Ciclo de Entrevistas Online - ProjectoMap

Foi feito o convite a figuras que cremos fundamentais na cena artística portuguesa para uma entrevista que relaciona o seu trabalho e a sua posição crítica e profissional no mundo da arte contemporânea com o ProjectoMAP. As suas opiniões estão expressas nas entrevistas filmadas, que nos permitem ouvir, compreender e julgar a plataforma ProjectoMAP de uma forma externa a si própria.

Todas as entrevistas vão ser disponibilizadas online. A primeira entrevista à artista Ana Pérez-Quiroga já está disponível. Todas as quintas-feiras às 18H sai uma nova entrevista com um interveniente importante para a compreensão do mundo artístico português.

Exposição patente até 10 Janeiro 2021.

Horários: Aberto todos os dias da semana, das 10h00 às 19h00 (última entrada às 18h30).

23.11.2020 | par martalanca | entrevistas, exposição, Museu coleção berardo, projectoMAP

Convite - Exposição "Tomato Project"

30.10.2020 | par martalanca | corpo, exposição, inauguração, pobreza, trabalho

Lisbon Art Weekend 13-15 Nov 2020

De 13 a 15 de Novembro, Sexta a Domingo, Lisbon Art Weekend (LAW) regressa para o seu segundo ano, mantendo a sua promessa de celebrar o panorama da arte contemporânea Portuguesa, juntando 26 espaços artísticos, que serão abertos ao público para exposições, visitas a estúdios, performances, conversas e muitos outros eventos.


Ao longo dos três dias, LAW ajudará a exibir e trazer para primeiro plano exposições individuais e colectivas - Ana Jotta (Galeria Miguel Nabinho), Fernanda Fragateiro (Galeria Filomena Soares), Rosana Ricalde (3+1 Arte Contemporânea), Horácio Frutuoso (Balcony Gallery), Ascânio MMM (Galeria 111), Adrien Missika (Galeria Francisco Fino), João Ferro Martins (Galerias Municipais - Pavilhão Branco), António Bolota (Galeria Vera Cortês), Ad Minoliti (Kunsthalle Lissabon), Rodrigo Hernández (Madragoa), Daniel V. Melim (MONITOR Lisbon), Ana Pérez - Quiroga (NO·NO Gallery), Kimiyo Mishima (SOKYO LISBON), Mário Belém e Ana + Betânia (Underdogs Gallery), tal como em AZAN, onde será revelado o trabalho de mais de 30 artistas.

Foto de exposição Galeria Filomena Soares, Fotografia de António Jorge SilvaFoto de exposição Galeria Filomena Soares, Fotografia de António Jorge Silva

São de realçar duas performances que irão acontecer este ano. O artista Gustavo Sumpta irá apre- sentar uma performance de 24 horas (Carpintarias de São Lázaro - Centro Cultural), a começar no dia 14 de Novembro e a acabar no dia seguinte, e Daniel V. Melim irá realizar uma performance sonora, de nome Canto das Imagens (MONITOR Lisbon) no dia 15 de Novembro, o último dia do evento.

A complementar as inaugurações de exposições de arte e visitas a estúdios, haverá também conversas com artistas, nas quais o público poderá deparar-se com os criadores das obras de arte apresentadas - Renzo Marasca e Paulo Brighenti (Galeria Belo-Galsterer), Fernanda Fragateiro (Galeria Filomena Soares), Ana Jotta (Galeria Miguel Nabinho), João Ferro Martins (Galerias Municipais - Pavilhão Branco), Rita GT (Movart), só para nomear alguns. E porque vivemos em tempos de restrições físicas e distanciamento social, algumas conversas e visitas ao redor de alguns espaços participantes serão ou de capacidade limitada, mediante reserva, ou irão acontecer online este ano. Dito isto, a Conversa do LAW e as Visitas Guiadas da ARCO GalleryWalk serão transmitidas online e poderão ser visualizadas nas plataformas de redes sociais do LAW (Instagram e YouTube).

Depois de um primeiro ano muito enriquecedor trazendo para Lisboa o tipo de iniciativa que até ali tinha estado apenas a florescer noutras capitais Europeias, Lisbon Art Weekend prepara-se para levar o público mais uma vez numa aventura em torno de uma colecção dos trabalhos mais diversos e multiculturais, num ano muito atípico.
A acrescentar, é importante salientar que estamos a prestar muita atenção para a situação pandémica em que o país se encontra e gostaríamos de reforçar que todas as medidas de saúde da DGS serão rigorosamente seguidas ao longo do evento.

Lisbon Art Weekend é de entrada gratuita em todas as actividades, e tem o apoio da Fundación ARCO, Art Across Europe, Turismo de Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa e Heden.

Programa completo aqui.

26.10.2020 | par martalanca | câmara municipal de lisboa, conversas, daniel melim, entrada gratuita, exposição, gustavo sumpta, LAW, lisbon art weekend, Performances, turismo de lisboa

Kiluanji Kia Henda | Something Happened on the Way to Heaven

Galerias Municipais – Galeria Avenida da Índia
Curadoria: Luigi Fassi
03.11.2020 – 10.01.2021
Visita com a presença do artista: 03.11.2020 – 17h
(marcação prévia: bilheteira@galeriasmunicipais.pt)


As Galerias Municipais têm o prazer de apresentar Something Happened on the Way to Heaven, primeira grande exposição individual dedicada a Kiluanji Kia Henda (Luanda, Angola, 1979), um dos mais relevantes artistas e ativistas de origem africana no panorama da arte contemporânea.
Something Happened on the Way to Heaven apresenta uma série de esculturas e instalações criadas especialmente por Kiluanji Kia Henda enquanto artista em residência na Fundação LUMA em Arles, França, e no Museu MAN em Nuoro, Sardenha (com o apoio da Sardegna Film Commission), às quais se associam trabalhos fotográficos anteriores. Nas novas peças do artista, a beleza idílica da paisagem mediterrânica contrasta com os traços arquitetónicos da Guerra Fria e com a história contemporânea dessa região entre a África e a Europa como lugar de migração e injustiça social.

Something Happened on the Way to Heaven é formulada como uma observação sobre o mundo mediterrânico com duplo sentido – um idílio aparentemente paradisíaco que revela a presença do seu oposto. Com efeito, as obras de Kiluanji Kia Henda evidenciam a dialética contraditória entre um esplendor natural dotado de traços idealizados e um obscuro reverso de ameaças históricas e atuais.
O primeiro elemento dialético é, evidentemente, a beleza. Representada pela natureza mediterrânica e pela idealização do mar e da costa, esta beleza tornou-se uma mercadoria massificada pelo turismo contemporâneo. O segundo elemento é representado pelos vestígios da Guerra Fria e pela imagem inquietante do Mediterrâneo nos dias de hoje, já não visto como uma ponte entre mundos, línguas e culturas diferentes, mas como uma miragem da esperança de uma nova vida que leva à morte milhares de pessoas que tentam atravessar o mar para o conseguir.

