Novos passos de dança

Novos passos de dança Estou cansada de ver pessoas enaltecendo coisas que considero afetadas e pouco conscientes do mundo além-fronteira, ao mesmo tempo que assisto a pessoas talentosas e humildes serem maltratadas. Vejo o poder, em todas as suas formas de arrogância, em vez da potência, na sua forma de liberdade. Ando cansada dos egos dos artistas e sobretudo do meu, e a única coisa que me apetece é aquilo que ainda não sei fazer… cozinhar, plantar. Tratar de animais. Ver crescer coisas, tentar amar como deve ser.

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12.11.2021 | por Rita Brás

Onde o Tibete resiste, fecham-se as portas ao mundo (I)

Onde o Tibete resiste, fecham-se as portas ao mundo (I) À nossa chegada, num cartaz gigante, escrito em chinês e tibetano: Administre os assuntos religiosos de acordo com a lei, não são permitidos templos ou monges ilegais. Do outro lado da estrada, novo letreiro dá voz a mais uma campanha do Partido Comunista Chinês para combater a pobreza. Lê-se: Seja grato ao partido, ame a pátria, respeite a lei e esforce-se por uma vida confortável. Neste lugar retirado de tudo, vem-me à memória a nossa viagem a Xinjiang, no ano anterior, a ubiquidade da propaganda, dos postos de controlo, de um constante desassossego, Está tudo em ordem, digo para mim, e recordo alguns exercícios de respiração enquanto avançamos finalmente em direcção a Yarchen Gar.

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04.11.2021 | por Catarina Domingues

O “tríbrido” cultural: uma breve digressão pessoal pela(s) identidade(s) — Parte II

O “tríbrido” cultural: uma breve digressão pessoal pela(s) identidade(s) — Parte II Assim, importa pensar numa condição que ultrapasse as “essências” identitárias que nos afastam e constroem muros entre nós. Nela não há fantasia, longe disso, já que, por si só, opera a síntese de toda a inflexão, que se concentra em pensar a interpenetração de culturas e imaginários. Deste modo, o Todo Mundo designa a nova copresença de seres e coisas, o estado de globalidade em que reina a relação. Seja na ética do passante, que visa evitar a necropolítica e a política da inimizade, seja na relação global, ambas podem-nos nos ajudar a pensar os direitos humanos como plataforma de luta em que a dignidade humana não seja relativizada.

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27.09.2021 | por José de Sousa Miguel Lopes

O grito da bananeira

O grito da bananeira A acção principal decorre, saltitante entre quatro ilhas de Cabo Verde - Sal, São Vicente, Santo Antão e Santiago, sendo recortada por episódios desenrolados de Norte a Sul de Portugal, e suavemente pontuada por anotações de uma Índia por descobrir, denunciando um desejo iminente de continuação do enredo pela Ásia. Partir para voltar. Este mote, ecoando numa busca por voltar a casa, transformou-se num relato urgente de lições apreendidas, num momento de abertura total à sincronicidade do Universo. Que os Mestres de Esquina que conduziram a autora nesta jornada, possam agora acompanhar o leitor também.

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12.02.2019 | por Ana Pracaschandra

9ª Maravilha

9ª Maravilha Direcção Sul, pela estrada que liga ao Namibe sem se passar pelo Lubango. Pouco utilizada porque depois do Dombe Grande acaba o asfalto e assim se mantém por muitos quilómetros. A natureza começa a ocupar mais espaço e a colonização humana é menos notória. A natureza nua, quase como veio ao mundo.

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04.11.2014 | por Nuno Milagre

O que faço eu no reto de Paul Theroux?

O que faço eu no reto de Paul Theroux? Olhando para um mapa, ele descreve a fronteira entre a Namíbia e Angola como «uma terra desconhecida e por descobrir». Ousa ​​referir-se a Angola como «sobretudo terra incógnita» e até como um país em «isolamento». Estas descrições são inconcebíveis

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27.11.2013 | por Lara Pawson

Kuito coração do país

Kuito coração do país Olhando o mapa de Angola é evidente que a província do Bié, para lá de ter a forma de coração, é o centro do país. Mas o centro geodésico de Angola situa-se num ponto específico, nas imediações do aeródromo de Kamacupa. Um Cristo Rei com os braços amputados assinala o local. Dizem que assim ficou, porque Savimbi mandou levarem-lhe os braços do Cristo como prova que a cidade tinha sido realmente tomada pelas suas tropas. Os historiadores que se ocupem de verificar esta e outras histórias recentes do país. Facto é que o Cristo de Kamacupa está lá, de braços abertos, mas sem parte deles.

