O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte II e III)

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte II e III) A crioulização tem claramente a sua base no estudo do complexo Afro-Americano e nas sociedades de plantação das Caraíbas, talvez apenas com ramificação para o Brasil como instância comparativa. Na sua review da antropologia da Afro-América Latina e Caraíbas, Yelvington (2001) diz que a actual preocupação antropológica com os processos de globalização, dispersão, migração e transnacionalidade, com o colonialismo, o hibridismo, etc., elide muitas vezes a produção fundacional que remete para os estudos da diáspora africana nas Américas.

06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte I)

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte I) Escravatura ou liberdade, homogeneidade cultural europeia e diversidade africana, desequilíbrios de género, criação de grupos intermediários são, pois, determinantes. Para Mintz e Price, o conceito de “crioulização” surgiu como um útil substituto de “aculturação” e “assimilação”, pois descreve uma expressão sincrética que leva ao surgimento de novas formas culturais, tal como no passado aconteceu na Europa.

06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida

Os lugares da juventude no contexto urbano de Cabo Verde

Os lugares da juventude no contexto urbano de Cabo Verde Corpo, consumo, sexualidade, expressividade, festividade, colectividade, informalidade e ilegalidade serão assim analisados como os lugares centrais dos novos desafios, negociações, inovações e afirmações dos jovens contemporâneos de Cabo Verde, das suas formas de estar no mundo.

30.04.2011 | por Filipe Martins

"Terceira Metade": Novos horizontes – Arte africana contemporânea e política pós-colonial

"Terceira Metade": Novos horizontes – Arte africana contemporânea e política pós-colonial A pós-independência na África é um espaço de ambivalência, em que as aspirações de seu povo vão, frequentemente, em oposição a seus líderes e às influências externas. Sua riqueza é aleijada pelo controle financeiro ocidental que visa uso próprio dos recursos do continente. Nos últimos anos, o rápido crescimento da influência econômica da China sobre a África se tornou mais um aviso do novo agente fomentado pela globalização e da resultante expansão política e econômica. Ainda não há indícios de uma mudança, onde os tentáculos dessas influências alcançam cada vez mais áreas afetadas por conflitos e governos fracos. Neste conflito terreno, nós devemos carregar conosco as palavras de Walter Benjamin “A tradição dos oprimidos nos ensina que o ‘estado de emergência’ em que nós vivemos não é uma exceção, mas sim uma regra.”

25.04.2011 | por Stina Edblom

Moçambique: Infectados e afectados: as crianças que a SIDA deixou

Moçambique: Infectados e afectados: as crianças que a SIDA deixou A epidemia que mais mata no mundo roubou-lhes os pais, deixando-as entregues a si próprias ou ao cuidado de terceiros. Lutam contra o estigma, discriminação, desapropriação de bens, maus tratos físicos e psicológicos, abusos sexuais, trabalho forçado, abandono escolar e gravidez precoce. Enfrentam a doença e a morte. São apenas crianças – mas há as que se erguem dos escombros para quebrar o ciclo da desesperança. Para essas, SIDA rima com Vida.

19.04.2011 | por Cristiana Pereira

Figuras d'Mindel – Djunga Fotógrafo

Figuras d'Mindel – Djunga Fotógrafo Nunca português de Lisboa ranjou tante nota na nôs terra cma agora! Agora que estou a ver pamode quês gente de Angola tem quês português tromentode. Senhor Salazar, quel quê Rei de Lisboa, disse come tude português que vai pra terra d’África vai pra ensinar amor na nome de Cristo. Mas ê mentira, pamode se els ia na nome de Cristo, desde quel tempe antigue atê hoj-im-dia, ês tude, branco e prete, já era irmão; stava tude na mesma camada.

