A questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta?

A questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta? O argumento central deste artigo é que a descolonização, ao exigir o direito à história, para além da narrativa eurocêntrica, desdobra-se em dois desafios principais: um, de natureza ontológica - a renegociação das definições do ser e dos seus sentidos - e, outro, epistémico, que contesta a compreensão exclusiva e imperial do conhecimento.

A ler

27.02.2017 | por Maria Paula Meneses

Papá em África e Tintin akei Kongo. Esterótipos & (des)continua...

Papá em África e Tintin akei Kongo. Esterótipos & (des)continua... A propósito da vinda a Portugal de Anton Kannemeyer, que participará no dia 15 de Maio no encontro “Outras literaturas”, integrado no programa Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian deste ano, queremos tecer algumas notas sobre dois livros relacionáveis. Num período relativamente curto de tempo, vimos aparecer nos escaparates dois títulos que, de uma forma ou outra, são descendentes “esquizofrénicos” de Tintim no Congo. A colectânea deste artista sul-africano, Anton Kannemeyer, Papá em África, e Tintin akei Kongo, uma versão pirata e detourné do livro de Hergé traduzido em lingala, por autor e editora semi-desconhecida (já explicaremos). Estes autores trabalham, cada qual a seu modo e a um só tempo, a visualidade, a materialidade, a temática e a recepção contemporânea do livro de Hergé para questionarem o conceito de estereótipo (e de subjectivação) e da sua circulação cultural.

A ler

14.04.2015 | por Pedro Moura

Nelson Mandela: os caminhos inesperados

Nelson Mandela: os caminhos inesperados Nelson Mandela morreu. Tornou-se um ícone, um símbolo unanimemente celebrado pelo mundo fora. No entanto… Quem se recorda das décadas em que a França, de Charles de Gaulle a Valéry Giscard d’Estaing, cooperava com o regime do Apartheid? Quem se recorda de a Amnistia Internacional não o ter adaptado como prisioneiro de consciência por ele não ter rejeitado a violência? Ou que ele foi um «terrorista», denunciado como tal por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, porque ele sabia que a violência faz parte das armas dos oprimidos para derrubar o opressor?

Cara a cara

10.12.2013 | por Achille Mbembe

Uma criança à janela disparando uma pistola de plástico

Uma criança à janela disparando uma pistola de plástico Joanesburgo, a capital financeira e cultural da África subsariana, é a cidade do frenético espírito empreendedor, dos investimentos nacionais e transnacionais, dos homens e mulheres sem medo de investir e de arriscar, dos artistas sem medo de experimentar, etc. Todos eles, porém, com medo de não fechar o portão, com medo de não fechar a janela, com medo de parar no semáforo vermelho. Joanesburgo é uma capital do medo. E uma das poucas capitais no mundo que não tem nem rio nem lago, que não está cercada por nenhum oceano.

Cidade

27.11.2013 | por António Pinto Ribeiro

Vinhos da África do Sul

Vinhos da África do Sul O fim do apartheid há 18 anos acabou, consequentemente, com o boicote económico ao país por razões políticas, e a indústria do vinho recomeçou e retomou o contacto com o mundo exterior assegurando lugar na corrida aos bons vinhos. Com novas regiões vinícolas que advêm de uma capacidade de risco ao plantar-se vinhas a ver o que dá, a África do Sul tenta consolidar-se no mercado e leva vantagem ao explorar terrenos africanos que, além da Argélia, Marrocos e Tunísia, não têm muito mais concorrentes no mundo do vinho.

A ler

26.11.2012 | por Buala

O apartheid na África do Sul não morreu

O apartheid na África do Sul não morreu O assassínio de 34 mineiros pela polícia sul-africana, a maioria atingida pelas costas, acaba com a ilusão da democracia pós-apartheid e revela o novo apartheid mundial do qual a África do Sul é modelo tanto histórico como contemporâneo.

A ler

24.09.2012 | por John Pilger

Fronteira de amor e ódio

Fronteira de amor e ódio Em 2008 eclodiu inesperadamente na África do Sul, país que acolhe um grande número de emigrantes dos países vizinhos, uma onda de Xenofobia contra estes. Cerca de 50 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas entre as quais moçambicanos. Milhares de estrangeiros viram os seus familiares agredidos e mortos, as suas casas e bens queimados e foram obrigados a fugir sem nada. Este documentário relata a história dramática de três destas pessoas que regressaram à sua terra natal fugindo da violência.

Afroscreen

10.07.2012 | por Camilo de Sousa

"Lembro-me que ele saiu da prisão com um sorriso"

"Lembro-me que ele saiu da prisão com um sorriso" Durante os anos em que Nelson Mandela esteve preso, a sua imagem estava interdita ou tinha sido diabolizada. Da prisão, surge um homem alto, de expressão digna, andar lento e sorriso sereno. Um gigante mas não no sentido que o apartheid lhe tinha querido dar.

