Em conversa com Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made

Em conversa com Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made O potencial da arte não pode ser mensurado, o que o encontro com uma obra de arte pode fazer pelo sujeito, como a liberdade impregnada numa escultura, numa pintura, numa afirmação pode influenciar uma singularidade ou a massa, não tem como ser dito. Isto também explica nossa posição: não temos nenhuma crença supersticiosa na eficácia política imediata do nosso trabalho, de alguma forma não é nossa principal preocupação. Esperamos que obras de arte sobrevivam aos artistas, e o tempo para que o nosso trabalho realmente toque as pessoas talvez nem tenha chegado ainda. Como qualquer artista, trabalhamos porque precisamos, é nossa forma de nos mantermos vivos.

17.09.2016 | por Leonardo Araújo, Alex Flynn e Claire Fontaine

We Want no Fucking One for Fresident

We Want no Fucking One for Fresident We want a black dyke for president. We want a person with AIDS for president and we want a trans person for vice president and we want someone with no health insurance and we want someone who grew up in a place where the earth is so saturated with toxic waste that didn’t have a choice about getting leukemia. We want a latino faggot for president who saw their best friends die in a mass shooting. We want a president that had an abortion at sixteen and we want a candidate who is a part-time hooker. We want a differently abled refugee for president. We want a president with no airconditioning, who has stood in line at the clinic, who stole their last meal and has been unemployed and was sexually harassed and gaybashed and deported.

15.09.2016 | por Pedro Marum

Kabasele, percurso e história de vida

Kabasele, percurso e história de vida No inverno de 1991, Kabasele chega a Lisboa. À saída do aeroporto, é surpreendido pela chuva e pelo vento. Não tem casaco nem guarda-chuva. A chegada é de certa forma brutal. No caminho encontra uma pessoa do seu país que propõe recebê-lo em sua casa. Mas, na verdade, não o leva para o seu apartamento, mas sim para outro onde não há água quente e no qual já vivem 80 pessoas. Kabasele tinha-se cruzado com um “marchand de sommeil”.

30.08.2016 | por Hélène Mazin

If Truth Was a Woman… entrevista a Eurídice Kala

If Truth Was a Woman… entrevista a Eurídice Kala "E se a verdade fosse mulher_ porque não?" faz conexões entre a escravatura e tempos coloniais, pretende desafiar a construção da brancura como a ideia de pureza, criando imagens que revelam vários recursos do continente que são todos brancos - marfim, algodão, pó, etc. Mas também chega ao tempo presente e olha para os heróis africanos - a construção do herói de forma individual - e as possibilidades que o acervo tem de incluir outros parceiros, e eu reflito apresentando nomes dos seus cônjuges na conversa, no entanto, aberta a outras acrescentos e a sermos os autores das nossas histórias.

31.05.2016 | por Euridice Kala

As trocas culturais atlânticas, entrevista com Goli Guerreiro

As trocas culturais atlânticas, entrevista com Goli Guerreiro As trocas culturais começaram a manifestar-se desde o século XVI nas grandes navegações. E as formas dessas trocas se processarem foram-se alterando. Na primeira diáspora, aquando do tráfico de africanos, os negros chegavam despidos de qualquer bem material. Traziam o seu imaginário, então havia um tipo de troca a partir dessa realidade a ser reconstruída no Ocidente.

25.05.2016 | por Marta Lança

Mercado, visibilidade e sustentabilidade para a arte contemporânea africana, conversa com Touria El Glaoui, diretora de 1:54

Mercado, visibilidade e sustentabilidade para a arte contemporânea africana, conversa com Touria El Glaoui, diretora de 1:54 A nossa estratégia foi trazer artistas africanos para a cena internacional, que eu acho que é o que está faltando, e talvez um dia nós estaremos muito felizes em ir, mas eu acho que há muitas outras formas pelas quais podemos ir, o que já estamos tentando fazer, com workshops para galerias, para artistas. Eu acho que há muito no lado educacional que podemos levar para o continente com nosso conhecimento, mais do que uma iniciativa comercial sobre vendas.

08.05.2016 | por Icaro Ferraz Vidal Junior

Entrevista com Irineu Destourelles

Entrevista com Irineu Destourelles A entrevista com Destourelles oferece um ponto de reflexão sobre as ambiguidades da dialética entre o eu e o outro, o dentro e o fora, o colonizador e o colonizado e sobre a sua atividade artística através de um olhar oscilante que a diáspora lhe proporciona. Neste contexto, Destourelles comenta o modo como os processos de domínio, assentes nos estereótipos dicotómicos, tendem a perpetuar-se assumindo novas matizes e o modo como estes são interrogados através do seu trabalho artístico.

