África: negligência e demolição

África: negligência e demolição Nas últimas décadas, o conflito na África subsariana não só devastou as aldeias e criou campos de refugiados em lugares dispersos, como também transformou as cidades e vilas onde agricultores aterrorizados procuravam segurança e oportunidade. Apesar dos subúrbios desordenados – fruto de um crescimento urbano não planeado – não escaparem à visão dos gabinetes das autoridades do Estado e das instituições de apoio internacional, estas organizações não têm abordado a relação entre conflito e urbanização. Tal negligência compromete a reconstrução pós-conflito, desperdiça oportunidades para o desenvolvimento e arrisca-se a quebrar uma paz muito débil.

Cidade

02.01.2021 | por Simone Haysom

O empoderamento feminino na construção de cidades sustentáveis

O empoderamento feminino na construção de cidades sustentáveis Em nossa cidade temos mulheres com práticas extremamente importantes, práticas viáveis e sustentáveis. Mas elas sabem disso? Será que estamos fortalecendo em nossa região uma cultura que faça a mulher se apropriar de seu lugar de fala? Será que a mulher da Amazônia se identifica como um ator de transformação social nos mais diversos espaços? Será que nossa cidade, enquanto um ambiente de todos, favorece a autonomia feminina em todos os seus ecossistemas? Se não, o que falta? Essas são provocações individuais e coletivas fundamentais para construirmos territórios que possibilitem a potência de todas as mulheres.

A ler

29.12.2020 | por Natália Carvalho Viana

A cidade-fantasma de Ihosvanny

A cidade-fantasma de Ihosvanny Nesta permanente reconfiguração, estaleiro de obras ora aqui ora acolá, requalificações seriadas, corrida às cidades sustentáveis, mais ou menos cidadãs friendly, não dispensam camadas de demolições, entulho, lixo. Um dos seus problema de fundo é lógica de acumulação, é isso que lhes dá sentido existencial. As cidades tudo engolem e tudo regorgitam, lidando mal com os resíduos, sejam eles matéria ou pessoas.

Cidade

13.08.2020 | por Marta Lança

mas… dizer que Luanda é um inferno, não.

mas… dizer que Luanda é um inferno, não. Fazemos parte desta coisa incrível que é este lugar. E cativos ficamos. Ninguém sai daqui alheio a assobiar. Bate uma tristeza, uma melancolia, uma saudade antecipada, porque este lugar… mesmo sendo uma madrasta cidade, tantas e tantas vezes, tem um encanto que reside na curva desse lado “Atlântico” que nos fez assim (...) Esse povo bom que lapida a vida sem ferramenta própria, capricha, encara e faz batota a rir.

Mukanda

13.03.2018 | por Isabel Baptista

Maputo Criativa, projeto artístico em rede

Maputo Criativa, projeto artístico em rede Fruto de uma parceria entre o Colectivo Imprevisto e a Universidade Politécnica, o projeto tem por objectivo criar novas oportunidades de divulgação e interacção a artistas com produções independentes, moçambicanos e estrangeiros, a partir do desenvolvimento de uma rede de cooperação na área da cultura.

Vou lá visitar

05.11.2016 | por Lurdes Macedo

Entre o visual e o textual: poética e a construção da memória urbana

Entre o visual e o textual: poética e a construção da memória urbana Ainda que desde o seu surgimento a fotografia tenha sido considerada uma forma de se guardar a realidade, está hoje claro que esta se aproxima do real tanto quanto qualquer outra modalidade artística. No texto, somos capazes de sentir a cumplicidade da criação, assim como na fotografia: nem tudo está dado à partida. Nos é permitida a colaboração criativa por meio da imaginação e da subjetividade; da sensibilidade que cabe à cada um, e que nos permite enxergar um mundo (ou vários) pertencente a um outro alguém, mas que ajudamos a construir. Por isso a construção da memória da metrópole e a industrialização possuem um retrato tão forte para a mente humana, pois encontramos registros em diferentes tipos de arte que influenciam umas às outras.

A ler

20.10.2016 | por Maria Isabel Machado

Xikala – História e Urbanidade de um Bairro de Luanda

Xikala – História e Urbanidade de um Bairro de Luanda Paulo Moreira afirma ter iniciado este trabalho “motivado pela urgência em documentar e compreender a forma urbana” do bairro antes da demolição. As preocupações do arquiteto não estão circunscritas à sua disciplina, a proposta que nos apresenta é mais do que um projeto de investigação sobre um bairro informal, trata-se de um olhar intimista sobre a organização espacial, social e cultural da Chicala.

Cidade

07.09.2015 | por Cláudia Silva

Uma criança à janela disparando uma pistola de plástico

Uma criança à janela disparando uma pistola de plástico Joanesburgo, a capital financeira e cultural da África subsariana, é a cidade do frenético espírito empreendedor, dos investimentos nacionais e transnacionais, dos homens e mulheres sem medo de investir e de arriscar, dos artistas sem medo de experimentar, etc. Todos eles, porém, com medo de não fechar o portão, com medo de não fechar a janela, com medo de parar no semáforo vermelho. Joanesburgo é uma capital do medo. E uma das poucas capitais no mundo que não tem nem rio nem lago, que não está cercada por nenhum oceano.

