Há mais de 20 dias que a Amazónia arde e o cheiro de morte é o de todxs nós

Há mais de 20 dias que a Amazónia arde e o cheiro de morte é o de todxs nós Exigimos um posicionamento do Governo Português perante estes crimes contra a humanidade e o planeta. Apelamos ao boicote de todos os produtos provenientes do agronegócio brasileiro e ao cancelamento da vinda de Jair Bolsonaro a Portugal no começo de 2020. Defendemos a entrega incondicional dos territórios indígenas aos seus povos, demarcando as suas terras e fiscalizando essas demarcações contra as invasões ilícitas de madeireiros, garimpeiros e tentativas de grilagem!

25.08.2019 | por Fórum Indígena de Lisboa

O Comum em tempos de confusão

O Comum em tempos de confusão O convite para MEXER em “comum”, durante uma semana, convoca-nos a questionar as lógicas de vida rígidas normativas que nos são apresentadas como caminhos únicos para os impasses que vivemos enquanto coletivo humano. O nosso foco é “o comum”, a forma de o construir numa lógica participada gerando alternativas, por agora aparentemente “impossíveis”, mas que se tornam possíveis perante a respiração e o decidir dissipar a confusão.

20.08.2019 | por Hugo Cruz

descolonizar o saber e o poder

descolonizar o saber e o poder Se a agressividade do pensamento reaccionário ocorre num país cujos cidadãos ainda há 50 anos eram vítimas de racismo por toda a Europa dita desenvolvida, se tudo isto ocorre num país cujo poder de governo é ocupado por forças de esquerda, é fácil imaginar o que será quando voltarmos (se voltarmos) a ser governados pela direita.

25.07.2019 | por Boaventura de Sousa Santos

guerra, choque, destruição: o Brasil no contexto do novo governo

guerra, choque, destruição: o Brasil no contexto do novo governo Do Haiti mobilizado esse semestre todo pela destituição do seu presidente às jovens do Extinction Rebellion interpelando a Europa rica. E nas lutas pela vida de corpos coletivos no Brasil, que sobrevivem à guerra colonial em curso (Canudos é reencenada desde sempre, clama Zé Celso no barco pirata em Paraty), lutando e criando, resistindo e construindo, em territórios livre e libertos, permanentes e fugazes.

23.07.2019 | por Jean Tible

A-terrar

A-terrar Embora desapossada do olhar colossal que a navegação espacial lhe trouxe nos anos 70, a ideia de humanidade enquanto espécie converte-se progressivamente em colosso geológico imanente capaz de influenciar ritmos cardinais do mundo, ou pelo menos assim é descrito o seu alcance. Antropoceno é a época geológica da espécie humana, dizem, e a prova são os depósitos sedimentares que se originaram a partir dos anos 50 com os primeiros experimentos nucleares. Ignora-se claro que essa “espécie” foi inseminada artificialmente pelo casamento normativo e cisgénero da modernidade e da colonialismo, e que a visão colossal ainda se crê parada de fora e em frente ao globo, mesmo que, a bom ver, muitxs chafurdem na lama, em especial xs que não foram inclusos dentro dessa ideia unificadora de humanidade.

10.07.2019 | por Rita Natálio

A sociedade autofágica - PRÉ-PUBLICAÇÃO

A sociedade autofágica - PRÉ-PUBLICAÇÃO    Destruição das estruturas económicas que asseguram a reprodução dos membros da sociedade, destruição dos elos sociais, destruição da diversidade cultural, das tradições e das línguas, destruição dos fundamentos naturais da vida: aquilo que por toda a parte se constata não é somente o fim de certos modos de vida para entrarmos noutros – «destruições criadoras» de que a história da humanidade estaria repleta –, é antes uma série de catástrofes a todos os níveis e à escala planetária que parecem ameaçar a própria sobrevivência da humanidade, ou, pelo menos, a continuação de grandíssima parte daquilo que deu sentido à «aventura humana», para submergir os humanos no estado de «anfíbios».

