Divertimentos sinistros de verão:
 da “responsabilidade dos intelectuais” (I)

Divertimentos sinistros de verão:
 da “responsabilidade dos intelectuais” (I) (...) Governo de Sua Majestade neste momento está a tentar expandir a silly season eternamente. A decisão do Supremo Tribunal, anunciada na manhã de terça-feira, 24 de Setembro, de que o conselho dado à Rainha pelo Primeiro Ministro, para encerrar o Parlamento, foi ilegal e, portanto, a suspensão do Parlamento foi nula e sem efeito, não podia ser nem mais clara nem mais incisiva e representa um ato de resistência ao ataque direto contra o princípio de democracia na Europa. Eis a imagem final do veredicto, sóbria e majestosa ao mesmo tempo: “Isto significa que quando os Comissários Reais entraram na Câmara dos Lordes, foi como se entrassem com uma folha de papel em branco.

01.10.2019 | por Paulo de Medeiros

À espera do próximo futuro (II)

À espera do próximo futuro (II) Próximo Futuro termina abrindo para o futuro: piscando o olho à Europa e ao seu eurocentrismo que pouco tem considerado a banda desenhada, o género policial, a ficção científica ou o cinema de animação africanos e latino-americanos; lançando o desafio dos museus e as exposições virtuais de que o projeto-exposição Unplace, Arte em Rede: Lugares-entre-Lugares é exemplo e experiência; lançando a ideia das zonas de contato como espaços de ideias, conhecimentos, pessoas e artefactos em mobilidade...

24.09.2019 | por Margarida Calafate Ribeiro

À espera do próximo futuro

À espera do próximo futuro Estes movimentos visíveis e invisíveis, transparentes ou subterrâneos, levaram a uma nova visão sobre a presença da cultura negra no mundo, em muitos locais para além de África, e do próprio olhar sobre África. A partir de Portugal, que de facto tinha, historicamente, aberto as portas de primeiras globalizações, e olhando o futuro, como realidade e desejo, o programa Próximo Futuro abria com uma interrogação. Nas suas palavras do seu programador-geral: Podemos intervir no futuro, no próximo futuro? Podemos, certamente.

14.09.2019 | por Margarida Calafate Ribeiro

Peixe-coragem e o Narciso engoliu o oceano

Peixe-coragem e o Narciso engoliu o oceano Sob linha recta catapultou o peixe no escuro da queimada. Sob linha recta o barco deixou o marinheiro. Uma pedra atirada. O homem que caminha além mar (em coma) foi levado pela poligamia da areia. Está em coma profundo. É morte profunda também, tão funda como o céu enegrecido da noite.

12.09.2019 | por Indira Grandê

A Peregrinação cabo-verdiana de José Luís Hopffer Almada

A Peregrinação cabo-verdiana de José Luís Hopffer Almada é partindo desta componente africana que José Luís Hopffer Almada projecta no universal a luta e história do povo cabo-verdiano enquadrando-as nas lutas dos povos africanos contra a opressão colonial e pela liberdade.

31.08.2019 | por Adolfo Maria

Pode a arte mudar a sociedade? - Introdução

Pode a arte mudar a sociedade? - Introdução Porquê um livro sobre arte socialmente comprometida no final da segunda década do século XXI? que tipo de relações entre domínios aparentemente estanques como as práticas artísticas, as práticas sociais e as práticas políticas pretendem ser explicitadas aqui? que fluxos ontológicos e analíticos entre arte e política se convocam? que respostas podemos obter no cruzamento de tradições e disciplinas para estas inquietações? E que linguagens e contextos têm vindo a cruzar artistas, activistas e académicos para melhor compreendermos o cenário que conforma, na contemporaneidade, práticas artísticas de questionamento político e intervenção social?

