Elinga Teatro 1988/2018 de Paulo Azevedo

13 março, 01:35, na RTP1

Este documentário foi um dos nove vencedores da terceira edição do Programa CPLP Audiovisual - DOCTV III, programa que tem como meta facilitar o intercâmbio entre os países que falam português e a produção audiovisual nesses países. Fazem parte da iniciativa Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, Timor Leste, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe.O retrato do processo de produção, preparação teatral e a evolução da companhia que há mais 30 anos leva a arte teatral às gentes de Luanda

Este documentário conta a história de um edifício colonial que há trinta anos alberga a companhia com o mesmo nome. O Elinga fez sua missão mostrar teatro aos luandenses. Muitas peças do grupo e de vários outros grupos nacionais e internacionais passaram pelo Elinga, até como outras manifestações artísticas que vão da dança às exposições e concertos. Este edifício deu aos luandenses acesso a cultura e tem importância na história contemporânea de Angola e da cidade de Luanda.
É feito um retrato do dia de todos os que trabalham no Elinga: os auxiliares de limpeza, os técnicos, os atores, a subdiretora, o diretor e encenador, desde o momento em que ali chegam e até ao final do noite. O momento dos ensaios a montagem de um novo espetáculo. As suas histórias de vida e a sua perspectiva que o teatro é um barómetro da sociedade angolana.
O documentário avança com delicadeza e levanta questões sobre a destruição do espaço e o desterro do Elinga Teatro, o seu tempo de vida e a sua dinâmica, as questões arquitectónicas e históricas, e a sua preservação no coração de uma nova Luanda.

12.03.2020 | por martalanca | documentário, Elinga Teatro

Tchiloli, de René Tavares - Luanda

12.03.2020 | por martalanca | René Tavares, tchiloli

Índie Lisboa: O cinema como arma: de Berlim ao Senegal destruímos muros e levantamos vozes.

A retrospectiva integral da obra do realizador senegalês Ousmane Sembène, os filmes da realizadora Mati Diop, e uma celebração dos 50 anos do Fórum da Berlinale, são algumas novidades da 17.ª edição do IndieLisboa, em 2020. Uma triangulação de vozes tantas vezes abafadas ao longo da história política, social e cinematográfica que agora revisitamos num diálogo com ecos também no programa de filmes recentes do festival, a revelar no dia 2 de Abril.

Em co-programação com a Cinemateca Portuguesa, o IndieLisboa apresenta a retrospectiva integral da obra do pai do cinema africano, Ousmane Sembène, um cinema marcado pelo feminismo, a luta de classes, contra a europeização da cultura do Senegal e a brutalidade do colonialismo. Com Sembène inicia-se uma viagem vinda de dentro, um contraponto à visão europeia que domina a produção cinematográfica. São filmes que operam uma reparação fílmica e histórica, que não se contentam com estereótipos, não procuram a estetização. Um cinema sem calculismo ou medo de uma nova linguagem e que respira livre.

Mati DiopMati Diop

Para marcar os 50 anos da secção Fórum do festival de Berlim, Berlinale, em colaboração com o Goethe-Institut Portugal e também com a Cinemateca Portuguesa, o IndieLisboa vai mostrar uma selecção que integra alguns dos filmes exibidos na sua primeira edição em 1971, na altura chamada Fórum Internacional do Novo Cinema. Foram filmes que colocaram em causa o status quo e que abriram portas para novas estéticas. Eram reacções à política turbulenta dos seus tempos e, por isso, foram essenciais para o fenómeno político. Na altura, abordando temáticas como as lutas anti-coloniais, os direitos das mulheres e direitos LGBTQ, abriram novas estradas políticas e cinematográficas.

Na secção Silvestre, o foco será na realizadora franco-senegalesa Mati Diop, que competiu com a sua primeira longa metragem Atlantique no Festival de Cannes. Mostraremos a sua obra como realizadora, desde a longa Atlantique às curtas Liberian Boy, Mille Soleils, Big in Vietnam e Snow Canon. Mati terá em exibição novamente no IndieLisboa o filme Mille Soleills que venceu em 2013 a competição internacional de curtas, uma homenagem ao filme Touki Bouki do seu tio Djibril Diop Mambéty, reconhecido cineasta senegalês.

Os pedidos de acreditações para estudantes e para a indústria já estão disponíveis com valor de early birds em indielisboa.com/acreditacao

Actualizações em indielisboa.com 

Programa

Retrospectiva: Ousmane Sembène

Mooladé (2004)

Faat Kiné (2001)

Guelwaar (1992)

Camp de Thiaroye (1988)

Ceddo (1977)

Xala (1975)

Emitaï (1971)

Tauw (Short) (1970)

Mandabi (1968)

Black Girl (1966)

Niaye (Short) (1964)

Borom sarret (Short) (1963)

Retrospectiva: 50 Anos do Fórum da Berlinale

Eldrige Cleaver, Black Panther, William Klein (1970)

W.R. – Misterije Organizma / W.R. – Mysteries of the Organism , Dušan Makavejev (1971)

Angela – Portrait of A Revolutionary,  Yolande du Luart (1971)

El cuarto poder, Helena Lumbreras, Mariano Lisa (1971)

Ostia, Sergio Citti (1970)

Soleil Ô / Oh, Sun! , Med Hondo (1970)

Mes voisins / My Neighbours , Med Hondo (1971)

Eine Prämie für Irene / Bonus for Irene , Helke Sander (1971)

The Woman’s Film (Newsreel #55) , Women’s Caucus – San Francisco Newsreel (1971)

Monangambeee , Sarah Maldoror (1969)

Phela-ndaba (End of the Dialogue), Members of the Pan Africanist Congress  (1970)

Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt / It Is Not the Homosexual Who Is Perverse, But the Society in Which He Lives , Rosa Von Praunheim (1971) 

Foco Silvestre: Mati Diop

Atlantique (2019)

Liberian Boy (2015)

Mille Soleils (2013)

Big in Vietnam (2012)

Snow Canon (2011)

Atlantiques (2009)

10.03.2020 | por martalanca | Mati Diop, Ousmane Sembène

Fuckin’Globo - 19 a 26 março I Luanda

O que se passa na arte contemporânea Angolana?

A 6ª edição do Fuckin’Globo questiona e inicia o debate de 19 até ao dia 26 de Março, no Hotel Globo, na baixa de Luanda. Afinal, o que se passa na arte contemporânea Angolana? (What about Angolan Contemporary Art?

Sob este ponto de partida, ainda longe de respostas prontas, 18 artistas questionam, pensam, interpretam e registam nas suas produções artísticas e culturais da contemporaneidade, nesta plataforma irreverente, independente, autónoma e intelectual que é o Fuckin’ Globo.

