O futuro já começou?

O futuro já começou? Que sentido faz ainda hoje adiantar, em relação a Angola, expressões como "transições liberais" e "novo dado para os grupos sociais", quando elas são referidas a uma situação em que as políticas nunca deixaram de ser as da guerra e as da disputa do poder pela força ? (texto de 1994)

01.09.2013 | por Ruy Duarte de Carvalho

Dançar o Sul em mãos de sal ao sol

 Dançar o Sul em mãos de sal ao sol O coreógrafo Rui Lopes Graça e o músico João Lucas rumaram ao deserto do Namibe, onde revisitaram Ruy Duarte de Carvalho e se fizeram etnógrafos. Paisagens Propícias tem estreia absoluta hoje em Lisboa, no Teatro Camões. este universo, que Ruy Duarte de Carvalho tratou na ficção epistolar Vou lá visitar pastores (1999), partiu Paisagens Propícias (título emprestado do livro homónimo do autor), a primeira criação do coreógrafo português Rui Lopes Graça para a Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA). Para a directora, a coreógrafa e investigadora angolana Ana Clara Guerra Marques, estava na hora de um novo impulso para CDCA, até porque "a componente etnográfica da CDCA se tem dirigido sobretudo à cultura cokwe" (do Leste de Angola).

18.01.2013 | por Luísa Roubaud

Exposição de aguarelas de Ruy Duarte de Carvalho em Lisboa

Exposição de aguarelas de Ruy Duarte de Carvalho em Lisboa Durante os dias de exibição do espectáculo "Paisagens Propícias" pela Companhia de Dança Contemporânea Angolana poderá ver a exposição de aguarelas no Teatro Camões em Lisboa. Nas palavras de Ana Paula Tavares: "Espaços incorporados surgem aqui tratados da maneira certa seguindo o traçado das suas antiquíssimas formas subjugadas a novas perspectivas que obrigam o olhar a elevar-se do chão para seguir a dupla organização das espécies (muros, prédios, varandas, esquinas) enquanto espaço habitado e representado em sequência pois a sua mais primitiva materialidade muda. Era uma vez uma cidade, seus centros em movimento contínuo, suas três dimensões invertidas, seus habitantes e suas falas."

18.01.2013 | por vários

Paisagens Propícias

Paisagens Propícias A Companhia Dança Contemporânea Angola abraçou este grande desafio, para adequar gestos que passo a passo se revelavam, à condição das imagens adoptadas da escrita de Ruy Duarte de Carvalho, dos seus filmes, dos seus desenhos, da sua fotografia, dos seus diários de campo e do seu olhar - que tão generosamente nos chegou através das palavras de quem com ele cruzou a vida. há gestos que repetem outros gestos e corpos velhos a temperar a juventude e outros.(...) Ruy Duarte Carvalho

19.11.2012 | por João Lucas, Rui Lopes Graça e Ana Clara Guerra Marques

Apelo biblioteca Ruy Duarte de Carvalho

Apelo biblioteca Ruy Duarte de Carvalho Apelo da filha do Ruy Duarte de CArvalho, para que sejam doados e transportados livros até à biblioteca com o nome do escritor, localizada no Namibe.

10.06.2012 | por Eva Carvalho

Um livro à deriva: autocolocação e construção do livro na trilogia ficcional de Ruy Duarte de Carvalho

Um livro à deriva: autocolocação e construção do livro na trilogia ficcional de Ruy Duarte de Carvalho Contaminação de géneros, cruzamento e sobreposição de registos discursivos heretogéneos são habitualmente apontados como umas constantes na obra de Ruy Duarte de Carvalho, que vai do cinema à antropologia, da poesia à narrativa, do ensaio à crónica de viagem, num discurso que, como várias vezes tem sido justamente observado, não se pode encaixar nas convenções e nos limites de um determinado género ou espaço discursivo.

27.10.2011 | por Sonia Miceli

Discurso etnográfico e representação na ficção africana de língua portuguesa: notas sobre a recepção crítica de Mia Couto e o projeto literário de Ruy Duarte de Carvalho

Discurso etnográfico e representação na ficção africana de língua portuguesa: notas sobre a recepção crítica de Mia Couto e o projeto literário de Ruy Duarte de Carvalho investiga as noções de representação implicadas no uso de materiais etnográficos para estudo das literaturas africanas de língua portuguesa. Discute, inicialmente, como essas literaturas têm, desde suas primeiras manifestações, se aproximado da antropologia, propondo-se como retrato de sociedades não-ocidentais. Analisa, em seguida, como esta expectativa de retrato se insinua na recepção crítica de um romance contemporâneo, Terra Sonâmbula (1992), do moçambicano Mia Couto. Propõe, então, por meio da análise do romance Os papéis do inglês (2000), que o projeto literário do escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho resiste a este tipo de expectativa, problematizando-a.

