As viagens lusófonas de Ariel de Bigault

As viagens lusófonas de Ariel de Bigault Do seu conhecimento sobre música popular angolana e caboverdiana resultaram duas Antologias que são discos fundamentais para compreender a História e a cultura de ambos os países. Ainda no interesse de divulgação musical (do samba, ao semba, às várias fusões musicais urbanas) e de outros temas relacionados, dedicou-se à realização de documentários e conta com uma filmografia bastante alargada na qual podemos descortinar um fio condutor: “um roteiro artístico e pessoal que tem sido lusófono e africano,” como ela própria resume.

28.12.2015 | por Marta Lança

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters A escritora e investigadora fala sobre a relação entre Angola e Cuba durante o período de guerra e no pós-independência, a propósito do seu livro "Identidade Cubana e a Experiência Angolana", um estudo cultural sobre a missão cubana em Angola. Nascida na Guiana, cresceu no Reino Unido e viveu muitos anos nos EUA. Atualmente pesquisa “Angola no Atlântico Africano” e Lisboa no movimento artístico africano de língua portuguesa.

27.11.2015 | por Miguel Gomes

Tecer o tempo através das imagens: entrevista com Héla Ammar

Tecer o tempo através das imagens: entrevista com Héla Ammar A história da África nos ensina que a noção de Estado é muito recente e que as fronteira atuais foram traçadas pelas potências coloniais, muitas vezes em detrimento das etnias e das populações migrantes. Frequentemente renegadas, marginalizadas ou simplesmente esquecidas, estas identidades não cessam hoje de serem reafirmadas, às vezes até mesmo à custa de sangue. Um trabalho de memória que se apoie sobre estas identidades anteriores me parece necessário. É apenas sob esta condição que poderemos nos reconciliar com nosso passado e projetar um futuro pacífico em comum.

02.11.2015 | por Icaro Ferraz Vidal Junior

Entrevista a José Luís Mendonça

Entrevista a José Luís Mendonça As relações entre Angola e Portugal, durante a primeira fase da guerra pós-independência (1975-1992), foram muito marcadas pela postura de Mário Soares, na sua aversão ao poder estabelecido em Angola. Com a abertura da economia angolana à omnipotência do Mercado, as relações amenizaram-se, embora, mesmo no período de contenção, as relações humanas e familiares conseguiram escapar às questões políticas dos dois governos.

05.10.2015 | por Maud de la Chapelle

Eu mesma - entrevista a Djaimilia Pereira de Almeida

Eu mesma - entrevista a Djaimilia Pereira de Almeida Uma pessoa nas minhas condições não tem propriamente onde regressar, tirando os meus bairros. Pelo contrário, e pensando no tópico da auto-descoberta, parece-me que o mais provável é uma pessoa encontrar-se enquanto faz outra coisa, enquanto procura outra coisa, como alguém que encontra uma tesoura quando estava à procura de um tubo de cola. O que me parece inalcançável é imaginar que posso reclamar o título de descobridora daquilo que encontro por acaso e quando não estava à espera.

16.09.2015 | por Marta Lança

O teatro é uma arte do presente - entrevista a Rogério de Carvalho

O teatro é uma arte do presente - entrevista a Rogério de Carvalho Tudo o que se faz em teatro é fictício, e a ficção identifica-se com a artificialidade. O artificial hoje, na medida em que o teatro procura ter o seu mundo, já não cria aquela ilusão de uma mensagem homenageante, uma linguagem de favorecimento do poder ou do anti-poder.(...)Uma bela história sequencial apenas nos embala e, enquanto espectadores, deixamos de ser activos. Em geral, hoje os textos estão a fugir do processo de narratividade.

26.08.2015 | por Marta Lança

Repensar o espaço e as interacções do Atlântico Sul, entrevista a Marta Mestre

Repensar o espaço e as interacções do Atlântico Sul, entrevista a Marta Mestre Senti que havia interesse em debater o diálogo sul-sul, não só resgatando os momentos históricos de maior troca e contacto (o comércio de escravos e de mercadorias), mas também as possibilidades e expectativas atuais para o olhar contemporâneo. E senti que esse debate deveria acontecer numa cidade que historicamente teve um papel ativo nessa geopolítica do sul negro.

28.06.2015 | por Maud de la Chapelle

O Leão de Ouro de El Anatsui

O Leão de Ouro de El Anatsui A riqueza desta, agora premiada, trajetória de vida ganha forma em uma produção extremamente original e plasticamente epifânica, mas também em um método de ensino elaborado ao longo dos anos de docência, e cujas orientações podem ser resumidas como segue: busque inspiração na sua história pessoal; olhe o ambiente ao seu entorno em busca de materiais; viaje e traga todas essas experiências para seu trabalho...

