Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason

Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason Saí de Portugal rumo a Londres em 1993, a Lisa Stansfield era a musa do momento e os Eurythmics ainda faziam boa música, daquela que nos movia a questionar e já nos apresentava boas pistas. “There must be an angel playing with my heart”. Éramos uma geração de europeístas verdinhos como manda a lei da vida, com vinte aninhos de vontade, tesão e muita alegria.

Jogos Sem Fronteiras

06.11.2019 | por Adin Manuel

As invisíveis

As invisíveis Mãe de três filhos pequenos, era o único sustento da família, o seu marido estava desempregado. Juliana é o exemplo de muitas mulheres que hoje em dia são as principais fontes de sustento das suas famílias – num panorama económico frágil onde as oportunidades de emprego são escassas. Como muitas das Zungueiras que são migrantes do interior do país – Juliana era originária de Libolo, província do Kwanza-Sul. Teria vindo para Luanda à procura de melhor qualidade de vida.

Cidade

29.03.2019 | por Beatriz Ramalho da Silva

Veio o tempo em que por todos os lados as luzes desta época foram acendidas

Veio o tempo em que por todos os lados as luzes desta época foram acendidas A luz negra, que havia encarnado em tudo com toda intensidade, foi aos poucos escorregando por entre os cantos do labirinto, banhando nosso corpo e se cravando outra vez no profundo. Estivemos ali por muito tempo, cozinhando junto com a terra. Pouco a pouco, à medida que nossos corpos foram recuperando o acesso às pernas, decidimos nos separar e mover pelo labirinto de túneis, a tentar captar as repercussões do nosso ataque, e estudar as implicações do que havíamos feito.

Corpo

26.11.2018 | por Jota Mombaça

“A esquerda tem mostrado uma maturidade enorme para engolir sapos.”

“A esquerda tem mostrado uma maturidade enorme para engolir sapos.” É perigoso porque toda a diferença é estigmatizada. Se eu me considero superior moralmente e penso que uma família é um homem e uma mulher, tenho toda a justificação para liquidar os homossexuais. É uma lógica repressiva. O Brasil, ao contrário de outros países da América Latina, tem uma sociedade civil bastante organizada, com muitos movimentos sociais. É evidente que vai haver resistência. Há uma sociedade civil que não está desarmada social e politicamente. Nas últimas semanas houve uma mobilização extraordinária, que não foi suficiente, mas mostra um apego à democracia que o Latinobarómetro não previa.

Cara a cara

06.11.2018 | por Boaventura de Sousa Santos

Como resistir em tempos brutos

Como resistir em tempos brutos Aprendi com os povos da floresta amazônica, que tiveram suas vidas destruídas junto com a floresta mais de uma vez, e que resistem e resistem e resistem, que o principal instrumento de resistência é a alegria. Oswald de Andrade dizia que a alegria é a prova dos nove. Mas eles já sabiam disso muito antes. Metem o dedo na cara do opressor, que continua lá, e riem por gostar de rir. Riem só por desaforo.

A ler

09.10.2018 | por Eliane Brum

Também foi assim que as coisas se passaram

Também foi assim que as coisas se passaram A geração dos “filhos de abril” está em condição privilegiada para pensar as memórias indiretas, ou partilhar as percepções destas memórias que, a par das estruturas sociais e culturais, nos definem como geração. Este “outro olhar” não tem a visão turvada pela autoridade do “eu estive lá e sei”, ainda que o grau de afetividade seja proporcional ao tipo de narrativa ideologizante que lhe foi transmitida. Sobre "um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas" de Joana Craveiro.

Palcos

02.12.2017 | por Marta Lança

Teat(r)o oficina: corpos livres em perigo

Teat(r)o oficina: corpos livres em perigo No país da história golpeada, estamos vivendo os nefastos desdobramentos da sua mais recente reedição, ocorrida em 2016, que reverbera em variadas esferas. Todas as conquistas e aspirações dos de baixo estão sendo questionadas: proteção social, educação pública de qualidade, saúde para todos, combate às desigualdades sociais e raciais, políticas culturais, o limitado voto... Nessa encruzilhada, estamos: sabe(re)mos resistir (o que significa, para a esquerda, re-existir)? É este o contexto da nova ofensiva contra o Teatro Oficina Uzyna Uzona, ativo há quase seis décadas na cidade de São Paulo, no bairro do Bixiga.

