Zumbipenetrações

Zumbipenetrações Tenho para mim que Jorge Dias é uma dessas crianças perdidas de Hamelin que voltou para nos atazanar o espírito e a mente. Não lhe regateemos o zumbido, a sua leve coloração demoníaca. Coisas que deve ter aprendido com o Mestre Hamelin.

04.11.2010 | por António Cabrita

Mário Bastos, temos novo realizador em Angola!

Mário Bastos, temos novo realizador em Angola! Para o jovem realizador as prioridades para estimular a produção audiovisual nacional são a lei do cinema e a prática do mecenato cultural. Considera a formação uma peça-chave para consolidar referências cinematográficas: “fala-se muito nas novas tendências no audiovisual angolano, deve-se apoiar, claro, mas não lhes podemos chamar cinema”.

03.11.2010 | por Marta Lança

Jorge Dias: olhar o passado de soslaio, abraçar avidamente o presente

Jorge Dias: olhar o passado de soslaio, abraçar avidamente o presente Para além da contestação dos que continuam a pensar e a olhar a arte com ‘outros olhos’, fazem-se, às vezes, sobre o trabalho de Jorge Dias, e de outros artistas do nosso tempo, comentários do tipo: “Isto é arte europeia, arte ocidental, não tem nada de africano ou de asiático ou de latino-americano”. No caso de Jorge Dias, este tipo de comentários, feitos por africanos e não-africanos, têm por base uma noção de ‘africanidade’ essencial(ista) que deixa de lado a coexistência e o confronto de realidades diferentes e a criação permanente de novas formas de relações culturais.

03.11.2010 | por Alda Costa

Mário Macilau - foto-relatos da contemporaneidade moçambicana

Mário Macilau - foto-relatos da contemporaneidade moçambicana Mário Macilau, fotógrafo moçambicano, finalista do concurso BesPhoto 2011. Macilau seguiu continuamente, e de perto, o quotidiano do Xiquelene com a sua lente. Retratou o amanhecer do mercado, o montar das bancas, a criação do espaço para fazer o negócio, a compaixão exercitada entre vendedores, a partilha do almoço, a solidariedade para com aqueles que num dia menos lucrativo não têm dinheiro para voltar a casa, a extrapolação da rede de amizade para lá das linhas do mercado nas casas de cada um, nas festas de família. Macilau fotografou nos tempos de chuva, quando debaixo de condições inóspitas as pessoas continuavam a ir trabalhar. Fotografou quando “o Governo decidiu destruir o mercado de uma forma muito injusta”.

27.10.2010 | por Joana Simões Piedade

O regresso de CHICA XAVIER

O regresso de CHICA XAVIER Vinda de Salvador na primeira metade da década de 50, para trabalhar no serviço público e se tornar atriz, acompanhada de seu futuro e até hoje marido Clementino Kelé, Chica após estudar arte dramática com Paschoal Carlos Magno, estreou com pompa na produção histórica de Vinicius de Morais, "Orfeu da Conceição", no papel da Dama Negra que simbolizava a Morte. "- Eu tenho minha primeira carteira de trabalho assinada por Vinícius de Moraes. E eu não dei baixa na carteira porque ele não rescindiu o meu contrato. Acho que até hoje ele está me esperando..." afirma Chica com saudosismo.

26.10.2010 | por Clementino Junior

Mauro Pinto fotografa os restos do mundo em Maputo

Mauro Pinto fotografa os restos do mundo em Maputo Em Maputo, um homem penteia-se como Batman e vários homens vagueiam nus. Arminda acabou nas ruas da Baixa, com todo o seu enxoval. No caniço, Bitula vende feitiços debaixo de uma árvore. Além do fotógrafo Mauro Pinto, sucessor do mítico Ricardo Rangel, ninguém parece vê-los. Um percurso pela capital de Moçambique, onde hoje há eleições autárquicas.

