Fantasmas do Império | 3 Junho nos Cinemas

SESSÕES

Estreia a 3 de junho
Cinema City Alvalade (Lisboa)
Cinema City Alegro Setúbal
Cinema NOS Alma Shopping (Coimbra)

10 de junho – hora a confirmar 
Tavira

23 de junho – 19h00 
Teatro Sá da Bandeira (Santarém) – em parceria com o Cineclube de Santarém

Debates no Cinema City Alvalade no final da sessão das 19h

3 Junho – Ariel de Bigault (realizadora)
4 Junho – Fernando Matos Silva (realizador, montador e produtor; personagem principal de Fantasmas do Império)
7 Junho – António Pinto Ribeiro (Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e no projeto Memoirs Filhos do Império)
8 Junho – Margarida Cardoso (cineasta; personagem principal de Fantasmas do Império)
9 Junho – Ariel de Bigault (realizadora)

28.05.2021 | par Alícia Gaspar | cinema, colonialismo, estreia, Fantasmas do Império, filme

Visões do Império

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA
Visões do Império
Comissários: Miguel Bandeira Jerónimo e Joana Pontes

Padrão dos Descobrimentos
16 de maio - 30 de dezembro de 2021

Comissariada por Miguel Bandeira Jerónimo e Joana Pontes, Visões do Império dá-nos um vislumbre dos contextos de produção e de uso da fotografia, relacionando-os com alguns dos eventos e processos mais relevantes da história do império colonial português.

Textos de Telma Tvon, Catarina Mateus, Cláudia Castelo, Carmen Rosa, José Pedro Monteiro, Myriam Taylor, Nuno Domingos, Afonso Ramos, Mia Couto e Aniceto Afonso guiam-nos, nos oito núcleos que compõem a exposição, por imagens captadas nas antigas colónias, em tempos e momentos muito diversos: da ciência ao trabalho, passando pelos hábitos, usos e costumes culturais, afetos a cada povo, terminando com uma instalação de Romaric Tisserand. 

O que nos conta uma imagem? A fotografia foi um elemento fundamental da história do moderno colonialismo português. Sem ela, a idealização e o conhecimento sobre os territórios coloniais, seus recursos e populações, teriam sido diferentes. As imagens fotográficas foram encenadas e comercializadas, com diferentes propósitos: alimentaram a imaginação da dominação colonial, concorrendo para a sua concretização, ajudaram a moldar uma visão do “outro” como essencialmente diferente, nos seus modos de vida, costumes e mentalidades, mas serviram também para denunciar a iniquidade e a violência da colonização, acalentando aspirações de um futuro mais humano e igualitário – sonhos esses com diferentes matizes e orientações políticas. Os seus usos no passado e os seus legados no presente foram e são vastos, heterogéneos e duradouros.
 
As fotografias expostas são provenientes de várias coleções particulares e de inúmeras instituições, como o Arquivo Nacional Torre do Tombo, a Fundação Mário Soares/Maria Barroso, o Arquivo & Museu da Resistência Timorense, o Arquivo Histórico de São Tomé e Príncipe ou Centro de Documentação e Formação Fotográfica, em Maputo e algumas serão mostradas ao grande público pela primeira vez.
 
A exposição será acompanhada por um programa paralelo que inclui visitas orientadas, um ciclo de cinema e o lançamento do catálogo Visões do Império.

Sobre os comissários da exposição

Joana Pontes é licenciada em Psicologia pela Universidade de Lisboa, fez estudos em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, na RTP e na BBC. Em 2003, concluiu o Programa Avançado em Jornalismo Político na Universidade Católica de Lisboa. Em 2018, doutorou-se em História na especialidade de Impérios, Colonialismo e Pós-Colonialismo, pelo ISCTE-IUL, tendo sido bolseira da Fundação da Ciência e Tecnologia. A dissertação, Sinais de Vida, Cartas da Guerra 1961-1974, foi publicada em 2019 pela editora Tinta da China tendo obtido o prémio Fundação Calouste Gulbenkian para a História Moderna e Contemporânea, da Academia Portuguesa da História. Dedica-se à escrita e realização de documentários, leccionando nessa área. Em 2007 recebeu o Grande Prémio da Lusofonia pelo documentário O Escritor Prodigioso, filme sobre a vida de Jorge de Sena, de que é autora e realizadora. Em 2011, recebeu o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores pela realização e co-autoria de argumento do filme As Horas do Douro. Em 2018, recebeu o prémio Fernando de Sousa pela realização e co-autoria da série Europa 30. Tem editados em DVD, Portugal, Um Retrato Social, As Horas do Douro e a série O Valor da Liberdade - diálogos sobre as possibilidades do humano.
 
Miguel Bandeira Jerónimo (PhD History, King’s College, Universidade de Londres) é Professor Associado em História na Universidade de Coimbra (Portugal), na Faculdade de Letras, no Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes. É ainda investigador do Centro de Estudos Sociais (UC) e Professor e co-coordenador científico do programa de doutoramento em Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES-UC). Os seus interesses de pesquisa centram-se na História global e comparada do imperialismo e do colonialismo (Sécs. XVIII-XX) e na História Internacional e Transnacional. Tem publicado com regularidade, em Portugal e no estrangeiro, em editoras e revistas de referência. Recentemente, publicou, em co-autoria, História(s) do Presente (Tinta-da-China/Público, 2020) e co-editou Internationalism, Imperialism and the Formation of the Contemporary World (Palgrave, 2017) e Os Impérios do Internacional (Almedina, 2020). Coordena o projecto internacional The worlds of (under)development: processes and legacies of the portuguese colonial empire in a comparative perspective (1945-1975), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

06.05.2021 | par Alícia Gaspar | colonialismo, exposição, fotografia, império colonial português, Padrão dos Descobrimentos, visões do império

Memorializar e descolonizar a cidade (pós)colonial - debates

Por ocasião do lançamento do projeto ReMapping Memories Lisboa e Hamburgo, Lugares de Memória (Pós)Coloniais, levado a cabo pelo Goethe-Institut, têm lugar uma série de discussões abertas sobre a cidade. Iremos debater temas como as marcas coloniais visíveis na cidade e nos corpos de quem a habita; a luta anti-colonial e a inscrição africana e afrodescendente no espaço metropolitano; ou, de um modo mais global, políticas, abordagens e desafios do processo de “descolonização” nas cidades europeias. Os debates contarão com estudiosos, ativistas e artistas e podem ser assistidos pela FB do Goethe, do TBA e do BUALA. 

