"Silenciocracia, jornabófias e outras mazelas", de Luzia Moniz

O livro reune mais de 30 crónicas publicadas no Novo Jornal. “Silenciocracia” é o título de um dos textos de denúncia da autocracia angolana. “Jornabófias” denuncia o uso de jornalistas como bófias. Tem seis capítulos.

É com muito orgulho que no próximo dia 24 de Novembro de 2022, pelas 17h00, regressamos à Casa da Imprensa, em Lisboa, para apresentar o livro “Silenciocracia, jornabófias e outras mazelas” (Ed. 2022), crónicas de Luzia Moniz. 
Esta edição é o primeiro volume da Colecção Novo Jornal, uma grande parceria entre as nossas editoras, e no seguimento do trabalho que ao longo dos anos fomos realizando com o actual director do semanário Novo Jornal, Armindo Laureano. Meu mano, autor do primeiro livro com a nossa chancela, salvo erro, em 2015, e um grande militante cultural.
A minha mana Luzia Moniz, é angolana, jornalista, socióloga e activista interseccional, acredita na Democracia como alavanca para o combate às desigualdades políticas, económicas e sociais. É co-fundadora da PADEMA, Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana, uma organização da Diáspora Africana em Portugal, centrada na Mulher Africana diaspórica, nos seus valores culturais e identitários com vista à sua afirmação na sociedade tendo em conta a igualdade de género e de oportunidades.Pan-africanista desde sempre, a autora liderou em Luanda, durante cinco anos, o Desk África da Agência Angola Press (ANGOP) que coordenava todo o noticiário africano do País, antes de ser transferida, em 1989, para Portugal como delegada da mesma agência.É frontal, “escreve como fala: de olhos bem abertos e acesos, e olhando bem direitinho para o seu interlocutor, e sobretudo sem papas na língua”, como retrata, no prefácio deste livro, o historiador africano do Congo, o seu amigo-irmão Jean-Michel Mabeko-Tali.”Luzia Moniz fez-se indubitavelmente intelectual da, e na revolução, forjou-se nela, construiu-se politicamente nela, ainda de acordo com Mabeko-Tali ou, como sublinham Dilia Fraguito Samarth e Anil Samarth, no posfácio é “sonhadora, intelectual honesta, implicada na luta histórico-política desde tenra idade, com uma consciência histórica profunda, cujas raízes se alicerçam no eloquente exemplo de Deolinda Rodrigues, e continua a afirmar a sua luta contra qualquer tipo de colonialismo”.Luzia reside em Portugal, sua terra de adopção e de opção.
Este livro está dividido  nos seguintes capítulos:
1º CAPÍTULO – África e Diáspora 2º CAPÍTULO – Género e Igualdade3º CAPÍTULO – Democracia versus Autocracia4º CAPÍTULO – Cultura e Identidade5º CAPÍTULO – Liberdade de Imprensa6º CAPÍTULO – Mazelas de Portugal
Questões de saúde atiraram-me para uma cama do Hospital, a 30 de Outubro de 2022, estou a fazer tudo para resistir e estar presente nas nossas actividades marcadas para a próxima semana, a apresentação deste livro e um outro livro de poesia em kimbundu no sábado 26/11/2022.
Um forte abraço para todos em especial para a Luzia e o Laureano.Estão desde já convidados a estarem presentes na Casa da Imprensa. Joao Ricardo.

 

 


17.11.2022 | par martalanca | angola, jornalismo, livro, Luzia Moniz

Minela Reis e Ivone Gaipi trazem Angola a Lisboa

A pintora Minela Reis e a escultora Ivone Gaipi apresentam os seus mais recentes trabalhos na exposição “No Desaguar dos Corpos” na Galeria Artistas de Angola, em lisboa. A mostra tem curadoria e mentoria de Olga Maria e Sousa. A inauguração será no dia 7 de outubro, sexta-feira, a partir das 17h, na Rua Sousa Lopes N.º 12A em Lisboa e ficará patente até 14 de novembro.

Para a exposição Minela Reis, pintora angolana, traz um combinado de trabalhos feitos a pastel seco, a óleo e aguarela, nos suportes de papel e tela, onde a figura humana é predominante. A presença e diversidade das cores fortes é a força que origina um conjunto de contrastes entre o claro e o escuro, e o quente e o frio. O corpo pintado e desenhado parece estar em movimento, tem textura, curvas, brilho e cheiro, os rostos e os olhares são profundos e vivos, sorriem e têm emoções.

Minela ReisMinela Reis

Na arte de Minela a presença da figura humana é uma constante, através da pintura consegue regressar a Angola, às cores, cheiros e aos céus africanos. Pinta com a emoção do que sente no momento.

Já a escultora Ivone Gaipi vai explorar o Alginato, o Gesso e as Resinas, onde a técnica de body casting é transposta para a escultura. Ivone viveu quatro anos em Angola, onde foi profundamente tocada pelo país. O calor, as cores, os ritmos, as gentes sorridentes e alegres, e a mistura ardente do cheiro a terra, formam a sua grande fonte de inspiração para as esculturas que integram esta exposição.  A nostalgia destas emoções, resultaram no reviver Angola materializada em expressões de Arte. É essa transmutação que transporta para o trabalho de escultura, numa linguagem que expressa a exploração do corpo através da sua desconstrução, conexão e simbiose com o que o rodeia.

Ivone GaipiIvone Gaipi

03.10.2022 | par Alícia Gaspar | angola, escultura, exposição, ivone gaipi, lisboa, minela reis, pintura

Resistência Visual Generalizada. Livros de Fotografia e Movimentos de Libertação: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo-Verde

28 setembro a 27 novembro 2022

Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional

Curadoria: Catarina Boieiro e Raquel Schefer

Entre 1961 e 1974, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) travam guerras de Libertação contra o sistema fascista e colonial português, após quase cinco séculos de dominação colonial e de resistência. Nesta conjuntura histórica, a descolonização política é considerada como indissociável da descolonização da cultura e das formas visuais. A cultura e a arte são entendidas como um campo produtor de efeitos de transformação na sociedade. As Revoluções africanas são um período de libertação da palavra, da imagem e das formas de representação. Para Amílcar Cabral, a resistência política é uma forma de resistência cultural, do mesmo modo que a resistência cultural é uma forma de resistência política.

No contexto da solidariedade internacionalista das décadas de 1960 e 1970, as lutas de libertação despertam o interesse de fotógrafos e cineastas. A revista, o livro, a fotografia e o cinema são percebidos como instrumentos fundamentais para mobilizar o apoio popular e difundir a luta pela descolonização a nível internacional. Fotógrafos como Augusta Conchiglia e Tadahiro Ogawa, entre outros, documentam a luta armada e a vida nas zonas libertadas, onde se experimentavam diferentes formas de organização social e se implementavam projectos de pedagogia radical. Depois das independências, outros livros de fotografia documentam o processo de construção dos Estados-nação. Entre o militantismo e a experimentação formal, estes livros restituem a dimensão sensível dos primeiros anos de independência, período marcado pela adopção de modelos políticos marxistas-leninistas e pela busca de uma imagem descolonizada.

Reunindo um conjunto inédito de livros, fotografias e documentos produzidos entre as décadas de sessenta e oitenta, esta exposição desenha uma constelação espacial e temporal da estética de Libertação. Além de um vasto conjunto de livros, revistas, cartazes e documentos, a mostra inclui obras fotográficas e cinematográficas das décadas de sessenta e setenta de Augusta Conchiglia, Moira Forjaz, Silvestre Pestana e da cooperativa Grupo Zero. Integra também peças recentes de Daniel Barroca, Welket Bungué, Filipa César e Sónia Vaz Borges que interrogam a história e a memória, reelaboram as formas visuais da estética de Libertação e examinam a persistência de estruturas coloniais no presente.