28.03.2016 | por Ana Nolasco

Entrevista a Sheila Walker

Entrevista a Sheila Walker É óbvio que os africanos têm de ter instituições que se desenvolvam logicamente a partir do seu passado. Impor um sistema que funciona noutro lugar não funciona. Há todo um raciocínio diferente, as civilizações africanas tinham sistemas políticos e económicos que funcionaram. Teria sido melhor desenvolverem uma modernidade africana sem interferência. Mas houve quatrocentos anos de exportação de africanos. E não eram os mais fracos, os mais estúpidos. Perder tanta gente em tanto tempo foi um problema, e logo a colonização interrompeu todo o processo histórico de todos os países africanos.

17.03.2016 | por Cláudio Fortuna

Entrevista a Elikia M'Bokolo

Entrevista a Elikia M'Bokolo Os “afrodescendentes” que se encontram na América, nas Antilhas, na Europa e na Índia, são os conservadores de valores do continente africano, por via da religião, dos sentimentos de solidariedade, da visão do futuro, das resistências. Nas minhas aulas de história africana, no que diz respeito à Diáspora africana, considero que a África de fora joga um papel muito importante para o interior do continente. Na década de 1950 e 1960, nota-se que a Diáspora, de fora e a do interior do continente, tiveram uma forte ligação.

11.03.2016 | por Cláudio Fortuna

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês Acho que a nação é menos conversão política de “partilhas primordiais” do que arranjos políticos. Se um sistema conseguir produzir consensos tácitos a longo prazo pode fundar-se uma nação; é claro que a história comum ajuda. No caso de Angola, já existiam muitos elementos comuns que tornariam possíveis consensos suficientes para o país dar certo; faltou audácia política.

27.02.2016 | por Marta Lança

"Papéis da prisão", entrevista a Margarida Calafate Ribeiro

"Papéis da prisão", entrevista a Margarida Calafate Ribeiro O Tarrafal tem de ser compreendido no sistema de campos que o colonialismo português activou ou reactivou justamente para conter as rebeliões, não pode ser visto individualmente, mas no conjunto de campos e prisões de Angola, Moçambique, Guiné, das antigas colónias mas também das cadeias portuguesas onde estavam presos políticos africanos.

25.02.2016 | por Marta Lança

Mulheres de armas, entrevista a Margarida Paredes

Mulheres de armas, entrevista a Margarida Paredes Fui testemunha de actos de solidariedade de mulheres da elite com as ex-combatentes que vivem em situações de grande aflição, sobretudo as da Frente Leste e as do Campo de Concentração de São Nicolau. Se hoje podemos ouvir estas mulheres no meu livro é porque as veteranas que são dirigentes me abriram as portas. Joana Mucolo Tchimbinde Fronteira, uma das entrevistadas da Frente Leste, foi muito frontal ao dizer: “Nós não abandonámos o MPLA mas o MPLA é que abandonou o povo”. Mas tem havido uma luta comum pelo reconhecimento no âmbito da organização das mulheres.

24.02.2016 | por Marta Lança

A civilização islâmica: a última grande civilização mediterrânea. Entrevista a Cláudio Torres

A civilização islâmica: a última grande civilização mediterrânea. Entrevista a Cláudio Torres A grande marginalização que está a ser feita pela nossa civilização ocidental, a atirar para o lixo milhões de pessoas, está a alimentar o Islão na sua faceta de protesto, de defesa contra uma agressão cada vez mais violenta. Um Islão que era um imenso mosaico de povos, de formas de ser, está a ser empurrado, pelo autismo desta nossa civilização todo-poderosa, para uma agressiva resistência, como única de forma de manter alguma identidade.

17.02.2016 | por Luís Leiria

As viagens lusófonas de Ariel de Bigault

As viagens lusófonas de Ariel de Bigault Do seu conhecimento sobre música popular angolana e caboverdiana resultaram duas Antologias que são discos fundamentais para compreender a História e a cultura de ambos os países. Ainda no interesse de divulgação musical (do samba ao semba passando pelas várias fusões musicais urbanas) realizou documentários.

28.12.2015 | por Marta Lança

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters A escritora e investigadora fala sobre a relação entre Angola e Cuba durante o período de guerra e no pós-independência, a propósito do seu livro "Identidade Cubana e a Experiência Angolana", um estudo cultural sobre a missão cubana em Angola. Nascida na Guiana, cresceu no Reino Unido e viveu muitos anos nos EUA. Atualmente pesquisa “Angola no Atlântico Africano” e Lisboa no movimento artístico africano de língua portuguesa.

27.11.2015 | por Miguel Gomes