Práticas de Alegoria Política

Práticas de Alegoria Política Que exemplos de solidariedade transnacional e de cruzamentos disciplinares podem inspirar a prática artística e curatorial contemporânea contra os ressurgimentos nacionalistas à escala global? Recordemos o impacto da Guernica (1937) de Picasso produzida durante a Guerra Civil Espanhola, um dos mais consagrados manifestos contra o fascismo e exemplo da “revolta da consciência e da arte face aos desastres que devastavam a Europa.” Guernica demonstra a importância da ação conjunta de atores estatais e não estatais no desarmamento da ideologia fascista. Que práticas de crítica e reflexão artística e que soluções locais e globais, podem as redes de arte contemporânea – artistas, curadores e instituições – promover para a desradicalização de extremistas e fomentar novas sensibilidades ancoradas na linguagem da igualdade e da não discriminação?

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16.01.2021 | por Sofia Lemos

Obras de arte na condição da pós memória (Conclusão)

Obras de arte na condição da pós memória (Conclusão) Em face desta nova narrativa que reconhece uma produção artística e um apreço de comunidades africanas pela mesma, de que modo tradições culturais seculares de países africanos interagem hoje com a formação e produção artística, no caso dos artistas afrodescendentes, que nasceram e fizeram a sua formação em países europeus? Como se combinam os acontecimentos da história de África e dos africanos com linguagens artísticas das “escolas europeias” e, em particular, com as temáticas contemporâneas?

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28.12.2020 | por António Pinto Ribeiro

O fascínio da calçada portuguesa

O fascínio da calçada portuguesa Um dos elementos mais marcantes da expressão criativa e artística portuguesa está nos pés daqueles que percorrem o seu território, para além de outros tantos nos quais os portugueses foram importantes no seu ordenamento: é, precisamente, a calçada. Repleta de motivos tradicionais e de aspetos geométricos notáveis, é um esforço que, por mais prolongado pelo país, está na mão de um sem número de laboriosos indivíduos, que, de picareta na mão, colocam pedra sobre pedra, materializando essa visão profunda. Os calceteiros são, assim, os mestres práticos de uma teoria que desenha uma das marcas de referência da portugalidade.

Cidade

22.12.2020 | por Lucas Brandão

A Lisboa menina e moça de "Donzela Guerreira": conversa com a realizadora Marta Pessoa

A Lisboa menina e moça de "Donzela Guerreira": conversa com a realizadora Marta Pessoa O projeto foi uma sucessão de textos literários, e não em forma de um guião convencional, entreguei à Rita Palma [argumentista] e “vê lá o que conseguimos fazer com isto?”. Resumindo, as coisas foram construindo com Lisboa, com as personagens extraídas de Maria Judite Carvalho e Irene Lisboa, das suas vidas e ainda um parte … muito pequenina … da minha relação com a cidade e com a minha família.

Cidade

22.12.2020 | por Hugo Gomes

Something Happened on the Way to Heaven

Something Happened on the Way to Heaven "Something Happened on the Way to Heaven" é formulada como uma observação sobre o mundo mediterrânico com duplo sentido – um idílio aparentemente paradisíaco que revela a presença do seu oposto. Com efeito, as obras de Kiluanji Kia Henda evidenciam a dialética contraditória entre um esplendor natural dotado de traços idealizados e um obscuro reverso de ameaças históricas e atuais.

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30.11.2020 | por Luigi Fassi Luigi Fassi e Kiluanji Kia Henda

A Arte na Educação Para a Cidadania e Direitos Humanos

A Arte na Educação Para a Cidadania e Direitos Humanos O documentário aborda os fundamentos de cidadania e direitos humanos, através da educação artística nomeadamente: Música, artes plásticas, dança, teatro, literatura, entre outras nas suas múltiplas dimensões (cognitivas, sociais, políticas, afectivas, éticas e estéticas).

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12.10.2020 | por Faradai

“sou esparsa, e a liquidez maciça”: Gestos de Liberdade, ciclo BUALA no maat

“sou esparsa, e a liquidez maciça”: Gestos de Liberdade, ciclo BUALA no maat Numa sociedade ainda marcada por profundas desigualdades de género, entendemos a emancipação e liberdade como processos assentes em contínuas e escorregadias disputas no quotidiano. Nestes dias, partilhamos abordagens de cineastas, artistas, curadoras, investigadoras para avançarmos com perspectivas de mundo onde as práticas de liberdade se inscrevem em cada gesto ou situação propostos.

