Cosmos, espetáculo das autoras de "Aurora Negra"

Cosmos

23 jun - 3 jul 2022

qua - sáb, 19h > dom, 16h

Sala Garrett, D.Maria II

O que existiu, existe e existirá.

Cosmos é a segunda parte de uma trilogia em construção. Uma viagem interplanetária, onde se procura um tesouro para a criação de um novo mundo. Nesta viagem, será impossível não questionar a humanidade e o caminho percorrido até aos dias de hoje. Uma jornada de onde se extrapolam diferentes futuros possíveis. Do individual ao coletivo, do micro ao macro, este espetáculo tem a intenção de aprofundar as mitologias que circundam a criação do mundo. Uma epopeia onde o tempo e o espaço se confundem, dando origem a uma sobreposição de acontecimentos reais e/ou ficcionais.

Através do resgate da mitologia africana e da sua mistura com mitos europeus, Cosmos projeta-se num horizonte afrofuturista, enquanto questiona se somos apenas frutos das histórias que nos contam. Todo o Griot carrega como destino não deixar morrer a sua história.

direção artística e criação Cleo Diára, Isabél Zuaa, Nádia Yracemacom Ana Valentim, Ângelo Torres, Bruno Huca, Cleo Diára, Isabél Zuaa, Luan Okun, Mauro Hermínio, Nádia Yracema, Paulo Pascoal, Vera Cruzconsultoria artística Welket Bunguéapoio à dramaturgia Melissa Rodriguesapoio à criação Mário Coelho, Inês Vazmúsica original Nuno Santos (Chullage), Carolina Varela, Yaw Tembecenografia Tony Cassanellivídeo Felipe Drehmerfigurinos Eloísa D’Ascensão, Mónica Lafayette
fotografia e design de imagem de cartaz Marco Maiato
administração Cama A.C Daniel Matos, Joana Flor Duarteprodução executiva Maria Tsukamoto produção Cama A.Ccoprodução Teatro Nacional D. Maria IIresidências artísticas O Espaço do Tempo, Teatro Viriato

Sessão com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e Conversa com artistas após o espetáculo

26 jun > dom, 16h

Sessão com Audiodescrição

3 jul > dom, 16h


10.06.2022 | par Alícia Gaspar | afrofuturismo, aurora negra, cleo diára, coletivo, cosmos, Isabél Zuaa, mitologia africana, Nádia Yracema, teatro, teatro dona maria

CONDOMÍNIO – Propositário Azul

Um espetáculo criado com a comunidade, sobre cidadania, sobre pertença a lugares, sobre consciência política e sobre o conflito endémico entre interesses individuais e coletivos. A aparente austeridade funcional, balofa e monótona, de uma reunião de condomínio tolda uma variedade de acontecimentos e de revelações de natureza intrinsecamente teatral que este projeto propõe desmontar e expor.

As consequências podem ser sérias e provocar o riso ou a lágrima, ou perturbar convicções religiosas e políticas, mais ou menos enraizadas. O divertimento teatral surge dum amargo de boca e encontra reflexos na comédia negra, no thriller psicológico, no romance de faca e alguidar ou “telenovelístico”, e na tragédia. Neste Ágora, com paredes e teto, revela-se o que há de autêntico e de autorrepresentado nos indivíduos, expõem-se contradições, idealizações, a bondade e a rudeza, o cinismo, o desejo, a solidão, o egoísmo, os vazios da alma, os dogmas e os preconceitos. É um espaço para o debate e para a entreajuda, para o conflito aberto e para a resolução de tarefas banais, mas também para os “big statements” épicos.

“Condomínio” é a microescala da ação política e da praxis republicana. É o lugar de confluência da ação de natureza pública e do que é da ordem do privado, o lugar da organização social em que se manifestam, de forma explícita, as relações entre vontade e o dever. Nas reuniões de condomínio podemos observar um conjunto de interações humanas em que interesses individuais se disputam sob o plano da gestão do bem comum. A dimensão cívica e política dessas relações entra em confronto com a familiaridade entre as pessoas, com a banalidade dos hábitos ou a irrelevância dos episódios diários que disputam o protagonismo dessas sessões. A pretexto deste formato, tudo pode acontecer: debates ideológicos, momentos fraternais, confidências, discussões acesas e passionais, defesa da honra, conversas via Skype, interrupções arbitrárias (o mundo que corre em paralelo, lá fora – a vida da casa, o gato de estimação, os filhos, o telefonema do emprego, o atraso por causa do trânsito, etc.), discursos galvanizados, afirmações morais. É uma reunião que radiografa o corpo social expondo uma visão crua das complexas articulações que comandam os comportamentos e as interações humanas.

No Centro Cultural Malaposta, Rua Angola, 262O-492 Olival Basto.

Agenda

JUN 16 a 19

Qui a Sáb – 2OH3O
Dom – 16H3O

Auditório

12€ | Descontos aplicáveis

9O minutos

M/12

Bilhetes 

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propositário azul, associação artística foi fundada em 2003, reunindo um grupo de criadores nas áreas do teatro, artes plásticas, música e vídeo, com o intuito de se constituir como plataforma dinamizadora de projetos, promovendo a troca de experiências e a autonomia artística e profissional de criadores de sensibilidades diferentes. Os espetáculos teatrais criados até ao momento resultam duma atenção dada ao conhecimento da dramaturgia universal, num compromisso privilegiado com obras de escritores portugueses e lusófonos, ensaiando práticas de trabalho e de pesquisa dramatúrgica, escrita e rescrita de textos, adaptações, recolhas e interpretação de determinados contextos e realidades.

06.06.2022 | par Alícia Gaspar | cidade, comunidade, condomínio, consciência política, sociedade, teatro

[RE]CANTOS: Pontes para o Encontro

Candidaturas abertas nas artes performativas até 15 de junho

Residência Artística inclui Caminhada com cantos por ruas de Lisboa


Residência Artística Internacional [RE]CANTOS: Pontes para o Encontro, idealizada pelo L.A.P. - Laboratório de Artes Performativas em conjunto com Graziele Sena, recebe candidaturas até 15 de junho, com sessões de trabalho em Lisboa.

A residência internacional inédita em Portugal decorre entre 01 e 13 de agosto de 2022, com Caminhada por ruas do centro de Lisboa em 10 de agosto. Os artistas Gustavo Antunes, Julia Medina e Miriam Freitas fundadores do L.A.P.- Laboratório de Artes Performativas convidam a artista brasileira Graziele Sena, ex-integrante do Open Program of Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards, e mais 11 artistas a serem selecionados por convocatória aberta, cujas candidaturas são até 15 de junho.

A chamada dirige-se a atores, performers, bailarinos, cantores, encenadores, coreógrafos e investigadores das artes cénicas interessados pela exploração da voz, do canto, da palavra falada e cantada. É para quem quer explorar o canto e o cantar como vias para um encontro com o outro e para a potencialização da presença em cena.

A Residência parte de um trabalho sobre cantos tradicionais afro-diaspóricos – e do ato de cantar em grupo – compreendidos enquanto pontes para um encontro não só intercultural, mas também um encontro entre passado e presente, entre tradição e contemporaneidade. Trata-se de perseguir uma das perguntas fundamentais da investigação da artista Graziele Sena: podem a vida, a memória e a experiência preservadas no canto antigo serem (re)cantadas através de uma nova oralidade? Ao longo do processo, o canto será abordado em sua relação com diferentes elementos do ofício performativo: a atenção, o contato, a ação, a intenção, a ação física, entre outros.