Este território entre a África e a Europa é, assim, interpretado no seu contraste discordante entre a beleza das suas paisagens costeiras e o drama contemporâneo do Mediterrâneo, considerado um lugar de conflito e de bloqueio, a fronteira de uma Europa que se fecha atrás de uma cortina de barreiras jurídicas e físicas cada vez mais rígidas. O tema do movimento e da migração é evocado através de imagens zoomórficas como os flamingos, que têm um estilo de vida nómada e sem regras sazonais rigorosas. Aqui, eles simbolizam a migração como um fenómeno livre, imprevisível e universal. O Mediterrâneo e os territórios subsarianos estão, assim, ligados entre si como geografias instáveis e em constante mudança, testemunhando as transformações recentes e futuras que afetam os respetivos continentes da Europa e de África.
Em colaboração com a Publitaxis & Publiroda e a CP – Comboios de Portugal a exposição Something Happened on the Way to Heaven de Kiluanji Kia Henda ainda conta com oitenta cartazes aleatoriamente distribuídos em algumas das carruagens dos comboios regulares da Linha de Sintra, com imagens da obra A Sina de Otelo / Othello’s Fate (Act I, II, III and IV) de 2013.

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Medidas preventivas Covid 19:
As Galerias Municipais têm uma lotação máxima; É proibida a entrada de grupos com mais de 10 pessoas; É obrigatório o uso de máscara dentro do edifício; Desinfete as mãos à entrada; Mantenha a distância de segurança de 2 metros; Evite o aglomerar de pessoas; Adote as medidas de etiqueta respiratória; Coloque máscaras e luvas nos caixotes do lixo reservados.

26.10.2020 | par martalanca | exposição, Galerias Municipais, kiluanji kia henda, luigi fassi

Galeria MOVART de arte contemporânea africana inaugura em Lisboa com AIR IHOSVA de Ihosvanny

Inauguração: 31 de outubro, 16h às 20h

Exposição patente até 10 de dezembro

MOVART Lisboa - Rua João Penha, RC 14A | 1250-131 Lisboa movart.co.ao

Terça a sexta, 14h – 18h30 

Sábado, 10h – 14h

A galeria MOVART, estabelecida em Luanda desde 2017, inaugura no dia 31 de outubro, entre as 16h e as 20h, um novo espaço em Lisboa com a exposição AIR IHOSVA do artista Ihosvanny.

O projeto nascido em 2015, e que em 2017 se tornou a primeira galeria comercial a surgir em Angola, abre em Portugal com trabalhos inéditos de Ihosvanny, um artista de origem angolana que é representado pela MOVART desde a sua fundação. No programa da galeria sucedem-se as exposições individuais de António Ole, em dezembro, e de Rita GT em Março de 2021.

Em AIR IHOSVA, Ihosvanny celebra a vida e as suas formas de resistência no mundo contemporâneo, criando poemas visuais que ganham forma através da pintura e da instalação. No dia 31 de outubro, durante a inauguração da exposição, o artista vai criar um mural no pátio do edifício da galeria e o processo poderá ser acompanhado pelos visitantes.

É na paisagem urbana da cidade de Luanda que Ihosvanny encontra habitualmente o seu material de trabalho. AIR IHOSVA amplia a investigação sobre a paisagem e as suas diferentes perspetivas à cidade de Lisboa, onde o artista desenvolveu o atual projeto, no âmbito de uma residência artística. No dia 29 de outubro, a partir das 20h, Ihosvanny realiza um open studio da sua residência no espaço MONO, na Rua Feio Terenas, 31A, em Lisboa.

A exposição AIR IHOSVA poderá ser visitada na MOVART até dia 10 de dezembro, de terça a sexta das 14h às 18h30 e aos sábados entre as 14h e as 19h, ou por marcação em qualquer outro horário. A admissão no espaço é livre, mas encontra-se limitada a 5 pessoas e é obrigatório o uso de máscara facial.

Ihosvanny (Angola,1975) vive e trabalha entre Barcelona e Luanda. É um artista autodidata, que pertence à geração de artista angolanos do período pós-independência de Angola.

Influenciado pelas dinâmicas urbanas das cidades por onde vive ou passa, Ihosvanny representa nas suas obras uma visão única e desfragmentada desses locais, onde explora as experiências do urbanismo em  pintura, fotografia, vídeo e instalação sob forma de apelar aos sentidos do espectador.

Ihosvanny participou conta com a participação em exposições individuais, coletivas e feiras de arte na África do Sul, Angola, Brasil, Cuba, EUA, França, Inglaterra, Itália, Portugal, São Tomé e Príncipe e Uganda. Entre as exposições e contextos em que já expôs, destacam-se: o Museu Judaico (Nova York, 2014); o Museu de Arte da Moderna da Bahia (Salvador, 2012); a 11ª Bienal de Havana (Cuba, 2012); Trienal de Luanda (2010, 2007); e o Pavilhão Africano na 52ª Bienal de Veneza (2007). 

O trabalho do artista está representado em várias coleções institucionais e privadas, entre elas a Fundação Sindika Dokolo, Fundação Elipse e Fundação PLMJ.

A galeria MOVART e a visibilidade de artistas das diásporas africana e lusófona

A MOVART abriu portas em 2017 na Marginal de Luanda, espaço que mantém até hoje, tornando-se a primeira galeria comercial a estabelecer-se em Angola. O projeto foi criado dois anos antes, em 2015, pela mão da então consultora Janire Bilbao, e dedicou-se à apresentação de exposições experimentais e itinerantes, de artistas locais e da diáspora contemporânea africana, na cidade de Luanda e fora desta.

A MOVART conta com mais de 40 exposições realizadas em diferentes formatos, desde projetos pop-up a projetos comissariados, que foram apresentadas em Luanda, Lisboa, Paris e Nova Iorque. Estes projetos ocuparam espaços incomuns, como o semiconstruído Maianga Office Park, espaços institucionais, como a Galeria Banco Económico e o Instituto Camões de Luanda, e espaços temporários, como o prédio Palais Castilho em Lisboa.