17.04.2011 | por Djunga Fotógrafo

Vende-se: mortos e vivos

Vende-se: mortos e vivos Apesar de abolida em 1836, persistem nas sociedades contemporâneas formas cruéis de escravatura e exploração. Hoje chamam-lhe tráfico de pessoas e é um lucrativo negócio ilícito que movimenta anualmente até 32 mil milhões de dólares – o mais rentável a seguir à droga e às armas. Moçambique não só é país transitário nos movimentos migratórios, como um importante abastecedor da indústria do sexo, trabalho doméstico e exploração infantil na vizinha África do Sul. Para além dos vivos, existem os mortos que nunca chegam a conhecer o seu macabro destino: extracção de órgãos para feitiçaria.

15.04.2011 | por Cristiana Pereira

África e os desafios da cidadania e inclusão

África e os desafios da cidadania e inclusão Ao designar de proto-nacionalista a geração de seu pai, Mário de Andrade admitiu que as lutas fragmentadas pela dignidade dos filhos da terra tinham uma vertente que levaria a uma reivindicação de tipo nacional. Ele mesmo, filho, acabou integrando a geração que luta pelos direito à auto-determinação e independência, e fê-lo com a ideia de que a Nação era um instrumento utilitário para unificar lutas fragmentadas. Ou seja, era uma invenção social conveniente que ganhou forma com a contribuição dos próprios protagonistas. Nada de diferente em relação ao pan-africanismo, outra construção hipotética, inventada pela diáspora militante, que não dispunha de identificação territorial própria no continente.

11.04.2011 | por Carlos Lopes

Artes em alguma África e demorou tanto tempo

Artes em alguma África e demorou tanto tempo A partir dos anos sessenta, há uma ebulição em muitos países africanos com a criação de escolas de arte. A par das primeiras exposições de autodidactas, acontecem os primeiros festivais de artes negras e até a fotografia de autores africanos se impõe em África, em países europeus e em alguns fóruns nos EUA. Está em fase de redacção a história do que foram estes movimentos artísticos, as suas escolas, os seus protagonistas, a sua difusão internacional, mas uma coisa já sabemos: ela foi desigual e heterogénea conforme os países, a natureza do ex-colonizador, a maior ou menor presença de artistas e escritores autodidactas, assim como a maior ou menor opção pela escolha da escrita em línguas universais ou em línguas locais, com diferentes impactos na comunidade literária internacional.

08.04.2011 | por António Pinto Ribeiro

A revolução egípcia: dez anos de gestação

A revolução egípcia: dez anos de gestação Em vez de surgir, subitamente, do nada, a revolução egípcia é o resultado de um processo que se foi gerando ao longo da década anterior.

04.04.2011 | por Hossam el-Hamalawy

Alerta de crise alimentar em gestação

Alerta de crise alimentar em gestação Apesar da atual subida dos preços não ter ainda alcançado os níveis de 2008, hoje os riscos são mais elevados para as populações fragilizadas sem condições de melhorar o seu poder de compra

02.04.2011 | por Nicole Guardiola

Inês não é morta

Inês não é morta É sempre escuro no país do futuro porque falta fazê-lo, e ninguém o fará senão nós. Portanto, quanto a Atlânticos e Índicos em todas as suas margens falantes de português, acredito que Inês não é morta. Depende de haver quem fale e quem escute, como podemos escutar Lula Pena e ela ser fado, morna ou Caetano Veloso, sendo única: ela própria.

01.04.2011 | por Alexandra Lucas Coelho

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário João Vário (João Manuel Varela, 1937-2007), poeta caboverdiano. Em toda a poesia deste autor encontramos o mesmo imenso obstáculo à decifração – perseverança na opacidade, que se gera pela reflexão que hesita e pela atenção ao que vem, o nascer do mundo, na sua irreconhecível e demasiado próxima escrita. Estamos perante uma afirmação da poesia como enigma desencadeador de enigmas, isto é, como pensamento inspirador de pensamento.

