Um mundo que não tenha nada daquilo que está representado no filme, entrevista com Welket Bungué

Um mundo que não tenha nada daquilo que está representado no filme, entrevista com Welket Bungué Uma das barreiras foi ter novamente o corpo negro no lugar do marginal, decidir construir a personagem Arriaga à volta da delinquência. Foi uma decisão difícil. Difícil por também eu ser Negro. Difícil por estar a entrar no campo do estereótipo. É difícil contornar a necessidade que tenho de escrever para atores negros e nesse caso trata-se de uma faca de dois gumes. Querer dar protagonismo a uma personagem que, do ponto de vista moral, vive na margem de decisões incautas.

15.05.2019 | por Yolanda Kiluanji

Entre o visível e o invisível – cinema indígena de auto-representação

Entre o visível e o invisível – cinema indígena de auto-representação Os cinemas indígenas devem ser compreendidos como um capítulo a mais, um capítulo contemporâneo, no vasto e complexo território de relações com as imagens, com os espíritos, com as alteridades, presentes entre estes povos há tempos imemoriais. Regimes de visibilidade singulares que se relacionam às heterogeneidades nas formas de fazer, conceber e conferir uso às imagens. A Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil, realizada no Coleção Moderna do Museu Gulbenkian, traz um recorte de um múltiplo e diverso cinema, feito por realizadores indígenas, desconhecido ainda para tantos de nós.

28.03.2019 | por Daniel Ribeiro Duarte e Júnia Torres

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos O desempenho dos protagonistas do filme e a extrema fragilidade de laços sociais faz o espectador mergulhar numa intensidade de cenas portadoras de mágoas, incompreensões e revoltas internas sobre os problemas enfrentados pelas sociedades ditas modernas e globais, que colocam tatuagens em grupos sociais e povos face à pobreza e corrupção do serviço público desumanizante para quem não tem capacidade de montar um sistema alternativo - mesmo que marginal - que possa garantir segurança e possibilidade de continuar a viver com dignidade.

23.03.2019 | por Miguel de Barros

No trilho de Malangatana – do legado à memória,

No trilho de Malangatana – do legado à memória, O eixo à volta do qual gravita toda a narrativa do documentário é o extraordinário conjunto escultórico “A Sagrada Casa dos Madjaha”, obra de Malangatana votada à degradação e ao esquecimento num subúrbio de Maputo. A partir deste exemplo particular, revisita-se vida e obra do criador moçambicano de modo a fundamentar a necessidade de preservar não só o conjunto escultórico, como a sua memória e o seu legado.

22.03.2019 | por Lurdes Macedo

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B)

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B) Nós, os humanos, aquilo a que chamamos Humanidade, “quando não estamos ocupados em predar uns aos outros, estamos a predar o planeta”. Então que Humanidade é essa? “Será que essa ideia não está na base de muitas escolhas erradas? Por exemplo, a de que os homens brancos tinham o direito de sair colonizando, de trazer os obscurecidos para uma luz incrível, que é o buraco que agora estamos fazendo?” Como se existisse um jeito certo, “uma verdade de estar aqui na terra”, um modo civilizador. “Hoje podemos pôr em questão essa Humanidade.” Questionar a “disposição para a servidão voluntária”, o domínio das corporações, as estruturas que tentam substituir “os estados-nação falidos”. “As corporações conseguiram comprar uma narrativa de que não tem mais História.”

17.03.2019 | por Alexandra Lucas Coelho

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil A Mostra Ameríndia integra uma multiplicidade de experiências que nos retiram dos lugares convencionais de olhar e entender o cinema. Nestes filmes, os coletivos indígenas atuam em diferentes níveis. São cineastas no sentido ocidental, apontam a câmera para a sociedade colonial, para o quotidiano da sua aldeia, para os seus rituais, ou ainda para os avanços do agronegócio. Também colaboram com não-indígenas na produção e realização dos seus filmes.

