A aliança do sul global

A aliança do sul global E foi assim que o Brasil viralizou a garota congolesa que rebateu uma postagem infeliz de uma miúda que considerava uma vergonha a seleção de Portugal empatar com a da República Democrática do Congo, traduzindo (mesmo que involuntariamente) para o futebol a soberba da extrema-direita portuguesa que incorpora o discurso fascista para se autovalidar. Se os livros de história nos ensinaram que descendemos dos portugueses, agora a troca de informação global faz nosso sangue banto falar mais alto – o mesmo que nomeou o nosso futebol mu'leke e nos ensinou a, em comemoração, sambar. O preconceito e o ódio uniram o que a colonização separou.

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03.07.2026 | por Gabriella Florenzano

Massinguita de Agente Secreto

Massinguita de Agente Secreto Um cadáver coberto por uma caixa de cartão, enquanto cães lhe disputam os restos, persiste como uma espécie de fantasma que assombra o enredo. Sem fazer da morte um espetáculo, "Agente Secreto" (2025), de Kleber Mendonça Filho, organiza-se em torno desse espectro.

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21.06.2026 | por Leonel Matusse Jr.

Memórias da COP30 – dança la gringa

Memórias da COP30 – dança la gringa Se cada um dos cerca de 50 mil participantes creditados que se renderam ao nosso kakiado levarem consigo um pouco das nossas urgências – principalmente aquelas que ficaram de fora dos documentos da conferência – e se unirem às nossas lutas além da absolutamente linda Marcha Pelo Clima da Cúpula dos Povos que levou mais de 70 mil pessoas às ruas de Belém, temos uma vitória e ainda mais motivos para fazer os gringos dançarem. Afinal de contas, somos os melhores em receber. E queremos dançar, também.

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03.12.2025 | por Gabriella Florenzano

Memórias da COP30: os documentos

Memórias da COP30: os documentos a COP de Belém entrou para a história por, na primeira vez, a convenção apresentar um Plano de Ação de Gênero de Belém (Belém Gender Action Plan 2026–2034), documento que reconhece que mulheres e meninas, incluindo indígenas, migrantes, com deficiência, agricultoras familiares e residentes de áreas rurais e remotas, sofrem impactos diferenciados da crise climática e, ao mesmo tempo, têm papel central como agentes de mudança. Também pela primeira vez, documentos oficiais da conferência mencionam afrodescendentes, reconhecendo vulnerabilidades específicas e a necessidade de políticas que considerem populações historicamente marginalizadas.

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26.11.2025 | por Gabriella Florenzano

Povo Krahô inaugura primeira sala de cinema em Terra Indígena do Brasil

 Povo Krahô inaugura primeira sala de cinema em Terra Indígena do Brasil O cinema é diferente — é um lugar de encontro, onde tem espaço para nossas memórias e nosso olhar. Quero que as crianças Krahô possam lembrar sempre dos mais velhos e que, sentadas no nosso Cinema Comunitário, possam imaginar o futuro a partir da aldeia e de nossas imagens.” — Ilda Patpro Krahô O Cinema Comunitário Krahô está localizado na aldeia Koprer e terá uma programação regular organizada pela comunidade. Está também em construção um acervo audiovisual, reunindo quase um século de registros sobre os Krahô e outros povos indígenas do Brasil. Esse material ficará disponível em uma rede interna da aldeia, podendo ser projetado a qualquer momento na tela do cinema.

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02.11.2025 | por João Salaviza e Renée Nader Messora

Viemos roubar os vossos maridos, um espetáculo de teatro documental

Viemos roubar os vossos maridos, um espetáculo de teatro documental    “Viemos roubar os vossos maridos” é um espetáculo de abordagem direta, que denuncia, que informa, que diverte e que dá visibilidade as narrativas de imigrantes brasileiras em Portugal. Neste momento, no qual os ataques aos imigrantes ganham força, em Portugal e na Europa, culminando na recente Lei anti-imigração, este espetáculo deveria correr o país, promovendo debates e a desconstrução dos preconceitos longa e massivamente disseminados sobre a mulher brasileira, mas tem sido realizado como uma “guerrilha”, nas palavras de Pinheiro, com recursos e apoios limitados.

Palcos

22.09.2025 | por Miriane Pellegrino

Há preconceito nos serviços públicos e nas escolas. Gizane Campos

Há preconceito nos serviços públicos e nas escolas. Gizane Campos Portugal é um país de imigrantes, com uma história de idas e vindas, mas sei que há muitos casos de preconceito contra imigrantes de várias nacionalidades, potencializados por discursos de extrema-direita que os culpabilizam. Vejo pessoas vivendo em sistema rotativoss s em apartamentos (enquanto uns dormem de dia, outros trabalham à noite e vice-versa). Há preconceito nos serviços públicos e nas escolas. Não é algo exclusivo de Portugal, mas infelizmente faz parte do dia a dia em Lisboa.

