Companhia de Dança Contemporânea de Angola | Temporada 2022

Companhia de Dança Contemporânea de Angola | Temporada 2022 Na sua Temporada de 2022, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola apresenta ISTO É UMA MULHER?, uma criação conjunta de Ana Clara Guerra Marques e da coreógrafa Irène Tassembédo do Burkina Faso. Esta peça convoca o público à descoberta, desafiando-o a confrontar-se consigo próprio e a envolver-se num universo onde, em cada pergunta e em cada resposta, existe uma probabilidade de razão. Não se pretendem apresentar soluções, muito menos se tenciona homenagear, exaltar, mostrar compaixão ou assumir qualquer lugar comum, pretendendo-se apenas integrar a construção de um lugar humanizado e evoluído onde ser Mulher já não cabe nos paradigmas do passado.

Palcos

16.05.2022 | por vários, Ana Clara Guerra Marques e Irène Tassembédo

Onde estava no 25 de Abril? Como alguns angolanos viveram o momento da revolução portuguesa

Onde estava no 25 de Abril? Como alguns angolanos viveram o momento da revolução portuguesa Depois de quinze anos de luta pela libertação e independência – numa guerra iniciada em Angola, que seguiu forte para a Guiné-Bissau e Moçambique -, dá-se o 25 de Abril como um desenlace que muitos esperavam. Em 1974 abre-se um novo capítulo, ainda que polémico, para o processo de descolonização. Como é que algumas personalidades angolanas viveram a Revolução portuguesa que pôs fim ao longo regime ditatorial fascista de Salazar e Caetano? Momentos de emoção ou de apreensão? O que foi dominante: a perplexidade, ou já era previsível? Em que circunstância se encontravam? Que implicações trouxe para a vida de cada um? Qual foi a percepção para o futuro do país? Conforme o lugar de enunciação, o 25 de Abril pôs termo à guerra ou foi esta que o desencadeou? Recolhemos vários depoimentos que ajudam a construir este puzzle de memórias, pois para além da História que vem nos livros, interessa-nos as suas entrelinhas.

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28.04.2022 | por Marta Lança

Entrevista com Miguel Sermão. “A pergunta que faço é: O que é uma cara africana?”

Entrevista com Miguel Sermão. “A pergunta que faço é: O que é uma cara africana?” Acho que existe um preconceito, não só na sociedade, mas no meio artístico também. Não podemos ter em conta que um personagem tenha a cor de quem a representa, a não ser para certos personagens históricos, que impliquem zelar pelo que escreveu o autor. Qualquer personagem é feito por qualquer outra pessoa, só que, infelizmente, quem dirige ou coordena as companhias, ao pensar num espectáculo não pensam nos actores negros, sejam africanos ou afrodescendentes. Não existe esse pensar de que há no meio artístico português actores negros. Quando se pensa tendencialmente, os pápeis são característicos digamos.

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27.04.2022 | por Sílvia Milonga

Romper o silêncio, fazer o luto, Luanda – 30 anos do 27 de maio (2007)

Romper o silêncio, fazer o luto, Luanda – 30 anos do 27 de maio (2007) Já passaram 30 anos. E ainda há quem reviva o desespero da simulação de um fuzilamento. E não poucos têm medo de falar. Mas os angolanos não esquecem. Há uma comoção que atravessa as pessoas ligadas ao 27 de Maio pelas mais variadas razões: a cumplicidade que só a dor e o mistério perpetuam em três décadas de não esquecimento. Nesta grande família reunida, com a evidência das palavras de Martin Luther King e relato da experiência de Michel, o silêncio era mais para ouvir e não para calar.