*Exposição organizada no âmbito da programação da Saison France – Portugal 2022.*

Mais informações.

20.09.2022 | par Alícia Gaspar | angola, Cabo-verde, Catarina Boieiro, cultura visual, fotografia, Guiné-Bissau, livro de fotografia, Moçambique, movimentos de libertação, Raquel Schefer

Os cadáveres são bons para esconder minas | Peça de Teatro e Conversa

15, 16, 17 e 18 setembro | TMJB – Sala Experimental (Almada)
20 outubro a 13 novembro | Sala Grande OMT (Coimbra)

qui, sex e sáb às 21h00
dom às 16h00

Duração aprox.: 90min. | M/14

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Carlos GomesCarlos Gomes

A Guerra Colonial, que Portugal travou nas suas antigas colónias de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau contra os movimentos independentistas, aconteceu há 50 anos, mobilizou um milhão de soldados e afectou toda a sociedade portuguesa. Os cadáveres são bons para esconder minas é um espectáculo que explora as memórias desse conflito. Como explica o Teatrão: “Tal como actualmente o Ocidente tem vindo a discutir o legado esclavagista e colonial, impõe-se regressar a esta ferida da história recente portuguesa para compreender as suas implicações para toda uma geração e de que modo as suas repercussões chegam aos nossos dias”. Partindo do lado documental e testemunhal da guerra, procura-se explorar a noção de trauma que atravessa as histórias e as palavras que chegaram até aos nossos dias.

O Teatrão é uma companhia de Coimbra que inicialmente se dedicava exclusivamente ao teatro infantil. Em 2008, assumiu a gestão da Oficina Municipal do Teatro e iniciou um projeto artístico que assenta na exploração do território e na proximidade com os públicos da região, explorando diferentes formas teatrais.

O escritor e dramaturgo Jorge Palinhos foi galardoado com o Prémio Miguel Rovisco 2003 e o Prémio Manuel Deniz Jacinto 2007, e esteve na shortlist do Prémio Luso-Brasileiro de Teatro António José da Silva 2011. Foi dramaturgo convidado da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012.

Dramaturgia Jorge Palinhos
Encenação Isabel Craveiro
Interpretação Afonso Abreu, David Meco, Diogo Simões, João Santos e Teosson Chau
Direção Musical e preparação vocal Rui Lúcio
Desenho de Luz Jonathan Azevedo
Cenografia e Figurinos Filipa Malva
Sonoplastia Nuno Pompeu
Design gráfico Paul Hardman
Fotografia Carlos Gomes
Cabeleireiro Carlos Gago (Ilídio Design)
Costureira Albertina Vilela
Construção Cenário Nuno Pereira e Tiago 
Operação de Luz e Som Jonathan Azevedo e Nuno Pompeu
Direção de Produção Isabel Craveiro
Produção Executiva Cátia Oliveira
Assistência à Produção Maria Rui (estagiária)
Direção Técnica Jonathan Azevedo
Comunicação Margarida Sousa 

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Conversa

Guerra Colonial - Memória e Esquecimento
Co-organização Teatrão e CROME/Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

17 SET · 18h

Teatro Municipal Joaquim Benite

Entrada Livre

A colaboração entre pensadores, investigadores, intelectuais e a criação artística é fundamental para umolhar crítico e transformador do mundo contemporâneo. No caso do Teatrão, apostado em inspirar o seu público com criações que o interrogam e mobilizam sobre oestado atual do mundo, tem-se construído uma relaçãomuito sólida de trabalho, de múltiplos formatos, com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC). Com outros Centros de Investigação locais,nacionais e internacionais também, mas o CES é umparceiro fundamental e inspirador para a nossa atividade. É nesse contexto que surge, associada ao espetáculo “Os cadáveres são bons para esconder minas”, a conversa “Guerra Colonial – Memória e esquecimento”, organizada em parceria com o projeto CROME e que parte deste espetáculo para discutir, 50 anos depois, questões sobrea Guerra Colonial. Neste caso, porque o espetáculo convoca um olhar atual sobre os ex-combatentes, os seus percursos e o impacto deste conflito nas suas trajetórias, sublinhando a complexidade e legitimidade dos diferentes lugares de fala, convidamos artistas e investigadores a estabelecer ligações entre o objeto artístico e a produção de conhecimento pós-colonial.

Com:

Miguel Cardina

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade deCoimbra. É membro da coordenação da linha temática “A Europa e o Sul Global: Patrimónios e Diálogos”. Foi Presidente do Conselho Científico do CES (2017-2019). É coordenador do projeto «CROME– Crossed Memories, Politics of Silence. The Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times», financiado pelo European ResearchCouncil. É autor ou co-autor de vários livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra colonial; história dasideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e dinâmicas entrehistória e memória.

Marta Lança

Trabalhadora independente em várias áreas no sector cultural, do cinema à programação. Muitos projetos são ligados ao Brasil e a países africanos de língua portuguesa, onde tem passado grandes temporadas. Formou-se em Estudos Portugueses e é doutoranda em Estudos Artísticos (FCSH – UNL). Colaborou com diversas publicações portuguesas e angolanas. Criou as revistas V-ludo, DáFala e o portal BUALA (dinamizado desde 2010). Faz traduções de francês para português, nomeadamente de pensadores africanos como Achille Mbembe e Felwine Saar.

Jorge Palinhos

Escritor e dramaturgo. As suas obras já foram apresentadas e/ou editadas em Portugal, Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França, Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Suíça e Sérvia. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade deLetras do Porto, em 2000 e é mestre em Terminologia e Tradução também pela Faculdade de Letras, com uma tese sobre Estudos de Texto. Foi revisor de textos, tradutor, coordenador editorial e colaborador de várias publicações. Doutorado em Estudos Culturais com uma tese sobre dramaturgia lusófona contemporânea. Foi dramaturgo e dramaturgista convidado na Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, é dramaturgista da companhia belga Stand-up Tall, investigador residente da companhia Visões Úteis, e docente convidado da Escola Superior Artística do Porto e da Escola Superior de Teatro e Cinema.

14.09.2022 | par Alícia Gaspar | Africa, angola, esquecimento, guerra colonial, memória, os cadaveres são bons para esconder minas, teatro, tertúlia

Time is a flat circle. David Brits na Galeria MOVART

De 15 set. a 13 nov. 2022

Galeria MOVART, Lisboa, Rua João Penha 14A, 1250 - 131 Lisboa, Portugal

Apresentando trabalhos fotográficos terminados entre 2010 e 2012, bem como uma série de novas esculturas feitas de fibra de carbono, Time is a Flat Circle, do artista sul-africano David Brits (n. 1987), evoca a batalha de Cuito Cuanavale, uma batalha mecanizada de tanques de grande escala que ocorreu no sul de Angola entre forças angolanas, cubanas, e sul-africanas, entre 1987 e 1988.

Tomando como ponto de partida um arquivo de imagens publicadas nas redes sociais de grupos de exrecrutas sul-africanos, muitos dos quais lutaram na batalha sul-africana conhecida como “Border War” na Namíbia e no Sul de Angola dos anos 1960 aos anos 1980, o artista intervém sobre as mesmas através do ato de rasura, raspar e apagar, incorporando assim as complexidades de trabalhar com a sua própria masculinidade e a história herdada de uma África do Sul pós-apartheid.

Acompanhada de esculturas que têm como principal arquétipo o “Oroboro”, uma palavra grega que descreve o símbolo da cobra a devorar/consumir a própria cauda, a exposição gera uma imagem cuja lógica se refuta e que, de alguma forma, suspende o tempo.