O projeto ganhou visibilidade, apoiou o desenvolvimento de um mercado local e internacional, viabilizou a instalação da galeria num espaço permanente e a participação regular em feiras de arte. “A missão da MOVART é garantir que o mundo conhece a produção de artistas oriundos de países do continente africano e das suas diásporas”, destaca Janire Bilbao, a fundadora e directora da galeria. Desde 2017, a MOVART tem participado regularmente em feiras internacionais, tais como a 1:54 Contemporary African Art Fair (Nova Iorque), Scope International Art Show (Miami Beach), FNB Joburg Art Fair (Joanesburgo), London Art Fair (Londres), AKAA Fair (Paris), ARCOMadrid e ARCOlisboa.

“Quando abri a galeria em Luanda sabia que o programa teria de ser focado na internacionalização e na visibilidade dos nossos artistas, que são muitas vezes sub-representados ou até exotizados, no cenário artístico mundial”, prossegue a galerista. Atualmente a MOVART representa IhosvannyKeyezuaKwame SousaMário MacilauRita GT e Thó Simoes, e desenvolve projetos com outros artistas. Com este grupo de artistas e com recurso a diferentes modelos de colaboração, a galeria procura promover a amplitude de atuação, as múltiplas esferas e representações, que hoje enquadram o universo de produção artística das diásporas africana e lusófona.

O impacto positivo da participação da galeria na edição de 2019 da ARCOlisboa, no contexto do África em Foco, que teve a curadoria de Paula Nascimento, foi determinante na decisão de Janire Bilbao de investir em Portugal. A MOVART instalou-se em Lisboa em maio de 2019 e tem operado nos formatos pop-up e showroom. O contexto de crise pandémica e a consequente retração económica, não desmotivaram a galerista de inaugurar o seu novo espaço e programa, que passa a articular Lisboa e Luanda.

“Esta nova fase da galeria permite para dar continuidade ao nosso trabalho e apoiar os nossos artistas, com abordagens de percurso mais sólidas e integradas. A MOVART Luanda passará a ser uma plataforma mais focada em projetos de residência artística e na descoberta de novos talentos, que depois poderão circular pela galeria de Lisboa e ser apresentados noutros contextos internacionais”, descreve Edna Bettencourt, diretora da MOVART Luanda.

No dia 31 de outubro, a MOVART abre portas no número 14A RC, da Rua João Penha, num edifício projetado pelo arquiteto Carrilho da Graça e que está localizado a poucos metros do Jardim das Amoreiras, do Museu da Água e do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva. O novo espaço vai também ampliar o circuito galerístico Rato-Amoreiras, que integra atualmente a histórica galeria Diferença, a italiana Monitor e a 3+1 Arte Contemporânea.

A galerista que trocou o direito pela promoção da arte contemporânea no continente africano

Janire Bilbao nasceu na cidade de Bilbao, na Espanha. Atualmente, vive e trabalha entre Luanda e Lisboa.

Bilbao formou-se em Direito, trabalhou como jornalista e em agências de comunicação e foi, precisamente, a atividade profissional que a levou até Luanda em 2011. Já a viver na capital angolana, trabalhou na organização do Palanca Parade, um projeto de cariz solidário que envolveu a participação de vários artistas locais. Esta experiência deu-lhe a oportunidade de acompanhar o então crescimento da cena artística angolana, de conhecer e estabelecer relações próximas com artistas, sobretudo da geração que emergiu e começou a angariar visibilidade, após a independência de Angola. Foi o trabalho destes artistas e o desejo de projetar os seus discursos no cenário artístico internacional que motivou Bilbao a fundar o projeto MOVART.

Em setembro de 2020, Bilbao foi nomeada pela Apollo – The International Art Magazine uma das pessoas mais influentes do continente africano, com menos de 40 anos de idade.

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MOVART Lisboa | Rua João Penha, RC 14A | 1250-131 Lisboa

MOVART Luanda
Avenida 4 de Fevereiro
Espaço Comercial Baía de Luanda
Luanda – Angola

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Encerrado às segundas, domingos e feriados.

Visitas por marcação.

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Para mais informações, por favor contacte:

Sílvia Escórcio | silvia.escorcio@thisiscuco.com | +351 91 368 36 45

gallery@movart.co.ao

24.10.2020 | par martalanca | angola, exposição, Ihosvanny, movart lisboa, movart luanda

Museu de Arte Antiga mostra inédito de Almada, a "pedra no sapato" do seu espólio

Uma peça inédita de grandes dimensões, considerada pela família de Almada Negreiros “a pedra no sapato” do espólio do artista, foi restaurada e vai poder ser vista pelo público, a partir desta quinta-feira, no Museu Nacional de Arte Antiga.

Estudo em fio dos painéis de São Vicente (título atribuído)© Direitos reservadosEstudo em fio dos painéis de São Vicente (título atribuído)© Direitos reservados

Depois de 80 anos guardada no antigo atelier de Almada Negreiros (1893-1970) esta obra, datada de 1950, esteve nas mãos dos especialistas do Laboratório José de Figueiredo, em Lisboa, para ser restaurada, e tem como título atribuído Estudo em fio dos painéis de S. Vicente.

Guardada durante décadas a sofrer a degradação do tempo, tem quase dois metros de altura e largura, e apresenta desenhos e reproduções fotográficas dos icónicos painéis do século XV, fios de algodão e arame, características únicas agora enaltecidas por um restauro e estudo aprofundado.

“Do espólio que nós temos na família, esta é capaz de ser a ‘pedra no sapato’ mais complexa, porque tem uma dimensão bastante grande, necessitava de um restauro multidisciplinar, e de um estudo paralelo. Reunia muitas condições que nunca tínhamos conseguido até hoje”, disse à agência Lusa Rita Almada Negreiros, neta do artista, em setembro, durante uma visita ao Instituto José de Figueiredo.

Os quinze painéis na Capela do Fundador (título atribuído)© Direitos reservadosOs quinze painéis na Capela do Fundador (título atribuído)© Direitos reservados

A partir desta quinta-feira, esta peça, inspirada nos Painéis de São Vicente, obra maior da pintura europeia do século XV, da autoria do pintor português Nuno Gonçalves, é exibida pela primeira vez no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, no âmbito de uma exposição que resulta de uma investigação desenvolvida por Simão Palmeirim e Pedro Freitas.

“Esta peça esteve desde os anos 1950 no mesmo sítio, pousada onde Almada a deixou, e foi-se degradando, sofrendo com o passar do tempo, o envelhecimento dos materiais, num atelier prefabricado em madeira, em Bicesse, que ainda existe, e, onde havia oscilações de temperatura, e de humidade”, relatou a neta do artista, sobre as condições do espólio.”

