Seis artistas foram convidados a desenvolver obras inéditas a partir de uma investigação nos arquivos das missões científicas coloniais realizadas na Guiné-Bissau, em Angola e em Moçambique entre as décadas de 1930 e 1950. A exposição apresenta o resultado de vários meses de pesquisa nas reservas do museu, através de diferentes linguagens artísticas, propondo uma reflexão sobre o papel do museu enquanto repositório de memórias e patrimónios africanos.
Vou lá visitar
23.06.2026 | por vários
O trabalho de Marta Pinto Machado tem-se desenvolvido em torno da fotografia e do arquivo, explorando as relações entre memória, história, identidade e pertença, bem como os seus limites, silêncios e ausências. É precisamente nesse território, situado entre o visível e o invisível, entre a memória e o esquecimento, que se desenvolvem muitas das questões presentes nesta exposição. Para compreender melhor esta exposição, gostaria de partir de três projetos da artista que me parecem fundamentais para compreender algumas das questões que atravessam esta exposição.
Vou lá visitar
11.06.2026 | por Inês Vieira Gomes
Investigadoras no Instituto de História Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Inês Vieira Gomes e Catarina Laranjeiro cruzaram-se no igual interesse pela investigação do colonialismo, do pós-colonialismo e das repercussões sociais, culturais e identitárias das narrativas do Estado Novo nas ex-colónias e em Portugal. A estruturar a proposta curatorial, as duas propuseram uma possível visão do espólio de Álvaro de Barros Geraldo de acordo com a ideia de que aquelas fotografias permitem reflectir sobre a ficção oficial do regime salazarista relativamente às tensões coloniais. No imediato olhar, essas fotografias constituem lugares de manifestação e inscrição da ficção discursiva de «manutenção da paz» formulado como estratégia de anular a visibilidade do que era o contexto real da guerra.
A ler
28.10.2025 | por Vanda Gorjão
O colonialismo foi feito a medir. Colonialismo à medida. Cartografar, classificar, mensurar. Só se domina o que se conhece. Todavia, a medição não foi invenção do colonialismo. Sumérios, babilónios, egípcios, incas, astecas, todos mediram. Mediram o tempo, o mundo, agrimensuraram e codificaram ângulos, horas, minutos, semanas e calendários. Mediram triângulos ainda antes de Pitágoras ter começado a sonhar com eles. O projeto colonial apenas seguiu essa pulsão, colocando-a ao serviço da hierarquia. Medir para reinar. Exibir para confirmar o poder. Hoje, a obsessão continua, mas disfarçada de neutralidade tecnológica. Máquinas medem por nós, com a nossa permissão. Damos-lhes os nossos dados biométricos através de telemóveis, relógios, câmaras e microfones. A existência continua a ser traduzida em número.
A ler
18.05.2025 | por Marinho de Pina
Pesquisadores (e historiadores em particular) costumam atribuir suas descobertas ao sucesso de uma busca obsessiva pelo fato, atribuem achados ao ato de procurar incessantemente a determinação mais precisa do passado. Esquecem-se assim do caráter fragmentário de todo arquivo e de como cada um dos documentos que o compõe podem nos trazer “vestígios do passado [que] visam o presente e nos dizem alguma coisa. É graças às suas lacunas que os arquivos ainda nos olham” (Ibidem). As “descobertas” historiográficas são, portanto, a correspondência entre o olhar do historiador e o passado que ressurge como um relâmpago tensionado para o futuro.
Vou lá visitar
16.03.2025 | por Luciana Martinez
Os segredos de Estado tornam-se mitos em países como Angola ou a China. São autênticos cofres vazios, lendas populares, elefantes brancos que ocupam o imaginário e o dia a dia do cidadão. Perguntei-lhe qual era o cheiro do corpo do Lenine, se cheirava a mofo no papel.
'Não! Tem um cheiro forte, sufocante e ao mesmo tempo vazio. Não dá vontade de espirrar, dá é mais vontade de não respirar.'