Curadoria Goethe-Institut e Marta Lança 

5, 6 e 7 de maio das 18h00 às 20h00  

Os encontros decorrem em zoom com streaming, são gravados para material do site.

Língua: dia 5 e 6: português, dia 7: alemão e português, com tradução simultânea.

O site ReMapping Memories Lisboa e Hamburgo, Lugares de Memória (Pós)Coloniais resulta de uma pesquisa, mapeamento e análise de lugares em Lisboa e Hamburgo que contam histórias de colonialidade, de resistência e disputa de memória (material e imaterial) no espaço urbano. Num processo entre várias cidades europeias, pretende-se contribuir para o não apagamento da história e da memória colonial e pós-colonial de Lisboa e Hamburgo, defendendo a igualdade na pertença e acesso à cidade, ainda segregada na sua geografia, vivência e representações. 

#ReMappingMemories

5 de maio de 2021 – 18-20h

As marcas coloniais na cidade e no corpo - Moderação: Marta Lança 


Vídeo 1 de Rui Sérgio Afonso

Isabel Castro Henriques -  Percursos históricos dos Africanos em Lisboa (séculos XV-XX)

Mamadou Ba - A geografia racial estrutura a relação entre estar na cidade e ser da cidade

António Brito Guterres - A forma (pós)colonial da Metrópole

Debate 

6 de maio de 2021 – 18-20h 

Vídeo 2 de Rui Sérgio Afonso

Inscrição de uma AfroLisboa  - Moderação: Marta Lança 

Nádia Yracema - Artista mo(nu)mento

Kalaf  Epalanga - A importância de criar um Museu da Kizomba

José Baessa de Pina (Sinho) - Como construir comunidade nos subúrbios de Lisboa 

Debate 

7 de maio 2021 – 18-20h 


Vídeo 3 de Rui Sérgio Afonso

Estratégias para descolonizar a cidade - Moderação: António Sousa Ribeiro  

Miguel Vale de Almeida - “Como abanar estátuas?” os debates sobre Descolonizar a cidade

Maria Paula Meneses - Lisboa: histórias ocultas e linhas contínuas 

Noa K. Ha - O desafio da memória pós-colonial. Legados de colonialidade na cidade

Debate

Sinopse dos debates e bios dos convidados disponível aqui.

01.05.2021 | par Alícia Gaspar | ativismo, cidade, colonialismo, debates, Descolonização, Goethe institut, Hamburg, história, lisboa, memorializar e descolonizar a cidade pós colonial, Portugal, re-mapping memories, ReMappingMemories, sociedade

Cinemas pós-coloniais e periféricos - ebook

Este é o terceiro volume da série de publicações  intitulada Cinemas pós-coloniais e periféricos, produzida no âmbito do GT homônimo da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual. Esta rede de pesquisadores dedica-se aos estudos pós-coloniais a partir do cinema e suas implicações políticas e estéticas no campo das artes em geral.

De acordo com pensadoras e pensadores latino-americanos, como Maria Lúgones, Walter Mignolo e Nelson Maldonado-Torres, o discurso central da suposta universalidade do projeto da modernidade trouxe como consequência a eliminação de saberes e culturas locais, ancestrais, comunitárias e não industriais ligadas aos antigos povos originários. A justificativa utilizada para tal epistemicídio corresponde à celebração da participação de tais grupos na “civilização ocidental” moderna, cuja composição social é marcada pelo racismo estrutural. Portanto, o que é entendido como periférico, subalterno ou marginal revela-se como um importante aparato, uma construção social amplamente demarcada pelo biopoder, um tipo de poder regulador de vidas (e de mortes) bem como um índice de determinação das ficções e das representações acerca da vida do “outro”.

É nessa ampla corrente epistêmica, intelectual e política dos estudos pós-coloniais que esta coletânea se insere, uma área interdisciplinar que agrega vários saberes das Humanidades, desde a Crítica Literária aos Estudos Artísticos. Grande parte dos pesquisadores e pesquisadoras reunidos tanto neste volume quanto nos dois anteriores mostra um esforço inédito no campo do cinema, no caso do Brasil, no questionamento de nossa historiografia, filmes, bibliografias e referências canônicas.

Download do livro disponível aqui.

23.04.2021 | par Alícia Gaspar | cinema, civilização ocidental, colonialismo, cultura, ebook, pós-colonialismo, racismo estrutural

Pós-Amnésia: Desmontando Manifestações Coloniais

02/2021  #04

Fonte - Porto DesaparecidoFonte - Porto Desaparecido

O INSTITUTO, o InterStruct Collective e a Rampa uniram esforços para formar um novo hub com o objetivo de promover o debate sobre a herança colonial na cidade do Porto. 
“Pós-Amnésia: Desmantelando Manifestações Coloniais” dedica-se a desvendar, pensar e questionar os vestígios - materiais e imateriais - do passado colonial da cidade do Porto. Como primeira atividade pública, apresenta um ciclo de debates online com especialistas de várias áreas, que irão partilhar as suas experiências a partir de diferentes geografias. 
Os debates serão transmitidos em direto nos canais de youtube do INSTITUTO e Rampa, e na página de facebook do InterStruct Collective. As sessões decorrem em Português, e será publicada mais tarde uma versão com legendas em Inglês.
O projeto integra o programa VAHA, uma iniciativa de Anadolu Kültür e MitOst e.V., financiada por Stiftung Mercator e a European Cultural Foundation. O consórcio VAHA está em colaboração com a iac Berlin para implementar uma série de ‘workshops temáticos e reuniões de rede’. A organização agradece também o apoio da Chrest Foundation.

