África Festival terminou há 10 anos. O que mudou?

África Festival terminou há 10 anos. O que mudou? A maioria dos eventos usam o rótulo de lusofonia para a auto-legitimação e crítica pós-colonial. Estes processos complexos de negociação de representação utilizam Lisboa como montra de misturas lusófonas e um hub de comunicação do seu potencial para o mundo exterior. Festivais de música interculturais como África Festival são ‘espaços cosmopolitas’ por excelência que funcionam como plataformas para a apropriação de determinados ambientes musicais e sociais.

19.07.2017 | por Bart Paul Vanspauwen

10 anos África Festival. Conhecer a vitalidade da criação africana, entrevista a Paula Nascimento

10 anos África Festival. Conhecer a vitalidade da criação africana, entrevista a Paula Nascimento As visões aludiam quase exclusivamente a abordagens tradicionais das culturas africanas, sobretudo com carácter étnico, antropológico ou exótico. As artes contemporâneas que entretanto emergiam no continente africano e nas diásporas não tinham espaço nem visibilidade em Portugal, e pouca representação no conjunto da oferta cultural do país.(...) O África Festival deu a conhecer o melhor da criação artística nas músicas de África e das diásporas africanas, espetáculos de grande qualidade a um público alargado,

19.07.2017 | por Marta Lança

Teatro em Angola, uma brevíssima síntese

Teatro em Angola, uma brevíssima síntese Falar de teatro em Angola é quase sinónimo de lamentar a falta de teatro em Angola. Vale a pena fazer um levantamento muito sucinto que dê a conhecer as pontas soltas - grupos, atores, encenadores, espaços - que têm mantido o teatro angolano vivo nestes 41 anos de Independência.

18.07.2017 | por Marta Lança

Reflexões Pós-Parto. Uma crítica a Parto Rosa de Renata Torres

Reflexões Pós-Parto. Uma crítica a Parto Rosa de Renata Torres O presente texto debruça-se sobre a peça Parto-Rosa, da qual Renata Torres é autora e intérprete. A encenação é de Torres e Matamba Joaquim. Parto Rosa estreou em Luanda, no Centro Cultural Brasil Angola, no dia 31 de Março, numa apresentação única. O que trazemos aqui não é um resumo da peça com citações transcritas, mas uma curta análise do trabalho da autora, cuja visão crítica interessa reflectir um pouco.

20.04.2017 | por Maria-Gracia Latedjou

Históricos e emergentes: oito novos concertos confirmados no FMM Sines 2017

Históricos e emergentes: oito novos concertos confirmados no FMM Sines 2017 Cantautores, DJs, MCs, solistas, compositores, multi-instrumentistas, enfim, músicos de corpo inteiro e mente aberta. São assim as primeiras confirmações “no masculino” da programação do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo 2017, que se realiza de 21 a 29 de julho em Sines e Porto Covo.

07.03.2017 | por vários

Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made

Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made Lançamento do livro + Conversa + Performance // O título do livro dá nome a este encontro que parte do conceito de "greve humana" do coletivo Claire Fontaine para pensar a intervenção estética como prática política de um "artista ready-made".

12.01.2017 | por vários

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras"

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras" O meu ponto é: deve ser dado um contexto um bocadinho mais livre e rico às pessoas. Se em Portugal não há música nas escolas, em Angola nem escolas há. E aqui a música acabou transformada num exercício de escapismo em relação à guerra, pois durante a guerra todos os músicos com um discurso minimamente interessante e relevante estavam fora do país. E é precisamente esse discurso critico e consciente que enriquece a terra porque faz com que ela circule e não fique estática. Algo que esteve na origem do kuduro, por exemplo. Foi uma espécie de reacção à realidade.

25.11.2016 | por Hugo Jorge

Coreografar o nosso tempo

Coreografar o nosso tempo Digo “coisas” (o não-humano) para me referir a objectos, arquitectura, seres vivos, som e mesmo aspectos invisíveis (frequências sonoras de um espaço) ou imaginários (fantasmas?) que fazem parte do espaço performativo. É uma pesquisa centrada na invisibilidade, ausência, hiper-capitalismo e que novas questões se levantam para as artes performativas. Mas é também o questionar de muitos binários – próprios da modernidade – assumidos como verdades absolutas nas artes performativas: a ideia de supremacia do “estar no momento” ou que as artes performativas só existem no presente e não deixam rastro.

11.10.2016 | por Marta Lança

Zululuzu: é isto, é aquilo. Mas não é isso!

