Vistos Gold: A fugir de Hong Kong para... Lisboa

Vistos Gold: A fugir de Hong Kong para... Lisboa Os pais de Lawrence, empresários inconformados com o rumo da nova China de Mao Zedong, na ânsia de salvaguardar liberdades e património, engrossaram a longa lista de imigrantes que, na década de 50, confluíram no território. Em 1945, Hong Kong tinha 600 mil habitantes e, passados seis anos, o número excedia dois milhões. Hoje refaz-se o ciclo. Com a instabilidade política e a crescente interferência de Pequim nos assuntos da região semiautónoma chinesa, Lawrence prepara o caminho para deixar esse abrigo provisório que o tempo fez casa.

Cidade

15.10.2020 | por Catarina Domingues

Na Rua do Loreto

Na Rua do Loreto Está nua, a barriga dobra-se sobre o púbis. Eleva os braços, espreguiça-se, como um orangotango fêmea cansado. Deixa-se estar ali, lambendo os braços, levando ao nariz o cheiro dos sovacos, acarinhando um bebé que ninguém vê, dando-lhe de mamar com um desvelo maternal. Dessa vez, não a vi. Contaram-me que abriu as pernas, cheirou-se e sentindo-se, quem sabe, terrivelmente desamparada, começou a chorar de desespero. Alguém chamou a Polícia Municipal.

Cidade

08.09.2020 | por Djaimilia Pereira de Almeida

Entre prática religiosa e espaço de culto: as dimensões do corpo-crente em "Variações da Fé"

Entre prática religiosa e espaço de culto: as dimensões do corpo-crente em "Variações da Fé" Uma das vertentes deste trabalho foi pensar a relação ideológica entre o espaço de oração (a mesquita) e o espaço de exposição (o palácio), no âmbito das suas interligações históricas, culturais e arquitetónicas. Outra vertente do trabalho foi interrogar o espaço ocupado pelo corpo-crente na relação com as práticas rituais e o local sagrado. Em Variações da Fé, o corpo aparece progressivamente, ao longo do desenrolar da proposta no espaço, até desaparecer. Entramos.

Corpo

31.05.2020 | por Hélène Veiga Gomes

Lá vai ele e a sua solidão por aquele caminho serpenteante outra vez

Lá vai ele e a sua solidão por aquele caminho serpenteante outra vez Da Lisboa conhece os podres, os esquemas, o pessoal: músicos, bêbados, jornalistas, noiteabundos e lunáticos. E há a cidade sem solidariedade, povoada de sacanas, onde os cigarros arranham mais mas, por outro lado, o fado, o bitoque, a tasca, o rissol e o tremoço sabem mais familiares. O poeta diagnostica a superficialidade — “essa capa fina e invisível” — das pessoas giras, a cultura de plástico, o espectáculo e fetichismo do mercado que nos toldam como animais inofensivos e desejantes, atravessando-lhe o sarcasmo pós-moderno que se auto-satiriza. As estrelas caem de cadentes, roucas de tanto gritar.

A ler

06.04.2020 | por Marta Lança

Reparar no olhar: Lisboa anos 90

Reparar no olhar: Lisboa anos 90 A cidade surge, no livro, frequentemente perspectivada a partir das periferias, ou mostrada a partir de espaços intersticiais no que diz respeito à representação, hoje tão claramente tipificada, do centro histórico, (e ali praticamente ausente, tal como as Avenidas Novas). “O que é que pomos no nome Lisboa?”, questionou-se a dada altura na conversa, referindo-se também que a sua paisagem (e aqui inclui-se os ditos espaços verdes), surge em muitas das imagens na condição de espaço desabitado ou circunscrito ao olhar de um único indivíduo.

Cidade

24.01.2020 | por Ana Gandum

Luanda, Lisboa, Paraíso?

Luanda, Lisboa, Paraíso? Nos anos 80, e seguindo a rota de muitos cidadãos africanos dos países de língua oficial portuguesa, Cartola de Sousa viajou para Lisboa com o seu filho Aquiles de 14 anos, para que o rapaz fosse submetido às operações aconselhadas e aos tratamentos médicos que, em princípio, resolveriam o problema.

