Vozes femininas e o livre imaginar

Vozes femininas e o livre imaginar Estarão as obras literárias de autoria afrodescendente criadas em Portugal a contribuir também para desafiar a identidade europeia, na sua complexidade e diversidade? Tendo presente a «ferida aberta» que o colonialismo continua a ser, mas não se limitando ao seu tratamento, que novas relegações sociais e invisibilidades político-culturais poderão estas vozes [contribuir para mostrar] apontar na paisagem europeia?

A ler

25.10.2022 | por Liz Almeida

Visão de África I

Visão de África I A única solução potencial para a Europa, onde os reformados excedem os trabalhadores, sendo duas vezes mais do que estes, e onde as mortes superam os nascimentos, será contar com um fluxo constante de imigrantes, com a maioria dos recém-chegados a serem oriundos do único continente que ainda apresenta um crescimento na população: África.

Jogos Sem Fronteiras

18.10.2022 | por Ednilson Leandro Pina Fernandes

"Margens Atlânticas" Espaço Espelho d'Água e Cinemateca

"Margens Atlânticas" Espaço Espelho d'Água e Cinemateca “Margens Atlânticas” nasce em Lisboa, do encontro entre Francisco Vidal, artista angolano-cabo-verdiano que explora as identidades africanas e diaspóricas, e Ariel de Bigault, autora e realizadora francesa cujos filmes focam culturas africanas, afro-lusófonas, afro-brasileiras e afro-europeias. Para além da exposição no Espaço Espelho D’Água, tem lugar na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, um ciclo com quase todos os filmes de Ariel de Bigault, entre 19 e 24 de setembro.

Vou lá visitar

22.09.2022 | por Francisco Vidal e Ariel de Bigault

Another Angelo, o ilustrador português cujos trocadilhos dão que falar (e pensar)

Another Angelo, o ilustrador português cujos trocadilhos dão que falar (e pensar) Separados por uma tela de computador, mas unidos pelo interesse em debater alguns contornos da sua profissão, sentámo-nos frente a frente. Angelo Raimundo, mais conhecido por Another Angelo, faz sucesso na cena artística portuguesa graças às suas ilustrações, quase sempre complementadas por poemas ou frases cuja grafia é também ela única e se tornou a marca do artista, sendo poucos os que ficam indiferentes às mensagens passadas por este. É nas redes sociais que causa furor, quer pelos temas que aborda: ansiedade, amor, felicidade, solidão... quer pelo modo de o fazer. “Afinal de contas, eu também sou um ser humano”, diz enquanto conversamos sobre as interações que tem com os seus seguidores (que intitula de finches) no seu instagram. Será a tranquilidade e humor com que Angelo aborda os temas, que cativa os seus 90 mil seguidores, ou a segurança, vontade de sorrir e paz interior que sentimos ao tomarmos contacto com a sua arte?

Cara a cara

21.09.2022 | por Alícia Gaspar

Quando a música é Queer

Quando a música é Queer Qualquer tentativa de definir uma «música queer» no contexto português depara-se, desde logo, com uma realidade: não existe entre nós uma frente assim identificada. O que verificamos no tecido musical do país é a gestação de algo que, de uma forma ainda disseminada e desorganizada, anuncia uma tendência. Tentamos juntar as peças desse puzzle e compreender o que está a acontecer no exato momento em que ocorre e não a posteriori, algo que caracteriza, infelizmente, a musicologia. Como o que se vai ouvindo vem de muito distintos núcleos de criação, raras vezes com oportunidades de confluência (concertos nos mesmos espaços, por exemplo), de uma frente não se trata. A motivação para escrever este capítulo está na possibilidade de, juntando microrrealidades específicas, tentar revelar o que as une.