Cidade

17.09.2025 | por Marta Lança

“Quando a situação aperta, só há espaço para luta”, entrevista a Galo de Luta e Priscila Kashimira

“Quando a situação aperta, só há espaço para luta”, entrevista a Galo de Luta e Priscila Kashimira Dizem que os trabalhadores não participam das reuniões e dos movimentos. Mas eles estão trabalhando 12, 13, 14, 15, 16 horas por dia. Qual o horário que eles têm para participar de uma reunião? Para ler um manifesto, uma ata, desenvolver consciência política? A materialidade não permite. Então, propor reuniões não é a solução. O que tem que se propor é luta. Quando a situação aperta, só há espaço para luta. O problema é que a esquerda teme que essa luta aconteça longe do seu pensamento. E quer primeiro impor a sua visão e só depois fazer a luta. Mas assim não funciona.

Cara a cara

22.07.2025 | por Manuel Halpern

Descolonizar a descolonização - parte 3 - a língua pt 1

Descolonizar a descolonização - parte 3 - a língua pt 1 África não é um “mercado” não explorado, mas um “produto” exageradamente explorado. No plano cultural mais inócuo, ativistas ‘afro’-brasileiros também levam as suas lutas e os seus discursos para iluminar a nossa população obscurecida e acordá-la contra a opressão do homem branco, apesar de os nossos opressores diretos sejam tão africanos e tão pretos quanto nós, e acabamos colonizados por um discurso desconexo das nossas realidades.

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04.06.2025 | por Marinho de Pina

A inadmissível violência política de gênero contra Marina Silva (e todas as mulheres brasileiras)

A inadmissível violência política de gênero contra Marina Silva (e todas as mulheres brasileiras)   O episódio é um exemplo escancarado de machismo e racismo institucional no Brasil e carrega séculos de opressão dirigidos especialmente às mulheres negras, como se houvesse um espaço social predeterminado ao qual elas devessem se submeter. No caso de Marina Silva, mulher negra e de origem humilde, a frase expõe a brutalidade da violência política de gênero e raça, perpetuada inclusive dentro do Senado Federal.

Corpo

01.06.2025 | por Gabriella Florenzano

Capitanias Desnecessárias

Capitanias Desnecessárias Em Portugal, sabe-se tudo sobre o Brasil e no Brasil, fora a época das invasões, a sardinha, o bacalhau e os lindos azulejos, sabe-se quase nada de Portugal. Ah, tem o Cristiano Ronaldo, mas relativamente pouca gente dá grande importância. Se sairmos nas ruas de qualquer cidade de qualquer região do Brasil e perguntarmos se conhecem a Amália, por exemplo, quase ninguém vai conhecer – o que é uma grandíssima pena. E, por causa disto e da real discriminação que a população de imigrantes (e mesmo turistas) brasileiros sofre em Portugal, impulsionada pela crescente da extrema-direita que legitima tudo o que há de podre no comportamento humano, criou-se um movimento de reação através daquilo o que o brasileiro faz de melhor: a zoeira.

Mukanda

22.04.2025 | por Gabriella Florenzano

Viagem ao sonho brasileiro

Viagem ao sonho brasileiro À noite, à beira de um caminho, uma onça dá um salto para a jugular de uma égua, e bebe-lhe o sangue... depois, arranca-lhe com os dentes o coração do peito, e abandona-o. A natureza é cruel, porque ela impõe limites, dita a nossa fragilidade. Mas o mais extraordinário, é que a sua magia nunca acaba, apesar de invisível aos olhos... essa fonte nunca se esgota: é o mindfullness nos sonhos visionários de David Lynch e os versos desejantes de Maria Teresa Horta. E eu sempre vou querer espreitar o que Adília Lopes traz nos sacos, ao fim do dia, subindo as escadas até aos Anjos, e continuar a enviar-lhe flores, em pensamento.

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20.02.2025 | por Rita Brás

Ainda estamos aqui com medo de não estarmos mais

Ainda estamos aqui com medo de não estarmos mais Walter Salles, o terceiro cineasta mais rico do mundo, que “perde” apenas para George Lucas e Steven Spielberg, com um patrimônio herdado de origem bem controversa, reunindo o Unibanco, fruto de uma expansão beneficiada pela política de centralização bancária da ditadura brasileira, com a metalurgia e mineração que dominam 80% do mercado mundial de metal, sabe perfeitamente disso.

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18.01.2025 | por Gabriella Florenzano

A cadeirada e o coice

A cadeirada e o coice Muita gente se declarou de “alma lavada” com a agressão de Datena em Marçal. O discurso de ódio tem o poder de despertar o pior não só naqueles que corroboram com ele, mas também naqueles que discordam veementemente e que, de tão ultrajados, acabam por também cair na barbárie. Datena, mesmo se ainda não ostentasse cabelos brancos da experiência e quase meio século de carreira, jamais poderia ter agido através da violência. Para agravar, ainda publicou nota admitindo o erro porém dizendo não se arrepender. Se aqueles que se propõem a representar o povo não procederem através e não confiarem nas instituições de justiça, que futuro terá o país além do caos?

