José Mário Branco, a eterna inquietação

José Mário Branco, a eterna inquietação Músico, compositor, artista multifacetado, activista cultural, social e político… José Mário Branco, 68 anos, do Porto, “muito mais vivo que morto, contai com isto de mim, para cantar e para o resto”. “FMI, não há força que detenha o FMI” podia ser uma citação actual a propósito da inevitabilidade do resgate português pelo Fundo Monetário Internacional. Mas não, é um excerto de um manifesto cultural português do final dos anos 70, o grito catártico de desencanto de uma geração, elaborado por José Mário Branco.

12.04.2011 | por João Torgal

Pós-apartheid. Pós-house. Isto é Spoek Mathambo

Pós-apartheid. Pós-house. Isto é Spoek Mathambo Spoek Mathambo é Nthato Mokgata: músico, produtor, DJ e designer gráfico de 26 anos, líder de uma verdadeira vaga de inovação musical saída do continente africano. Divide-se entre vários projectos musicais, como Sweat.X e PlayDoe, mas é a solo que este homem dos mil ofícios nos visita, trazendo consigo a sua banda para invadir o Lux, em Lisboa, no dia 14 de Abril. Numa entrevista à FACT magazine, aqui partilhada com o BUALA, Spoek fala da inescapável hibridização de géneros e da entusiasmante mistura da herança rítmica africana com linguagens electrónicas.

11.04.2011 | por FACT

Kota 50, um fotógrafo angolano

Kota 50, um fotógrafo angolano Paulino Damião, repórter fotográfico, 35 anos de carreira, todos no Jornal de Angola. Estudou fotografia por correspondência no Instituto Universal Brasileiro e na Escola Álvaro Torrão, de Portugal. No auge do P&B teve estúdio e laboratório no Largo da Portugália, centro de Luanda. Sem saudosismos, gosta muito da instantaneidade da foto digital. Adora mostrar o resultado no visor de sua câmera. Em 80 foi enviado a Moscou para cobrir a olimpíada. Era o único fotógrafo negro credenciado para os jogos olímpicos, conta. Conhece quase toda a África subsaariana.

11.04.2011 | por Greg Salibian

Fragmentos do Real. Entrevista Mário Macilau

Fragmentos do Real. Entrevista Mário Macilau Mário Macilau é um fotógrafo (de fragmentos) do real. Macilau é um contador de histórias, e enquanto narra, através das suas imagens, medita acerca do ambiente social, político e económico do seu país e do mundo – para os quais olha de forma nua, crua, sem artifícios. Como o próprio afirma, não encena nem desenha o momento fotográfico. As suas imagens são instantâneas. Ele não as procura, encontra-as. Aproxima-se, com a sua câmara, das inúmeras personagens anónimas que povoam os seus registos – interessam-lhe o movimento do homem contemporâneo e a relação deste com o espaço. O corpo torna-se, assim, protagonista, sem artefactos, das realidades que captura.

11.04.2011 | por Sílvia Vieira

Kiluanji Kia Henda to me

Kiluanji Kia Henda to me Entrevista realizada por chat, em vários momentos e dias diferentes, pontuada por quedas constantes da linha cibernética que desenha a triangulação transatlântica e ex-colonial entre Luanda, Angola – residência de Kiluanji Kia Henda, cidade onde nunca estive; São Paulo, Brasil – minha residência temporária, local do primeiro encontro entre mim e o Kiluanji, lugar próximo da origem da série que aqui se apresenta; Lisboa, Portugal – minha residência fixa, fonte do horário apontado pelo meu computador e ex-residência temporária do Kiluanji.

07.04.2011 | por Lígia Afonso

Razões para lutar - entrevista a Luaty Beirão

Razões para lutar - entrevista a Luaty Beirão Num concerto de hip hop em Luanda, denunciou a cultura do medo e incitou a plateia a vaiar o poder. Alinhou numa manifestação que não chegou a acontecer, convocada anonimamente na internet, para uma estranha hora: meia-noite na praça da independência. Luaty Beirão aka Ikonoklasta aka Brigadeiro Mata Frakuxz estava nesse pequeno grupo de manifestantes que foi preso. Mas amanhã voltarão a marchar pela liberdade de expressão em Angola. É preciso organização e vontade para desenvolver uma consciência participativa e lutar por direitos e liberdades, num país com memória da violência entranhada. A juventude angolana tem um papel fundamental para fortalecer a sociedade civil. Precisa de ser ouvida. Luaty Beirão falou bem alto desta vez.

01.04.2011 | por Marta Lança

Fazer poesia – e outros projectos..., entrevista a Ondjaki

Fazer poesia – e outros projectos..., entrevista a Ondjaki Reconstruir o país pelos livros, pela cultura... Claro. Cada um tentando contribuir como pode. Está muita coisa a ser feita, mas é preciso também, além das estradas e pontes, trabalhar com a cultura, com os livros, com os hábitos de leitura. E falta muito? Falta sempre muito, num país em reconstrução. Trata-se de uma tarefa gigantesca, que passará pelos esforços da população e do governo também. É preciso retrabalhar as ideias, os ideais, os valores. Retrabalhar constantemente a democracia, habituarmo-nos a expressar a nossa opinião e que os nossos dirigentes nos possam escutar, e não simplesmente fingir que escutam.

