A nossa BUALA

Somos uma plataforma que actua nas áreas da cultura, comunicação, arte e educação. Do significado de BUALA (aldeia, bairro, comunidade, periferia), na língua quimbundo, retemos esse ponto de encontro, casa comum de várias geografias e contribuições. Promovemos ligações intercontinentais a custo zero através de um portal online de crítica e documentação de questões pós-coloniais e transatlânticas, com muita incidência na relação entre Portugal, África e Brasil, e seus contextos socio-culturais particulares. Apelamos a esse olhar contemporâneo, transversal e problematizante, pela abordagem interdisciplinar e pluralidade de colaborações.

O acesso alargado ao conhecimento e à produção de discurso é o grande motor deste projecto. Para isso, disponibilizamos em arquivo aberto artigos (já mais de dois mil), sobretudo em língua portuguesa, com traduções em francês e inglês, exposições, biografias e um blog de actualidade cultural. A cultura contemporânea é aqui entendida na sua articulação com a política, ciências sociais, literatura e grandes debates do pensamento crítico actual, contrapondo à hegemonia ocidental outras perspectivas e contra-discursos, contando com uma imensa rede informal e internacional de colaboradores e leitores. Os visitantesjá chegam aos 30 mil por mês, sendo os países que mais visitam o site Portugal, Brasil, Estados Unidos da América e Angola, seguindo-se Moçambique e Cabo Verde, França, Inglaterra, Espanha e Alemanha.

O BUALA tem vindo a contribuir para um maior conhecimento das singularidades e expressões de várias realidades culturais, apostando na sua divulgação aprofundada e na troca de experiências. Disponibilizamos muitos e abrangentes materiais, imagens e artigos, inéditos ou republicações, fazendo convergir propostas de diversas áreas, na articulação dos campos académico, artístico, jornalístico e a sociedade civil.

O material está distribuído nas seguintes secções: Vou lá visitar – eventos culturais: exposições, bienais, festivais, viagens; Cara a cara – autores, objectos e acontecimentos; afroscreen – cinema e multimédia; A ler - ensaios e reportagens; Mukanda –divulgação do pensamento de autores, manifestos, textos políticos e literários; Palcos –artes do palco, dança, teatro e música; Cidade pensar a cidade e a urbanização; Jogos Sem Fronteiras  pensar as fronteiras e espaços de resistência; Ruy Duarte de Carvalho - arquivo de materiais da sua autoria e sobre a sua obra; Corpo – pensar o corpo e suas representações; blog Dá Fala - divulgação cultural, reflexões, imagens, notas de viagem e a secção Galeria - exposições virtuais. Disponibilizamos ainda Biografias dos autores. 

Motivação e continuação do BUALA

A criação desta plataforma deu-se no seguimento da vivência e trabalho em países de língua portuguesa, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Brasil, nos quais constatámos o potencial da massa crítica, ações da sociedade civil, acontecimentos e narrativas outras invisibilizadas pela História e meios de comunicação.

Deparámo-nos com escassez ou asfixia às liberdades de expressão, com versões redutoras acerca destes contextos - remetendo sempre para uma condição de subalternidade ou as recentes promessas das economias emergentes. Era ainda relevante o facto do conhecimento sobre certos assuntos vincular-se apenas à Universidade, que manifesta dificuldade de comunicação para fora do seu circuito e elites. O alheamento do meio artístico quanto a questões sociais, o lado cristalizado sobre a vida cultural africana e brasileira, e a crescente influência de redes sociais e blogues de enfoque territorial, nacional e personalizado, contribuíram para a urgência de criar uma plataforma que fosse este lugar de reflexão.

Fomos estabelecendo relações laborais e de amizade em vários países que permitiram assegurar contactos e colaboradores. Desenhada o site do BUALA como um arquivo digital de fácil navegação, apresentámo-lo publicamente na Bienal de S. Paulo (2010). Desde logo a evolução e dinâmica de actualização surpreendeu positivamente. As críticas positivas salientaram as referências e contextos diversos, os vários lugares de enunciação, o resgate de materiais com leituras renovadas, e a pertinência do projecto.

A coordenação é feita a partir de Lisboa, mas o alcance é internacional. As colaborações (texto e imagem) são distribuídas por categorias que atravessam a literatura, artes performativas, cinema, entrevistas, ensaios, manifestos. Podemos encontrar artigos de estudos africanos, o pós-colonial na Europa, a problemática relação de Portugal com as suas ex-colónias. Pretendemos pensar a reconfiguração das cidades com novos habitantes e lógicas do grande capital, mapear em Portugal presenças de ontem e hoje, entendendo as histórias, culturas e situações diversas dos países lusófonos e seus contextos relacionais, a cultura popular brasileira, a relação com o norte de África, etc. Interessa-nos identificar e valorizar novos protagonistas culturais, suas acções e geografias de trabalho.

