Entre o visual e o textual: poética e a construção da memória urbana

Entre o visual e o textual: poética e a construção da memória urbana Ainda que desde o seu surgimento a fotografia tenha sido considerada uma forma de se guardar a realidade, está hoje claro que esta se aproxima do real tanto quanto qualquer outra modalidade artística. No texto, somos capazes de sentir a cumplicidade da criação, assim como na fotografia: nem tudo está dado à partida. Nos é permitida a colaboração criativa por meio da imaginação e da subjetividade; da sensibilidade que cabe à cada um, e que nos permite enxergar um mundo (ou vários) pertencente a um outro alguém, mas que ajudamos a construir. Por isso a construção da memória da metrópole e a industrialização possuem um retrato tão forte para a mente humana, pois encontramos registros em diferentes tipos de arte que influenciam umas às outras.

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20.10.2016 | por Maria Isabel Machado

A desocultação da arma ou Éter de António Cabrita

A desocultação da arma ou Éter de António Cabrita O nada equivale ao segno do mundo pré-moderno ou ao éter do mundo de António Cabrita, isto é, àquilo que 'escaparia ou resistiria à ordem natural ou possível das coisas', do mesmo modo que o uso feérico da instantaneidade na actualidade equivale, de certa forma, ao simulacro de uma redenção (ou àquilo que era a salvação num patamar pré-moderno).

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20.04.2015 | por Luís Carmelo

Poesia como reacção

Poesia como reacção Arnaldo Santos é autor de dois livros editados pela Casa dos Estudantes do Império na década de 60, apesar de nunca ter estudado em Portugal. O escritor recorda os tempos em que nas férias levou mensagens de Lisboa para Paris, fazendo a ponte entre Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade que urdiam as independências africanas.

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13.11.2014 | por Joana Simões Piedade

«A língua portuguesa usa capulana»: provavelmente a última entrevista de Eduardo White

«A língua portuguesa usa capulana»: provavelmente a última entrevista de Eduardo White «Casámo-nos com a língua portuguesa. A língua portuguesa usa capulana. Como é que se tira a capulana? Roda-se. A língua portuguesa permanecerá indefetivelmente propriedade de quem a fala.(...) A cor da pele identifica o opressor, o colonialista. É um processo que vai demorar o seu tempo, mas que precisa de ser feito. África tem de se encontrar, principalmente Moçambique. A história da Commonwealth é isto. É um processo, as novas gerações ainda vão sentir isto, não vai acabar já. São cinco séculos de colonização, são muitos anos. O algodão, o chá, o chicote ainda aqui estão. É uma forma de dizer “Eu existo”, é uma afirmação.

Cara a cara

27.08.2014 | por Doris Wieser

Sobre Sonhu Sonhado, Sonho Sonhado, Dreamt Dream, de Carlota de Barros

Sobre Sonhu Sonhado, Sonho Sonhado, Dreamt Dream, de Carlota de Barros No contexto, diferenciado e linguisticamente multifacetado, o crioulo foi e continua a ser o principal signo identitário e, por isso mesmo, ainda que em alguns casos somente em potência, o principal elo de ligação, de identificação e de comunicação entre os caboverdianos de todos os tempos e lugares, situados nas ilhas e nas diásporas, localizados nos lugares do passado, do presente e do futuro do nosso povo disperso pelo mapa-mundo da sua alma migratória e dos pés andarilhos do globo dos seus filhos emigrantes e da sua demanda de sempre de uma vida cada vez melhor.

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07.07.2014 | por José Luís Hopffer Almada

Perceções sobre a intimidade e o corpo feminino na literatura poética da Guiné-Bissau

Perceções sobre a intimidade e o corpo feminino na literatura poética da Guiné-Bissau O presente artigo lança o desafio de desconstruir as perceções e os discursos poéticos mais expressivos projetados sobre o corpo feminino e a sexualidade nas narrativas poéticas guineenses tomando em consideração quatro dimensões analíticas: a) “repressão e controlo social do corpo feminino”; b) “erotismo singelo”; c) “celebração orgásmica do corpo feminino”; d) “descolonização e desmasculinização do corpo e da sexualidade feminina”.

Corpo

14.04.2013 | por Miguel de Barros

Cabo Verde- Orfandade identitária e alegada (im) pertinência de uma poesia de negritude crioula (III)

Cabo Verde- Orfandade identitária e alegada (im) pertinência de uma poesia de negritude crioula (III) Num plano sobretudo interno à sociedade caboverdiana das ilhas, a componente culturalista afro-crioula, porque vivenciada por caboverdianos de diferentes origens raciais e sociais, e subsistente como parte irrenunciável da caboverdianidade, como componente essencial da identidade crioula, no arquipélago e na diáspora.