Em [RE]CANTOS: Pontes para o Encontro, o teatro, o canto – e o cantar juntos – são veículos para a interação humana, para a integração social e para a valorização de culturas e narrativas historicamente estigmatizadas no Portugal contemporâneo. Propõe-se como um gesto artístico - ao mesmo tempo social e político - que visa criar um espaço coletivo de trabalho e escuta, bem como de estímulo ao convívio e ao encontro intercultural.

Esta iniciativa integra o Programa do IBERCENA e está aberta a todos os integrantes dos seus países-membros. A participação na Residência Artística é gratuita.

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L.A.P - Laboratório de Artes Performativas surge no início de 2020, em plena pandemia, a convergir interesses e esforços de seus fundadores Gustavo Antunes, Julia Medina e Miriam Freitas, no sentido de investigar, criar e promover projetos artísticos e pedagógicos na área das artes performativas. Em 2021, realiza a Residência Artística Entoar o Corpo Sensível com o apoio do IBERCENA, em sua primeira edição em Portugal, da Fundação GDA e do ICNOVA da NOVA de Lisboa. Sítio eletrónico do LAP.

03.06.2022 | par Alícia Gaspar | arte, cultura, graziele sena, IBERCENA, L.A.P, open call, teatro

Keli Freitas, Nádia Yracema, Raquel André e Tita Maravilha trazem Outra Língua ao D. Maria II

Uma criação de Keli Freitas, Nádia Yracema, Raquel André e Tita Maravilha, o espetáculo Outra Língua chega ao Teatro Nacional D. Maria II nesta semana, para ser apresentado na Sala Estúdio de 26 de maio a 12 de junho.

©Carlos Fernandes©Carlos Fernandes

A língua é portuguesa? Que língua falamos afinal? E a(s) nossa(s) língua(s), o que diz(em) sobre nós? Outra Língua é uma performance-conferência criada por mulheres de Angola, Brasil e Portugal onde, a partir da experiência de falantes de português de diferentes países, se procura questionar se a nossa língua mãe é a mesma e se, intervindo sobre ela, podemos alterar a realidade que a mesma descreve.

Uma criação conjunta de Keli Freitas, Nádia Yracema, Raquel André e Tita Maravilha, com texto de Keli Freitas e direção da mesma e de Raquel André, todas as sessões de Outra Língua contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição e legendagem para pessoas surdas integradas no espetáculo. No dia 5 de junho, domingo, haverá ainda uma conversa com as artistas após o espetáculo.

Uma coprodução do Teatro Nacional D. Maria II, do Teatro Viriato e d’O Espaço do Tempo, o espetáculo teve estreia nacional na passada sexta-feira, dia 20 de maio, no Teatro Viriato, em Viseu. Esta semana chega a Lisboa, para três semanas de apresentações no D. Maria II, a partir de quinta-feira, dia 26 de maio.

Informações aqui.

24.05.2022 | par Alícia Gaspar | cultura, Keli Freitas, língua, Nádia Yracema, Raquel André, teatro, Teatro Nacional D. Maria II, Tita Maravilha

Noites Brancas - 27 e 28 maio - Teatro Meridional

Noites Brancas 

de Fiódor Dostoiévski 
113ª Criação

Sob as noites claras de verão, um Sonhador perpétuo caminha solitariamente pelas ruas desertas de S. Petersburgo, alimentando, incessantemente, o seu imaginário com a energia que encontra na inanidade do que o rodeia. Esta comunhão onírica é subitamente interrompida quando, certa noite, este se depara com Nástenka, uma jovem rapariga que chora sob a ponte do rio Nieva. Depois de a salvar, oportunamente, de uma tentativa de abordagem por parte de um transeunte suspeito, ambos estabelecem uma ligação amistosa que descortina as estórias de duas vivências tão díspares, mas que ascendem numa atração mútua. Une-os uma espera inquietante, que virá a definir os seguintes encontros noturnos, carregados de revelações, ansiedades, sonhos, medos, e um confronto enigmático de paixões.

Dois actores, Flávio Hamilton (Sonhador) e Carina Ferrão (Nástenka), interpretam, assim, um jogo de suspensão, que coloca signos oníricos de uma dimensão poética em confronto com os cânones realistas da comunicação pragmática. Daqui, emerge, simultaneamente, a contracena com uma ausência de desígnios incertos, que traz uma sombra à brancura destas longas noites de verão.

Ficha Técnica        

Texto: Fiódor Dostoiévski 

Tradução: Nina Guerra e Filipe Guerra 

Dramaturgia e Encenação: Pedro Carvalho 

Assistência de Encenação: Samuel Pascoal 

Interpretação: Carina Ferrão e Flávio Hamilton 

Cenografia, Figurinos e Imagem de Cartaz: Marta Silva 

Criação Musical e Sonoplastia: Carlos Adolfo 

Desenho de Luz: Pedro Carvalho 

Execução Cenográfica: Marta Silva e José Lopes 

Costureira: Alexandra Barbosa 

Apoio ao Programa: Fundo Teatral Art’Imagem/C.M.M Micaela Barbosa e José Pedro Pereira 

Fotografia: Nuno Ribeiro 

Vídeo: André Rabaça 

Design Gráfico: Tiago Dias 

Produção: Sofia Leal e Daniela Pêgo 

Direção Artística do Teatro Art’Imagem: José Leitão

M/12
80M

20.05.2022 | par Alícia Gaspar | cultura, Fiódor Dostoiévski, noites brancas, teatro, Teatro Meridional

Entre Ideias e Reflexões — Podcast BUALA

Alícia Gaspar acompanha as diversas vozes críticas pós-coloniais através de entrevistas em formato podcast.

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No episódio de março, Alícia Gaspar conversou com a fotógrafa Alice Marcelino sobre comunidades negras, violência policial, e a celebração do cabelo. Bem como foram discutidos e explicados dois dos seus projetos: “Black Skin White Algorithms” e “Kindumba”. Podem acompanhar o trabalho de Alice Marcelino no seu website

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No episódio de Abril, Alícia Gaspar entrevista André Amálio e Tereza Havlíčková, fundadores e diretores artísticos da companhia de teatro Hotel Europa. Nesta conversa foram discutidos temas como o teatro documental, o rumo da companhia de teatro Hotel Europa, e a peça “Os filhos do Mal”. Oiça o episódio se quiser ficar surpreendido!

Acompanhe o trabalho do Hotel Europa em hoteleuropateatro.com

22.04.2022 | par Alícia Gaspar | alice marcelino, cultura, entre ideias e reflexões, fotografia, Hotel Europa, podcast, Portugal, teatro

O Fascismo Aqui (Nunca) Existiu!

27 de abril, às 21h

Sinopse

“O primeiro espetáculo de um tríptico teatral denominado “IDENTIFICAÇÃO DE UM (O MEU!) PAÍS” sobre a vida em Portugal nos últimos 70 anos, de 1945 até aos nossos dias. Esta primeira abordagem, a estrear em 2017, abarca o período que vai de 1945, ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial e em que nasceu a personagem, um homem que dá testemunho de como foi viver em Portugal nesses tempos, até à manhã do 25 de Abril de 1974.

Um olhar muito pessoal, uma revisitação, uma retrospetiva do quotidiano da(s) vida(s) de um português e dos portugueses, através de alguém que, intervindo ativamente na vida política, social e cultural do nosso país, interpreta com os olhos de hoje, as suas vivências pessoais e os acontecimentos nacionais e globais que o marcaram como pessoa e nos marcaram como povo.

