Liberdade /diáspora a cronologia universal da descolonização da História

Liberdade /diáspora a cronologia universal da descolonização da História A presença assertiva, quase arrogante, e o dandismo performado pelos/as personagens retratados/as, demarcam as fotografias de Diop de uma qualquer humilde dignidade, expressão imagética da subjetividade colonizada que o racismo consente. Trata-se, sim, da mimese (mimicry) de que nos falava Homi Bhabha, aquela em que o fracasso na identificação narcísica com os modos de representação do colonizador, o carácter sempre inapropriado dos sujeitos coloniais, cria uma ambivalência que, num espelho cómico e trocista, perturba a autoridade encenada pelo discurso colonial.

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04.11.2018 | por Bruno Sena Martins

Esquecer em português

Esquecer em português É um facto: as sociedades esquecem. É um processo necessário à criação de identidades coletivas, de solidariedades políticas, de projetos de governação da sociedade, de sobrevivência e de reinício coletivo após guerras civis ou outros eventos responsáveis por ruturas.

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02.10.2018 | por Hélia Santos

A falácia do “racismo inverso”

A falácia do “racismo inverso” E é deste contexto que surge o que denominamos de racismo, uma opressão histórica, violência sistémica, uma relação de poder e de profunda desigualdade. E é por isso que o racismo está intrinsecamente, e historicamente, ligado à inferiorização dos negros (e não dos brancos).

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22.09.2018 | por Joacine Katar Moreira

"Descobertas" colonialidades da memória

"Descobertas" colonialidades da memória Uma das mais importante descobertas a que o projeto do museu das “Descobertas” poderia conduzir seria, assim, a perceção de que os usos da linguagem não são inocentes e de que a gramática da memória tem sempre muito mais a ver com o presente do que com o passado – a perceção, em suma, de que, em toda esta controvérsia, o que está em questão não e simplesmente o que fomos, mas sim o que somos e, sobretudo, o que queremos ser.

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14.07.2018 | por António Sousa Ribeiro

Ver com um olho

Ver com um olho Aprender da História significa sabermos quando um acto não pode ser repetido e, se for, quando devemos torcer o nariz; não significa ter sensibilidade para as circunstâncias temporais e culturais que justificam certos actos. Significa, isso sim, ter uma ideia bem clara das razões que devem levar todo o indivíduo sensato a condenar uma acção ainda que ela, aos olhos de quem a praticou, ou do tempo em que ela foi praticada, faça todo o sentido. Aprender da História significa reforçar o compromisso com o que sabemos hoje distanciando-nos do que aconteceu ontem.

Mukanda

10.07.2018 | por Elísio Macamo

Nos bastidores do Museu

Nos bastidores do Museu O recém-modernizado Museu Centro-Africano em Tervuren não se desfaz do velho, nem clarifica a questão dos propósitos servidos hoje por um ‘museu africano’ na Europa. Ao invés, quem o visitar após a sua reabertura confrontar-se-á com a problemática relação entre passado e presente que Tervuren sempre encarnará — e com a presença insistente do fantasma do Rei Leopoldo.

Vou lá visitar

08.06.2018 | por Ana Naomi de Sousa

De que "legados" falamos nós?

De que "legados" falamos nós? De que passado colonial ou imperial estamos nós a falar? O que sabemos sobre esse passado, longínquo ou bem recente? O que conhecemos, de facto, de aspectos tão fundamentais como a estrutura ocupacional ou de rendimentos, os padrões de consumo, os graus de literacia, as práticas culturais, as opções ideológicas, os níveis de formação e participação política, as políticas de cidadania ou da terra nas antigas sociedades coloniais, em espaços urbanos ou rurais e nos trânsitos entre estes? Mais: o que sabemos sobre a própria descolonização, processo mais amplo e complexo que a mera “transferência do poder”?

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02.06.2018 | por Miguel Bandeira Jerónimo

Poesia Épica. História Única. Dissonância.

Poesia Épica. História Única. Dissonância. Acredito que Portugal precisa de aprender a contar bem melhor as suas tantas histórias, e que essa é necessariamente uma injunção do presente. Um museu dedicado a uma “história única” contada na língua do eufemismo boicota esse esforço, que já vai atrasado. O que nos vale é que seja um atraso necessariamente recuperável: é sempre possível ser mais livre.

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01.06.2018 | por Pedro Schacht Pereira

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta"

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta" Perderemos uma oportunidade histórica (e ética) se mantivermos uma nomenclatura de “descoberta” a propósito deste período histórico e não pensarmos uma metodologia adequada para este museu que esteja à altura de abrir um espaço novo capaz de articular crítica e criativamente, de forma informada, inclusiva e respeitadora da legitimidade das várias perspetivas e experiências que são a realidade da cidade de Lisboa e do país.

Mukanda

21.05.2018 | por vários

Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola

 Raça e (austeridade da) História, reflectindo a partir de um estudo etnográfico sobre a migração contemporânea de portugueses para Angola   No debate actual sobre racismos em português, analisadas de perto, as relações e interações observadas entre portugueses e angolanos em Angola aparecerem ainda imbuídas de preconceitos enraizados que derivam e se legitimam em mitos perenes sobre a história colonial portuguesa.

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18.01.2018 | por Carolina Valente Cardoso

Também foi assim que as coisas se passaram

Também foi assim que as coisas se passaram A geração dos “filhos de abril” está em condição privilegiada para pensar as memórias indiretas, ou partilhar as percepções destas memórias que, a par das estruturas sociais e culturais, nos definem como geração. Este “outro olhar” não tem a visão turvada pela autoridade do “eu estive lá e sei”, ainda que o grau de afetividade seja proporcional ao tipo de narrativa ideologizante que lhe foi transmitida. Sobre "um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas" de Joana Craveiro.