Afroscreen
16.02.2024 | por Fradique
Abro pela primeira vez os arquivos que ele me deixou, sem saber o que vou encontrar e aquilo que talvez tenha perdido todos esses anos. A ideia é descobrir, a cada crónica, um pouco mais sobre a vida deste que foi provavelmente o projecionista angolano que conheceu mais cabines de cinema a nível internacional que, em 1981, fez uma viagem com a delegação angolana à Alemanha de Leste e desapareceu.
Afroscreen
24.01.2024 | por Fradique
Nesta exposição, a expansão da fotografia associa-se à expansão científica colonial que vê na fotografia a tecnologia adequada para visualizar, medir, classificar e arquivar os seus objetos de estudo de modo potencialmente infinito, num contexto de progressivo extrativismo. Partindo desta obsessão pela medição e classificação, mostra-se os modos como os territórios e os corpos das pessoas colonizadas foram visualmente apropriados durante as missões científicas de geodesia, geografia e antropologia, no período 1890-1975, e como se difundiram as narrativas da ciência colonial.
Vou lá visitar
11.12.2022 | por vários
O arquivo audiovisual do BUALA está agora disponível no Youtube. Pode encontrar todos os episódios de Temos de Falar, momentos do projeto ReMapping Memories, reportagens feitas no Festival Música do Mundo e muito mais.
Subscreva e não perca os conteúdos internacionais das mais vastas áreas.
Afroscreen
28.04.2022 | por vários
Reconhecemos as ambiguidades que constituem formas de curto-circuito inerentes à processos coletivos de produção de conhecimento, que antes do que retenção de informação ou presunção de campos de exclusividade temática, ensaiam formas de distribuição de energias, capacidades e responsabilidades na invenção do comum. O posicionamento crítico e na fronteira dos espaços legitimados de conhecimento não supõe uma desvalorização da erudição (popular, acadêmica, indígena, militante, etc.), porém estejamos habitadxs por condições de acesso diferenciadas à distintos regimes discursivos (como os discursos hegemônicos acadêmicos ou sobre a arte, repertórios léxicos ativistas ou vozes indígenas).
Mukanda
10.08.2021 | por vários
Como é que as mulheres olharam as lutas de libertação nas ex-colónias portuguesas? Como é que os seus olhares foram integrados ou não na imaginação do colonialismo? Houve um olhar específico das mulheres sobre a libertação do colonialismo português? Que saber e consciência temos de/sobre esses olhares? E como é que esses olhares se cruzam com os das realizadoras, artistas, curadoras e académicas que hoje questionam os arquivos, públicos e privados, interrogam e recriam visualmente as suas memórias e re-imaginam o colonialismo? Que acção é que a investigação académica, as políticas de conservação de arquivos, os gestos de programação e curadoria podem ter no questionamento ou, pelo contrário, no prolongamento das “políticas (oficiais) da memória”?
Afroscreen
22.05.2021 | por Ana Cristina Pereira (AKA Kitty Furtado), Inês Beleza Barreiros e Maria do Carmo Piçarra
O triunfo do filme consiste, por isso, em mostrar, mas sobretudo em interromper e interpelar os filmes que mostra, com comentários, observações e justaposições, demonstrando que não há neles rigorosamente nada de natural. Tomando em consideração o modo sistemático como se tem vindo a demonstrar quão artificiais, postiças, desequilibradas, encenadas e ocultadoras são as imagens dominantes que foram produzidas em contextos imperiais, Benjamin Stora perguntou recentemente: será que a imagem colonial ainda mantém uma ligação ao real? Ariel de Bigault levou esta inquietação a sério no documentário, dando-lhe uma resposta enfática na negativa, concentrando-se no imaginário e ficção do cinema colonial como se uma história de fantasmas.