Providenciamos um arquivo de materiais dispersos de grandes autores da língua portuguesa. Tentamos descentralizar a reflexão crítica, teórica e artística dando a conhecer outros contextos de produção discursiva, devolver as teses aos informantes, os documentários às personagens. Promovemos debates mensais e elaborámos módulos de formação em jornalismo cultural e produção nas cidades onde o BUALA está implantado. 

No sentido de pensar as relações do passado para entender as relações de poder do presente, o conhecimento aprofundado sobre as culturas de origem de muitos imigrantes em Portugal atribui protagonismo positivo aos afrodescendentes em Portugal. A lusofonia, amplamente disseminada enquanto discurso, não tem sido sinónimo de um conhecimento integrado e apelativo das singularidades destes países. Para repensar e inscrever novos dados na História comum é necessário ampliar horizontes de conhecimento, facilitar o acesso a narrativas aparentemente  periféricas e não hegemónicas. O diálogo permanente entre geografias e o cruzamento do âmbito local e global ajudam à aceitação da diferença.

Esta plataforma de acesso livre, tanto produção como recepção, potencia a diversidade de pontos de vista e contribuições, promovendo o diálogo intercultural e combate a discriminações.

Os nossos conteúdos e debates tentam combater preconceitos raciais e sexuais, articulando questões de género e raça, na denúncia das injustiças mas, sobretudo, através de reflexões aprofundadas sobre essas agendas históricas.

Actualmente temos em curso um projecto específico: uma revista em papel sobre o CORPO, ligando com temas tão prementes como a morte, a precaridade, as cidades, a biopolítica. Igualmente reflectimos sobre a situação das mulheres em vários contextos locais e sócio-culturais.

O nosso âmbito não é tanto a informação ou actualidade mas mais a crítica e reflexão. O BUALA dirige-se a um público diversificado, com várias áreas de interesse, oferecendo também registos muito abrangentes, do  jornalístico ao académico passando pelo artístico.

Empenhados em combater visões redutoras, imaginámos uma rede de trabalho que, pela sua imediata adesão e proliferação, evidenciou como estava em falta um espaço não institucional nem corporativista, que desse conta destas realidades e fosse um modelo de comunicação participativa e independente integrado nos “citizen media”. A Internet tornou-se pois a ferramenta adequada pela simultaneidade de acesso e actualização de conteúdos, e facilidade de meios de produção.

Futuro do Buala?

Para a implantação do site recebemos, no início do projecto, apoio da Casa das Áfricas [Brasil] e da Fundação Calouste Gulbenkian [Portugal]. Porém, ao longo de 4 anos, uma equipa composta pela editora, programadores do site, tradutores e produtora, além de colaboradores mais ou menos regulares, tem desenvolvido um trabalho voluntarista, situação que limita a consolidação da sua estrutura, essencial para o desenvolvimento do portal e da associação. A criação das condições necessárias para uma gestão eficiente, pro-ativa e autónoma, que permita alargar o espaço de intervenção do BUALA, torna-se pois fundamental, sob pena de cair mais um projecto que gerou tanto entusiasmo e utilizada.

Reconhecido por muitos sectores enquanto serviço público, bem embora tenha funcionado sem financiamento, gostaríamos de consolidar a fase de profissionalização do BUALA, indispensável à sua continuação.São inúmeros os professores, alunos e leitores de várias partes do mundo (e em lugares onde não existe qualquer informação alternativa aos jornais do “regime” e grande capital), que consultam o BUALA como fonte de aprendizagem e documentação. Pelo acesso “universal” e gratuito, pela sua linha editorial independente e congregadora, o BUALA tem estimulado a livre expressão e aprofundamento dos valores democráticos. O contínuo aumento de utilizadores do portal demonstra a importância e a necessidade de se aprofundar as temáticas já abordadas, mas também de ter condições para daqui em diante alargar as possibilidades de partilha, maior produção de conteúdos e traduções, em direção à profissionalização da estrutura permanente. 

 

números Buala:
4 anos de existência
10 secções + 1 galeria + 1 Blog
+ de 500 autores / colaboradores
+ de 2000 artigos (inéditos e reedições) 
20 exposições/ galerias artistas
+ de 3000 Post no blog DÁFALA
800.000 visitas (desde 25 Maio 2010)
6 500 seguidores no Facebook