Corpo

05.09.2022 | por Rui Eduardo Paes e Alix Didier Sarrouy

Cidade e Feminismos | Políticas e poéticas do espaço urbano

Cidade e Feminismos | Políticas e poéticas do espaço urbano Partindo de perspectivas feministas interseccionais do espaço urbano e da arquitectura, Cidade e feminismos pretende criar um espaço de partilha de diferentes investigações, práticas e vivências da cidade que contribuam para enriquecer o debate sobre o espaço urbano em Portugal. Fundadas no cuidado, no reconhecimento das diferentes necessidades e vivências dos corpos e na participação colectiva, estas formas de conceber a arquitectura e criar cidade são fundamentais para repensarmos os problemas e fracassos do modo como se tem pensado e construído o espaço urbano. Particularmente num momento em que o contexto pandémico que atravessamos expôs e intensificou as fragilidades e contradições urbanas, e em que, ao mesmo tempo, assistimos a uma crescente gentrificação e neoliberalização do espaço público das cidades em Portugal.

Cidade

31.08.2022 | por Catarina Botelho e Joana Braga

Coleções “Jardim da Vitória”

Coleções “Jardim da Vitória” Ao longo de 10 anos uma equipa constituída por artistas visuais, antropólogos, arquitetos, designers, engenheira agrónoma, participaram e realizaram um conjunto de projetos artísticos, documentais e cinematográficos no bairro da Quinta da Vitoria, com o pressuposto de contribuir para uma representação mais inclusiva destas comunidades. Ao mesmo tempo que o bairro foi sendo construído pelos próprios moradores, foi crescendo uma barreira invisível que o delimita da cidade. Esta divisão crescente, preconceitos e representações abstratas, contribuíram para a exclusão social e cultural destas comunidades.

Cidade

10.08.2022 | por Sofia Borges

Diário de um etnólogo guineense na Europa (dia 9)

Diário de um etnólogo guineense na Europa (dia 9) Minha mãe de mim que me pariu, agora que vejo toda essa história dos cabelos da Rita e de “Jejum Impertinente”, estou com receio que alguns comecem a dizer que essa coisa de passar fome é também apropriação cultural, uma vez que há muita comida na Europa, e há muitos anos que a Europa aplica a sua engenharia de escassez na África, criando famélicos. Pois é, estou mesmo preocupado, se nos tirarem até a fome, o que nos vai sobrar? Porque duvido mesmo que nos mandem fartura.

Mukanda

27.07.2022 | por Marinho de Pina

Carta de Berlim: Restitutions Art Lab

Carta de Berlim: Restitutions Art Lab O debate sobre as restituições em Portugal continua praticamente inexistente. Quase emergiu em 2020 quando a ex-deputada Joacine Katar Moreira submeteu uma Proposta de Alteração ao Orçamento do Estado de 2020 para a constituição de uma comissão de especialistas cuja tarefa seria listar os objetos roubados ou “adquiridos” em contexto colonial. Face a esta simples proposição – a de um comissão – logo uma série de argumentos escabrosos saltaram para as páginas dos jornais e inundaram redes sociais: “esse é um debate importado, que não faz sentido em Portugal”, “não há pedidos de restituição”, “e então e os objetos portugueses, como a xorca de Sintra, no British Museum?”. A discussão, no espaço público português, ficou por aqui, enquanto que em países como a Alemanha, a Bélgica e a França tem dado frutos, nomeadamente manifestada em devoluções concretas.

Jogos Sem Fronteiras

30.06.2022 | por Inês Beleza Barreiros e Kitty Furtado (Ana Cristina Pereira)

A destruição começa na imaginação

A destruição começa na imaginação Quando a arte é controlada apenas por um tipo de pessoa que pertence a um grupo que foi socializado a partir de uma cultura colonial, como a portuguesa, não é só difícil pensar nestas perguntas, como é quase impossível uma mudança estrutural. Seria preciso não só reinventar o modo de produção artística, como ainda destruir este modelo para criar um novo baseado numa nova ética, em que pessoas sem sobrenome importante podem participar com voz ativa dos circuitos que distribuem o poder. A arte é política.