BIO

Nascido em 1987, David Brits formou-se na Escola Michaelis de Belas Artes (Pintura) na Universidade da Cidade do Cabo em 2010, É um artista premiado cuja prática experimental é dedicada a investigações no âmbito da escultura à escala pública. Igualmente impulsionado pela exploração de materiais e investigação arquivística, a prática de Brits abrange a instalação, a impressão, o desenho e o filme.

As principais comissões de escultura pública recentes incluem a Fundação Desmond Tutu HIV, o Spier Arts Trust e a Iziko South African National Gallery. Brits foi vencedor do Prémio de Artes de Impacto Social inaugural da Fundação Rupert, e o galardoado com o Prémio Barbara Fairhead para a Responsabilidade Social na Arte.

14.09.2022 | par Alícia Gaspar | Africa, angola, david brits, exposição, fotografia, galeria movart, Namíbia, time is a flat circle

"Factory of Disposable Feelings", de Edson Chagas

Inauguração: 23 setembro, 18h 

24 setembro a 5 novembro (quarta a sábado, das 15h às 19h)
entrada livre

Hangar - Centro de Investigação Artística.

Com curadoria de Ana Balona de Oliveira, esta exposição apresenta uma das mais recentes séries fotográficas do artista, realizada no bairro Cazenga em Luanda, entre 2017 e 2018. Tendo sido anteriormente mostrada a solo apenas na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2019, “Factory of Disposable Feelings” é apresentada agora pela primeira vez em Lisboa numa nova configuração, incluindo imagens inéditas.

Esta série dá continuidade às indagações que singularizam a obra de Chagas, nomeadamente a atenção às relações vivenciais e afetivas que os sujeitos estabelecem com objetos e espaços quotidianos, contrariando rápidos ritmos de consumo através de um olhar desacelerado que perscruta em proximidade matérias, formas e texturas descartadas. 

Contudo, a série marca simultaneamente uma espécie de viragem, na medida em que, ao contrário de séries anteriores realizadas em vários espaços públicos urbanos a Norte e a Sul, vagamente identificados (as ruas e praias de Luanda, Veneza, Londres e Newport, etc.), nesta série, pela primeira vez, o fotógrafo concentrou-se nos espaços interiores e exteriores de uma arquitetura específica. Trata-se da Fábrica Irmãos Carneiro no Cazenga, em Luanda, uma antiga fábrica têxtil fundada no período colonial, que, pertencendo a uma família luso-angolana, continuou a laborar após a independência de Angola e durante as várias fases da guerra civil (1975-2002), produzindo lençóis, fraldas e uniformes militares, etc. Mais recentemente, foi redirecionada para a produção de utensílios agrícolas, tendo sido parcialmente abandonada.

Através da sua própria experiência corpórea e afetiva do espaço e de conversas não só com os seus donos, mas principalmente com os seus antigos trabalhadores, muitos dos quais se tornaram seguranças do edifício após o encerramento da fábrica, Chagas compôs uma espécie de retrato em sequência aberta, simultaneamente íntimo e dialógico, de um espaço múltiplo: situado algures entre as particularidades desta arquitetura e as dinâmicas alargadas do bairro, da cidade e do país; entre a história coletiva e a memória individual; entre a objetividade concreta da matéria e da máquina (tanto a fabril como a fotográfica) e a subjetividade da experiência e do olhar. A intensidade das vivências partilhadas impregnou de memória os objetos e o espaço, que, embora evidenciando perda, se transmutaram em arquivos afetivos excedendo poeticamente os limites do visível e do documentável. Símbolo do próprio país em suspenso e dos vários projetos de suposta modernidade e modernização que atravessaram a sua história, a fábrica abandonada nunca deixou de ser reocupada, reapropriada e reativada por um ativo labor de memória e desejo, incluindo as futuridades passadas e presentes que falta cumprir.  

31.08.2022 | par martalanca | angola, arte contemporânea, Edson Chagas, exposição

Arquivos BUALA: as incríveis reportagens de Pedro Cardoso, rubrica Palenque

Pedro Cardoso é um jornalista luso-angolano. Estudou Jornalismo e Ciências da Comunicação na Universidade do Porto. Trabalhou como repórter (2005, 6), no jornal A Semana, na Cidade da Praia, Cabo Verde. Vive no México desde 2011, onde é jornalista freelancer. Colabora com meios de comunicação de Portugal, México e Angola. No BUALA, mantem há dois anos a rubrica Palenque. Na América Latina, palenque significa palco, lugar cercado. As comunidades fortificadas de escravos rebeldes no México chamavam-se palenques. É, por isso, uma tribuna de onde se contam histórias latino-americanas. E onde se recorda também o legado dos africanos que vieram para estas terras. 

 Missão Encoberta, o Toucado de MoctezumaMissão Encoberta, o Toucado de MoctezumaAção de Graças, o luto do povo da Primeira LuzAção de Graças, o luto do povo da Primeira Luz

 

Convidamos os leitores do BUALA a percorrerem alguns dos seus artigos e reportagens que visam as temáticas da identidade, política, religião, LGBTQI, migração, guerra, direitos humanos, povos indígenas, Américas e Angola.


e muitas outras.

A fuga dos alemães
A Sacerdotisa e os Meninos Santos
Ação de Graças, o luto do povo da Primeira Luz
Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos - os afogados
Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os ilegais
Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os passageiros
Aruká, o último guerreiro
As três mortes de Marisela Escobedo
Como história de amor e piratas: os 50 anos de “As Veias Abertas da América Latina”
Contos de Mar: resistências cruzadas
Contratados, colonos e emigrantes cabo-verdianos
De Colombo, raças e pedestais
E o muro o vento levou
Foroyaa liberdade! repressão na Gâmbia
Grita Colômbia
Guiné-Bissau: se um barco atracasse
Haiti. “O horizonte foi embora, ficou sozinho no mundo”
Lesther
Los Cabos Russos
Luta, Sangue e Liberdade
Mário Pinto de Andrade: a lucidez é um sorriso triste
Mascogos. Os índios africanos cantam blues
Missão Encoberta: o Toucado de Moctezuma
Na cidade somos quase predadores
Ñucanchick allpa: Mamã Dulu, terra e educação
O Caminho da Anaconda
O terceiro género - Muxes de Juchitán, México
Os enigmas das monjas
Os invisíveis: migração de angolanos para os Estados Unidos
Os ninguéns
Os perdidos: angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos
Os saltos altos de Zapata
Os versos de Cardenal
Perdão? Que perdão?
Piratas das Caraíbas, a frota dos EUA ao largo da Venezuela
Por quem os tambores chamam
Se morro longe de ti
Senhor dos Milagres Escravo de Angola, Cristo do Mundo
Uma América sem América
Violência contra comunidade LGBT+ na América Central

 

11.08.2022 | par Alícia Gaspar | América, angola, Brasil, direitos humanos, guerra, jornalista, México, migração, Palenque, pedro cardoso, Portugal, povos indígenas, religiao

E se homens e mulheres tivessem as mesmas oportunidades?

Luanda, março 2022Luanda, março 2022

Em 2021, a Mosaiko - Instituto para a Cidadania lançou os dados da Pesquisa Social sobre Políticas Públicas Inclusivas numa Perspectiva de Género, enquadrada no projecto Promoção da Advocacia de Políticas Públicas Inclusivas em Angola (PAPPIA).

Embora seja perceptível os avanços quanto à garantia dos direitos femininos, existem ainda muitos obstáculos à participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões. Segundo a pesquisa, as principais barreiras derivam de costumes e comportamentos sociais discriminatórios normalizados, difíceis de quantificar e de desconstruir.