Como o poeta, diz a personagem, VIVER PARA CONTAR. Histórias, umas verdadeiras (ou mais ou menos) outras inventadas do seu pequeno mundo, próprias, da sua família ou dos seus vizinhos da ilha do Porto em que habitou durante a sua infância e juventude, misturadas com a vida das personagens e heróis que conheceu nos seus primeiros livros e filmes, na telefonia onde o mundo (ainda que censurado) entrava em sua casa, a primeira que teve um rádio em todo o bairro, antes do aparecimento da televisão que o apanhou já rapazote, das notícias e acontecimentos que diariamente acompanhava pelos jornais e as longas conversas com os outros que lhe contavam o mundo”. O MUNDO EM QUE VIVI, vivemos!

Ficha Técnica e Artística

Texto, Dramaturgia, Direção e Encenação: José Leitão

Assistência de Encenação: Daniela Pêgo

Interpretação: Flávio Hamilton, Inês Marques, Luís Duarte Moreira, Patrícia Garcez e Susana Paiva

Direção Técnica, Desenho de Luz e Vídeo: André Rabaça

Direção de Movimento: Costanza Givone e Daniela Cruz

Música: Pedro “Peixe” Cardoso

Figurinos: Luísa Pinto | Espaço Cénico: José Lopes e José Leitão

Fotografia: Paulo Pimenta | Produção: Sofia Leal e Daniela Pêgo

Classificação etária | M/ 12 anos

Duração | 90 minutos (aprox.)

Lotação | 188 lugares (inclui quatro lugares para pessoas com mobilidade reduzida)

Preço de bilhetes | 7 € (preço normal); 5€ ( < 25 anos; pack familiar; profissional do espetáculo; + 65 anos; pessoas com deficiência). Aderentes Cartão CAES - dois bilhetes pelo preço de um normal.

Info e reservas | 91 461 69 49| geral@teatromosca.com

Morada: AMAS –Auditório Municipal António Silva

Shopping Cacém

Rua Coração de Maria, nº 12735-470 Cacém

16.04.2022 | par arimildesoares | Cacém, O Fascismo Aqui (Nunca) Existiu!, teatro

Marlene Monteiro Freitas regressa ao D. Maria II para mergulhar em clássico de Eurípides

Cinco anos depois de ter estreado Bacantes, Prelúdio para uma Purga no Teatro Nacional D. Maria II, a coreógrafa e bailarina Marlene Monteiro Freitas regressa à Sala Garrett com o espetáculo que mergulha neste clássico do teatro. A 13 e 14 de abril, quarta e quinta-feira, às 19h, será possível ver ou rever Bacantes, Prelúdio para uma Purga, o olhar de Marlene Monteiro Freitas sobre As Bacantes, de Eurípedes.

©Guidance©Guidance

No texto de Eurípides, estão presentes o delírio e o irracional, a ferocidade e o desejo de paz, a selvajaria e a aspiração a uma vida simples. Direções contraditórias, elementos que chocam, corpos íntegros que se desmembram e crenças testadas ao limite. Este é o mundo que Marlene Monteiro Freitas percorre em Bacantes, Prelúdio para uma Purga. Um autêntico combate de aparências e dissimulações, polarizado entre os campos de Apolo e Dionísio.

Estreado em Lisboa em 2017, Bacantes, Prelúdio para uma Purga é um espetáculo coproduzido pelo Teatro Nacional D. Maria II e por vários teatros e festivais europeus, que tem viajado internacionalmente nos últimos cinco anos. Cofundadora da estrutura de artes performativas P.OR.K, Marlene Monteiro Freitas recebeu recentemente o Chanel Next Prize, prémio internacional dedicado à inovação no âmbito das artes e da cultura, distinção que juntou ao Leão de Prata da Bienal de Veneza, que lhe foi atribuído em 2018.

Mais informações sobre Bacantes, Prelúdio para uma Purga aqui.

07.04.2022 | par Alícia Gaspar | arte, bacantes prelúdio para uma purga, cultura, eurípides, marlene monteiro freitas, teatro, teatro dona maria

Bolsas Jovens Criadores 2022

Até 15 de abril está aberto o concurso para atribuição de Bolsas de criação e/ou formação nas áreas de Artes Visuais e Artes do Espetáculo (Teatro e Dança).


Centro Nacional de Cultura e o Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P. promovem mais uma vez o concurso para atribuição das BOLSAS JOVENS CRIADORES.

Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo estimular o trabalho criativo dos/as jovens nas diversas áreas das Artes e das Letras, e dirige-se a candidatos/as residentes em Portugal, de idade não superior a 30 anos, que tenham já apresentado publicamente um trabalho na área em que concorrem.

A seleção destes jovens, a cargo de júris independentes convidados pelo Centro Nacional de Cultura, nem sempre é fácil devido ao grande número de projetos de qualidade apresentados anualmente. A aposta nos candidatos selecionados tem sido gratificante pelo excelente trabalho que desenvolvem e pelo indubitável contributo para o panorama cultural português.

Foram até hoje distribuídas mais de 200 bolsas, permitindo a muitos jovens consolidar as suas carreiras artísticas, tendo-se muitos deles distinguido na criação cultural e artística nacional.

As candidaturas deverão ser enviadas até ao dia 15 de abril, conforme regulamento disponível em www.cnc.pt

06.04.2022 | par Alícia Gaspar | artes do espetáculo, artes visuais, bolsas, centro nacional de cultura, dança, teatro

Maráia Quéri no TNDM II

Maráia Quéri de Romeu Costa e Marta Carreiras

16 fev - 6 mar 2022
qua - sáb, 19h30 > dom, 16h30 Sala Estúdio

Maráia Quéri. Filipe FerreiraMaráia Quéri. Filipe Ferreira

Quando um prazer nos faz corar.

A passagem do prazer à culpa é, muitas vezes, mais rápida do que se deseja. Mas há prazeres que não nos furtamos apenas porque censurados socialmente. Prazeres vividos em segredo. Prazeres não- aceites. E se esses prazeres virem a luz do dia? Em Maráia Quéri, o conflito interno instala-se quando paira sobre o gosto de um investigador em ciências sociais o receio da desonra ou do ridículo. Pode ele ter Mariah Carey como objeto de estudo? Pode ele gostar de Mariah Carey? Neste espetáculo, Romeu Costa e Marta Carreiras mergulham no universo musical da cantora norte-americana, que configurou uma mudança de paradigma no mundo da música dos anos 90, para investigar a liberdade com que nos permitimos gostar de algo. Através da confissão da sua vergonha, o investigador procurará “entendê-la” e entender-se, traçando, neste processo, um retrato de Portugal e da relação do país com o mundo. Numa conferência-performance que pisca o olho às famosas Ted Talks, o cientista fará acompanhar a sua comunicação pública por um conjunto de músicas que distam dos anos noventa até à atualidade, tendo sempre a vida de Mariah Carey como referente.

> Conversa com artistas após o espetáculo

27 fev > dom, 16h30

> Sessão com interpretação em Língua Gestual Portuguesa

27 fev > dom, 16h30

> Sessão com Audiodescrição

6 mar > dom, 16h30

Ficha artística

direção artística e interpretação Romeu Costa
assistência artística e direção plástica Marta Carreiras
texto Raquel S.
assistência de encenação Tadeu Faustino e Ana Bento
desenho de projeção José Freitas
desenho de luz Nuno Meira
assessoria musical Isabel Campelo e Filipe Melo
produção executiva Maria Folque
coprodução Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery apoio Teatro Meridional

A classificar pela CCE duração 1h30

07.02.2022 | par Alícia Gaspar | ciencias sociais, cultura, Maráia Quéri, teatro, tndm

Alkantara Festival arranca no sábado com quatro espetáculos no mesmo dia

Os primeiros dias do festival são marcados pelas criações de Cherish Menzo, Chiara Bersani, Clara Amaral e Faustin Linyekula.

