A cidade-fantasma de Ihosvanny

A cidade-fantasma de Ihosvanny Nesta permanente reconfiguração, estaleiro de obras ora aqui ora acolá, requalificações seriadas, corrida às cidades sustentáveis, mais ou menos cidadãs friendly, não dispensam camadas de demolições, entulho, lixo. Um dos seus problema de fundo é lógica de acumulação, é isso que lhes dá sentido existencial. As cidades tudo engolem e tudo regorgitam, lidando mal com os resíduos, sejam eles matéria ou pessoas.

Cidade

13.08.2020 | por Marta Lança

Carta Aberta: O Silêncio é Cúmplice

Carta Aberta: O Silêncio é Cúmplice Em frente à sede do SOS Racismo, houve parada de um grupo neonazi, de rosto tapado e tochas.(...) Perante esta escalada dos ataques, que é antecedida e acompanhada por um constante regime de ameaça e insulto a dirigentes do SOS Racismo, assim como a outros activistas antirracistas e antifascistas, não houve qualquer demonstração institucional pública de repúdio. Perante o assassinato brutal de Bruno Candé às mãos de um ex-combatente da guerra colonial que durante dias o perseguiu, o insultou e baleou até à morte, não houve uma declaração institucional de pesar e comprometida com o antirracismo. As condolências e suporte institucionais nunca chegaram à família.

Mukanda

13.08.2020 | por vários

Quando o vírus é o sistema: propostas ecossocialistas para não voltar ao normal.

Quando o vírus é o sistema: propostas ecossocialistas para não voltar ao normal. É preciso agir com as lutas de todxs xs trabalhadorxs, mesmo daquelxs que até agora não eram visíveis nos trabalhos reprodutivos e dos cuidados, e principalmente das mulheres, em conjunto com as demais lutas de setores e movimentos indígenas, racializados e das comunidades locais e de mulheres rurais, em alianças urbanas e rurais, desde os níveis mais locais e de vizinhança até os espaços regionais, transfronteiriços e internacionais. Articular as práticas que nos permitem sobreviver, transformar o sistema, e superar os impactos das mudanças climáticas e ambientais.

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10.08.2020 | por Oficina de Ecologia e Sociedade

«Chão de Massapé»

«Chão de Massapé» A opção por Portugal como país de emigração, resulta de inúmeros fatores, que vêm dos aspectos históricos da colonização, da proximidade da língua, e do reagrupamento familiar que o percurso das gerações tem provocado. A tudo isto se junta a necessidade de mão-de-obra ciclicamente sentida no país, e que vem colmatando recorrendo a este contingente, “mais ou menos voluntário”.

Cidade

10.08.2020 | por Elsa Fontes

E eu não me lembro dos teus olhos serem azuis

E eu não me lembro dos teus olhos serem azuis A Suécia está ainda no eixo do socialismo (social democrata) e mantém relações bem ao seu estilo, apaziguadoras e pacificadoras. Ganhou com a presença da Greta internacionalmente uma missão: a de ser dura nos limites e exigências com o green deal. Ganhou presença discursiva com esta saída dos ingleses do panorama moral europeu. Há muitas décadas que trabalha discretamente nas relações internacionais em direitos humanos e questões ligadas ao ambiente. Tem uma visão muito particular de socialismo que promove um tipo de Swedish dream que contempla uma sociedade mais feliz e menos desigual, mas não condena a riqueza nem a abundância. Querer pagar os impostos numa sociedade que os aplica de forma a criar mesmo uma rede de segurança e bem estar social, é apenas um resultado.

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08.08.2020 | por Adin Manuel

Cabo Verde, rap e movimentos sociais

Cabo Verde, rap e movimentos sociais O papel do rap na mediação dos processos de paz no contexto da violência dos gangues de rua e contributo no processo de transformação dos gangues em organizações de rua. Por outro lado, tornou público os discursos infrapolíticos contra um sistema de Estado-bipartidário pós-colonial e nocivo aos interesses do cidadão comum e serviu de fundo sonoro às grandes movimentações de rua que marcaram o país nos últimos anos.