29.05.2019 | por Anselm Jappe

Uma negra pelas ruas de Vitória

Uma negra pelas ruas de Vitória As análises aqui propostas se atentam aos modos de subjetivação da negritude incluindo o racismo como produtor de subjetividade. Porém, vale demarcar que os processos de subjetivação que produzem práticas racistas não se confundem com a negritude como devir. Em outras palavras, o processo de formar-se negro passa tanto pelo cultivo do devir-negro quanto pela experiência de violência racial.

29.05.2019 | por Janaina Coelho

Moram numa ilha de que nem sabem o tamanho.

Moram numa ilha de que nem sabem o tamanho. E ensinam a “ler”a ilha. E oferecem o sorriso, os olhos feito berlindes a brilhar, a surpresa inquieta que não pára e é amiga da alegria, de caxexe a magia o encantamento que a cor provoca em seres mínimos que, sem saberem ler ou escrever, assinam o testemunho disso que é ser pequenino e ser “só” numa ilha sem casinha a sério, ou um calção novo, ou um vestido novo, com um laço... ou um lanche abrilhantado com um pão fresco mesmo seco e um sumo desses de pacote que chegam vazios com a calema...um rebuçado de mel... ou um par de chinelos sem ser um de cada nação.

14.05.2019 | por Isabel Baptista

memórias da plantação: episódios de racismo quotidiano, PRÉ-PUBLICAÇÃO

memórias da plantação: episódios de racismo quotidiano, PRÉ-PUBLICAÇÃO Estas perguntas são importantes para questionar a razão por que o centro, que aqui designo centro académico, não é um lugar neutro. É um espaço branco onde se tem negado às pessoas negras o privilégio de falar. É historicamente um espaço onde não temos tido voz e onde as/os académicas/os brancas/os levaram a cabo discursos teóricos que nos construíram formalmente como a/o «Outra/o» inferior, situando as/os africanas/os em absoluta subordinação ao sujeito branco. Aqui nos têm descrito, classificado, desumanizado, primitivizado, brutalizado e matado.

08.05.2019 | por Grada Kilomba

Diário de um etnólogo guineense na Europa (1)

Diário de um etnólogo guineense na Europa (1) Não entendia como é que os tugas conseguiam viver na Europa e por que gostavam tanto de escrever sobre problemas. Eu pensava que eles também deviam ter coisas boas, como a música, por exemplo… mas disseram-me que os brancos não sabem dançar, e isso eu não entendia muito bem, visto que também eu li que eles tinham pimba, valsa, passo doble, gavotte, mazurka, dança da roda, branle, quadrilha… entre outros nomes difíceis.

06.05.2019 | por Marinho de Pina

Musala, o trabalho

Musala, o trabalho A essa família de socialismo distante, cujo fedor de traição conspurca os nossos ideais. E faz de ti, junto com todos os outros, uma massa de trabalhadores militantes. Neuróticos. Gentrificados. Devemos caminhar nas faixas brancas que atravessam os open-spaces das colmeias vidradas cintilantes ao sol: dar cotoveladas para guardar o lugar, realçar o que se conquistou para além do razoável. E, na selva, quem tem razão é o mais forte.

27.04.2019 | por Joëlle Sambi

Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias

Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias Narrativas Afro-Europeias é um projeto colaborativo que convida à partilha de histórias de ligação entre a Europa e a África, enraizadas na memória coletiva e na vida pessoal e familiar de muitos cidadãos europeus. Histórias de origem africana e de afrodescendência, de memória e pós-memória colonial, de guerras e conflitos, de migrações diásporas e regressos, mas também de um entrelaçamento presente de culturas e de identidades, portador de enorme enriquecimento, que urge reconhecer e valorizar, numa Europa em transformação.