Alkantara Festival – Festival Internacional de Artes Performativas, que este ano decorre entre 13 e 28 de novembro, arranca no próximo sábado (13 de novembro) com quatro espetáculos, que serão apresentados em quatro palcos lisboetas, nomeadamente da Culturgest, Centro Cultural de Belém (CCB), Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) e Teatro do Bairro Alto (TBA). O arranque do festival será assinalado pela festa de abertura Meio Fio, com curadoria de Cigarra, que se realiza no Estúdio Time Out (no Time Out Market), a partir das 21h00.

O primeiro momento do festival está a cargo da artista portuguesa Clara Amaral, que apresenta She gave it to me I got it from her na Biblioteca Palácio Galveias, nos dias 13, 14, 16 e 17 de novembro, uma coprodução do Alkantara com o Teatro do Bairro Alto e a Veem House for Performance (Amesterdão). Clara Amaral tem desenvolvido um trabalho feminista, interseccional e interdisciplinar para explorar o aspeto performativo da leitura e da linguagem. Nos dias 13 e 14 de novembro há sessões às 15h, 16h30, 18h30 e 20h. Na terça e quarta-feira, 16 e 17 de novembro, as sessões decorrem às 17h, 18h30, 20h30 e 22h. No dia 13 de novembro às 18h30 e no dia 16 de novembro às 16h30 as sessões terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
She gave it to me I got it from her, de Clara Amaral @The Book PhotographerShe gave it to me I got it from her, de Clara Amaral @The Book Photographer
Também com apresentação no primeiro dia do festival, a coreógrafa holandesa Cherish Menzo leva Jezebel ao CCB nos dias 13, 14 e 15 de novembro, às 19h. Aqui, a criadora e intérprete assume-se como protagonista de um universo musical controlado por homens, o hip hop, para desconstruir estereótipos associados ao corpo hipersexualizado da mulher. No dia 15 de novembro, após o espetáculo, haverá, na Black Box do CCB, uma conversa (falada em inglês) com Cherish Menzo e a rapper Chonk Kwong mediada pela tradutora, jornalista e ativista cultural angolana Carla Fernandes.

Jezebel, de Cherish Menzo @Bas De BrouwerJezebel, de Cherish Menzo @Bas De Brouwer

Já no Teatro Nacional D. Maria II, estará Chiara Bersani com Gentle Unicorn  de 13 a 16 de novembro (sábado, segunda e terça-feira, às 19h; domingo às 16h30). A artista italiana reflete sobre o significado político do seu próprio corpo, assumindo-se como agente na criação da imagem que o mundo terá dela. Após a sessão de domingo, dia 14, haverá na Sala Estúdio do TNDMII, uma conversa entre Chiara Bersani e a artista portuguesa Diana Niepce, com moderação de Carla Fernandes. A conversa será em inglês.

Gentle Unicorn, de Chiara Bersani @Alice BrazzitGentle Unicorn, de Chiara Bersani @Alice Brazzit

Ainda no primeiro dia do festival, às 21h00, já na Culturgest, dá-se o espetáculo de abertura oficial do festival, com o bailarino e coreógrafo congolês Faustin Linyekula. Linyekula, que em 2016 foi o artista convidado da Bienal Artista na Cidade, em Lisboa, estreia em Portugal História(s) do Teatro II, peça que revisita a nação congolesa nos anos 70 e a criação do Ballet National du Zaïre com três dos seus membros originais. O espetáculo pode também ser visto no sábado, dia 14 de novembro, às 19h00.

História(s) do Teatro II, de Faustin Linyekula ©Agathe PoupeneyHistória(s) do Teatro II, de Faustin Linyekula ©Agathe Poupeney

Uma festa de abertura repleta de performances

Na noite de sábado, 13 de novembro, o Time Out Market acolhe a festa de abertura da edição deste ano do Alkantara Festival, com curadoria de Cigarra (Ágatha Barbosa) e intitulada Meio Fio. Durante 5 horas, Meio Fio será mais do que uma festa ou pista de dança, assumindo-se como espaço performativo. O programa inclui música, performances, instalações e “degustações sinestésicas” preparadas por Cigarra, Jajá Rolim, Kurup, Jaçira, Eubrite, Muleca XIII, Judas, Paulo Fluxuz_, entre outros artistas. A festa acontece no espaço do Estúdio Time Out, entre as 21h e as 02h. A entrada é livre.

Até ao dia 28 de novembro, a programação do Alkantara Festival vai circular pelas salas dos habituais parceiros do festival, como o Centro Cultural de Belém, a Culturgest, o São Luiz Teatro Municipal, o Teatro do Bairro Alto e o Teatro Nacional D. Maria II, assim como pelo Espaço Alkantara, em Santos, e a Casa da Dança, em Almada.

Os bilhetes para os espetáculos, cujos preços variam entre os 7 e 16 euros, podem ser adquiridos nas bilheteiras, físicas e online, dos teatros parceiros. Há ainda várias atividades de entrada livre, como performances ou ensaios abertos. A programação completa encontra-se disponível no site do Alkantara Festival: https://alkantara.pt

11.11.2021 | par Alícia Gaspar | alkantara festival, arte, cinema, conversas, cultura, espetáculos, teatro

Largo da Peça, de Ana Andrade - Elinga Teatro I LUANDA

Dias 21, 22, 23, 28,29, 30 de Outubro, às 19 horas, no Elinga Teatro. E dias 4, 5, 10, 11, 18, 19 de Novembro, às 19 horas.

Sinopse

Esta peça situa-se numa época de transição política e social, logo após a Independência de Angola, num quintal da zona antiga, dos primórdios da colonização da cidade de Benguela. São protagonistas algumas mulheres unidas por laços de família alargada tradicional. Celebram o regresso de um filho há muito exilado e confrontam-se com dramas individuais e colectivos de seres humanos expostos, na sua fragilidade, à inexorabilidade histórica.

Autora

ANA ANDRADE. Nasceu em Benguela e viveu a maior parte da vida em Luanda, onde actualmente reside. Estudou História, , trabalhou no Arquivo Histórico de Angola e em outras áreas do Ministério da Cultura como produtora cultural. No teatro trabalhou como atriz no Grupos de Teatro Tchingange, Teatro Xilenga, Teatro del Disgelo e Elinga Teatro de que é membro fundador. Fez adaptação de textos teatrais e realização para teatro radiofónico para a Rádio Nacional de Angola, traduções literárias e produção cultural para várias instituições. A sua obra “Largo da Peça” foi premiada pelo Concurso de Textos de Dramaturgia, do Projecto “Leituras Assistidas” do Centro Cultural do Brasil em Angola em parceria com o Clube de Leitura da Mediateca do Cazenga, em 2021.

