Portugal Refractário

Portugal Refractário Portugal, como tal, não existe. Toda a nação é uma noção, não mais do que isso, uma construção cultural sedimentada pelo tempo, que ocorre apenas à força de acreditarmos nela. A terra, essa, persiste e resiste, em larga medida indiferente às transformações humanas, ainda que muito afectada por elas — e, agora, dizem, a um ponto que muitos garantem ser irreversível, talvez até extintivo para a espécie humana. Não são portuguesas as andorinhas ou as gaivotas e as águias-pesqueiras, nem as nuvens e as tempestades, os equinócios, as estações do ano, e a terra e o mar só são nossos porque assim se convencionou que o fossem, o que depende de nós, sem dúvida, mas também ou sobretudo dos outros, que aceitam e reconhecem a lusa «soberania» sobre este pedaço de mundo.

A ler

25.06.2026 | por António Araújo

Desfocar o sujeito, sobre fred

Desfocar o sujeito, sobre fred Em fred, ska batista espreita por uma janela semi-cerrada para corpos que só parcialmente se deixam revelar na fotografia. Nesta entrevista-conversa, falámos sobre uma lisboa desaparecida e em desaparecimento, das armadilhas representativas dos discursos que rodeiam os corpos queer, da prática de uma fotografia que não pode ser um olhar exterior e de uma fotografia ‘desenrasca’ para corpos que, também eles, se vão desenrascando.

Cara a cara

23.06.2026 | por p. feijó e ska batista

Limites, silêncios e ausências, a propósito da exposição ‘Ceci N'est Pas Francisco’

Limites, silêncios e ausências, a propósito da exposição ‘Ceci N'est Pas Francisco’ O trabalho de Marta Pinto Machado tem-se desenvolvido em torno da fotografia e do arquivo, explorando as relações entre memória, história, identidade e pertença, bem como os seus limites, silêncios e ausências. É precisamente nesse território, situado entre o visível e o invisível, entre a memória e o esquecimento, que se desenvolvem muitas das questões presentes nesta exposição. Para compreender melhor esta exposição, gostaria de partir de três projetos da artista que me parecem fundamentais para compreender algumas das questões que atravessam esta exposição.

Vou lá visitar

11.06.2026 | por Inês Vieira Gomes

Promenade - galeria

Promenade - galeria Zona de orla marítima povoada por hotéis, piscinas, cais de acesso ao mar públicos e privados, restaurantes, cafés, zonas ajardinadas, miradouros, lugares de lazer e descanso, a promenade estende-se da zona do Lido ao túnel da Doca do Cavacas que antecede a Praia Formosa, tendo daqui continuidade um percurso que vai até à baía de Câmara de Lobos. Outrora também conhecido por Jardins do Lido, na página oficial deste passeio marítimo refere-se que é pautado por uma flora diversa composta por espécies endémicas e exóticas.

A ler

24.01.2026 | por Ana Gandum

Que Lisboas são as nossas? Acerca de Lisboa Mesma, Outra Cidade, vol.2

Que Lisboas são as nossas? Acerca de Lisboa Mesma, Outra Cidade, vol.2 A certa altura, a conversa tomou um rumo amargo. Não caindo na autocomiseração constatava-se que, nestes tempos, nem o mais resistente e empenhado está imune ao vírus da perda. O desaparecimento dos espaços e dos lugares significativos, de que falou e escreveu Gisela Casimiro no livro, a atomização e paralisação das existências na cidade outrora pulsante, parecem ocupar parte da cabeça dos artistas. Isso, quer queiramos ou não, afeta a sua prática. Basta espreitar no Ípsilon a recente reportagem “Crise no turno da noite”. Cada um, sobretudo os que cá vivem, sempre viveram, trabalham, etc., constrói o seu mito de cidade: a “sua” Lisboa. Mas num momento de oscilação entre o cinismo e a descrença, talvez a expressão do coletivo só seja possível a partir da representação individual, à medida que é posta em prática.

Cidade

17.10.2025 | por Tiago Lança

nós-rio Uma exposição com o Rio Grande da Pipa pelo coletivo c.a.m.p.o

nós-rio Uma exposição com o Rio Grande da Pipa pelo coletivo c.a.m.p.o nós-rio é o resultado dessa co-existência e dessa co-autoria, que se foi revelando nos mais diversos formatos. O impacto acabou por se reproduzir em praticamente todos os trabalhos. Multiplicar essas paisagens foi, também, um modo de nos tornarmos veículo do rio: mapeamos para conhecer e proteger, quer seja em pinturas, fotografias, filmes ou bordados.

Vou lá visitar

02.10.2025 | por coletivo c.a.m.p.o s

Venham mais cinco! revela o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa

Venham mais cinco! revela o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa  Os 4 núcleos temáticos desvelam a geografia social de um território que a maioria dos fotógrafos desconhecia, embora alguns fossem já experientes e carregassem a bagagem de várias guerras e revoluções um pouco por todo o mundo. Descobriram em Portugal a alegria popular nas ruas de Lisboa, as reivindicações operárias na cintura industrial da capital, o Alentejo das revoltas contra os latifúndios e o Interior Norte empobrecido onde as crianças iam descalças para a escola, quando esta existia a quilómetros de distância, e em casa quase ninguém sabia ler.

