La Milagrosa

La Milagrosa As cores e os objetos ganham uma especial importância na videoinstalação, tendo em conta a sua correspondência na mitologia ioruba trazida pelos escravos. Há todo um panteão de deuses através de santos, cores e objetos. Por exemplo, elementos ligados à água, como peixes ou estrelas do mar, correspondem à deusa do mar e da maternidade - Yemayá - sincretizada com a Virgen de Regla (pelo que a sua cor é o azul marinho);

13.04.2016 | por Rui Mourão

"Posto Avançado do Progresso" - entrevista a Hugo Vieira da Silva

"Posto Avançado do Progresso" - entrevista a Hugo Vieira da Silva Desconstruindo de forma sistemática os relatos de viagem e diários dos exploradores, cientistas ou comerciantes europeus que deambulavam pela África tropical no final século XIX, prova-se que os documentos são muitas vezes idealizados ou imprecisos e que na maior parte do tempo estes europeus estariam num estado permanente de êxtase provocado pela doença, altas dosagens de quinino, álcool, opiáceos e outras drogas.

14.03.2016 | por António Pinto Ribeiro

De Dakar a Brazaville, de Abidjan a Niamey: o manifesto anticolonial de Afrique 50

De Dakar a Brazaville, de Abidjan a Niamey: o manifesto anticolonial de Afrique 50 Afrique 50 é um documentário assumidamente anti-colonial que procura revelar a verdade de um regime colonial francês que baseia a sua supremacia no primado da força e da violência, na exploração capitalista da mão-de-obra negra assalariada, na negação da liberdade dos povos africanos e na falsa ideologia do progresso e da superioridade da cultura europeia.

21.12.2015 | por Joaquim Pedro Marques Pinto

O discurso contra-epopeico em "Non ou a Vã Glória de Mandar": contributos para uma leitura lourenciana

O discurso contra-epopeico em "Non ou a Vã Glória de Mandar": contributos para uma leitura lourenciana Do início ao fim, como dialéctica universal e ininterrupta, a História percorre o seu próprio tempo à procura da partícula do sentido, sem medo de se repetir. As nações formam-se, desenvolvem-se, mitificam-se, oferecendo o seu contributo ao progresso da civilização. Non é a palavra maldita e monossilábica que encerra o apogeu e declínio do destino português. A verdade é a suprema essência que transcende a realidade dos homens, o plano mitológico onde se cumprem os seus actos heróicos e funestos. O que fica para a humanidade é, de facto, não o que se tira, mas o que se dá.

12.12.2015 | por Joaquim Pedro Marques Pinto

Les Statues Meurent Aussi: contribuição teórica para uma leitura pós-colonial

Les Statues Meurent Aussi: contribuição teórica para uma leitura pós-colonial para além da ideia de constituir um ensaio estético sobre o valor da arte negra, Les Statues Meurent Aussi visa sobretudo uma discussão crítica sobre a prática da “(…)museologização dos objectos extraídos a uma cultura onde não há museus e, por consequência, sobre as relações de poder – económico, político e simbólico – entre a cultura europeia e as culturas africanas, sob a organização colonial”.

28.11.2015 | por Joaquim Pedro Marques Pinto

Filmar (em) Angola, entrevista a Jorge António

Filmar (em) Angola, entrevista a Jorge António Acontece normalmente de uma forma simples, que é como eu a gostava de a ver contada. Não num sentido totalmente popular ou mercantilista, usando todas as matrizes básicas para fazer render a “coisa”: acção violenta ao minuto dois com explosões ao minuto três e sexo do minuto quatro ao décimo (risos). Continuo a acreditar que se podem contar histórias que possam ser vistas e sentidas de várias formas, que possam ser inteligentes, respeitando o público.

16.11.2015 | por Maria do Carmo Piçarra

«ALDA E MARIA – POR AQUI TUDO BEM» - um filme de Pocas Pascoal

«ALDA E MARIA – POR AQUI TUDO BEM» - um filme de Pocas Pascoal É uma história de emigração e de afetos que Pocas Pascoal, a realizadora angolana que vive hoje na ponte aérea Paris-Lisboa, trouxe para a nossa intimidade, apesar dos nossos receios e da nossa fragilidade intelectual e emocional.