Com o maior número de artistas de sempre, esta edição conta com:

Toy Boy, Kiluanji Kia Henda, Thó Simões, Lola Keyezua, Orlando Sérgio, Daniela Vieitas, Ery e Evan Claver, Mwamby Wassaby, Indira Grandê, Verkron, Mussunda Nzombo, Kapela, Iris Buchholz Chocolate, Yola Balanga, Flávio Cardoso, Rui Magalhães e Pedro Pires.

Além da curadoria de Adriano Mixinge e Tila Likunzi, a Casa Rede vai participar pela primeira vez com um programa de intervenção artística no pátio interior do hotel.

O “Fuckin’ Globo 2020 promete desafiar novamente as fronteiras dos seus espaços de linguagem visual e plástica, destacando novas vozes e outras perspectivas ao longo de micro-relatos visuais, plásticos e fotográficos, happenings, performances e instalações em que cada vez mais sobressai o lugar da dramaturgia nas criações visuais e plásticas - com teatro e com poesia -, a arte e cultura urbana do graffiti e do spoken word, entre outras, como formas de renegociar novas configurações sociais, morais, religiosas, políticas, cívicas, sexuais, estéticas e estésicas capazes de abraçar novas audiências”, lê-se na nota curatorial.

Nesta edição a provocação é nítida: Inverter tendências e dinâmicas institucionais e de mercado; Mudar a percepção actual e os propósitos da arte contemporânea angolana; E descobrir visões, interesses, fusões e equilíbrios próprios.

A mostra temporária decorre em oito dias. A partir do próximo dia 19 de março, as portas abrirão todos os dias às 19 horas, até 26 de março. A entrada é livre.

Desde a primeira edição, em dezembro de 2015, o Fuckin’Globo mantém-se fiel ao “From the people to the people… Fuck institutions”, à liberdade criativa dos artistas e ao compromisso e diálogo com as realidades sociais, políticas, históricas e culturais. Pelos quartos já passaram vários artistas como: António Ole, João Ana, Edson Chagas, Elepê, Marcos Kabenda, André Cunha, Angel Ihosvanny, Irina Vasconcelos, Alekssandre Fortunato, Gretel Marin, Lubazandyo Mpemba Bula, Joana Taya, Nelo Teixeira e Maria-Gracia Latedjou.

10.03.2020 | por martalanca | arte angolana, Fuckin’Globo

Oráculo de Sara Anjo e Teresa Silva

7 de Março às 21h30 e 8 de Março às 17h30
Teatro do Bairro Alto, Lisboa inserido no Festival Cumplicidade

Pode o corpo ser um oráculo?
Este é um exercício hipotético, que mais do que procurar respostas, escuta, observa, lê, interpreta sinais e símbolos de forma a criar possibilidades. Confronta-nos no presente com o momento da acção e suspende a obsessão pelo futuro.
O escuro do teatro torna-se o meio para iluminar algo menos visível e mais oculto. A experiência teatral pode revelar-se como uma perspectiva real e transformadora.
Oráculo lança o convite para juntos praticarmos outras formas de vidência.
 Direcção artística: Sara Anjo e Teresa Silva
Criação em colaboração com: Ana Maria Silva, Artur Pispalhas, Filipe Pereira e Jean-Baptiste Veyret-Logerias
Gestão administrativa: Vítor Alves Brotas | Agência 25
Fotografia e registo videográfico: Joana Linda
Co-produção: Teatro do Bairro Alto em colaboração com Eira/Festival Cumplicidades
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian e República Portuguesa-Cultura/Direção-Geral das Artes
Apoio residências: O Espaço do Tempo, Estúdios Victor Córdon, O Rumo do Fumo e Pólo Cultural das Gaivotas     
Agradecimentos: Sara Machado, Cátia Mateus, Anabela Mendes, Andrea Rodella e Tânia Albuquerque

+ info TBA
+ info Festival Cumplicidades

 
 

 

22.02.2020 | por martalanca | dança

Festival Tanto Mar, Loulé. Consolidar, na diversidade, as afinidades entre povos falantes do português

Vila Vox, foto Medeia NegraVila Vox, foto Medeia NegraAo lançarmos a edição zero do Tanto Mar em co-produção com a Câmara Municipal de Loulé, sabíamos que a mesma seria um teste à nossa capacidade organizativa nas suas várias vertentes. A “folha de medronho”, como colectivo, tem uma existência recente (foi fundada em finais de 2017) e as fragilidades inerentes à ausência de um núcleo profissional permanente. No entanto e como contra-ponto, há experiências individuais sólidas em diversos domínios, assim como há uma herança de relações cúmplices no meio artístico nos PALOP´s - para o qual está vocacionado o Festival - e institucional que nos induziu a partir à aventura.

Ouvindo-nos e ouvindo quem tínhamos de ouvir (instituições, grupos, convidados e amigos), o balanço global da primeira edição, ou edição zero, o panorama pareceu-nos positivo, adequado às nossa projecções e motivador para continuarmos. Por isso aqui estamos novamente com as águas de Março sem alterar a estrutura geral do Festival, organizativa e artística, não foi alterada. O tempo continua a ser de testar e robustecer, perceber e transformar variáveis em invariáveis, para dar passos consistentes.

Assim mantemos os dois eixos principais do “Tanto Mar”: completar a oferta regional e também desenvolver, ao longo do ano, directa ou indirectamente, trabalho de cruzamento de experiências entre os criadores dos países onde o português é a língua oficial, de preferência tentando que estas experiências, e os seus resultados, encontrem em Loulé, a médio/longo  prazo, o palco europeu privilegiado, e o espaço físico para um futuro arquivo do material do labor necessário para chegar ao efémero do palco, como por exemplo, cartazes, livros, programas e audiovisual.

Se o primeiro objectivo começa a fixar-se na agenda regional e nacional – com a articulação  de datas e espectáculos com o Festival Internacional de Teatro do Alentejo -, a segunda intenção ganhou mais corpo com a participação da “folha de medronho” em três festivais (no FITA/Portugal, no CIT/Angola e no Festluso/Brasil) e em São Tomé e Príncipe, a convite para relançarmos as actividades de Formação e Criação de artes performativas e contribuir para o desenho futuro festival internacional naquele país. Outro sinal neste objectivo de estabelecer laços e cumplicidades substanciou-se no convite que me foi feito (como Director do “Tanto Mar”), para ser Curador da programação internacional do festival CIT/Luanda/Angola assim como um outro convite feito à actuadora /encenadora Tânia Farias(Porto Alegre/Brasil), para com o seu grupo co-produzir em Loulé um espectáculo com a “folha de medronho”, e ainda  um segredo bem guardado entre Maputo/Moçambique e Loulé…

Como escrevia o ano passado, nesta procura de cruzamentos e intercâmbios, não nos move qualquer tentativa de homogeneização, muito menos hegemonização cultural. Antes e sempre a procura da colisão criativa de narrativas e contra-narrativas, que substanciam a longa história e consolidam, na diversidade, as afinidades entre povos falantes do português.