10.10.2011 | por Anita Martins de Moraes

"A Construção da Nação e a Consciência Nacional", entrevista a Ruy Duarte de Carvalho

"A Construção da Nação e a Consciência Nacional", entrevista a Ruy Duarte de Carvalho Numa Angola que passa a existir como país, mas não como nação, tudo o que articule os cidadãos nas mesmas instituições tem importância para reforçar a consciência nacional. Passamos a perceber que estamos implicados numa mesma substância nacional quando nos sentimos implicados nas mesmas instituições quer sejam formais ou informais.

17.09.2011 | por Ruy Duarte de Carvalho

Recensão a "Desmedida Luanda-São Paulo-São Francisco e volta"

Recensão a "Desmedida Luanda-São Paulo-São Francisco e volta" Com "Desmedida" o autor parecia introduzir uma deslocação de território e de género, abordando a crónica num espaço aparentemente estranho a Angola. No entanto, partilhará a mesma obsessiva procura de uma «autocolocação» que o próprio tem vindo a afirmar como determinante, mantendo o livro próximo do imaginário dos anteriores e introduzindo a partir da forma da crónica, na tensão entre o imprevisto e o livro que daí resultará, algumas interessantes figuras unificadoras desse discurso transversal.

13.09.2011 | por Clara Rowland

Da tradição oral à cópia standard, a experiência de Nelisita

Da tradição oral à cópia standard, a experiência de Nelisita estamos cientes de que qualquer filme angolano, partindo de elementos culturais muito diferentes daqueles que normalmente alimentam os mercados do cinema, de uma maneira geral afectos a configurações sociais mais ou menos próximas de quadros ocidentalizados, tem que se haver com problemas muito específicos de leitura, da ordem pelo menos dos que ocorrem com outras cinematografias regionalizadas, africana sou não.

10.09.2011 | por Ruy Duarte de Carvalho

A propósito da morte de RUY DUARTE DE CARVALHO

A propósito da morte de RUY DUARTE DE CARVALHO O Ruy Duarte de Carvalho, poeta, antropólogo, cineasta, artista plástico, angolano por adopção, nascido em Portugal, morreu na Namíbia, em Swakopmund, numa espécie de exílio voluntário. Soube da sua morte, por mensagem do Gégé Belo, e logo pensei: “É mesmo verdade, os grandes homens já morreram, e muitos deles morrem no exílio…”

10.09.2011 | por Justino Pinto de Andrade

"Vou lá visitar pastores" - literatura, antropologia e identidade(s)

"Vou lá visitar pastores" - literatura, antropologia e identidade(s) Uma narrativa que é um relato apurado, baseado em longo trabalho de pesquisa sobre os [i]kuvale[/i], povo pastoril que vive na região sul de Angola e que vem sendo objeto das pesquisas antropológicas realizadas por Ruy Duarte de Carvalho desde o início dos anos 90.

28.07.2011 | por Rita Chaves

O direito à exigência

O direito à exigência Angola porém, mesmo que até aqui não se tenha manifestado muito nos terrenos da análise social, existe ainda assim e também em relação a tal esfera de interesses. Só que à sua própria medida, quer dizer, "em grande" e sempre imprevisivelmente. É desta forma que, na sequência da constituição de uma associação de antropólogos e de sociólogos angolanos, está em curso em Luanda a criação de uma revista de ciências sociais. Chamado naturalmente a filiar-me na primeira, acedi também a integrar o conselho editorial da segunda. Como antes, e inapelavelmente, estou inserido no processo. De facto, embora possa contestar o bem fundado das verdadeiras intenções que terão levado à instituicionalização da associação, matéria que não desenvolverei aqui, nada tenho, em boa verdade, contra o aparecimento de uma tal formação de classe.

11.07.2011 | por Ruy Duarte de Carvalho

Tempo de ouvir o ‘outro’ enquanto o “outro” existe, antes que haja só o outro... Ou pré - manifesto neo-animista

Tempo de ouvir o ‘outro’ enquanto o “outro” existe, antes que haja só o outro... Ou pré - manifesto  neo-animista ...... fazendo eu parte, cívica, emotiva e intelectualmente, da categoria geral do OUTRO em relação à Europa, também por outro lado a questão do OUTRO, e dadas as condições fenotípicas e de origem que me assistem, tem feito sempre parte da minha experiência existencial e pessoal dentro do próprio contexto, africano e angolano, em que venho exercendo a vida e ofício...... isso me tem levado, para poder ver se consigo entender o mundo e entender-me nele e com ele, a identificar e a reconhecer uma multiplicidade de OUTROS........ no presente caso retive apenas três categorias de OUTRO, que são as que me parecem capazes de permitir-me tentar expor o que poderei ter para dizer aqui....

17.06.2011 | por Ruy Duarte de Carvalho

O que eu esperava...

O que eu esperava... Ao chegar a Valvys Bay até Swakop, uns 30 quilómetros, de um lado o mar e do outro só dunas, onde se praticam desportos radicais. O mar é lindo, agreste, ondas fortes e água fria, pois ali passa a corrente fria de Benguela. Chegamos a casa cheios de areia, o cabelo crespado, a pele seca, as malas por fora perderam a sua cor natural. O aconchego de sua casa, para descansar e depois continuar.

16.06.2011 | por Eva Carvalho