"Transições" de Joca Faria, a fotografia como recurso estético e documental

"Transições" de Joca Faria, a fotografia como recurso estético e documental Tem-se dito que a beleza está nos olhos de quem vê. Usando essa premissa, Joca Faria cria e amplia beleza no que vê. De outro modo, o porto de Maputo seria tão-somente um lugar de desembarques, um lugar que está sempre por limpar e ancorado às máquinas. Mas não. É um lugar artístico em potência. Transições é ainda um projecto que incita a pensar a condição do estivador e de um porto que se desenvolve ao ritmo da cidade e de uma nação inteira.

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06.02.2022 | por José dos Remédios

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74)

A Guerra Guardada: fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74) Durante os anos da guerra, milhares de jovens recrutados para Angola, Guiné-Bissau e Moçambique tiraram fotografias daquilo que os rodeava: os camaradas, os quartéis, as paisagens, o quotidiano, as populações civis, o aparato militar. Estas imagens escaparam à censura do regime, e foram guardadas ou enviadas pelo correio como provas de vida à distância. Alguns destes homens construíram laboratórios improvisados, outros acederam a laboratórios oficiais. Vários frequentaram lojas de fotografia que floresceram com a procura gerada pela guerra, muitos compraram e trocaram imagens. Assim construíram os arquivos fotográficos de que agora mostramos partes.

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05.01.2022 | por Inês Ponte e Maria José Lobo Antunes

Livro: 'Oil Dorado'

Livro: 'Oil Dorado' Num regime de propriedade dominado por grandes latifúndios e num contexto sociodemográfico de abandono e de envelhecimento da população, as imagens recolhidas são expressivas de uma realidade mais profunda, enraizada na concentração do poder de decisão e no vazio sócio-ambiental criado pelo progressivo desvínculo da paisagem por parte daqueles que possuem um maior sentido de comunidade e de ligação à natureza envolvente.

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16.11.2021 | por André Paxiuta

A memória na moldura

A memória na moldura Os álbuns que, apesar de nem sempre terem uma curadoria pensada, acabam também por refletir a natureza do colonialismo que coloca um forte investimento no nível afetivo. Naqueles álbuns, o racismo acaba por ser exposto com afeto, carinho, amor até. E parece ser tratado como um membro da família que não se quer esquecer, tal como uma “mulher da Guiné” na moldura.

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02.11.2021 | por Carla Fernandes

O labor da memória como “intervenção radical” e “reparação”: entrevista com Marita Sturken

O labor da memória como “intervenção radical” e “reparação”: entrevista com Marita Sturken O campo dos estudos da memória é desafiado mais do que nunca pela crescente volatilidade dos debates sobre o que as nações lembram e, consequentemente, o que esquecem. Monumentos e memoriais estão a ser vandalizados, demolidos e oficialmente removidos. Estes já não podem mais ser simplesmente vistos como parte de uma paisagem histórica. Em grande medida, muito do que se passa hoje pode ser entendido como um combate pelas narrativas históricas dos monumentos e do seu poder, mas também se trata de tensões em torno de quem a nação lamenta e quem esta vê ou não vê como tendo uma "vida digna de luto" para usar o conceito de Judith Butler. Portanto, vejo o activismo da memória como um lugar chave para a produção de investigação sobre a memória.

Cara a cara

25.10.2021 | por Inês Beleza Barreiros

Álbuns de Guerra: instantâneos trocados a partir de uma criação

Álbuns de Guerra: instantâneos trocados a partir de uma criação O ponto de vista sobre a guerra não é portanto aqui o mais habitual – por ser o de mulheres do campo em Portugal, não protagonistas do palco da guerra. É o ponto de vista do impacto do acontecimento nas vidas (banais) daquelas que permaneceram em contextos rurais ou semi-urbanos em Portugal, e de como as suas vivências e sociabilidades (também) se constituíram pela guerra e pela influência, por vezes quase espectral, daqueles que para ela foram mobilizados: noivos, maridos, ou quase desconhecidos.

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31.08.2021 | por Ana Gandum

Augusta Conchiglia nos trilhos da Frente Leste, imagens (e sons) da Luta de Libertação em Angola

Augusta Conchiglia nos trilhos da Frente Leste, imagens (e sons) da Luta de Libertação em Angola A intuição e sensibilidade são evidentes – as imagens denotam a qualidade da relação com as pessoas fotografadas, e o empenho em relevar todos os aspectos da luta em curso. Não obstante a reportagem estar enquadrada pelo militantismo da autora, nela destacam-se os retratos e a fixação de situações, simples ou disruptivas, do quotidiano dos guerrilheiros e povo no contexto da luta. Os manuais de alfabetização, as armas de uns e outro (também para cultivar os campos); a manutenção das mesmas; o(s) seu(s) uso(s) e integração dos gestos – da sua importância – num movimento, colectivo, de uma comunidade em luta pela sobrevivência e libertação, mas em que, nem por isso, Conchiglia deixa de olhar para as pessoas na sua singularidade.