João de Mello Alvim

21.02.2020 | por martalanca | Festival Tanto Mar, Loulé

On the 20 th anniversary of Provincializing Europe (open)

Dipesh Chakrabarty’s Provincializing Europe – Postcolonial Thought and Historical Difference (2000) has significantly challenged the limits of European enlightenment and of the modern forms of knowledge associated with it. The book animated debates concerning historicism, the code of history, the writing of history, the politics of time, as well as the questioning of categories central to social and political theory, such as modernity, universalism, capitalism, difference, subjectivity, Man.

On the 20th anniversary of Provincializing Europe, the journal Práticas da História – Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past welcomes articles and essays which directly or indirectly explore, develop or criticize Chakrabarty’s arguments, for instance his view that the concepts and strategies developed by modern European knowledge are both indispensable and inadequate in representing different life-worlds.

Pieter van Laer, The Flagellants (c. 1635), Munich, Alte PinakothePieter van Laer, The Flagellants (c. 1635), Munich, Alte Pinakothe

The journal also welcomes articles and essays discussing the impact of the book on intellectual and disciplinary traditions such as Subaltern Studies, Marxism, Imperial History, Global History and Transnational History, as well as its place in Chakrabarty’s trajectory from his early studies on the Bengali working class to his writings on the climate of history and the Anthropocene.
At the same time, this call is an opportunity to encourage analysis, reflection and debate on the impact of Postcolonial Theory in the discipline of History in different parts of the world.
The articles and essays accepted for publication will be published in the issue of Práticas da História to be released in the end of 2020. The issue will also include an interview with Dipesh Chakrabarty.

The articles and essays must be submitted no later than the 5th of June 2020.Only articles and essays submitted according to the journal’s guidelines will be considered for publication: http://www.praticasdahistoria.pt/en/submissions/submission-guidelines/

19.02.2020 | por martalanca | Provincializing Europe, Subaltern Studies

Neocolonialismo, barbárie e cultura contemporânea sobem ao palco do CCVF com 'Tierras del Sud' (22 fevereiro, Ciclo Poder)

No final de fevereiro e durante o mês de março, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, apresenta um ciclo de 3 espetáculos que tem como eixo temático a ideia de ‘Poder’, sob várias das suas perspetivas possíveis. A primeira parte deste ciclo – que terá continuidade no último quadrimestre do ano – inaugura já no próximo dia 22 de fevereiro com Tierras del Sud, da dupla hispano-chilena Azkona & Toloza. Trata-se de uma pertinente peça com uma forte carga documental, que lhe confere uma acutilância desarmante. A barbárie sobre os povos nativos da América Latina e as novas formas de colonialismo são alguns dos temas tratados. A primeira parte deste ciclo fica completa com A Tragédia de Júlio César (6 de março), de Luís Araújo e, finalmente, com Eins Zwei Drei (27 de março), que marca o delirante regresso de Martin Zimmermann a Guimarães.

Este ano, o Centro Cultural Vila Flor irá apresentar um ciclo de espetáculos comandado por uma das maiores formas universais de intervenção na relação com as mais diversas temáticas: o Poder. Cabe à dupla de artistas Azkona & Toloza lançar este ciclo, já no próximo dia 22 de fevereiro, às 21h30, com Tierras del Sud, uma peça que aborda a estreita relação entre as grandes fortunas estrangeiras, a barbárie sobre os povos nativos da América Latina, o desenvolvimento de novas formas de colonialismo e as várias expressões da cultura contemporânea.

 

Tierras del Sud foca-se no estreito relacionamento entre a fortuna dos empresários italianos Carlo e Luciano Benetton e a barbárie sobre o território localizado entre as províncias da Patagónia de Neuquén, Chubut e Rio Preto. Território que o povo Mapuche reconhece como ancestralmente seu. Em cena, os dois artistas transformam um palco completamente vazio num pedaço da atual Patagónia Argentina. Entre cadeias de montanhas, lagos, florestas virgens e cidades fictícias, é reescrita a história do nascimento do estado argentino, a sua relação com as grandes capitais e a barbárie estrangeira e sistemática que, durante séculos, assolou o território e os povos do sul da América Latina.

 

O que leva, ano após ano, bilionários e celebridades a investir e comprar terras na Patagónia Argentina? Qual o valor geopolítico estratégico da área? O controlo do território e dos seus recursos naturais é um dos pilares da pesquisa documental de Tierras del Sud. Mas esta é apenas uma das possíveis perspetivas deste problema, às quais podemos acrescentar a especulação imobiliária e a indústria do turismo.   

 

No passo seguinte deste ciclo em torno do ‘Poder’, o encenador Luís Araújo e a Ao Cabo Teatro levam-nos de volta aos fatídicos “idos de março” de William Shakespeare e de A Tragédia de Júlio César (6 março). Peça-problema, densa e controversa, ambientada no tempo-charneira da sangrenta metamorfose da República Romana no Império Romano, A Tragédia de Júlio César, mais do que a tragédia de um homem ou do poder, é a tragédia de Roma enquanto Cidade, palco e epítome expressivo da vida em comum dos homens. Alienada e podre, abate um tirano para apaziguar a culpa de si que não admite, e ergue uma outra, ainda mais feroz, tirania. A Tragédia de Júlio César é também a tragédia de um “tempo estranho”, cego, volátil, tenso, de ambíguos vínculos entre a vida privada e a responsabilidade pública e entre política e moral – estranheza essa que é metonímia possível e implacável do negrume que carateriza o nosso tempo.

 

Após mergulharmos na sociedade, dirigimos o nosso olhar sobre o indivíduo e a sua complexa luta pelo poder, onde poesia e violência podem caminhar lado a lado. Tudo isso estará refletido em Eins Zwei Drei (27 março), de Martin Zimmermann, que regressa a Guimarães para transpor todos os limites da comédia convencional, numa criação que se inspira no circo, uma das origens do artista suíço, para se cruzar com a dança, o teatro e a música numa elegante alquimia. Em Eins Zwei Drei (Um Dois Três), Zimmermann utiliza três personagens, arquétipos de palhaços, para abordar questões poderosas como a autoridade, a submissão e a liberdade. Três figuras arrancadas do mundo anárquico do circo sobrevivem, ou não, no ambiente estritamente controlado de um museu? Esta é a pergunta que se instala. O que se desenrola é altamente absurdo e trágico. Quanto mais controlado, mais cómico se torna o contexto. Com música tocada ao vivo por Colin Vallon, Eins Zwei Drei é interpretado magistralmente por Tarek Halaby, Dimitri Jourde e o português Romeu Runa.

 

A terra (propriedade), a sociedade e o indivíduo, enquanto temáticas, traçam perspetivas de atualização sobre o exercício de poder no contexto atual. Esta trilogia forma a primeira parte desta linha de programação do Centro Cultural Vila Flor, que terá continuidade no último quadrimestre do ano. Os bilhetes para assistir a cada um dos espetáculos têm um custo de 10 euros ou 7,50 euros com desconto, havendo a possibilidade de adquirir um bilhete conjunto para os três, no valor de 20 euros.