EVENTO ONLINE


25 Fev 2021
04 Mar 2021
11 Mar 2021
Quinta-feiras
19h


→ RSVP NO EVENTO DO FACEBOOK
→ SEGUIR O CANAL DE YOUTUBE

*** English***

© Cartografia Negra© Cartografia Negra

INSTITUTO, InterStruct Collective and Rampa come together to form a new hub aiming to promote debate on the colonial heritage of Porto. 
“Post-Amnesia: Dismantling Colonial Manifestations” focuses on unveiling, thinking and questioning the traces - material and immaterial - of Porto’s colonial past. It begins with a talk series with specialists from different fields, who will share their experiences from different geographies. 
The debates will be streamed on Interstruct Collective’s Facebook page and INSTITUTO’s and Rampa’s youtube channels. The sessions will be held in Portuguese, and a version with English subtitles will be made available to the public later on.
The project is part of VAHA, an initiative of Anadolu Kültür and MitOst e.V., funded by Stiftung Mercator and the European Cultural Foundation. VAHA partner consortium is in a collaboration with the iac Berlin to implement a series of ‘thematic workshops and network meetings’. The organisation also thanks the support from Chrest Foundation.

ONLINE EVENT
FACEBOOK & YOUTUBE


25 Feb 2021
04 Mar 2021
11 Mar 2021
Thursdays
7pm


→ RSVP FACEBOOK EVENT
→ FOLLOW YOUTUBE CHANNEL

PROGRAMA / PROGRAMME

Debate #1
Monumentos e Memoriais / Monuments and Memorials
25/02/2021 · 19h GMT
• Memorial à Escravatura – Beatriz Gomes Dias, Djass 
• Monumento ao Esforço Colonizador Português – Bárbara Neves Alves 
• Imagens de Controle e Monumentos – Felipe Moreira
Moderação: Mamadou Ba

Debate #2
Rotas e Toponímia / Tours and Toponymy
04/03/2021 · 19h GMT
• Volta Negra – Cartografia Negra
• African Lisbon Tour – Naky Gaglo
• Rota dos Escravos – Associação KALU
Moderação: Isabeli Santiago

Debate #3
História e Cultura / History and Culture
11/03/2021 · 19h GMT
• Sem Ofensa – Ângelo Delgado 
• Onésio e a Azagaia – Onésio Intumbo
• Porto Desaparecido – Manuel de Sousa
Moderação: Navváb Aly Danso

22.02.2021 | par Alícia Gaspar | a rampa, colonialismo, desmontando manifestações coloniais, divulgação, evento online, Facebook, interstruct collective, Isabeli Santiago, Mamadou Ba, navváb ali danso, o instituto, YouTube

Welcome to “Portugal, Race, and Memory: A Conversation, A Reckoning”

24 de março de 2021 das 13:00 às 23:30 EST / 18:00-19:30 Lisboa / 19:00-20:30 Luanda via Zoom

Este evento interdisciplinar e transhistórico, co-patrocinado pela Global Arts + Humanities Discovery Theme e pelo Comitê de Diversidade e Inclusão do Departamento de Inglês, reúne pesquisadores e profissionais de espanhol e português, inglês e história para discutir o uso de narrativas pessoais no acerto de contas com a relação entre o passado e o presente.

O objetivo desta conversa é preencher a lacuna entre os legados portugueses de escravidão e a autoteoria, ou escrita de vida, que posiciona a memória e a personificação dos falantes como ferramentas centrais que nos ajudam a entender as vidas e a vida após a morte da violência racial.

Este evento será moderado pela Professora Lisa Voigt (Espanhol e Português, Universidade Estadual de Ohio).

Os apresentadores incluem Pedro Schacht Pereira (Espanhol e Português, Universidade Estadual de Ohio), Patrícia Martins Marcos (Estudos de História e Ciência, Universidade da Califórnia em San Diego), Kathryn Vomero Santos (Inglês, Universidade Trinity) e Mira Assaf Kafantaris (Inglês, Universidade Estadual de Ohio).

Inscreva-se aqui para este evento virtual.

07.02.2021 | par Alícia Gaspar | colonialismo, conferência, divulgação, história, Kathryn vomero santos, lisa Voigt, memória, mira Assaf kafantaris, palestra, patrícia martins marcos, pedro schacht pereira, Portugal, racismo

EUROPA, Oxalá

MUCEM (Marselha): Outubro de 2021 a Janeiro de 2022 | Fundação Gulbenkian (Lisboa: Abril - Julho de 2022) Royal Museum of Central Africa (Tervuren): Setembro - Dezembro de 2022

Figures 1883, Reference Map for Business Men (2019), Técnica Mista © Malala AndrialavidrazanaFigures 1883, Reference Map for Business Men (2019), Técnica Mista © Malala Andrialavidrazana

Na Europa, a partir da década de 1960, os fluxos de populações que tiveram uma experiência colonial - retornados, “pieds-noirs”, repatriados, africanos, norte-africanos, asiáticos, caribenhos - carregavam dentro de si uma teia de mistério, novidade, exotismo, fuga, migração e memórias dispersas. A sua presença atestou a transição da Europa como continente colonizador para uma Europa pós-colonial. Hoje, os filhos e netos de gerações que experimentaram processos de descolonização, bem como muitos cidadãos não ocidentais que vivem no Ocidente, questionam-se sobre uma nova perspectiva de enunciação. Uma dessas questões diz respeito ao lugar híbrido em que vivem, o do europeu não branco, o europeu oriental, o europeu latino-americano.

 Patrice Lumumba (2020), Dessin © Marcio de Carvalho Patrice Lumumba (2020), Dessin © Marcio de CarvalhoA exposição EUROPA, Oxalá questiona questões pós-coloniais na Europa, particularmente nas três antigas potências coloniais que eram Bélgica, França e Portugal. As questões memoriais dos descendentes das gerações que experimentaram os diferentes processos de descolonização estarão no centro de um trabalho em torno do poder criativo da diversidade cultural europeia.

EUROPA, Oxalá é o resultado de uma colaboração entre quatro instituições renomadas, o Museu Real da África Central em Tervuren (Bélgica), o Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo em Marselha (França), o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (Portugal) através do seu projeto europeu MEMOIRS - Children of European Empires and Postmemories, e a Fundação Calouste Gulbenkian - Delegation in France.