Cidade

05.08.2020 | por Redy Wilson Lima

Os Olhos Negros de Toni: homenagem a Toni Morrison um ano após a sua morte

Os Olhos Negros de Toni: homenagem a Toni Morrison um ano após a sua morte Não se pode dizer que TM seja uma desconhecida em Portugal. Mas será verdadeiramente conhecida? Sabemos que os seus textos, politicamente tão duros, são traduzidos sem que se estabeleça ligação com os debates actuais sobre o racismo e o sexismo ou com o mundo literário afrodescendente. Indicativo disso são as sinopses em que se assiste a um quase esvaziamento das relações de poder – de classe, raça e género – e do peso da história, numa terraplanagem que quase coloca a sua obra na categoria de romance “delicodoce”. Mas, então, quem são as leitoras e leitores dos seus livros?

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05.08.2020 | por Cristina Roldão

Um filme de Bonecas

Um filme de Bonecas Uma pesquisa transnacional sobre cultura material. Um documentário etnográfico rodado numa aldeia agro-pastoril do Sul de Angola. A reação de duas audiências: estudantes do secundário, em Portugal, e protagonistas do filme, em Angola.

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29.07.2020 | por Inês Ponte

O que é este momento político?

O que é este momento político? Esta campanha, em articulação estreita com organizações comunitárias locais, tem como principal objetivo contribuir para ampliar as redes de solidariedade que visam colmatar a quase ausência de apoio estatal a famílias negras, ciganas, migrantes e em situação de maior vulnerabilidade, particularmente fustigadas pela crise atual.

Cidade

29.07.2020 | por Ana Bigotte Vieira

Obras de arte na condição da pós-memória: alguns atributos (2)

Obras de arte na condição da pós-memória: alguns atributos (2) estávamos ainda no início dos debates sobre o pós-colonialismo e não havia uma reflexão aprofundada sobre o contexto de produção das obras de artistas afro-descendentes. Uma geração mais tarde, assiste-se a uma reflexão teórica e a uma produção académica e literária que estuda e reconhece os artistas afro-descendentes como artistas da pós-memória. As suas obras têm um lugar no panorama da arte contemporânea. Destacam pela expressão de continuidade de um universo veiculado por memórias de vivências diferidas, ou seja, não experienciadas na primeira pessoa, que permanece como inspiração, e através do qual se convocam novas formas de inquirir o real e de produzir novas representações pós-imperiais do mundo.

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27.07.2020 | por António Pinto Ribeiro

Bairrismo em tempo de pandemia do COVID-19

Bairrismo em tempo de pandemia do COVID-19 o bairrismo tende a agudizar-se em tempos de COVID-19 e na discussão do EEP, ou seja, tanto do ponto de vista das relações sociais como político , na base de instituições jurídicas e políticas, bem como os modos de pensar e as respectivas ideologias ao estruturar a sociedade caboverdeana.

Cidade

26.07.2020 | por Elsa Fontes

o apocalipse segundo jair messias

o apocalipse segundo jair messias   Uma guerra colonial, de ocupação, em seu continuum de massacres contra os pobres, pretas, indígenas e outras. A pandemia aguça uma “agenda da morte”, que constitui o elo (explícito) entre as distintas ações e iniciativas do governo, como corte das políticas de solidariedade, liberalização total de agrotóxicos, desmonte das políticas ambientais, oposição à demarcação de terras indígenas, destruição das históricas e premiadas políticas de DST-AIDS, ampliação da posse e porte de armas, intenções punitivistas num país que já embarcou no encarceramento em massa, política externa de intervenção nos vizinhos. Genocídio.

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24.07.2020 | por Jean Tible

Um mundo mais parecido com uma biblioteca

Um mundo mais parecido com uma biblioteca será que o leitor se referia ao seu aspecto físico ou à totalidade da sua percepção da realidade? Ao bairro onde Fidel vivia, ao seu quotidiano e indumentária, condição social, cor de pele, ou a outra condição limitadora? A Primavera não chegou para explicar a mim mesma por que razão as dores de Fidel, os seus medos, os amores de Fidel, os seus anseios, são dores, amores, anseios de segunda — anseios, medos, dores e amores com um grau inferior de generalidade ao da gente que costumamos encontrar dentro dos livros a que chamamos romances.