Para grande contentamento das netas de Almada - Rita e Catarina - que guardam o espólio do artista multifacetado, falecido em 1970, esta peça foi finalmente restaurada, e pode ser exibida ao público, num museu. Esperam ainda que possa ficar em depósito no MNAA, para sua própria proteção, e ser estudada pelos interessados.

Rita Almada Negreiros mostrou uma grande satisfação pela concretização do restauro, uma oportunidade conseguida, “graças ao Laboratório José de Figueiredo, à equipa multidisciplinar, e à exposição que se vai realizar no Museu Nacional de Arte Antiga”.

Também sublinhou a importância da realização de exaustivos estudos prévios, pelos investigadores Simão Palmeirim e Pedro Freitas, especialistas nas áreas de pintura, geometria e matemática: “Há vários anos trabalham sobre o espólio [de Almada Negreiros], e já conseguiram deslindar estes traçados geométricos, para fazer o restauro ponto a ponto para esta peça”. “Foram muitos anos de espera, e já quase tinha perdido a esperança”, disse à Lusa, emocionada.

José de Almada Negreiros - figura ímpar do modernismo português do século XX - aplicou-se, ao longo da vida, a uma grande diversidade de meios de expressão artística, desde o desenho e a pintura, mas também o ensaio, romance, poesia, dramaturgia, e até o bailado.

Esta peça, que é agora exibida pela primeira vez, tem a particularidade de ter sido inspirada pelos Painéis de São Vicente, o políptico que fascinou Almada desde a primeira vez que a viu, de tal forma que fez um pacto com Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita para a estudarem até ao fim da vida.

Os outros dois artistas viriam a falecer em 1918, mas Almada continuou o seu propósito, e dedicou várias décadas à promessa, criando uma teoria para explicar os enigmas do conjunto de pintura antiga. Imaginou a disposição de mais de uma dezena de pinturas num só grande retábulo, que afirmava ter sido projetado para o Mosteiro da Batalha, resultando desses seus estudos uma vasta produção artística.

Estudo geométrico a propósito da obra Ecce Homo (título atribuído)© Direitos reservadosEstudo geométrico a propósito da obra Ecce Homo (título atribuído)© Direitos reservados

Rita Almada recordou que, infelizmente, devido ao seu estado, as peças não puderam ser exibidas na exposição antológica “José de Almada Negreiros - Uma Maneira de ser Moderno”, que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe dedicou, em 2017, com mais de 150 obras.

“Agora, vai ter um destaque especial na Sala do Teto Pintado do Museu de Arte Antiga”, disse, sobre a exposição que abre esta quinta-feira ao público, com o título “Almada Negreiros e os Painéis - um retábulo imaginado para o Mosteiro da Batalha”, com peças em que o artista apresenta a sua interpretação geométrica de várias pinturas do museu, entre as quais os próprios painéis de São Vicente.

Pela primeira vez, serão apresentadas duas obras de grande dimensão - uma de 1950 e outra de 1960 - completas, que aliam fotografia, desenho e materiais têxteis, e marcam momentos importantes da pesquisa de Almada, bem como alguns estudos preparatórios do artista.

Esta exposição é complementada por uma outra, dedicada ao mesmo tema, no próprio Mosteiro da Batalha, a inaugurar, sob o título “Almada Negreiros e o Mosteiro da Batalha - quinze pinturas primitivas num retábulo imaginado”, e tem também como comissário Simão Palmeirim.

Artigo publicado originalmente no jornal Diário de Notícias a 15/10/2020

16.10.2020 | par martalanca | almada negreiros, cultura, exposição, museu de arte antiga, pinturas

ANDANDO EM TORNO DO SOL. MÁQUINAS, ARANHAS E CORSÁRIOS - curadoria de Eduarda Neves

Na mitologia grega, Europa, princesa filha de Agenor, rei da Fenícia, foi raptada por Zeus. Para evitar que Hera, a sua mulher ciumenta, soubesse, assumiu a forma de um touro branco de olhos azuis e deitou-se no prado enquanto Europa passeava com as suas damas de companhia. A princesa, encantada com a calma e o afecto do animal, aproxima-se e acarinha-o. Subitamente, o touro desata a voar raptando-a. Leva-a para Creta onde viveram desde então. Seja a história de um mito, que é também a história de um roubo, ou Eurasia de Beuys, é da complexa narrativa do Velho Continente que se trata: de uma Europa que foi roubada a uma Europa que roubou. Se na Idade Média uma das formas de exclusão seria a de embarcar os loucos em certos navios, foi no mar que os antigos navegadores procuraram a boa saúde que não encontravam em terra firme. Em comum têm esse parentesco, a possibilidade de ir e não voltar. Como limite entre a água e a terra, o embarque e o navio são figuras do além, a possibilidade de um dehors. Que intensidades encontramos, hoje, na Europa? Estaremos perante um modelo de repressão para as nossas máquinas desejantes que desinvestem no campo sócio-histórico? Como investir o desejo de força revolucionária e abandonar o homem superior, a gramática humanista de uma máquina de escrita envelhecida? Como destronar o Grande Império, o Grande Significante e manter a força activa do culto do erro, tal como Nietzsche chamou à invenção da arte? A libertação de Ariana, a aranha que mantém o fio no labirinto, supõe o apelo nietzscheano para que nos enforquemos com esse fio, ou seja, nos libertemos do ideal ascético, do disfarce moral. Manter a força activa do culto do erro, como chamou Nietzsche à invenção da arte e apropriarmo-nos do humor filosófico das Cartas Persas de Montesquieu, constitui a nossa “cozinha do sentido”. Sejamos Rica e Usbek, os persas imaginários desse livro prodigioso. Na mesma Terra mas com homens diferentes. A Terra gira em torno do Sol. E nós com ela, a ocidente e a oriente.