Curadores: Katia Kameli, Aimé Mpembe Enkobo, António Pinto Ribeiro

Artistas: Malala ANDRIALAVIDRAZANA; Kader ATTIA; Faisal BAGHRICHE; Sammy BALOJI; Nú BARRETO; Sabrina BELOUAAR; Mohamed BOUROUISSA; CARLOS BUNGA; John K. COBRA; Marcio DE CARVALHO; MÔNIA DE MIRANDA; Délio JASSE; Kátia KAMELI; Djamel KOKENE; Aimé MPANE; Sandra MUJINGA; Aimé NTAKIYICA; Josèfa NTJAM; Pedro A. H. PAIXÃO; Sara SADIK; Francisco VIDAL; Pauliana VALENTE PIMENTEL

04.02.2021 | par Alícia Gaspar | Bélgica, colonialismo, Europa, europa Oxalá, Europa pós-colonial, França, Gulbenkian, memoirs, MUCEM, Portugal, Royal Museum of central africa

Desenterrando Memórias

Sete artistas e profissionais da cultura servem-se de um método curatorial cooperativo para analisar legados coloniais que afetam as condições contemporâneas na cidade do Porto, na Rampa, a partir de dia 6/12.

 
A Primeira Exposição Colonial Portuguesa ocorreu há 85 anos nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto. Contudo, as forças económicas, culturais e políticas atuais ainda sustentam, cimentam e replicam algumas ideologias que foram fundamentais ao regime autoritário associado à Exposição Colonial.
 
Fragmentos do passado têm a capacidade de reiterar e incorporar memórias coletivas, constituindo uma cultura visual que marca a contemporaneidade. As relíquias coloniais (por exemplo, monumentos públicos, nomes de ruas, selos postais, souvenirs, medalhões, murais, coleções de museus e arquivos nacionais) são testemunhos controversos que narram perspectivas imperialistas e obscurecem a multiplicidade de relações de poder, encontros culturais e experiências pessoais.
 
O InterStruct Collective examina esses mesmos objetos que utiliza como catalisadores para acrescentar camadas de complexidade às narrativas e desvelar histórias, buscando restaurar o poder de indivíduos colonizados no passado e marginalizados no presente.
 
Objetos e subjetividades pós-coloniais são examinadas e o olhar incorporado nesses objetos é devolvido por meio de colaboração coletiva e interdisciplinar. A práxis artística é utilizada como uma plataforma reflexiva para nutrir realidades futuras. Esta exposição analisa criticamente os legados coloniais e enquadra o imaginário atual, composto por memórias, ruínas e lembranças no contexto do Porto.
 
A exposição é acompanhada por uma caminhada crítica pelos Jardins do Palácio de Cristal: “Unearthing memories - exploring contemporary conditions and formulating possible futures”, organizada em parceria com o coletivo MAAD - Mulheres, Arte, Arquitetura & Design, no âmbito do programa Satellites, da Porto Design Biennale.
Vijay Patel, Invisível, 2019 digital print, dimentions variableVijay Patel, Invisível, 2019 digital print, dimentions variable

O Coletivo InterStruct visa fomentar um diálogo em torno do interculturalismo, proporcionando uma plataforma discursiva onde pessoas de diferentes origens culturais podem colaborar, propor intervenções e encenar projetos artísticos de importância social. Este fórum valoriza a inclusão, e incentiva a empatia e a autorreflexão como base para interromper ideologias e estereótipos adversos. O nome InterStruct é composto por dois elementos: o prefixo inter significa “entre”, e o radical struere, em Latin, significa “construir” ou “montar”. Mesclar esses termos ressalta a importância dos processos construtivo e desconstrutivo durante a criação.

Odair Monteiro, 'Escadas', Impressão digital, 2019, 60 cm x 90 cmOdair Monteiro, 'Escadas', Impressão digital, 2019, 60 cm x 90 cm

Melissa Rodrigues e Miguel F, Mediterrâneo, 2019. Vídeo, som, 3'23.Melissa Rodrigues e Miguel F, Mediterrâneo, 2019. Vídeo, som, 3'23.

04.12.2019 | par martalanca | colonialismo, fotografia, memória, Rampa, video

Passados Imaginados: Colonialismo, Fotografia e Arquivos

Oficina 4 e 5 Novembro 2019

Instituto de Ciências Sociais Universidade, de Lisboa

A oficina propõe um espaço de reflexão sobre colecções fotográficas do período colonial, enquanto participantes activos na construção visual do passado. Interessa-nos debater a produção de imagens nas antigas colónias, tanto em contextos institucionais (autoridades civis ou militares, organismos públicos e privados) como em círculos restritos (colecções pessoais vernaculares ou de fotógrafos profissionais). Décadas após a queda dos impérios europeus, interessa-nos também discutir os movimentos das imagens ao longo do tempo e através do espaço: as trajectórias de colecções entre contextos arquivísticos formais e informais, o esbatimento das fronteiras entre privado e público, a reconfiguração dos sentidos e dos usos da fotografia num período histórico sob intenso escrutínio. 

Convidamos à apresentação de comunicações que explorem a produção e os trânsitos, os usos e os espaços (memorialísticos, museológicos, científicos, políticos) de revisitação contemporânea de imagens fotográficas e as suas múltiplas relações com representações íntimas, históricas e políticas do passado colonial. 

Envio de propostas até 10 Setembro, incluindo resumo (máximo 150 palavras), pequena nota biográfica e afiliação institucional para imaginedpasts@ics.ulisboa.pt. Os resultados serão conhecidos até 20 Setembro.

Organização: Maria José Lobo Antunes, Inês Ponte, Filipa Lowndes Vicente

Imagined Pasts: Colonialism, Photography, and Archives

Workshop 4-5 November 2019

Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa

The workshop aims to foster a space for debating photographic collections from the colonial period, as active agents in the visual construction of the past. We invite presentations that address the production of images in the former colonial territories both in institutional contexts (civil or military authorities, public or private organizations) and in personal circles (vernacular or professional photographers’ collections). Decades after the fall of the European empires, we also welcome discussions on the movements of images over time and through space: the trajectories of collections between formal and informal archival contexts, the blurring of boundaries between private and public, the reconfiguration of the meanings and uses of photography from a historical period under intense scrutiny.

 We invite proposals that explore the production and transits, the (memorialistic, museal, scientific, political) uses and spaces in which the contemporary revisiting of photographic images is taking place, along with its multiple connections with intimate, historical and political representations of the colonial past. 

Proposals should be submitted to imaginedpasts@ics.ulisboa.pt by 10 September 2019, including abstracts (max. 150 words), a short biographical note, and contact and affiliation details.