Mukanda

21.06.2022 | por Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD)

"Não há realmente diferença entre poesia e vida", entrevista a Patrícia Lino

"Não há realmente diferença entre poesia e vida", entrevista a Patrícia Lino Se deste lado do mundo, o assunto é debatido há já algum tempo e institucionalmente desde os anos 80, o interesse pelo tema começa, decisivamente, a chegar ao lado de lá. O Kit de Sobrevivência materializa, com recurso ao exercício paródico e interdisciplinar, esse movimento. Uma mulher portuguesa escreve tão cínica quanto criticamente sobre o grande passado português cujos paradoxos e ilusões decorativas, e penso nas audiências que conheci ao longo de 2021 e 2022, são familiares para as leitoras e os leitores de muitas outras línguas e culturas. Afinal, assim como não há mistério algum no riso, não há mistério algum na violência. As suas dinâmicas desdobram-se em vários idiomas e lugares do mapa.

Cara a cara

17.06.2022 | por Alícia Gaspar

PARTE traz a Portugal 12 curadores e organiza seminário internacional de arte

PARTE traz a Portugal 12 curadores e organiza seminário internacional de arte Andrea Lissoni, Bruna Roccasalva, Carolyn Christov-Bakargiev, Clara Kim, Daniel Baumann, Hendrik Folkerts, Kasia Redzisz, Neringa Bumblienė, Philippe-Alain Michaud, Sofía Hernández Chong Cuy, Vincenzo de Bellis e Zoé Whitley. Convidados pelos anfitriões Vicente Todolí e Isabel Carlos, estes profissionais destacam-se pela vasta experiência curatorial, sobretudo na direção de instituições artísticas de relevo, e viajam para Portugal, alguns pela primeira vez, vindos de dez países da Europa, nomeadamente da Alemanha, Bélgica, França, Itália, Lituânia, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Vou lá visitar

15.06.2022 | por vários

PARTE para levar a Arte de Portugal ao Mundo

PARTE para levar a Arte de Portugal ao Mundo PARTE Portugal Art Encounters é um programa anual e de continuidade que apoia a internacionalização do sistema da Arte Contemporânea em Portugal, reforçando a relação com o Turismo para afirmar o nosso País como um destino de referência no circuito artístico. O programa concretiza-se em dois circuitos consecutivos, designados PARTE Circuits, que culminam com a realização do seminário internacional PARTE Summit e o lançamento da publicação-roteiro PARTE Book. Cada circuito tem a duração de uma semana e acolhe um grupo de sete convidados: seis curadores, diretores de museus, bienais e outros grandes eventos de arte; e um crítico ou jornalista da imprensa especializada. A cada ano contam com a curadoria de anfitriões convidados pela organização e percorrem locais nas cinco regiões do território continental, com perspetivas de futuramente incluir os territórios insulares.

Vou lá visitar

05.06.2022 | por vários

Entrevista com Miguel Sermão. “A pergunta que faço é: O que é uma cara africana?”

Entrevista com Miguel Sermão. “A pergunta que faço é: O que é uma cara africana?” Acho que existe um preconceito, não só na sociedade, mas no meio artístico também. Não podemos ter em conta que um personagem tenha a cor de quem a representa, a não ser para certos personagens históricos, que impliquem zelar pelo que escreveu o autor. Qualquer personagem é feito por qualquer outra pessoa, só que, infelizmente, quem dirige ou coordena as companhias, ao pensar num espectáculo não pensam nos actores negros, sejam africanos ou afrodescendentes. Não existe esse pensar de que há no meio artístico português actores negros. Quando se pensa tendencialmente, os pápeis são característicos digamos.