Cidade

18.11.2017 | por Jean Tible

Porquê Antropoceno? - projeto ANTROPOCENAS

Porquê Antropoceno? - projeto ANTROPOCENAS Politizar o Antropoceno implica resignificar a noção de humano e fazer uma reflexão mais abrangente sobre as relações entre humanidade e poder, humanidade e natureza, ecologia e política. Implica mudar as palavras. E começar a reflexão a partir de uma escuta de posições não vistas.

A ler

22.10.2017 | por Rita Natálio

Incêndios florestais, causas e consequências

Incêndios florestais, causas e consequências Enquanto não se reorganizarem convenientemente (com profissionais e tecnologia adequada) os Serviços Florestais e não se efetuar o devido ordenamento do território, vamos continuar a ter "piroverões", noticiados de modo inqualificável pelas televisões, por continuarmos a ter governantes incapazes, que não estão para ter trabalho e aborrecimentos. Assim, a consequência final será realmente a desertificação, com as nossas montanhas cobertas de rocha nua, pois sem vegetação o solo é completamente arrastado pelas águas pluviais.

A ler

19.06.2017 | por Jorge Paiva

O intervalo entre o espectador e o filme como gesto que desenha um espaço comum. Entrevista a Luciana Fina

O intervalo entre o espectador e o filme como gesto que desenha um espaço comum. Entrevista a Luciana Fina O gesto é político e o que nos apresenta rejeita qualquer hipótese informativa, propondo-nos um filme numa linguagem cinematográfica muito percetiva e relacional, que não cai em descrições e narrativas da diferença e preserva a intimidade da vida e do espaço privado. A matéria do cinema, o movimento que nasce do conhecimento e da relação para a criação de universos que partilhamos a partir do som e da imagem é um gesto profundamente político, porque move lugares e reifica histórias, dando conta de uma partilha do sensível.

Cara a cara

15.06.2017 | por Mariana Pinho

“Nunca pediria asilo à embaixada portuguesa, com medo de ser entregue”, entrevista a José Eduardo Agualusa

 “Nunca pediria asilo à embaixada portuguesa, com medo de ser entregue”, entrevista a José Eduardo Agualusa Pessoas que se sentiram abandonadas,de repente os seus patrões, que lhes davam ordens, passaram do campo socialista para o capitalista sem nenhum problema. Tudo aquilo que eles tinham feito, morto e torturado, em nome de um ideal socialista, tinha deixado de ter sentido. Essas pessoas sentem, algumas delas são muito atormentadas. Outras não. Outras também mudaram de lado com os patrões.

Cara a cara

13.06.2017 | por Nuno Ramos de Almeida

Hélio Oiticica e a destruição das máquinas identitárias

Hélio Oiticica e a destruição das máquinas identitárias Para Oiticica, a invenção desta nova forma de expressão não se tratava, como poderia fazer supor o nome parangolé, de uma folclorização na sua experiência ou a tentativa de uma valorização da “cultura popular”, que considerava uma camuflagem opressiva do “mostrar o que é nosso, os nossos valores…” mas de uma reinvenção da própria ideia de uma arte política. Tanto que sempre se distanciou dos projectos culturais da esquerda, de tradição marxista, que pretendiam figurar discursos sobre a “realidade brasileira” como estratégia de luta contra o regime militar.

A ler

19.04.2017 | por Mariana Pinho

Protesto, coletividades e festa - cartazes do período 2010-2016

Protesto, coletividades e festa - cartazes do período 2010-2016 De uma primeira época de protestos vigorosos, até ao final 2012, com uma dimensão de massas e de transformação do quadro da correlação de forças na sociedade portuguesa, passa-se a uma fase de emudecimento, mas continuidade, que vem a ser por fim abandonada e substituída por formas de protesto significativamente diferentes. O protesto passa a estar ligado a causas pontuais e específicas, de menor presença nas ruas, com novas linguagens e as comunidades que o organizam perdem a transversalidade desenvolvida entre 2010 e 2012.

Vou lá visitar

21.03.2017 | por Catarina Leal e Miguel Carmo

Acabar com o mundo, torcer o mundo

Acabar com o mundo, torcer o mundo O trabalho de um artista, como o de qualquer trabalhador imaterial, implica portanto recusar o status quo, isto é, a obrigação de “fazer sem pensar, sentir sem emoção, se mover sem fricção, se adaptar sem questionar, traduzir sem pausa, desejar sem propósito, se conectar sem interrupção.” De forma a inverter esse processo, poderíamos começar por reclamar empatia com a imaginação não-humana e inumana dos mundos, tendo em conta que a aliança e a empatia fazem parte do processo enraizador da imaginação na política.