Coordenação e produção

ORLANDO SÉRGIO. Nasceu em Malange. Estudou teatro no Conservatório de Lisboa e participou como actor em variadas peças teatrais de grandes companhias e em muitos filmes portugueses e angolanos. Em 2001 retoma a atividade teatral no Elinga Teatro de que é membro fundador e em outras associações, trabalha teambém em cinema e televisão como actor. Entre os seus trabalhos mais significativos como actor estão: “Othelo” de William Shakespeare como protagonista, Dir. de Joaquim Benite; Woza Albert”; “Disputa”—Marivaux ,Teatro Trindade Dir. João Perry; “A Missão” de Heiner Müller, Teatro Cornucópia Dir. Luís Miguel Cintra; “Quem me dera ser Onda”—M. Rui Monteiro, Elinga Teatro, Dir. Cândido Ferreira, Premio melhor peça do ano e melhor actor; as séries Conversas No Quintal, “Minha Terra

Minha Mãe” TPA; “Caminhos Cruzados” Óscar Gil Produções. No cinema, “O Herói”, de Zezé Gamboa; “Corte de Cabelo”, de Joaquim Sapinho. Para além de actor, Orlando Sérgio é também produtor.

Encenação

JOSÉ MENA ABRANTES. José Mena Abrantes nasceu em Malanje. Estudou Filologia Germânica em Lisboa, e em 1967 começou a fazer teatro com o luso-brasileiro Luís de Lima, o português Fernando Gusmão e o argentino Adolfo Gutkin. Com este último fez na Fundação Gulbenkian, em 1969, Cursos de Actuação e Direcção Teatral. Em Frankfurt/Main, dirigiu em 1973 o grupo La Busca, e foi assistente convidado do argentino Augusto Fernandez.

De regresso a Angola, foi co-fundador do Tchinganje, primeiro grupo a apresentar uma obra de teatro na Angola independente (28/11/75), e do grupo Xilenga (1976-1980). Criou em 21/5/1988 o grupo Elinga-Teatro, que dirige até hoje. Publicou vinte peças de teatro (uma delas em co-autoria com o português Rui Zink, o cabo-verdiano Abraão Vicente e o brasileiro Ivam Cabral), três livros de ficção, três de poesia e vários estudos sobre o teatro e o cinema em Angola. Membro da UEA e membro fundador da Academia Angolana de Letras. Vencedor do Prémio Sonangol de Literatura de 1986, 1990 e 1994. Vencedor ‘ex-aequo’ do 1o Prémio de Poesia da Associação Chá de Caxinde e do 2o lugar do Prémio PALOP’99 do Livro em Língua Portuguesa (2000). Recebeu em 2006 o Diploma de Mérito do Ministério da Cultura de Angola pela sua “significativa contribuição ao desenvolvimento da dramaturgia em Angola”. Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2012, na categoria de Literatura.

ELENCO:

Personagens

Mãe
Tai
Michiko

Teresa Bombo

Filho

Cabral

Tropa 1

Tropa 2

Actores

Yolanda Viegas
Luzolo Amor de Fátima

Luz Feliz
Bernardete Mukinda

João Paulo Eleveny

Toke Esse
Madaleno da Fonseca

Honório Santos

Equipa técnica:

Encenação e cenografia - José Mena Abrantes

Produção e Direcção de Actores - Orlando Sérgio

Iluminação e som- Paulo Cochat

Figurinos e maquilhagem - Anacleta Pereira

–––––––––––––––––––––—

Texto de Filipe Correia de Sá sobre a peça

Filipe Correia de Sá é escritor e jornalista e autor do livro “Tala Mungongo”, 1995, adaptado ao teatro pelo escritor e dramaturgo José Mena Abrantes e levada à cena pelo Elinga Teatro.

A propósito de “Largo da Peça”, de Ana Andrade….

O Largo da Peça é referido com tendo sido a primeira praça da cidade de Benguela. Para ali convergiam as caravanas dos negociantes de cera, marfim e borracha provenientes de zonas tão distantes como o Bié. Bordejada por casas comerciais e de habitação de considerado prestígio, centro comercial por excelência, foi também ponto crucial na defesa da cidade com a instalação, no século XIX, do canhão crismado de peça no local que depois virou jardim, já no século XX .

A tudo quanto sabemos sobre este Largo junta-se agora esta peça em 3 Actos de autoria de Ana Andrade. Benguelense, ela própria.

Aqui já dá para entender a fluidez deste trabalho literário, porque só alguém que tenha vivido profundamente imersa na realidade desta urbe podia colocar, assim, nas luzes da ribalta, um microcosmos que desfila perante nós uma época, que faz pressentir outras, e suas gentes, usando os ingredientes mais comuns do quotidiano, incluindo a multidimensionalidade das personagens que dão corpo a esta história. Fora de um tempo histórico, mas aflorando- o, definitivamente emergindo das águas profundas da arte da escrita.

Esta peça, subtraindo-se à história, vive do “garimpo” da prodigiosa memória da Ana Andrade, aliada a um evidente talento literário.

O termo “garimpo” tomei-o emprestado a Luandino Vieira que, numa entrevista ao jornal O Globo (17.11.2017) afirmava: “tenho as minhas memórias para garimpar”. A professora universitária e investigadora brasileira Adriana Mello Guimarães, que o cita, define Luandino como uma “espécie de mineiro do tempo interno da consciência”. Atrevo-me a tomar de empréstimo este conceito e a aplicá-lo a Ana Andrade.

“A vivência da infância só se tornou tema literário com a modernidade”. Foi Proust quem o celebrizou na sua monumental obra “Em busca do tempo perdido”. E, como recomenda a professora Adriana Mello Guimarães, no seu ensaio “ Luandino Vieira: O Mineiro Angolano da Memória” (Ensaios – União dos Escritores Angolanos) “cumpre entender como Agostinho e outros filósofos depois dele, e a exemplo de Bergson e de Husserl, que o tempo da consciência é um fluxo contínuo, uma correnteza em que pulsam, simultaneamente, o que foi, o que é e o que está vindo a ser. Daí o sentido da memória como modo de presença do que não mais existe, de coisas e factos vividos que, embora pertencentes ao passado, fazem parte (tanto quanto as coisas e factos previstos, sonhados, planeados ou apenas imaginados e que ainda não existem) do mundo real que experimentamos actualmente”.

Muita gente irá reconhecer o quintal desta peça, as personagens que nela figuram e recordará o manancial de histórias que a Ana vem contando aos amigos, quase como ensaio, pré-escrita do que temos aqui e agora. Gente que testemunhará que estas vivências vêm da infância e (a) foram seguindo ao longo da vida, se foram acumulando, e a foram construindo, transformando-se na longa mina onde a Ana Andrade foi garimpar para se transformar na autora desta obra literária.

E ao decidir transpor esse material para o papel depois de garimpado e lapidado, dele extraindo as partes mais preciosas ou adequadas à sua escrita, várias coisas aconteceram, entre as quais:

1. O Largo da Peça é de novo convocado ao campo da consciência, de forma inédita, e, com subtileza, devolvido ao tempo histórico, com a preciosa ajuda de um roteiro musical que nos devolve vozes como a de Milá Melo ou de Belita Palma, Artur Nunes e até Nelson Ned. E para mostrar como esse tempo histórico é respeitado, neste quadro de invocação de uma época, a palavra à autora:

“É comum, é quase obrigatório, que nos quintais de Benguela, esteja desde manhãzinha um rádio a tocar. Liga-se o rádio assim que se começa a regar o jardim, às 6 da manhã…

Então, haverá um rádio no quintal da peça que transmite o emissor provincial de Benguela, em 1976. Há a voz do locutor que apresenta o programa, que pode talvez ser de “discos pedidos” e passa a música que elas ouviam naquele tempo. (O estranho é que ainda agora ouvem quase as mesmas músicas… Benguela onde o tempo parou…). A emissão da rádio faz-se mais, ou menos audível ao longo da acção da peça. Há momentos em que é a protagonista principal.” Disse tudo.