Afroscreen
01.12.2020 | por Afonso Dias Ramos
"Tenho visto que racismo, homofobia, queerfobia e transfobia são coisas interligadas que existem em todas as sociedades, ao longo do tempo. Como sou tratada quando me desloco entre países, a linguagem desumanizante utilizada nas fronteiras e nos costumes, diz muito sobre a raça. No mundo em geral, só agora conhecemos o alcance da violência racial que tem vindo a acontecer, bem como as suas raízes e efeitos sistémicos. Só recentemente, enquanto sociedade mais alargada, nos foram fornecidos os instrumentos e a linguagem para apontar e abordar o racismo. Como disse anteriormente, a violência é mais antiga do que todos nós".
Cara a cara
19.11.2020 | por Osei Bonsu e Zanele Muholi
Os “papéis velhos” representam para mim a herança arqueológica de trajetos de vida, memórias e eventos nacionais. Por circunstâncias várias, sou eu a guardiã destas memórias materiais que invadem o meu escritório com o seu perfume do antigamente. Existem silêncios, lacunas e incógnitas. Amiúde, interrogo-me: o que terá decidido não arquivar e deixar de fora? Que narração decidiu guardar para que não fosse condenada ao esquecimento? Não entendo o arquivo como um fim em si mesmo, é antes uma porta que se abre para a exploração do testemunho que o avô desejou deixarmos.
A ler
27.06.2020 | por Yara Monteiro
Numa abordagem que não pretende de todo fechar-se, mas oferecer-se, como escuta, à pluralidade de histórias e vozes, à sua vulnerabilidade, Ícaro Lira dá conta de uma profunda empatia pelas experiências vividas. A exposição na galeria Salle Principale aparece como um nó. Um nó temporário de vozes, encontros e histórias, de territórios atravessados, habitados e carregados em cada um, de temporalidades distintas constantemente reconduzidas por colagens renovadas.
Vou lá visitar
24.12.2019 | por Elena Lespes Muñoz
O que se busca é uma consciência crítica das representações calcificadas ou ausentes dos arquivos, fomentando o debate sobre modos de reimaginação e abordagens éticas não só às imagens que se fazem imagem-arquivo mas também aos arquivos de imagens na sua materialidade.
Afroscreen
18.09.2019 | por Maria do Carmo Piçarra
De 24 a 27 de setembro, o Goethe-Institut de Lisboa promove, em parceria com a Culturgest, o ciclo de cinema e debates que aborda o confronto de vários artistas com a herança colonial dos países europeus através dos arquivos cinematográficos, no âmbito do projeto internacional "Tudo passa, exceto o passado".
Afroscreen
06.09.2019 | por vários
Os documentos preservados pelos Estados ou chefaturas Ndembu (Jindembu) em Angola são testemunhos importantes da centralidade plurissecular de práticas africanas de arquivo. Em 1934, o antropólogo português António de Almeida tomou posse (alegadamente “por empréstimo”) do Arquivo de Estado do Dembo Caculo Cacahenda, trazendo-o para Lisboa, para seu estudo.
Vou lá visitar
24.01.2019 | por Ricardo Roque
É uma exposição muito aberta. Passa por uma chamada de atenção sobre os tesouros, no sentido da acepção da palavra, de África. Por isso museologicamente cada peça assume uma unidade. Não é uma exposição de totalidade, mas de casos individuais: são 41 peças, 41 curadores, 41 palavras e nunca as quisemos mexer ou misturar. A ideia é que se possa contar e não dizer África, recuperar o que já se traz, o que se sabe e não se sabe e poder, não tanto “acrescentar um ponto” mas “rever um ponto”.
Vou lá visitar
14.01.2019 | por Marta Lança
Este livro traz-nos, pois, o registo escrito de um processo de resgate e releitura de um tempo que surge vivo na exata medida em que a sua dimensão de ruína envolve o cuidado para que se recuperem os fragmentos existentes e, simultaneamente, um exercício hermenêutico que os torna visíveis e contemporâneos.
Afroscreen
13.01.2019 | por Miguel Cardina