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26.07.2021 | por Maria do Carmo Piçarra

TOCHAS, fotografias de Vasco Célio

 TOCHAS, fotografias de Vasco Célio Diz-se que há cerca de dois séculos os habitantes de São Brás de Alportel, perante a aproximação de uma frota invasora e do perigo do saque, da destruição e da morte, socorreram-se de um ardil: à noite, ao longo da costa de frente ao mar, de tochas acesas nas mãos e outras enfileiradas cravadas no chão, convenceram o inimigo de que eram muitos e preparados, levando-o a cancelar o desembarque e a seguir caminho.

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09.05.2021 | por Sara Goulart Medeiros e Vasco Célio

A maldição das imagens coloniais

A maldição das imagens coloniais A insistência em repetir que a guerra colonial carece de registos visuais tende a desprezar o facto de que a imprensa portuguesa a apresentou ao público com a maior das campanhas de imagens de choque. E isto foi determinante na forma como o conflito foi travado, narrado e como viria a ser relembrado. Foram precisos 60 anos, e apenas uma fotografia em sentido contrário, para que se questionasse esta exposição.

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04.05.2021 | por Afonso Dias Ramos

As Matérias Vitais de António Ole

As Matérias Vitais de António Ole "António Ole: Matéria Vital" reúne obras de diversos períodos do multifacetado percurso artístico de mais de cinquenta anos de António Ole (Luanda, 1951). Realizadas em vários meios, da escultura à fotografia, do desenho ao vídeo, estas obras colocam em evidência a atenção que Ole tem dedicado à natureza e aos seus elementos e matérias vitais. A terra, a água, o fogo e o ar assumem aqui inúmeras formas que, no seu conjunto, convidam a uma percepção planetária e a uma consciência ecológica não só da coabitação, mas, sobretudo, da interdependência entre formas de vida humana e não humana (animal, vegetal, mineral) – assunto vital, para cuja premência e urgência a própria realidade pandémica veio, mais do que nunca, alertar.

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27.04.2021 | por Ana Balona de Oliveira

Matéria para Escavação Futura

Matéria para Escavação Futura Exposição que olha e interroga a cidade, como um gesto de escavação da matéria de que ela é feita, para revelar os diferentes estratos que nela se justapõem, as configurações menos visíveis dos seus traçados e assim desemaranhar as tensões que a atravessam. A exposição reúne artistas com diferentes percursos, linguagens e formas de expressão que, através da fotografia, da imagem em movimento, do som e da palavra, reflectem e reformulam a vivência do tempo e a espacialidade da cidade, questionando as lógicas de organização que a regulam.

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26.04.2021 | por Ana Jara e Joana Braga

Lembranças, Souvenirs, Recuerdos | Fragmentos de um diário de pesquisa de fotografias de emigrantes portugueses no Brasil – II

Lembranças, Souvenirs, Recuerdos | Fragmentos de um diário de pesquisa de fotografias de emigrantes portugueses no Brasil – II   Os relatos eram acompanhados, entrecortados, muitas das vezes ditados por fotografias, revolvidas em álbuns, caixas de sapatos, molduras, envelopes; fotografias que me mostraram, nas quais peguei, e que quase sempre digitalizei e voltei a arrumar nos álbuns, caixas de sapatos, molduras, envelopes… Aqui fica a segunda parte de fragmentos de impressões dos diários de “campo”, que relatam episódios da pesquisa dessas imagens fotográficas.

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30.11.2020 | por Ana Gandum

Dentro do Poderoso Arquivo Visual Político de Zanele Muholi

Dentro do Poderoso Arquivo Visual Político de Zanele Muholi "Tenho visto que racismo, homofobia, queerfobia e transfobia são coisas interligadas que existem em todas as sociedades, ao longo do tempo. Como sou tratada quando me desloco entre países, a linguagem desumanizante utilizada nas fronteiras e nos costumes, diz muito sobre a raça. No mundo em geral, só agora conhecemos o alcance da violência racial que tem vindo a acontecer, bem como as suas raízes e efeitos sistémicos. Só recentemente, enquanto sociedade mais alargada, nos foram fornecidos os instrumentos e a linguagem para apontar e abordar o racismo. Como disse anteriormente, a violência é mais antiga do que todos nós".

