Raoul Peck: “Não quero provocar só por provocar. Quero revelar”

Raoul Peck: “Não quero provocar só por provocar. Quero revelar” Já ultrapassámos a questão das queixas. Ao fim de centenas de anos de queixas que nunca foram ouvidas, a queixa não resulta! Além do mais, se eu me queixar, vão-me reduzir mais uma vez ao estado de vítima. E, lamento, mas não sou uma vítima. É também uma maneira educada de me dirigir ao outro, de lhe dizer: “Quero só conversar consigo, não esteja tão na retranca.” Quero manter o espectador numa situação permanente de expectativa, sem saber o que virá no plano seguinte, para o manter desperto, atento. Quero bombardear o espectador com coisas fortes, belas, tristes, chocantes, mas verdadeiras. E quero convidá-lo a viajar comigo, não para o magoar, mas para que juntos nos tornemos melhores.

Cara a cara

12.04.2021 | por Jorge Mourinha

Representações do feminino na cinematografia do realizador brasileiro Karim Aïnouz

Representações do feminino na cinematografia do realizador brasileiro Karim Aïnouz No cinema brasileiro, Karim Aïnouz (Fortaleza, Ceará) não trabalha exclusivamente com o universo feminino, mas quando o faz trata-o de um modo muito particular. Entre a ficção e o documentário, ou misturando as duas linguagens, o realizador, que também assina os guiões dos seus filmes, explora a identidade feminina a partir dos seus desejos e frustrações, das suas aspirações sociais e condição económica, do lugar que ocupa na família, no trabalho, etc. Constrói uma galeria de personagens femininas que atravessa os tempos, num contínuo de histórias de opressão, e atualização de resistências. São mulheres fortes, ativas frente a uma sociedade hipócrita.

Afroscreen

31.03.2021 | por Anabela Roque

O Arquiteturas Film Festival está de regresso de 1 a 6 de junho; “Bodies Out of Space” é o tema desta edição, de olhos postos em Angola

O Arquiteturas Film Festival está de regresso de 1 a 6 de junho; “Bodies Out of Space” é o tema desta edição, de olhos postos em Angola No Arquiteturas Film Festival, procura-se representar, a cada edição, documentários, ficções, animações e filmes experimentais com relevância para a divulgação da arquitetura portuguesa contemporânea, ao nível nacional e internacional. A edição de 2021 não é diferente, tendo sido dividida em três pilares distintos: na seleção oficial, na programação de competição e na programação do país convidado. Como também já é habitual, todos os anos o Arquiteturas Film Festival procura um ponto de foco sobre o qual desenvolve e explora a sua programação. Este ano, o festival está de olhos postos na produção cinematográfica saída de Angola, onde a confluência de tempos e regimes é visível na sua arquitetura e na sua memória coletiva.

Vou lá visitar

17.03.2021 | por vários

A construção de um legado de inclusão na 7.ª Arte

A construção de um legado de inclusão na 7.ª Arte Invisibilidade pandémica nos melhores filmes de 2018: 33 filmes sem personagens negras ou mulheres afroamericanas; 54 filmes sem personagens asiáticas ou mulheres asiáticas; 70 filmes sem personagens latinas; 89 filmes sem mulheres LGBT; 51 filmes sem mulheres multirraciais; 83 filmes sem personagens femininas com deficiência.

Corpo

13.03.2021 | por Daniel Morais

We Don’t Need Another Hero

We Don’t Need Another Hero Breve tentativa de pensar “o herói” a partir de uma peça de roupa, que é a t-shirt interior de alças normalmente branca formely known as “wifebeater” ou Parte #1 de uma reflexão from wifebeaterism to saviourism. Como escrevia Derrida no seu “Archive Fever”, Let us not begin at the beginning, nor even at the archive. Porque que se tivéssemos de ir ao princípio teríamos de falar de Saussure e de Barthes, de Benjamin e de Simmel, e até vou faze-lo, mas não é para já.

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07.03.2021 | por Patrícia Azevedo da Silva

Fantasmas do Império: “O cinema colonial é património comum”

Fantasmas do Império: “O cinema colonial é património comum” “O cinema colonial é sempre um confronto de dois olhares. Mesmo que um dos olhares esteja completamente subjugado, ele está lá. Há um momento em que alguém, que foi apanhado pela câmara, olhou para a câmara e, de repente, num simples olhar, transmite um mundo que, aparentemente, na retórica do filme, está completamente esquecido ou está completamente subjugado. Nenhum realizador colonialista, por mais que queira fazer propaganda, consegue fazer um plano escondendo toda a realidade”.