19.08.2019 | por Carlos Garrido Castellano e Paulo Raposo

Portugal-Angola: regressos e derivações das memórias plurais na sociedade portuguesa

Portugal-Angola: regressos e derivações das memórias plurais na sociedade portuguesa Algumas destas histórias também revelam que esses “regressos” a Angola por pessoas da geração de Nuno podem, na realidade, ser derivações críticas, quando, após o regresso a Portugal, originam atitudes críticas sobre a persistência colonial na sociedade portuguesa. No contexto europeu, poderia o caso português representar uma alternativa: algo que, através de viagens pós-coloniais, levasse a uma sociedade mais igualitária que aceite uma nova narrativa pública plural do passado?

29.07.2019 | por Irène dos Santos

Conhecimento e pós-colonialismo na literatura global dos escritores guineenses fidjus dibideras no mundo

Conhecimento e pós-colonialismo na literatura global dos escritores guineenses fidjus dibideras no mundo manifesta a contestação à imagem “extrovertida” que a política assimilacionista e colonialista nos legou da dita “Guiné Portuguesa”, isolada, exótica e inexistente como fato histórico, antes da presença dos europeus. Essa visão lusocêntrica estabeleceu fronteiras entre “civilizados” e “indígenas” e tentou ocultar as dinâmicas internas da sociedade guineense, anteriores a essa chegada.

27.07.2019 | por Ricardino Jacinto Dumas Teixeira

Vendavais

Vendavais enquanto que muitos dos nossos antepassados continuarão silenciados e anónimos para sempre, des-lembrados nos livros de História escritos pelo mesmo tipo de homens que era o seu ‘dono’, tenho sorte agora, como sua descendente, de ser capaz de ajudar a contar o futuro da sua história”. São histórias como estas que nos dão esperança de que outros ventos possam em breve soprar para varrer esses resquícios de Império para o caixote de lixo da História onde pertencem, ou para o monte de destroços que Benjamin imaginou para nós.

20.07.2019 | por Paulo de Medeiros

Nu sta djuntu ou uma política de amor revolucionário

 Nu sta djuntu ou uma política de amor revolucionário Para cumprir com a sua missão assume primeiramente a sua condição de mulher indígena, branca, detentora de certos privilégios. Ao reconhecer esta cumplicidade afirma “sou uma criminosa que subcontrata o seu crime”. Através de uma série de exemplos nomeia os privilégios, da macro à microestrutura, que fazem dos corpos que habitam a “colónia interna da metrópole” meros objetos ao dispor da “boa consciência branca”.

16.07.2019 | por Apolo de Carvalho

Glotofobia: da discriminação linguística ao racismo pelo sotaque

Glotofobia: da discriminação linguística ao racismo pelo sotaque A reflexão sobre a glotofobia também permite questionar os imaginários linguísticos e culturais numa perspetiva pós-colonial ou descolonial. Devem ser novamente pensados os discursos apoiados numa territorialização política ou ideológica e sustentados por referências à pureza da origem, da língua, da religião ou do dogma ideológico

13.07.2019 | por Graça dos Santos

Tecer redes à procura de um novo mapeamento cognitivo contrarracista

Tecer redes à procura de um novo mapeamento cognitivo contrarracista No presente, porém, essa população miscigenada de forma forçada e violenta não encontra respaldo, nem reconhecimento por parte da elite política e econômica do país, que ainda reproduz comportamentos enraizados de discriminação dos afro- descendentes, sem esquecer que o primeiro grande contingente de escravos trazido a Portugal

11.07.2019 | por Miguel de Barros

Negro, entre pintura e história

Negro, entre pintura e história Os autores confrontaram-se com a ausência de informação sobre a representação de homens e mulheres negros na pintura europeia, o que os levou a interrogações muito objetivas: quem eram as pessoas representadas, o que motivou a sua representação, e porque é que na pintura raramente tinham uma identidade individualizada.