WALKING AROUND THE SUN. MACHINES, SPIDERS AND BUCCANEERS

In Greek mythology, Europa, a princess, daughter of Agenor, king of Phenicia, was kidnapped by Zeus. To prevent Hera, her jealous wife, from knowing about it, he took the form of a blue-eyed white bull and layed down in the meadow while Europa strolled with her ladies-in-waiting. Delighted with the calm and affection of the animal, the princess came close and caressed the bull. Suddenly, he grabed her and flew away, taking her to Crete where they lived since then. From the history of a myth, which is also the story of a theft, to Beuys’ Eurasia, it is the complex narrative of the Old Continent which is presented to us: from a Europe that was stolen to a stealing Europe. If in the Middle Ages one of the forms of exclusion would be to embark the madmen on certain ships, it was at sea that the old navigators sought the good health that they could not find on land. In common they have this kinship, the possibility of going and not returning. As a boundary between water and land, boarding and ship are figures of the beyond, the possibility of a dehors.Which intensities do we find in Europe today? Are we facing a model of repression for our desiring machines that disinvest in the socio-historical field? How to invest the desire for revolutionary force and abandon the superior man, the humanist grammar of an aged writing machine? How to dethrone the Great Empire, the Great Significant, and keep with the active force of the cult of error, as Nietzsche called the invention of art? The liberation of Ariana, the spider that holds the thread in the labyrinth, supposes the Nietzschean appeal that we hang with this thread, meaning that we free ourselves from the ascetic ideal, from moral disguise. To keep the active force of the cult of error, as Nietzsche called the invention of art, and to appropriate the philosophical mood of Montesquieu’s Persian Letters, is what constitutes our “kitchen of sense.” Let us be Rica and Usbek, the imaginary Persians of this prodigious book. On the same Earth but with different men. Earth rotates around the Sun. And we spin with it, west and east.

CASA DO INFANTE | INFANTE´S HOUSE | Porto | Inauguração | Opening | 13.09.19 | 18H

5 pm [13.09_13.10.19]    

07.09.2019 | par martalanca | exposição, máquinas, porto, sol

Exposição “Conexões Afro-Ibero-Americanas” até 7 de maio

Esta mostra conta com a presença de 63 importantes autores, oriundos de África (Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e Príncipe), Península Ibérica (Portugal e Espanha) e continente americano (Brasil, Chile, Argentina e Cuba), que são exemplo: Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Salvador Dalí, Pablo Picasso, Joan Miró, Malangatana, Wifredo Lam, Marcelo Grassmann, Fernando Botero, Eduardo Nery, Mito, entre tantos outros.

É uma iniciativa da UCCLA, com curadoria de Cabral Nunes, a exposição está organizada em três núcleos em torno de núcleos dedicados aos temas “Autoritarismo, Ditames e Resistência”, “O Dealbar das Democracias” e “Presente Futuro”, para refletir sobre os percursos e conexões que a arte, produzida num contexto Afro-Ibero-Americano, tem registado, em especial a que foi materializada a partir da década de 1940, até ao presente. 

Autoritarismo, Ditames e Resistência: O primeiro momento expositivo integra obras de autores cujo trabalho começou a afirmar- se durante o período em que vigoraram regimes autoritários fascistas na Península Ibérica (Estado Novo 1933-74 e Franquismo 1939-75), nos países colonizados em África e durante as ditaduras militares que vigoraram na América Latina no decurso da Guerra Fria, que medeia o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Esse foi um período de enorme violência à qual a generalidade dos artistas se opôs, resistindo e enfrentando, através da arte, o jugo ditatorial.

O dealbar das democracias: Segundo momento expositivo, integrando obras realizadas no decurso (e após) os processos revolucionários de afirmação democrática na América Latina, África e também em Espanha e Portugal, onde a liberdade que se seguiu a décadas de repressão se fez sentir de modo particular no desenvolvimento artístico.

Presente-Futuro: Terceiro e último momento da mostra, procura apresentar a criação artística que se tem vindo a verificar na contemporaneidade, fruto de uma geração que, felizmente, não passou pelas agruras das gerações precedentes mas que, num contexto de mundo interconectado, enfrenta desafios de validação e identidade quiçá nunca antes observados no meio artístico. Esta geração de autores tem conseguido precisamente isso: a sua afirmação no contexto de democracias consolidadas ou das que ainda estão em processo de consolidação, não fugindo à responsabilidade de enfrentar os (novos) desafios colocados pela era da Globalização.

Horário: De terça a domingo, das 10 às 18 horas. Até 7 de maio de 2017

02.05.2017 | par martalanca | Afro-Ibero-Americanas, exposição

Exposição | Imbamba ya muhatu | Coisas de mulher

até 20 de Outubro no Centro Cultural Português LUANDA

A expressão “coisas de mulher” é muitas vezes usada para apontar questões supérfluas: cabelos, unhas, comidas. Uma expressão que deliberadamente torna tudo supérfluo retirando elementos do mundo ao remetê-los ao espaço de intimidade das mulheres. Contudo, ao colocarmos essas mesmas questões de volta ao mundo (re) encontramos contextos políticos, económicos e sociais que as estruturam. Desde a construção histórica do feminino e do papel social da mulher ao seu lugar social ou à feminização do trabalho doméstico. Mas bom, estas não são mais coisas de mulher, pois não? O espaço de intimidade feminina para que são remetidas as unhas, os cabelos e as comidas são também o espaço social que a mulher ocupa.O circuito económico do cabelo que usamos e as noções de beleza que os acompanham não fazem parte desse espaço; senão por imposição, ainda que através de subtis mecanismos, estes sim do âmbito da intimidade entre mãe e filhas, tias e avós, onde se aprende a ser mulher, a cuidar, a não reclamar do trabalho doméstico e a fazê-lo bem.

Esta exposição pretende trazer para o espaço público da exposição algumas coisas de mulher e questionar o espaço que estas coisas ocupam através do trabalho de duas artistas. Keyezua, artista angolana e Wura-Natasha Ogunji, artista nigeriana. Ambas as artistas trabalham temas como o corpo feminino e a construção social da mulher. Wura e Keyezua têm ainda em comum a prática da performance, prática que pelas suas próprias características já coloca o corpo no centro da acção e do debate. Nesta exposição a performance será central para contextualizar os debates que as suas obras abordam oferecendo uma nova camada de interpretação e discussão sobre os temas propostos. 
Artistas:
Wura-Natasha Ogunji
Conhecida pelos vídeos em que usa o seu próprio corpo para explorar noções de movimento e de impressão em água, terra e ar. A sua mais recente série de performances intitulada ‘Mo gbo mo branch/I heard and I branched myself into the party’ explora a presença da mulher no espaço público em Lagos, Nigéria. Oguji já foi congratulada com uma série de prémios, incluindo o John Simon Guggenheim Memorial Foundation Fellowship (2012) e apoios do Idea Fund, Houston (2010), e do Pollock-Krasner Foundation (2005). Ogunji já apresentou o seu trabalho no Centro de Arte Contemporânea (Lagos), The Menil Collection (Houston) e a Fundação Pulitzer para as Artes (St. Louis). Licenciou-se em Antropologia pela Stanford University, Palo Alto, CA, em 1992 e um MFA em Fotografia pela San Jose State University, CA, em 1998. Ela vive entre Austin e Lagos.
Keyezua
Licenciada pela Real Academia de Artes em Haia, Holanda. ‘’Desde pequena fui a criança desobediente em casa, mudando as coisas para mostrar os meus sentimentos e de forma a provocar reacções. É algo que não desapareceu com os anos, cresceu em mim e tornei-me alguém que interage com questões humanas expondo-as para criar espaços de debate ou para uma segunda opinião da minha audiência. A minha arte entre o expressionismo, surrealismo e pan-africanismo. Gosto de definir-me como uma contadora de histórias.’’
Curadora
Suzana Sousa
Curadora e crítica de arte independente. Trabalhos recentes: 2015, co-curadoria com Bruno Leitão da exposição Love Me Love Me Not: Arte da colecção Sindika Dokolo na Biblioteca Almeida Garreth, Porto, Portugal; 2014, co-curadoria do projecto Sights and Sounds, Global film and Video no The Jewish Museum, Nova Iorque, EUA e curadoria de Tipo Passe, exposição de fotografia de Edson Chagas, em Luanda, no IC-Centro cultural Português. Trabalhos publicados em Contemporary&; Art+Auctions (NY) and Arterial Network/ Arts in Africa. Mestre em estudos culturais pela Goldsmiths College, Universidade de Londres e doutoranda em Antropologia pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, com o projecto de pesquisa ‘Da nacionalização da arte em Angola. Contextos políticos da constituição da categoria de arte angolana.’