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24.07.2020 | por Djaimilia Pereira de Almeida

Se morro longe de ti

Se morro longe de ti A pandemia e esta loucura universal microscópica. Milhares de migrantes mexicanos e centro-americanos estão a morrer nos Estados Unidos. Os corpos perdem-se na burocracia, nas valas comuns e nas estatísticas. Não voltam mais a casa. No México, há quem faça enterros com caixões vazios.

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20.07.2020 | por Pedro Cardoso

Heranças africanas em língua portuguesa: «sempre habitámos um espaço maior que nós»

Heranças africanas em língua portuguesa: «sempre habitámos um espaço maior que nós» os textos que compõem o quarto volume da coleção MEMOIRS respondem à necessidade de fazer com que o conceito de “África lusófona” que os reúne seja lido através da “multiplicidade flexível” (p.15) que caracteriza a produção artística dos países africanos de língua portuguesa na actualidade. O projecto MEMOIRS, dedicado nomeadamente às representações da pós-memória do colonialismo europeu na Europa, não podia deixar de considerar esse outro espaço, o africano, que de alguma maneira é a origem real e metafórica das transferências de uma grande parte das memórias entre as gerações pós-imperiais da sociedade europeia actual.

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18.07.2020 | por Felipe Cammaert

Ossos humanos e histórias coloniais

Ossos humanos e histórias coloniais Uma investigação de arquivo revela o passado oculto de uma coleção de crânios de Timor em Portugal. Estas viagens dos ossos para museus foram consequência das relações de poder e conquista dos impérios coloniais europeus, animados por nacionalismos bélicos e inflamados. Não surpreende por isso que o seu percurso tenha deixado rasto de abusos vários, tão complexos nos seus motivos e circunstâncias quanto atrozes nos seus efeitos.

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17.07.2020 | por Ricardo Roque

Em 2015, celebrava-se os 80 anos de Luandino Vieira

Em 2015, celebrava-se os 80 anos de Luandino Vieira E agora, José? A pergunta não é para Luandino Vieira, angolano, Prémio Camões 2006, declinado pelo autor de A Cidade e a Infância. A pergunta é para os seus leitores. Ele faz oitenta anos. É biográfico, a insistência e a teimosia de durar. Não é coisa pouca pôr uma cidade no nome, agora ortónimo, dele e dela. A ficção, a obra de Luandino, é o futuro, como compete a um clássico. Da infância no Braga, Makulusu, Kinaxixe – bairros de Luanda -, da Porta Treze, Associação de Poesia, em Vila Nova de Cerveira, da colecção de Poesia que vem editando, a Nossomos. Das estórias infantis, dos desenhos. E o rio Kwanza, sempre, mesmo quando atravessa o Minho para ir à Galiza.

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15.07.2020 | por Marta Lança

Águas Negras de Junho

Águas Negras de Junho Ao cortar a cabeça de pedra de um colonizador, ao retirá-lo de pedestais e lançá-lo aos rios, pretende-se questionar a maneira com a sociedade é regida desde as suas estruturas fixas mais violentas. Pretende-se colocar em xeque todas as brutalidades e opressões advindas da colonização e denunciar as continuidades históricas que continuam a segregar, violentar e matar pessoas racializadas de forma sistemática.

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14.07.2020 | por Núcleo Antirracista de Coimbra (NAC)

Visualidade das políticas públicas de memória: caso de Padre António Vieira

Visualidade das políticas públicas de memória: caso de Padre António Vieira A contradição das ações e representações históricas e memorialísticas no espaço público marcam a visualidade empreendida num discurso público e institucional que abarca um complexo de memórias referente ao colonialismo até à atualidade. Tento expor a situação alusiva aos lugares de memória que reclamam memórias invisibilizadas pela história, recorrendo ao exemplo da estátua do Padre António Vieira.

Cidade

12.07.2020 | por Carolina Ferreira Mourão

A contaminação do Rio Doce e o lugar da resistência na ancestralidade alimentar

A contaminação do Rio Doce e o lugar da resistência na ancestralidade alimentar Atualizar as novas formas de viver trará outros reflexos para as comunidades ancestrais, com a participação de jovens e crianças na construção de uma nova forma de viver os aspectos da ancestralidade, sejam eles no entorno das comunidades, ou em distâncias mais longas.

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11.07.2020 | por Patrícia Brito