Cinéfilos & Literatus: da palavra à imagem. Da ação à ficção

Cinéfilos & Literatus: da palavra à imagem. Da ação à ficção Ao olhar para as questões levantadas no começo desta abordagem, pode inferir-se que com Cinéfilos & Literatus ganha-se “novos olhares” sobre o cinema e a literatura; angolana e não só. Vê-se a literatura a partir do cinema. Alargam-se as competências de leitura e de imagética; elementos fundamentais para análise das transposições cinematográficas. Especificamente no campo da literatura angolana, o projeto permitirá conhecer, ainda que de maneira reduzida, que obras literárias foram adaptadas e especificar a razão da escolha das mesmas. Esse procedimento é importante, porque tende a possibilitar de (re)pensar a situação do cânone literário; e este é um elemento fundamental para o Plano Nacional de Leitura.

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31.08.2023 | por Salvador Tito

AGNÈS AGBOTON: O exílio feito poema irradiante - PRÉ-PUBLICAÇÃO

AGNÈS AGBOTON: O exílio feito poema irradiante - PRÉ-PUBLICAÇÃO     Agnès Agboton nasceu em Porto-Novo, no Benim, em 1960. Fez os estudos primários e secundários no seu país natal e na Costa do Marfim, e vive desde 1978 em Barcelona, em cuja Universidade se licenciou em filologia hispânica. O seu interesse, desde muito jovem, pelas culturas de tradição oral e pela gastronomia da África Ocidental em particular, matérias da sua investigação e estudo, levou-a à publicação do primeiro livro, La Cuina Africana [A Cozinha Africana], em 1989, ao qual se seguiram África des dels Fogons [África a Partir dos Fogões], em 2001, e Las Cocinas del Mundo [As Cozinhas do Mundo], em 2002. Desde 1990, tem percorrido escolas e bibliotecas em Espanha, narrando lendas e histórias da tradição oral do seu povo, tendo, nesse domínio, publicado Contes D’Arreu del Món [Contos de Todos os Lugares do Mundo], em 1995, Abenyonhú, em 2003, Na Miton: La Mujer en los Cuentos y Leyendas Africanas [Na Miton: A Mulher nos Contos e nas Lendas Africanas], em 2004, Eté Utú: De Por Qué en África las Cosas Son lo que Son [Eté Utú: O Por Quê em África de as Coisas Serem Como São], em 2009, e Zemi Kede: Eros en las Narraciones Africanas de Tradición Oral [Zemi Kede: Contos Eróticos da Tradição Oral do Golfo da Guiné], em 2011.

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30.08.2023 | por Zetho Cunha Gonçalves

Canções comerciais

Canções comerciais Há cerca de um mês, num supermercado de uma ilha portuguesa encontrei música de origem caribenha. Ao som do congo e do piano, as vozes masculinas e femininas bailavam. Salsa? Rumba? Merengue? Cumbia? Associei os sons às origens das raparigas que trabalhavam na loja. Simpáticas e gentis, esclarecem-nos as dúvidas num português cheio de espanhol. Apontaram num mapa a localização de uma praia e indicaram-nos num folheto o nº do autocarro para o Funchal. No fim, satisfizeram-me a curiosidade. “Sim, nascemos na Venezuela, e agora vivemos aqui”. Já no dia seguinte, a música que envolvia as prateleiras era outra: metálico, acelerada, electrónica. Reggaeton?, perguntei-me algo surpreendido. Ali, aquela mutação do reggae parecia-me ganhar um sentido que antes não apreendera. Voltei às perguntas, com renovada curiosidade: “São vocês que fazem a selecção destas canções, que escolhem esta música?”. Com a simpatia do dia anterior, uma das raparigas abanou a cabeça. “Não, não. A música é da própria da loja. Não é nossa”.

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29.08.2023 | por José Marmeleira

“Gli Occhi della Foresta”, por ocasião do Festival de Veneza

“Gli Occhi della Foresta”, por ocasião do Festival de Veneza O filme oferece uma observação feminina sobre papéis e rituais muitas vezes limitados aos homens, como maravilhosamente descrito por David Kopenawa no livro "A queda do Céu". Os mesmos diretores produziram o curta-metragem Yuri u xëatima thë (A pesca com Timbó) sobre a prática da pesca com timbó, substância usada para paralisar peixes. Todos a/os diretora/os fazem parte de um coletivo de cinema que atua na formação audiovisual em comunidades indígenas.

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29.08.2023 | por Laura Burocco

Para ler Giz

Para ler Giz Você já viu uma onça? Já insistiu no cruzamento entre o seu e o olhar de um jaguar? Já acariciou o fim e o começo quando um felino, unhas grandes, dorso em contorção, pêlo arrepiado, pára perto de si e decide que é aqui o acontecimento que fará tudo começar: tornar-se ao mesmo tempo aquele que mata, aquele que manda matar e aquele que morre. Caso a sua resposta seja “não”, recomendo que evite este livro. Recomendo que dê meia volta, que não se arrisque. Se você tem medo de tudo aquilo que não está no seu controle, talvez seja melhor evitar Gisela Casimiro.

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21.08.2023 | por Maria Giulia Pinheiro

Tradidanças, na serra, entre bailes e cantos, poços e florestas

Tradidanças, na serra, entre bailes e cantos, poços e florestas Além do que está organizado durante os dias de Festival, abundam espontâneos encontros musicais e de dança, alguns acontecem madrugada fora na zona do recinto, com dezenas de pessoas que vão fazendo a música e a dança sem alinhamento, outros nos espaços envolventes. O espírito de encontro e de convívio marca toda a gente que participa no Tradidanças, assim como a possibilidade de fazer junto. Este relacionamento social mais impactante resulta, por certo, dos diferentes tipos de baile que proporcionam uma socialização diferente daquela que é vivida na maior parte dos Festivais de Verão. Aqui há convívio garantido mão na mão, olhos nos olhos, entre saltos ritmados, galopes e trocas de par. O Festival tem ainda outra particularidade: é claramente intergeracional, com muitas atividades para crianças e gente de todas as idades.

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21.08.2023 | por Maria Prata

Duas biografias de Fernando Pessoa criam confronto de autores e ‘guerra civil literária’ em Portugal

Duas biografias de Fernando Pessoa criam confronto de autores e ‘guerra civil literária’ em Portugal O que tampouco o impedia de ser Fernando em pessoa, e de urdir esquemas quiméricos para ganhar dinheiro, eterno endividado que era. Além de depenar parentes e amigos, concebeu jogos de tabuleiro (incluindo um futebol de mesa), elaborou manuais sobre “como montar uma vitrine” ou formatar cartas comerciais, escreveu um Guia Turístico de Lisboa (publicado só em 1990), fundou editoras efêmeras e considerou criar uma empresa cinematográfica. Com o maior topete e candura, chegou a escrever a Andrew Carnegie, sugerindo que o magnata americano do aço fosse seu mecenas. Os luxos do poeta eram os ternos (cada vez mais puídos, mas sempre elegantes – um dândi chaplinesco), os quatro maços de cigarro por dia e doses gorgolejantes de álcool (embora nunca ninguém o tenha visto de porre). Um dia, consultou o psiquiatra Egas Moniz, Nobel de Medicina em 1949 – que se tornará um constrangimento para os portugueses, devido ao motivo do prêmio: a invenção da lobotomia. O médico prescreveu-lhe exercícios físicos, e FP frequentou uma academia durante três meses – ah, imaginar Pessoa malhando...

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20.08.2023 | por Paulo Nogueira