Cidade

16.09.2024 | por Gabriella Florenzano

Religião, legislação e o estupro aos direitos femininos no Brasil

Religião, legislação e o estupro aos direitos femininos no Brasil Após o fracasso das tentativas, o nome completo da criança e o hospital onde o aborto seria realizado foi vazado para uma ativista de extrema direita que convocou uma verdadeira caça às bruxas, endossada por uma horda de seguidores. A menina precisou de entrar escondida, no porta-malas de um carro, no hospital no Recife, no Estado de Pernambuco, onde finalmente conseguiu ter seu direito cumprido, porém precisou aderir ao Programa de Apoio e Proteção às Testemunhas, Vítimas e Familiares de Vítimas da Violência (Provita) e mudar de identidade e endereço para ter a oportunidade de viver sem a perseguição de fanáticos religiosos.

Corpo

19.06.2024 | por Gabriella Florenzano

O cinema de Messora e Salaviza com o povo indígena Krahô: “uma mesa farta para todos”

O cinema de Messora e Salaviza com o povo indígena Krahô: “uma mesa farta para todos” A premissa inicial para a construção de 'A Flor do Buriti' era refletir sobre a relação dos Krahô com a terra que habitam, num contexto que continua a ser colonialista, opressor e violento, mas esta foi expandida por um escrutínio da representação feminina na comunidade e nas formas de luta que se impunham pelo agravamento das ofensivas, nos anos em que o filme foi rodado: um período especialmente duro para os povos indígenas devido à pandemia de Covid-19 e ao governo de extrema-direita bolsonarista. Sob estas circunstâncias, a resistência teve que ser, necessariamente, reforçada.

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07.05.2024 | por Anabela Roque

O canto de Raoni

O canto de Raoni Os holofotes brasileiros e franceses se voltaram para a Ilha do Combu, em Belém, na tarde do dia 26 de março de 2024, para a expedição dos presidentes da França e do Brasil – Emmanuel Macron e Lula – com o objetivo de condecorar o bēnjadjwáriy kayapó Raoni Metuktire com a ordem do cavaleiro da Legião de Honra da França, a maior honraria concedida pelo país aos seus cidadãos e a estrangeiros que se destacam no cenário mundial.

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27.03.2024 | por Gabriella Florenzano

Revolta!!! Prefácio a "política Selvagem", de Jean Tible

Revolta!!! Prefácio a "política Selvagem", de Jean Tible Ao pensar a política na rua, na praça, na estrada e na mata, Jean Tible apresenta uma teoria da democracia que a encontra lá onde a polícia e a milícia matam sem medo de consequências jurídicas; lá onde foi assassinada a representante preta e lésbica da favela, do Complexo da Maré; lá onde pessoas pretas e/ou pobres diariamente confrontam a brutalidade policial e a precariedade econômica. Ao fazê-lo, política selvagem nos oferece um ponto de partida para recompor o arsenal disponível para a crítica da arquitetura política liberal, em particular de sua composição mais recente, o Estado-Nação. Essa recomposição pode ser indicada a partir de quatro movimentos, que vejo atuados e sugeridos no livro: focar na revolta como atualização da democracia; ver os comuns como materialização da revolta; adotar subalternos da matriz colonial, racial, cis-heteropatriarcal como figura política central; e a consequente recomposição do Estado-Nação, na qual a repressão aparece como a quarta de suas funções fundantes, ao lado de proteção, preservação e representação.

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28.02.2023 | por Denise Ferreira da Silva

O cinema que ouve os povos amazónicos atingidos pela barragem de Belo Monte

O cinema que ouve os povos amazónicos atingidos pela barragem de Belo Monte Cerca de 40 mil pessoas deixaram de viver “no entre mundos”. Belo Monte deslocou-as, tornou-as “expatriados do seu próprio país no próprio país, submergiu-lhes as terras e as vidas. “Belo Monte é um mostruário de horrores. É também uma linha de montagem de conversão explícita de gente floresta em pobres”. Da fortuna da floresta passaram à pobreza das periferias da cidade de Altamira e de outras áreas urbanas, realojados em complexos habitacionais precários, sem árvores, sem rio. Tornaram-se o que não queriam ser, habitantes de lugares estranhos, forasteiros numa (des)organização social que os amputou.

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09.02.2023 | por Anabela Roque

Projeto Popular, de Ícaro Lira

Projeto Popular, de Ícaro Lira O sufocamento de vozes insurgentes está todo aqui. Nesses arquivos, fotografias, pedaços de jornal, projetos sociais e manifestações populares. São todos parte da cartografia proposta por Ícaro Lira. Dos estopins causadores das revoltas - não deixando silenciar seus respectivos processos sociais de ruptura – ao esmagamento violento por parte do Estado.

Mukanda

15.11.2022 | por Beatriz Lemos