14.10.2016 | par marianapinho | Coisas de Mulher, exposição, Keyezua, Wura-Natasha Ogunji

"Fuckin' Globo!"

A exposição colectiva “Fuckin’ Globo!” reúne um conjunto de artistas multidisciplinares que exibem obras envolventes e no limiar da disrupção no mítico Hotel Globo, âmago incontornável da vida cultural da baixa de Luanda.

Em “Fuckin’ Globo!”, o espaço expositivo está intimamente tecido ao conceito das obras desenvolvidas pelos artistas, gerando um uníssono das várias intervenções. Na intimidade dos quartos e num ambiente quase claustrofóbico, as obras exibidas funcionam como uma metáfora da inconformidade de viver num planeta profundamente caótico em constante estado de mutação.

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The collective exhibition “Fuckin’ Globo!” is an assemblage of multidisciplinary artists, where works will be displayed in an engaging and borderline disruptive form at the mythical Hotel Globo, a pivotal building on Luanda’s downtown cultural life.

On “Fuckin’ Globo!” the space of the exhibition will be an inseparable part from the general concept of the works being shown, generating an unison from the various interventions. At almost claustrophobic environment and within the intimacy of the rooms, the purpose of the works displayed is to set a metaphor on the unconformity set to all of us living in an environment submersed into a chaotic and advanced state of mutation.

29.06.2016 | par martalanca | artistas angolanos, exposição, Fuckin' Globo!, Globo

Exposição da escultura Makonde e pintura Tingatinga

Exposição em memória de Robert Jakobo, escultor tanzaniano de raízes moçambicanas, que se irá realizar na Polónia (Muzeum Podróżników im. Tony`ego Halika).

13.04.2016 | par claudiar | arte africana, escultura, exposição, pintura

Kiluanji Kia Henda expõe na Polónia, Suiça e Itália

A exposição “After Year Zero” inaugura a 12 de Junho, no Museu de Arte Moderna de Varsóvia. Conta com a participação do artista Kiluanji Kia Henda. É a segunda parte de um projecto curatorial com a instituição Haus der Kulturen, Berlim, que reflete sobre o período de descolonização após 1975, através de vários meios artisticos, como o video, fotografia, pintura e instalação.

Redifining the powerRedifining the power

Henda apresenta um tríptico fotográfico do trabalho “Redifining Power” (com a colaboração de Miguel Prince), parte integrante da série “Homem Novo”. As imagens exploram o poder da representação na esfera pública, quando um personagem vivo se torna uma escultura e se apropria de pedestais deixados vazios no passado colonial. Com curadoria de Annett Busch e Anselm Franke, a exposição, que será documentada e publicada em livro, interroga a construção da história como narrativa, e as discussões em torno do termo “Universalismo”, utilizado para sustentar imaginários na política e na construção da ordem global.

Outros artistas presentes na exposição (concebida e desenhada desde há 3 anos em oficinas de arte e discussões em cidades como Algiers, Dakar, Paris e Joanesburgo) são: John Akomfrah, Kader Attia, Balufu Bakupa-Kanyinda, Kudzanai Chiurai, Jihan El-Tahri, Theo Eshetu, Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, Ruy Guerra, Walter Heynowski and Gerhard Scheumann, Małgorzata Mazurek, Sana na N’Hada, Daniel Kojo Schrade, para citar alguns. O trabalho de Kiluanji Kia Henda é destacado pelos curadores como “uma linha de voo em direção a um futuro que deverá ser inventado, mais do que esperado”.

 

Escultura em Zurique

Kiluanji Kia Henda foi convidado para o Festival de Arte Pública AAA (ART ALTSTETTEN ALBISRIEDEN) em Zurique, Suíça, que começou a 13 de Junho. Áreas específicas da cidade recebem intervencões de cerca de 30 artistas que criam, questionam e reflectem sobre o habitat urbano e desdobram as meta-narrativas reais ou mágicas latentes nesse mesmo espaço.

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13.06.2015 | par martalanca | arte comporânea, escultura, exposição, kiluanji kia henda

"Além Margem(s)" - Exposição na Plataforma Revólver

Délio Jasse | Eustáquio Neves | Francisco Vidal | Kiluanji Kia Henda | Mauro Pinto | Mónica de Miranda

ALÉM MARGEM(S)

Délio Jasse ©Délio Jasse ©

Curador: André Cunha e Carlos Alcobia

Plataforma Revólver
26 Setembro - 2 Novembro 2013 (Terças a Sábados | 14:00 to 19:00)

“O malabarista é uma síntese do conceito de território. É alguém queadministra três objetos num território para apenas dois.” – Cildo Meireles

O que significa hoje: território, transgressão, síntese?

Caminhando sucessivamente entre margem e centro, o malabarista é um indivíduo em permanente transgressão. Opta por habitar territórios em disputa, criando movimentos nascidos no dissenso, e ensaiando essa transgressão. Nas suas mãos os elementos não repousam, mantendo-se em constante movimento e permanentemente reequacionando as relações que estabelecem entre si.

“Além margem(s)” pretende evidenciar a importância da transgressão na síntese do conceito de território. Sintetizar esse conceito é, antes de mais, questionar uma só perspetiva, quando efetuada a partir de um centro, e forçando a outros deslocamentos que emanem também das margens. Os trabalhos aqui reunidos trazem-nos outros olhares, outras perspetivas, outros caminhos. Um trânsito construído por objetos, e que enquanto circulam por entre as mãos do malabarista, nos permitem também alcançar outro entendimento sobre o conceitode território.