Decisions on acceptance of proposals will be communicated by 20 September 2019.

Organizers: Maria José Lobo Antunes, Inês Ponte, Filipa Lowndes Vicente

18.07.2019 | par martalanca | colonialismo, fotografia, passado

Os muitos Pidjiguitis da História ** Quem tem medo de um sujeito negro?

OS MUITOS PIDJIGUITIS DA HISTÓRIA

conversa e Exposição benefit para o Observatório do Controlo e da Repressão 

8 de Fevereiro, sexta-feira às 18h30 na Biblioteca (49)

Esta sexta-feira, a biblioteca do RDA 49 irá contar com a inauguração da exposição de desenho de Gonçalo Salvaterra, “OS MUITOS PIDJIGUITIS DA HISTÓRIA”. Os donativos oferecidos pelas obras irão reverter na totalidade para o Observatório do Controlo e Repressão (OCR), que tem apoiado o processo judicial dos jovens da Cova da Moura, alvos de uma violência injustificável por parte da PSP. Para sabermos mais sobre este caso, podemos contar com uma conversa com membros do Moinho da Juventude e com membros do OCR. Até lá, ficamos com a apresentação da exposição:
Lembram-se do Pidjiguiti? Provavelmente não. Eu não me lembro, não era nascido, mas a memória histórica deveria existir. E se essa memória histórica não existe, deveríamos perguntar-nos porquê. Um dia, enquanto caminhava pelo porto de Bissau, vi uma escultura. Um punho cerrado, esculpido em homenagem aos mortos no massacre do cais do Pidjiguiti, que a
3 de Agosto de 1959 vitimou às mãos do fascismo e da sua política colonial entre 40 a 70 marinheiros e estivadores. E porquê? porque se manifestavam em torno de melhores salários. Mas que massacre? Porque não aprendi isso na escola? Acima de tudo, que estórias fazem a história de Portugal? Esta exposição que tem como nome, “Os Muitos Pidjiguitis da História” aborda um passado contestado. O passado colonial que tem vindo a ser discutido um pouco por todo o mundo, mas que em Portugal tem sido atrasado pelo mito do “bom” colonizador. Factos históricos como o massacre do Pidjiguiti, tendem a revelar uma outra face do colonialismo, a sua verdadeira face. A versão de um Portugal heróico feito de descobertas, é aqui contestada. Estas figuras grotescas, carregadas de carvão, e quase monocromáticas, puxam o lado sombrio que a história oficial tende a não querer pegar. Não há aqui espaço para um Portugal branco!
**
QUEM TEM MEDO DE UM SUJEITO POLÍTICO NEGRO
conversa com militantes de movimentos anti-racistas

9 de Fevereiro, sábado às 21h30, no RDA 69
Os recentes acontecimentos no bairro da Jamaica vieram, mais uma vez, demonstrar a forma de intervenção da PSP em bairros predominantemente habitados por pessoas pobres e negras. Apesar das imagens filmadas a partir de um telemóvel deixarem pouca margem para dúvidas, o teor das mesmas não pareceu demover uma grande parte dos meios de comunicação social e dos partidos políticos de um discurso que, em termos gerais, criminaliza as vítimas e defende os autores das agressões. A alternativa «à esquerda» a esta narrativa, pressionada pelo calendário eleitoral, limita-se a encarar o caso como um excesso que não representa o importante trabalho desenvolvido pelas forças de autoridade. A violência policial é então reduzida a um problema de caráter de dois ou três agentes, e não a um
problema estrutural, ou seja, a uma prática para-institucional que visa um determinado segmento da população: excluída, excedentária e racializada.
Os acontecimentos verificados no centro da cidade de Lisboa, poucos dias após a divulgação destas imagens, traduzem a afirmação de um sujeito político que recusa este tipo de categorização e intervenção. A um ato explícito de violência racista, este organiza-se, mobiliza-se às centenas, e ocupa pontos centrais da metrópole, onde sabe que tem impacto.
Para trocar umas impressões sobre estes assuntos, o RDA convida todas as pessoas interessadas para uma conversa.

04.02.2019 | par martalanca | colonialismo, história, negro, violência

Um ciclo para reflectir o colonialismo português

Portugal: a mais longa ditadura fascista da Europa, estendendo-se 48 anos, e o mais duradouro império colonial do mundo, com permanência de quase 500 anos.
O jovem encenador e actor André Amálio/Hotel Europa dedica a sua tese de doutoramento em Teatro Documental ao fim do colonialismo português, aliando a investigação académica à criação artística. O seu trabalho combina elementos como pesquisa de arquivo, recolha de testemunhos, material autobiográfico e verbatim. Amálio interessa-se por “investigar histórias reais que se tornam memórias, herdadas com o tempo”, bem como por “situações onde pessoas reais contribuem para contestar e reconstruir identidades culturais”.
Com base na convicção que “o teatro pode contribuir para a reescrita da história, dando voz a um grupo silenciado, e trabalhando na transmissão da memória entre gerações”, Hotel Europa traz para palco desde 2015, em três partes, uma reflexão sobre o vasto período da história nacional e mundial que foi o colonialismo.
 
Pela primeira vez desde o seu início, vai ser possível assistir ao ciclo completo com a estreia de “Libertação”, entre 12 e 15 de Outubro no Teatro Maria Matos (com ante-estreia no dia 6 de Outubro em Almada), e a reposição de “Portugal não é um país pequeno” (2015) e “Passa-Porte” (2016), nos dias 22 e 29 de Setembro respectivamente, no Teatro Municipal Joaquim Benite.
 
Se o primeiro espectáculo se foca sobre a ditadura e a presença portuguesa em África, o segundo centra-se nas alterações de nacionalidade decorrentes dos processos de independência das antigas colónias de Angola e Moçambique, em particular na forma como a sociedade portuguesa recebe estes novos cidadãos.
 
Em “Libertação”, espectáculo que vem encerrar o ciclo, Amálio debruça-se sobre o mais traumático episódio da nossa história recente: a Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial, como ficou conhecida em Portugal, ou as Guerras de Libertação ou de Independência, como são chamadas em Angola (1961-1975), Guiné-Bissau (1963-1975) e Moçambique (1964-1975). A partir da perspectiva de nacionalistas africanos, a peça descreve e analisa o movimento das independências em África, para melhor entender o caso do Colonialismo Português no contexto mundial, o impacto destas guerras em Portugal e a sua contribuição para a queda do Estado Novo.
 
