O colonialismo nunca existiu?

O colonialismo nunca existiu? A questão colonial é deslocada através de um mecanismo que omite os processos históricos ligados ao racismo, à escravatura e à dominação económica e cultural, em alternativa, realça o papel da língua, do património e do Mar como elementos diferenciadores da experiência colonial portuguesa. Se estas interpretações do passado revelam uma dada leitura da História – e dos seus usos no presente – elas dão conta também da dificuldade em evocar a dimensão violenta do colonialismo e a forma traumática como se encerrou o ciclo do Império.

20.11.2014 | por Miguel Cardina

“Ausência Permanente” de Délio Jasse

“Ausência Permanente” de Délio Jasse São lugares de “decadência imperial” sendo que apresentam vestígios materiais e imateriais, tangíveis e intangíveis de detrito colonial; ou seja, uma espécie de lixo – não só material, mas também ideológico e institucional – que degrada as personalidades que aí habitam. Isto revela-se no modo como as pessoas são forçadas a viver com os efeitos e influências do período pós ou neocolonial. Olhando para as imagens de Jasse, avistamos fragmentos de espaço teimosamente habitados por gente deslocada, forçada a ceder ou encontrar um espaço na cidade comodificada e moldada para o consumo turístico, para o minério e multiplicação de centros comerciais.

20.11.2014 | por Nancy Dantas

O racismo começa onde acaba a cultura?

O racismo começa onde acaba a cultura? A premissa luso-tropicalista, assente numa falácia histórica, minada por um misto de hipocrisia e cinismo políticos, vai ganhando sedimentação ideológica e dificultando um debate sério e frontal sobre o racismo. Em Portugal, o racismo e a sua negação são estruturais no confronto ideológico sobre o lugar da diferença numa sociedade potencial e estruturalmente racista, porque estrutural e historicamente coloniais.

20.11.2014 | por Mamadou Ba

Fazer nascer uma nação

Fazer nascer uma nação O escritor Manuel Rui chegou a Portugal já a delegação da Casa dos Estudantes do Império de Coimbra tinha sido encerrada pela PIDE, mas a semente do movimento nacionalista crescia sem controlo entre os estudantes vindos das colónias. «Saímos daqui sem saber o que era Angola e a história dos grandes lutadores contra a ocupação. Na escola estudámos a História de Portugal, decorávamos o hino nacional, conhecíamos as cores da bandeira nacional portuguesa, e era isto que nós sabíamos».

14.11.2014 | por Joana Simões Piedade

Poesia como reacção

Poesia como reacção Arnaldo Santos é autor de dois livros editados pela Casa dos Estudantes do Império na década de 60, apesar de nunca ter estudado em Portugal. O escritor recorda os tempos em que nas férias levou mensagens de Lisboa para Paris, fazendo a ponte entre Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade que urdiam as independências africanas.

13.11.2014 | por Joana Simões Piedade

Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura?

Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura? Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

12.11.2014 | por Joana Gorjão Henriques

Por quem os tambores chamam

Por quem os tambores chamam Escravos Ngolas, Benguelas, Congos e Nganguelas chegaram ao Uruguai a partir do século XVII. Com outros africanos cativos, criaram um ritmo que ainda hoje agita as ruas da capital Montevideu. Deram-lhe um nome kimbundo: candombe. História desconhecida dos povos de Angola no outro lado do grande oceano.

10.10.2014 | por Pedro Cardoso

Estória verdadeira com poeta de verdade

Estória verdadeira com poeta de verdade . Um belo poema ao amor que encontrei logo, e exactamente ao lado aqui mesmo virado ao olho, espanto meu afinal... lá vem África tão felizmente longe-longe, bem congelada lá na época que caçou todo o imaginário, quem diria ainda preso aqui, criadas e cantáridas, meninos brancos desejosos e abandonados. O depois da iÁfrica terá morrido, seu passado existido teria não. Não se sabe – zumbis, cenário, palco, intervalo, alívio, reverso, personagens mudas, ecos, ecos – não se sabe.

24.09.2014 | por Branca Clara das Neves

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral?

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral? Aqui revisitamos a biografia de Iva Pinhel Évora (1893-1977) nas fronteiras da vida pública e privado. Por outro lado, propõe-se uma abordagem sobre a sua influência na formação do líder e teórico da luta de libertação da Guiné e de Cabo Verde.

16.09.2014 | por Eurídice Monteiro

Socorro, vem aí um meet!

Socorro, vem aí um meet! Por mim, imaginava o agente Bernaaardo das secretas, vestido à dred, na Cova da Moura, a tentar espiar perigosíssimos meets, e a dizer aos transeuntes, enquanto batia com o punho no peito: "respect, niga." Falando sinceramente, a histeria em relação aos meets diz mais do estado psicológico da classe média e de alguma comunicação social que da situação de miséria que vivem os subúrbios de Lisboa.

02.09.2014 | por Nuno Ramos de Almeida

Eduardo Lourenço anti-colonialista

Eduardo Lourenço anti-colonialista Em si, o título – Do Colonialismo como Nosso Impensado -- é já uma rebeldia contra toda uma tradição que vigora, tanto na academia portuguesa como no sistema político-partidário, e que insiste em ignorar que o colonialismo – em especial, o português – não é objecto prioritário de estudo nem de política nacional e internacional.

18.08.2014 | por António Pinto Ribeiro

África: o celeiro do mundo

África: o celeiro do mundo Em África, o mercado agro-alimentar representa mais de 35 mil milhões de dólares: a “revolução verde” já começou. Além do papel da mulher na investigação agro-alimentar, Moçambique tem sido também um “estudo de caso”, exemplo do que se tem passado a nível de investimento, corrida à concessão de terras e aumento da produtividade agrícola.

29.07.2014 | por Raquel Ribeiro

Sobre Sonhu Sonhado, Sonho Sonhado, Dreamt Dream, de Carlota de Barros

Sobre Sonhu Sonhado, Sonho Sonhado, Dreamt Dream, de Carlota de Barros No contexto, diferenciado e linguisticamente multifacetado, o crioulo foi e continua a ser o principal signo identitário e, por isso mesmo, ainda que em alguns casos somente em potência, o principal elo de ligação, de identificação e de comunicação entre os caboverdianos de todos os tempos e lugares, situados nas ilhas e nas diásporas, localizados nos lugares do passado, do presente e do futuro do nosso povo disperso pelo mapa-mundo da sua alma migratória e dos pés andarilhos do globo dos seus filhos emigrantes e da sua demanda de sempre de uma vida cada vez melhor.

07.07.2014 | por José Luís Hopffer Almada

Luanda, retrato literário

Luanda, retrato literário O prédio da Lagoa no centro de Luanda (Largo do Kinaxixi), carcaça deixada por acabar em 1975 e ocupada por refugiados da guerra a partir de 1992, é um musseque (bairro da lata) em altura que acabou por transformar-se involuntariamente em símbolo da capital angolana — 17 andares sem água, nem luz, nem saneamento básico, sem varandas, sem corrimãos —, um prédio carente das mínimas condições de habitabilidade transformado em abrigo para gente deslocada.

20.06.2014 | por António Rodrigues

Os fantasmas do colonialismo regressam

Os fantasmas do colonialismo regressam Na actualidade, a situação de subalternidade para onde o capitalismo empurrou todos os subalternos, ou seja, quase toda a humanidade, faz com que pensemos que talvez se esteja a caminhar em direcção a um “devir-negro” à escala global que já não identifica somente todas as pessoas de origem africana mas toda a humanidade que estiver na situação de subalternidade.

09.03.2014 | por António Pinto Ribeiro