Délio Jasse, Eustáquio Neves, Francisco Vidal, Kiluanje Kia Henda, Mauro Pinto e Mónica de Miranda, são os artistas que participam neste projeto expositivo com curadoria de André Cunha e Carlos Alcobia.

“Além Margem(s)” é produzido pela XEREM, conta com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio à produção das obras da Fineprint.

Informações e contactos:
www.xerem.org | www.alem-margem.xerem.org | geral@xerem.org
www.transboavista-vpf.net/ | plataformarevolver@gmail.com | 21 343 32 59

18.09.2013 | par herminiobovino | colagem, exposição, fotografia, pintura

a Pequena Galeria - Salão #1 (Inauguração)

Salão #1 (Inauguração)


“a Pequena Galeria” abriu ao público na quinta-feira dia 21 de Março com a exposição Salão #1 (Inauguração) apresentando obras de Ágata Xavier, António Júlio Duarte, Augusto Cabrita, Carlos M. Fernandes, Carlos Oliveira Cruz, Céu Guarda, Filipe Casaca, Guilherme Godinho, Jordi Burch, José Cabral, José M. Rodrigues, Mário Cravo Neto, entre outros.

“a Pequena Galeria” é um projecto colectivo que ocupa um pequeno espaço de exposição, informação e comercialização de arte, tendo a fotografia como interesse preponderante. Pretende ser um lugar diferente, à procura de novas fórmulas de produção e distribuição, atento às actuais condições do mercado e decidido a promover o coleccionismo.

Os seus fundadores - Carlos M. Fernandes, Guilherme Godinho, Carlos Oliveira Cruz, Alexandre Pomar, Bernardo Trindade, Luís Trindade e Ágata Xavier - associam diversas experiências e relações com a arte e a fotografia, nos campos da criação, da crítica e investigação, da edição e também nas áreas do comércio livreiro e da realização de leilões.

O nome que escolhemos recorda a história e a ambição de The Little Galleries of the Photo-Secession, a galeria fundada em 24 de Novembro de 1905 por Alfred Stieglitz e Edward Steichen.

A inauguração decorre nos dias 21 (18-21h.), 22 (18-24h.) e 23 (16-21h.) de Março.

Horário da galeria (a partir de dia 27 de Março):
Quarta - Sexta: 18:00 - 20:00
Sab: 16:00 - 20:00
Endereço | Avenida 24 de Julho 4CLisbonPT.
Tel. | 218 264 081
facebook

23.03.2013 | par herminiobovino | exposição, fotografria, galeria, lisboa

No Fly Zone. A ironia pós-colonial é plástica

Um ditado popular africano diz que “enquanto o leão não tiver os seus historiadores, a glória vai sempre para o caçador”. A nova geração que cresceu na Angola independente revela com filmes, telas e galinhas empalhadas como o leão sempre teve uma história por contar. Os seis artistas angolanos chegam ao Museu Berardo em Lisboa com uma primeira preocupação de dialogar com os antigos imperadores. O entrave a derrubar é o que descrevem como a “amnésia europeia sobre o passado colonial”. “Finalmente chegou o tempo de tirar a máscara”, diz-nos Fernando Alvim, curador, a par de Suzana Sousa, da exposição “No Fly Zone. Unlimited Mileage”.

“Thirteen Hours”, Binelde Hircam“Thirteen Hours”, Binelde Hircam
Yonamine, Kiluanji Kia Henda, Edson Chagas, Binelde Hyrcam, Nástio Mosquito e Paulo Kapela (ausente na apresentação) são os artistas que representam a emergência de uma nova geração em Angola. A visão artística desta geração é sempre apresentada em contraste com o preconceito e a generalização ocidental. “Os europeus criaram a sensação de que têm o direito de desenhar os países africanos à sua imagem”, indica Fernando Alvim. As obras apresentadas antecipam o que vai ser a terceira trienal de arte em Luanda. Apesar de serem criações destinadas a uma apresentação específica, a curadora Suzana Sousa lembra que “isto são artistas mais preocupados com um discurso internacional que uma questão angolana”.

“No Fly Zone. Unlimited Mileage” ocupa o primeiro espaço do piso 0, sendo o vídeo O.R.G.A.S.M (Organization Of African States for Mellowness) a nossa primeira introdução à ironia pós-colonial. O autor Kiluanji Kia Henda desconstrói a realidade aparente, tornando o africano o beneficente do europeu. A segunda peça de Kiluanji serve de mote à nova geração. Uma sessão fotográfica mostra as antigas estátuas coloniais de Camões e Afonso Henriques num pré-fabricado, enquanto os pedestais onde estavam ficaram vazios, como se a própria história tivesse estancado.

A maior peça da exposição é “Cara-Show” de Yonamine, composta por recortes de jornais que incidem no período de Angola comunista, em 1976. “No fundo, isto acaba por ser uma versão da história através das minhas recordações de Angola”, explica-nos o artista. Yonamine ao lado dos seus recortes tenta descodificar a simbologia da guerra e da emigração no vídeo Reichsparteitagsgelände. As temáticas de obsessão pós-colonial não conseguem deixar de esconder alguma frustração artística: “Por muito que tente sair desta onda, nunca vou deixar de ser um pós-colonial”, revela Yonamine.

Em “Thirteen Hours” uma galinha caminha pomposa com uma capa napoleónica, enquanto lidera uma turma de outras 22 galinhas empalhadas. Para Binelde Hyrcam, o enredo da humanidade reflecte-se em galinhas vaidosas que caminham em frente de pequenos caixões funerários. “Isto é uma reflexão sobre a falsa vaidade humana e a constante dualidade do poder com a morte”, explica o autor. Binelde não esconde a emoção de revelar ao Museu Berardo uma obra que mistura o funesto com o irónico. “Angola e Portugal estão muito próximos, este intercâmbio cultural seguramente vai ficar na historia”, promete o autor. Na mesma sala, Edson Chagas recupera por sua vez as máscaras que o curador Fernando Alvim pediu que desaparecessem. No primeiro retrato fotográfico, três homens estão com a cabeça tapada por sacos, afogados pelas suas próprias atitudes consumistas. No segundo, as máscaras estão sobre o homem contemporâneo, engravatado e africano.