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19.04.2022 | por Marta Lança

“Nós, artistas, somos como os pedreiros que construíram o Kilamba que não têm acesso às moradias”, arte que vem da periferia

“Nós, artistas, somos como os pedreiros que construíram o Kilamba que não têm acesso às moradias”,  arte que vem da periferia  São artistas que pintam e mostram uma nova Angola, com técnicas e estéticas tão ousadas como os seus discursos e olhar para o cenário artístico. Nas artes visuais angolanas, a produção mais potente vem da periferia, longe do centro onde se encontram as galerias e salas de exposição. Em outubro do ano passado fui desafiado a sair da minha zona de conforto — a música — para entrevistar os jovens da residência artística ResiliArt que produziram obras para a II Bienal Africana da Cultura da Paz. Aceite a proposta, tornou-se evidente que essa produção artística não está na elite de Luanda e que apenas uma parte destes artistas entra nos grandes centros durante as exposições e não tem acesso às condições de produção e mercado.

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16.02.2022 | por Analtino Santos

Equidade de Género e Políticas Públicas - Angola é com Mulheres e Homens

Equidade de Género e Políticas Públicas - Angola é com Mulheres e Homens O empoderamento económico pressupõe que mulheres e homens participem, contribuam e beneficiem dos processos de crescimento, tenham acesso igual às fontes de renda e tenham igual controlo dos recursos produzidos. Em Angola, as estatísticas nacionais de acesso ao emprego e a fontes de rendimento da população economicamente activa, assim como, as estratégias de desenvolvimento nacional na área do emprego, demonstram um cenário desigual, em que as mulheres têm maior dificuldade no acesso ao emprego formal. Neste estudo são discutidos alguns dos fundamentos da disparidade salarial entre géneros, isto é, a relação entre as fontes de rendimento e o nível de remuneração por género, por zona geográfica de residência e por nível de escolaridade. São também discutidos o acesso a bens e recursos importantes para a sobrevivência e garantia de autonomia financeira, como sejam, o acesso à terra e a recursos animais.

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16.02.2022 | por vários

O que é o Sistema?, entrevista a Cristiano Mangovo

O que é o Sistema?, entrevista a Cristiano Mangovo “O Sistema”, sob curadoria de Katherine Sirois, é a mais recente exposição de Cristiano Mangovo, um artista contemporâneo natural de Cabinda, Angola. De entrada livre, na galeria .insofar, a mostra de obras do artista no estilo de expressionismo figurativo, retrata questões sociopolíticas intrincadas através da liberdade das suas pinceladas e escolha de cores fortes. É assim que decide retratar e endereçar a problemática das hierarquias e o exercício de poder. Sentados frente a frente conversámos sobre o seu passado, as inquietações que o movem a pintar e a reflexão sobre o que é “O Sistema”, as injustiças causadas pelo mesmo e como o podemos combater. A realidade, ou melhor, os resultados finais são merecedores de serem observados com todo o tempo e minúcia.

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07.02.2022 | por Alícia Gaspar

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74)

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74) Durante os anos da guerra, milhares de jovens recrutados para Angola, Guiné-Bissau e Moçambique tiraram fotografias daquilo que os rodeava: os camaradas, os quartéis, as paisagens, o quotidiano, as populações civis, o aparato militar. Estas imagens escaparam à censura do regime, e foram guardadas ou enviadas pelo correio como provas de vida à distância. Alguns destes homens construíram laboratórios improvisados, outros acederam a laboratórios oficiais. Vários frequentaram lojas de fotografia que floresceram com a procura gerada pela guerra, muitos compraram e trocaram imagens. Assim construíram os arquivos fotográficos de que agora mostramos partes.

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05.01.2022 | por Inês Ponte e Maria José Lobo Antunes

Angola e os lugares do afeto. Entrevista a Kalaf Epalanga

Angola e os lugares do afeto. Entrevista a Kalaf Epalanga Eu me inicio a partir daquele lugar (Angola), mas tenho em mente que não me encerro naquele lugar. Sou angolano, sou africano, sou um homem, mas, mais do que isto, eu sou as somas de todos os lugares por onde eu passei, de todas as pessoas com quem me encontrei e que causaram alguma espécie de impacto na minha formação e na minha personalidade. Angola é importante para mim, mas não Angola no sentido de nação, no sentido de pátria, porque essa é uma construção e é uma construção que não foi iniciada por angolanos…

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19.11.2021 | por Doris Wieser