Cara a cara

19.11.2020 | por Osei Bonsu e Zanele Muholi

Um imaginário real | Ato Malinda

Um imaginário real | Ato Malinda Assim, numa espécie de ‘Eterno Retorno do Mesmo’ tentamos, em vão, definir um objecto – homem – que nunca corresponde ao momento em que o olhamos. Porque assim que o capturámos, encontramo-nos já no passado e na História. Como pode, então, alguém deslindar o futuro se não como uma extrapolação do instante vivido e como uma projeção cuja força reside na subjectividade do olhar e na força da luminosidade desse mesmo olhar? Aperceber-se da impossibilidade de representar o real permite aceder à liberdade do artista criador. É entrar no domínio da metáfora e da lenda.

Mukanda

08.10.2020 | por Simon Njami

O álbum fotográfico de Albano Costa Pereira, Angola (1972 – 1974)

O álbum fotográfico de Albano Costa Pereira, Angola (1972 – 1974) Existem diferentes potenciais camadas testemunhais e mnemónicas implicadas no álbum passíveis de serem exploradas em futuras pesquisas históricas. Uma primeira camada prende-se com a legibilidade atribuída a cada fotografia isolada; uma segunda prende-se com a relação entre essa legibilidade, as legendas das imagens atribuídas por Albano e o seu testemunho da participação na guerra; uma terceira camada consiste ou consistiria numa análise comparativa dos elementos das outras camadas com outros documentos e fontes da guerra ou, simplesmente, com outros álbuns de fotografia.

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16.09.2020 | por Ana Gandum

“sou esparsa, e a liquidez maciça”: Gestos de Liberdade, ciclo BUALA no maat

“sou esparsa, e a liquidez maciça”: Gestos de Liberdade, ciclo BUALA no maat Numa sociedade ainda marcada por profundas desigualdades de género, entendemos a emancipação e liberdade como processos assentes em contínuas e escorregadias disputas no quotidiano. Nestes dias, partilhamos abordagens de cineastas, artistas, curadoras, investigadoras para avançarmos com perspectivas de mundo onde as práticas de liberdade se inscrevem em cada gesto ou situação propostos.

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15.09.2020 | por Marta Lança

Lembranças, souvenirs, recuerdos

Lembranças, souvenirs, recuerdos Nessa altura mais ou menos exacta, ouvi histórias em várias mãos sobre vontades de fuga, decisões de partir e preparativos de viagem, exílio, estratégias de resistência, ânsias de trabalho e dinheiro, aquisições de casas, anéis e carros, perdas materiais e amorosas, despedimentos, cartas trocadas, memórias esquecidas repensadas e por isso lembradas, a ausência da lembrança, casamentos, primeiras-comunhões e baptizados, mudanças de cidade, mudanças de estado, nascimentos, passeios pela cidade e pelo campo, visitas da família, férias em Portugal, considerações sobre a pátria nem sempre amada, sobre música, desbunda, mandioca e carnaval.

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24.05.2020 | por Ana Gandum

Álbum da guerra colonial: José Rodrigues de Almeida (Angola, 1963-65)

Álbum da guerra colonial: José Rodrigues de Almeida (Angola, 1963-65) As fotografias dispersas no álbum sugerem uma organização peculiar: as imagens da infância e da juventude aparecem em páginas paralelas às da guerra colonial, não obedecendo a uma linearidade espacial ou temporal, criando uma narrativa simultânea e particular das diferentes geografias e afetos. Dentro da mesma página as imagens estão organizadas segundo dois critérios: por temáticas oriundas de atividades e por locais, pessoas e vivências.

Corpo

04.04.2020 | por Lana Almeida

Opaco | ɔˈpaku, fotografias de Lubanzadyo Mpemba Bula

Opaco | ɔˈpaku, fotografias de Lubanzadyo Mpemba Bula As doze performances pensadas para a câmara fotográfica habitam a tensão entre duas dimensões de representação - a cidade como espaço e o mundo como corpo - uma vez que a cidade é-nos apresentada pelo seu betão anónimo e o mundo é tido como a experiência acumulada e materializada do indivíduo através do seu corpo.

Cidade

15.11.2019 | por Raquel Lima

Como um relógio parado - sobre a exposição de Daniel Blaufuks

Como um relógio parado - sobre a exposição de Daniel Blaufuks Há uma suspensão da subjetividade e vontade na sua relação com o real. Como se ficássemos entre parênteses, descontextualizados. É um pouco da lógica proustiana, misturar o instante com a eternidade. Estar no tempo e ao mesmo tempo fora dele. Assistir ao espetáculo do mundo e ver que o seu fluxo não nos compromete, numa serena promiscuidade entre passado, presente e futuro.

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13.11.2019 | por Marta Rema