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15.09.2020 | por Marta Lança

"Percurso que fizemos em conjunto", conversa com as curadoras de 'Earthkeeping / Earthshaking: arte, feminismos e ecologia'

"Percurso que fizemos em conjunto", conversa com as curadoras de 'Earthkeeping / Earthshaking: arte, feminismos e ecologia' A questão da ecologia a partir de práticas artísticas dos anos 60. A revista "Heresies" (revista feminista, cujo número #13 é dedicado a ecologia) foi uma referência que nos fez entender que estava a haver, nos últimos anos, um renovado interesse, tanto do ponto de vista da reflexão sobre os feminismos, como sobre questões ecológicas em âmbito expositivo.

Cara a cara

03.09.2020 | por Hugo Dinis

De açaí a punk rock. A arte como prática de aquilombamento, conversa com Marcos Lamoreux.

De açaí a punk rock. A arte como prática de aquilombamento, conversa com Marcos Lamoreux. Uma conversa com Marco Aurélio - pedagogo e pesquisador sobre cinema e relações étnico raciais - sobre a sua trajetória artística, suas conquistas e planos futuros. Passando por assuntos como produção audiovisual, arte, estética e política, mas também falando sobre o companheirismo do fazer cinema no aquilombamento, açaí e viagens.

Cara a cara

31.01.2020 | por Marco Aurélio Correa

Das políticas de convivência, do irreparável, da sinceridade, do método AND Lab

Das políticas de convivência, do irreparável, da sinceridade, do método AND Lab Como tomar posição, ou seja, não ficar no impasse, mas ao mesmo tempo não impor? E também, como não permitir que a franqueza vire uma exposição desmedida, como não desproteger-se completamente? A franqueza envolve exposição, mas não tem de ser um desnudamento, não é uma exibição. É muito possível sucumbir a essas corruptelas da coisa: a honestidade radical virar metralhadora opinativa ou desresponsabilização afectiva; a exposição virar exibição... Ou seja, tudo versões variadas da indiferença.

Cara a cara

10.01.2020 | por Marta Lança e Fernanda Eugénio

Where I (we) Stand - encontro internacional

Where I (we) Stand - encontro internacional os Encontros convocam os lugares da história colonial, com enfoque no passado colonial português, ao mesmo tempo que se ancora no presente para pensar os lugares a partir dos quais defendemos a construção de outras narrativas e ampliamos as possibilidades para outras «imaginações». Nesse sentido, é também o lugar de um posicionamento ativo em relação a estas questões.

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18.11.2019 | por vários

Marepe em paralaxe

Marepe em paralaxe "Cabeça acústica", construída com bacias de alumínio, catalisa uma experiência acústico-perceptiva que, diferentemente do material que a constitui, não tem nada de trivial. Instalada como uma espécie de epígrafe à mostra “Marepe: estranhamente comum”, com curadoria de Pedro Nery, a obra encarna aspectos da poética do artista

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10.08.2019 | por Icaro Ferraz Vidal Junior

Arte é essencial para a Democracia

Arte é essencial para a Democracia Quando proponho a experiência estética como algo que nos coloca a ver a democracia – e aqui penso estética como Rancière a propõe em sua partilha do sensível, ou seja: como aquilo que possibilita a estese – em consonância com o título da intervenção estadunidense contra a anestesia de uma posse fascista, o que proponho de fato nada mais é do que observar aquilo que difere.

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01.07.2019 | por Allende Renck

Bertina ou a arte de Bertina: mudar e permanecer

 Bertina ou a arte de Bertina: mudar e permanecer Bertina usou a arte como meio para expressar a sua subjectividade. Uma artista individual, uma artista moderna, nascida em Moçambique, portadora de uma experiência de vida particular, consciente da sua condição de meio-europeia, meio-africana (a dupla consciência), condição que assumiu em diferentes momentos e de diversas maneiras e que traduziu na sua criação mas, ao mesmo tempo, uma artista que assumiu a mudança permanente, uma artista igual aos artistas modernos de todo o mundo.