“Libertação” é um espectáculo apoiado pela DGArtes com co-produção do Teatro Maria Matos e estreia neste Teatro no âmbito do ciclo “Descolonização” (12 a 28 de Outubro).
 
Criação de André Amálio em co-criação com Tereza Havlíčková, conta com interpretação do encenador, de Lucília Raimundo e de Nelson Makossa, com sonoplastia do último, cenografia e figurinos da autoria de Maria João Castelo e desenho de luz de Joaquim Madaíl. Uma produção Hotel Europa.

PORTUGAL NÃO É UM PAÍS PEQUENO
// 22.09, sexta-feira, às 21h30 [reposição]
Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada | 5-10€ | Dur: 90min
Bilhetes http://bit.ly/2wYYhDJ
Vídeo https://vimeo.com/171266021
 
PASSA-PORTE

// 29.09, sexta-feira, às 21h30 [reposição]
Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada | 5-10€ | Dur: 90min
Bilhetes http://bit.ly/2wb979T
 
LIBERTAÇÃO
// 6.10, sexta-feira, às 21h [ante-estreia]
Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada | 5-10€ | Dur. aprox.: 1h45
Bilhetes http://bit.ly/2f7kmcs
// 12.10 a 14.10, quinta-feira a sábado, às 21h30 e 15.10, domingo, às 18h30 [estreia]
Teatro Maria Matos, Lisboa | 6-12€; 5€ [menores 30]; 3€ [menores 18]
Dur. aprox.: 1h45
Bilhetes http://bit.ly/2wbNJ4y
 *no dia 13.10, sexta-feira, há conversa após o espectáculo a propósito dos movimentos de libertação africanos, com André Amálio (Hotel Europa), Miguel Cardina (Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra) e Beatriz Dias (Djass Associação de Afro-descendentes)

28.09.2017 | par martalanca | André Amálio, ciclo, colonialismo, teatro

Colonialismo do Colonialismo: Um novo ciclo de cinema

2 de março / quinta-feira / 21h
Zona Franca dos Anjos (Rua de Moçambique, 52)

Colonialismo do Colonialismo:
Um novo Ciclo de Cinema na Zona Franca Nos Anjos desta vez focado no tema do Colonialismo e da “Descolonização”. O ciclo será composto por quatro filmes que decorrerão todas as quintas-feiras de Março.

O primeiro filme será “El Abrazo de la Serpiente” de Ciro Guerra, esta quinta-feira às 21h00. A cantina estará fechada para o evento mas teremos petiscos e bar aberto.

Entrada livre

Sinopse:
Theo (Jan Bijvoet) é um explorador alemão que, em 1909, procura a ajuda do xamã Karamakate (Nilbio Torres/Antonio Bolivar), o último sobrevivente conhecido da tribo dos Cohiuanos, para servir de guia no percurso do rio Amazonas. Gravemente doente, Theo busca a yakruna, uma planta sagrada com poderes curativos. Quase quatro décadas depois, o norte-americano Evans (Brionne Davis) lê os diários de Theo e resolve percorrer o mesmo trilho, de forma a descobrir e estudar a planta medicinal. Para isso, encontra-se com Karamakate. Durante todos estes anos, muita coisa mudou na paisagem amazónica e mais ainda no coração do velho índio…
Realizado pelo colombiano Ciro Guerra (“La Sombra del Caminante”, “Los Viajes del Viento”), um filme a preto e branco que se baseia nos diários de Theodor Koch-Grunberg (1872-1924), um explorador alemão que contribuiu para o estudo da mitologia, etnologia e antropologia dos povos indígenas da América do Sul (em particular dos Pemon, da Venezuela, e dos índios brasileiros da região da Amazónia). “O Abraço da Serpente” foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro (Colombia).

27.02.2017 | par marianapinho | cinema, Ciro Guerra, colonialismo, Descolonização, El Abrazo de la Serpiente, zona franca dos anjos

Conferência // A ascensão da extrema-direita francesa e as memórias coloniais, por Benjamin Stora

10 de Fevereiro
18h | CIUL - Picoas Plaza

No próximo mês de Abril terão lugar em França as eleições presidenciais em que a disputa pelo Eliseu coloca pela primeira vez na linha da frente uma candidata da extrema-direita francesa. A centralidade da França na construção europeia, os atentados de que tem vindo a ser alvo e a contínua discussão no seu quotidiano sobre o social, o político e o religioso, convocam-nos para uma reflexão historicamente densa e aberta a novos paradigmas de pensamento e de interpretação. Benjamin Stora, historiador francês e atual presidente do conselho do Museu Nacional de História da Imigração (MNHI) – Palais de la Porte Dorée, em Paris, vem lançar esse desafio ao estabelecer as relações entre a ascensão da extrema-direita francesa e a herança colonial da República Francesa.

Nascido a 2 de dezembro de 1950 em Constantina, na Argélia, Benjamin Stora é Professor universitário, ensinou história do Magrebe contemporâneo (séculos XIX e XX), as guerras de descolonização e história da imigração magrebina para a Europa nas universidades de Paris 8, Paris 13 e no INALGO (Línguas Orientais, Paris).

Publicou cerca de trinta obras, entre as quais La gangrène et l’oublila mémoire de la guerre d’Algérie (1991), Le transfert d’une mémoire - De “l’Algérie française” au racisme anti-arabe (1999) e o livro-objeto Algérie 54-62. Lettres carnets et récits des Français et des Algériens dans la guerre (2010, Prémio Elle Documents). Recentemente publicou com o romancista Alexis Jenni (Prix Goncourt 2011), Les mémoires dangereuses (2016), obra onde retorna à relação entre a memória colonial e a ascensão da extrema-direita em França. Será precisamente esta temática que irá abordar na sua conferência, proferida em francês com tradução simultânea para português.

Benjamin Stora é convidado do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, através dos projetos europeus MEMOIRS – Filhos de Império e Pós-Memórias Europeias e CROME – Memórias Cruzadas, Políticas de Silêncio. As Guerras Coloniais e de Libertação em Tempos Pós-coloniais, financiados pelo European Reserach Council (ERC) e dirigidos respetivamente por Margarida Calafate Ribeiro e Miguel Cardina.