Revista Sul, no Brasil, primeira internacionalização da Literatura angolana

Revista Sul, no Brasil, primeira internacionalização da Literatura angolana Em finais de 1947, um grupo de jovens irreverentes (Salim Miguel, a sua companheira de toda a vida, Eglê Malheiros, Aníbal Nunes Pires, Ody Fraga e Silva e Antônio Paladino) forma o Grupo Sul, em Florianópolis, «numa tentativa de produzir alguma coisa na área da cultura, em Santa Catarina». Operando em várias frentes, desde o teatro ao cinema, das artes plásticas ao jornalismo e à literatura, o grupo publicará em Janeiro de 1948 o primeiro número da revista Sul

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29.10.2021 | por Zetho Cunha Gonçalves

“As minhas raízes são africanas e as minhas asas são europeias”, entrevista a Yara Monteiro

“As minhas raízes são africanas e as minhas asas são europeias”, entrevista a Yara Monteiro Condição feminina, da condição da mulher no mundo atual, no mundo africano também e até europeu: a imposição do casamento, a imposição da obediência ao homem, que vem muito da religião católica, e isto está relacionado, por um lado, com a negação da mulher e, por outro lado, com a sua contribuição tanto num contexto extremo de guerra como no contexto social em geral.

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14.10.2021 | por Doris Wieser, Yara Monteiro e Paulo Geovane e Silva

Orlando Sérgio, o jovem que todos queremos ser

Orlando Sérgio, o jovem que todos queremos ser A postura singular e imponente (sem ocupar demasiado espaço, equilíbrio que nem sempre é fácil) de Orlando Sérgio é impactante onde quer que ele esteja. A voz com um timbre de sábio e teatro não dramático, manifesta ponderação, profundidade e jovialidade. Gosta de andar pela cidade e reunir-se com artistas, criativos, intelectuais, pessoas com almas inquietas, gosta de sentar-se em conversas prolongadas e a partilhar histórias hilariantes.

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22.09.2021 | por Marta Lança

“As solas dos meus pés não saíram nunca das quedas do rio Cutato” Entrevista a Zetho Cunha Gonçalves

“As solas dos meus pés não saíram nunca das quedas do rio Cutato” Entrevista a Zetho Cunha Gonçalves Criar uma voz pessoal é um trabalho duma vida inteira e nunca estamos satisfeitos. Qual é o meu melhor livro? O meu melhor livro é aquele que eu ainda não escrevi e que apenas existe na minha cabeça. Tenho alguns poemas para um próximo livro, escrevi dois pequenos livros, cada um tem dez poemas. Um, durante a pandemia, que é A respiração suspensa, e um outro, Exorcismos para ler em voz alta. Em alguns desses poemas entram o quimbundo, o nganguela e umbundo. Toda poesia, toda manifestação de arte, é um acrescento de beleza à beleza que o mundo não tem. Não é o real quotidiano que deve fazer a poesia, mas, ao contrário, a poesia é que deve, em absoluto, criar o real quotidiano.

Cara a cara

07.09.2021 | por Doris Wieser, Zetho Cunha Gonçalves e Paulo Geovane e Silva

“Só consigo escrever quando me relaciono com uma alma angolana”, entrevista a Ana Paula Tavares

“Só consigo escrever quando me relaciono com uma alma angolana”, entrevista a Ana Paula Tavares O facto de eu ter frequentado a escola, ter frequentado o liceu e ter entrado na universidade não era visto, pelas pessoas que me criavam, como profundamente suspeito. Ninguém me impediu de dar um salto para a universidade e de começar um caminho de autonomia pessoal, autonomia de pensar. Ninguém se apercebeu de que a biblioteca do liceu estava à minha disposição, e que eu tinha lido tudo o que estava lá, bom e mau, tudo o que me permitia formar uma consciência das coisas, interrogar os textos, saber das histórias, saber que havia um mundo para além daquele que era um mundo liso e organizado da menina temente a Deus e bem-comportada.

