O terceiro género - Muxes de Juchitán, México

O terceiro género - Muxes de Juchitán, México Não são mulheres nem homens. Não são heterossexuais, bissexuais, nem gays. Rompem identidades a preto e branco e assumem-se em tonalidade maquilhada. São os muxes de Juchitán. Sexualidade cruzada no México tropical.

Corpo

25.10.2014 | por Pedro Cardoso

O samba era visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas, entrevista a Nei Lopes

O samba era visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas, entrevista a Nei Lopes O samba urbano, nascido na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX, constitui uma amálgama de vários tipos de sambas e batuques praticados por africanos em várias regiões do Brasil; e, por isso, foi reprimido e perseguido. Entretanto, quando passou a ser visto como instrumento político, de aglutinação e controlo das massas populares, passou a ser consumido como arte do povo e acabou reconhecido como género musical. Aí, nasce a música popular brasileira, que tem o samba como sua espinha dorsal.

Cara a cara

25.10.2014 | por Marta Lança

Convívio ou violência? Os meets e a afirmação do direito à cidade

Convívio ou violência? Os meets e a afirmação do direito à cidade Portugal passou a conhecer uma nova forma de convívio entre os jovens. Chama-se meet e já integra a agenda sócio-política do país. O meet é um encontro realizado em espaços públicos de Lisboa, no qual as redes sociais desempenham um papel preponderante. O objectivo, conforme a descrição dos seus organizadores nas páginas dos eventos, é proporcionar o encontro de amigos, socializar e conviver. Foi a partir de um meet nas proximidades do centro comercial Vasco da Gama, em Agosto, que este assunto ocupou o horário nobre dos telejornais portugueses.

Cidade

17.10.2014 | por Otávio Raposo

Papá em África

Papá em África O que é que choca mais a um puritano do que uma imagem pornográfica? Um negro a foder uma branca! Os Public Enemy “rapavam” isso no LP 'Fear of a Black Planet' (1990), onde aliás, o sul-africano Anton Kennemeyer (n.1967) foi roubar o título para uma exposição de pintura em 2008.

Vou lá visitar

11.10.2014 | por vários

Por quem os tambores chamam

Por quem os tambores chamam Escravos Ngolas, Benguelas, Congos e Nganguelas chegaram ao Uruguai a partir do século XVII. Com outros africanos cativos, criaram um ritmo que ainda hoje agita as ruas da capital Montevideu. Deram-lhe um nome kimbundo: candombe. História desconhecida dos povos de Angola no outro lado do grande oceano.

A ler

10.10.2014 | por Pedro Cardoso

PRÉ-PUBLICAÇÃO Crítica da Razão Negra

PRÉ-PUBLICAÇÃO Crítica da Razão Negra Da potencial fusão do capitalismo e do animismo resultam algumas consequências determinantes para a nossa futura compreensão da raça e do racismo. Desde logo, os riscos sistemáticos aos quais os escravos negros foram expostos durante o primeiro capitalismo constituem agora, se não a norma, pelo menos o quinhão de todas as humanidades subalternas. Depois, a tendencial universalização da condição negra é simultânea com a instauração de práticas imperiais inéditas que devem tanto às lógicas esclavagistas de captura e de predação como às lógicas coloniais de ocupação e exploração, ou seja, às guerras civis ou razzias de épocas anteriores.

Mukanda

30.09.2014 | por Achille Mbembe

Estória verdadeira com poeta de verdade

Estória verdadeira com poeta de verdade . Um belo poema ao amor que encontrei logo, e exactamente ao lado aqui mesmo virado ao olho, espanto meu afinal... lá vem África tão felizmente longe-longe, bem congelada lá na época que caçou todo o imaginário, quem diria ainda preso aqui, criadas e cantáridas, meninos brancos desejosos e abandonados. O depois da iÁfrica terá morrido, seu passado existido teria não. Não se sabe – zumbis, cenário, palco, intervalo, alívio, reverso, personagens mudas, ecos, ecos – não se sabe.

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24.09.2014 | por Branca Clara das Neves

«Nós não fizemos o exorcismo da guerra», entrevista a Nelson Saúte

«Nós não fizemos o exorcismo da guerra», entrevista a Nelson Saúte A sociedade moçambicana é muito espartilhada, mas já não racialmente, mas sim do ponto de vista económico. Hoje, a cidade de Maputo tem zonas fortemente habitadas por expatriados de várias nacionalidades, não só portugueses, que vivem aí por terem poder aquisitivo, porque representam multinacionais, embaixadas. Temos uma cidade da elite: a Polana e Sommerschield, o bairro central, um bocado da Coop; a classe média em Malhangalene; a classe média baixa em Alto Maé; depois os subúrbios tradicionais: Chamanculo, Mafalala, um verdadeiro caldeirão cultural; depois novos subúrbios que surgiram à volta da Grande Maputo, como Matola, Belo Horizonte, Zimpeto, etc. Há uma classe média florescente, dinâmica, forte, quase totalmente pós-independência, de jovens de trinta e poucos anos.