09.03.2019 | por vários

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo Isabelle Kouraogo trata o tema do abandono paterno com segurança e respeito, acrescentando detalhes invulgares e inesperados a uma narrativa que é a realidade de muitos milhares de crianças. Os dois atores representam com eficácia e sobriedade as respetivas personagens e espelham bem todas as vivências e desejos que os habitam.

05.03.2019 | por Luísa Fresta

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada Este artigo surge do interesse pelo contexto de produção do cinema brasileiro contemporâneo, caracterizado por um redimensionamento dos aspectos políticos de sua atuação a partir de uma breve digressão sobre o cinema da Retomada até o filme O som ao redor. Analisaremos também o filme Vazante cujo tema abordado está contido no interior de rearranjos culturais do cinema contemporâneo tornando-se um filme importante para compreensão do atual contexto cultural e político no Brasil.

19.02.2019 | por Michele Salles

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda No limite, talvez um homem deva prescindir da sua própria existência para dar lugar a uma nova vida, e é essa uma das linhas mestras da história de Ahmed Zeda. Há uma mensagem que cada espectador desvendará segundo os seus próprios referentes. O cineasta é sobretudo o projetor que ilumina a cena, como um sol potente que afasta as nuvens mais carregadas.

18.02.2019 | por Luísa Fresta

«Maison de Retraite», um filme de Ismaël Césaire Nebyinga Kafando

«Maison de Retraite», um filme de Ismaël Césaire Nebyinga Kafando O filme de Nebyinga Kafando traz a lume a questão: quais os desafios para os mais jovens e para a sociedade em geral no que diz respeito ao acompanhamento dos mais velhos nos dias de hoje e num futuro próximo, nomeadamente em África, quando a doença bate à porta e o idoso, já algo afastado do convívio da família nuclear, se torna ainda mais excluído por via da invalidez?

06.02.2019 | por Luísa Fresta

Cenas da vida de Jonas Mekas

Cenas da vida de Jonas Mekas Mekas nos deixa em um momento sombrio, quando todas as forças parecem querer apartar os laços que unem uma mão à outra e autoridades celebram o exílio dos que ousam sonhar outros mundos. Que ele e seus filmes permaneçam como as “coroas da vida” de que falou quando escreveu sobre Richter; pontes sinalizando que, mesmo em tempos graves, é possível seguir adiante para (como diz o título de um de seus filmes) “ocasionalmente encontrar lampejos de beleza”.

28.01.2019 | por Patrícia Mourão

Se isto é um herói

Se isto é um herói A propósito da estreia em Portugal da adaptação cinematográfica de 'Mais Um Dia de Vida', um percurso pelos lugares e personagens do livro clássico do jornalista polaco Ryszard Kapuscinski, que descreve Angola em 1975, o fim do colonialismo, o nascimento de um novo país e o início de uma guerra civil.

28.01.2019 | por Susana Moreira Marques

Mais um dia de vida: memorialização do jornalista, esquecimento de Angola

Mais um dia de vida: memorialização do jornalista, esquecimento de Angola Em Mais um Dia de Vida, encontramos uma estética hollywoodesca, de construção e celebração do herói Kapuscinski. Terá a mais valia de dar a conhecer a outros públicos (em particular ao mais jovem, pelo estilo de filme de ação) o xadrez político regional e internacional que se jogava em Angola. Porém, ao centrar a narrativa de forma tão redutora na figura do ‘herói jornalista’, o filme não responde à evocação de Carlota, ficando suspenso num jogo dúbio de uso (e abuso) da memória e do esquecimento.

21.01.2019 | por Hélia Santos

Luta ca caba inda: do arquivo ao fragmento

Luta ca caba inda: do arquivo ao fragmento Este livro traz-nos, pois, o registo escrito de um processo de resgate e releitura de um tempo que surge vivo na exata medida em que a sua dimensão de ruína envolve o cuidado para que se recuperem os fragmentos existentes e, simultaneamente, um exercício hermenêutico que os torna visíveis e contemporâneos.

