes amigo preto, peço que não faças veto a que eu comece pelo amigo panafricanista guineense. Não penses que é nacionalismo, é apenas comodismo, porque eu o conheço melhor e tenho com ele mais espaços de encontros em comum… Hmmm, sabes que mais, mudei de ideias, acho que vou deixar o guineense para último, típico, tipo que é mais específico.

24.05.2021 | por Marinho de Pina

O corpo preto na narrativa de ser mulher: estado da questão em Portugal

O corpo preto na narrativa de ser mulher: estado da questão em Portugal Corpos que se levantam diariamente às 4 da manhã; corpos invisíveis numa sociedade onde são a base da pirâmide; corpos que sofrem diariamente violência obstétrica por serem consideradas “não merecedoras” de um direito fundamental; corpos que deixam os seus filhos sem amparo todos os dias em busca do sustento; corpos sem direito a lazer devido a insuficiência económica; corpos que sofrem diariamente múltiplas opressões e agressões, corpos incapazes de cuidar da sua saúde mental, uma vez que é esperado deste corpo força, destreza e resiliência.

24.05.2021 | por Neusa Sousa

A queda das casas de Atafona

A queda das casas de Atafona Para esta sua primeira individual na Galeria Simone Cadinelli, Jeane Terra apresenta trabalhos direta e indiretamente relacionados com os acontecimentos em Atafona, sobre as ruínas produzidas pelo embate do mar com a cidade, acontecimentos que chamam a atenção para o fato de que tudo o que foi, é e será construído, irá se transformar em ruína.

16.05.2021 | por Agnaldo Farias

Compreender a tradição oral no contexto angolano

Compreender a tradição oral no contexto angolano Partindo de princípio que a historiografia bantu é obra colonial, o método da Tradição Oral em pesquisa correctiva pode ter consistência, no âmbito da Antropologia Cultural em auxílio. A pesquisa histórica, strictu sênsu, particulariza-se das demais ciências humanas por limitar-se das fontes arquivísticas em análise e síntese enquanto instrumentos-padrão obedecendo às críticas interna e externa, heurística e hermenêutica. A alegação ocidental, reprovada em África, da dependência historiográfica às fontes escritas, neste aspecto, torna-se consistente clarificando fronteiras entre a História e as demais ciências humanas.

11.05.2021 | por Armindo Jaime Gomes

Caro Amigo Branco (da negação)

Caro Amigo Branco (da negação) Caro amigo branco, quando eu falo que Portugal é racista, não estou a dizer que tu és racista, nem que todos os portugueses são racistas, mas estou a dizer que o sistema é racista e está construído sobre princípios racistas e de supremacia divisionista.

06.05.2021 | por Marinho de Pina

Negros na URSS: as crianças da África Soviética procuram a sua própria identidade

Negros na URSS: as crianças da África Soviética procuram a sua própria identidade “O quanto sabemos sobre a nossa herança africana varia de indivíduo para indivíduo,” diz Johnson Artur. O que eles têm em comum, contudo, é a história de luta contra a resistência deparada face à presença de pessoas negras na Rússia. “Aqueles que cresceram e vivem na Rússia ainda têm de justificar no dia-a-dia o facto de eles também serem russos.” Johnson Artur espera que seu projeto contribua para conectar e tornar visível a geração de negras russas que cresceram chamando o país de casa.

23.03.2021 | por Red Africa

A antropofagia e o tropicalismo na formação da identidade cultural brasileira

A antropofagia e o tropicalismo na formação da identidade cultural brasileira A formação da identidade cultural brasileira desdobrou-se num processo que foi buscar as origens indígenas, assim como a própria herança europeia. No entanto, parte da sua expressão cultural começou a ser orientada por um ideal modernista, também fruto dos movimentos artísticos da Europa. Porém, a grande distinção seria a sua integração nestas ramificações que advêm das origens primárias do povo brasileiro, disperso por um território tão amplo. Por isso, faz sentido viajar ao conceito de antropofagia e à emergência do tropicalismo, ambos cruciais naquilo que é a cultura brasileira tal como é conhecida hoje.

22.03.2021 | por Lucas Brandão

A classe, a raça e o género em Angela Davis

A classe, a raça e o género em Angela Davis Angela Davis tenta dar voz às mulheres de etnia negra, silenciadas durante o percurso da história, ao desconstruir as correntes feministas convencionais para poderem abarcar a questão da raça e das suas vicissitudes. Portanto, nunca é transparente que Davis se assuma como uma feminista, já que a sua preocupação em momento algum descarta essa dimensão racial. É uma linha de pensamento que, cruzando o ativismo e a militância política com a formação intelectual, se vai desenvolvendo da classe e da raça até à questão do género, que lhe chega nas relações profissionais que vai experienciando na própria militância, mesmo no próprio seio das comunidades negras.