Cidade

27.11.2013 | por António Pinto Ribeiro

A Cidade e o Colonial - parte I

A Cidade e o Colonial - parte I A cidade configura-se como um objeto de investigação a partir do qual é possível colocar uma série de problemas acerca da constituição de sociedades coloniais – incluindo nelas as suas metrópoles ou capitais – e da maneira como os seus princípios de organização se reproduzem em contextos pós-coloniais.

Cidade

15.11.2013 | por Nuno Domingos e Elsa Peralta

Cidades Rebeldes | Passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil

Cidades Rebeldes | Passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil David Harvey teoriza sobre a liberdade da cidade que, segundo ele, é muito mais que um direito de acesso àquilo que já existe: é o direito de mudar a cidade de acordo com o desejo de nossos corações. “A questão do tipo de cidade que desejamos é inseparável da questão do tipo de pessoa que desejamos nos tornar. A liberdade de fazer e refazer a nós mesmos e a nossas cidades dessa maneira é, sustento, um dos mais preciosos de todos os direitos humanos”.

Cidade

29.10.2013 | por autor desconhecido

Interações reflexivas sobre o novo plano MARTIM MONIZ

Interações reflexivas sobre o novo plano MARTIM MONIZ No campo das liberdades parece-nos que, em relação a este projecto de requalificação, as comunidades locais estão privadas de algumas liberdades instrumentais de Sen. Nomeadamente a das liberdade políticas, dispositivos económicos, oportunidades sociais e garantias de transparência. A Câmara Municipal de Lisboa optou por uma estratégia que poderá ser válida, mas que parece contraditória com o seu discurso oficial. A história recente da Praça do Martim Moniz conta-nos que a artificialidade do seu uso comercial face ao seu quotidiano deriva em falência, embora tenhamos que expectar pela inauguração e ocupação dos novos edifícios da EPUL para melhor validar a viabilidade económica do novo projecto.

Cidade

07.10.2012 | por António Brito Guterres

Burkina Faso – Uagadugu - a capital das duas rodas

Burkina Faso – Uagadugu - a capital das duas rodas Muitas velhas motorizadas, carros muito antigos, alguns dos quais provisoriamente remendados, e bicicletas povoam a rua. Casas planas e rectangulares, de um piso, por vezes de betão, outras de argila, marcam a paisagem.

Cidade

11.11.2011 | por Sebastian Prothmann

Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas

Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas Estas novas leituras da urbanidade em África obrigam-nos a reequacionar novos paradigmas, novos modelos de urbanismo como propõe Adjaye, e novas formas de intervenção nas áreas urbanas, que levem em conta a multiplicidade e complexidade que ocorre em cada cidade e que só poderão ser encontradas e geridas localmente. Isto é válido tanto para o que ocorre nos antigos centros das cidades, os seus “corações” que nalguns casos ainda batem, como para as suas réplicas que nasceram posteriormente.

Cidade

30.05.2011 | por Cristina Salvador

Luanda's dream e a desfiguração da realidade

Luanda's dream e a desfiguração da realidade Na tentativa de estetizar o banal e de pintar aquelas que ele denomina de “superfícies menos convencionais”, o artista apropria-se de um conjunto de “acessórios” que são necessários para que os “novos heróis urbanos” evitem as agruras da vida do dia-a-dia, em Luanda: o banco da kinguila, a caixa do engraxador e o carro do roboteiro são (re)decorados à sua maneira, alterando as suas funções de origem

Cara a cara

08.10.2010 | por Adriano Mixinge

Homens inseguros que fazem de 'seguranças'

Homens inseguros que fazem de 'seguranças' Em Luanda, onde a febre da segurança lateja à luz de um sol dengoso e desmotivante, há avenidas que são autênticas caixas-fortes – de um lado e doutro, dezenas de guardas ganham (mal) a vida sentados em cadeiras improvisadas, bancos e bancadas, onde fazem de tudo um pouco: dormem, trocam ideias e comem, trabalham. A sua utilidade é duvidosa (têm falta de formação adequada, muitas vezes não estão armados nem alimentados convenientemente) mas a verdade é que estes homens fazem parte da paisagem e dinâmica da capital angolana.

Cidade

21.06.2010 | por Miguel Gomes

Cidade ou Deserto?

Cidade ou Deserto? Aos arquitectos ocidentais que, como é o meu caso, têm vindo a desenvolver trabalho como projectistas ou como investigadores em Angola, a questão que ressalta é a aparente clivagem entre Luanda e o restante território angolano.

Ruy Duarte de Carvalho

12.04.2010 | por Cristina Salvador