LEIA O RELATÓRIO DA PESQUISA

Uma das formas de promover essas mudanças, é gerando debates na sociedade sobre a participação e voz das mulheres, e foi assim que chegamos a história de Bela e Paulo.

A Geração 80 concebeu, produziu e realizou do vídeo clipe da música “Bela”, uma das peças audiovisuais da campanha. Na sala de casa, dois irmãos discutem se homens e mulheres em Angola têm as mesmas oportunidades, se podem mesmo fazer as mesmas coisas. Paulo, que a princípio não vê diferenças, percebe do decorrer do vídeo que há realmente lugares, comuns até, em que mulheres nunca foram vistas.

Fotos Making OfFotos Making Of

Apesar de ter a mulher como protagonista, a peça tem como objetivo criar ferramentas para que os homens tenham consciência de suas vantagens, questionem-se em seus papéis e estejam juntos na luta por equidade de género em Angola. A música, feita exclusivamente para a campanha, tem letra da poetisa Elisângela Rita e música e voz de Paulo Flores.

FICHA TÉCNICA

Produção Executiva: Tchiloia Lara e Ngoi Salucombo
Realização: Ana Paula Lisboa
Direcção de Fotografia: Ery Claver
Ass. de Câmera e Som: Agostinho Alfredo
Direcção de Produção: Rossana David
Produção de Campo: Cynthia Perez
Direcção de Arte: Prudenciana Hach
Pós produção: João Ngangula
Atores principais: Irene A’mosi e Edmond Panda

ASSIST

14.03.2022 | par Alícia Gaspar | angola, cidadania, geração 80, mosaiko, pesquisa social, políticas públicas inclusivas

ANGOLA DEGREDO SALVAÇÃO - Defesa de Dissertação

Possibilidades, agência, quimera: Angola na imaginação e na ação portuguesa c. 1900 

Autor: Nuno Milagre

RESUMO

Após a independência do Brasil, Angola ocupou a posição de colónia primeira e principal, pivô do sistema colonial português. A sua enorme dimensão e potencial gerou expectativas em torno do impacto que a transferência de recursos poderia vir a ter em Portugal. Nesta dissertação identificam-se fatores da conjuntura geopolítica e decisões da política ultramarina portuguesa que nas últimas décadas do século XIX reforçaram o valor diferencial de Angola por comparação com as outras colónias africanas.

Partindo deste lugar principal ocupado por Angola, esta dissertação discute a eficiência da agência portuguesa para a rentabilização da colónia com aproveitamento da metrópole, concentrando o objeto de estudo entre 1892 e 1903. Fazemos o levantamento de algumas das imagens que povoavam o imaginário metropolitano sobre Angola, produzindo atração e repulsa pela colónia e gerando condicionantes à agenda e à agência portuguesa em Angola. Confronta-se o envio de degredados para a colónia com a expectativa que essa mesma colónia viesse a gerar riqueza para a salvação de Portugal. Analisa-se a discussão sobre a concessão do Caminho de Ferro de Benguela a um britânico, custos e benefícios de concessionar o progresso de Angola ao capital estrangeiro.

Identifica-se a justificação e a função de dois discursos contraditórios: o que sobrevalorizava o grau de implantação portuguesa em Angola e o que declarava a fragilidade da sua colonização. A investigação sobre as formas de uso de Angola para benefício português, fez questionar a validade do estafado mote que preconizava o «desenvolvimento material das colónias» como princípio geral da política colonial portuguesa.

Palavras-chave: Portugal, Angola, degredo, agência colonial, ferrovias, emigração, concessões ultramarinas

FCSH, Av de Berna, 26C, Torre B, 2º andar, sala B211
Sexta-feira, 10 de dezembro, às 15h


04.12.2021 | par Alícia Gaspar | agência colonial, angola, concessões ultramarinas, defesa de dissertação, degredo, emigração, ferrovias, Portugal

Visita Guiada - Ilha dos Negros

 

A Ilha dos Negros

 
Visita guiada de autocarro e caminhada de 10 km pela reserva natural do sado em memória e tributo aos vários povos africanos que por lá passaram.

Esta região com uma ancestral presença de vários povos africanos (tropas romanas compostas por africanos, mouros e seus califados africanos de marrocos e região da senegambia, e pessoas escravizadas da região da guiné e angola). Esta zona do Sado e as suas aldeias são das áreas que conservam na genética, gastronomia, arquitetura e toponímia, a memória dessa herança africana de vários estratos e condições sociais. Associados maioritariamente ao cultivo do arroz, recolha do sal e trabalho no desmatamento da floresta.

A visita é acompanhada pelos livros técnicos promovidos pela associação e realizados por vários escritores e historiadores como António Chainho, e Isabel Castro Henriques.A caminhada como potenciador de saúde nestes períodos difíceis de confinamento, em contacto com a natureza, de formaespiritual como as primeiras migrações humanas também o foram.
 

Gratuito para elementos BYP, custo de 25eur/pessoa não BYP, inclui refeição no final da caminhada. Devem trazer impermeável, calçado e roupa apropriada e pequeno snack com garrafa de água.
 

Sábado 11 de dezembro
 

8h30 - Pavilhão Carlos Lopes, junto à estação de metro parque, na avenida antonio augusto aguiar em Lisboa.

10h00 - Paragem em 2/3 aldeias do concelho de Alcácer do Sal acompanhados de um historiador local 

11h00 – Início de caminhada de 10km (nível médio) ao longo do estuário do sado, dos arrozais, e da natureza agro florestal composta maioritariamente por sobreiros.

13h30 – Término da caminhada, São Mamede

13h45 – Almoço em restaurante local (Gastronomia afro portuguesa como arroz de cabidela, torresmo, cozido à portuguesa ou outra local)17h30 – Chegada a Lisboa, pavilhão Carlos Lopes

Obrigatório o uso de máscara no autocarro ou outras medidas que venham a ser indicadas pela DGS.

O evento poderá ser filmado e fotografado pela associação

Inscrevam-se com indicação de nome e telemóvel para: batotoyetu@gmail.com

Segue o link do evento no facebook: https://fb.me/e/1nsX4q1Xj

 

02.12.2021 | par Alícia Gaspar | ancestralidade, angola, batoto yetu portugal, Guiné, ilha dos negros, lisboa, memórias, recordar, são Mamede, visita guiada

Apresentação do livro "Diário do Medo" de João Melo

Hoje, 12 de Novembro, o poeta, escritor e jornalista angolano João Melo traz a público o seu novo livro de poemas, «Diário do Medo», em edição da Editora Urutau, na Livraria Snob, Travessa de Santa Quitéria, 32-A, em Lisboa, pelas 18h30m.

A apresentação estará a cargo do escritor português Rui Zink.

Entrada livre.

O autor assume que este livro “constitui uma tentativa pessoal de descrever e, sobretudo, de posicionar-me, ao mesmo tempo como poeta e indivíduo, perante tais dramáticos acontecimentos”.

12.11.2021 | par Alícia Gaspar | angola, apresentação, diário do medo, João melo, livro, poesia, rui zink

LANÇAMENTO DO LIVRO - Lugares inCORPOrados

No âmbito das comemoracões do seu 30o Aniversário, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, em parceria com a Associação Kalu e a consultoria da Arquitecta Isabel Martins, apresenta o livro “Lugares InCORPOrados”.

Com fotografias de Rui Tavares, coordenação e direcção artística de Ana Clara Guerra- Marques, pesquisa e textos de Isabel Martins e Cristina Pinto, figurinos de Nuno Guimarães e produção executiva de Jorge António, este livro faz parte do projecto que inclui também uma exposição itinerante que teve início em Abril e terminará em Dezembro.