2. Do Largo da Peça é extraída uma parte da sua geografia, um espaço que é também o mundo onde habitam os nossos fantasmas, não os que aterrorizam mas os que acalentam, avisam, aconselham, segredam ao ouvido, lá no fundo, queridos fantasmas, os seres que amámos e que povoam a nossa memória, com carinho e, às vezes, até, com revolta, porque nos abandonaram ou nos foram retirados, pela vida, pelo tempo.

3. As personagens deste quintal são cada uma delas um pouco de muitos dos muitos que tantos passos deram aqui, tantas histórias ouviram e contaram, tantas gargalhadas lançaram sob os ramos das árvores frondosas que davam sombra e frescura aos convívios, que tantas lágrimas secaram e engoliram, tantos olhares cruzaram, cúmplices, enamorados ou fugazes.

4. E este espaço e estas gentes, se atentarmos bem, são fibra de Benguela. Uma cidade aberta ao mundo, como nos sugerem de forma positiva os nomes de Tai e de Mishiko, a evocar lonjuras orientais e, de forma negativa, a ausência de Cabral geograficamente longe mas emocionalmente demasiado perto. Aliás, esta peça, para quem quiser garimpá- la, é rica em homenagens, que a autora também dedica sem dúvida a todos aqueles, e muitos serão, que com ela conviveram, e a quem desafia a entrar no jogo de descobrir o que está escondido ou à vista de todos, por exemplo, no nome de Mishiko ou no de Teresa Bombo. Se juntarmos todos os quintais como este do Largo da Peça, como num puzzle, reconstruiremos a cidade e, também, as nossas próprias memórias.

5. E muita atenção ao choque, à mudança, aos novos tempos, que levaram ao golpe de asa da autora, no final da peça, num desfecho a que ela dá corpo e segura com a firmeza da sua escrita, porque é inevitável, mesmo que parte de si possa parecer desmoronar com o muro do quintal ou assistir impotente ao desespero que se pressente na morte de Tai e no turbilhão dos ventos dos novos tempos que arrastam Aloísio, Camenino e arrebatam Mishiko.

Nesta peça, o tempo é o presente, embora este espaço já não exista, acabou porque assim tinha que ser, mas também porque talvez tenha deixado de haver quem pudesse cuidar dele. Mas esta dúvida esvai-se porquanto este quintal, com tudo o que implica, humana e sociologicamente falando, persiste em ser presente porque a arte lhe dá corpo e alguém, afinal, decidiu cuidar dele, pela memória que a escrita garimpa.

O que passo a concluir é de minha lavra porque me aproprio do labor da autora:

- O “Largo da Peça em 3 Actos” é um aviso para que cuidemos do que amanhã vai ser passado, porque nada existe só no presente e porque o passado se torna por vezes tão presente que até dói.

- É uma homenagem de grande quilate à cidade onde nasceu e que a viu crescer.

- É uma magistral demonstração de que uma cidade, um largo, uma praça, um quintal e suas gentes que de tal modo inspiram alguém, como a Ana Andrade, merecem como gratidão, serem invocados pelo talento de quem cresceu no seu seio, como é o caso.

- À Ana Andrade toda a nossa gratidão por nos permitir perpetuar memórias, assim, através da literatura, mesmo quando as implacáveis mudanças inevitáveis parecem ameaçar a existência desses imensos espaços e tempos para garimpar.”

Filipe Correia de Sá
Luanda, 1 de setembro de 2021

21.10.2021 | par Alícia Gaspar | Ana Andrade, arte, cultura, estreia, largo da peça, teatro

Teatro do Vestido apresenta "Dentro do Arquivo"

Dentro do Arquivo
Uma criação do Teatro do Vestido
dentro do Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

um espectáculo inserido na programação de “O Outro como epifania do belo”

Foto ©SCMLFoto ©SCML

Sessões às 16h e 18h, dos dias 23, 24, 25 e 26 de Setembro
Largo Trindade Coelho
Marcações/informações Serviço de Públicos e Desenvolvimento Cultural Direção da Cultura da SCML 21 324 08 69/87/89 culturasantacasa@scml.pt 

Estreado em Setembro de 2018, integrando a programação “Hospitalidade”, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Dentro do Arquivo é uma performance em percurso, por lugares habitualmente inacessíveis. Como processo, a equipa do Teatro do Vestido trabalhou na investigação e análise do arquivo da Santa Casa da Misericórdia. Depois do trauma da destruição dos arquivos iniciais da instituição no terramoto de 1755, a consciência da importância da memória e da preservação do arquivo instalou-se. Hoje, o arquivo da Santa Casa da Misericórdia fornece-nos um retrato social, político e económico de diversas épocas. Uma viagem intimista aos bastidores da memória, que é também um tributo ao paciente labor dos arquivistas.

Concepção, texto, direcção Joana Craveiro 

Interpretação e co-criação Joana Craveiro e Tânia Guerreiro 

Colaboração criativa João Paulo Serafim 

Iluminação e vídeo João Cachulo 

Montagem técnica e operação João Chicó 

Assistência técnica Ricardo Jerónimo 

Produção Alaíde Costa

Assistência produção Sara Ferrada

23.09.2021 | par Alícia Gaspar | dentro do arquivo, Joana Craveiro, santa casa da misericórdia, teatro, Teatro do Vestido

'Limbo', de Victor de Oliveira I TBA

Arquivo pessoal do encenadorArquivo pessoal do encenador18 a 22 setembro (exceto segunda). sábado, terça e quarta 19h30, domingo 17h no Teatro do Bairro Alto.

Limbo: lugar ou condição intermediária esquecida entre dois extremos.

Limbo: lugar imaginário para coisas ou pessoas perdidas, esquecidas ou não desejadas.
Limbo: dança das Caraíbas na qual os bailarinos, de costas dobradas, passam debaixo de uma barra; de origem incerta, diz-se estar ligada à terrível experiência nos porões dos barcos negreiros durante a travessia.

Há demasiado tempo paralisado no limbo em que a História o colocou, Victor de Oliveira cria em palco um mosaico narrativo que, entre outros elementos, percorre a história íntima de um homem mestiço nascido em Moçambique. Entre a autoficção e a ficção social, questiona as razões do negacionismo histórico, as disputas da memória coletiva, as experiências de crescer na indefinição.

Victor de Oliveira nasceu em Maputo, passou a adolescência em Portugal (onde começou a fazer teatro) e foi terminar a sua formação de ator no Conservatório de Paris, cidade onde vive desde então. Nos últimos anos colaborou sobretudo com Stanislas Nordey e Wajdi Mouawad. Encenou (e apresentou em Portugal) Magnificat a partir de Fernando Pessoa, Final do Amor de Pascal Rambert e Incêndios de Wajdi Mouawad.

Conceção, texto e interpretação Victor de Oliveira
Música e operação de som Ailton Matavela (TRKZ)
Desenho e operação de luz Diane Guerin
Desenho e operação de vídeo Eve Liot
Colaboração dramatúrgica Marta Lança
Assistente estagiária Miranda Reker
Participação especial Ana Magaia (Excerto de “Poema de infância distante” de Noémia de Sousa)
Produção executiva En Votre Compagnie (Paris)
Coprodução Teatro do Bairro Alto, Théâtre National de Bretagne

Mais infos.

