A Índia não estava coberta: descobrir a presença portuguesa em Cochim

A Índia não estava coberta: descobrir a presença portuguesa em Cochim Cochim, a maior cidade do estado de Querala, foi uma das principais bases da presença portuguesa na Índia. A forma como os navegadores portugueses são recordados na cidade desafia as representações dominantes em Portugal, que glorificam os exploradores e o período dos “Descobrimentos”. Pelo contrário, revela histórias pouco conhecidas de violência, crueldade e coerção.

Vou lá visitar

04.02.2018 | por Marta Vidal

Djidiu- a herança do ouvido: poemas para sacudir mentes e iluminar caminhos

Djidiu- a herança do ouvido: poemas para sacudir mentes e iluminar caminhos Djidiu é, portanto, um livro atravessado por “recordações e movimentos” de poetas e escritores(as) negros(as) que ecoam as suas vozes num território português, marcado por profundas desigualdades raciais, onde já não se pode fugir de um debate sério sobre o racismo, consequência das ações dos movimentos negros cada vez mais atuantes no país.

A ler

27.01.2018 | por Francy Silva

Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola

 Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola   No debate actual sobre racismos em português, analisadas de perto, as relações e interações observadas entre portugueses e angolanos em Angola aparecerem ainda imbuídas de preconceitos enraizados que derivam e se legitimam em mitos perenes sobre a história colonial portuguesa.

A ler

18.01.2018 | por Carolina Valente Cardoso

Racismo em 2017, um ano Negro?

Racismo em 2017, um ano Negro? Esta consequente alta-visibilidade em 2017 tem as suas raízes num movimento longo, difuso, quotidiano, negro e cada vez mais no feminino, de debates, peças de teatro e cinema em torno da questão negra; celebrações das raízes culturais e ancestralidade; redes de solidariedade inter-bairros; (re)construções estéticas e identitárias afrocentradas; exposições, blogues, textos escritos a várias mãos e música a várias vozes.

Mukanda

17.01.2018 | por Mamadou Ba e Cristina Roldão

2017 em Portugal: o racismo, a escravatura e o renascimento negro

2017 em Portugal: o racismo, a escravatura e o renascimento negro Assiste-se à afirmação social, cultural, política e mediática do associativismo afrodescendente em Portugal, em matérias que afetam as suas vidas e as suas expectativas sociais e nas mais diversificadas formas de luta: desde a valorização das suas características fenotípicas e da sua herança cultural africana com iniciativas diversas nas diferentes expressões culturais, à organização de abaixo-assinados, conferências e manifestações de pressão política para alteração de leis que condicionam a sua cidadania, como a Lei da Nacionalidade, ao debate académico sobre o racismo, a cidadania, feminismo negro e a identidade social.

A ler

31.12.2017 | por Joacine Katar Moreira

Só há um absoluto: não há absolutos

Só há um absoluto: não há absolutos É possível pensar o passado fora da História. Fazemo-lo todos os dias. Já Hayden White o tinha dito. História e passado são coisas distintas. O passado é uma coisa e está-se nas tintas para os historiadores; a História é outra e não é indiferente ao que ofende o nosso sentido moral.

Mukanda

01.12.2017 | por Elísio Macamo

Exposição ao condicionamento da mente

Exposição ao condicionamento da mente Os Guilherme Valente deste mundo pensam que a sua indiferença em relação aos problemas dos outros bem como a sua falta de respeito pelo outro são valores centrais à cultura “ocidental”. Não percebem que essa cultura se renova constantemente através do sentido crítico e do compromisso com a realização do seu potencial ético. A popularidade da direita nacionalista hoje traz ao de cima a vulnerabilidade da Europa à esclerose normativa.

A ler

21.11.2017 | por Elísio Macamo

Esperar, esperar… desesperar. A política imigratória em Portugal

Esperar, esperar… desesperar. A política imigratória em Portugal “Espera, espera…” é a única resposta que recebem do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que em 2016 entendeu fechar ainda mais as portas da Europa-fortaleza. Tão fácil e popular é o medo e a paranoia securitária, que veem terroristas em cada semblante vindo de fora, mesmos naqueles que jazem no fundo do mar Mediterrâneo.

Jogos Sem Fronteiras

30.01.2017 | por Filipe Nunes

Lugares onde Portugal foi buscar escravos

Lugares onde Portugal foi buscar escravos A proposta da viagem era ir aos lugares de onde foram tirados esses africanos. Muitos já tinham sido escravizados por senhores locais, que com o interesse dos europeus incrementaram a prática; muitos outros foram aprisionados pela primeira vez; mas a exposição não entra por estes antecedentes. Concentra-se no que o fotógrafo foi encontrando da memória afro-brasileira: castelos, fortalezas, pelourinhos, rituais, danças, festas. Aquilo que foi levado para o Brasil, mas também o que do Brasil voltou para África, com os escravos libertos no século XIX, os retornados, chamados de agudás no Benim, amarôs no Togo e na Nigéria, ou tabons no Gana. Acontece terem nomes como Almeida, Silva. Fazem churrasquinho, feijoada, carnaval.

Vou lá visitar

05.01.2017 | por Alexandra Lucas Coelho

Papagaios ao espelho do colonialismo

Papagaios ao espelho do colonialismo Essa relação entre papagaio e espelho, autoritária e inevitavelmente falha, habita os materiais da performance e da exposição final do Museu Encantador. Numa tentativa de desmanchar esta relação de autoridade platônica da imitação, muitos dos vídeos da exposição torcem o sentido desta autoridade, misturando os elementos luso-brasileiros até sua indistinção, ou propagando o sentido das imitações até outras esferas, misturando níveis de realidades classicamente separados.