O vídeo “My African Mind”, de Nástio Mosquito, fecha a exposição, fazendo a ligação com as desconstruções históricas de Kiluanji Kia Henda. As personagens da cultura popular, como Tarzan, Tim Tim ou o filme “The African Queen”, de John Huston, são apresentadas como a visão europeia de uma África ainda desconhecida. “Sem terem visitado o continente africano, os europeus têm logo à nascença uma associação com sida e fome”, explica Nástio, acrescentando que espera “criar uma dúvida nas pessoas no que diz respeito às suas referências populares a África”. O objectivo não é apontar o dedo acusador, mas criar uma plataforma de introspecção e diálogo. “My African Mind” esteve na Tate, em Londres, e agora encontra o seu melhor alvo no público português. “Os portugueses precisam de interagir com África de outra forma, o diálogo tem sido pobre, tem de haver alguma mudança”, apela o artista.

fonte

25.02.2013 | par herminiobovino | angola, exposição, fotografia, lisboa, serigrafia, video

Luanda de Baixo para Cima

Uma exposição onde se apresentam dois projectos de investigação desenvolvidos por Paula Nascimento, Stefano Rabolli Pansera e Paulo Moreira sobre o potencial urbano dos musseques de Luanda, procurando estimular o debate sobre práticas alternativas de planeamento na capital de Angola. A exposição integra material produzido no âmbito da Beyond Entropy Angola (representação oficial angolana na Bienal de Veneza 2012) e da viagem do Prémio Fernando Távora 2012 (atribuído pela Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte).


Rua do Esteiro 82, 4300-174 Porto
web, web2

21.10.2012 | par herminiobovino | exposição, fotografia, Luanda, porto

Os Africanos em Portugal, História e Memória - Séculos XV-XXI

Convite | Exposição “Os Africanos em Portugal: História e Memória”, no ISEG.
Local | Átrio da Biblioteca do ISEG.

De 15 de Outubro a 9 de Novembro.

2ª a 6ª feira das 9h30 às 23h.
Sábado 9h30 às 17h.

Entrada livre.
Rua do Quelhas, 6 - Lisboa.

12.10.2012 | par herminiobovino | africanos em portugal, exposição, história de áfrica, lisboa

Exposição de Yonamine, 18 de julho, Salzburgo

Yonamine works with painting, drawing, graffiti, photography, video, and other media such as tattooing and brings them together in installations that fill entire rooms. As a whole, we might describe Yonamine’s works as diaries or even archeological research. He unites a series of situations that oscillate between the past, the present, and a possible future, offering a concept of time that escapes limitation. Like the language of a Reggae DJ, his work brings to mind the concept of rewinding, of a close tie to the past, while being based in the present.
The way he constructs his works (like a puzzle) and their process of random accumulation and fragmentation can tell us a great deal about our own situation, how we all have fragmented identities, like broken mirrors. Constantly versatile, fragile identities that are subjected to many different types of violence.
Yonamine is presenting a selection of his most important pieces from recent years at the Salzburger Kunstverein for the first time in Austria. He is also developing a large-scale installation for the Salzburger Kunstverein’s Main Hall.

Yonamine was born in Luanda, Angola, in 1975. He lives and works between Lisbon and Luanda. Initially due to the Angolan war, and nowadays according to his own will, Yonamine lived in constant move between Zaire (present Democratic Republic of Congo), Brazil, Angola, Portugal and the United Kingdom. He has participated in several international exhibitions, among them the 29ª Bienal de São Paulo, 2010; the 9. Sharjah Biennial, 2009; the 10. Havana Biennial, Kuba, 2009; “Transverse”, Centro Atlantico de Arte Moderno (CAAM), Las Palmas, 2008; “Check List Luanda Pop”, 52. Biennale di Venezia Biennale, Afrikanischer Pavillon, 2007; “Replica and Rebellion”, Museum of Modern Art of Bahia, Salvador, 2006.

Inauguração 18 de Julho, 20h.
SALZBURGER KUNSTVEREIN Künstlerhaushellbrunner StraBe 3, Salzburg, Austria.

Imprensa | Press preview
Quarta, 18 Julho, 11hWednesday, July 18, 11am
Inauguração | Opening
Quarta, 18 Julho, 20hWednesday, July 18, 8pm
Conversa com o artista | Artist talk
Quarta, 19 Julho, 20hThursday, July 19, 8pm

17.07.2012 | par candela | exposição, Salzburgo, yonamine

Coletiva Para Além da História | 24 de junho a 30 de Dezembro | Guimarães

CENTRO INTERNACIONAL DAS ARTES JOSÉ DE GUIMARÃES
24 JUN - 31 DEZ 2012
INAUGURAÇÃO: 
24 Junho às 10h30
 

Com curadoria de Nuno Faria, esta exposição patente na Plataforma das Artes que integra o Centro Internacional das Artes José de Guimarães faz dialogar, em organização temática e sob a forma de Atlas, as três coleções reunidas por José de Guimarães (arte tribal africana, arte pré-colombiana e arte arqueológica chinesa) com obras da autoria do artista e de outros artistas contemporâneos e com objetos do património popular, religioso e arqueológico da região. 

ARTISTAS: 
Daniel Barroca 
Fernando Marques Penteado 
Filipa César 
Hugo Canoilas 
João Maria Gusmão & Pedro Paiva 
Mattia Denisse 
Manuel Santos Maia 
Otelo Fabião 
Pedro A. H. Paixão 
Pedro Valdez Cardoso 
Rui Moreira 
Teixeira de Pascoaes 
Thierry Simões 

28.06.2012 | par joanapereira | artes, exposição, guimarães

Exposição: 'Expectations and Vacations' de Eugénia Mussa

Eugénia Mussa (Moçambique, 1978) apresenta numa loja desactivada Expectations and Vacations – uma série de pinturas a óleo sobre papel, produzida em 2012. Estas imagens marcadamente pictóricas, onde o acto de pintar se faz sentir, são de facto, originárias de uma recolha, levada a cabo pela artista, de registos banais de uma ocorrência (expectations and vacations). A figura inserida numa determinada paisagem, sobretudo exteriores intervencionados pelo homem (um campo de jogos, uma piscina, uma avenida ladeada por palmeiras); desenha um território, mais ou menos evidente mais ou menos maioritário, que nos é sugerido pelas acções (os desportos, as cheerleaders, as graduações,  etc.) que nele vemos representadas. No entanto, a morfologia destas  imagens é feita da própria história e anatomia da Pintura,  convocadas  a várias instâncias neste corpo de trabalho.
Veja aqui a exposição online.
Exhibition venue: Rua Nova da Piedade 97, Lisboa, Portugal 

13.06.2012 | par joanapereira | exposição, lisboa, Moçambique