História de Angola - nota do autor - PRÉ-PUBLICAÇÃO

História de Angola - nota do autor - PRÉ-PUBLICAÇÃO Impressionante verificar a avidez dos jovens, que vêm licenciar-se à ex-metrópole, em querer conhecer a História do seu país, que surpreendentemente não lhes era ensinada na escola secundária angolana. A maior parte deles – era inacreditável! – só conhecia Njinga Mbandi ou Mandume como nomes de ruas. Contudo, ansiavam por informação, pela recuperação merecida da remota memória histórica ignominiosamente silenciada! Em Angola reinava e reina, tal como no tempo colonial, o positivismo tecnocrático e quantitativo, pelo que só interessa falar em presente e em futuro. Porque estará Angola condenada à doença de Alzheimer?

21.01.2016 | por Alberto Oliveira Pinto

“Papéis da Prisão”, de José Luandino Vieira: uma “biografia”

“Papéis da Prisão”, de José Luandino Vieira: uma “biografia” A “biografia” de uma obra parece um sucedâneo figurado, anómalo de uma convencional biografia do autor. O que percebemos, porém, ao longo dos quase três anos de organização de um projecto entusiasmante e labiríntico, com a presença fortíssima e discreta de Luandino em cada etapa da sua realização, é que o caso dos Papéis da Prisão coloca sob suspeita muitas categorias da crítica literária ou textual.

05.01.2016 | por vários

“A Identidade Cubana e a Experiência Angolana”

“A Identidade Cubana e a Experiência Angolana” Cinco de Novembro de 1975 marcou o 132º aniversário da rebelião dos escravos da plantação de açúcar Triumvirato, na província de Matanzas, liderada por uma mulher africana escravizada chamada Carlota. Num dos primeiros actos da sua campanha de libertação, Carlota, acompanhada pelos seus capitães, dirigiu-se a outra plantação, Arcana, na qual um conjunto de co-conspiradores se encontravam detidos no seguimento de uma revolta ali ocorrida em Agosto do incendiário Verão daquele ano, quando os africanos e seus descendentes se ergueram contra os seus escravizadores por toda a província.

24.11.2015 | por Christabelle Peters

Memórias como sedimentos íntimos

Memórias como sedimentos íntimos Aqui, todas as inocências se perdem – África como espaço virgem, o colonialismo como tempo único, as utopias revolucionárias das independências, Portugal como metrópole, Europa como lugar de futuro (e de justiça), a Esquerda sumida na encruzilhada ideológica das suas próprias traições. E ainda que Ana, ao contrário de Margarida, não pegue literalmente em armas, tem, na ponta da língua (e, no romance, a linguagem respira essa urgência, frases curtas, aflitas, dizer, por vezes, o que já não se pode retirar) o poder da revolução – feminista convicta, sexualmente desinibida, inquieta, sem poiso, irreverente, rebelde, inconformada, permanentemente jovem, Ana é uma personagem “híbrida”, porque simplesmente não consegue (ou não quer) pertencer a lado nenhum.

17.11.2015 | por Raquel Ribeiro

OEm Emigração Portuguesa: Relatório Estatístico 2015

OEm Emigração Portuguesa: Relatório Estatístico 2015 Portugal é hoje o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente. O número de emigrantes portugueses supera os dois milhões, o que significa que mais de 20% dos portugueses vive fora do país em que nasceu.

02.11.2015 | por vários

Sanz-Briz: o “Anjo de Budapeste” que salvou milhares de judeus do Holocausto

Sanz-Briz: o “Anjo de Budapeste” que salvou milhares de judeus do Holocausto Com apenas 33 anos, Ángel Sanz Briz, encarregado de negócios da delegação espanhola de Budapeste, enganou as autoridades nazis e húngaras ao permitir que 5.200 judeus escapassem da morte. Sete décadas após o fim da II Guerra, o diplomata tem agora o seu nome numa das principais avenidas da capital.

01.11.2015 | por Catarina Andresen Bouça

Contratados, colonos e emigrantes cabo-verdianos

Contratados, colonos e emigrantes cabo-verdianos Chegaram a Angola há cem anos. Assistiram à decadência de um poder colonial que os instrumentalizou e ao nascimento da nação angolana. A memória dos imigrantes cabo-verdianos no nosso país conta uma história de opressão e resistência que o sociólogo crioulo Nardi Sousa resgatou e vai lançar em livro.

20.07.2015 | por Pedro Cardoso

Língua, linguagem e poder: opressões na palavra

Língua, linguagem e poder: opressões na palavra No contexto das sociedades ocidentais, e actualmente no quadro de uma mundialização uniformizadora, o detentor da palavra e do poder é o homem branco, sedentário, escolarizado e heterossexual com privilégios variáveis consoante classe social, país de origem, situação geográfica... A discriminação nasce de uma vontade de poder e vive, actualmente, nesta conjuntura. É na língua, por outro lado, que as identidades se desenham, sendo importante assinalar o risco de se conceber essa identidade como uma clausura excludente e opressora, potencialmente racista porque instalada na ilusão da “superioridade linguística” ou da “pureza idiomática”.