Cara a cara

04.03.2019 | por Alda Costa

A continuação da África através das mobilidades de Sotigui Kouyaté e Maud Robart

A continuação da África através das mobilidades de Sotigui Kouyaté e Maud Robart pretendemos abrir possibilidades de reflexões em torno das mobilidades de artistas africanos e afrodescendentes em contextos artísticos da Europa e das Américas. Nestas mobilidades serão considerados as pressões sociopolíticos que dispararam seus movimentos intercontinentais, considerando também o efeito de movência dessa agência impactando os sistemas culturais que carregavam a partir de suas ligações de nascença com fontes de tradição que os conformavam como herdeiros de matrizes culturais sólidas, antes mesmo de suas definições como artistas, dentro da visão comum de leitura do Ocidente.

Palcos

22.01.2019 | por Luciano Mendes de Jesus

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens Durante dois anos, o artista holandês, qual Conrad, viaja pelo profundo Congo, ferida aberta do xadrez de interesses em mais uma das suas guerras civis. De câmara à mão, foi escarafunchar na indústria da pobreza que beneficia tanta gente à excepção dos pobres: empresas que enriquecem à custa dos recursos que os pobres não podem reivindicar, o ouro e coltan, ong’s que empregam os jovens sem trabalho na Europa, os media que vendem essas imagens e os especialistas em resolução de conflitos. Vimos o filme em tempos diferentes e juntamos aqui os nossos comentários.

Afroscreen

05.01.2019 | por Ricardo Falcão, Marta Lança e Joana Areosa Feio

Exceção/Extração/Extinção - projeto ANTROPOCENAS

Exceção/Extração/Extinção - projeto ANTROPOCENAS Vejo o campo da arte como um espaço para se refletir sobre a nossa condição contemporânea, o passado e o futuro. Regimes estéticos implicam regimes políticos constituídos por disputas entre formas de in/visibilidade e apagamento, disputas sobre a criação de narrativas dissidentes de discursos de dominação. Neste sentido creio que o meu trabalho, assim como o seu, tem uma militância que opera no campo da imagem e das narrativas, ao complicarem a maneira pela qual entendemos o que convencionamos chamar de natureza.

Cara a cara

25.09.2017 | por Pedro Neves Marques e Paulo Tavares

As balas no dorso do crocodilo: escultura, memória e resistência em moçambique

As balas no dorso do crocodilo: escultura, memória e resistência em moçambique A partir da escultórico-performatividade de Hilário Nhatugueja abre-se um espaço de negociação de significados e mnemónicas associadas aos objectos da Guerra Civil, fazendo emergir contra-memórias coadas pela experiência traumática dos artistas que procuram provocar o dissenso tendo em vista a resistência e agência cultural.

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05.09.2017 | por Sílvia Raposo

Hélio Oiticica e a destruição das máquinas identitárias

Hélio Oiticica e a destruição das máquinas identitárias Para Oiticica, a invenção desta nova forma de expressão não se tratava, como poderia fazer supor o nome parangolé, de uma folclorização na sua experiência ou a tentativa de uma valorização da “cultura popular”, que considerava uma camuflagem opressiva do “mostrar o que é nosso, os nossos valores…” mas de uma reinvenção da própria ideia de uma arte política. Tanto que sempre se distanciou dos projectos culturais da esquerda, de tradição marxista, que pretendiam figurar discursos sobre a “realidade brasileira” como estratégia de luta contra o regime militar.

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19.04.2017 | por Mariana Pinho

Acabar com o mundo, torcer o mundo

Acabar com o mundo, torcer o mundo O trabalho de um artista, como o de qualquer trabalhador imaterial, implica portanto recusar o status quo, isto é, a obrigação de “fazer sem pensar, sentir sem emoção, se mover sem fricção, se adaptar sem questionar, traduzir sem pausa, desejar sem propósito, se conectar sem interrupção.” De forma a inverter esse processo, poderíamos começar por reclamar empatia com a imaginação não-humana e inumana dos mundos, tendo em conta que a aliança e a empatia fazem parte do processo enraizador da imaginação na política.

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21.03.2017 | por Rita Natálio