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14.08.2021 | por Doris Wieser, Ana Paula Tavares e Paulo Geovane e Silva

Hugo Vieira da Silva adapta Conrad para o século XIX angolano

Hugo Vieira da Silva adapta Conrad para o século XIX angolano A compreensão da cosmologia bantú é algo a que os portugueses não podiam aceder. O filme reflecte muito sobre a impossibilidade de tradução das culturas. Diria que a loucura das minhas personagens é gerada pela impossibilidade de compreensão do outro. Esses delírios são também os delírios provocados pela amnésia portuguesa auto-infligida, amnésia da inquisição nos trópicos, da escravatura, da violência sobre o outro.

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10.08.2021 | por Amarílis Borges

Samuel Chiwale: a autobiografia de um histórico da Unita

Samuel Chiwale: a autobiografia de um histórico da Unita Em 2008 Samuel Chiwale escreveu sobre a contribuição deste movimento na luta anti-colonial. A tensão política destes movimentos está na génese da luta fratricida angolana que se seguiu, “o grande paradoxo da história de Angola e a fissura que levou o país para caminhos sinuosos e imprevisíveis, com consequências nefastas para as suas populações.” Para as quais a UNITA contribuiu. Chiwale, tentando por várias vezes ser conciliador, faz a distinção, dentro do MPLA, entre os que estiveram na luta, os guerrilheiros propriamente ditos, e os dirigentes que vinham à mata só para “tirar uma fotografia”.

Cara a cara

31.07.2021 | por Marta Lança

"A palavra nómada", entrevista a Aida Gomes

"A palavra nómada", entrevista a Aida Gomes e, de repente, acabou-se o paraíso deles e voltaram a Portugal… e eles também dizem: “Deixamos tudo…”. Ali ficou um sentimento de perda, um sentimento de saudosismo, que representa o tal retorno, os tais retornados. Há, na palavra retorno, nuances que se perdem. E essas nuances se perderam porque o discurso dominante do retorno sempre foi expresso, articulado por uma classe de portugueses, a maior parte brancos, que falavam duma África mística, maravilhosa etc.

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30.07.2021 | por Doris Wieser, Aida Gomes e Paulo Geovane e Silva

Augusta Conchiglia nos trilhos da Frente Leste, imagens (e sons) da Luta de Libertação em Angola

Augusta Conchiglia nos trilhos da Frente Leste, imagens (e sons) da Luta de Libertação em Angola A intuição e sensibilidade são evidentes – as imagens denotam a qualidade da relação com as pessoas fotografadas, e o empenho em relevar todos os aspectos da luta em curso. Não obstante a reportagem estar enquadrada pelo militantismo da autora, nela destacam-se os retratos e a fixação de situações, simples ou disruptivas, do quotidiano dos guerrilheiros e povo no contexto da luta. Os manuais de alfabetização, as armas de uns e outro (também para cultivar os campos); a manutenção das mesmas; o(s) seu(s) uso(s) e integração dos gestos – da sua importância – num movimento, colectivo, de uma comunidade em luta pela sobrevivência e libertação, mas em que, nem por isso, Conchiglia deixa de olhar para as pessoas na sua singularidade.

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26.07.2021 | por Maria do Carmo Piçarra

Papeis Velhos

Papeis Velhos Reescrevi biografias, topografias e narrativas. Quiçá, tentando, sem que o soubesse, desconstruir traumas, conciliar e articular, pelo uso da imaginação, o meu lugar de pertença, esta minha vida repartida entre dois continentes, querendo dar sentido à nostalgia e ao sofrimento sentido pelo avô. Seguindo ao seu lado, enquanto dá as voltas à mística mulemba e diz: “O que fica, fica aqui.”

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22.07.2021 | por Yara Monteiro

Mães do 27

Mães do 27 Uma visão mais alargada dos contornos dos acontecimentos do 27 de Maio, prestando especial atenção aos sentimentos dos que ficaram, em particular as mães. Com isso, não pretendemos de todo ignorar os restantes familiares, mas sim começar por onde a humanidade tem o seu início: no ventre materno. As consequências destes acontecimentos foram de tal maneira nocivas, que pretendemos dar início a um longo processo de cura, humanizar a tragédia para mitigar a dor e buscar a paz interior.

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11.07.2021 | por vários