Neste projecto, 16 bailarinos de 4 gerações da Companhia de Dança Contemporânea de Angola foram fotografados em conjunto com 16 edifícios e lugares da cidade de Luanda, evocando a multiplicidade de laços sociais e afectivos que se estabelecem entre as pessoas e os lugares que habitam.


As fotografias dão relevo a um património de importância fundamental para a caracterização, história e memórias da cidade capital de Angola, numa abordagem às afinidades entre a dança e a arquitectura, enquanto linguagens que espelham, na sua tridimensionalidade, as relações entre o corpo, o movimento e o espaço.

Investindo num olhar que privilegia o estético e o artístico este projecto quer alertar e participar na sensibilização da sociedade para o risco que corre parte fundamental deste património edificado, na esperança de que o mesmo possa ser resgatado, recuperado e devolvido à sociedade luandense.

O livro será brevemente apresentado ao público no dia 27 de Agosto, sexta-feira, às 17.00 Horas na União dos Escritores Angolanos. A entrada é livre.


Lugares inCORPOrados é um projecto – livro e exposição itinerante – que alerta para o risco que corre parte fundamental do património edificado da cidade de Luanda, na esperança de que o mesmo possa ser resgatado, recuperado e devolvido à sociedade. Dezasseis bailarinos de 4 gerações da Companhia de Dança Contemporâneade Angola foram fotografados em conjunto com 16 edifícios e lugares da capital, evocando a multiplicidade de laços sociais e afectivos que se estabelecem entre as pessoas e os lugares que habitam.

Numa abordagem às afinidades entre a dança e a arquitectura, as fotografias de Rui Tavares revisitam a história e as memórias da cidade, através das relações entre o corpo, o movimento e o espaço.
Fotografia | Rui Tavares

Coordenação e Direcção Artística | Ana Clara Guerra Marques

Pesquisa e Textos | Isabel Martins e Cristina Pinto

Bailarinos | Afonso Feliciano | Ana Clara G.M. | André Baptista | António Sande |Armando Mavo | Benjamin Curti | Carlos Silva | Dalton Francisco | David Godinez |João Paulo Amaro | Marcos Silva | Mónica Anapaz | Nuno Guimarães | Rita Oliveira |Rossana Monteiro | Samuel Curti

Figurino | Nuno Guimarães

Produção | Jorge António e Cristina Pinto

23.08.2021 | par Alícia Gaspar | angola, associação Kalu, Companhia de dança contemporânea de Angola, convite, dança, fotografia, lançamento, livro, Luanda, lugares incorporados

Augusta Conchiglia - exposição de fotografia no Museu do Aljube

Inauguração dia 22 de julho às 12h. Entrada livre.

 

22.07.2021 | par Alícia Gaspar | angola, Augusta Conchiglia, exposição de fotografia, fotografria

Memória Ambiental — MAAT

29 de Maio | 15.00 - 18.00

Programa: Clima: Emergência > Emergente

Curadora:Margarida Mendes

Com: Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Ruivo, Julia Seixas, proTEJO, Movimento SOS Serra d’Arga

Local: Sala dos Geradores [Central]

João Ruivo, 'Monólitos Solo'João Ruivo, 'Monólitos Solo'

Este fórum composto por dois painéis – integrado na iniciativa de programação do maat Clima: Emergência > Emergente – aborda legados críticos do extrativismo e a atual transição energética propondo futuros restaurativos. O fórum reúne investigadores e ativistas que operam nos campos da engenharia do ambiente, conservação e humanidades, para discutirem o legado colonial da política de recursos e opções alternativas para a utilização da terra e da água.
Cruzando o campo da crítica infraestrutural com o discurso descolonial, Memória Ambiental introduz perspectivas históricas sobre o planeamento agrário, a gestão de recursos e práticas de conservação, definindo um eixo entre a injustiça climática contemporânea e o legado colonial das políticas ambientais, tanto em Portugal como noutros locais. Pondo em causa o extrativismo que permeia os modelos económicos contemporâneos, os convidados analisam a sua origem em regimes prévios de instrumentalização de solos e recursos, fundeando o debate em casos de estudo em territórios previamente colonisados. São também introduzidas perspectivas críticas sobre modelos emergentes para uma transição energética justa, questionando-se o conceito de “energia verde” em relação à manutenção hidrográfica da bacia do Tejo que atravessa a Península Ibérica, e à extração de lítio no Alto Minho.

As conversas (em inglês) contam com a participação de Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Ruivo, Júlia Seixas, proTEJO – Movimento pelo Tejo, Movimento SOS Serra d’Arga, a convite de Margarida Mendes.

Painel 1:
Disputas territoriais em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal

Com Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Prates Ruivo.
Moderação Margarida Mendes.

Boaventura Monjane fala-nos das dinâmicas agrárias e de extração, de penetração de capital em zonas rurais do Sul Global, olhando em particular para processos de acumulação históricos, mas também dos nossos dias. A conferência traz luz às raízes muitas vezes obscuras do contínuo conflito de Cabo Delgado no norte de Moçambique, ou seja, o modo militarista do extrativismo de enclave, que amplia desigualdades sociais e económicas existentes, e os usuais défices no que diz respeito à tomada de responsabilidade, transversalmente evidentes no sector de extração em África. Monjane fala-nos ainda sobre o que é cunhado por ele como “reações políticas vindas de baixo” para destacar agências rurais (e urbanas) no confronto e resistência ao extrativismo (e militarização).

Através de fotografias e narrativas criadas por um grupo variado de agricultores da Guiné-Bissau que vivem no Parque Nacional de Cantanhez, a apresentação de Joana Roque de Pinho examina as descrições locais de uma paisagem culturalmente muito valorizada e as próprias práticas dos agricultores de conservação de biodiversidade, ambas as quais desafiam narrativas dominantes sobre o parque e os seus residentes.

Partindo de uma leitura crítica da história recente do aproveitamento hidroelétrico, a conferência de João Prates Ruivo foca o papel das missões de reconhecimento pedológico na reconfiguração territorial ocorrida durante o conflito anticolonial em Angola, e refletir hoje sobre as possibilidades de práticas situadas de resistência, no contexto das transformações ambientais decorrentes do projeto de cultivo intensivo da Barragem de Alqueva, no Alentejo.

Painel 2:
Vectores energéticos e modelos de conservação
Com Júlia Seixas, Carlos Seixas (Moviemento SOS Serra d’Arga) and Paulo Constantino (Movimento proTEJO).
Moderação Margarida Mendes.

O uso de recursos energéticos tem aumentado desde a revolução industrial, particularmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, para suportar o número crescente de serviços humanos e sociais. Os modelos de abastecimento de combustível fóssil têm colocado uma enorme pressão ambiental e social em algumas zonas do planeta, nomeadamente em países vulneráveis, com poucos ou nenhuns benefícios para as suas populações. Segundo Júlia Seixas, a transição energética traz um novo modelo muito baseado em recursos energéticos locais, mas muito exigente para com a terra, os minerais e metais. A “velha” relação entre países fornecedores de recursos e países consumidores de tecnologia ainda persiste, dificultando a transição justa desejada pelas novas gerações.

Endereçando a questão da prospecção de lítio em Portugal, Carlos Seixas do Movimento SOS Serra d’Arga esclarece como a população do Minho tem resistido ao projeto governamental de fomento mineiro, expondo como os cidadãos podem combater a mentira da mineração verde e ganhar esta batalha.

proTEJO – Movimento pelo Tejo questiona o conceito de energia verde e irá apresentar a sua posição sobre as questões hídricas e energéticas ligadas à bacia do Tejo, que vem a observar desde 2009. Prestando especial atenção às questões de conservação e salvaguarda da biodiversidade do rio Tejo e seus afluentes, o movimento propõe uma gestão sustentável, transparente e participativa da bacia hidrográfica do Tejo a fim de assegurar a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de qualidade tanto para nós como para as gerações futuras. Com este objetivo considera fundamental a defesa dos pilares da vida do rio: a quantidade de água com a circulação de caudais ecológicos, em consonância com os ritmos sazonais e com condições que permitam a migração das espécies; a qualidade da água para suprir as necessidades humanas e ecológicas; e a conectividade fluvial que mantém um rio livre e vivo para assegurar as condições naturais para termos água em quantidade e com qualidade, bem como para preservar a biodiversidade e o património cultural material e imaterial associado.