12.02.2020 | por martalanca | barbárie, neocolonialismo

Contos de Lisboa de Mónica de Miranda expõe memórias da cidade pós-colonial

Inauguração: 18 de fevereiro, terça-feira, 18h30

Exposição patente de 19 de fevereiro a 16 de maio

Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico
Rua da Palma, 246 | 1100-394 Lisboa

A artista Mónica de Miranda inaugura no dia 18 de Fevereiro, pelas 18h30, no Arquivo Municipal de Lisboa, a exposição Contos de Lisboa, com curadoria de Bruno Leitão e Sofia Castro.

A actual exposição da artista e investigadora insere-se no projecto Pós-Arquivo, que envolve a criação de um arquivo digital com documentos, vídeos, áudio e fotografia, reunidos no âmbito da sua ampla pesquisa sobre as relações que se estabelecem entre migrações, associadas à descolonização e aos movimentos independentistas africanos, e as paisagens urbanas da Europa. Paralelamente, Contos de Lisboa assinala a doação do arquivo de trabalho da artista, composto por 239 imagens em bruto que retratam bairros informais da antiga Estrada Militar, ao Arquivo Municipal de Lisboa.

O arquivo de Mónica de Miranda reúne imagens captadas ao longo de mais de uma década de pesquisa nos bairros do Talude, Azinhaga dos Besouros, Fim do Mundo, Mira Loures, 6 de Maio e outros bairros localizados na periferia da cidade. O conjunto de imagens agora doadas ao Arquivo Municipal de Lisboa constitui um importante registo visual das geografias pós-coloniais da cidade e antecipa a transformação, nalguns casos a demolição total, dos bairros que até há poucos anos dominavam o traçado da Estrada Militar. A Estrada Militar Caxias-Sacavém ou Estrada Militar de Defesa de Lisboa mantinha na periferia da cidade os habitantes, maioritariamente imigrantes de origem africana, dos bairros informais que nos anos 70 do século XX começaram a marcar a paisagem da histórica circular, prosseguindo, ironicamente, o propósito que no início do século XIX orientou a sua construção - proteger a cidade contra invasões estrangeiras.

“A exposição Contos de Lisboa surge deste arquivo visual criado ao longo de uma década, mas é muito mais do que a recolecção fotográfica destes bairros, é um objecto polimórfico, uma continuação desse arquivo inicial composto por fotografias”, descreve o curador Bruno Leitão no texto que acompanha o projecto. O curador prossegue: “A artista mergulha num processo inquisitivo e humanizante destes lugares e ao ficcionar estes espaços cria um exercício de empatia. Uma possibilidade de reconhecermos emocionalmente uma Lisboa fora do centro, mas que se afirma por dentro”.

No Arquivo Fotográfico de Lisboa, Mónica de Miranda apresenta um conjunto de trabalhos de fotografia e vídeo, na sua maioria novas obras como Tales of Lisbon (2020)Timeline (2020) e Torres Gémeas (2020), bem como o vídeo Estrada Militar (2009), criado na fase inicial da sua pesquisa. A exposição integra também uma instalação de som e fotografia que retrata seis casas que foram alvo de demolição, ali convocadas a partir de imagens de objectos deixados para trás pelas pessoas que nelas habitavam e que posteriormente foram recolhidos e fotografados pela artista. Uma cassete de VHS com o título “Arma Mortífera”, uma cassete de áudio partida com marcas de lama, um dicionário sem capa, apontamentos do curso de economia política da Universidade de Lisboa, um vinil, uma boneca e sapatilhas “Deeply”, são alguns dos objectos que estarão presentes na instalação, junto com seis contos inéditos de Djaimilia Pereira de Almeida, Kalaf Epalanga, Yara Monteiro, Ondjaki e Telma Tvon, autores que foram convidados a imaginar universos habitados a partir dos objectos recolhidos nas imediações de cada casa. 

Contos de Lisboa estará patente até dia 16 de maio, contempla a edição de um catálogo com os seis contos originais, textos de Jorge MalheirosManuela Ribeiro SanchesSónia Vaz Borges e outros contributos. Na sala de leitura do Arquivo Municipal de Lisboa será possível aceder à página da internet do projecto Pós-Arquivo, onde Mónica de Miranda disponibiliza um arquivo em permanente actualização e, particularmente, as imagens dos objectos encontrados nas seis casas.

Além da actual exposição, a pesquisa que o arquivo sobre a paisagem da Estrada Militar materializa, está na base de trabalhos que a artista tem vindo a apresentar, individualmente ou em colectivo, em contextos como o Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2019 (MAAT, Lisboa), a exposição e publicação Devir Menor: arquitecturas e práticas espaciais críticas na iberoamerica, Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, e na investigação e exposição Underconstruction and New territories 2009 (Pav28, Lisboa).

Mónica de Miranda é uma artista visual e investigadora portuguesa com origem angolana. Baseia o seu trabalho em temas de arqueologia urbana e geografias pessoais, apresentando-o na forma de desenho, instalação, fotografia, vídeo e som, e prosseguindo uma pesquisa que procura esbater fronteiras entre ficção e documentário.

Foi nomeada para o Prémio EDP Novos Artistas (2019), o Prémio Novo Banco (2016) e para o Prix Pictet Photo Award (2016). Participou em eventos artísticos de relevo, como os Encontros Fotográficos de Bamako (2015), a Bienal de Arquitectura de Veneza (2014), a Bienal de Dakar (2016), e em inúmeras residências artísticas, de entre as quais se destacam: Artchipelago (Instituto Francês, Ilhas Maurícias, 2014); Verbal Eyes (Tate Britain, 2009); Muyehlekete (Museu Nacional de Arte, Maputo, 2008); Living Together (British Council/ Iniva, Georgia/London 2008).

Começou a expor em 2004 e das suas exposições individuais destacam-se: Hotel Globo (Museu Nacional de  Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, 2015); Arquipélago (Galeria Carlos Carvalho, Lisboa, 2014); Erosion (Appleton Square, Lisboa, 2013); An Ocean Between Us (Plataforma Revólver, Lisboa, 2012); Novas Geografias (198 Gallery, Londres / Plataforma Revólver, Lisboa / Imagem HF, Amsterdão, 2008).