19.02.2019 | por vários

A Descida do Triunfo

A Descida do Triunfo Sem o envolvimento de nenhum partido político, movimento partidário ou social. As pessoas, maioritariamente jovens, mobilizaram-se pela luta contra os atos de violência da polícia e em solidariedade pela Família Negra do Bairro da Jamaica.

30.01.2019 | por Son Ibr Jiobardjan

Mamadou Ba, OBRIGADA/O!

Mamadou Ba, OBRIGADA/O! Estes últimos acontecimentos, que põem a nu o sistema racista em que vivemos através do comportamento das forças policiais, da violência naturalizada sobre pessoas negras, jovens, homens e mulheres, e da impunidade permanente de tais actos, chega ao nível do intolerável.

23.01.2019 | por vários

As origens do movimento negro e da luta antirracista em Portugal no século XX: a geração de 1911-1933

As origens do movimento negro e da luta antirracista em Portugal no século XX: a geração de 1911-1933 Entre 1911 e 1933 surgiu um movimento negro no país, directamente influenciada pelo pan-africanismo, que lutou contra o racismo e iniciou um processo de contestação embrionária à opressão colonial. Entre a Primeira República e o Estado Novo, esta geração vai fundar diversos títulos de imprensa e várias organizações em Lisboa.

08.01.2019 | por Pedro Varela e José Pereira

Formiga rouba diamante de uma ourivesaria na Índia - PRÉ-PUBLICAÇÃO de 'Lampreia Alerta'

Formiga rouba diamante de uma ourivesaria na Índia - PRÉ-PUBLICAÇÃO de 'Lampreia Alerta' Excerto de 'Lampreia Alerta', livro de contos da autoria de Ermelinda Freitas, com textos e desenhos baseados em notícias provenientes de vários media, mais ou menos recentes e insólitas, que envolvem animais ou falam da sua presença no espaço ocupado (também) por humanos. Inspirado no género fábula, Ermelinda traz-nos uma prosa diversa, concisa, leve e irónica, acompanhada por ilustrações fulgorosas.

12.12.2018 | por Ermelinda Freitas

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO Sonhou que via Luanda lá de cima. No alto do Morro da Cruz, um mpungi gigante de marfim equilibrava-se na sua ponta. No Morro da Fortaleza, outro mpungi igual. Da terra chegou um sopro grave que subiu pelas pontas maiores dos mpungis. Este alcançou as nuvens, e o céu palpitou em resposta. O barulho feito pelo céu espalhou-se por onde lhe levou a vontade. Depois juntaram-se marimbas a tocar na Corimba e mukupelas na Samba.

29.11.2018 | por Yara Monteiro

Pedra, algodão ou petróleo

Pedra, algodão ou petróleo Os sacos de algodão apertados na camioneta, numa alta muralha, escorrem água em fio. A carga já não pesa somente oito toneladas, pesa bem mais, mas as contas estão feitas, agora pouco importa. Na minha camisola, nas minhas peúgas, as fibras de algodão entrelaçam-se em fios de petróleo. Se a verdade é leve e a mentira pesa chumbo, o camião, a bambolear-se a dez à hora pela estrada ensopada, traz agora no dorso uma grande carga de mentira. Mas talvez seja ao contrário, a mentira leve e a verdade pesada. Nas oito horas que passei na aldeia, o preço do barril de petróleo desceu um dólar.

24.11.2018 | por Paulo Faria

Manifesto do pau-brasil

Manifesto do pau-brasil A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.

31.10.2018 | por Oswald de Andrade

Eleger tiranos democraticamente

Eleger tiranos democraticamente Resistir à tentação de trocar humanidade por segurança, de trocar disparidade por homogeneidade, de trocar o desencanto da modernidade pela canção das sereias fascistas. E essa luta travamo-la na nossa cabeça todos os dias. Travamo-la quando sentimos a tentação de falar em deportar brasileiros que votaram Bolsonaro ou quando sentimos a tentação de o defender porque ganhou umas eleições democráticas.

31.10.2018 | por Simão Cortês