Apocalipse Now e os “Soldados Perdidos” da guerra colonial portuguesa na Guiné

Apocalipse Now e os “Soldados Perdidos” da guerra colonial portuguesa na Guiné O cheiro a selva, a pólvora, a carne estropiada, a napalm (como o autor testemunha, apesar do desmentido oficial), a cerveja, a humidade tropical, o whisky. O próprio livro cheira a whisky, sobretudo ao whisky velho da marinha portuguesa, não fosse este nosso alferes ter uma trupe de fuzileiros junto do seu quartel improvisado junto ao rio Cumbijã. Com eles havia de fazer ski aquático no meio da fauna de crocodilos ali existentes, ou pescar com granadas para afastar esses crocodilos e garantir a próxima refeição fresca.

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11.09.2020 | por Ricardo Seiça Salgado

TIMÓTEO SABA M'BUNDE: uma análise de dentro da política externa

TIMÓTEO SABA M'BUNDE: uma análise de dentro da política externa Como se configuram as políticas externas brasileira e chinesa para a Guiné-Bissau? Quais as motivações e suas variantes? Porque que razão a China optou por uma política externa bilateral, em contraposição ao multilateralismo brasileiro? Qual a percepção da elite governamental e da sociedade civil sobre as políticas externas brasileira e chinesa?

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20.08.2020 | por Ricardino Jacinto Dumas Teixeira

Fidjus dibideras rumo à kambansa: reflexões sobre luta, literatura e cultura

Fidjus dibideras rumo à kambansa: reflexões sobre luta, literatura e cultura A presença dos fidjus dibideras (filhos de mães vendedeiras), urbanos e rurais, assume um papel importante, uma vez que podemos encarar o seu contexto como uma forma inovadora fundamental, que suscita um novo olhar analítico, produzindo um conhecimento crítico à sociedade guineense, no qual as diferentes diásporas também se encontram.

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27.06.2020 | por Ricardino Jacinto Dumas Teixeira

Diário de um etnólogo guineense na Europa (2)

Diário de um etnólogo guineense na Europa (2) Fico, tipo: Kumekié, caralho!? N’tão!, vocês vão lá para a Guiné com os vossos padres e as vossas ONGs a falar que devemos nos juntar e mamar como irmãos, e vocês aqui não gostam uns dos outros! Caralho!

Mukanda

13.06.2020 | por Marinho de Pina

Entre medo e modernidade: resistência em Amílcar Cabral

Entre medo e modernidade: resistência em Amílcar Cabral Para Cabral a luta armada, filiando-se numa tradição de resistência que remontava ao início da ocupação portuguesa, era igualmente um meio de agregação política de uma população social e etnicamente diversa, na senda da formação de uma “consciência nacional”. Depois, porque no entendimento estratégico de Cabral o modo de travar a guerra pela independência delineava as próprias feições do período pós-independência.

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05.06.2020 | por Inês Galvão, José Neves e Rui Lopes

Manjacos de Caio

Manjacos de Caio Amélia da Silva escreveu um livro a contar como recusou o noivo tradicional que lhe estava atribuído e questiona a poligamia, uma prática bastante enraizada entre os manjacos que, no seu entender, não dignifica a mulher, nem respeita a sua escolha e liberdade individual.(...) O sujeito indicado para receber as mensagens do irã é o namanha. O irã pode ser considerado um espírito bom, que protege a comunidade e os seus membros, e o espírito mau que deve ser afastado, uma vez que causa problemas.

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02.06.2020 | por Carlos Alberto Alves

Amílcar Cabral, um agrónomo antes do seu tempo

Amílcar Cabral, um agrónomo antes do seu tempo A agricultura, então chamada de “indígena”, assentava na produção de arroz para o autoconsumo das comunidades rurais, a qual era praticada há cerca de três mil anos e na produção de uma cultura de exportação, a mancarra (amendoim) incentivada pelas empresas estrangeiras que se revezam na sua exportação para a Europa (em bruto ou em óleo). O ciclo da mancarra começa na zona de Buba, incentivada por alemães e percorre um itinerário fácil de identificar pela erosão e degradação dos solos que provoca na Guiné e que passa por Bolama, norte do Oio, Bafatá e Gabú.