Entre as exposições colectivas em que participou, destacam-se: Telling Time (Rencontres de Bamako  Biennale Africaine de la Photographie 10 éme edition, Bamako, 2015); Ilha de São Jorge (14ª Bienal de Arquitectura de Veneza, Veneza, 2014); Line Trap (Bienal de São Tomé e Príncipe, 2013); An Ocean Between Us (Paris Foto e Arco Madrid, 2013); Do silêncio ao outro Hino (Centro Cultural Português, Mindelo, Praia); Arquivos Secretos (AFL, 2012); Once Upon A Time (Carpe Diem, Lisboa, 2012); L’Art est un sport de combat (Musée des Beaux Arts de Calais, França, 2011); This location (Mojo Galeria, Dubai, 2010); She Devil (Studio Stefania Miscetti, Roma 2010); Mundos Locais (Centro Cultural de Lagos / Allgarve, Portugal, 2008); Do you hear me (Estado do Mundo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2008); United Nations (Singapura Fringe Festival, Singapura, 2007).

O seu trabalho está representado nas colecções públicas do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia (MAAT), Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, entre outras.

Mónica de Miranda é investigadora de Pós-doutoramento no Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa. Licenciada em Artes Visuais pela Camberwell College of Arts (Londres, 1998) e Doutorada pela Universidade de Middlesex (Londres, 2014). É uma das fundadoras do projecto de residências artísticas Triangle Network em Portugal e do Hangar - Centro de Investigação Artística, em Lisboa.

Conteúdos adicionais:

Mais sobre Mónica de Miranda - https://monicademiranda.org/ 

Pós-Arquivo / Objectos – https://postarchive.org/objetos/

Locuções dos seis contos originais - https://soundcloud.com/user-323862203

Contos de Lisboa – Tales of Lisbon

Mónica de Miranda

19 de fevereiro a 16 de maio

Inauguração: 18 de fevereiro, 18h30
Visitas guiadas pelos curadores: 14 de março e 16 de maio, 15h
Finissage e lançamento do catálogo: 16 de maio,17h00
Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico
Rua da Palma, 246 Segunda a sábado, das 10h00 às 19h00, encerra aos feriados Entrada Livre

 

11.02.2020 | por martalanca | Monica de Miranda

Os Miseráveis, deLadj Ly, retrato dos subúrbios parisienses

Vinte-cinco anos depois de La Haine – O Ódio, chega às salas de cinema o filme Os Miseráveis, do realizador Ladj Ly, um novo retrato dos subúrbios parisienses nos dias de hoje.

Os Miseráveis segue Stéphane, um polícia que integra a Brigada Anti-Crime (BAC) de Montfermeil, nos arredores de Paris. Aí conhece os seus novos colegas de equipa, Chris e Gwada, dois agentes experientes e não tarda a descobrir as tensões entre os diferentes gangues locais. Durante uma detenção, um drone filma todos os seus actos e gestos.

O filme propõe um olhar realista e “sem filtro” sobre as problemáticas de integração e de violência policial nos subúrbios franceses. Inspirado numa história verídica, o realizador retrata a realidade do bairro onde cresceu e questiona as relações entre polícia e moradores.

Os Miseráveis estreia a 20 de Fevereiro nas salas de cinema nacionais. Em Lisboa, estará em exibição no Cinema City Alvalade, Cinema Ideal, Espaço Nimas, Cinemas NOS Amoreiras e UCI El Corte Inglés.

Mais informações sobre o filme: Dossier de imprensa | Trailer

 

06.02.2020 | por martalanca | paris, subúrbios

História, Género e Conhecimento

O Seminário História, Género, Conhecimento pretende ser uma oportunidade para reflectir sobre a forma como a problematização de género marcou a produção de uma plêiade de autor@s e, também, a forma de produção de conhecimento da História e demais disciplinas. O seminário terá lugar no dia 6 de Fevereiro entre as 14h e as 17h no Colégio Almada Negreiros, Campus de Campolide da Universidade NOVA de Lisboa (Sala 217).

Após uma intervenção inicial, a cargo de Teresa Joaquim, seguir-se-á a discussão de breves textos e/ou imagens a distribuir pelos participantes. A partir dos materiais propostos queremos reflectir de forma crítica sobre estruturas e transmissão do conhecimento, práticas e teorias relacionadas com o ser-mulher, o feminino, a construção dos géneros no debate historiográfico, a par de outras disciplinas.

Este é um evento organizado no âmbito do Grupo “Cultura, Identidades e Poder” do IHC. A convidada para a abertura do seminário, Teresa Joaquim, é Professora Auxiliar da Universidade Aberta e coordenadora do Mestrado de Estudos sobre as Mulheres – Género, Cidadania e Desenvolvimento. É autora, entre outros, de livros como: Dar à luz, ensaio sobre as práticas e crenças da gravidez, parto e pós-parto em Portugal, Publicações D. Quixote, 1983, Menina e Moça, Construção Social da Feminilidade séculos XVII-XIX, Fim de Século, 1997; As causas das Mulheres. A comunidade infigurável, Lisboa, Livros Horizonte, 2004; Cuidar dos outros, cuidar de si – questões em torno da maternidade, Lisboa, Livros Horizonte, 2006 e Masculinidades/Feminilidades. 2010 (org). Porto, Edições Afrontamento.

A participação é livre, mas de inscrição obrigatória via o email culturaidentidadespoder@gmail.com

04.02.2020 | por martalanca | conhecimento, género, história

O retorno do reprimido: desaparecimentos e reaparecimentos na sociedade do espectáculo

Marta Lança e Nuno Domingos nas Conversas com o público (1 de fevereiro, às 18h, foyer do TMJB)

Oscilando entre a espectacularidade mediática e a ocultação da história, a nossa época dispersa-se, em convulsões, nas exigências cruzadas da compulsiva curiosidade (ou bisbilhotice) e da complexada necessidade de esquecimento. Mergulhamos na vasa dos detalhes mais íntimos dos «casos» ou das «celebridades», fogos-fátuos que duram dias ou semanas, enquanto desviamos os olhos do que surge como desconforme ou incómodo, buscando um anestesiamento para os traumas do passado ou marginalizando as presenças pós-coloniais das nossas cidades. Nesta peça, em especial nas parte IV e V, esta tensão surge muito pronunciada entre o «caso Natascha Kampusch» e a amnésia dos horrores nacionais-socialistas. Para debater as relações entre o visível e o invisível nas nossas sociedades do espectáculo, em que parecer vale tanto ou mais do que ser, teremos connosco Marta Lança e Nuno Domingos.

Bruno Monteiro

Marta Lança (n. 1976) é programadora, tradutora e editora. Termina um doutoramento em Estudos Artísticos na FCSH-UNL onde tem formação em Estudos Portugueses e Literatura Comparada. Os temas de pesquisa passam pelo debate pós-colonial, programação cultural, processos de memorialização, plataformas de discurso e estudos africanos. Criou as publicações V-ludoDá FalaJogos Sem Fronteiras e, desde 2010, é editora do site BUALA. Escreve para publicações em Portugal, Angola e Brasil. Tem experiência em pesquisa e produção de cinema. Trabalhou por longas temporadas em projectos culturais nos PALOP.