Sobre o programa
Ao chamar a atenção para a emergência climática, a iniciativa de programa público Clima: Emergência > Emergente estimula análises críticas e propostas criativas que procuram ir além do catastrofismo, fazendo emergir futuros ambientalmente sustentáveis.
De âmbito internacional e interdisciplinar, o programa foi idealizado pelo recém-fundado Coletivo Climático do maat, dirigido por T. J. Demos, e destina-se a reunir diferentes profissionais de cultura que trabalham na interseção das artes experimentais com a ecologia política.

Leia a declaração do Coletivo Climático no maat ext. (em inglês).

25.05.2021 | par Alícia Gaspar | ambiente, angola, conversas, Guiné-Bissau, maat, memória ambiental, Moçambique, Portugal, proTEJO

Ruy Duarte de Carvalho | 80 anos | ciclo de conversas online

Passam, em Abril, 80 anos sobre o nascimento de Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010). Escritor, antropólogo, cineasta, professor universitário, Ruy Duarte de Carvalho deixou publicada uma extensa obra, atravessada de abordagens cruzadas e géneros inclassificáveis, da literatura à antropologia ou ao cinema.

Cartaz de Alejandro Levacov.Cartaz de Alejandro Levacov.
Procurando dar conta da dimensão multifacetada do seu trabalho, propomos um ciclo de conversas online* com um conjunto de investigadoras que se têm dedicado ao estudo da sua obra.
* Sala de Zoom cedida pelo c.e.m. – centro dm movimento.
https://zoom.us/j/2302601308?pwd=ZjhNRVlDc2VVeUdxeWsvTVZQblJQUT09
Meeting ID: 230 260 1308
Passcode: 123

Uma Abertura à Experiência: a Fotografia de Ruy Duarte Carvalho ao Longo do seu Projecto Etnográfico sobre os Pastores do Sul Rural de Angola | Conversa com Inês Ponte
Quarta-feira, 7 de Abril, às 18h30
Esta conversa aborda as vidas da produção fotográfica de Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010), antropólogo angolano nascido em Portugal que, a meio da prolongada guerra civil no país (1975-2002), se envolveu com os pastores transumantes Ovakuvale da região semiárida do Sul de Angola. Durante os anos 90, Carvalho utilizou a fotografia analógica para documentar o seu trabalho de campo entre os pastores, e posteriormente empreendeu várias experiências com elas para fins etnográficos. Partindo da actual remontagem do seu arquivo pessoal após a sua morte, exploro usos públicos das suas imagens sobre os pastores durante a sua vida, para discutir as formas como as articulou através de diversos modos expressivos e iniciativas – tais como aguarelas, distintas publicações ilustradas, em duas exposições temporárias e numa peça de teatro. Oferecendo a oportunidade de nos rendermos a uma prática experimental ampla que torna o seu projeto etnográfico sobre os Ovakuvale particularmente revelador, abordo através de materiais de arquivo as orientações seguidas na apresentação dessas imagens, e dimensões temporais salientes entre o seu método de produção e esses usos e reusos posteriores, em contexto pós-colonial.
Inês Ponte é investigadora associada no ICS-ULIsboa. É antropóloga, tem pesquisado sobre fotografia e cinema, e suas relações com as ciências sociais, em particular com a antropologia, cruzando investigação com vídeo.

Ler a Nação no Cinema de Ruy Duarte de Carvalho | Conversa com Inês Cordeiro Dias
Quarta-feira, 14 de Abril, às 18h30
Esta apresentação pretende pensar os filmes de Ruy Duarte de Carvalho a partir de alguns dos seus textos sobre cinema, reunidos no livro A câmara, a escrita e a coisa dita… Vamos dar particular atenção às construções da ideia de nação nos filmes realizados nos anos 70, e de como estes pensam o que significa ser angolano num país tão diverso como é Angola.
Inês Cordeiro Dias é Professora Auxiliar de Estudos Lusófonos na Universidade de Leeds. Tem um doutoramento da UCLA e a sua pesquisa inclui cinema brasileiro, moçambicano, angolano e português.

A Realidade em Estado de Palavra: uma Conversa sobre a Escrita Dialógica de Ruy Duarte de Carvalho | Conversa com Anita Moraes
Quarta-feira, 21 de Abril, às 18h30
A produção literária de Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010) chama a atenção pela maneira como lida com o complexo problema da representação. Já o título do seu primeiro romance, Os papéis do inglês(2000), que inaugura a trilogia Os filhos de Próspero, anuncia o carácter palpável que a palavra (na materialidade sugerida por “papéis”) tende a adquirir na sua escrita. Nesta conversa, procurarei apresentar como entendo tal processo de evidenciação da palavra nas narrativas de Ruy Duarte de Carvalho, algo perceptível desde os contos de Como se o mundo não tivesse leste (1977). Pretendo, ainda, tratar de seu permanente diálogo com os pastores Kuvale e abordar, ainda que brevemente, alguns aspectos do “Decálogo neoanimista”, texto-manifesto publicado pelo autor em 2009.
Anita Moraes é professora de Teoria da Literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF). Os seus interesses de pesquisa voltam-se para as literaturas de língua portuguesa e envolvem as relações entre Literatura, Antropologia e os Estudos Pós-Coloniais.

30.03.2021 | par Alícia Gaspar | angola, ciclo de conversas online, cinema, escrita dialógica, etnografia, fotografia, livraria tigre de papel, Ruy Duarte de Carvalho

Arquitecturas Film Festival regressa a Lisboa em Junho com foco em Angola

Tendo como tema Bodies Out Of Space, o festival vai realizar-se no Cinema São Jorge de 1 a 6 de Junho.

O Cine-Estúdio do Namibe é um edifício projectado pelo arquitecto José Botelho Pereira para Moçâmedes, mas que nunca recebeu filmes. Walter Fernandes (Livro | Angola Cinemas) O Cine-Estúdio do Namibe é um edifício projectado pelo arquitecto José Botelho Pereira para Moçâmedes, mas que nunca recebeu filmes. Walter Fernandes (Livro | Angola Cinemas)

Arquitecturas Film Festival regressa ao Cinema São Jorge, em Lisboa, de 1 a 6 de Junho deste ano, numa oitava edição que se debruça sobre Angola e um total de 36 filmes, anunciou a organização esta terça-feira.

Sem se realizar em 2020, devido à pandemia de covid-19, o regresso do festival dedicado à arquitectura faz-se nos primeiros dias de Junho, com o tema Bodies Out Of Space. “É uma excursão sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro das suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também sobre identidade que, muitas vezes, é retirada ou forçada a representar o nosso corpo”, pode ler-se na apresentação. A partir desta reflexão, acrescenta a nota, nasce “uma vontade de pensar activamente sobre a responsabilidade como espectadores” por um “labirinto de desigualdades como descendentes directos da exploração do espaço e dos corpos”.

Além da selecção oficial e da competitiva, o evento debruça-se sobre Angola, país onde “a confluência de tempos e regimes é visível na sua arquitectura e na sua memória colectiva”, com a curadoria da jornalista, escritora e produtora Marta Lança.