02.10.2015 | por Luísa Fresta

“Todas as Fronteiras” - Doc's Kingdom

“Todas as Fronteiras” - Doc's Kingdom O programa de 2015 convida a uma rota por “Todas as Fronteiras” – geográficas, geopolíticas, entre quem filma e quem é filmado, o visível e o invisível, o centro e a periferia, o público e o privado, o som e a imagem – e conta com a presença dos realizadores Adirley Queirós, Catarina Mourão, Eloy Domínguez Séren, Eric Baudelaire, Eyal Sivan, Filipa César, Joana Pimenta, Nelson Carlo de los Santos Arias e Salomé Lamas.

13.09.2015 | por vários

«A Despedida», um filme de Marcelo Galvão

«A Despedida», um filme de Marcelo Galvão O encontro de ambos é vivido com uma intensidade transbordante, num clima de sensualidade que ultrapassa todos os limites da imaginação. Há um pudor intrínseco, um pacto de reserva e silêncio que torna tudo mais excessivo e urgente. Não se pode adiar o amor, o desejo, a morte. É muito mais desafiante amar quando o caminho é curto, estreito e conduz ao abismo inevitável da noite.

15.08.2015 | por Luísa Fresta

Are you for real?

Are you for real? O cinema Blaxploitation norte-americano e o movimento artístico transnacional (e transplanetário) do Afrofuturismo reescreve as histórias da diáspora africana e da escravatura através de novos paradigmas cosmológicos, mitologias e tecno-futurismos. Numa perspetiva queer observa-se as categorias de poder, como raça, género e sexualidade, e como os fenómenos influenciaram muitas expressões artísticas queer "negras" visuais e musicais, no Reino Unido, EUA ou Jamaica, como a soul, hip hop, rap, bouncing, voguing.

07.07.2015 | por Ricke Merighi e Pedro Marum

«FIEVRES» um filme de Hicham Ayouch

«FIEVRES» um filme de Hicham Ayouch Na sua terceira longa-metragem de ficção, Hicham Ayouch serve-nos este drama urbano com profunda delicadeza, sem condescendência nem julgamentos definitivos, com objetividade, não obstante a beleza transparente com que pinta algumas cenas deste quadro familiar doloroso.

28.06.2015 | por Luísa Fresta

are you for real?

are you for real? Retomamos a visita pelos cinemas queer africanos, prolongando o ciclo Queer Focus on Africa integrado no festival Queer Lisboa do ano passado. Desta vez saímos de África para o mundo americano e britânico, reiterando, assim, uma das premissas da extensão que “o africano”, a “africanidade”, ocupam no AFRICA.CONT – uma força cultural que anda pelo mundo como uma corrente marítima num oceano: faz parte dele mas tem os seus próprios movimentos e temperaturas, na bela imagem de Achille Mbembe. Ficamos certamente com vontade de conhecer as configurações que essa corrente toma nas suas diásporas centro e sul-americanas, europeias e asiáticas.

25.06.2015 | por José António Fernandes Dias

Ruy Guerra e o Pensamento Crítico das Imagens

Ruy Guerra e o Pensamento Crítico das Imagens Mueda, Memória e Massacre debruça-se sobre a memória sensível do colonialismo, uma contra-memória. Guerra interessa-se pela forma como o sistema colonial agiu sobre os corpos colonizados, deixando neles marcas (vestígios, restos). Nesse sentido, procede a uma reconstituição sensível das condições perceptivas e cognitivas do colonizado no sistema colonial. Os corpos e o olhar - o seu movimento - são aqui memória. O filme apresenta uma estética do sensível e da memória, enveredando ainda por uma pesquisa de contornos antropológicos dos sujeitos coloniais.

11.06.2015 | por vários

Entrevista com Ike Bertels sobre o filme “Guerrilla Grannies"

Entrevista com Ike Bertels sobre o filme “Guerrilla Grannies" Aprendi com a força delas a nunca desistir, continuar. Achei muito importante foi a forma como elas mostraram que podiam continuar a viver sem o apoio de homens, mesmo estando sozinhas a cuidar, não só da própria família, mas da família alargada.

25.05.2015 | por vários

«BOBÔ» ponto de confluência da condição feminina

«BOBÔ» ponto de confluência da condição feminina Bobô é o futuro, a menina que se nega à crueldade cega de uma tradição nefasta (embora já proibida por lei na Guiné Bissau, é uma prática que assenta em convicções amplamente difundidas e portanto difícil de erradicar apenas através do formalismo da Justiça). Ela representa também o passaporte de Sofia para o mundo real, com a sua dose de contradições e de dramas palpáveis, alguns deles evitáveis. Bobô é, finalmente, o livre arbítrio, a liberdade, o factor de união entre mundos díspares e distantes. O ponto de confluência da condição feminina.

06.05.2015 | por Luísa Fresta