 

08.09.2021 | par martalanca | colonialismo, mestiçagem, Moçambique, teatro

Aurora Negra regressa ao D. Maria II em junho

Depois de ter aberto a Temporada 2020/2021 do Teatro Nacional D. Maria II, com várias sessões esgotadas, Aurora Negra, de Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, regressa à Sala Estúdio de 10 a 20 de junho

Com criação, direção artística e interpretação de Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, Aurora Negra nasce da constatação da invisibilidade a que os corpos negros estão sujeitos nas artes performativas, sendo-lhes negado constantemente o acesso à construção das suas narrativas.

Neste espetáculo, o canto começa na voz de uma mulher que fala: fala crioulo, fala tchokwe, fala português. Em cena, três corpos, três mulheres na condição de estrangeiras falam também essas três línguas. Três mulheres que buscam as raízes mais profundas e originais das suas culturas, celebrando o seu legado e projetando um caminho onde se afirmam como protagonistas das suas histórias.

Aurora Negra foi o espetáculo vencedor da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, um projeto promovido pelo Teatro Nacional D. Maria II, o Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, o Teatro Viriato, em Viseu, e o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e que se destina a apoiar jovens artistas e companhias emergentes.

Depois da sua estreia no D. Maria II, em setembro de 2020, Aurora Negra foi já apresentado em vários espaços do país e regressa agora a Lisboa, para 9 apresentações na Sala Estúdio. A sessão de 20 de junho, domingo, contará ainda com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição.

Mais informações sobre o espetáculo aqui.

29.05.2021 | par Alícia Gaspar | aurora negra, corpo, crioulo, dança, tchokwe, teatro

O Riso dos Necrófagos - Teatro GRIOT

Teatro Griot | O Riso dos Necrófagos Teatro Griot | O Riso dos Necrófagos O Riso dos Necrófagos começa nos vestígios da Guerra da Trindade encontrados na ilha de São Tomé, pela encenadora Zia Soares e pelo músico Xullaji, nas bocas dos que a viveram e dos que a ouviram contar, relatos de memórias desfocadas pela passagem do tempo. 

Nesta guerra os mortos foram amontoados em valas comuns ou no fundo do mar, num exercício de violência, perpetrado pelo invasor que acredita que, ao despojar os mortos dos seus nomes, os condena ao esquecimento. Mas para os santomenses, são presenças na ilha como símbolo encarnado e, para celebrá-los, anualmente no dia 3 de fevereiro, cumprem um itinerário ritualístico, desfilando ao longo de várias horas numa marcha amplificadora de falas, cantos, risos e sons que saem de corpos convulsos.

O Riso dos Necrófagos é prolongamento desse percurso celebratório, entrópico, onde os atuantes manipulam tempos e imagens, desossam e riem do delírio, reconfigurando os vestígios e os fragmentos do morticínio, a partir da ideia de celebração - a festa, a liturgia e os aspetos ritualísticos do quotidiano.

O Teatro GRIOT é uma companhia de atores cujo trabalho se desenvolve a partir da tensão entre corpo e território, imaginários coletivos e individuais, operando num espaço de intersecção de territórios geográficos e simbólicos como ponto nevrálgico de um movimento artístico de contra-memória.

Agenda:

20 ABR 2021
TER 19:00

21 ABR 2021
QUA 19:00

22 ABR 2021
QUI 19:00

23 ABR 2021
SEX 19:00

Mais informações em Culturgest

10.04.2021 | par Alícia Gaspar | arte, o Riso dos Necrófagos, São Tomé e Príncipe, teatro, teatro griot, Zia Soares

Estar em Casa no Teatro São Luiz

SÃO LUIZ APRESENTA

ESTAR EM CASA: DIA MUNDIAL DO TEATRO

PRETEND IT’S A LIFE!

O Teatro São Luiz celebra o Dia Mundial do Teatro com uma nova edição de Estar em Casa, desta vez, em formato online. Com programação de Anabela Mota Ribeiro e André e. Teodósio, nos dias 27 e 28 de março, das 10:00 às 23:00, e com acesso gratuito através do site www.estaremcasa2021.pt ou www.teatrosaoluiz.pt, há propostas para todas as idades e variados gostos.

Ana Kiffer, Ana Gomes, Bárbara Reis, Cláudia Varejão, Rui Horta, Gabriela Moita, Teresa Coutinho, Djaimilia Pereira de Almeida, Fernanda Fragateiro, Clara Ferreira Alves e Paulo Pascoal, entre outros, participam em conversas sobre vários e relevantes temas relacionados com o corpo, a sensorialidade, a sexualidade, o fascismo, o medo, etc., 

CONVERSAS

As conversas são um ponto de honra do Estar em Casa. Porque a falar é que a gente se entende!

#1-Ódios e Fascismos: uma conversa com Ana Kiffer e Ana Gomes, moderada por Bárbara Reis. 

[sábado, 27 março, 14:00, 45’]

#2-Corpo, Sensorialidade, Sexualidade: uma conversa com Gabriela Moita, Cláudia Varejão e Rui Horta, moderada por Teresa Coutinho. 

[sábado, 27 março, 15:00, 45’]

#3-Casa, Célula Cela: uma conversa com Djaimilia Pereira de Almeida e Fernanda Fragateiro, moderada por Paulo Pascoal. 

[sábado, 27 março, 16:00, 45’]

#4-Medo, Doença, Morte: uma conversa com Clara Ferreira Alves e José Gardeazabal, moderada por Pedro Santos Guerreiro. 

[sábado, 27 março, 17:00, 45’]

#5-Cansados vão os Corpos para Casa: uma conversa com Mbate Pedro e Itamar Vieira Júnior, moderada por Ju Torres.

[sábado, 27 março, 18:30, 45’]

A acompanhar tudo isto, há desabafos na página de Facebook do Teatro São Luiz, um diário online onde ficamos a saber os pensamentos mais profundos deste teatro.

Se nas edições anteriores o São Luiz era transformado numa casa, agora, que estamos todos em casa, o teatro contra-ataca, e vai transformar e viver as casas de todos como um espaço de reinvenção, reflexão, prática artística e lugar de aprendizagem. Pretend it’s a life.

Todo o programa é de acesso gratuito através dos sites do São Luiz ou www.estaremcasa2021.pt.

A maioria das atividades tem horário marcado, algumas ficam disponíveis durante todo o evento, nomeadamente Oh, as Casas, as CasasOh, os Teatros, os Teatros, as visitas guiadas, as Comidas de Artistas e os espetáculos do Teatro São Luiz. 

Programa completo, aqui.

25.03.2021 | par Alícia Gaspar | conversas, corpos, dia mundial do teatro, emissão online, evento, sensorialidade, sexualidade, teatro, teatro são Luiz

Teatro Estúdio Fontenova

“Cerco” 

Apresentação online a 21 de Março

A performance “Cerco”, do Teatro Estúdio Fontenova, estreada em 2020, será apresentada online no Festival Mátria Amada, no dia 21 de Março de 2021, numa sessão entre as 20h e as 23h (hora de Portugal), aproximadamente às 22h.

Ocupámos as terras, delimitámo-las, fechámo-las cada vez mais, até para quem sempre viveu delas. E como reagiu o nosso corpo a estes “cercos”? Foi-se fechando também, nele mesmo, e na sua ligação à terra. Corpo e Terra, dois lugares que habitamos, como não pensar neles de forma intrinsecamente ligada? Olhamos para o Alentejo, para Setúbal, para movimentos indígenas que questionam a violência para com terra e a violência para com o corpo da mulher, questionámos mulheres à volta do mundo na sua ligação corpo-terra, questionámos as nossas próprias ligações, bebemos das investigações académicas de Silvia Federici e do conceito de Marx de “cercamento”. Assim, cercámos corpos, palavras, memórias e movimentos descobrindo que precisamos de os devolver, mais livres e mais abertos.