A ler

21.03.2017 | por Rita Natálio

Sem Título (Carta a A.)

Sem Título (Carta a A.) Para escrever um texto que fala das relações entre arte e luta necessitaria de uma língua estrangeira dentro da própria linguagem, uma língua de saltimbancos que materialize a possibilidade de dançar numa corda bamba e de combater. Ao invés, tenho apenas os trapos de palavras gastas que tento coser à volta dos problemas. Por exemplo, o problema de nem sequer conseguir pensar em atravessar a ponte que liga a arte e a vida, se ela alguma vez existiu, sem cair nos braços da lei. E de não conseguir admitir este estado de coisas sem me deixar cair em cobardia ou depressão.

A ler

19.01.2017 | por Claire Fontaine

C L A I R E / F O N T A I N E

C L A I R E / F O N T A I N E A propósito do lançamento do livro "Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made” em Portugal, o Buala organiza uma conversa com um dos organizadores, Leonardo Araujo, Miguel Cardoso, Pedro Bismack, e uma performance de Silvia. A partir do conceito de greve humana, que percorre todo o pensamento de Claire Fontaine, pretende-se pensar a intervenção estética como prática política de um “artista ready-made”.

Vou lá visitar

16.01.2017 | por vários

Os hóspedes do Globo: (des-)mapeando a memória da cidade vertical com a horizontalidade do corpo

Os hóspedes do Globo: (des-)mapeando a memória da cidade vertical com a horizontalidade do corpo O mapa ou a cartografia resultante não pode, então, constituir-se senão como um desmapear, um descartografar, um baralhar das coordenadas actuais a partir dos três andares do Globo, das várias camadas de história e memória – colectiva e individual; colonial, anti-colonial, pós-colonial, pós-Marxista, pós-guerra civil – que estes albergam e que o relato sonoro de Almeida, contíguo à instalação vídeo, convoca em permanência. Este desmapear só pode compreender-se, também, a partir do desejo de inscrição de memória no presente e para o futuro que o projecto de requalificação e restauro nunca concretizado, posicionado diante do vídeo, evoca.

Vou lá visitar

08.11.2016 | por Ana Balona de Oliveira

Outras possibilidades, uma visita à 32.ª Bienal de São Paulo: Incerteza Viva

Outras possibilidades, uma visita à 32.ª Bienal de São Paulo: Incerteza Viva Com estas premissas iniciais seria de prever uma inovadora e frutífera exposição que, sem propor vias a seguir para um mundo melhor, poderia indagar pertinentemente as condições actuais e, deste modo, questionar e pôr em causa as promessas de um falso futuro por vir. Neste sentido, esperava-se que as perguntas se multiplicassem, mesmo as mais inocentes e históricas, como: Quem somos? Ou para onde vamos? De facto, as propostas apresentadas revelam, em grande parte, exemplos ilustrativos e expectáveis sobre os contextos sociais e políticos em que são propostos.

A ler

18.10.2016 | por Hugo Dinis

Louco é quem não sonha

Louco é quem não sonha Não há ditaduras boas, da mesma forma que não há doenças boas. Há democracias avançadas e vigorosas e há democracias em crise, democracias frágeis, democracias necessitadas de um novo começo. O que não há com toda a certeza é democracias que possam ser substituídas com proveito por uma qualquer ditadura. Nenhuma democracia é tão má que consiga ser pior do que a melhor ditadura. Tempos como aqueles que vivemos são susceptíveis de engendrar monstros. Contudo, também são capazes de gerar sonhos enormes e poderosos. Mais do que nunca é urgente revisitar utopias antigas e projectar novas. É urgente procurar outros caminhos. Sonhar não é loucura. Loucura, hoje, é não sonhar.

Mukanda

15.04.2016 | por José Eduardo Agualusa

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês Acho que a nação é menos conversão política de “partilhas primordiais” do que arranjos políticos. Se um sistema conseguir produzir consensos tácitos a longo prazo pode fundar-se uma nação; é claro que a história comum ajuda. No caso de Angola, já existiam muitos elementos comuns que tornariam possíveis consensos suficientes para o país dar certo; faltou audácia política.

Cara a cara

27.02.2016 | por Marta Lança