13.01.2019 | por Miguel Cardina

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens Durante dois anos, o artista holandês, qual Conrad, viaja pelo profundo Congo, ferida aberta do xadrez de interesses em mais uma das suas guerras civis. De câmara à mão, foi escarafunchar na indústria da pobreza que beneficia tanta gente à excepção dos pobres: empresas que enriquecem à custa dos recursos que os pobres não podem reivindicar, o ouro e coltan, ong’s que empregam os jovens sem trabalho na Europa, os media que vendem essas imagens e os especialistas em resolução de conflitos. Vimos o filme em tempos diferentes e juntamos aqui os nossos comentários.

05.01.2019 | por Ricardo Falcão, Marta Lança e Joana Areosa Feio

AFROTELA na Casa Mocambo

AFROTELA na Casa Mocambo Um projeto da Afrolis - Associação Cultural que olha para afrodescendentes na tela e discute as representações disponíveis das nossas comunidades. Para a temporada de 2019 , a Afrolis convida o ator e realizador Welket Bungué a retomar o projeto fazendo a curadoria das sessões cinematográficas que serão feitas em ambiente intimista com uma regularidade mensal na Casa Mocambo.

13.12.2018 | por vários

Our Madness, de João Viana, em sala

Our Madness, de João Viana, em sala Lucy está internada num hospício em Moçambique. Sonha com o seu filho Zacaria e o marido Pak, soldado numa zona de guerra ao norte do país. Lucy toca um instrumento musical curioso: a própria cama. Aquela virtuosidade musical atrai a atenção das enfermeiras. Um dia a música passa num programa da Rádio Moçambique e Rosa Mário, pastora evangélica, vai ao hospital para conhecer a intérprete da canção.

04.12.2018 | por vários

Daqui e acolá: poéticas relacionais na produção cinematográfica africana e afrodiaspórica

Daqui e acolá: poéticas relacionais na produção cinematográfica africana e afrodiaspórica O programa coloca a hipótese de estéticas africanas e afrodiaspóricas em contraponto às formas visuais dominantes, apelando mesmo a uma releitura das declinações históricas do par dialético hegemonia/subalternidade. Nestes filmes, o ato de centrar decorre, em larga medida, de um processo de descentramento: descentramento histórico e formal, acompanhado do descentramento das posições enunciativas e cognitivas convencionais através de poéticas relacionais que deslocam a reflexão sobre as categorias de identidade e alteridade rumo a um pensamento da relação nos sistemas de representação.

30.11.2018 | por Raquel Schefer

Entre a memória e o seu apagamento: O Grande Kilapy de Zézé Gamboa e o legado do colonialismo português

Entre a memória e o seu apagamento: O Grande Kilapy de Zézé Gamboa e o legado do colonialismo português Gamboa contribui para a descolonização do imaginário ao reclamar memórias e reenquadrar a história, mas também como esta redenção e transmissão da memória se encontra limitada pelos constrangimentos de produção e de distribuição enfrentados pelo próprio filme e determinados pelas configurações de poder características do espaço lusófono pós-colonial. As estratégias alternativas empregues n'O Grande Kilapy, tais como a transmissão oral de histórias, são essenciais para superar estes limites.

24.09.2018 | por Katy Stewart

CAN - 1 década do "Navio Negreiro do Cinema"

CAN - 1 década do "Navio Negreiro do Cinema" Os filmes com temática afro ainda são um tabu em função da ignorância e insensibilidade de grande parte dos curadores de festivais do Brasil (e, que infelizmente, apesar da crescente busca por visibilidade preta em todas as mídias, ainda permanece). Durante boa parte da trajetória do CAN, ele se consolidou como um espaço aberto para exibição e lançamento dessas obras.

10.09.2018 | por Clementino Junior