Faradai e Ikonoklasta - A Seca (Single)

Faradai e Ikonoklasta - A Seca (Single) Enquanto o país se consome de forma autofágica com os seus problemas, este país onde, nos dias que correm, muitos trocam o respeito pela atenção, nós seguimos tentando, com a nossa arte, provocar naqueles que gostam de ouvir com os olhos e ver com os ouvidos, a sensação reconfortante de estarem acompanhados. Por entre tantas adversidades que assolam este quintal, não há tragédia maior do que a seca para à qual foram conduzidas as mentes, que se tornaram estéreis e incapazes de gerar conhecimento para, juntos, darmos a volta por cima. A seca está nas mentes.

Palcos

12.02.2019 | por vários

Estado de emergência cultural

Estado de emergência cultural O contínuo desaparecimento de importantes segmentos da memória artística e cultural do nosso país, bem como a falta de atenção à grande parte da actual “cultura viva” não são metáforas catastrofistas: são factos que assistimos dia após dia, sem dizermos nem fazermos nada com medo de sofrer represálias até mesmo quando, na verdade, a culpa é colectiva e chamamos à responsabilização de todos.

A ler

09.02.2019 | por Adriano Mixinge

Desburocratizar Angola

Desburocratizar Angola Não sei como começou esta febre da “apropriação cultural” mas vem mesmo a calhar. É a expressão que faltava para caracterizar a burocracia. Sim, nós mangolês apropriamos a burocracia dos tugas e infelizmente fizemo-lo à letra; apropriamos a burocracia como cultura, ou a burocracia é que nos apropriou; a burocracia como doutrina, a burocracia agora é nossa, burocracia e mais burocracia. BU-RO-CRA-CIA. Vive la bureaucratie! Quem está bem é o bebé nas costas da mãe, cochila desconhecendo as nossas malambas diárias.

Cidade

06.02.2019 | por Indira Grandê

Mudanças na percepção do kuduro

Mudanças na percepção do kuduro O kuduro em Angola é intervenção urbana e social. Além da música e dança tão potentes que não deixam ninguém indiferente, é “forma” de contar uma estória. Se repararmos na questão linguística, a linguagem kudurista reveste-se de grande criatividade, absorve qualquer gesto do quotidiano, ironias e falas de rua, inventando até idiolectos como o "burguês", performatizando uma certa loucura da vida urbana.

Palcos

02.01.2019 | por Marta Lança

Angola quer as suas bonecas de volta

Angola quer as suas bonecas de volta A discussão sobre a devolução de obras etnográficas, de valor artístico ou documental e até de despojos humanos aos países de origem não é nova, mas ganhou força redobrada há duas semanas com o anúncio da decisão de Emmanuel Macron de devolver ao Benim uma coleção de bronzes, retirados do país no final do século XIX no âmbito de uma expedição militar punitiva contra os reinos da África Ocidental.

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13.12.2018 | por vários

Um lugar à mesa, por favor!

Um lugar à mesa, por favor! Proponho-vos um feminismo onde a palavra solidariedade não seja um ponto de comunhão das nossas semelhanças, mas sim um ponto de entendimento das nossas diferenças. Tal como nos propõe Awino Oktech no livro Queer African Reader, quando discute solidariedade como substituto de irmandade.

Corpo

11.12.2018 | por Paula Sebastião

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO Sonhou que via Luanda lá de cima. No alto do Morro da Cruz, um mpungi gigante de marfim equilibrava-se na sua ponta. No Morro da Fortaleza, outro mpungi igual. Da terra chegou um sopro grave que subiu pelas pontas maiores dos mpungis. Este alcançou as nuvens, e o céu palpitou em resposta. O barulho feito pelo céu espalhou-se por onde lhe levou a vontade. Depois juntaram-se marimbas a tocar na Corimba e mukupelas na Samba.

Mukanda

29.11.2018 | por Yara Monteiro

Irmãos de língua, a cultura brasileira ganha terreno em África

Irmãos de língua, a cultura brasileira ganha terreno em África No campo das artes procura-se atualizar as relações entre Brasil e África nesse olhar contemporâneo. E os artistas serão sem dúvida o maior veículo, como disruptores de uma mentalidade fechada, pouco descolonializada e preconceituosa, quebrando estereótipos e outra amarras, com a força criativa e resistente que se encontra em várias manifestações da cultura brasileira e africana.

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01.11.2018 | por Marta Lança

Introduzir novas estéticas e novas linguagens para a dança em Angola, entrevista a Ana Clara Guerra Marques

Introduzir novas estéticas e novas linguagens para a dança em Angola, entrevista a Ana Clara Guerra Marques "A modernidade chegou às aldeias e as formas de poder tradicionais já não possuem as mesmas características, nem as mesmas abrangências. Os distintos agentes sociais alteram as suas funções e transformam-se as essências." conta a coreógrafa e directora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola.

Palcos

24.09.2018 | por Marta Lança

De uma vagabunda para outra: um convite para se sentar à mesa

De uma vagabunda para outra: um convite para se sentar à mesa Temos em comum fazermos parte de contextos que asfixiam as nossas liberdades de ser e sentir; sermos violentadas supostamente por causa da roupa que vestimos e ainda termos de ouvir “puta, assanhada, vagabunda”.

Corpo

10.08.2018 | por Leopoldina Fekayamãle

A ilha de Vénus

A ilha de Vénus O projeto “A Ilha de Vénus” além de ser um questionamento sobre a legitimação de uma história que exclui o “outro”, é também uma reflexão sobre uma das maiores tragédias da humanidade no presente, que começa na busca de um sonho que somente é realizado cruzando o Mediterrâneo. A realização deste sonho muitas vezes termina num pesadelo.