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07.09.2013 | por Nuno Milagre

À descoberta de Angola

À descoberta de Angola Cada um dos percursos deste guia corresponde a uma aventura, mas também a uma prova de que é possível viajar de maneira segura e descontraído pelo imenso território de Angola. As dicas e informações que recolhi e compilei para este livro são uma boa ajuda para reduzir os imprevistos e aumentar o prazer de uma viagem por este país intenso e inesquecível, tanto nos seus paradoxos como nas suas gentes e paisagens.

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05.12.2012 | por Joost De Raeymaeker

Ligações transatlânticas: mares, memórias e lugares no trabalho de Mónica de Miranda

Ligações transatlânticas: mares, memórias e lugares no trabalho de Mónica de Miranda Viagens no imaginário de Monica de Miranda torna-se uma metáfora para o que Walter Mignolo chama de "ferida colonial": como uma maneira de explorar seus múltiplos movimentos e da sua família entre lugares ligados por uma matriz colonial comum, onde ela constrói o seu próprio mapa emocional em uma variedade dos mediums. Pode-se argumentar que os lugares escolhidos para o seu trânsito sugerem uma reflexão sobre a descolonização que nos termos dos zapatistas nos levaria a um mundo que se encaixa em muitos mundos: uma proposta pluriversal- em oposição ao universal - à leitura da realidade.

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27.11.2012 | por Gabriela Salgado

BAB SEBTA, mudar a percepção das migrações, entrevista a Pedro Pinho

BAB SEBTA, mudar a percepção das migrações, entrevista a Pedro Pinho "O filme é sobre a espera, sobre os tempos de espera. Se pode haver diferenças entres as acções das pessoas de cá e as pessoas de lá, a espera permite-nos reconhecer uma unidade e uma semelhança. Por definição, quando esperamos estamos dependentes de alguma coisa exterior que não controlamos e de que estamos dependentes e esse estado de vulnerabilidade é universal. O quotidiano da espera é comum a todas as pessoas do mundo e facilmente reconhecível e identificável." Pedro Pinho

Afroscreen

10.07.2012 | por Marta Lança

Logo Depois Da Vírgula

Logo Depois Da Vírgula Achará aqui o relato de uma série de viagens que iniciei em agosto de 2010. Encontrará, porém, na leitura e nos desenhos de Logo Depois Da Vírgula , outras viagens anteriores e posteriores, não condicionadas por essa atualidade, que irão satelizar e “des-temporalizar” o seu rumo central.

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04.05.2012 | por Mattia Denisse

Obra do sonho e de uma tragédia - Moçâmedes

Obra do sonho e de uma tragédia - Moçâmedes Bernardino e Soriano, dois homens antes do seu tempo, erguem uma missão quase impossível de colonizar: Moçâmedes, terra inóspita numa Angola que inspirava fascínios e medos. Com eles cruzam-se Benedita, Peter von Sternberg e Kpengla, as figuras imaginárias do romance histórico de João Pedro Marques. Uma Fazenda em África é lançado hoje em Lisboa Pernambuco, 1848. A tragédia dos portugueses numa noite de ataques indiscriminados na onda de violência de que estavam a ser alvo juntou-se ao sonho de um homem, Bernardino de Figueiredo, de criar uma "coisa espantosa" em África.

Cidade

07.03.2012 | por Ana Dias Cordeiro

Oito dias, seis noites: diário de uma primeira viagem ao Senegal e à África Subsariana

Oito dias, seis noites: diário de uma primeira viagem ao Senegal e à África Subsariana Aterramos em Dakar às 2h30 da manhã. Olhando do avião para a península de Cabo Verde, o mapa que tão bem tinha estudado nos últimos meses, ganha vida. Sei exactamente onde fica o nosso hotel. Saio do avião e olho à minha volta procurando identificar o primeiro elemento que provará que estou em África. Nada de especial, a não ser o nome do aeroporto: Léopold Sedar Senghor, primeiro presidente do Senegal, o presidente-poeta.

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26.01.2012 | por Maria Vlachou

Recensão a "Desmedida Luanda-São Paulo-São Francisco e volta"

Recensão a "Desmedida Luanda-São Paulo-São Francisco e volta" Com "Desmedida" o autor parecia introduzir uma deslocação de território e de género, abordando a crónica num espaço aparentemente estranho a Angola. No entanto, partilhará a mesma obsessiva procura de uma «autocolocação» que o próprio tem vindo a afirmar como determinante, mantendo o livro próximo do imaginário dos anteriores e introduzindo a partir da forma da crónica, na tensão entre o imprevisto e o livro que daí resultará, algumas interessantes figuras unificadoras desse discurso transversal.