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21.05.2020 | por Carlos Schwarz da Silva

Morte morrida ou morte vivida?

Morte morrida ou morte vivida? Nas sociedades tradicionais africanas, é particularmente interessante verificar o diálogo e a proximidade entre os vivos, os mortos e as re-interpretações das comunicações com o defunto e/ou a alma, antes e depois do enterro. Em alguns grupos étnicos animistas, quando uma pessoa morre, antes do enterro determinam-se as causas da sua morte pelo sacrifício de uma galinha (através da forma como saltam depois de degoladas ou então pela cor do seu umbigo), de modo a que se possa decidir se a razão da morte é digna ou não (por exemplo quando alguém é morto numa ação considerada criminosa ou decorrente dela) e, consequentemente, escolher o modo e o local do enterro – dentro ou fora da comunidade.

Corpo

05.04.2020 | por Miguel de Barros e Mónica Sofia Vaz

"Toda a terra tem um nome, é preciso anunciá-lo", entrevista a Welket Bungué

"Toda a terra tem um nome, é preciso anunciá-lo", entrevista a Welket Bungué Se a imagem é potência, uma vez que fixa e revoluciona pela multiplicidade de interpretações que inocula do sentimento humano, já a palavra irá fixar problematizando, porque está veiculada a uma ideia de linguagem de dominação e de autoridade – isto é, porque só escreve e fala quem é soberano no sentido da legitimação social-política.

Afroscreen

17.03.2020 | por Marta Lança e Welket Bungué

Poéticas africanas de língua portuguesa: língua, engajamento e resistência

Poéticas africanas de língua portuguesa: língua, engajamento e resistência Odete Semedo e Eneida Nelly deixam seu legado propondo obras escritas em crioulo, revelando as suas vivências e exaltando a terra natal. Fazem emergir um olhar sobre dois países africanos pouco estudados no Brasil, buscando apresentar um apanhado da complexa rede de relações que compõe a literatura, a língua e a cultura de ambos os países e abrindo uma nova possibilidade de inscrição no cânone através de autoras que fazem da afirmação da língua materna sua bandeira.

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13.03.2020 | por Claudia Moraes

MARIA AMPÁ

MARIA AMPÁ Como reaver uma certa efectividade nos gestos dissidentes? Como construir um comum que se levanta? De que forma? O recuo do império é inseparável da potência do contra-poder. (...) Nos momentos de crise dos impérios, o senso comum tende a sofrer alterações muito rápidas e só aí a palavra emancipação ganha a possibilidade de estar em todas as cabeças. É preciso desejar a surpresa de recém-chegadas sensibilidades radicais para que a revolta não nos apanhe ciumentos, rancorosos e ultrapassados.

Mukanda

07.11.2019 | por Maria Ampá

Conhecimento e pós-colonialismo na literatura global dos escritores guineenses fidjus dibideras no mundo

Conhecimento e pós-colonialismo na literatura global dos escritores guineenses fidjus dibideras no mundo manifesta a contestação à imagem “extrovertida” que a política assimilacionista e colonialista nos legou da dita “Guiné Portuguesa”, isolada, exótica e inexistente como fato histórico, antes da presença dos europeus. Essa visão lusocêntrica estabeleceu fronteiras entre “civilizados” e “indígenas” e tentou ocultar as dinâmicas internas da sociedade guineense, anteriores a essa chegada.

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27.07.2019 | por Ricardino Jacinto Dumas Teixeira

Língua portuguesa e colonização – caso da Guiné Bissau

Língua portuguesa e colonização  – caso da Guiné Bissau “Será a língua portuguesa um instrumento ideal a usar no processo de ensino-aprendizagem para a libertação do povo da Guiné?”. Tendo em conta que a língua portuguesa foi um dos instrumentos usados pelo colonialismo para a dominação do povo da Guiné, não seria normal o mesmo instrumento de opressão servir para um processo educativo que pretenda a libertação do mesmo povo da alienação colonial.