Vou lá visitar

17.11.2016 | por Rita Natálio

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo Grande não seria Portugal romper o ufanismo? De que adianta suturar, unir e rir, se por baixo a coisa continuar preta? Enquanto alguém quiser o pastiche de uma nau ou um museu para “celebrar os Descobrimentos” não teremos avançado. Portugal continuará a repetir os velhos mitos que o confortam e adiam, ora desconfiado, ora ufano, nunca mudando o ponto de vista. Não se trata de celebrar ou largar o passado, mas de o encarar a partir do que investigadores têm feito e, espera-se, continuarão a fazer (...). Incorporar esse refazer da história nas escolas, na política, na diplomacia, sem saudade e sem lamento, seria a coragem que ainda não houve.

Mukanda

13.03.2016 | por Alexandra Lucas Coelho

OEm Emigração Portuguesa: Relatório Estatístico 2015

OEm Emigração Portuguesa: Relatório Estatístico 2015 Portugal é hoje o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente. O número de emigrantes portugueses supera os dois milhões, o que significa que mais de 20% dos portugueses vive fora do país em que nasceu.

A ler

02.11.2015 | por vários

Entrevista a José Luís Mendonça

Entrevista a José Luís Mendonça As relações entre Angola e Portugal, durante a primeira fase da guerra pós-independência (1975-1992), foram muito marcadas pela postura de Mário Soares, na sua aversão ao poder estabelecido em Angola. Com a abertura da economia angolana à omnipotência do Mercado, as relações amenizaram-se, embora, mesmo no período de contenção, as relações humanas e familiares conseguiram escapar às questões políticas dos dois governos.

Cara a cara

05.10.2015 | por Maud de la Chapelle

Patrimónios de Influência Portuguesa: Modos de Olhar

Patrimónios de Influência Portuguesa: Modos de Olhar A influência portuguesa é assim um espaço que extravasou na geografia e no tempo os limites formais das sucessivas configurações geopolíticas do antigo Império, produzindo transculturalidades intensas e difusas, celebradas e ocultas, ostensivas e sensíveis, que o pós-colonialismo vai fragmentadamente absorvendo.

Cidade

15.09.2015 | por Margarida Calafate Ribeiro e Walter Rossa

Violência e racismo na Cova da Moura

Violência e racismo na Cova da Moura Polícia espanca jovens negros e inventa “pseudo-invasão de esquadra” para justificar tortura. “Não há capitalismo sem racismo”. Afinal, o racismo é uma forma de legitimar uma mão-de-obra subalterna com vista a reduzir os salários e aumentar os lucros dos patrões. Grande parte dos negros e das negras estão “incluídos” na sociedade portuguesa de uma forma bastante específica: enquanto mão-de-obra precária, barata ou desempregada. Por isso, o racismo só pode ser pensado em associação com a dimensão das classes sociais. As consequências desta nefasta combinação todos conhecem: marginalização em múltiplas esferas da vida social (da escola aos media; do local de trabalho à moradia), violência policial, segregação e humilhações sem fim.

Cidade

11.02.2015 | por Otávio Raposo

O racismo começa onde acaba a cultura?

O racismo começa onde acaba a cultura? A premissa luso-tropicalista, assente numa falácia histórica, minada por um misto de hipocrisia e cinismo políticos, vai ganhando sedimentação ideológica e dificultando um debate sério e frontal sobre o racismo. Em Portugal, o racismo e a sua negação são estruturais no confronto ideológico sobre o lugar da diferença numa sociedade potencial e estruturalmente racista, porque estrutural e historicamente coloniais.

A ler

20.11.2014 | por Mamadou Ba

Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura?

Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura? Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

A ler

12.11.2014 | por Joana Gorjão Henriques

As lutas pela memória de Eusébio

As lutas pela memória de Eusébio Eusébio é, simultaneamente, o melhor jogador moçambicano de sempre e o melhor jogador português de sempre. A nacionalização de Eusébio, com a sua transladação para o Panteão Nacional, só poderá ser uma matéria tensa. O melhor será devolvê-lo à grande comunidade mundial dos adeptos do futebol e não transformá-lo, mais uma vez, em património nacional.

A ler

10.01.2014 | por Nuno Domingos

Por uma história da alimentação em Portugal

Por uma história da alimentação em Portugal J. P. de Lima-Reis é mais preciso quanto à questão do legado culinário de origem árabe em Portugal; destaca os avanços técnicos dos Mouros (presentes em terras portuguesas de 711 a 1249) na cultura da oliveira e em outros domínios tais como a moagem do milho ou a dissecação de frutas (principalmente o figo), mostra a introdução de novas combinações de ingredientes no forma como os nativos cozinhavam à época, tal como a açorda, a perenidade de alguns pratos que se tornaram emblemáticos de uma região (almôndegas ou xarém no Algarve, almorretas no Trás-os-Montes) (p. 37) ou ainda a evolução das maneiras à mesa em direcção a um refinamento cada vez mais evidente entre as pessoas da Corte ou da alta nobreza.

A ler

22.03.2013 | por Gérard Chalendar e Pierrette Chalendar

O nacionalismo militante em o "Livro dos rios", de José Luandino Vieira

O nacionalismo militante em o "Livro dos rios", de José Luandino Vieira A expressão “nacionalismo militante” confunde-se, em conceito, com o termo “resistência” - já pensado e formulado entre os anos 1930 e 50, quando vários intelectuais se engajaram na luta contra o fascismo, nazismo, franquismo, salazarismo e, sobretudo contra o colonialismo. Ao longo desses anos firma-se uma frente de carácter libertador que, nas lutas de guerrilha, procura a libertação do jugo colonial.

A ler

19.03.2013 | por Francisco Kulikolelwa Edmundo