MEMOIRS estuda o impacto, na Europa de hoje, da transferência de memórias dos diferentes acontecimentos que conduziram ao final dos impérios de Portugal, França e Bélgica em África; CROME propõe-se analisar o modo como as guerras coloniais e de libertação têm sido recordadas, em Portugal e nas antigas colónias africanas, desde a queda do império e o advento das independências até aos dias de hoje.

Para mais informações ou obter o dossier de imprensa de Benjamin Stora:
Projeto MEMOIRS
Investigadora coordenadora | Margarida Calafate Ribeiro
memoirs@ces.uc.pt | |+ 351 239 855 570
margaridacr@ces.uc.pt

Projeto CROME
Investigador coordenador | Miguel Cardina
crome@ces.uc.pt | |+ 351 239 855 570
miguelcardina@ces.uc.pt

02.02.2017 | par marianapinho | Benjamin Stora, colonialismo, Europa, Extrema-direita, França, herança colonial, memória

Grada kilomba • Performance: ilusões

10 NOV 2016, 20:00 - 22:00
Pavilhão da Bienal (São Paulo, SP)
Auditório 1 (1º subsolo)

Na performance Ilusões Grada Kilomba usa a tradição oral africana num contexto contemporâneo, utilizando textos, narração, imagens e projeção de vídeo, para recuperar memórias e realidades de um mundo pós-colonial: “Não há nada de novo para contar, pois todos nós sabemos que ainda habitamos as geografias do passado”. Para explorar esta coexistência de tempos, na qual o passado parece coincidir com o presente e o presente parece sufocado por um passado colonial que insiste em permanecer, Grada Kilomba deixa transparecer uma sociedade narcisista, que dificilmente oferece símbolos, imagens e vocabulários para lidar com o presente. Uma ilusão de tempos e espaços, que a artista reconta através dos mitos de Narciso e Eco. Narciso está encantado com a sua própria imagem refletida no lago, ignorando todos os outros, enquanto Eco está limitada a repetir apenas aquilo que ela escuta. Como ultrapassar este cenário colonial?


Inscrições via formulário
Sujeito à lotação do espaço (300 lugares)
Direção artística, texto, vídeo e coreografia:Grada Kilomba 
Performance (em vídeo e/ou palco): Martha Fessehatzion, Moses Leo, Grada Kilomba, Zé de Paiva 
Câmera: Zé de Paiva 
Assistência de câmera e de som: Laura Alonso, Tito Casal 
Música: Moses Leo 
Figurino: Moses Leo

Foto: Moses Leo

08.11.2016 | par marianapinho | 32ª Bienal, colonialismo, Grada kilomba, Ilusões, performance, tradição oral africana

Passa-Porte / Hotel Europa | Teatro Maria Matos

Depois do espetáculo Portugal Não é um País Pequeno, André Amálio e a companhia Hotel Europa continuam o seu trabalho sobre o fim do colonialismo português com Passa-Porte. Este espetáculo de teatro documental centra-se nas independências das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, e em todas as alterações de nacionalidade que afetaram as pessoas que viviam nesses países africanos. Passa-Porte retrata através de testemunhos reais estes eventos históricos e os relatos daqueles que fugiram da violência decorrente do fim do colonialismo ou do início da guerra civil em Angola. Revela também histórias dos que escolheram ficar nos países independentes e que acreditavam na construção de novos países depois de quase 500 anos de colonialismo. Este espetáculo reflete também a forma como o Estado e a sociedade portuguesa olharam para estas pessoas e as consequentes mudanças feitas na lei da nacionalidade em 1975 para escolher quem poderia ser considerado português.

criação: André Amálio
cocriação e interpretação: André Amálio, Selma Uamusse, Tereza Havlickova
movimento: Tereza Havlickova
interpretação musical: Selma Uamusse
espaço cénico: André Amálio e Tereza Havlickovacolaboração: Pedro Silvadesenho de 
luz: Carlos Arroja
produção: Hotel Europa 
coprodução: Maria Matos Teatro Municipal 
apoio: Fundação GDA 
apoio à residência: Alkantara e O Espaço do Tempo
agradecimentos: Anastácia Carvalho, Teatro Mosca e a todas pessoas que gentilmente partilharam connosco as suas histórias de vidafoto: António Gomes

Mais informações, aqui.

04.11.2016 | par marianapinho | colonialismo, colónias portuguesas, guerra cívil, Hotel Europa, Passa-Porte, Teatro Maria Matos

Hotel Globo # 2 de Mónica de Miranda

Inauguração: 11 de Novembro, 19h30
Exposição: 12 de Novembro a 11 de Dezembro | Espaço Espelho d’água, Av. Brasília, s/n - Belém

Hotel globo # 2 é o segundo capítulo da exposição do mesmo nome apresentada no Museu Chiado em 2015 e pela qual Mónica de Miranda foi nomeada para o Novo banco photo, apresentada no Museu Berardo em 2016.

Esta exposição resulta na produção de uma série de fotografias novas que são expostas com o vídeo da mesma serie e o painel de plantas arquitetónicas do hotel. 

o Hotel Globo construído em 1950 pelo emigrante Português médico Francisco Martins de Almeida. Conceitualmente, o hotel abandonado permanece como um enclave simbólico da história angolana recente, como o próprio tecido contém impressões coloniais da arquitetura modernista do ultramar.
Aparentemente, continua a ser um hotel, mas a maior parte dos quartos encontram-se e vazios à espera do que ainda esta para devir.
O Hotel sobreviveu até hoje, num dos bairros cosmopolitas da cidade e mais sujeitos à recente vaga de especulação imobiliária, fato que serve à artista para elaborar uma narrativa, simultaneamente ficcional, que decorre no interior do hotel, e disruptiva, com as imagens de exteriores, do porto de Luanda e da expansão urbanística da cidade com todas as suas contradições.  O Hotel Globo reúne histórias de resistência, de adaptação e de procura.