Zululuzu: é isto, é aquilo. Mas não é isso! Mariana Pinho escreveu um artigo sobre o nosso espetáculo, ZULULUZU, a que deu o nome de “Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser”. Não temos por hábito reagir ao que se escreve sobre o que fazemos, mas discutindo-se no espetáculo as questões e políticas de identidade, onde se dialoga com normas e convenções, e notando nós nesta leitura de Mariana Pinho a gramática de uma ontologia dominadora que estrutura a opressão contínua dos diversos esquemas sociais, decidimos redigir este texto.

11.10.2016 | por Teatro Praga

Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser.

Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser. Aqui o dispositivo teatral de representação surge como um constante “piscar de olho” ao espectador: os actores representam perante o público de espectadores – frente-a-frente – criando uma espécie de cumplicidade com os mesmos. Cumplicidade essa que nos vai tentando mostrar sim, estão a ver? Nós sabemos que vocês também sabem. Esse formato interactivo que montam com o espectador acaba por definir as regras do jogo que estamos a ver. Se num primeiro momento deixavam espaço para pensarmos essa imagem de África que temos na cabeça - e que até aí não associámos ao Pessoa - aqui, a literalidade visual, revestida de provocação, somada ao tom de denúncia permanente, fazem com que se perca esse espaço de reflexão autónoma e desilude nesse clássico tom de sobranceria perante as evidências.

03.10.2016 | por Mariana Pinho

Festival Música do Mundo - reportagem vídeo do BUALA

Festival Música do Mundo - reportagem vídeo do BUALA Durante 4 dias Mariana Pinho e Giorgio Gristina estiveram em Sines a seguir os concertos, a entrevistar músicos e a recolher ritmos e histórias para fazer este vídeo. Um olhar BUALA para o Festival de Músicas do Mundo de 2016.

17.08.2016 | por Mariana Pinho e Giorgio Gristina

Das ruas de Kinshassa até Sines: KONONO Nº 1 meets BATIDA (dia 29)

Das ruas de Kinshassa até Sines: KONONO Nº 1 meets BATIDA (dia 29) À conversa com o BUALA, Pedro Coquenão (BATIDA) contou-nos que o encontro com os KONONO Nº1 começou no WOMEX (World Music Expo): “estava lá a dar um concerto e estavam várias pessoas próximas dos Konono a assistir que acharam que havia ali um ponto qualquer de contacto entre o que eu faço e a banda deles. Além de ser muito lisonjeiro terem pensado nisso, eu identifico-me muito com o que a banda faz e com essa ideia de música africana urbana e experimental que eles fazem e que já tem tanto tempo e que continua a ser sempre actual.” Mais tarde decidiram então encontraram-se, “fui ter com eles, jantámos – comer junto é importante – e foram todos muito simpáticos, o sentimento foi de amizade, de proximidade, e quisemos voltar a estar juntos”.

03.08.2016 | por Mariana Pinho e Giorgio Gristina

Com BIXIGA 70 gritámos bem alto: FORA TEMER! e depois dançámos até ao alvorar na companhia de DJ SATELITE (28 de Julho)

Com BIXIGA 70 gritámos bem alto: FORA TEMER! e depois dançámos até ao alvorar na companhia de DJ SATELITE (28 de Julho) Quando perguntámos aos BIXIGA 70 se a música reflectia a tensão política que se vive no Brasil hoje, afirmaram logo que “o que vem acontecendo desde o golpe, desde o governo de Temer - um governo que a gente não reconhece - é um governo ilegítimo. A nossa música quer resistir a este momento político! A gente participa bastante nos movimentos sociais, sempre tivemos juntos. Tocámos nas escolas ocupadas e estamos juntos contra este governo”. Durante o concerto gritaram bem alto: FORA TEMER! e o público acompanhou com assobios e palavras de protesto.

01.08.2016 | por Mariana Pinho

O mundo inteiro em Sines (27 de Julho)

O mundo inteiro em Sines (27 de Julho) Numa breve conversa com o BUALA, MOH contava que cresceu a ouvir os clássicos de blues, rock e jazz mas afirma a sua grande inspiração na tradição mandinga e nos artistas guineense mais antigos.

28.07.2016 | por Mariana Pinho e Giorgio Gristina

De Rhode Island à Buraca, uma história alternativa da música africana

De Rhode Island à Buraca, uma história alternativa da música africana Os tempos estão definitivamente a mudar, apesar do peso – que Conductor diz ser tão “asfixiante” na Cidade da Praia como em Luanda – da tradição musical. É uma história em que ele se vê ao espelho (uma banda de kuduro na Buraca, e a gravar com M.I.A.?), e não gosta lá muito da imagem: “O que eu sinto muito em Cabo Verde, sobretudo sendo um meio tão pequeno, em que é muito difícil não incomodares o teu inimigo, é que há muitos jovens a fazerem coisas incríveis que não encontram aqui plataformas adequadas ao seu percurso musical. Demasiados artistas bons precisam de penar muito”

18.04.2016 | por Inês Nadais