Mukanda

09.06.2018 | por Kiluanji Kia Henda

Fuckin’ Globo quarto a quarto

Fuckin’ Globo quarto a quarto De 1 a 6 de Fevereiro decorreu, na baixa de Luanda, a 4ª edição do Fuckin’ Globo. As propostas do colectivo artístico foram, como habitualmente, variadas. O tom e a crítica social e política apresentam-se cada vez mais contundentes. Revisitemos os quartos e a fachada do Hotel Globo, na rua Rainha Ginga.

Vou lá visitar

21.02.2018 | por vários

"falar de períodos críticos de transição da história de Angola", entrevista a José Luís Mendonça

"falar de períodos críticos de transição da história de Angola", entrevista a José Luís Mendonça No Reino das Casuarinas, de José Luís Mendonça (2014), tenta esclarecer estórias atravessadas na História de Angola, com sabor a desilusão. O estilo literário e o rigor jornalístico tornam a leitura aprazível. Um reino na floresta da Ilha de Luanda, um grupo de aparentes indigentes afinal tão visionários. O autor, director do jornal Cultura, tem esperança de se fazer ouvir num país onde diz faltar o diálogo, e onde não se deve deixar de sonhar com uma nova sociedade na qual o cidadão tenha valor. E tem propostas para tal.

Cara a cara

19.02.2018 | por Marta Lança

Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola

 Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola   No debate actual sobre racismos em português, analisadas de perto, as relações e interações observadas entre portugueses e angolanos em Angola aparecerem ainda imbuídas de preconceitos enraizados que derivam e se legitimam em mitos perenes sobre a história colonial portuguesa.

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18.01.2018 | por Carolina Valente Cardoso

“Nunca pediria asilo à embaixada portuguesa, com medo de ser entregue”, entrevista a José Eduardo Agualusa

 “Nunca pediria asilo à embaixada portuguesa, com medo de ser entregue”, entrevista a José Eduardo Agualusa Pessoas que se sentiram abandonadas,de repente os seus patrões, que lhes davam ordens, passaram do campo socialista para o capitalista sem nenhum problema. Tudo aquilo que eles tinham feito, morto e torturado, em nome de um ideal socialista, tinha deixado de ter sentido. Essas pessoas sentem, algumas delas são muito atormentadas. Outras não. Outras também mudaram de lado com os patrões.

Cara a cara

13.06.2017 | por Nuno Ramos de Almeida

Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo Ortográfico

Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo Ortográfico Fundamentos políticos, económicos, jurídicos. E linguísticos. A implantação do Acordo Ortográfico (AO) na totalidade da CPLP continua em discussão e os encontros de ministros da Educação e da Cultura em Luanda, há uma semana e meia, trouxeram à luz novos argumentos sobre os impasses na ratificação de Angola e Moçambique.

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20.05.2017 | por Marta Lança

O coma do criptozoólogo Svart através da chuva

O coma do criptozoólogo Svart através da chuva Em 2008 o escritor luso-sueco Miguel Gullander acompanhou uma expedição pela mata angolana na pegada da palanca negra, na qual se inspirou para escrever o romance "Através da Chuva". Entre vários episódios alucinantes, cruzamo-nos com um curioso protagonista, o criptozoólogo Svart.

Cara a cara

05.04.2017 | por Marta Lança

“O povo é o peão do xadrez da História de Angola”, entrevista a Alberto Oliveira Pinto

“O povo é o peão do xadrez da História de Angola”, entrevista a Alberto Oliveira Pinto Alguns factos: a formação dos presídios do Kwanza, iniciados com Paulo Dias de Novais em 1575; a aliança entre os Imbangala e os portugueses no início do século XVII; a coligação de Estados africanos liderada pela rainha Njinga Mbandi entre 1635 e 1648; as campanhas militares de Luís Lopes de Sequeira, o “Mulato dos Prodígios”, que desmantelou os Estados do Congo, do Ndongo, do Libolo e da Matamba; a terrível guerra civil no Congo na viragem para o século XVIII; a Independência do Brasil em 1822 marcou uma viragem na política colonial portuguesa em relação a Angola e São Tomé.

Cara a cara

22.03.2017 | por Marta Lança

Fuckin'Globo III, um grupo de criadores revoluciona a cena artística em Luanda

Fuckin'Globo III, um grupo de criadores revoluciona a cena artística em Luanda “Fuckin Globo III” não é uma exposição ao uso: situada à margem das instituições, privilegiando o papel criador e produtor dos artistas, revalorizando um espaço que foi nobre no tempo colonial mas passou a ser decadente no pós-independência e, sobretudo, visando um público sensível e conhecedor, marca uma reviravolta ainda maior no universo das profundas transformações culturais de Angola.

Vou lá visitar

21.02.2017 | por Adriano Mixinge

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras"

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras" O meu ponto é: deve ser dado um contexto um bocadinho mais livre e rico às pessoas. Se em Portugal não há música nas escolas, em Angola nem escolas há. E aqui a música acabou transformada num exercício de escapismo em relação à guerra, pois durante a guerra todos os músicos com um discurso minimamente interessante e relevante estavam fora do país. E é precisamente esse discurso critico e consciente que enriquece a terra porque faz com que ela circule e não fique estática. Algo que esteve na origem do kuduro, por exemplo. Foi uma espécie de reacção à realidade.

Palcos

25.11.2016 | por Hugo Jorge