Claramente que o fenómeno da existência de grupos femininos em actividades delituosas não é novo em Cabo Verde, nem a existência de brigas entre “konbossas” (onde o troféu é o homem). No entanto, a adesão de jovens do sexo feminino em actividades grupais de hooliganismo pode ser considerada uma novidade. A moda pode não ter pegado no rap, mas pegou na manifestação thug da violência. De facto, deparo-me hoje na Praia com alguns grupos thugs femininos, em que as principais actividades são o “kasu bodi” e o hooliganismo.
28.12.2011 | por Redy Wilson Lima
Muitas velhas motorizadas, carros muito antigos, alguns dos quais provisoriamente remendados, e bicicletas povoam a rua. Casas planas e rectangulares, de um piso, por vezes de betão, outras de argila, marcam a paisagem.
11.11.2011 | por Sebastian Prothmann
As cidades africanas são inviáveis. Se antes o chamado continente negro nunca deixaria de ser rural, hoje em dia África vive a mais grave das crises urbanas. Na era da urbanização acelerada, as suas cidades crescem incontrolavelmente. Desordenadas e anárquicas, explodem, excedem-se e falham permanentemente.
14.09.2011 | por Ricardo Cardoso
A hipocrisia não acaba aqui. Cameron pensa aumentar os poderes da polícia sobre redes sociais como Twitter, Facebook e BlackBerry Messenger. Fazendo eco dos regimes autoritários, o primeiro-ministro diz que «a livre circulação de informação pode ser usada para o bem. Mas também pode ser usada para o mal». A ironia não se perdeu em nações estrangeiras, tantas vezes objeto da crítica britânica. A Xinhua, agência de notícias chinesa, comenta: «Podemos questionar-nos porque é que os líderes ocidentais… tendem a acusar indiscriminadamente as outras nações de vigilância, mas… assumem o direito de vigiar e controlar a Internet.»
14.09.2011 | por Lara Pawson
Desde tempos remotos que cidadãos indianos de cultura hindu se estabeleceram em Moçambique, dinamizando o comércio e influenciando a cultura através da gastronomia, da música e do cinema. Oriundos em grande parte do estado de Gujarat, contam com importantes templos em Maputo, Inhambane e Ilha de Moçambique. Existe ainda o mítico «mandir» de Salamanga, erguido em homenagem ao santo Kalidas.
06.07.2011 | por Cristiana Pereira
A génese pluriétnica da cidade de Luanda exige uma visão estratégica que promova a multiculturalidade que, no caso específico, tem sido alvo de polémica em múltiplos sectores da sociedade civil.
15.06.2011 | por Ângela Mingas
O que mais impressiona a quem sobrevoa o continente africano é a força e variedade da sua natureza, nas cinco “categorizações geográficas” claramente apresentadas por David Adjaye na sua exposição e aqui sublinhadas por Cristina Salvador - a floresta, o deserto, a savana, o prado, a montanha, bem como todas as situações híbridas, entre umas e outras. As cidades moldam-se a estas distintas paisagens, mais concentradas na linha do litoral africano, e esboçam, elas próprias, novas paisagens territoriais, também elas diversificadas e crescentes.
02.06.2011 | por Isabel Raposo
Estas novas leituras da urbanidade em África obrigam-nos a reequacionar novos paradigmas, novos modelos de urbanismo como propõe Adjaye, e novas formas de intervenção nas áreas urbanas, que levem em conta a multiplicidade e complexidade que ocorre em cada cidade e que só poderão ser encontradas e geridas localmente. Isto é válido tanto para o que ocorre nos antigos centros das cidades, os seus “corações” que nalguns casos ainda batem, como para as suas réplicas que nasceram posteriormente.
30.05.2011 | por Cristina Salvador
Contribuirá a lusofonia para o aprofundamento da democracia nesse espaço que se quer supranacional? A cidadania destes moradores é global, é multicultural, várias nacionalidades cruzam-se numa resposta a um problema que atravessa o globo e que afecta determinadas classes em qualquer parte do mundo, em qualquer tipo de regime político em qualquer tipo de cultura.