Palcos

07.03.2021 | por Mariana Carneiro

Philipp Hartmann: «enquanto existirem pessoas determinadas a lutar pelo cinema, este sobreviverá»

Philipp Hartmann: «enquanto existirem pessoas determinadas a lutar pelo cinema, este sobreviverá» No final o cinema sempre sobrevive. A minha esperança e otimismo, o qual tentei depositar no filme, é que enquanto existirem pessoas determinadas a lutar pelo cinema ou demonstrar o seu grande amor por ele, este sobreviverá. Pode ser um ato de resistência, e seguramente o é, mas espero que seja o caminho do sucesso na luta. Mas agora, com a pandemia, a situação será mais complicada, porque depende do nosso regresso à “normalidade” e de quanto ajuda os Governos estarão dispostos a dar para os proteger, ou os salvaguardar, quem sabe, de uma próxima pandemia.

Cara a cara

12.02.2021 | por Hugo Gomes

Pelas águas sagradas que nos curam: uma conversa com Milena Manfredini

Pelas águas sagradas que nos curam: uma conversa com Milena Manfredini Conversei com a realizadora sobre a sua criação cotidiana com o audiovisual até à sua relação pessoal com os cultos de matriz africana. As narrativas que permeiam a vida de Milena partem da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e desembocam no atlântico, fazendo parte das grandes confluências que têm sido os cinemas negros contemporâneos.

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25.01.2021 | por Marco Aurélio Correa e Milena Manfredini

Zezé Gamboa, um percurso no cinema

Zezé Gamboa, um percurso no cinema Zezé Gamboa fala calorosamente das coisas que gosta, episódios de outros festivais, rodagens e problemas que o métier do cinema envolve. As pessoas riem-se pelo empolgamento e exagero. Quer trabalhar em paralelo, os homens no mar e o desespero das famílias na terra.

Cara a cara

05.01.2021 | por Marta Lança

A Lisboa menina e moça de "Donzela Guerreira": conversa com a realizadora Marta Pessoa

A Lisboa menina e moça de "Donzela Guerreira": conversa com a realizadora Marta Pessoa O projeto foi uma sucessão de textos literários, e não em forma de um guião convencional, entreguei à Rita Palma [argumentista] e “vê lá o que conseguimos fazer com isto?”. Resumindo, as coisas foram construindo com Lisboa, com as personagens extraídas de Maria Judite Carvalho e Irene Lisboa, das suas vidas e ainda um parte … muito pequenina … da minha relação com a cidade e com a minha família.

Cidade

22.12.2020 | por Hugo Gomes

Plateau 2020: Cinema Afro, Protesto e as Histórias do Ano da Grande Pandemia

Plateau 2020: Cinema Afro, Protesto e as Histórias do Ano da Grande Pandemia Num ano complicado no plano da saúde pública, bem como do ponto de vista social, político e económico, a escolha de existir é nada mais, nada menos do que heróica. Mas o Plateau 2020 existiu, sim, desta feita em pequeníssimos ecrãs digitais espalhados pelo mundo inteiro, com uma audiência internacional e provavelmente maior que nunca. Durante cinco dias, o cinema exibiu-se a partir de Cabo Verde.

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03.12.2020 | por Pedro F Marcelino

Confronting the Gaze | Os olhares em confronto

Confronting the Gaze | Os olhares em confronto Com curadoria de Alexey Artamonov, Denis Ruzaev e Ines Branco López, “Os olhares em confronto” é um ciclo que faz parte do programa da 14ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival. Organizado entre Lisboa e Sintra, de 16 a 23 de novembro, este evento consiste na exibição de vários filmes/documentários sobre temas como feminismo, emancipação feminina, sexualidade, etnia, pobreza, infância, negritude, identidade, memória coletiva e saúde mental.

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21.11.2020 | por Alícia Gaspar

Cinema da Geração 80

Cinema da Geração 80 Para celebrar o 45º aniversário da independência de Angola, a Associação Tchiweka de Documentação e a GERAÇÃO 80 em parceria com a TPA, a plataforma Mostra de Cinemas Africanos e a PlatinaLine vão exibir vários documentários do projecto “Angola - Nos Trilhos da Independência.” “Independência”, “Mulheres de Armas”, “São Nicolau - Eles Não Esqueceram” e “A Persistente Fragilidade da Memória”.