Palcos

02.12.2017 | por Marta Lança

Só há um absoluto: não há absolutos

Só há um absoluto: não há absolutos É possível pensar o passado fora da História. Fazemo-lo todos os dias. Já Hayden White o tinha dito. História e passado são coisas distintas. O passado é uma coisa e está-se nas tintas para os historiadores; a História é outra e não é indiferente ao que ofende o nosso sentido moral.

Mukanda

01.12.2017 | por Elísio Macamo

A escravatura nunca acabou

A escravatura nunca acabou Tudo isso junto é presente e futuro, é dignificação dos retirados da história, é tributo aos netos dos escravizados, é política aqui e agora, relevante para todos os que vivem juntos, de todas as cores e tons. Dará força a quem está vivo hoje, sobretudo aos que diariamente são alvo de indignidades, discriminação.

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19.11.2017 | por Alexandra Lucas Coelho

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala Se o conceito de lugar de fala se converte numa ferramenta de interrupção de vozes hegemônicas, é porque ele está sendo operado em favor da possibilidade de emergências de vozes historicamente interrompidas. Assim, quando os ativismos do lugar de fala desautorizam, eles estão, em última instância, desautorizando a matriz de autoridade que construiu o mundo como evento epistemicida; e estão também desautorizando a ficção segundo a qual partimos todas de uma posição comum de acesso à fala e à escuta.

Corpo

19.07.2017 | por Jota Mombaça

A Destruição do Corpo Negro

A Destruição do Corpo Negro Esta consciência da fragilidade do corpo negro dentro de uma história de ataques sistemáticos condicionou a educação e o comportamento de gerações e gerações de negros. Qualquer atitude fora dos padrões de submissão e obediência definidos pelos brancos podia ser entendida como insolência e ameaça, logo, como justificação para a violência. Responder a um insulto, fazer gestos mais bruscos, olhar o outro nos olhos, exigir respeito, eram comportamentos que podiam, de um momento para o outro, abrir as portas do inferno e fazer recair sobre o corpo negro a violência pronta a explodir da população branca.

Mukanda

20.05.2017 | por Bruno Vieira Amaral

Culpa, responsabilidade e hipocrisia

Culpa, responsabilidade e hipocrisia O “eurocentrismo” entra na equação quando os europeus nas suas práticas e nas suas proclamações entram sistematicamente em contradição com estes valores por si próprios declarados. Ou por outra, “eurocentrismo” não é impôr um padrão europeu como medida de tudo, mas sim não ter vergonha de violar o que se declara como sendo sua própria cultura quando convém.

Mukanda

05.05.2017 | por Elísio Macamo

“O povo é o peão do xadrez da História de Angola”, entrevista a Alberto Oliveira Pinto

“O povo é o peão do xadrez da História de Angola”, entrevista a Alberto Oliveira Pinto Alguns factos: a formação dos presídios do Kwanza, iniciados com Paulo Dias de Novais em 1575; a aliança entre os Imbangala e os portugueses no início do século XVII; a coligação de Estados africanos liderada pela rainha Njinga Mbandi entre 1635 e 1648; as campanhas militares de Luís Lopes de Sequeira, o “Mulato dos Prodígios”, que desmantelou os Estados do Congo, do Ndongo, do Libolo e da Matamba; a terrível guerra civil no Congo na viragem para o século XVIII; a Independência do Brasil em 1822 marcou uma viragem na política colonial portuguesa em relação a Angola e São Tomé.

Cara a cara

22.03.2017 | por Marta Lança

"Somos todos pós-coloniais"

"Somos todos pós-coloniais" sei que não nomear e / ou reivindicar o ponto de vista possibilita que se abra espaço para que essa posição seja infiltrada por pessoas, instituições e ideias que só pensam nas nossas subjetividades como metáforas para outra coisa. É tão necessário salvaguardar termos como "o Sul" como ser vigilante sobre a forma como são usados ​​para descrever e/ou discriminar.

Cara a cara

31.01.2017 | por Gabi Ngcobo e Katerina Valdivia Bruch

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters

Relação Angola Cuba, entrevista a Christabelle Peters A escritora e investigadora fala sobre a relação entre Angola e Cuba durante o período de guerra e no pós-independência, a propósito do seu livro "Identidade Cubana e a Experiência Angolana", um estudo cultural sobre a missão cubana em Angola. Nascida na Guiana, cresceu no Reino Unido e viveu muitos anos nos EUA. Atualmente pesquisa “Angola no Atlântico Africano” e Lisboa no movimento artístico africano de língua portuguesa.

Cara a cara

27.11.2015 | por Miguel Gomes

Reparar uma narrativa de séculos sobre a escravatura

Reparar uma narrativa de séculos sobre a escravatura A escravatura é – e talvez venha a ser sempre – um problema contemporâneo. Não se trata apenas de observar que continuam a existir no mundo modelos de exploração semelhantes ao da escravatura e que continua a haver tráfico de seres humanos. (...) “Uma boa divulgação da história da escravatura – e da sua violência e crueldade – poderá despertar a atenção de determinados sectores da sociedade para fenómenos contemporâneos de racismo e de xenofobia, de forma a promover a coesão social e as relações inter-raciais”, resume Vladmiro Fortuna

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07.01.2015 | por Susana Moreira Marques