Conjuntamente com a serie das fotos novas a artista mostra o vídeo Hotel globo 2015 onde a narrativa fragmentária do filme é exibida em formato de assinatura díptico do artista, onde um casal silencioso habita quartos que também serviram como lugares de passagem para os comerciantes da zona rural, ou para encontros românticos, mas também como refúgio de milícias durante a guerra civil. A narrativa da história do filme do hotel parece acordar fantasmas como ele ensaia um drama pessoal por tempo indeterminado na atmosfera modernista do edifício cansado, que tem necessidade permanente de restauração. Neste trabalho, como em filmes anteriores de Mónica de Miranda, há uma estase, uma sensação de imobilidade que se refere tanto a fotografia ainda a uma posição filosófica em relação ao assunto: as relações são tão impenetráveis quanto a natureza dos locais em que eles habitam. Uma metáfora para o naufrágio social e econômico trazido pelo impulso neoliberal furiosa de especulação imobiliária de Angola que está deformando Luanda, o edifício, de acordo com o seu atual proprietário, está em uma zona intemporal, preso entre um passado promissor e uma demolição inevitável.

A tentativa falhada, na década de 90, da sua recuperação arquitetónica, por motivos políticos, desinteresse económico   é, para Mónica de Miranda, a razão para constituir, neste contexto social e cultural angolano, uma ficção de possibilidades, patente na montagem das plantas arquitetónicas que servem como metáfora para um projeto ideal sem execução real. Plantas que constituem hoje não mais do que vestígios, traços de uma promessa de resgate simbólico do tempo, intenções de entendimento do espaço construído enquanto gerador de diferenciação e não de homogeneização dos modos de viver e da sua memória.

Hotel Globo reitera a necessidade de preservar os lugares enquanto símbolos de construção da memória coletiva, desafetados de discursos ideológicos de formulação da mesma, mas enquanto micro‐histórias de uma geografia emotiva, que desempenha um papel essencial para singularizar cada cidade e a sua história. E reforça também a urgência de repensar modelos de desenvolvimento, e de os mesmos serem corajosos na sua relação com o passado.
Os espaços aqui retratados mostram fragmentos de vivências e memorias da história de um lugar.  A teia de relações sociais, culturais e políticas que então se constroem, incorporam os símbolos e imagens pré-existentes, num processo de resgate e simultaneamente de reconstrução de valores territoriais, de pertença, e de identidade.

Mais informações:
info@espacoespelhodeagua.com
+351 213 010 510

28.10.2016 | par marianapinho | colonialismo, Hotel Globo # 2, Monica de Miranda

Conversa "colonialismo invertido", em Serralves

31 OUT 2015 - 15h00 - 18h00 Fundação Serralves, Porto


Este simpósio vai debruçar-se sobre as relações entre Portugal e as suas ex-colónias e a interpretação artística contemporânea do modo de abordar as histórias coloniais, quer ao nível da produção artística quer do desenvolvimento institucional. 
Com: José Neves (PT), Lígia Afonso (PT), Nuno Domingos (PT), Filipa César (PT)Moderação: Marta Lança (PT)
Acesso: gratuito mediante aquisição de bilhete Museu e Parque (emitido no dia)Lotação: sujeito à lotação da sala- See more here. 

 

22.10.2015 | par martalanca | Bienal, colonialismo, Serralves

Palestina: Colonialismo, Racismo e Resistência

Com intervenções de António Guerreiro, António Louçã, Boaventura Sousa Santos, Bruno Peixe Dias, Carlos Vidal, Inês Espírito Santo, Nuno Teles, Renato Teixeira, Shahd Wadi, Wissam Al-Haj.

Depois do acto falhado dos Acordos de Oslo de 1992 e dos recentes ataques a Gaza em Agosto de 2014, parece-nos que é tempo de voltar a pensar a situação Israelo-Palestiniana, com objectividade mas não, forçosamente, neutralidade. Procuraremos reflectir sobre o contexto histórico que resultou na criação do Estado de Israel nas suas dimensões, contraditórias e problemáticas, nacionalistas e colonialistas, as especificidade das formas de governo e administração que aí se foram desenvolvendo, bem como as estratégias de resistência a essas mesmas forma de governo.
Neste sentido, parece-nos importante trazer à discussão não apenas a actualidade que faz a agenda informativa dos noticiários, mas também os processos históricos que podem contribuir para uma análise crítica do presente; não apenas os aspectos militares do exercício do poder e da ocupação territorial, mas também os aspectos culturais mobilizados para a produção e naturalização de comunidades imaginadas. Daí seguiremos até à situação actual e à discussão das soluções que têm sido avançadas: dois povos dois estados ou um único estado multicultural e multinacional? Porquê e como?

Local: Atelier RE.AL
Rua Poço dos Negros 55, 1200-336 Lisboa
— 
Entrada Gratuita

05.01.2015 | par martalanca | colonialismo, palestina, racismo, Resistência

*PABIA DI AOS - Por Causa de Hoje*

ILHAS - um programa realizado por Julie Vrillaud e Fannie Vrillaud

Esta peça sonora é um relato de Catarina Laranjeiro sobre o colonialismo, a guerra colonial e o neocolonialismo na Guiné-Bissau, sobre as memórias de uma guerra esquecida nos livros de história, sobre uma possibilidade de se repensar no que aconteceu e no que acontece actualmente nesta e noutras ex-colónias portuguesas. Um relato baseado e ambientado por passagens sonoras do seu documentário Pabia di Aos onde são ouvidos os discursos das pessoas que ficaram lá, longe. E uma leitura de trechos do livro Naus de António Lobo Antunes.

ouvir na STRESS.FM

 

“No documentário PABIA DI AOS é-nos mostrado o que ainda resta da guerra colonial quarenta anos depois, num país onde essa memória não é pacífica. De facto, aqueles que aderiram ao movimento de libertação e aqueles que lutaram no exército colonial põem em cena uma multiplicidade de discursos e memórias irreconciliáveis. Somos assim conduzidos a uma viagem que problematiza a herança colonial na Guiné-Bissau, problematizando o que ainda hoje permanece por se contar sobre os contornos desta guerra.”

 Catarina Laranjeiro


14.10.2014 | par martalanca | Catarina Laranjeiro, colonialismo, guerra colonial, Guiné Bissau

"Ciência ao serviço do Império: da "natureza exótica" à "sociedade colonial"

Aula aberta no ISEG no âmbito de um mestrado sobre ciência, inovação e economia, com comentários do Prof. João Caraça

29.11.2013 | par martalanca | ciência, colonialismo