Cara a cara

11.11.2011 | por Ana Dias Cordeiro

"No problems in Africa", onda xenófoba na Africa do Sul

"No problems in Africa", onda xenófoba na Africa do Sul Os bairros em redor da Cidade do Cabo não sofreram tanta violência como em Joanesburgo ou Pretória, onde se cometeram as maiores atrocidades contra imigrantes em 2008. Certas zonas do país continuam um barril de pólvora. Para onde foi o grito de união daqueles a quem Frantz Fanon chamou Os Condenados da Terra?

Vou lá visitar

27.04.2011 | por Marta Lança

Pós-apartheid. Pós-house. Isto é Spoek Mathambo

Pós-apartheid. Pós-house. Isto é Spoek Mathambo Spoek Mathambo é Nthato Mokgata: músico, produtor, DJ e designer gráfico de 26 anos, líder de uma verdadeira vaga de inovação musical saída do continente africano. Divide-se entre vários projectos musicais, como Sweat.X e PlayDoe, mas é a solo que este homem dos mil ofícios nos visita, trazendo consigo a sua banda para invadir o Lux, em Lisboa, no dia 14 de Abril. Numa entrevista à FACT magazine, aqui partilhada com o BUALA, Spoek fala da inescapável hibridização de géneros e da entusiasmante mistura da herança rítmica africana com linguagens electrónicas.

Cara a cara

11.04.2011 | por FACT

Marlene Dumas: Uma pintora da vida moderna

Marlene Dumas: Uma pintora da vida moderna Marlene Dumas viveu e estudou na África do Sul até 1976, contornando como podia as limitações impostas pela censura, nomeadamente no meio estudantil britânico da Michaelis School of Fine Arts da University of Cape Town. A relação com pintura era, entretanto, vivida de forma dolorosa, confusa. "Vivia inserida numa sociedade que não valorizava a pintura ou que a submetia a um ensino caduco. Não respondia aos meus desejos e aspirações. Chegava a sentir-me culpada por ser uma pintora, actividade que na África do Sul todos achavam insignificante e não tinha modelos. Vivia um conflito com aquilo de que gostava. Por isso, criei a minha própria história pessoal com o suporte."

Cara a cara

26.03.2011 | por José Marmeleira

Graça Machel

Graça Machel Graça Simbine, viúva de Samora Machel e esposa de Nelson Mandela. A referência aos seus dois «maridos e heróis», como ela gosta de os chamar, bastaria para fazer desta moçambicana de 63 anos uma figura ímpar da história africana contemporânea. Mas Graça Machel é muito mais do que a mulher de dois homens excepcionais. Ela sabe-o melhor do que ninguém, e nunca quis ser apenas «primeira-dama». Em Novembro 2008, no secular salão nobre da Academia de Ciências de Lisboa , o antigo presidente da África do Sul e Prémio Nobel da Paz foi proclamado seu sócio de honra. A ausência física foi substituída pela voz e pela presença de Graça Machel que recebeu também a distinção de sócia correspondente estrangeira, e o apresentou despido do mito.

Cara a cara

23.03.2011 | por António Melo

Miriam Makeba: a mãe da world music

Miriam Makeba: a mãe da world music Miriam Makeba foi uma incansável activista política. Condenou o Apartheid em várias ocasiões, e chegou mesmo a depor perante a Assembleia Geral das Nações Unidas contra o regime político da África do Sul, uma honra que muitos poucos músicos tiveram. Não são todos os artistas que são chamados a conciliar arte com activismo político. Só muitos anos depois – foram 31 anos de exílio – é que regressa a África do Sul para a comemoração da libertação de Nelson Mandela. Canta, na sua voz melosa de menina, uma versão antológica de Soweto Blues.

Palcos

21.01.2011 | por António Tomás

Tem viagens e tem fugas, pela África do Sul com Ruy Duarte de Carvalho

Tem viagens e tem fugas, pela África do Sul com Ruy Duarte de Carvalho Esta foi uma viagem à África do Sul em 13 dias e 6 mil quilómetros. Viagem redonda de Joanesburgo a Joanesburgo, do interior à costa pela outra costa, deixando de fora a província do Cabo Oriental, berço de lutadores anti-apartheid, ainda assim presente nas histórias. O Ruy Duarte de Carvalho, escritor e cineasta angolano, que deixou recentemente este mundo para ir lá falar aos mais-velhos sobre as coisas que andou por cá muito tempo a tornar visíveis, era o grande impulsionador da viagem e o guia deste relato.

Ruy Duarte de Carvalho

08.11.2010 | por Marta Lança

Os artistas africanos não são uma espécie diferente

Os artistas africanos não são uma espécie diferente Na África do Sul, por esta altura, não se joga apenas futebol. Joga-se uma oportunidade única para chamar a atenção para um país e um continente. De 16 a 20 de Junho, enquanto na África do Sul se jogava à bola, do outro lado do mundo, na Suíça, decorria a mais importante feira de arte mundial – a Art Basel – e discutia-se, numa sessão com a dupla de artistas sul-africanas, Rosenclaire, e a directora da galeria sul-africana Goodman, Liza Essers, a arte da África do Sul e o mercado emergente africano.

Vou lá visitar

29.06.2010 | por Susana Moreira Marques