27.04.2015 | por Icaro Ferraz Vidal Junior

Entrevista a Margarida Cardoso, a partir de Yvone Kane

Entrevista a Margarida Cardoso, a partir de Yvone Kane As figuras revolucionárias femininas, como por exemplo a Josina Machel, são representadas como santinhas, sem corpo. Para mim a Yvone Kane é, de certa forma, aquilo do que deveria ter sido representado da Josina Machel. Há um lado muito púdico dos revolucionários, como se as mulheres fossem perfeitas. Nem nos livros de história vamos saber quem verdadeiramente eram.

05.03.2015 | por Marta Lança

“É necessária uma revolução cultural”, entrevista a Kiluanji Kia Henda

“É necessária uma revolução cultural”, entrevista a Kiluanji Kia Henda Angola é uma fabricação colonial, e que hoje convém que exista, pois vivemos num mundo em que somos regidos pela ideia de Estado-nação, soberano e controlando as suas fronteiras. Fora desse registo, estamos a falar de um território imenso onde coabitam várias culturas e grupos étnicos. Essa diversidade por certo daria origem a várias escolas de belas artes, com conceitos distintos de uma beleza rara e única. Essa diversidade e a interacção cultural vai além do conceito de nação. Ela também é parte da contaminação permanente de culturas estrangeiras, própria de um mundo globalizado.

08.02.2015 | por Miguel Gomes

O Racismo é um tabu em Portugal, entrevista a Mamadou Bâ

O Racismo é um tabu em Portugal, entrevista a Mamadou Bâ No 25 de Abril, em 1974, não se discutiu a relação com as antigas colónias. A filosofia oficial permaneceu a do mito do lusotropicalismo*. Em Portugal, a palavra racismo é um tabu.

02.02.2015 | por Maud de la Chapelle

Maria Ampá não quer criar onça que lhe há-de comer

Maria Ampá não quer criar onça que lhe há-de comer Pelo meu relógio são horas de perder todas as vergonhas, as timidezes, são horas de tomar o tempo do mundo e de pôr em prática uma espécie de filosofia de pontapé na porta.

19.01.2015 | por Maria Ampá

Os anjos de Deus são brancos até hoje, entrevista a Paulina Chiziane

Os anjos de Deus são brancos até hoje, entrevista a Paulina Chiziane Uma das mais eminentes figuras da atual literatura moçambicana, ponto de referência incontornável para as lutas feministas desse país e uma mulher que abordou na sua literatura, com uma intensidade inusitada, aspetos especialmente conflituosos do tecido cultural africano. São temas silenciados, tabus, assuntos particularmente dolorosos, pendentes, irresolutos, como a guerra civil moçambicana, os direitos da mulher no sistema poligâmico, a magia negra, o curandeirismo tradicional, o racismo e outras formas de discriminação.

26.11.2014 | por Doris Wieser

O samba era visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas, entrevista a Nei Lopes

O samba era visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas, entrevista a Nei Lopes O samba urbano, nascido na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX, constitui uma amálgama de vários tipos de sambas e batuques praticados por africanos em várias regiões do Brasil; e, por isso, foi reprimido e perseguido. Entretanto, quando passou a ser visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas populares, passou a ser consumido como arte do povo e acabou reconhecido como género musical. Aí, nasce a música popular brasileira, que tem o samba como sua espinha dorsal.

25.10.2014 | por Marta Lança

«Nós não fizemos o exorcismo da guerra», entrevista a Nelson Saúte

«Nós não fizemos o exorcismo da guerra», entrevista a Nelson Saúte A sociedade moçambicana é muito espartilhada, mas já não racialmente, mas sim do ponto de vista económico. Hoje, a cidade de Maputo tem zonas fortemente habitadas por expatriados de várias nacionalidades, não só portugueses, que vivem aí por terem poder aquisitivo, porque representam multinacionais, embaixadas. Temos uma cidade da elite: a Polana e Sommerschield, o bairro central, um bocado da Coop; a classe média em Malhangalene; a classe média baixa em Alto Maé; depois os subúrbios tradicionais: Chamanculo, Mafalala, um verdadeiro caldeirão cultural; depois novos subúrbios que surgiram à volta da Grande Maputo, como Matola, Belo Horizonte, Zimpeto, etc. Há uma classe média florescente, dinâmica, forte, quase totalmente pós-independência, de jovens de trinta e poucos anos.

19.09.2014 | por Doris Wieser