Corpos Dissidentes |Cidades Rebeldes

Corpos Dissidentes |Cidades Rebeldes Acreditamos que é sobretudo através das corporalidades que se manifestam potências criativas e que são os corpos dissidentes e os gestos rebeldes que se tornam capazes de resistir aos diversos tipos de intolerância e discriminação. Acreditamos também que este conflito se expressa muitas vezes nas ruas, nas tensões e nas disputas em espaço público, mas também no modo como as cidades contemporâneas são construídas sem atender às diversidades. Explorar e discutir as dimensões intersecionais (racialidade, classe, género, mobilidade) que se exprimem nestes fenómenos são fortemente acolhidas neste encontro, assim como a sua contextualização em territórios urbanos periféricos ou “periferizados”.

17.05.2019 | por vários

A mulher e a prepotência masculina

A mulher e a prepotência masculina A luta continua. A liberdade e a equidade social, desprovidas de opressões egocêntricas, serão as derradeiras vitórias humanitárias. A violência generalizada contra as mulheres é sinal de que, afinal, a liberdade e a segurança só são aceites quando se respeita a prepotência masculina; por outras palavras, na prática, o atual direito humano é lamentavelmente concedido como recompensa aos que consentem com a supremacia.

24.04.2019 | por Ricardo Cabral

O obituário

O obituário Ficávamos todos surdos por umas horas! - comentavam internamente. Enquanto a esmagava, o homem enfurecido dizia em sua santa consciência que agia para o bem de todos. São tempos de sufrágio e as prostitutas cantam no meu leito: o meu corpo é um veículo em emergência. A ambulância atrasa novamente. Morreu de quê? Morte matada. Com um sémen presente no gene e dois ventrículos castrados. Fomos parar à Mutamba e lá estava a frase legitimando: "A interrupção voluntária é máscula". Chamamos a ambulância, a menina durante o congestionamento pediu-nos, em agonia: "Chamem o obituário! Eu e o nato não queremos mais respirar...".

13.02.2019 | por Indira Grandê

Apresentação do livro “Mulheres em Cabo Verde. Experiências e perspectivas”

Apresentação do livro “Mulheres em Cabo Verde. Experiências e perspectivas” Entendemos como as mulheres se tornam agentes da sua emancipação e confirma-se a necessidade de tratarmos da reconfiguração das relações no espaço privado, nas relações amorosas e, em particular, a reconfiguração das relações sob o ponto de vista masculino. Quais as controvérsias que o processo de emancipação feminina engendra em Cabo Verde? Que transformações radicais foram operadas? Que efeitos concretos foram trazidos pela entrada maciça das mulheres na vida pública?

29.01.2019 | por Iolanda Évora

Um lugar à mesa, por favor!

Um lugar à mesa, por favor! Proponho-vos um feminismo onde a palavra solidariedade não seja um ponto de comunhão das nossas semelhanças, mas sim um ponto de entendimento das nossas diferenças. Tal como nos propõe Awino Oktech no livro Queer African Reader, quando discute solidariedade como substituto de irmandade.

11.12.2018 | por Paula Sebastião

Veio o tempo em que por todos os lados as luzes desta época foram acendidas

Veio o tempo em que por todos os lados as luzes desta época foram acendidas A luz negra, que havia encarnado em tudo com toda intensidade, foi aos poucos escorregando por entre os cantos do labirinto, banhando nosso corpo e se cravando outra vez no profundo. Estivemos ali por muito tempo, cozinhando junto com a terra. Pouco a pouco, à medida que nossos corpos foram recuperando o acesso às pernas, decidimos nos separar e mover pelo labirinto de túneis, a tentar captar as repercussões do nosso ataque, e estudar as implicações do que havíamos feito.

26.11.2018 | por Jota Mombaça

Jovens negros portugueses levam brutalidade policial a tribunal

Jovens negros portugueses levam brutalidade policial a tribunal O novo caso, actualmente a ser julgado em tribunal, rejeita a versão dos acontecimentos tal como foi transmitida pelos agentes da polícia, e acusa-os de agressão física, rapto agravado, tratamento desumano, e de incitamento à discriminação, ódio e violência por motivos raciais – bem como de injúria e falsificação de testemunhos e documentação.

25.11.2018 | por Ana Naomi de Sousa

De uma vagabunda para outra: um convite para se sentar à mesa

De uma vagabunda para outra: um convite para se sentar à mesa Temos em comum fazermos parte de contextos que asfixiam as nossas liberdades de ser e sentir; sermos violentadas supostamente por causa da roupa que vestimos e ainda termos de ouvir “puta, assanhada, vagabunda”.

10.08.2018 | por Leopoldina Fekayamãle

Cumplicidade: constelação possível

Cumplicidade: constelação possível Tal como muitas de nós — muitas de nós que temos ocupado várias ordens de solidão — procuro cúmplices. E quando digo que procuro cúmplices, quero dizer que procuro corpos falantes e significantes que, empáticos antes de simpáticos e implicados antes de similares, procurem, de forma conjugada entre si, lançar-se ao conjunto material e comunitário do mundo, correr o risco mal-calculado de uma vulnerabilidade imprevisível, e exercer muita, muita pressão sobre o conceito da justa medida.

