Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias

Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias Narrativas Afro-Europeias é um projeto colaborativo que convida à partilha de histórias de ligação entre a Europa e a África, enraizadas na memória coletiva e na vida pessoal e familiar de muitos cidadãos europeus. Histórias de origem africana e de afrodescendência, de memória e pós-memória colonial, de guerras e conflitos, de migrações diásporas e regressos, mas também de um entrelaçamento presente de culturas e de identidades, portador de enorme enriquecimento, que urge reconhecer e valorizar, numa Europa em transformação.

19.02.2019 | por vários

A Descida do Triunfo

A Descida do Triunfo Sem o envolvimento de nenhum partido político, movimento partidário ou social. As pessoas, maioritariamente jovens, mobilizaram-se pela luta contra os atos de violência da polícia e em solidariedade pela Família Negra do Bairro da Jamaica.

30.01.2019 | por Son Ibr Jiobardjan

Mamadou Ba, OBRIGADA/O!

Mamadou Ba, OBRIGADA/O! Estes últimos acontecimentos, que põem a nu o sistema racista em que vivemos através do comportamento das forças policiais, da violência naturalizada sobre pessoas negras, jovens, homens e mulheres, e da impunidade permanente de tais actos, chega ao nível do intolerável.

23.01.2019 | por vários

As origens do movimento negro e da luta antirracista em Portugal no século XX: a geração de 1911-1933

As origens do movimento negro e da luta antirracista em Portugal no século XX: a geração de 1911-1933 Entre 1911 e 1933 surgiu um movimento negro no país, directamente influenciada pelo pan-africanismo, que lutou contra o racismo e iniciou um processo de contestação embrionária à opressão colonial. Entre a Primeira República e o Estado Novo, esta geração vai fundar diversos títulos de imprensa e várias organizações em Lisboa.

08.01.2019 | por Pedro Varela e José Pereira

Formiga rouba diamante de uma ourivesaria na Índia - PRÉ-PUBLICAÇÃO de 'Lampreia Alerta'

Formiga rouba diamante de uma ourivesaria na Índia - PRÉ-PUBLICAÇÃO de 'Lampreia Alerta' Excerto de 'Lampreia Alerta', livro de contos da autoria de Ermelinda Freitas, com textos e desenhos baseados em notícias provenientes de vários media, mais ou menos recentes e insólitas, que envolvem animais ou falam da sua presença no espaço ocupado (também) por humanos. Inspirado no género fábula, Ermelinda traz-nos uma prosa diversa, concisa, leve e irónica, acompanhada por ilustrações fulgorosas.

12.12.2018 | por Ermelinda Freitas

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO Sonhou que via Luanda lá de cima. No alto do Morro da Cruz, um mpungi gigante de marfim equilibrava-se na sua ponta. No Morro da Fortaleza, outro mpungi igual. Da terra chegou um sopro grave que subiu pelas pontas maiores dos mpungis. Este alcançou as nuvens, e o céu palpitou em resposta. O barulho feito pelo céu espalhou-se por onde lhe levou a vontade. Depois juntaram-se marimbas a tocar na Corimba e mukupelas na Samba.

29.11.2018 | por Yara Monteiro

Pedra, algodão ou petróleo

Pedra, algodão ou petróleo Os sacos de algodão apertados na camioneta, numa alta muralha, escorrem água em fio. A carga já não pesa somente oito toneladas, pesa bem mais, mas as contas estão feitas, agora pouco importa. Na minha camisola, nas minhas peúgas, as fibras de algodão entrelaçam-se em fios de petróleo. Se a verdade é leve e a mentira pesa chumbo, o camião, a bambolear-se a dez à hora pela estrada ensopada, traz agora no dorso uma grande carga de mentira. Mas talvez seja ao contrário, a mentira leve e a verdade pesada. Nas oito horas que passei na aldeia, o preço do barril de petróleo desceu um dólar.

24.11.2018 | por Paulo Faria

Manifesto do pau-brasil

Manifesto do pau-brasil A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.

31.10.2018 | por Oswald de Andrade

Eleger tiranos democraticamente

Eleger tiranos democraticamente Resistir à tentação de trocar humanidade por segurança, de trocar disparidade por homogeneidade, de trocar o desencanto da modernidade pela canção das sereias fascistas. E essa luta travamo-la na nossa cabeça todos os dias. Travamo-la quando sentimos a tentação de falar em deportar brasileiros que votaram Bolsonaro ou quando sentimos a tentação de o defender porque ganhou umas eleições democráticas.

31.10.2018 | por Simão Cortês

Chega de ódio, pela democracia no Brasil e no mundo

Chega de ódio, pela democracia no Brasil e no mundo Não se trata de mais um acto eleitoral, assistimos ao sintoma de uma preocupante escalada de forças e movimentos de extrema-direita no mundo. Lançamos por isso um alerta para o sério risco de retrocessos sociais, ecológicos, políticos e humanos, que estão em jogo nas eleições brasileiras.

15.10.2018 | por vários

a dívida impagável: lendo cenas de valor contra a flecha do tempo

a dívida impagável: lendo cenas de valor contra a flecha do tempo A dívida impagável, enquanto imagem dialética, ajuda a ler o valor simultaneamente nas cenas econômica e ética, e como o capital é a mais recente configuração da matriz moderna de poder, contando com dispositivos de conhecimento (conceitos e categorias), uma gramática ética (princípios e procedimentos) e arquiteturas jurídico-econômicas (práticas e métodos), que derivam sua força de como a necessidade opera por meio de separabilidade, determinação e sequencialidade.