“Dizemos Mãe Terra… é a nossa mãe, e nós somos os filhos, e tudo entre nós e a terra é o nosso cordão umbilical. Então… se violarmos a terra, violamos estas coisas… envenenamo-nos.” — Laura Red Elk (Pueblo Pintado)

Em memória da(s) (histórias) da avó Guilhermina.
Em memória da Acácia que era meu avô.

Criação: Eduardo Dias e Patrícia Paixão | Interpretação: Fábio Nóbrega Vaz e Patrícia Paixão | A partir de: Silvia Federici, Relatório “Violence on the Land, Violence on our Bodies”; Textos de Amala Oliveira, Anna Luňaková, Bitasta Das, Iliana Martinez, Shahd Wadi, Silvia Floresta, Tatiana Zalla, Guida Brito (Blog “Navegantes de Ideias”) | Música: Accordzéâm (Tema “Des Hauts Débats”) e Tio Rex / Miguel Reis (Tema “BOM DIA! e Outros Pensamentos”) | Voz-Off:Carlos Pereira, Graziela Dias, Ricardo Gaete, Ricardo Guerreiro Campos, Sara Túbio Costa | Design, Vídeo e Operação Técnica: Leonardo Silva | Agradecimentos: Inês Monteiro Pires, Luís Junqueira | Apoio à Produção: Tomás Barão | Fotografia: Helena Tomás

Ficha Técnica Vídeo Integral: Realização, Câmara e Montagem: Leonardo Silva | Assistentes de Câmara: Helena Tomás e Tomás Barão | Captação e Pós-Produção Áudio: João Mota | Anotação: Helena Tomás

Produção: Graziela Dias | Direção Artística: José Maria Dias | Co-Produção: Casa Da Cultura | Setúbal | Produção Executiva: Teatro Estúdio Fontenova | Estrutura financiada: Governo de Portugal – Direção-Geral das Artes e Município de Setúbal

Promovido pelo Grupo Manuí (Brasil) e coordenado pela Tati Zalla e pelo Leandro Pfeifer, o Festival Mátria Amada vai reunir músicos, escritores, artistas, atores, lideranças indígenas e quilombolas e promover reflexões acerca dos cuidados com o meio ambiente e preservação dos ecossistemas através de intervenções artísticas e um espetáculo a cada evento.

Decorre em quatro dias, das 20h às 23h (hora de Portugal), no canal de YouTube do Grupo Manuí:

21 de Março — O cuidado com a Terra como inspiração artística
28 de Março — Mestres tradicionais e os cuidados com a Terra
4 de Abril — O caipira e os cuidados com a Terra
11 de Abril — Povos Originários e os cuidados com a Terra


18.03.2021 | par Alícia Gaspar | Brasil, evento, festival, mátria amada, parcerias, Portugal, teatro, teatro estúdio fonte nova

O retorno do reprimido: desaparecimentos e reaparecimentos na sociedade do espectáculo

Marta Lança e Nuno Domingos nas Conversas com o público (1 de fevereiro, às 18h, foyer do TMJB)

Oscilando entre a espectacularidade mediática e a ocultação da história, a nossa época dispersa-se, em convulsões, nas exigências cruzadas da compulsiva curiosidade (ou bisbilhotice) e da complexada necessidade de esquecimento. Mergulhamos na vasa dos detalhes mais íntimos dos «casos» ou das «celebridades», fogos-fátuos que duram dias ou semanas, enquanto desviamos os olhos do que surge como desconforme ou incómodo, buscando um anestesiamento para os traumas do passado ou marginalizando as presenças pós-coloniais das nossas cidades. Nesta peça, em especial nas parte IV e V, esta tensão surge muito pronunciada entre o «caso Natascha Kampusch» e a amnésia dos horrores nacionais-socialistas. Para debater as relações entre o visível e o invisível nas nossas sociedades do espectáculo, em que parecer vale tanto ou mais do que ser, teremos connosco Marta Lança e Nuno Domingos.

Bruno Monteiro

Marta Lança (n. 1976) é programadora, tradutora e editora. Termina um doutoramento em Estudos Artísticos na FCSH-UNL onde tem formação em Estudos Portugueses e Literatura Comparada. Os temas de pesquisa passam pelo debate pós-colonial, programação cultural, processos de memorialização, plataformas de discurso e estudos africanos. Criou as publicações V-ludoDá FalaJogos Sem Fronteiras e, desde 2010, é editora do site BUALA. Escreve para publicações em Portugal, Angola e Brasil. Tem experiência em pesquisa e produção de cinema. Trabalhou por longas temporadas em projectos culturais nos PALOP.

Nuno Domingos, Investigador Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem trabalhado sobre a história do colonialismo português, nomeadamente em Moçambique durante o período do Estado Novo.  Entre outros temas, tem investigado a disseminação da cultura popular moderna em contexto urbano e as práticas culturais, do desporto à leitura, no contexto colonial e metropolitano. É co-editor da colecção História&Sociedade, nas Edições 70, e da editora Outro Modo.

30.01.2020 | par martalanca | debate, teatro

Só Chove e é Rápido, de Francisco Tavares

Só Chove e é Rápido é uma criação de Francisco Tavares sobre uma viagem de carro com os olhos fechados, maquilhagem borrada, um anão com saudades do passado, um smartphone com um notch demasiado grande, a magia da Via Verde, a aversão nacional ao bom isolamento, as fantásticas instalações do Hospital da Luz, o estado da prostituição na Tailândia, uma morte e um AVC num funeral.
- Um espectáculo com Francisco Tavares e Francisco Vistas, sem Joana de Verona, David Almeida, Leonor Keil, um homem cego -
“Sentei-me na plateia. O autor entra em cena e faz uma introdução onde explica a razão da peça ser um monólogo tendo ela tantos personagens. A questão que se prende é “o que fazer quando há que fazer, mas não há forma de o fazer?” Fica o fazer. De alguma forma. De qualquer forma. Tem de ser feito. O Universo é o da construção sob a ameaça do tempo e do efémero.  Acontecimentos marcantes colados à realidade do trivial. Os personagens vão aparecendo, cada um a seu tempo. Todos ao mesmo tempo. É uma pessoa que os mostra, sem recurso a nada, sem artifício. Cada qual com a sua estranheza. Cada qual com a sua vida. E à superfície da asfixia, dança um discurso de acasos que tenta, a par com o insólito, gerar um certo tipo de alegria naqueles que observam. Naqueles que veem.” Francisco Tavares 90 m. M/16 .
Entrada gratuita mediante disponibilidade de lugares
Texto e encenação: Francisco Tavares
Interpretação: Francisco Tavares e Francisco Vistas
Um espectáculo sem: Joana de Verona, David Almeida, Leonor Keil, um homem cego
Assistência de encenação: Francisco Vistas
Figurinos e ilustração: Susana Moura
Sonoplastia: Francisco Vistas
Apoio psicológico: Ana Gandum
Com o apoio de: Teatro do Bairro / Ar de Filmes
De terça a sábado- 21h30 | Domingo 17h00
Entrada gratuita mediante disponibilidade de lugares
Reservas e informações:
21 347 33 58 ou 91 321 12 63 (15h00 - 19h00)
Agradecimentos: António Pires, Alexandre Oliveira,IFICT, Michell, Espaço Zero, Elsa Valentim, Patrícia Vasconcelos, Act – Escola de Actores, Jaime Freitas

04.12.2019 | par martalanca | teatro