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11.11.2020 | por Geração 80

Doclisboa - 18º festival internacional de cinema

Doclisboa - 18º festival internacional de cinema O 18º festival internacional de cinema decorrerá de 22 outubro a 1 novembro, com algumas estreias mundiais. A sessão de abertura terá a estreia mundial do filme Nheengatu - A Língua da Amazónia, do José Barahona, um filme sobre o Nheengatu, uma língua imposta pelos colonizadores portugueses que moldou a paisagem e os povos daquela região e que, através do confronto atual entre dois mundos, levanta questões importantes sobre antigos e novos colonialismos, tradição e futuro.

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19.10.2020 | por Doclisboa

«NON.OUI», documentário de Mahmoud Jemni

«NON.OUI», documentário de Mahmoud Jemni Quando uma criança é chamada oussif (uma palavra considerada ofensiva para designar servo ou escravo), isso pode deixá-la magoada ao longo da vida: é claramente violência verbal, ou seja, toda uma linguagem edificada em torno de uma ideia de superioridade de uns sobre outros, e que constitui uma forma de bullying. Mesmo que essa criança seja o melhor aluno da turma e que venha a ser um adulto "bem-sucedido".

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09.07.2020 | por Luísa Fresta

Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos

Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos Como investigadores da história do cinema, entendemos a necessidade de estudos sobre o que está a ser produzido numa certa margem do cinema contemporâneo, questionando inclusive a própria ideia de produção periférica ou marginal, uma vez que grande parte dos filmes que aqui trazemos consolida, em torno dos próprios filmes e de seus realizadores, novos “centros” de ativação cultural, deslocando as velhas (novas) relações entre centro-periferia.

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27.05.2020 | por Michelle Sales

Sair da grande asfixia: devaneios cinematográficos na pandemia

 Sair da grande asfixia: devaneios cinematográficos na pandemia O que os mortos pelo vírus nos diriam caso tivessem a oportunidade? Ficam assim mais perguntas no ar. O cinema proporciona esse momento de introspecção, como se estivéssemos, assim como Narciso, vendo nossa imagem refletida na água, como na decepção por não conseguir ver a própria imagem nas águas escuras da noite. O cinema é uma janela que nos permite sonhar, criar, efabular outros mundos, outros horizontes.

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12.05.2020 | por Marco Aurélio Correa

"Foi a partir do cinema que me tornei antropólogo". Pensar por imagens.

"Foi a partir do cinema que me tornei antropólogo". Pensar por imagens. No seu momento, Nelisita apontava outros caminhos ou simplesmente recusava um olhar ainda comprometido com vícios da etnologia colonial. A pesquisa e o modo como descreveu os objetos dos seus interesses teve sempre em conta as relações de poder da produção de conhecimento, no ato de fazer filmes, romances ou teses, e os limites e dificuldades de contorná-las, mas foi delimitando a sua “determinada zona de compromisso”.

Ruy Duarte de Carvalho

20.01.2020 | por Marta Lança

Para lá dos seus passos, entrevista com Kamy Lara

Para lá dos seus passos, entrevista com Kamy Lara Rodear-me de mulheres neste filme foi uma decisão consciente. Acho que é importante. São pequenos passos e espero que um dia não seja preciso, que seja natural haver mais mulheres a trabalhar em cinema, em Angola principalmente. Muitas vezes as mulheres não estão no mesmo patamar que os homens porque não tiveram as mesmas oportunidades, mas nós temos que ir crescendo juntas.

Cara a cara

02.01.2020 | por Iolanda Vasile

Centros de Gravidade

Centros de Gravidade Numa Europa que deixou de ser o centro de gravidade do mundo, mas que permanece infraestrutural na globalização de regimes de poder neoliberal, patriarcal e (neo)colonial, e que condiciona não só geopolíticas epistemológicas e ontológicas, como a própria sustentabilidade do planeta, convocamos outras forças de gravidade para um olhar crítico sobre algumas estruturas que perpetuam estes mesmos regimes.

Vou lá visitar

12.11.2019 | por Alexandra Balona