Vou lá visitar

02.10.2025 | por Carla Baptista

Corpos migrantes à procura de definição, sobre "Dialecto" de Felipe Romero Beltrán

Corpos migrantes à procura de definição, sobre "Dialecto" de Felipe Romero Beltrán Sem louvar a burocracia, dir-se-ia que a sala de espera, esse estádio intermédio onde se arrastam os corpos e as identidades, tem também potencial para ser um espaço de criação, um lugar excecional de pensamento e questionamento, artístico e político. Nesse sentido, as artes visuais e performativas, a música e o cinema, com os seus comentários mordazes, mais ou menos explícitos, são essenciais para expor a realidade dos sem papéis, para documentar os indocumentados, e tomar consciência que estes corpos existem e exigem dignidade.

Vou lá visitar

19.09.2025 | por Tiago Lança

Lisboa mesma outra cidade (vol.2)

Lisboa mesma outra cidade (vol.2) Numa cidade cada vez mais imersa num imaginário de postais turísticos, ativos imobiliários e visões alienistas — onde o quotidiano de quem a habita tende a desaparecer -, Lisboa Mesma Outra Cidade propõe uma outra cartografia. Este segundo volume reúne sete ensaios fotográficos e três crónicas literárias que traçam um retrato fragmentário, íntimo e atento da cidade vivida por dentro. Mais do que definir o que Lisboa “é”, trata-se aqui de multiplicar as formas de ver, pensar e imaginar a cidade a partir de quem nela caminha, observa e habita.

Cidade

18.09.2025 | por David-Alexandre Guéniot e Catarina Botelho

Entre cartas e fotografias: uma pequena história do colonialismo – Parte II

Entre cartas e fotografias: uma pequena história do colonialismo – Parte II Pesquisadores (e historiadores em particular) costumam atribuir suas descobertas ao sucesso de uma busca obsessiva pelo fato, atribuem achados ao ato de procurar incessantemente a determinação mais precisa do passado. Esquecem-se assim do caráter fragmentário de todo arquivo e de como cada um dos documentos que o compõe podem nos trazer “vestígios do passado [que] visam o presente e nos dizem alguma coisa. É graças às suas lacunas que os arquivos ainda nos olham” (Ibidem). As “descobertas” historiográficas são, portanto, a correspondência entre o olhar do historiador e o passado que ressurge como um relâmpago tensionado para o futuro.

Vou lá visitar

16.03.2025 | por Luciana Martinez

Entre cartas e fotografias: uma pequena história do colonialismo – Parte I

Entre cartas e fotografias: uma pequena história do colonialismo – Parte I    Apenas tinha consigo uma fotografia da mulher quando era ainda uma rapariga, retrato em que ela lhe parecia da Indochina, muito segura, numa gola em bordado inglês. Dava conta de ir se esquecendo a pouco e pouco da cara dela. Só restava a sua voz do outro lado da linha como lembrança, a cada mês mais estrangeira e recomposta, à medida que a saúde ia melhorando.

A ler

27.01.2025 | por Luciana Martinez

Faces ocultas do trauma português contemporâneo, sobre “Despojos de Guerra” de Leonel de Castro

Faces ocultas do trauma português contemporâneo, sobre “Despojos de Guerra” de Leonel de Castro No ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de Abril de 1974, revolução impulsionada por militares que combateram em África, a guerra continua votada a um certo esquecimento. Muito embora todos nós tenhamos familiares ou histórias de pessoas próximas que estiveram envolvidas na guerra colonial, esta continua a representar um campo memorial de traumas e silêncios. O sacrifício de homens e mulheres que direta ou indiretamente estiveram envolvidos neste fatídico conflito deve continuar a ser (re)lembrado.

Vou lá visitar

10.08.2024 | por Inês Vieira Gomes

No Padrão dos Descobrimentos, a história da diáspora africana conta-se através de Álbuns de Família

No Padrão dos Descobrimentos, a história da diáspora africana conta-se através de Álbuns de Família Toda a exposição resulta de um processo colaborativo. “Grande parte do que está exposto foi feito com a participação das pessoas que generosamente retiraram as fotografias das suas casas para as partilharem connosco”, prossegue. “São pessoas não usam a criatividade no sentido de não terem resultados materiais no seu trabalho, como têm os escritores e os artistas no espaço público, mas que também aqui fizeram, de alguma forma, um trabalho criativo falando sobre as fotografias”.