28.05.2011 | por Rui Estrela
Mesmo correndo o risco desta acomodação, continuo a achar que é importante debater a questão levantada pelo urbanismo negro. Mesmo o nome – as pessoas me dizem, “Por que você usa o nome urbanismo negro? Por que não chama simplesmente de “urbanismo diferenciado”, ou “urbanismo diverso”, ou “urbanismo cultural”?”. Outra vez, acho isso uma questão legítima, já que urbanismo negro pode gerar muitos mal-entendidos. Mas eu acho que abre espaço para o debate. É deliberadamente um pouco provocativo. “Negro” e “urbanismo”? O que os dois termos têm a ver um com o outro? É exatamente neste ponto que eu quero chegar. Porque quando leio as revistas de arquitetura, não vejo muito de negritude. Vejo branquidão, literalmente. Não vejo muito que seja representativo do que estamos falando – e não estou falando apenas de David Adjaye.
17.05.2011 | por Paul Goodwin
O artigo explora cenas musicais actuais em Lisboa, na perspectiva da circulação musical e cultural. Discute os modos como a música e as cidades interagem num contexto acrescido de inter-conexões entre o local e o global. Sugere que a criação e a performação musicais assim como a inovação cultural, não podem ser reduzidas às iniciativas locais ou institucionais. Na base da existência da assim chamada “cultura global”, as cidades reinventam-se, promovendo várias auto-definições (às vezes conflictuais). No caso de Lisboa, esta tendência é acompanhada por um desejo aparentemente acrescido de conectar ou re-conectar o mundo lusófono, que documenta eventualmente as auto-imagens de Lisboa como cidade inclusiva e multicultural. Neste processo, novas formas de etnicidade podem ganhar visibilidade na mercantilização da Luso-World music (ou seja, a World music praticada nos países lusófonos). No horizonte das cidades imaginadas como “megacidades transculturais”, a música tende a ganhar espaço na promoção dos sentimentos de lugar e pertença na, e à cidade.
15.05.2011 | por Jorge de La Barre
Uma diferença fundamental com a cidade planejada diz respeito a relação entre espaços públicos e privados, na favela esses espaços também estão inextricavelmente ligados. Durante o dia as ruelas se tornam a continuação das casas, espaços semi-privados, enquanto a maioria das casas com suas portas abertas se tornam também espaços semi-públicos. A idéia da favela como uma grande casa coletiva é freqüente entre os moradores. As ruelas e becos são quase sempre extremamente estreitos e intrincados o que aumenta a sensação labiríntica e provoca uma grande proximidade física que provoca todo tipo de mistura. Subir o morro é uma experiência de percepção espacial singular, a partir das primeiras quebradas se descobre um ritmo de andar diferente, uma ginga sensual, que o próprio percurso impõe.
27.04.2011 | por Paola Bernstein Jacques
É no cemitério do Cairo, mais do que nas pirâmides, que se percebe o culto da morte. E é aí, mais do que no colorido bazar Khan el Khalili, que se vê a força dos vivos. Uma viagem à Cidade dos Mortos quando fazia falta a revolução.
24.04.2011 | por Susana Moreira Marques
Localizada no Bairro dos Eucaliptos, junto à nova esquadra policial da comuna do Forte Santa Rita e do Centro de Saúde, no Namibe, a sul de Angola, a instituição de ensino chama-se "Escola Rui Duarte de Carvalho", em homenagem àquele que foi a figura catedrática e emblemática do mosaico cultural da terra dos mucubais.
28.03.2011 | por João Upale
Francisco Castro Rodrigues foi premiado pelo júri do Prémio AICA/Ministério da Cultura (Arquitectura) pelo seu trabalho de grande relevância cultural, a maior parte do qual se localiza no Lobito. Lembramos, a propósito deste prémio, a importância do seu percurso pessoal e profissional em Angola de 1953 a 1988 e a sua atitude sempre corajosa, firme e coerente, na época colonial e no pós-independência.
24.03.2011 | por Cristina Salvador