10.07.2019 | por Ana Paula Rebelo Correia

Afrofuturismo e Perspectivismo Ameríndio: duas ferramentas para um pensamento decolonial

Afrofuturismo e Perspectivismo Ameríndio: duas ferramentas para um pensamento decolonial Trazendo algumas reflexões sobre práticas de decolonização do conhecimento e artes no contexto afro e índio brasileiro, este artigo alerta sobre o possível esvaziamento de termos e teorias, concentrando-se no movimento afrofuturista. Em paralelo, o debate sobre o afropolitanismo em relação ao cosmopolitanismo, pan-africanismo, e a formação da identidade africana, reconhecendo múltiplas modernidades. Para concluir, aponta-se para o perspectivismo ameríndio como possível fuga na assunção de humanidades como base de um pensamento decolonizado. E ainda alguns trabalhos de artistas africanos, afrodescendentes e indígenas brasileiros.

02.07.2019 | por Laura Burocco

Arte é essencial para a Democracia

Arte é essencial para a Democracia Quando proponho a experiência estética como algo que nos coloca a ver a democracia – e aqui penso estética como Rancière a propõe em sua partilha do sensível, ou seja: como aquilo que possibilita a estese – em consonância com o título da intervenção estadunidense contra a anestesia de uma posse fascista, o que proponho de fato nada mais é do que observar aquilo que difere.

01.07.2019 | por Allende Renck

A resituição das obras está por todo o lado

A resituição das obras está por todo o lado O facto deste assunto estar por todo o lado quer dizer que transbordou da esfera político-museológica para o espaço público e mediático, o que é bastante positivo, sobretudo se for acompanhado de intervenções e de debates esclarecedores. O processo, que não era simples à partida, tornou-se mais complexo importando novos problemas e, dada a heterogeneidade das posições dos Estados envolvidos, aumentou a sofisticação que era exigida para tratar deste assunto.

30.06.2019 | por António Pinto Ribeiro

Máscaras europeias

Máscaras europeias Por que é que a Europa tem (ainda) tanta dificuldade em mostrar uma atitude coerente perante os discursos legitimadores dos racismos e da xenofobia? Quais são essas máscaras que lhe impedem de aceitar o seu passado colonial e considerar, de uma vez por todas, as diásporas como parte integrante da riqueza do mapa cultural europeu? O “velho continente” será capaz de conciliar o seu glorioso legado cultural (incluindo o teatro grego, dentro do contexto histórico em que este se insere) com o seu – menos glorioso – passado colonial?

22.06.2019 | por Felipe Cammaert

Historia de T.A

Historia de T.A Comecei a descer com o meu traje de mergulho, cabelo desarrumado... Andando desconfortavelmente, percebi que não havia motivo para pânico. Ninguém se incomodava. Na Turquia, as pessoas olhariam, tentando perceber quem era aquela pessoa e o que estava fazendo lá. Naquele momento, entendi ‘Estou na Europa mesmo’. Ninguém se incomoda. Eles são livres”.

16.06.2019 | por Sinem Taş

A recusa da guerra e o abismo colonial

A recusa da guerra e o abismo colonial a difícil assunção de uma guerra politicamente derrotada e o fecho traumático do ciclo imperial tenderam a produzir uma memória sobre a guerra colonial na qual – ainda que acentuando frequentemente a dimensão «trágica» ou «inútil» do acontecimento – sobressai uma leitura da participação no conflito como um gesto de dever e da figura do ex-combatente como alguém que fora vítima, ora dos «ventos da História», ora de uma guerra que fora obrigado a combater.

16.06.2019 | por Miguel Cardina

Silêncios que viram arte

Silêncios que viram arte A partir do olhar pessoal dessas artistas sobre a história francesa, depreendem-se elementos que permitirão construir novas narrativas oficiais em que o imigrante não seja visto como ameaça, mas como parte da diversidade de uma nação. Ao incluir a história daqueles que ajudaram a reconstruir a Europa, a ideia mesma da Europa resulta fortalecida. Nas suas mais diversas formas, a arte destas mulheres permite a análise do contemporâneo e a construção de uma ideia de futuro. “A arte é a força que obriga a realidade a dizer o que ela não poderia dizer por seus próprios meios ou, em todo caso, o que ela arriscaria manter voluntariamente em silêncio” escreveu o autor congolês Sony Labou Tansi.

09.06.2019 | por Fernanda Vilar