A realidade em estado de palavra: notas a partir d’os Papéis do Inglês, de Ruy Duarte de Carvalho, e de fragmentos conradianos

A realidade em estado de palavra: notas a partir d’os Papéis do Inglês, de Ruy Duarte de Carvalho, e de fragmentos conradianos Gostaria de propor que o recurso a duplos parece sugerir que perceber a si envolve fazer-se outro. Ou seja, se ao falar do outro digo de mim, apenas tomo contato com minha própria existência na relação de alteridade e configurando “outros”. Estas seriam, em minha opinião, algumas das proposições que surgem da trilogia: 1) ao dizer do outro, digo de mim; 2) para me conhecer, necessito me dizer ao outro; 3) para me perceber no mundo, preciso tornar-me, também, uma alteridade.

08.10.2019 | por Anita Martins de Moraes

Os triângulos de Ruy Duarte de Carvalho

Os triângulos de Ruy Duarte de Carvalho …a estória, então, ou a viagem que tenho para contar começaria assim: tem um lugar, dizia eu, tem um ponto no mapa do Brasil, tem um vértice que é onde os Estados de Goiás, de Minas Gerais e da Bahia se encontram, e o Distrito Federal é mesmo ao lado. Aí, sim, gostaria de ir…

18.09.2019 | por Sonia Miceli

Estórias de pastores: duas perspectivas angolanas sobre a identidade nacional e as outras

Estórias de pastores: duas perspectivas angolanas sobre a identidade nacional e as outras A descoberta de um pequeno conto da década de 1970 abriu-me a possibilidade de estabelecer uma comparação com outro escritor angolano da mesma geração, Pepetela, cuja obra analisara em detalhe para a minha tese de doutoramento (Santos 2011). A coincidência de ambos terem escrito, com um intervalo de quase 30 anos, sobre o mesmo tema, facilitou um exercício comparativo cujo objetivo é salientar a originalidade e pertinência das ideias de Ruy Duarte de Carvalho (RDC) a respeito das identidades coletivas parcelares.

23.08.2019 | por Alexandra Santos

O nomadismo literário de Ruy Duarte de Carvalho

O nomadismo literário de Ruy Duarte de Carvalho Este artigo pretende demonstrar como essa trajetória se reflete na sua produção literária desenvolvida a partir do final da década de 1990 e compreender as bases sobre as quais se construiu o diálogo entre esses campos. A análise sobre como as diferentes expressões e linguagens se inserem no texto de Carvalho dá o arranque a uma reflexão sobre as relações entre antropologia e literatura, e os questionamentos acerca de autoria e narração, que sustentam o projeto literário desenvolvido na trilogia Os filhos de Próspero.

25.07.2019 | por Christian Fischgold

Ruy Duarte de Carvalho: sob o signo da contradição

Ruy Duarte de Carvalho: sob o signo da contradição Ao distanciar-se de qualquer apego a um possível messianismo, não raro presente em concepções literárias que emergem nas periferias, o sentido da escrita que o movia levou-o sempre a encarar impasses que mais interferem na formulação de perguntas do que no oferecimento de respostas. O gosto pela interrogação, não como estilo, mas como método de reflexão dominou o seu itinerário, condicionou a ruptura das formas cristalizadas e a prática do diálogo com os contextos em que se vê inserido como duas das marcas centrais da obra de Ruy Duarte de Carvalho nas quais se enraíza a força da sua complexidade. Desse modo, situando-se no terreno da radicalidade, o seu projeto intelectual pautava-se pela eleição de parâmetros fundamentais para propor a transformação que entendia necessária.

17.07.2019 | por Rita Chaves

Razia, poder e violência no sudoeste angolano

Razia, poder e violência no sudoeste angolano O objetivo desta análise é um deslocamento da perspectiva, a partir do qual se busca compreender menos a forma como os africanos resistiram a um processo imposto a partir de fora e que avança de maneira coerente, mas como certas estratégias sociais e ações políticas por eles articuladas impuseram mudanças ao conjunto das relações entre os agentes implicados na situação colonial. Importam aqui os interstícios ainda pouco iluminados da agência africana no sul de Angola: o que os africanos faziam do que se tentava fazer deles a partir da década de 1920?

08.07.2019 | por Rafael Coca de Campos

Angola de dentro para fora nas “Actas da Maianga”. percursos de reflexão sobre as guerras e o político no pensamento de Ruy Duarte de Carvalho

Angola de dentro para fora nas “Actas da Maianga”.  percursos de reflexão sobre as guerras e o político no pensamento de Ruy Duarte de Carvalho RDC buscou desfazer a confusão comum entre a ética e a política, colocando-se contra a verdade oficial e a razão do Estado ao narrar os sofrimentos impostos à população no contexto da crise. A crise se instalou pela guerra, igualmente pelos diversos modelos ocidentalizantes que se tentaram aplicar, levando a uma permanente desestruturação, instabilidade e incerteza que forneciam argumentos aos dirigentes para manterem um estado de exceção que justificava a penúria dos angolanos.