Nuno Domingos, Investigador Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem trabalhado sobre a história do colonialismo português, nomeadamente em Moçambique durante o período do Estado Novo.  Entre outros temas, tem investigado a disseminação da cultura popular moderna em contexto urbano e as práticas culturais, do desporto à leitura, no contexto colonial e metropolitano. É co-editor da colecção História&Sociedade, nas Edições 70, e da editora Outro Modo.

30.01.2020 | por martalanca | debate, teatro

R-HUMOR de CATARINA SIMÃO

Curadoria de | Curated by Cristiana Tejo
Inauguração: Sábado, 25 de janeiro às 17h
Opening: Saturday, January 25 at 5 pm

26 Janeiro – 5 Abril na Galeria Avenida da Índia
January 26 - April 5 at Galeria Av. da Índia
'Parede espelho', R-Humor 2020, © Catarina Simão'Parede espelho', R-Humor 2020, © Catarina Simão
A exposição R-humor surge da constatação de que apesar da importância do corpo de trabalho desenvolvido por Catarina Simão ao longo de mais de dez anos de criterioso mergulho nos arquivos coloniais de Moçambique, ele ainda não havia sido mostrado de forma coesa numa mostra individual em Portugal. Acreditamos que é urgente aprofundarmos a discussão sobre o passado colonial português e suas ressonâncias na atualidade, além de dar visibilidade a artistas mulheres. Fazer uma mostra de Simão é desafiador, pois trata-se de uma artista investigadora cuja prática baseia-se no questionamento das noções de arquivo em projetos de processos contínuos e lentos, que estão sempre abertos à revisão e que implicam parcerias colaborativas e diferentes formas de apresentação ao público, com displays expositivos que agregam documentação, textos, vídeos, sons e desenhos, sendo os filmes e as videoinstalações a principal forma de expressão de suas pesquisas. Como apresentar para um público diverso uma arte que é investigação tão densa?

R-humor não é uma mostra retrospectiva, mas tece um apanhado de questões e documentos presentes em grande parte das obras da artista a partir de sua mais recente pesquisa sobre o Museu de Nampula (1956), situado no Norte de Moçambique, e seu inventário fotográfico da coleção de arte Makonde, localizado recentemente num museu alemão. O material, que seria o quinto volume dos estudos sobre os Makonde feito pelos antropólogos Margot Dias e Jorge Dias durante o período colonial e que foi preterido por apresentar uma nítida influência da arte dos brancos nas esculturas, é o núcleo central da exposição. Nestes registros, evidencia-se a estratégia transgressora dos artistas colonizados ao utilizarem a sátira, ironia e o humor para retratar os colonizadores (ícones portugueses e agentes do sistema colonial), num jogo disruptivo de posicionar-se criticamente de forma subtil. O nome da exposição conecta as palavras rumor e humor ao partir da constatação da artimanha do que pode ou não pode e como pode ser dito. Na concepção de Catarina Simão refere-se à “circulação de saber que pertence tanto ao domínio público como ao do segredo e se identifica com um tipo particular de violência. Assim, as perspectivas históricas construídas em torno do próprio imaginário que os documentos reproduzem, ao assumir uma consciência da normalização subjacente à construção de um conceito de tempo (histórico, cronológico, evolutivo) armado sobre a ideia de ‘progresso’”.

As obras que compõem a exposição são constituídas de materiais oriundos de arquivos públicos e privados com variados graus de confidencialidade, tais como extratos de informação televisiva propagandística (desde 1930 até 2019) provenientes de Moçambique, Portugal, Alemanha e Estados Unidos. A artista organiza estas informações como um grande índex que deve ser decodificado pelos visitantes.
 
 
 
 

Despite the importance of the body of work Catarina Simão has been developing over the past ten years, carefully diving into Mozambique’s colonial archives, it has not yet been cohesively shown in a solo exhibition in Portugal. In addition to giving more visibility to women artists, we believe that it is urgent to deepen discourse around the Portuguese colonial past and its resonances today. Creating an exhibition of Simão’s work is challenging: she is an artist-researcher whose practice questions the notion of the archive through ongoing and lengthy projects. Her process is always open to review and implies collaborative partnerships and different forms of public presentation. Her exhibition displays include documentation, texts, videos, sound, and drawings, with films and video installations as her main forms of expression. How do we present art with such dense research to diverse audiences?

R-humor is not a retrospective, but it weaves together an overview of the issues and documents present in most of the artist’s works from her most recent research on the Nampula Museum (1956) located in the North of Mozambique, and her photographic inventory of the Makonde art collection, recently located in a German museum. The material comes from the fifth volume of studies on the Makonde done by anthropologists Margot and Jorge Dias during the colonial period. Their research, which forms the central core of the exhibition, was neglected for presenting the clear influence of art by whites on Makonde sculpture. In these records, the transgressive strategy of these colonized artists is evidenced when they use satire, irony, and humor to portray their colonizers (Portuguese icons and agents of the colonial system) in a disruptive game of being critically positioned in a subtle way. The exhibition’s title connects the words rumor and humor when it comes to realizing the trick of what can and cannot be said, and how it can be said. According to Simão, it refers to “the circulation of knowledge that belongs to both the public and secret domains, and that identifies with a particular type of violence. Thus, the historical perspectives constructed around the very imagery that the documents reproduce assume an awareness of the normalization underlying the construction of a concept of time (historical, chronological, evolutionary) reinforced by the idea of ​​‘progress’.”

The works that comprise the exhibition consist of materials from public and private archives with varying degrees of confidentiality, such as extracts from propagandistic televisual information from Mozambique, Portugal, Germany, and the United States (from 1930 to 2019). The artist organizes this information in a large index that must be decoded by visitors.

Programa Público / Public Program 

8 fevereiro, 17h / February 8 at 5pm
Conversa com / Conversation with Leonel Matusse, Tania Adams e Catarina Simão
22 fevereiro, 17h / February, 22 at 5 pm
Conversa com / Conversation with Omar Thomaz, Raquel Ribeiro e Catarina Simão
1 março, 17h / March, 1 at 5 pm
Conversa com  / Conversation with Caio Simões de Araújo e Catarina Simão
7 março, 17h / March, 7 at 5 pmConversa com / Conversation with João Pedro George, Filipa Vicente e Catarina Simão

23.01.2020 | por martalanca | Catarina Simão

‘Raça’, Nação e Classe. Conversa com Mamadou Ba e José Neves

Terça-feira, 14 de Janeiro, às 18h30, na livraria Tigre de Papel | entrada livre
www.facebook.com/events/459286374973544/

É mais importante fazer a crítica do racismo ou fazer a crítica das desigualdades económicas? Mais do que uma resposta a esta pergunta, esta conversa procurará questionar a sua pertinência, abrindo campo a uma reflexão sobre como as esquerdas podem articular a luta de classes e o anti-racismo, bem como sobre a relação entre estas questões e o nacionalismo.