13.10.2017 | por Daniel Lourenço

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala Se o conceito de lugar de fala se converte numa ferramenta de interrupção de vozes hegemônicas, é porque ele está sendo operado em favor da possibilidade de emergências de vozes historicamente interrompidas. Assim, quando os ativismos do lugar de fala desautorizam, eles estão, em última instância, desautorizando a matriz de autoridade que construiu o mundo como evento epistemicida; e estão também desautorizando a ficção segundo a qual partimos todas de uma posição comum de acesso à fala e à escuta.

19.07.2017 | por Jota Mombaça

O Erro de Cam: o Tráfico de Seres Humanos da origem aos dias que correm

O Erro de Cam: o Tráfico de Seres Humanos da origem aos dias que correm A escravatura tem acompanhado a história da humanidade desde os primórdios, se aceitarmos como verdade testemunhos da Ilíada de Homero ou a própria Bíblia. A escravatura indígena é inegável. Basta lembrar os relatos do trabalho escravo colonial. A escravatura acompanha-nos há demasiado tempo, foi absorvida pelo nosso código genético imaginário e moral.

20.01.2015 | por Filipa Alvim

“A vida hoje é um autêntico campo de batalha”.

“A vida hoje é um autêntico campo de  batalha”. Da mesma forma que começamos, vamos terminar insistindo que as questões do corpo, a vida (e a morte) são políticas. Não podemos encarar a vida num sentido neutro, esvaziada de conteúdo existencial. Afirmamos com Debord que “quanto mais a vida do homem se torna no seu produto, tanto mais ele é separado da sua vida”. Editorial de 'ESTE CORPO QUE ME OCUPA'.

17.12.2014 | por Candela Varas

O terceiro género - Muxes de Juchitán, México

O terceiro género - Muxes de Juchitán, México Não são mulheres nem homens. Não são heterossexuais, bissexuais, nem gays. Rompem identidades a preto e branco e assumem-se em tonalidade maquilhada. São os muxes de Juchitán. Sexualidade cruzada no México tropical.

25.10.2014 | por Pedro Cardoso

A insolvência dos corpos. Autopropriedade e a dinâmica histórica da relação de capital

A insolvência dos corpos. Autopropriedade e a dinâmica histórica da relação de capital O cabelo já era vendido muito antes do capitalismo; a venda de leite humano era já comum na Antiga Roma e, durante a revolução industrial, essa foi mesmo uma fonte de rendimento para muitas mulheres. Mas nem nos primeiros casos se tratava de uma troca de mercadorias no sentido moderno, nem no último se tratava já de um reconhecimento das mulheres como verdadeiras autoproprietárias. A venda de sangue, permitida durante a maior parte do século XX, foi talvez uma das primeiras formas generalizadas em que a autopropriedade abandonou o “colete-de-forças” abstracto da força de trabalho e se estendeu a um elemento físico do próprio corpo, ainda que renovável, permitindo um rendimento suplementar ou de último recurso aos autoproprietários mais vulneráveis.

18.09.2014 | por Bruno Lamas

Cova da Moura: da carne ao Carnaval

Cova da Moura: da carne ao Carnaval O 4 de Março na Cova da Moura fez-se dos sons do grupo de percussão Rola Samba - actualmente em tournée pelo país - e da energia dos moradores, que foram adensando as ruas tarde adentro. Um Carnaval sem idades, nem máscaras, nem senhas de entrada. Assim: livre e aberto.

20.03.2014 | por Rute Barbedo

"Rosita" e o império como objecto de desejo

"Rosita" e o império como objecto de desejo Numa ilha no meio de um lago, onde uma fonte luminosa vinha dar um toque de modernidade, qual metáfora do empreendimento português em África, instalaram-se umas dezenas de guineenses, que viviam o seu quotidiano numa aldeia de palhotas, sob o olhar dos visitantes portugueses. O público da exposição podia assim ocupar, mesmo que temporariamente, o olhar e o lugar do colonizador. Um colonizador que, na segurança oferecida por um parque no centro do Porto, podia já beneficiar dos resultados das "campanhas de pacificação" em África

14.10.2013 | por Filipa Lowndes Vicente

3º chamada - corpo - VIDA E MORTE

3º chamada  - corpo - VIDA E MORTE O biológico e o histórico aliam-se em torno de tecnologias modernas de poder que intervêm e invadem a vida. E há uma crescente proliferação de tecnologias políticas: a saúde, as formas de alimentação e de habitação, as condições de vida, o espaço total da existência. É sabido que a existência, a conduta, o corpo, são crescentemente medicalizados.

27.07.2013 | por Buala

Ser gay em Cabo Verde

Ser gay em Cabo Verde A Mindelo Pride, “Iª Semana pela igualdade das pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans”, organizada pela Associação Gay Cabo-verdiana, marca as conquistas e os novos desafios dos homossexuais em África.

20.07.2013 | por Juliana Penha

Cold Star

Cold Star Cold Star liga as emoções de uma curta com as batidas e letra de uma música. O filme é um apelo para a aceitação da identidade sexual de si próprio e dos outros.

09.07.2013 | por Buala

Em pé de guerra: cidade e transumância

Em pé de guerra: cidade e transumância Caminhar é pois não só uma aptidão profundamente democrática porque equitativamente distribuída, mas uma condição definidora daquilo que somos, um a priori corporal comum. É no seu próprio ritmo e nesse controlo plástico das redondezas que o mundo se desvela para nós, de acordo com a nossa sensibilidade. As percepções pessoais do espaço e do tempo emergem dele ainda unidas, graças a uma corporeidade movente que é o primeiro gesto criativo à nossa disposição.

26.06.2013 | por Tiago Mesquita Carvalho