A ler

26.12.2019 | por Margarida Calafate Ribeiro

Consciência de Humanidade

Consciência de Humanidade Desfrisos, chapinhas, mises, tranças, postiços, aplicações fio fio ou bainha… Perucas a x euros. Entrei. Recebo um sorriso caloroso. Tirava todos os “protocolos”, sentia-me em casa. Matava ali as saudades. Um cabeleireiro africano em qualquer outro continente é uma "embaixada de abraços e confraternizações". Um abraço periférico.

Cidade

29.07.2019 | por Indira Grandê

'Partituras para ir', de Joana Braga

'Partituras para ir', de Joana Braga Partindo das formas existentes no percurso estabelecido e do imprevisto provocado pelos sujeitos, 'Partituras para ir' procurou instaurar relações de movimento e de repouso, de velocidade e de lentidão, através das quais se instaura o devir, um devir entendido enquanto processo de desejo.

Cidade

30.06.2019 | por Marta Rema

Programa da ARCOlisboa 2019 e a arte e os seus públicos

Programa da ARCOlisboa 2019 e a arte e os seus públicos A ARCOlisboa 2019 acolhe a participação de mais de 70 galerias de 17 países. A secção inédita ÁFRICA EM FOCO, organizada pela curadora Paula Nascimento, reúne 6 galerias de Angola, Uganda, Moçambique e África do Sul, e apresenta uma série de conversas temáticas sobre as artes e as culturas contemporâneas do continente africano.

Vou lá visitar

24.04.2019 | por vários

A Descida do Triunfo

A Descida do Triunfo Sem o envolvimento de nenhum partido político, movimento partidário ou social. As pessoas, maioritariamente jovens, mobilizaram-se pela luta contra os atos de violência da polícia e em solidariedade pela Família Negra do Bairro da Jamaica.

Mukanda

30.01.2019 | por Son Ibr Jiobardjan

Percepção da música da periferia, caso do kuduro

Percepção da música da periferia, caso do kuduro O kuduro em Angola é intervenção urbana e social. Além da música e dança tão potentes que não deixam ninguém indiferente, é “forma” de contar uma estória. Se repararmos na questão linguística, a linguagem kudurista reveste-se de grande criatividade, absorve qualquer gesto do quotidiano, ironias e falas de rua, inventando até idiolectos como o "burguês", performatizando uma certa loucura da vida urbana.

Palcos

02.01.2019 | por Marta Lança

Uma implosiva geografia exílica

Uma implosiva geografia exílica O que escreve Djaimilia Pereira de Almeida pode entender-se como poderosa ferramenta de transformação da visão da paisagem humana portuguesa, não se rasurando - antes reunindo-os um curativa convivência - os fragmentos dolorosos de uma história feita de frustrações e desilusões , de fracturas e distanciamentos e de ambíguos sentimentos.

A ler

21.12.2018 | por Inocência Mata

A cidade o tornou reticente e sombrio

A cidade o tornou reticente e sombrio a história deles se torna a história habitual de muitos imigrantes que vieram das antigas colônias em busca de um tratamento médico ou de uma vida melhor. Em Angola, Cartola era parteiro. Em Lisboa, virou servente de obra, e a cidade o tornou reticente e sombrio. Aquiles, que ainda era adolescente ao mudar de país, deixou de se sentir angolano: “Esse olhar de quem vê o mundo da cama, contrariado, a morder-se de raiva porque ninguém o ouve, ninguém acode, foi a sua nacionalidade assim que pisou em Lisboa.”

A ler

29.11.2018 | por Tatiana Salem Levy

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta"

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta" Perderemos uma oportunidade histórica (e ética) se mantivermos uma nomenclatura de “descoberta” a propósito deste período histórico e não pensarmos uma metodologia adequada para este museu que esteja à altura de abrir um espaço novo capaz de articular crítica e criativamente, de forma informada, inclusiva e respeitadora da legitimidade das várias perspetivas e experiências que são a realidade da cidade de Lisboa e do país.