O certame arranca com a exibição de Para Lá dos Meus Passos, de Kamy Lara e Paula Agostinho, seguindo cinco bailarinos de diferentes regiões do território angolano. A programação inclui a estreia em sala de “Body-Buildings”, do português Henrique Pina, que cruza dança, arquitectura e cinema no olhar para “seis retratos coreográficos em seis locais portugueses distintos”. Tânia Carvalho, Vera Mantero, Olga Roriz, Paulo Ribeiro, Victor Hugo Pontes e Jonas & Lander cruzam a dança com a arquitectura de Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, Aires Mateus, João Luís Carrilho da Graça e João Mendes Ribeiro.

Ao todo, são 36 filmes de mais de uma dezena de países diferentes, com a programação completa a ser anunciada em breve. Documentários, filmes de ficção, animação e obras experimentais estarão incluídas na selecção, sempre com a marca da arquitectura contemporânea, com prémios atribuídos para Novos Talentos, Melhor Ficção, Melhor Filme Experimental e o Prémio do Público.

Ao lado da programação cinematográfica, o café do Cinema São Jorge recebe um ciclo de debates intitulado África Habitat, organizado em parceria com a Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, e a exposição de instalações dos angolanos Lino Damião e Nelo Teixeira. Afonso Quintã organiza ainda uma mostra sobre os cineteatros de Angola, partindo de material do Cine-Estúdio do Namibe, um projecto do arquitecto José Botelho Pereira para Moçâmedes, concluído em 1974, mas que nunca entrou em funcionamento.

Concebido pela Do You Mean Architecture e pelo Instituto, o Arquitecturas é uma co-produção com a EGEAC e o Cinema São Jorge, com vários outros parceiros e o apoio da Embaixada de Angola.

16.03.2021 | par Alícia Gaspar | Aires Mateus, Álvaro Siza, angola, arquitectura, arquitecturas film festival, arquitetura, bodies out of space, body buildings, cinema, cinema de são jorge, dança, do you mean architecture, Eduardo Souto de Moura, embaixada de angola, Henrique Pina, instituto, João Luís Carrilho da Graça e marta lança, João Mendes Ribeiro, lisboa, Olga Roriz, Paulo Ribeiro, Tânia Carvalho, Vera Mantero, Victor Hugo Pontes e Jonas & Lander

Jornal Mapa - Edição 30

O Jornal MAPA chega ao #30 com um olhar especial sobre as fronteiras e o neofascismo enquanto mecanismos de produção de deslocados e excluídos, seja os que arriscam a vida a tentar entrar na Europa, seja os que, cá dentro, são usados como mão de obra e/ou bode expiatório.

Olhámos também para a luta do SoREA (Solar Residência dos Estudantes Açoreanos) e a situação das Repúblicas numa Coimbra aberta à voracidade imobiliária. E porque a liberdade de expressão passa pela liberdade de emissão, espreitamos ainda a luta pelas ondas de rádio enquanto bem comum, com direito a uma caixa de ferramentas livres para tu mesmo transmitires.

As páginas centrais trazem-nos uma hortografia, conjunto de fotografias de hortas que são «pedaços intemporais e marginais de agricultura», onde se cultiva à margem, «mostrando-nos as agroecologias e as campesinidades que (ainda) temos dentro de nós».

Espreitamos ainda o Fórum Social Mundial que, no seu 20º aniversário, decorreu online, revisitamos o caso da esquadra de Alfragide, damos um pulo ao aeroporto do Montijo, passamos pelo Sahara Ocidental e ainda por Angola e pelos Estados Unidos.

Não esquecemos a comunidade LGBTQI+, principalmente em tempo de pandemia, e, enquanto esperamos que os e as zapatistas cheguem na sua tour pela Europa, podemos tentar ouvir um ou outro canto do Coro da Achada.

Tudo isto e mais na edição #30 do Jornal MAPA.

Este número sai em pleno confinamento, pelo que é especialmente importante que faças/renoves a tua assinatura em https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/ (ou assinaturas@jornalmapa.pt), apoiando e garantindo a continuidade destas 48 páginas de informação critica. Ao fazê-lo poderás ainda reservar um exemplar da edição limitada do CD Viver / Festa, reedição do rap subversivo dos C.O.M.A.

11.03.2021 | par Alícia Gaspar | Agricultura, agroecologias, angola, Estados Unidos, jornal Mapa, jornalismo, LGBTQI, migração, neofascismo, Portugal, SoREA

4.ª Edição do Curso Livre História de Angola

A UCCLA e a Mercado de Letras Editores organizam, pela quarta vez consecutiva, mais uma edição do Curso Livre História de Angola. Com a coordenação do Professor Doutor Alberto Oliveira Pinto, a 4.ª edição do Curso Livre História de Angola irá decorrer de fevereiro a julho de 2021, todas as terças-feiras, às 18 horas. A primeira sessão terá lugar no dia 23 de fevereiro.


Excecionalmente, e atendendo à situação da pandemia que vivemos, a 4.ª edição do Curso Livre História de Angola decorrerá, na sua maioria, online, permitindo assim a inscrição de alunos não residentes em Lisboa.

Ocorrerá, em princípio, uma sessão presencial mensal (na última 3.ª feira de cada mês), onde se pode rever a matéria tratada online, embora se leccione igualmente matéria nova. 

As condições de inscrição encontram-se disponíveis no email https://goo.gl/forms/JrXJ26RYtkzJHkNm2

Qualquer questão poderá ser endereçada para o email cursohistoriaangola@gmail.com


29.01.2021 | par martalanca | 4ª edição, Alberto Oliveira Pinto, angola, curso livre história de angola, curso online, divulgação, mercado de letras editores, uccla

Galeria MOVART de arte contemporânea africana inaugura em Lisboa com AIR IHOSVA de Ihosvanny

Inauguração: 31 de outubro, 16h às 20h

Exposição patente até 10 de dezembro

MOVART Lisboa - Rua João Penha, RC 14A | 1250-131 Lisboa movart.co.ao

Terça a sexta, 14h – 18h30 

Sábado, 10h – 14h

A galeria MOVART, estabelecida em Luanda desde 2017, inaugura no dia 31 de outubro, entre as 16h e as 20h, um novo espaço em Lisboa com a exposição AIR IHOSVA do artista Ihosvanny.

O projeto nascido em 2015, e que em 2017 se tornou a primeira galeria comercial a surgir em Angola, abre em Portugal com trabalhos inéditos de Ihosvanny, um artista de origem angolana que é representado pela MOVART desde a sua fundação. No programa da galeria sucedem-se as exposições individuais de António Ole, em dezembro, e de Rita GT em Março de 2021.

Em AIR IHOSVA, Ihosvanny celebra a vida e as suas formas de resistência no mundo contemporâneo, criando poemas visuais que ganham forma através da pintura e da instalação. No dia 31 de outubro, durante a inauguração da exposição, o artista vai criar um mural no pátio do edifício da galeria e o processo poderá ser acompanhado pelos visitantes.

É na paisagem urbana da cidade de Luanda que Ihosvanny encontra habitualmente o seu material de trabalho. AIR IHOSVA amplia a investigação sobre a paisagem e as suas diferentes perspetivas à cidade de Lisboa, onde o artista desenvolveu o atual projeto, no âmbito de uma residência artística. No dia 29 de outubro, a partir das 20h, Ihosvanny realiza um open studio da sua residência no espaço MONO, na Rua Feio Terenas, 31A, em Lisboa.

A exposição AIR IHOSVA poderá ser visitada na MOVART até dia 10 de dezembro, de terça a sexta das 14h às 18h30 e aos sábados entre as 14h e as 19h, ou por marcação em qualquer outro horário. A admissão no espaço é livre, mas encontra-se limitada a 5 pessoas e é obrigatório o uso de máscara facial.