21.10.2010 | por Alexandra Lucas Coelho

“O que faço melhor é o que de mais raiz nós temos”, entrevista a Paulo Flores

“O que faço melhor é o que de mais raiz nós temos”, entrevista a Paulo Flores Cantor e compositor, Paulo Flores é uma voz inconfundível na música em Angola. Com 22 anos de carreira e 11 discos editados, percorrendo e inovando a cultura angolana, prestando homenagem ao seu patrimônio bem enraizado e às suas expressões mais vanguardistas. Apresenta agora em Portugal o espectáculo "Raiz da Alma", dia 24 em Lisboa e 26 no Porto. Esta conversa refere-se à sua trilogia “Ex-Combatentes” (“Viagem”, “Sembas” e “Ilhas”), que navega em águas poéticas e documentais da vida angolana.

21.10.2010 | por Marta Lança

"A beleza e o sofrimento" - conversa com o artista Barthélémy Toguo

"A beleza e o sofrimento" - conversa com o artista Barthélémy Toguo A passagem de Barthélémy Toguo por Lisboa em 2009 foi pretexto para a conversa que se segue. Apresentou no espaço Carpe Diem a instalação "Road for Exile" integrada numa programação sobre a ideia de viagem, exílio, solidão, medos urbanos e barbárie. A conversa que tivemos é uma ocasião para revisitar os seus projectos anteriores, as suas origens camaronesas e as viagens. Barthélémy Toguo é um dos mais importantes artistas internacionais da sua geração, e tem uma obra que organiza o mundo como um ciclo de vida e de morte.

19.10.2010 | por Marta Mestre

No rasto de instrumentos inovadores - entrevista a Victor Gama

No rasto de instrumentos inovadores - entrevista a Victor Gama Os Kronos Quartet apresentarão a peça “Rio Cunene” de Victor Gama no Grande Auditório do CCB, em Lisboa, já em Novembro, depois de o terem feito no Carnegie Hall, Nova Iorque. A pesquisa e construção de instrumentos continua em Angola, uma fonte inesgotável de projectos, onde Victor Gama nasceu e cresceu, dividindo também o seu trabalho com Portugal e Colômbia. Este compositor e performer, formado em Engenharia Electrónica, conta o porquê de instrumentos musicais inovadores.

18.10.2010 | por Marta Lança

Arqueologia de uma cultura soterrada, entrevista a Emanoel Araújo

Arqueologia de uma cultura soterrada, entrevista a Emanoel Araújo Entrevista com o artista plástico e curador brasileiro Emanoel Araújo, em 2003, o início do projecto que deu origem ao Museu Afro Brasil em S.Paulo.

15.10.2010 | por Anelito de Oliveira

Barthélémy Toguo: unbounded exile

Barthélémy Toguo: unbounded exile No Carpe Diem - Arte e Pesquisa em Lisboa o artista franco-camaronês Barthélémy Toguo expôs a instalação Road for Exile, uma vasta narrativa sobre tráfico, trânsito e morte, mas também a beleza que tudo isto pode conter. Actualmente, Barthélémy Toguo trabalha com a prestigiada galeria Robert Miller (NY), e continua o seu percurso consolidado, acrescentando imagens belas e grotescas ao seu universo. Vimos a sua participação no projecto “Carpe Diem - Arte e Pesquisa”.

14.10.2010 | por Marta Mestre

Carlos Paca - “O teatro é a verdade, a reciprocidade no momento”

Carlos Paca - “O teatro é a verdade, a reciprocidade no momento” A diferença é que o negro no Brasil sente-se brasileiro e em Portugal sente-se imigrante, fazem-nos sentir assim. O governo português diz que está a promover a integração, mas de que forma, se somos excluídos de todos os sectores da sociedade? Mas há também o reverso da moeda: o que é que os actores negros fazem para contrapor esta situação? - reflecte o actor angolano, sediado em Portugal.