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02.06.2019 | por Sumaila Jaló

O ativista guineense Miguel de Barros

O ativista guineense Miguel de Barros A resistência traz aos jovens uma fase mais enérgica de intervenção e focam em assuntos como questionamento do papel dos servidores do estado, democracia e governança e mobilização política. “Estamos numa fase muito interessante, em que o desafio da construção das novas formas de mobilização protagonizadas pelos jovens está a ser confrontada com desafios de encontrar, também, novas formas de representação e legitimação da governação democrática”.

Cara a cara

14.04.2019 | por Henri Chevalier

Luta ca caba inda: do arquivo ao fragmento

Luta ca caba inda: do arquivo ao fragmento Este livro traz-nos, pois, o registo escrito de um processo de resgate e releitura de um tempo que surge vivo na exata medida em que a sua dimensão de ruína envolve o cuidado para que se recuperem os fragmentos existentes e, simultaneamente, um exercício hermenêutico que os torna visíveis e contemporâneos.

Afroscreen

13.01.2019 | por Miguel Cardina

O voluntariado do eu

O voluntariado do eu Acabe-se com esta realidade que desajuda, que incapacita, que incha, desincha e passa. Que deixa a sua pegada ecológica – viagens de avião, contentores carregados, megabytes de internet despendidos – e um EU muito cheio, muito transformado, uma lágrima na despedida aos sorrisos rasgados dos pobres meninos africanos. E ainda assim, o avião parte, a vida das pessoas continua, com mais uma camisola do Benfica, mas sem nada desenvolvido, sem nenhuma aprendizagem feita, sem nenhuma nova competência adquirida.

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21.06.2016 | por Alice Gomes

«BOBÔ» ponto de confluência da condição feminina

«BOBÔ» ponto de confluência da condição feminina Bobô é o futuro, a menina que se nega à crueldade cega de uma tradição nefasta (embora já proibida por lei na Guiné Bissau, é uma prática que assenta em convicções amplamente difundidas e portanto difícil de erradicar apenas através do formalismo da Justiça). Ela representa também o passaporte de Sofia para o mundo real, com a sua dose de contradições e de dramas palpáveis, alguns deles evitáveis. Bobô é, finalmente, o livre arbítrio, a liberdade, o factor de união entre mundos díspares e distantes. O ponto de confluência da condição feminina.

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06.05.2015 | por Luísa Fresta

Maria Ampá não quer criar onça que lhe há-de comer

Maria Ampá não quer criar onça que lhe há-de comer Pelo meu relógio são horas de perder todas as vergonhas, as timidezes, são horas de tomar o tempo do mundo e de pôr em prática uma espécie de filosofia de pontapé na porta.

Cara a cara

19.02.2015 | por Maria Ampá

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral?

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral? Aqui revisitamos a biografia de Iva Pinhel Évora (1893-1977) nas fronteiras da vida pública e privado. Por outro lado, propõe-se uma abordagem sobre a sua influência na formação do líder e teórico da luta de libertação da Guiné e de Cabo Verde.

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16.09.2014 | por Eurídice Monteiro

Percepções e contestações: leituras a partir das narrativas sobre o narcotráfico na música Rap da Guiné-Bissau

Percepções e contestações: leituras a partir das narrativas sobre o narcotráfico na música Rap da Guiné-Bissau Apesar de entre os anos 80 e os anos 90 do século XX o tráfico ilegal da cocaína ter atingido proporções globais, infiltrando não apenas os mercados tradicionais como o dos Estados Unidos da América e da América Latina, mas também os da Europa ocidental, da Rússia e mais recentemente alguns países da costa ocidental africana, que têm-se tornado em países de “trânsito” dos cartéis da droga. Foi sobretudo no início do novo milénio que a região oeste africana foi marcada por um maior envolvimento no tráfico internacional da cocaína com destino à Europa ocidental.

Palcos

24.01.2014 | por Miguel de Barros e Patrícia Godinho Gomes