27.03.2011 | por Paulinho Assunção

A viagem das palavras, entrevista a Sónia Sultuane, artista moçambicana

A viagem das palavras, entrevista a Sónia Sultuane, artista moçambicana Com ela, as palavras ganharam movimento e embarcaram numa viagem íntima sem fim à vista. Arrancou-as do púlpito sagrado do livro e empoleirou-as num monte de carvão, mergulhou-as no mar, elevou-as ao terraço de um prédio para beberem a inebriante vista da cidade. Numa rota imparável de Moçambique para o mundo, o projecto Walking Words (“palavras que andam”), de Sónia Sultuane, chega brevemente ao Brasil. Artista plástica, poetisa, criadora sob várias formas, Sónia esconde o embaraço de algumas perguntas com um riso tímido, mas emerge com tom firme e resoluto quando a conversa deriva para a política.

27.03.2011 | por Cristiana Pereira

Marlene Dumas: Uma pintora da vida moderna

Marlene Dumas: Uma pintora da vida moderna Marlene Dumas viveu e estudou na África do Sul até 1976, contornando como podia as limitações impostas pela censura, nomeadamente no meio estudantil britânico da Michaelis School of Fine Arts da University of Cape Town. A relação com pintura era, entretanto, vivida de forma dolorosa, confusa. "Vivia inserida numa sociedade que não valorizava a pintura ou que a submetia a um ensino caduco. Não respondia aos meus desejos e aspirações. Chegava a sentir-me culpada por ser uma pintora, actividade que na África do Sul todos achavam insignificante e não tinha modelos. Vivia um conflito com aquilo de que gostava. Por isso, criei a minha própria história pessoal com o suporte."

26.03.2011 | por José Marmeleira

Desfazer o afro-pessimismo, entrevista a Okwui Enwezor

Desfazer o afro-pessimismo, entrevista a Okwui Enwezor Os fotógrafos africanos humanizam, enquanto europeus e americanos tendem a inscrever as imagens de África numa narrativa de desespero e miséria, recuando para a percepção, predominante na época colonial, de que a pessoa é objecto - e não sujeito - da fotografia. Entrevista com Okwui Enwezor, decano dos Assuntos Académicos no Instituto de Arte de São Francisco.

25.03.2011 | por Ana Dias Cordeiro

Graça Machel

Graça Machel Graça Simbine, viúva de Samora Machel e esposa de Nelson Mandela. A referência aos seus dois «maridos e heróis», como ela gosta de os chamar, bastaria para fazer desta moçambicana de 63 anos uma figura ímpar da história africana contemporânea. Mas Graça Machel é muito mais do que a mulher de dois homens excepcionais. Ela sabe-o melhor do que ninguém, e nunca quis ser apenas «primeira-dama». Em Novembro 2008, no secular salão nobre da Academia de Ciências de Lisboa , o antigo presidente da África do Sul e Prémio Nobel da Paz foi proclamado seu sócio de honra. A ausência física foi substituída pela voz e pela presença de Graça Machel que recebeu também a distinção de sócia correspondente estrangeira, e o apresentou despido do mito.

23.03.2011 | por António Melo

O Mundo é uma Ilha

O Mundo é uma Ilha  Passando tempo no mercado, a Feira do Ponto da cidade de São Tomé, Olavo pintou várias séries de quadros com vendedoras. Falava com elas enquanto desenhava esboços, retratou-as na sua vida pública de trabalho. Na tela, as mulheres, cestos e bacias à cabeça, crianças nas costas, a luta diária: ganhar a vida, cuidar da família. O confronto com a vivência quotidiana das vendedoras sobrepôs-se ao seu impacto figurativo e os contornos das mulheres emanciparam-se para delinear os estreitos corredores do mercado. As mulheres moldaram-se nos trajectos repisados por elas todos os dias, e mais tarde os trajectos devolveram-se às mulheres na multiplicidade dos seus caminhos interiores, mais extensos e complexos.

15.03.2011 | por Nuno Milagre

Moi, un blanc. Exposição de José Pedro Cortes

Moi, un blanc. Exposição de José Pedro Cortes  No título da exposição está todo um programa e uma teoria privada do autor relativamente à fotografia: "Moi,un blanc" (Eu, um branco). E poderíamos continuar a frase subentendendo todo esse programa timidamente enunciado: Eu, um homem branco viajei para África e dentro deste enorme continente viajei no interior do Mali, um país da costa oeste atravessado pelo mítico Rio Niger.

11.03.2011 | por António Pinto Ribeiro

Sobre Victor Gama

Sobre Victor Gama Apesar de se inspirar na música e instrumentos tradicionais de Angola, onde nasceu o seu trabalho como compositor, revela um potencial de transformação para além das estruturas da tradição.

04.03.2011 | por Kevin Murray

Aida Gomes, escrever para se descobrir - 2

Aida Gomes, escrever para se descobrir  - 2 Crescer entre várias culturas fê-la também crescer emocionalmente, e em conhecimento, sentindo-se composta por todas estas parcelas: origem angolana, infância e adolescência entre Angola e Portugal, formação adulta na Holanda, experiências nas áreas de desenvolvimento e todas as vivências.

04.03.2011 | por Marta Lança