04.10.2018 | por Denise Ferreira da Silva

Sou filha desse passado, mas sinto que não faço parte dele.

Sou filha desse passado, mas sinto que não faço parte dele. E isso é uma herança do passado colonial. O estereótipo do negro, do negro que não sabe falar bem, do negro que não se veste bem, do negro que não se comporta bem, do negro que não tem estudos, que não lê, não escreve, não pensa. Isto ficou. Essa herança do passado ficou. E eu sou esse passado. Eu nasci por causa desse passado; sou filha desse passado. Sei disso. Mas sinto que não faço parte dele.

26.09.2018 | por Ariana Furtado

Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos

Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos Em sua visão, “uma sociedade é racista ou não é” e “o racismo colonial não difere de outros racismos”. Quando busca explicar uma idéia-força e mostrar o escândalo que representa, sua prosa poética e retórica se revela. Além disso, para ele, a libertação dos indígenas passa pela recusa do mundo da interdição, pela afirmação do “eu” negado pelo colonizador, que os vê como uma massa disforme e serviçal.

23.09.2018 | por Anne Mathieu

Não serei eu mulher? As mulheres negras e o feminismo - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Não serei eu mulher? As mulheres negras e o feminismo - PRÉ-PUBLICAÇÃO O meu intenso empenho na crescente consciência feminista levou‑me a confrontar a realidade das diferenças de raça, de classe social e de género. Tal como me tinha revoltado contra as ideias sexistas acerca do lugar de uma mulher, também contestava o lugar e a identidade das mulheres no seio dos círculos de emancipação feminina; não conseguia encontrar lugar para mim no movimento. A minha experiência enquanto jovem e negra não era reconhecida.

17.09.2018 | por bell hooks

Lula Liberto!

Lula Liberto! Esse continuum escravocrata não tolera as brechas criadas e conquistadas – provocando uma tragédia com o Brasil, jogando-o numa espiral recessiva e numa sobreposição de crises (política, econômica, social, existencial). A fome – seu fim como símbolo maior das conquistas do período Lula – volta a rondar muita gente.A austeridade, criminosa em qualquer canto do planeta, ganha outras camadas de perversidade por essas bandas.

13.09.2018 | por JeanTible

A nossa alegria chegou - pré-publicação

A nossa alegria chegou - pré-publicação Alguns mamíferos sabem que vão morrer. Estes três sabem que podem morrer hoje. — O sol tem cores que nunca ninguém viu — diz Ira. Atrás dele, Ossi abre os olhos. À frente, Aurora, também. De tão colados, a voz vibra nos três. — Que cores? — pergunta Ossi. — Cores sem nome, não as conseguimos ver — diz Ira. — Ouvi isto uma vez, lá na cidade. — Há cores que não conseguimos ver?! — Aurora faz uma pala com a mão. O sol dá-lhes em cheio. Três corações, seis pulmões, biliões de nervos numa cama de rede, tórax com tórax, boca com nuca, côncavos, recôncavos, convexos. Jovens como a jovem flor do cacto de Alendabar, a praia onde acordam.

12.09.2018 | por Alexandra Lucas Coelho

Ver com um olho

Ver com um olho Aprender da História significa sabermos quando um acto não pode ser repetido e, se for, quando devemos torcer o nariz; não significa ter sensibilidade para as circunstâncias temporais e culturais que justificam certos actos. Significa, isso sim, ter uma ideia bem clara das razões que devem levar todo o indivíduo sensato a condenar uma acção ainda que ela, aos olhos de quem a praticou, ou do tempo em que ela foi praticada, faça todo o sentido. Aprender da História significa reforçar o compromisso com o que sabemos hoje distanciando-nos do que aconteceu ontem.

10.07.2018 | por Elísio Macamo

Não a um museu contra nós!

Não a um museu contra nós! A ausência das nossas perspetivas nas instituições nacionais e nas discussões públicas está naturalizada e normalizada, rasurando-nos enquanto sujeitos históricos e enquanto contribuidores por excelência para a edificação da sociedade portuguesa nas suas diferentes vertentes. Excluídos do corpo nacional, assistimos a uma disputa pela memória que reforça a glorificação da ideologia colonial e reifica o lusotropicalismo, que continua bem presente, apesar da derrota política do fascismo e do advento da democracia, com a “revolução dos cravos” de 1974.

27.06.2018 | por vários

Declaração de guerra 1

Declaração de guerra 1 A um, que estava muito ferido, eu disse: “A tropa não te pode fazer nada, o que queres antes de morrer?” Ele pediu água, eu disse ao soldado para ir buscar água mas fiz-lhe um sinal para não ir, não seria necessário. Peguei na espingarda-metralhadora FBP, que não era fiável, fiz um disparo para o matar, mas saiu ao lado. Disse ao soldado: “Ó 235, mata o indivíduo”. O soldado encostou-lhe a Mauser à testa e matou-o. A partir daqui, fiquei a pensar que não o devia ter feito, mas por outro lado o indivíduo não se podia safar, morreria à mesma…

24.06.2018 | por Vasco Luís Curado

A ilha de Vénus

A ilha de Vénus O projeto “A Ilha de Vénus” além de ser um questionamento sobre a legitimação de uma história que exclui o “outro”, é também uma reflexão sobre uma das maiores tragédias da humanidade no presente, que começa na busca de um sonho que somente é realizado cruzando o Mediterrâneo. A realização deste sonho muitas vezes termina num pesadelo.

09.06.2018 | por Kiluanji Kia Henda