Cara a cara

19.09.2014 | por Doris Wieser

Entrevista a Lara Pawson

Entrevista a Lara Pawson Além de uma escrita jornalística apelativa e abrangente, que nos deixa aceder ao mundo denso de cada personagem e de cada figura retratada, o livro permite-nos acompanhar o processo de pesquisa e o posicionamento da autora, com as suas hesitações, entusiasmos e dificuldades, e chegar ao entendimento de algumas causas e consequências do massacre. Assunto tão delicado, não foi certamente fácil compor, 37 anos depois, com memórias tão divergentes e traumáticas, esta narrativa.

Cara a cara

19.09.2014 | por Marta Lança

A insolvência dos corpos. Autopropriedade e a dinâmica histórica da relação de capital

A insolvência dos corpos. Autopropriedade e a dinâmica histórica da relação de capital O cabelo já era vendido muito antes do capitalismo; a venda de leite humano era já comum na Antiga Roma e, durante a revolução industrial, essa foi mesmo uma fonte de rendimento para muitas mulheres. Mas nem nos primeiros casos se tratava de uma troca de mercadorias no sentido moderno, nem no último se tratava já de um reconhecimento das mulheres como verdadeiras autoproprietárias. A venda de sangue, permitida durante a maior parte do século XX, foi talvez uma das primeiras formas generalizadas em que a autopropriedade abandonou o “colete-de-forças” abstracto da força de trabalho e se estendeu a um elemento físico do próprio corpo, ainda que renovável, permitindo um rendimento suplementar ou de último recurso aos autoproprietários mais vulneráveis.

Corpo

18.09.2014 | por Bruno Lamas

Outros lugares, outros tempos.Viagens pela pós-colonialidade com Ruy Duarte de Carvalho

Outros lugares, outros tempos.Viagens pela pós-colonialidade com Ruy Duarte de Carvalho Qual a relevância da obra de Ruy Duarte de Carvalho para se pensar a pós-colonialidade? É esta a questão que me parece quase óbvia, quando releio os seus textos, sobre eles reflicto, neles reencontro propostas que, escritas a partir de outros lugares ou de lugares idênticos – África, Europa, Brasil –, me suscitam interrogações semelhantes, formas de ler o passado e o presente em que me revejo mais facilmente do que em outros autores.

Ruy Duarte de Carvalho

16.09.2014 | por Manuela Ribeiro Sanches

Antropologia e literatura: a propósito e por causa de Ruy Duarte de Carvalho

Antropologia e literatura: a propósito e por causa de Ruy Duarte de Carvalho Ruy Duarte de Carvalho descobriu e praticou uma antropologia pós-moderna e pós-colonial sem pagar o preço da etiqueta ou as quotas do partido. Antes de Ana a Manda, tese de doutoramento sobre o contexto muxiluanda, a sua produção literária fora da antropologia no sentido estrito já estava encaminhada e já revelava as possibilidades da multiplicação dos géneros e da sua hibridação – justamente uma característica da pós-colonialidade e uma das receitas agora tão repetidas para a invenção de novas textualidades e autorias.

Ruy Duarte de Carvalho

16.09.2014 | por Miguel Vale de Almeida

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral?

Quem foi a mãe de Amílcar Cabral? Aqui revisitamos a biografia de Iva Pinhel Évora (1893-1977) nas fronteiras da vida pública e privado. Por outro lado, propõe-se uma abordagem sobre a sua influência na formação do líder e teórico da luta de libertação da Guiné e de Cabo Verde.

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16.09.2014 | por Eurídice Monteiro

O Andanças fala sempre muitas línguas

O Andanças fala sempre muitas línguas Culturas não coincidem com linhas de nações e continentes. Culturas são formas vivas, mutáveis e transcedem fronteiras fazendo encontros. No Andanças sente-se África entre a Europa, a América, a Oceânia, a Ásia. A integração de ritmos, danças e instrumentos de origem africana é feita por pessoas que se ligam a África, não se centrando exclusivamente em identidades de cores da pele e heranças familiares, mas também nas vivências pessoais, nas dedicações ao estudo e à pesquisa, por vontade de mergulhar numa cultura, de descobrir e encontrar o outro.

Vou lá visitar

16.09.2014 | por Maria Prata

A city called mirage de Kiluanji Kia Henda

A city called mirage de Kiluanji Kia Henda A City Called Mirage é o título da exposição individual do artista angolano KILUANJI KIA HENDA (Luanda, 1979). Inaugura no dia 18 de Setembro, quinta-feira, às 21h30, poderá ser visitada, na Galeria Filomena Soares, em Lisboa, até dia 29 de Novembro de 2014. É uma exposição complexa que traça vias originais sobre um tema recorrente nos últimos tempos: o das cidades entre a virtualidade e a desertificação. Kiluanji aposta na ficção (científica e mitológica) e na ironia como formas de transcender o pessimismo da hipercrítica e a estética da ruína. Através do humor adquire-se consciência do quão efémeras são as maiores construções humanas: todas as cidades voltarão a ser matéria-prima, tal como os metais retirados do subsolo voltarão a fundir-se na terra.

Cidade

11.09.2014 | por Lucas Parente