22.03.2021 | por Lucas Brandão

Abandono da linguagem racial

Abandono da linguagem racial Uma vez que o racismo continua a ser uma questão actual no discurso público e académico, o mesmo acontece com as estratégias para se chegar ao seu fim. Na tentativa de criar um futuro livre de racismo, há quem acredite que os nossos padrões linguísticos desempenham um papel central. Uma estratégia decorrente desta percepção de importância na África do Sul relaciona-se com o papel da "língua racial" nas nossas sociedades.

17.03.2021 | por Kiasha Naidoo

Caro Amigo Revolucionário (os Dez Mandamentos)

Caro Amigo Revolucionário (os Dez Mandamentos) Espero que esta carta te encontre de boa saúde, a gozar a juventude em toda a sua plenitude, que nunca madures e que continues sempre cheio de ideais nobres de uma mudança que valha o seu nome, pois, meu caro, da forma como isto anda nesta banda, esta demanda de mudar o mundo está cada vez mais a ir para o fundo e eu acho, meu caro revolucionário que, neste caso, ao contrário do que proclamamos, o problema somos nós. Pois…

05.03.2021 | por Marinho de Pina

A hora poética

A hora poética A construção de cidade exige a confluência em fogueiras que agregam os adversários dispostos a conversar e a uma experiência do tempo sem tempo em que eu procuro acompanhar as razões do que se me afigura como estranho, inflexível ou irracional. As cidades fazem-se de paciência e de acumulação no transcorrer indiferente dos séculos. É nas dinâmicas tensionais da coabitação e no labor anónimo do quotidiano, no quase-nada em que se negociam ganhos e perdas, reputações e amizade, dívidas e gratidão para o resto da vida, a distração prosaica que engendra a saúde de uma cidade que nunca é a mesma. Onde a fúria, os gestos de rutura, o embate frontal e as clivagens têm lugar nobre e merecem atenção.

04.03.2021 | por João Sousa Cardoso

A irreversível descolonização de mentalidades

A irreversível descolonização de mentalidades A descolonização política já aconteceu. Falta cumprir-se a difícil descolonização de mentalidades. Ela está em marcha há anos. É um processo, como todas as mudanças, com fases de avanços e recuos, adormecimentos e efervescências, durante muitos anos remetida para circuitos académicos, educacionais ou culturais, e agora também presente no espaço público como um todo.

28.02.2021 | por Vítor Belanciano

"Minorias tudo bem mas quietas e caladinhas"

"Minorias tudo bem mas quietas e caladinhas" Entendamo-nos: se quisermos olhar para os casos de Caupers e Mamadou sob a perspetiva da liberdade de expressão, teremos de concluir que são o exato contrário um do outro. A Mamadou querem retirar não só a fala como o direito de existir neste país, condenando-o à morte simbólica do degredo por desafiar a ideia de que as minorias devem contentar-se com ser toleradas e invisíveis; a Caupers querem ver reconhecida a liberdade de poder ser simultaneamente presidente do tribunal que interpreta a Constituição e defender, contra essa mesma Constituição, que a maioria tem e deve ter domínio sobre as minorias - e nem sequer ser por isso criticado ou interpelado.

24.02.2021 | por Fernanda Câncio

Carta de apoio a Mamadou Ba e ao anti-racismo político em Portugal

Carta de apoio a Mamadou Ba e ao anti-racismo político em Portugal Nas últimas semanas, tem havido uma escalada das tensões políticas em Portugal, na sequência de manifestações públicas de organizações de extrema-direita que também ameaçaram ativistas. A 11 de agosto, Mamadou Ba e outras nove pessoas (ativistas anti-racistas, antifascistas e LGBT deputadas e líderes sindicais) receberam um email enviado por um movimento neonazi que os ameaçava, e às suas famílias, que, caso não abandonassem o país em 48 horas, haveria consequências.

17.02.2021 | por vários

Dias vagarosos, sem vagar

Dias vagarosos, sem vagar Viver o isolamento social e o decretado estado de emergência num espaço aberto e rural, acompanhando a agitação diária da infância, contradiz, e quase que insulta, o filme de terror sem autor nem nacionalidade, a que assistimos sete dias por semana, 24 horas por dia. Partilhar os dias com uma menina de três anos — feliz por ter os pais só para si e com as alegrias próprias à idade — torna esta experiência bela, onírica e plena de contradições. Respiremos, pois, os que ainda podem, durante o filme.

14.02.2021 | por Marta Lança

Esta guerra não é tua (2)

Esta guerra não é tua (2) Os pormenores são repugnantes, mas não consigo deixar de sentir um júbilo secreto por ter deparado com mais uma história exemplar do colonialismo, no sentido mais lato da palavra «colonialismo». O colonialismo é fazermos a alguém aquilo que entendemos como «bem», mas que essa pessoa sente como «mal», para que essa pessoa nos possa servir melhor. Reformulo: o colonialismo é instrumentalizarmos o outro, fazendo-lhe bem somente na medida em que esse benefício nos possa beneficiar a nós. Resta dizer que o carácter exemplar de uma história escapa quase sempre ao seu narrador.

16.01.2021 | por Paulo Faria