22.06.2019 | por Kelly Araújo

O gabinete de Coimbra. sobreposições sobre um espaço comum

O gabinete de Coimbra. sobreposições sobre um espaço comum O que sucedeu à relação das autoridades tradicionais com a chegada das independências e do Estado pós-colonial? Ora aqui a provocação é muito simples. Na construção do Estado dito pós-colonial em Moçambique, em especial a partir de 1994, vamos encontrar dimensões muito pouco pós-coloniais. Vamos descortinar uma relação com tanto ou mais continuidades significativas com o Estado colonial do que aquilo que seria expectável.

14.06.2019 | por Fernando Florêncio

O habitar cosmopolita de um território

O habitar cosmopolita de um território Organizado em 2015, decorridos cinco anos após a morte de Ruy Duarte de Carvalho (RDC), o ciclo Paisagens Efémeras foi pensado menos como homenagem do que como reflexão conjunta em torno do seu pensamento crítico. Convidando à releitura de uma obra que questionou fronteiras entre lugares, géneros, saberes e instituições, o Colóquio “Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho”, reuniu olhares e vozes diversas, ligando-se tanto à particularidade dos lugares que RDC habitou quanto à transumância constante que caracterizou a sua biografia e o seu trabalho. A partir da antropologia, literatura, cinema ou produção predominantemente teórica e ensaística, a obra de RDC foi revisitada em registos que entrelaçam o enfoque académico e a evocação pessoal.

07.06.2019 | por vários

Ruy Duarte de Carvalho e o neo-animismo

Ruy Duarte de Carvalho e o neo-animismo Não é uma escrita da subjetivação, mas da dessubjetivação – o dispositivo literário, a violência e provocação sobre a forma da frase, o posicionamento contra a figura autoral, todas agem em negação da história do próprio, da sua memória, do seu mundo. É uma escrita contra o autor e contra o personagem. A ideia de que tudo tem alma – enquanto reencantamento possível face aos diagnósticos mais reservados do humanismo – surge numa identificação extrema com o território, com o “outro” enquanto expressão do território, mas não enquanto folclore ou fetichismo. Este outro – uma entidade territorial e social – surge enquanto um “outro eu” e nessa relação de amizade constitui um posto para pensar.

26.05.2019 | por Luhuna de Carvalho

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel VII Labores e diálogos

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel VII Labores e diálogos Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Painel VII "Labores e diálogos" com Inês Ponte e Ana Balona de Oliveira.

28.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel VI Histórias de Angola

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel VI Histórias de Angola Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. painel VI Histórias de Angola

25.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel V Nomadismo, conflitos e a construção do Estado

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel V Nomadismo, conflitos e a construção do Estado Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Nomadismo, conflitos e a construção do Estado – V com Maria Benedita Basto, Rita Chaves e Fernando Florêncio.

25.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel IV Epistemologias

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel IV Epistemologias Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Epistemologias IV com Luhuna Carvalho, Ana Paula Tavares e José Luís Garcia.

20.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel III

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel III Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Cinema e o “presente angolano” – III com Inês Dias e Kelly Araújo

20.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel II

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - painel II Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Diálogos literários e disciplinares – II com Christian Fischgold e Anita Moraes

19.01.2016 | por vários

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - comunicações

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - comunicações Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, Lisboa, o colóquio "Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho", integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Diálogos literários e disciplinares – I com Lívia Apa e Sonia Miceli

18.01.2016 | por vários

Livro + CD Diário do Deserto, referências para a viagem ao deserto do Namibe

Livro + CD Diário do Deserto, referências para a viagem ao deserto do Namibe Os caminhos do deserto levaram-nos aos edificados da natureza, habitados por pessoas antigas no Tchitundo-Hulo, por pastores que continua a valer a pena visitar nos sambos. São percorridos por comerciantes, turistas e outros viajantes, que se encontram nesta ou naquela etapa. E são mais as surpresas na paisagem: vários oásis, as marcas da erosão do vento no Ocoai, a foz do Cunene. “A areia às vezes vem e tapa, mas mais tarde o vento limpa, até que a areia volte a tapar”.

06.12.2015 | por Cristina U. Rodrigues

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - colóquio

Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho - colóquio O colóquio DIÁLOGOS COM RUY DUARTE DE CARVALHO pretende revisitar a multiplicidade da sua obra, sempre ligada tanto à particularidade dos lugares que habitou quanto à transumância constante que caracterizou a sua biografia e pensamento. Menos homenagem do que ponto de partida para uma reflexão conjunta em torno de um pensamento eminentemente crítico, o encontro deverá também constituir um pretexto para a releitura de uma obra que questionou fronteiras entre lugares, géneros e saberes. Reúne investigadores e personalidades do Brasil, Angola e Portugal que trabalham a obra de Ruy Duarte de Carvalho e pensam temas afins. (ver programa).

02.12.2015 | por vários

Ciclo Paisagens Efémeras I LISBOA

Ciclo Paisagens Efémeras I LISBOA A exposição desenha-se através de um vasto percurso: da África Austral ao Brasil, do pós-independência de Angola ao exílio interior, do deserto ao mar, das obsessões às hesitações, da família à exigente solidão, da longa guerra à análise das suas implicações, da minudência dos diários de campo ao jogo de espelho entre observador e observado. Seguimos as pistas da sua pesquisa, metódica e multiplicadora de sentidos e, à medida que fomos desdobrando o espólio de uma vida, foi a perplexidade com tantos caminhos percorridos aquilo que mais nos assaltou.

25.11.2015 | por vários