13.01.2020 | por martalanca | classe, Identidade, José Neves, Mamadou Ba, nação, raça

LUMINOSO AFOGADO encenação de Zia Soares a partir de Al Berto

LUMINOSO AFOGADO de Al Berto é a primeira abordagem da companhia a um texto e a um autor português.  A encenadora e actriz Zia Soares revisita Al Berto, com quem trabalhava na altura da sua morte na adaptação e encenação de um texto do autor, “Lunário” – o espectáculo viria a chamar-se “O Canto do Noitibó”. Zia Soares trabalhava na sua primeira encenação e Al Berto no seu último projecto artístico.

Dois anos após a estreia em Lisboa, no Teatro da Trindade, o espectáculo apresentou-se em território africano, integrado na programação do Festival Mindelact 2018, em Cabo-Verde. Esta deslocação implicou uma reconfiguração face a este território, revelando-se essencial um novo olhar que abarcasse uma outra língua, uma outra fala, o crioulo, ela própria uma reconfiguração de outras. É esta nova versão que agora se estreia em Lisboa.

LUMINOSO AFOGADO é uma espécie de linha da sombra, onde num confronto com o espelho, com a morte e com a passagem do tempo, alguém não se reconhece, está entre ser o que é e outro irrecuperável e ausente.

Espectros rompem a barreira entre vivos e mortos, refazem nexos com línguas reconfiguradas a partir de outras, cantadas, carpidas, silenciosas.

Um lugar onde o “silêncio é definitivo”, onde se oscila entre a memória e o esquecimento mais absoluto. Um mergulho onde se suspende a respiração noutro tempo, noutro lugar.

“E no meio deste silêncio uma ideia de voz, uma treva agarrada à memória.

Foi então que dei por mim a existir para lá da tua morte, como se asfixiasse. Mas o passado não é senão um sonho. Uma brincadeira com clepsidras avariadas e algum sangue.”

Al Berto 

Texto Al Berto

Adaptação e encenação Zia Soares

Actores Chullage, Gio Lourenço, Zia Soares

Elocução Chullage, Filipe Raposo

Composição musical Chullage 

Design de luz Eduardo Abdala

Espaço cénico Zia Soares

Movimento Maurrice

Figurinos Inês Morgado, Neusa Trovoada

Design de som soundslikenuno

Fotografia Abdel Queta Tavares, Grace Ribeiro, Pauliana Valente Pimentel

Design gráfico Neusa Trovoada 

Produção executiva Urshi Cardoso

Produção Teatro GRIOT M/16

Agradecimentos: Al Berto, Cristina Pidwell Tavares e família, Rogério Correia, Chalo Correia

Apoios: CML, Espaço Alkantara, Polo Cultural Gaivotas Boavista, PENHA SCO-Arte Cooperativa, CEC-FLUL, FCT, Khapaz, Graça 28, Rádio Afrolis, Lisboa Africana, Casa Mocambo, Cantinho do Aziz

Espaço Alkantara - Calçada Marquês de Abrantes, 99, 1200-718 Lisboa – Portugal

19 FEV – 01 MAR

qua a sáb 21H30 | dom 19H00

RESERVASreservasgriot@gmail.com | 933067810 (seg a sáb das 14h00 às 19h00)

Bilhetes 10€, normal 7,50€, c/desconto 5€, grupos +10 pax

13.01.2020 | por martalanca | Alberto, teatro griot, Zia Soares

Documentário 'Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro' disponível no YouTube

O documentário Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro, realizado por Diana Andringa, foi disponibilizado na plataforma YouTube (link abaixo). Exibido pela primeira vez, na RTP África, no passado dia 24 de setembro é agora possível também assistir ao filme com legendas integrais em Português ou Inglês, acionando para o efeito as devidas definições na plataforma.

Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro é testemunha das esperanças e dos bloqueios que foram construindo o país durante mais de quatro décadas.

Filmado integralmente na Guiné-Bissau, em setembro de 2018, quando se celebravam os 45 anos da independência, o documentário regista os testemunhos de um conjunto de académicos de várias nacionalidades, membros da sociedade civil guineense, artistas e combatentes da luta de libertação nacional que refletem e debatem as memórias e os legados desse passado.

Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro percorre uma ampla viagem reflexiva sobre a imaginação e a construção da Guiné independente, mostrando-nos, também, como a memória pode servir de instrumento à geração do presente para a construção do futuro.

Realizado por Diana Andringa, com guião da realizadora e de Miguel Cardina, o filme foi produzido pela Garden Films e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, através do projeto CROME - Memórias Cruzadas, Políticas do Silêncio. As Guerras Coloniais e de Libertação em Tempos Pós-coloniais, e contou com apoio financeiro do ICA / Ministério da Cultura de Portugal. 

 

 

13.01.2020 | por martalanca | Amílcar Cabral, Guiné-Bissau, luta de libertação

ZOMBI CHILD de Bertrand Bonello em exibição no Espaço Nimas

com Louise Labeque, Wislanda Louimat, Katiana Milfort

 

França, 2019, 1h43 min

«Aquele imaginário haitiano evoca a escravatura, que é para mim o tema central do filme, mas eu não quis ficar pela evocação, pois há também entre França e o Haiti uma relação histórica de colonizadores e de colonizados»

Bertrand Bonello, em entrevista ao Expresso

Sinopse

Haiti, 1962. Um homem regressa dos mortos para trabalhar no mundo impiedoso das plantações de cana de açúcar. Cinquenta e cinco anos depois, uma jovem rapariga de ascendência haitiana confidencia aos seus colegas um segredo de família, inconsciente das graves consequências deste acto. Uma história de terror contemporânea, baseada na realidade muito concreta do colonialismo francês no Haiti, a sua narrativa despoleta uma reflexão sobre racismo, imperialismo e memória cultural.

«Um filme fascinante, um teen movie com uma espiritualidade invulgar, uma rêverie fantástica que se grava forte na memória. E mais se diz: de toda a produção francesa do ano passado, não houve outro igual» Francisco Ferreira, Expresso

«O verdadeiro zombie não anda a comer pessoas pelas esquinas: no Haiti, é um ser enfeitiçado que vive num limbo entre a vida e a morte. Ponto de partida para a nova longa do francês Bertrand Bonello, A Criança Zombie, um falso filme de género que fala na verdade dos tempos que correm.» Jorge Mourinha, Público

Bertrand Bonello

Bertrand Bonello (Nice, 1968) vive entre Paris e Montréal. O seu primeiro filme, Quelque Chose d’Organic (1998), foi apresentado no Festival de Cinema de Berlim, e o segundo, Le Pornographe (2001) protagonizado por Jean-Pierre Léaud, foi seleccionado para a Semana da

Crítica no Festival de Cannes e recebeu um prémio FIPRESCI. Bonello revelou o seu singular universo em Tiresia (2003), presente na competição oficial do Festival de Cannes. Em 2005, regressa a Cannes com uma curta-metragem, Cindy: The Doll is Mine. De La Guerre (2008), filme cuja banda-sonora é também da sua autoria, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores e para o Festival de Locarno. Bonello esteve no LEFFEST em 2011 com L’Apollonide

- Souvenirs de la Maison Close, em 2012 com Ingrid Caven, Musique et Voix, em 2014 com Saint Laurent, que abriu o festival, e em 2016 com Nocturama, que integrou a competição oficial do festival.