Ihosvanny (Angola,1975) vive e trabalha entre Barcelona e Luanda. É um artista autodidata, que pertence à geração de artista angolanos do período pós-independência de Angola.

Influenciado pelas dinâmicas urbanas das cidades por onde vive ou passa, Ihosvanny representa nas suas obras uma visão única e desfragmentada desses locais, onde explora as experiências do urbanismo em  pintura, fotografia, vídeo e instalação sob forma de apelar aos sentidos do espectador.

Ihosvanny participou conta com a participação em exposições individuais, coletivas e feiras de arte na África do Sul, Angola, Brasil, Cuba, EUA, França, Inglaterra, Itália, Portugal, São Tomé e Príncipe e Uganda. Entre as exposições e contextos em que já expôs, destacam-se: o Museu Judaico (Nova York, 2014); o Museu de Arte da Moderna da Bahia (Salvador, 2012); a 11ª Bienal de Havana (Cuba, 2012); Trienal de Luanda (2010, 2007); e o Pavilhão Africano na 52ª Bienal de Veneza (2007). 

O trabalho do artista está representado em várias coleções institucionais e privadas, entre elas a Fundação Sindika Dokolo, Fundação Elipse e Fundação PLMJ.

A galeria MOVART e a visibilidade de artistas das diásporas africana e lusófona

A MOVART abriu portas em 2017 na Marginal de Luanda, espaço que mantém até hoje, tornando-se a primeira galeria comercial a estabelecer-se em Angola. O projeto foi criado dois anos antes, em 2015, pela mão da então consultora Janire Bilbao, e dedicou-se à apresentação de exposições experimentais e itinerantes, de artistas locais e da diáspora contemporânea africana, na cidade de Luanda e fora desta.

A MOVART conta com mais de 40 exposições realizadas em diferentes formatos, desde projetos pop-up a projetos comissariados, que foram apresentadas em Luanda, Lisboa, Paris e Nova Iorque. Estes projetos ocuparam espaços incomuns, como o semiconstruído Maianga Office Park, espaços institucionais, como a Galeria Banco Económico e o Instituto Camões de Luanda, e espaços temporários, como o prédio Palais Castilho em Lisboa.

O projeto ganhou visibilidade, apoiou o desenvolvimento de um mercado local e internacional, viabilizou a instalação da galeria num espaço permanente e a participação regular em feiras de arte. “A missão da MOVART é garantir que o mundo conhece a produção de artistas oriundos de países do continente africano e das suas diásporas”, destaca Janire Bilbao, a fundadora e directora da galeria. Desde 2017, a MOVART tem participado regularmente em feiras internacionais, tais como a 1:54 Contemporary African Art Fair (Nova Iorque), Scope International Art Show (Miami Beach), FNB Joburg Art Fair (Joanesburgo), London Art Fair (Londres), AKAA Fair (Paris), ARCOMadrid e ARCOlisboa.

“Quando abri a galeria em Luanda sabia que o programa teria de ser focado na internacionalização e na visibilidade dos nossos artistas, que são muitas vezes sub-representados ou até exotizados, no cenário artístico mundial”, prossegue a galerista. Atualmente a MOVART representa IhosvannyKeyezuaKwame SousaMário MacilauRita GT e Thó Simoes, e desenvolve projetos com outros artistas. Com este grupo de artistas e com recurso a diferentes modelos de colaboração, a galeria procura promover a amplitude de atuação, as múltiplas esferas e representações, que hoje enquadram o universo de produção artística das diásporas africana e lusófona.

O impacto positivo da participação da galeria na edição de 2019 da ARCOlisboa, no contexto do África em Foco, que teve a curadoria de Paula Nascimento, foi determinante na decisão de Janire Bilbao de investir em Portugal. A MOVART instalou-se em Lisboa em maio de 2019 e tem operado nos formatos pop-up e showroom. O contexto de crise pandémica e a consequente retração económica, não desmotivaram a galerista de inaugurar o seu novo espaço e programa, que passa a articular Lisboa e Luanda.

“Esta nova fase da galeria permite para dar continuidade ao nosso trabalho e apoiar os nossos artistas, com abordagens de percurso mais sólidas e integradas. A MOVART Luanda passará a ser uma plataforma mais focada em projetos de residência artística e na descoberta de novos talentos, que depois poderão circular pela galeria de Lisboa e ser apresentados noutros contextos internacionais”, descreve Edna Bettencourt, diretora da MOVART Luanda.

No dia 31 de outubro, a MOVART abre portas no número 14A RC, da Rua João Penha, num edifício projetado pelo arquiteto Carrilho da Graça e que está localizado a poucos metros do Jardim das Amoreiras, do Museu da Água e do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva. O novo espaço vai também ampliar o circuito galerístico Rato-Amoreiras, que integra atualmente a histórica galeria Diferença, a italiana Monitor e a 3+1 Arte Contemporânea.

A galerista que trocou o direito pela promoção da arte contemporânea no continente africano

Janire Bilbao nasceu na cidade de Bilbao, na Espanha. Atualmente, vive e trabalha entre Luanda e Lisboa.

Bilbao formou-se em Direito, trabalhou como jornalista e em agências de comunicação e foi, precisamente, a atividade profissional que a levou até Luanda em 2011. Já a viver na capital angolana, trabalhou na organização do Palanca Parade, um projeto de cariz solidário que envolveu a participação de vários artistas locais. Esta experiência deu-lhe a oportunidade de acompanhar o então crescimento da cena artística angolana, de conhecer e estabelecer relações próximas com artistas, sobretudo da geração que emergiu e começou a angariar visibilidade, após a independência de Angola. Foi o trabalho destes artistas e o desejo de projetar os seus discursos no cenário artístico internacional que motivou Bilbao a fundar o projeto MOVART.

Em setembro de 2020, Bilbao foi nomeada pela Apollo – The International Art Magazine uma das pessoas mais influentes do continente africano, com menos de 40 anos de idade.

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MOVART Lisboa | Rua João Penha, RC 14A | 1250-131 Lisboa

MOVART Luanda
Avenida 4 de Fevereiro
Espaço Comercial Baía de Luanda
Luanda – Angola

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Encerrado às segundas, domingos e feriados.

Visitas por marcação.

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Para mais informações, por favor contacte:

Sílvia Escórcio | silvia.escorcio@thisiscuco.com | +351 91 368 36 45

gallery@movart.co.ao

24.10.2020 | par martalanca | angola, exposição, Ihosvanny, movart lisboa, movart luanda

Ciclo de Debates Pátrias Independentes: Dipanda 45 anos... e agora?

Na continuidade do Ciclo de Debates Pátrias Independentes: que desafios?, depois dos debates em torno das independências de Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, a AILPcsh convida a todos e a todas a assistir e a participar no próximo debate dedicado a Angola.
O debate resulta de uma parceira entre a AILPcsh e o LAB-UCAN (Laboratório de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade Católica de Angola).


Estarão à discussão, Cristina Pinto, cidadã e professora, Sérgio Calundungo do Observatório Político e Social de Angola e Luaty Beirão, rapper e activista. A moderação ficará a cargo de Cesaltina Abreu e Catarina Gomes do LAB-UCAN.

 

Contamos com a sua presença,
A Direcção da AILPcsh

10 de Novembro de 2020

14h Brasil
16h Cabo Verde
17h Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Portugal
18h Angola
19h Moçambique

Mais Informações: https://www.ailpcsh.org/
Transmissão online: https://www.facebook.com/AILPcsh-819851408219213

22.10.2020 | par martalanca | AILPcsh, angola, debates, LAB-UCAN, Luaty Beirão