31.03.2011 | por Silvina Rodrigues Lopes

A Língua Tamazigh

A Língua Tamazigh No mundo berbere ou amazigh nunca existiu normalização e unificação linguística: não existe uma norma instituída da língua tamazight, mesmo no uso literário da mesma. Cada grupo emprega o seu ou os seus falares locais que, contudo, são usados apenas para a comunicação intra-regional. Perante esta situação de fragmentação, que provém fundamentalmente de diferentes derivações étnicas, os dados estruturais fundamentais permanecem os mesmos em todas as variedades: o grau de unidade, nomeadamente gramatical, “dos falares” berberes é de facto impressionante, tendo em conta as distâncias e vicissitudes históricas de cada um.

29.03.2011 | por Rita Damásio

Kimpa Vita, uma tragédia inacabada

Kimpa Vita, uma tragédia inacabada Na senda da sua tese de doutoramento em antropologia social, sobre os movimentos messiânicos de África subsaariana, o autor estabelece os parâmetros do quadro da inevitável continuidade histórica entre a extraordinária epopeia da jovem « apóstata » kongo (1684 – 1706) e o insuperável proselitismo no qual assistimos, actualmente, nesta parte do continente.

28.03.2011 | por Simão Souindoula

O Islão pelas terras de África

O Islão pelas terras de África Os muçulmanos são quase metade da população da Nigéria, mas na África do Sul constituem uma minoria insignificante. Na Argélia, Sudão e Somália o Islão é religião oficial e nestes três países recrudesce o terrorismo atribuído aos fundamentalistas islâmicos. Cinco casos diversos da África muçulmana.

22.03.2011 | por Nicole Guardiola e António Melo

A ínsula de Juan Tomás Ávila Laurel

A ínsula de Juan Tomás Ávila Laurel Juan Tomás Ávila Laurel escreve para o público lusófono o texto "Fomos enganados" (Nos han engañado, no original), em que, muito ao seu jeito e com toda a sua mestria literária, nos introduz na situação do seu país, a Guiné Equatorial. Recentemente, este escritor tomou um dos maiores desafios da sua vida, tendo começado em 11 de Fevereiro deste ano uma greve de fome, na cidade onde tem vivido ultimamente, Malabo, na ilha de Bioko, na Guiné Equatorial, protestando contra a visita de José Bono Martínez, presidente do Parlamento espanhol, à Guiné Equatorial.

22.03.2011 | por Cátia Miriam Costa

O grande medo do Ocidente

O grande medo do Ocidente Demasiado pouco, demasiado tarde? Até onde irá a revolta? Que regimes irão emergir deste tsunami? Será ainda possível impedir os falcões israelitas de lançar uma guerra preventiva? Será a Turquia ou o Irão o modelo das próximas revoluções? Perguntas por agora sem resposta, porque os jovens já não acreditam na capacidade e vontade dos Estados Unidos e da União Europeia para pôr termo ao conflito israeloárabe, e promover o desenvolvimento e uma nova ordem na região. Mesmo que quisessem.

19.03.2011 | por Nicole Guardiola

Kikulacho kimo maungoni mwako: Kanga, da tradição à contemporaneidade

Kikulacho kimo maungoni mwako: Kanga, da tradição à contemporaneidade   Capulana no sul de Moçambique, Kanga no Quénia e Zanzibar, pagne no Congo e Senegal, lappa na Nigéria, leso em Mombaça. Um pano rectangular geralmente de 150 cm por 110 cm, estampado industrialmente em toda a sua superfície e que se diferencia de país para país pelos motivos africanos de cores contrastantes, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos e figurativos variáveis que ilustram a cultura, a tradição, a contemporaneidade, os rituais, as ideias, a emoção, o silêncio, a revolta, a luta, a paixão. As Kangas são a “voz do silêncio feminino” (Beck, 2005).

08.03.2011 | por Sofia Vilarinho

Conspirações de Silêncio: Portugal e o fim do império colonial

Conspirações de Silêncio: Portugal e o fim do império colonial   As versões públicas autorizadas que sancionam o esquecimento destes passados por via da sua integração intencional num esquema de recordação abrangente e trivial, bem como os pactos de silêncio que se mantêm no tecido social, são destabilizados por incómodas e imprevistas erupções da memória que trazem à superfície as ambiguidades dos legados problemáticos.

06.03.2011 | por Elsa Peralta