13.07.2015 | por Hugo Monteiro

Senhor dos Milagres Escravo de Angola, Cristo do Mundo

Senhor dos Milagres Escravo de Angola, Cristo do Mundo A Festa do Senhor dos Milagres não se limita à procissão. À sua volta, há toda uma série de iniciativas, como a famosa Festa Taurina, alheia à Irmandade, considerada uma das mais importantes da América Latina. E há, claro, o famoso torrão da Dona Pepa, "uma cozinheira do tempo colonial que se curou por intercessão do Senhor", conta o mordomo da ISM de Roma. "Para agradecer-lhe", continua Julio Molena, "ela preparou este doce que oferecia a cada ano aos mais necessitados ".

28.05.2015 | por Pedro Cardoso

Sem mutantes nem conservantes: a Banda Desenhada e o diálogo intercultural.

Sem mutantes nem conservantes: a Banda Desenhada e o diálogo intercultural. Ao passarmos a compreender um campo mais expandido da Banda Desenhada, pautada pelos seus exemplos mais felizes em termos de peso cultural e capacidade de reflexão, também estamos a permitir que se procurem novas formas de criação, possibilidades mais abertas de experimentar caminhos alternativos. E nada disto tem a ver com potencialidades da Banda Desenhada ou ‘ir além’ dos seus supostos limites.

29.04.2015 | por Pedro Moura

A desocultação da arma ou Éter de António Cabrita

A desocultação da arma ou Éter de António Cabrita O nada equivale ao segno do mundo pré-moderno ou ao éter do mundo de António Cabrita, isto é, àquilo que 'escaparia ou resistiria à ordem natural ou possível das coisas', do mesmo modo que o uso feérico da instantaneidade na actualidade equivale, de certa forma, ao simulacro de uma redenção (ou àquilo que era a salvação num patamar pré-moderno).

20.04.2015 | por Luís Carmelo

Papá em África e Tintin akei Kongo. Esterótipos & (des)continua...

Papá em África e Tintin akei Kongo. Esterótipos & (des)continua... A propósito da vinda a Portugal de Anton Kannemeyer, que participará no dia 15 de Maio no encontro “Outras literaturas”, integrado no programa Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian deste ano, queremos tecer algumas notas sobre dois livros relacionáveis. Num período relativamente curto de tempo, vimos aparecer nos escaparates dois títulos que, de uma forma ou outra, são descendentes “esquizofrénicos” de Tintim no Congo. A colectânea deste artista sul-africano, Anton Kannemeyer, Papá em África, e Tintin akei Kongo, uma versão pirata e detourné do livro de Hergé traduzido em lingala, por autor e editora semi-desconhecida (já explicaremos). Estes autores trabalham, cada qual a seu modo e a um só tempo, a visualidade, a materialidade, a temática e a recepção contemporânea do livro de Hergé para questionarem o conceito de estereótipo (e de subjectivação) e da sua circulação cultural.

14.04.2015 | por Pedro Moura

O direito de votos dos imigrantes é, para além de um imperativo cidadão, um desafio democrático

O direito de votos dos imigrantes é, para além de um imperativo cidadão, um desafio democrático As políticas de imigração estão, não só longe de corresponder ao quadro idílico com que se pinta a realidade, como constituem objetivamente instrumentos de exclusão política das e dos cidadãos imigrantes no exercício da cidadania. O sistema político não quer admitir que a categoria política imigrante – resultante da herança pós-colonial e das dinâmicas da globalização, com todas as suas implicações na gestão da participação política das comunidades imigrantes – veio abanar estruturalmente a conceção do Estado-Nação, como a conhecemos até agora.

21.03.2015 | por Mamadou Ba

Não é feitio, é defeito

Não é feitio, é defeito Ao olharmos as manchas de cores do mapa, cola-se imediatamente a esse olhar uma longa corrente de histórias que escutamos ditas baixinho ao ouvido: zonas de confiança e perigosas, bons e maus, o inóspito e o confortável, aliados e suspeitos, o moderno e o sujo, 1o, 2o, 3o mundo. Não só se cristalizou o desenho em que a Europa aparece maior do que é na realidade e se encontra no centro superior do mapa, como se tentou cristalizar o dogma da superioridade europeia, local onde supostamente se encontra o diapasão que emana o tom a partir do qual todo do mundo deve afinar.

22.02.2015 | por Nuno Milagre

Adriano Mixinge, um novo moralista?

Adriano Mixinge, um novo moralista? Pertence a uma comunidade cujos membros, "os novos tocadores de batuque", são animados por um desejo de destruir o antigo mundo para o substituir pelo novo - "todo o ato de criação é, em primeiro lugar, um ato de destruição", dizia Picasso - em conformidade com as suas aspirações. O poder ou o homem da rua admite a sua existência; os novos batuqueiros são os pontas-de-lança de uma inédita forma de viver e de pensar.

30.01.2015 | por Pierrette Chalendar e Gérard Chalendar