Vou lá visitar

20.05.2024 | por Mariana Moniz

Contai aos vossos filhos

Contai aos vossos filhos A fotografia e a guerra formam, na nossa época, uma parelha que tem muito que se lhe diga, mas não uma leitura única. Susan Sontag, uma escritora americana que descreveu, historiou, e tentou explicar a estranha coligação deste estranho casal (a fotografia e os sofrimentos da guerra) no seu livro “Ohando o sofrimento dos outros” (que diga-se de passagem, foi traduzido por mim) diz a certa altura: “As guerras são agora também imagens e sons de sala de estar. A informação sobre o que está a acontecer noutro sítio, a que se dá o nome de «notícias», sublinha o conflito e a violência – If it bleeds, it leads [«Se há baixas, há cachas»], reza a provecta divisa dos tabloides e dos programas noticiosos de 24 horas – que recebem em resposta compaixão, ou indignação, ou excitação, ou aprovação, à medida que cada notícia vai surgindo.”

Vou lá visitar

15.03.2024 | por José Lima

Apresentação do livro "Animismo e outros Ensaios", de Margarida Medeiros

Apresentação do livro "Animismo e outros Ensaios", de Margarida Medeiros O livro de Margarida Medeiros, ao propor o ensaio como método para uma ciência pública; ao forjar um léxico conceptual para análise do cinema e da fotografia, resgatando a arte como modo de conhecer (e não ilustração de teoria); e sobretudo ao defender implicitamente o animismo como ontologia reparadora, é um livro de uma actualidade pungente. É luto e é luta!

A ler

11.01.2024 | por Inês Beleza Barreiros

Lee-Ann Olwage: “Se procuramos melhorar, globalmente, a vida das pessoas com demência, então não podemos ignorar a parte que diz respeito às diferentes perceções culturais”

Lee-Ann Olwage: “Se procuramos melhorar, globalmente, a vida das pessoas com demência, então não podemos ignorar a parte que diz respeito às diferentes perceções culturais” Lee-Ann Olwage, que admite lutar contra os seus próprios problemas de saúde mental, tem também familiares que sofreram ou sofrem com Alzheimer. Por essa razão, afirma que, com o seu trabalho, pretende criar um espaço no qual as pessoas que fotografa possam desempenhar um papel ativo na criação das imagens e que, acima de tudo, as faça sentir como as verdadeiras “heroínas” das suas próprias histórias.

Cara a cara

13.12.2023 | por Mariana Moniz

Lisboa Mesma Outra Cidade

Lisboa Mesma Outra Cidade Duramente atingida pela austeridade, radicalmente transformada pelo turismo, subitamente suspensa pela crise sanitária, a cidade de Lisboa sofreu profundas transformações durante a última década. Fruto de políticas que popularizaram a sua imagem enquanto cidade cosmopolita e de lazer, a turistificação e financeirização do espaço público e privado transformaram as formas de ver e viver Lisboa.

Cidade

24.10.2023 | por Catarina Botelho e David-Alexandre Guéniot

Aerogramas de José Rubira: Guiné Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973

Aerogramas de José Rubira: Guiné Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973 Com o intuito de evidenciar o caráter também epistolar e material destas fotografias, partilhamos, além de uma digitalização da imagem nelas contida, o outro lado destes objectos fotográficos e organizamo-los cronologicamente pela data de envio. Propomos assim um debruçar sobre a sucessão de imagens e palavras que José Joaquim Rubira remeteu, ao longo de quase três anos, aos seus pais, aos seus tios e primos, à sua esposa e à sua filha Clara, que tinha apenas 6 meses quando José partiu de Montemor-o-Novo. José Rubira aparece retratado em todas as imagens.

Afroscreen

07.04.2023 | por Daniela Rodrigues

“Europa Oxalá”, tales of Europe

“Europa Oxalá”, tales of Europe Ao visitarmos a mostra coletiva Europa Oxalá ficamos, precisamente, com uma ideia mais vívida e premente sobre o poder criativo, as questões, preposições e desafios da contemporaneidade europeia. A noção de Europa afigura-se tanto mais coincidente com a sua realidade, como com os desejos e memórias diversas que a compõem. Na sala expositiva da Fundação Calouste Gulbenkian, percorremos as 60 obras em linguagens como pintura, desenho, escultura, filme, fotografia e instalação, de artistas cujos nomes não são uma mera lista mas fonte de conhecimento sobre identidades, descolonização, xenofobia, racismo, processos migratórios de pessoas, mundos e arte.

Vou lá visitar

27.12.2022 | por Marta Lança

“O impulso fotográfico”, (Des)arrumar o Arquivo Colonial

“O impulso fotográfico”, (Des)arrumar o Arquivo Colonial Nesta exposição, a expansão da fotografia associa-se à expansão científica colonial que vê na fotografia a tecnologia adequada para visualizar, medir, classificar e arquivar os seus objetos de estudo de modo potencialmente infinito, num contexto de progressivo extrativismo. Partindo desta obsessão pela medição e classificação, mostra-se os modos como os territórios e os corpos das pessoas colonizadas foram visualmente apropriados durante as missões científicas de geodesia, geografia e antropologia, no período 1890-1975, e como se difundiram as narrativas da ciência colonial.

Vou lá visitar

11.12.2022 | por vários