Porque Preciso de Dizer o Óbvio – Instalação de Edgar de Oliveira / Avital Barak

Porque Preciso de Dizer o Óbvio – Instalação de Edgar de Oliveira / Avital Barak O que faz, então, uma família ser uma família? Será puramente genético — uma linhagem que pode ser traçada até uma ancestralidade comum — ligando pessoas de lugares, línguas e vidas diferentes? Sabemos que os laços emocionais e a memória coletiva desempenham um papel importante nas relações de sangue. Ao mesmo tempo, a família é também uma unidade económica e, em muitos aspetos, um microcosmo da sociedade em que existe.

A ler

07.02.2026 | por vários

Baralho de Cartas 6

Baralho de Cartas 6 Fluindo veloz, a água submergiu em riachos nunca antes navegados, apesar dos sulcos já lá estarem. Confirmo o que dizes sobre a água escolher sempre os mesmos caminhos, escavando os sete leitos dos rios, tal como a nossa pele muda sete vezes. Uma amiga contou que, na terapia, também há sete sessões para abrir novos canais e sinapses sem insistência no “canal do trauma”. Admiro a determinação feroz da água, empapando a terra, nutrindo-a para que aguente uma muito provável seca.

Mukanda

05.02.2026 | por Marta Lança

Manuel Faria de Almeida: o cinema como corpo de delito

Manuel Faria de Almeida: o cinema como corpo de delito  Que o filme tenha sido exibido publicamente apenas duas vezes após o 25 de Abril e tenha permanecido décadas na sombra, até ser resgatado por investigação académica, diz muito sobre as hierarquias da memória cultural. Há obras que sobrevivem porque confortam; outras sobrevivem porque alguém insiste que não esquecer também é um acto político.

Afroscreen

02.02.2026 | por Leonel Matusse Jr.

Cidadanias Periféricas. Muçulmanos em Sintra

Cidadanias Periféricas. Muçulmanos em Sintra Ao privilegiar uma abordagem centrada nas vivências das pessoas, assume-se como uma disciplina humanizadora, que tenta resgatar as particularidades do dia a dia, mais além dos recortes estatísticos e dos determinismos sociais. É claro que existem estruturas, tendências e políticas que ultrapassam as vontades das pessoas e que devem ser analisadas (vejam-se os processos de racialização e de precarização), mas o olhar mais localizado sobre as suas estratégias, sonhos e aspirações permite compreender quais são as suas possibilidades de escolha em campos socialmente delimitados, situando as suas forças e fragilidades.

A ler

02.02.2026 | por Raquel Carvalheira e José Mapril

Guiné-Bissau: one «capitalismo do caju» é uma mina terrestre

Guiné-Bissau: one «capitalismo do caju» é uma mina terrestre  Geração após geração cresceu envolta na mesma violência estrutural que o poder colonial institucionalizou. O cajueiro permanece não apenas como símbolo da violência colonial e do apartheid económico; sobreviveu também à queda do colonialismo, às reformas da revolução e às austeridades do ajustamento estrutural. A castanha de caju — e a instabilidade política — são o mais próximo que a Guiné-Bissau tem de continuidade.

A ler

02.02.2026 | por Klas Lundström