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28.03.2013 | por José Luís Hopffer Almada

A poesia é para comer - Iguarias para o corpo e para o espírito

A poesia é para comer - Iguarias para o corpo e para o espírito Há muito tempo que versos e petiscos se cozinhavam na minha mente, em lume brando, como convém a uma receita que se quer apurada, insinuando no meu espírito aromas irresistíveis de cozinha de infância. Nasci numa família em que a gastronomia foi sempre – ao longo de gerações – um culto e um prazer, com honras de biblioteca e pesando, até, na escolha de itinerários de viagem. E o que pode haver de mais poético do que as memórias de um tempo em que tudo era assim, brando e promissor, sem pressas nem atropelos, apesar da sede imensa de uma vida inteira pela frente, por beber ainda? Enquanto tudo se espera, tudo pode acontecer…

Mukanda

15.05.2012 | por Ana Vidal

Cada escritor persegue um caminho próprio mas cada geração tem algumas questões colocadas a todos - entrevista a Anita Martins de Moraes

Cada escritor persegue um caminho próprio mas cada geração tem algumas questões colocadas a todos - entrevista a Anita Martins de Moraes Os que se viram implicados nas lutas pelas independências, mesmo os que não se integraram aos movimentos de luta armada, têm que lidar com as relações entre literatura e política, inevitavelmente, como também com uma idéia de nação, que podem querer formar ou questionar. Nesse sentido, a relação com as sociedades tradicionais e suas produções culturais se torna decisiva. As gerações que se viram, como no caso de Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, assoladas por guerras civis se vêem demandadas a lidar com seus escombros. Bem, posso dizer que, pelo que tenho lido, a denúncia da desigualdade social e da corrupção dos governos tem se tornado muito presente nessas literaturas africanas, desde os finais dos anos 1980.

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09.02.2012 | por Cláudio Fortuna

A poética de Eneida Nelly

A poética de Eneida Nelly Globalmente, Eneida Nelly colocava uma forte expressão sentimental na sua poética, tanto quanto à memória colectiva e à natureza ainda que agreste, como quanto ao tema do amor

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26.01.2012 | por Eurídice Monteiro

“Canta mais alto, por detrás do lamento…”, sobre Maiúca

 “Canta mais alto, por detrás do lamento…”, sobre Maiúca à espera de outros fazendo coro e “cantando mais alto por detrás do lamento” celebrando a vida, pausadamente, lucidamente, convocando as mulheres e os homens de boa vontade, cabeça limpa e bom coração para outro modelo, nesta existência trôpega, agressiva, cada vez mais sem razões que lhe dêem um sentido; à espera que exemplos como o teu frutifiquem e que as gerações seguintes saibam que, mesmo num tempo cinzento, às vezes bafiento e triste, houve gente a cantar, a encantar, a trabalhar, a amar, a viver, plena e inteiramente

Palcos

20.12.2011 | por Carlos Ferreira (Cassé)

Torpor da nova poética cabo-verdiana

Torpor da nova poética cabo-verdiana E será com esta nova gente que nos alinhamos na nova África, na renascença de uma Africanidade diferente, outra e emancipada, que não tem pejos, nem esteios de colonizados, nem complexos encravados de identidade; será com esta gente de liberto pensamento e de discurso livre, enquanto África múlplica e plural, ao tempo que assume suas especificidades, que nos assumimos, transculturais e mestiços, prontos para a intermediação do diálogo entre todos os mundos, inclusive com aquele que também nos é de pertença, que é o da Cultura de matriz Ocidental, pela sua vertente também da lusofonia,

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02.10.2011 | por Filinto Elísio

K3, crónica da Guiné

K3, crónica da Guiné Deixemo-nos de rodeios: K3, de Nuno Dempster, é um dos melhores livros de poesia publicados em Portugal nos últimos anos e a mais espantosa aproximação ao horror da Guerra Colonial desde Catalabanza, Quilolo e Volta, de Fernando Assis Pacheco (1976). Poema longo e de fôlego épico, K3 narra a experiência militar do autor na Guiné e procura arrancar às trevas do esquecimento os «anti-heróis» que combateram a seu lado, esses representantes involuntários das «gerações vencidas a quem coube / fechar impérios», homens usados como carne para canhão por um regime caduco.

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29.06.2011 | por José Mário Silva

Prefácio a Antologia Temática de Poesia Africana

Prefácio a Antologia Temática de Poesia Africana Não existe, no nosso caso, um documento comparável ao Manifesto de Légitime Défense, que propunha uma “ideologia de revolta” e formulava uma orientação precisa para os escritores negros de expressão francesa; o facto literário surgiu, porém, com ardor e talento, muito antes dos anos trinta deste século, ficando bloqueado, pelo condicionalismo colonial, no interior das fronteiras dos países de eclosão.

Mukanda

21.06.2011 | por Mário Pinto de Andrade

António Pompílio – Fronteira: a passagem do limite

António Pompílio – Fronteira: a passagem do limite A angústia apodera-se do sujeito lírico, somente a poesia pode recompor o que o homem perdeu após tantos caminhos equivocados, decisões injustas refletidas no uso incorreto do verbo: “Apunhalaram a palavra. Feridas crónicas no reverso do verso. O sangue tem a cor da minha voz, no avesso do silêncio. Permite-me abrir a passagem do limite.// Repara. A palavra é uma fronteira. É uma meta fora. A poesia é a água sem a metáfora da mágoa”

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21.06.2011 | por Ricardo Riso