Mukanda

21.05.2018 | por vários

Quem vai poder morar em Lisboa?

Quem vai poder morar em Lisboa? Um grupo informal de habitantes da cidade de Lisboa juntou-se à volta de uma preocupação comum: a percepção de uma abrupta alteração das dinâmicas da cidade e sobretudo da grande subida do preço da habitação. Começaram por conversar casualmente sobre o que os preocupava. Essas conversas tornaram-se mais regulares. As inquietações comuns tornaram-se mote para a organização de um debate à volta do tema. Das conversas e de alguma pesquisa foi escrito, a várias mãos, este texto. Qual é o problema do preço da habitação subir em Lisboa?

Cidade

13.06.2016 | por vários

Lisboa(s) escondida(s)

Lisboa(s) escondida(s) Nestas comunidades de afrodescendentes há uma ansiedade de mudança. Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, reconhece que, após mais de duas décadas de luta pelos direitos das minorias, “ficou muito por fazer. Não se entende porque, no século XXI, nós ainda, por exemplo, estejamos a discutir se a lei da nacionalidade, em Portugal, tinha de ser na base do direito de sangue ou no direito de solo”, afirma.

Cidade

19.04.2016 | por Carla Fernandes

Entrevista a Faustin Linyekula

Entrevista a Faustin Linyekula Faustin Linyekula haveria em 2006 de fazer o percurso contrário ao desejo de muitos congoleses democráticos, completou o círculo e regressou a casa, a Kisangani, capital da Província Oriental (onde fica a cidade onde nasceu, Ubundu) da República Democrática do Congo, terra de Patrice Lumumba, o primeiro chefe de governo do Congo independente que Mobutu Sese Seseko conseguiu que os separatistas do Katanga mandassem fuzilar. Conversa com o coreógrafo e bailarino que dirige em Kisangani (RD Congo) os Studios Kabako e durante um ano vai ser o artista na cidade de Lisboa.

Palcos

23.02.2016 | por António Rodrigues

Noite passada em B.Leza

Noite passada em B.Leza A quizomba é a música que está na berra, fala de amor e paixão nas suas letras, e tem diferentes passos, desde os mais básicos até às passadas mais profissionais. “Para dançar bem quizomba é preciso deixá-la entrar dentro de nós”, diz um amigo que anda a aprender o ritmo africano. O funaná é de origem cabo-verdiana, fácil e rápido de dançar, tem muito do folclore português, sobretudo do corridinho.

Palcos

05.10.2015 | por Catarina Andresen Bouça

Indígenas, imigrantes, pobres: o afropolitanismo no rap crioulo - parte 1

Indígenas, imigrantes, pobres: o afropolitanismo no rap crioulo - parte 1 O rap crioulo rompe com o grafocentrismo em primeiro lugar, depois com o imaginário da lusofonia e, finalmente, com a perspectiva canônica de tradução. Por tal relação epistêmica que tem como único aporte a oralidade e o nomadismo da palavra e da voz, o rap crioulo se engaja ao enlace comunitário afropolitano e fundante de sua própria crioulidade.

Palcos

24.08.2015 | por Susan de Oliveira

are you for real?

are you for real? Retomamos a visita pelos cinemas queer africanos, prolongando o ciclo Queer Focus on Africa integrado no festival Queer Lisboa do ano passado. Desta vez saímos de África para o mundo americano e britânico, reiterando, assim, uma das premissas da extensão que “o africano”, a “africanidade”, ocupam no AFRICA.CONT – uma força cultural que anda pelo mundo como uma corrente marítima num oceano: faz parte dele mas tem os seus próprios movimentos e temperaturas, na bela imagem de Achille Mbembe. Ficamos certamente com vontade de conhecer as configurações que essa corrente toma nas suas diásporas centro e sul-americanas, europeias e asiáticas.

Afroscreen

25.06.2015 | por José António Fernandes Dias