Ruy Duarte de Carvalho

13.09.2011 | por Clara Rowland

O que eu esperava...

O que eu esperava... Ao chegar a Valvys Bay até Swakop, uns 30 quilómetros, de um lado o mar e do outro só dunas, onde se praticam desportos radicais. O mar é lindo, agreste, ondas fortes e água fria, pois ali passa a corrente fria de Benguela. Chegamos a casa cheios de areia, o cabelo crespado, a pele seca, as malas por fora perderam a sua cor natural. O aconchego de sua casa, para descansar e depois continuar.

Ruy Duarte de Carvalho

16.06.2011 | por Eva Carvalho

Reflexo da Viagem

Reflexo da Viagem Com ousadia, embora em condições bem diferentes, cada vez mais jovens brancos se aventuram na África do século XXI. Ignorando pacotes de férias que trancam os turistas em resorts esterilizados, deambulam nas suas próprias explorações, num improviso preparado com informação das redes e guias de bolso. Mochila às costas, circulam por países em paz que admitem algum atrevimento. Esta forma de viajar permite conhecer de perto os africanos e as suas vidas, em vez de se ficar apenas pela convivência com o mar cristalino e os animais selvagens.

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04.06.2011 | por Nuno Milagre

Uma espécie de viagem. Desmedida, de Ruy Duarte de Carvalho

Uma espécie de viagem. Desmedida, de Ruy Duarte de Carvalho Detém-se no Brasil enquanto caso de estudo e de pasmo, exímio na “produção social do inédito”, onde tantos se pasmaram “diante do inédito, da anarquia e do escândalo da exuberância da flora brasileira” e de outras questões, tendo sido o deslumbramento a causa do enriquecimento (e provavelmente enviesamento) das investidas científicas (e românticas), dos exploradores e observadores do século XIX e demais.

Ruy Duarte de Carvalho

02.06.2011 | por Marta Lança

As últimas neves do Kilimanjaro

As últimas neves do Kilimanjaro Foi apenas em 1861 que uma expedição dirigida pelo barão alemão Klaus von der Decken e pelo botânico inglês Richard Thornton conseguiu comprovar que o topo do Kilimanjaro possuía neve. Uns anos antes, em 1848, o missionário Joseph Rebmann avistou, e divulgou no ano seguinte, a sua descoberta, que no início pensou serem nuvens, e depois comprovou ser mesmo neve. Mas a sua descoberta foi então contestada. Hoje, as neves eternas do Kilimanjaro são um dos cartões de visita de África. A primeira ascensão ao cume aconteceu a 6 de outubro de 1889, por Hans Meyer, Ludwig Purtscheller e Johannes Kinyala Lauwo. A rota atualmente mais fácil de seguir em direção ao topo é via Marangu, Rongai ou Machame, e há vários programas promovidos por agências de turismo que permitem a sua escalada.

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07.04.2011 | por Miguel Correia

Swakopmund Galore

Swakopmund Galore Voltar a Swakopmund é estranho, fora da estação há sempre uma neblina na cidade e, dado que tudo fecha às cinco da tarde, a cidade fica deserta, quase abandonada, uma velhinha que passeia por ali, uns namorados acolá, mas fora isso é Twin Peaks

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17.01.2011 | por Luhuna de Carvalho

Pequena viagem através de África

Pequena viagem através de África Há mais de quarenta anos que ando pelos trópicos e há mais de vinte e cinco anos que me fixei na Guiné. Percorri toda a África desde a Argélia à África do Sul, desde o Egipto a Marrocos, utilizando aviões, comboios, vapores, carros e canoas. Dormi nesses maravilhosos hotéis que o engenho humano criou e dormi também nas mais modestas palhotas das mais modestas tabancas africanas. Bebi aquela água barrenta, de aspecto leitoso, que se colhe nos poços das povoações perdidos no mato; atravessei rios e pântanos sob um calor escaldante; torneei florestas densas e subi montanhas abruptas; percorri as areias imensas dos desertos africanos; tiritei de frio e abrasei-me e longamente conversei com Tcherno Bokar, a quem Teodoro Monod, com aquele sentido de penetração das coisas africanas que só ele possui, chamou «um homem de Deus».

Mukanda

03.01.2011 | por Artur Augusto Silva