11.10.2010 | por Marta Lança

Luanda's dream e a desfiguração da realidade

Luanda's dream e a desfiguração da realidade Na tentativa de estetizar o banal e de pintar aquelas que ele denomina de “superfícies menos convencionais”, o artista apropria-se de um conjunto de “acessórios” que são necessários para que os “novos heróis urbanos” evitem as agruras da vida do dia-a-dia, em Luanda: o banco da kinguila, a caixa do engraxador e o carro do roboteiro são (re)decorados à sua maneira, alterando as suas funções de origem

08.10.2010 | por Adriano Mixinge

René Tavares: "(In)acabado"

René Tavares: "(In)acabado" René Tavares traduz em traços, linhas e manchas uma síntese pessoal da sua própria identidade, sempre em processo (“inacabado”), posicionando-se em constante movimento entre referências passadas e presentes. A última exposição do artista santomense na Galeria Bozart (Lisboa).

07.10.2010 | por Lúcia Marques

“Gosto de ver as coisas atentamente" entrevista a Admas Habteslasie

“Gosto de ver as coisas atentamente" entrevista a Admas Habteslasie Entrevista a Admas Habteslasie a propósito do seu apaixonante “Limbo”: um trabalho fotográfico de grande fôlego que explora as paisagens e certos aspectos da história recente da Eritreia através de três capítulos sucessivos: Passado, Futuro e Presente. Na tradição da fotografia documental, Habteslasie constrói uma obra sensível e vigorosa sobre um país mal conhecido.

07.10.2010 | por Marian Nur Goni

A outra face do jornalismo moçambicano - Guerra Manuel

A outra face do jornalismo moçambicano - Guerra Manuel Guerra Manuel foi um dos primeiros jornalistas negros em Moçambique. Entrevistou Malagantana, Ricardo Chibanga e Lindo Lhongo na década de 60. Todos eles jovens no início das carreiras. Ao entrevistar estes jovens pretendia dar a conhecer ao mundo o talento e a capacidade artística dos moçambicanos, numa época em que estes não eram valorizados e nem havia espaço na imprensa colonial.

30.09.2010 | por Rui Guerra Laranjeira

Mestre Paulo Kapela – re-estruturando o discordante

Mestre Paulo Kapela – re-estruturando o discordante A vida e obra de Mestre Paulo Kapela têm um lugar de excepção no contexto artístico no boom da capital de Angola. O artista é um fugitivo no seu próprio país, um Mukongo do Uige que veio para Luanda em 1996. Tornou-se um mestre artístico e espiritual para a nova geração de artistas, apesar de mal falar português, expressando-se mais em francês. É um personagem carismático pelo seu modo pouco ortodoxo de viver e o seu universo muito pessoal.

24.09.2010 | por Nadine Siegert

Desconstruindo utopias, António Tomás escreve sobre Cabral

Desconstruindo utopias, António Tomás escreve sobre Cabral António Tomás acolhia os elogios nesse momento de grande realização pessoal depois de tanta luta e sacrifício para um livro exigente como este dar à estampa. "O Fazedor de Utopias" mostrou novas facetas de um pensador e combatente africano.

18.09.2010 | por Marta Lança

A sombra do pau torto

A sombra do pau torto Amílcar Cabral, a nossa maior referência política, parecia adivinhar os efeitos que Bissau iria provocar nas convicções dos dirigentes políticos do Partido que havia liderado a luta pela independência, o PAIGC. Analisou como ninguém as falsas partidas das independências concedidas pelas potências colonizadoras europeias às suas colónias, nos anos 60. Seguiu e apercebeu-se em directo das atribulações de Sekou Turé na construção de um país que resvalou rapidamente para o autoritarismo, a repressão popular e as divisões étnicas.

18.09.2010 | por Carlos Schwarz da Silva

Entrevista a João Paulo Borges Coelho

Entrevista a João Paulo Borges Coelho A professora brasileira Carmen Tindó Secco entrevista o historiador moçambicano João Paulo Borges Coelho. "Actualmente, conquistamos a paz, e o valor desta é incalculável. Com ela veio um certo desenvolvimento material, mas também todos os problemas que normalmente andam associados àquilo que referimos como neo-liberalismo."

17.09.2010 | por Carmen Lucia Tindó Secco