Cara a cara

27.04.2022 | por Sílvia Milonga

As Estátuas e a História da Arte: o debate sobre vandalização de monumentos em Portugal

As Estátuas e a História da Arte: o debate sobre vandalização de monumentos em Portugal Este ensaio debruça-se sobre polémicas recentes e ainda duradouras sobre vandalização e/ou possível desmantelamento ou retirada de esculturas e monumentos, ou reconfiguração de espaços públicos, em Portugal. Embora prenhes de equívocos, as polémicas tiveram o mérito de promover uma discussão pública sobre persistências coloniais nas cidades portuguesas, em especial em Lisboa. Proponho uma reflexão sobre o lugar que a história da arte, ao questionar o seu próprio papel histórico, ao historicizar o seu objecto e ao analisar os modos de produção artística, pode ocupar nessa discussão. Recorrerei necessariamente a vários artigos de jornais, pois foi aí (com ramificações nas redes sociais), que teve lugar a discussão.

A ler

07.03.2022 | por Mariana Pinto dos Santos

Calado eras poeta, e outros pensamentos de uma feminista

Calado eras poeta, e outros pensamentos de uma feminista Muitas opiniões ofensivas partiram de homens que defendiam e apoiavam a campanha por considerarem ser culpa da mulher a divulgação de fotografias íntimas na internet. Estas mesmas opiniões ganham força quando veem uma campanha destas ser divulgada pela GNR, uma instituição que foi criada para garantir os direitos dos cidadãos... E esta é apenas uma de várias desculpas que os homens nestes comentários utilizam para justificar os seus pensamentos e atitudes retrogradas.

A ler

21.01.2022 | por Alícia Gaspar

Keyezua

Keyezua Pensei em ser embaixadora, diplomata, coordenadora, não, vou mesmo é ser presidente do meu país… Ainda tenho fé. Eu falo sobre essas coisas porque acho que existe essa necessidade, não só da minha parte mas também porque o povo quer ver retratada a sua vida. E também porque eu gosto de investigar o relacionamento que temos com o resto do mundo – somos vistos como dependentes mas esta geração é independente.

Cara a cara

18.01.2022 | por Miguel Gomes

Caro amigo branco (da Reversão)

Caro amigo branco (da Reversão) Caro amigo branco, quando as pessoas falam do racismo, falam de um sistema ridículo construído por uns brancos ricos no alto do seu imperialismo e que tem diminuído vários indivíduos, arrastando-os para um abismo de auto-depreciação. O racismo é uma ação baseada no poder e na dominação, o racismo aliou-se ao capitalismo, o racismo é parte de um sistema económico, político e social de controlo das mentes, que atira gentes contra gentes, convencendo gentes de que são mais gentes do que outras gentes.

A ler

17.01.2022 | por Marinho de Pina

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74)

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74) Durante os anos da guerra, milhares de jovens recrutados para Angola, Guiné-Bissau e Moçambique tiraram fotografias daquilo que os rodeava: os camaradas, os quartéis, as paisagens, o quotidiano, as populações civis, o aparato militar. Estas imagens escaparam à censura do regime, e foram guardadas ou enviadas pelo correio como provas de vida à distância. Alguns destes homens construíram laboratórios improvisados, outros acederam a laboratórios oficiais. Vários frequentaram lojas de fotografia que floresceram com a procura gerada pela guerra, muitos compraram e trocaram imagens. Assim construíram os arquivos fotográficos de que agora mostramos partes.

Vou lá visitar

05.01.2022 | por Inês Ponte e Maria José Lobo Antunes

Diário de um etnólogo guineense na europa (dia 8)

Diário de um etnólogo guineense na europa (dia 8) A Tugalândia é tão complicada que não consigo pensar bem, são tugas brancos a serem racistas, são tugas pretos a serem classicistas, são tugas assim-assim a serem assado-assado, e eu aqui apanhado em pensamentos confusos e contraditórios, querendo deixar esta tarefa inglória de estudar os tugas e voltar para Guiné, mas a Guiné está numa situação ainda mais merdosa.

Mukanda

21.12.2021 | por Marinho de Pina