06.01.2020 | por martalanca | haiti, ZOMBI CHILD

Só Chove e é Rápido, de Francisco Tavares

Só Chove e é Rápido é uma criação de Francisco Tavares sobre uma viagem de carro com os olhos fechados, maquilhagem borrada, um anão com saudades do passado, um smartphone com um notch demasiado grande, a magia da Via Verde, a aversão nacional ao bom isolamento, as fantásticas instalações do Hospital da Luz, o estado da prostituição na Tailândia, uma morte e um AVC num funeral.
- Um espectáculo com Francisco Tavares e Francisco Vistas, sem Joana de Verona, David Almeida, Leonor Keil, um homem cego -
“Sentei-me na plateia. O autor entra em cena e faz uma introdução onde explica a razão da peça ser um monólogo tendo ela tantos personagens. A questão que se prende é “o que fazer quando há que fazer, mas não há forma de o fazer?” Fica o fazer. De alguma forma. De qualquer forma. Tem de ser feito. O Universo é o da construção sob a ameaça do tempo e do efémero.  Acontecimentos marcantes colados à realidade do trivial. Os personagens vão aparecendo, cada um a seu tempo. Todos ao mesmo tempo. É uma pessoa que os mostra, sem recurso a nada, sem artifício. Cada qual com a sua estranheza. Cada qual com a sua vida. E à superfície da asfixia, dança um discurso de acasos que tenta, a par com o insólito, gerar um certo tipo de alegria naqueles que observam. Naqueles que veem.” Francisco Tavares 90 m. M/16 .
Entrada gratuita mediante disponibilidade de lugares
Texto e encenação: Francisco Tavares
Interpretação: Francisco Tavares e Francisco Vistas
Um espectáculo sem: Joana de Verona, David Almeida, Leonor Keil, um homem cego
Assistência de encenação: Francisco Vistas
Figurinos e ilustração: Susana Moura
Sonoplastia: Francisco Vistas
Apoio psicológico: Ana Gandum
Com o apoio de: Teatro do Bairro / Ar de Filmes
De terça a sábado- 21h30 | Domingo 17h00
Entrada gratuita mediante disponibilidade de lugares
Reservas e informações:
21 347 33 58 ou 91 321 12 63 (15h00 - 19h00)
Agradecimentos: António Pires, Alexandre Oliveira,IFICT, Michell, Espaço Zero, Elsa Valentim, Patrícia Vasconcelos, Act – Escola de Actores, Jaime Freitas

04.12.2019 | por martalanca | teatro

Desenterrando Memórias

Sete artistas e profissionais da cultura servem-se de um método curatorial cooperativo para analisar legados coloniais que afetam as condições contemporâneas na cidade do Porto, na Rampa, a partir de dia 6/12.

 
A Primeira Exposição Colonial Portuguesa ocorreu há 85 anos nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto. Contudo, as forças económicas, culturais e políticas atuais ainda sustentam, cimentam e replicam algumas ideologias que foram fundamentais ao regime autoritário associado à Exposição Colonial.
 
Fragmentos do passado têm a capacidade de reiterar e incorporar memórias coletivas, constituindo uma cultura visual que marca a contemporaneidade. As relíquias coloniais (por exemplo, monumentos públicos, nomes de ruas, selos postais, souvenirs, medalhões, murais, coleções de museus e arquivos nacionais) são testemunhos controversos que narram perspectivas imperialistas e obscurecem a multiplicidade de relações de poder, encontros culturais e experiências pessoais.
 
O InterStruct Collective examina esses mesmos objetos que utiliza como catalisadores para acrescentar camadas de complexidade às narrativas e desvelar histórias, buscando restaurar o poder de indivíduos colonizados no passado e marginalizados no presente.
 
Objetos e subjetividades pós-coloniais são examinadas e o olhar incorporado nesses objetos é devolvido por meio de colaboração coletiva e interdisciplinar. A práxis artística é utilizada como uma plataforma reflexiva para nutrir realidades futuras. Esta exposição analisa criticamente os legados coloniais e enquadra o imaginário atual, composto por memórias, ruínas e lembranças no contexto do Porto.
 
A exposição é acompanhada por uma caminhada crítica pelos Jardins do Palácio de Cristal: “Unearthing memories - exploring contemporary conditions and formulating possible futures”, organizada em parceria com o coletivo MAAD - Mulheres, Arte, Arquitetura & Design, no âmbito do programa Satellites, da Porto Design Biennale.
Vijay Patel, Invisível, 2019 digital print, dimentions variableVijay Patel, Invisível, 2019 digital print, dimentions variable

O Coletivo InterStruct visa fomentar um diálogo em torno do interculturalismo, proporcionando uma plataforma discursiva onde pessoas de diferentes origens culturais podem colaborar, propor intervenções e encenar projetos artísticos de importância social. Este fórum valoriza a inclusão, e incentiva a empatia e a autorreflexão como base para interromper ideologias e estereótipos adversos. O nome InterStruct é composto por dois elementos: o prefixo inter significa “entre”, e o radical struere, em Latin, significa “construir” ou “montar”. Mesclar esses termos ressalta a importância dos processos construtivo e desconstrutivo durante a criação.

Odair Monteiro, 'Escadas', Impressão digital, 2019, 60 cm x 90 cmOdair Monteiro, 'Escadas', Impressão digital, 2019, 60 cm x 90 cm

Melissa Rodrigues e Miguel F, Mediterrâneo, 2019. Vídeo, som, 3'23.Melissa Rodrigues e Miguel F, Mediterrâneo, 2019. Vídeo, som, 3'23.

04.12.2019 | por martalanca | colonialismo, fotografia, memória, Rampa, video

Colóquio Internacional Oceano Índico: Circulações e Representações

Fundação Calouste Gulbenkian, sala 1 (zona de Congressos), 5-6 Dezembro 2019, 9h Tradução simultânea para o português e inglês. Entrada gratuita

Comissão Organizadora:
Ana Mafalda Leite (FLUL-CESA)
Joana Pereira Leite (CESA/ISEG)
Jessica Falconi (CESA/ISEG)
Elena Brugioni (IEL/UNICAMP e CESA)
Giulia Spinuzza (CESA/ISEG)
Instituição Proponente:
CEsA/CSG, ISEG, Universidade de Lisboa
Evento realizado no âmbito do Projecto NILUS-Narrativas do Oceano Índico no Espaço Lusófono, financiado pela FCT (PTDC/CPC-ELT/4868/2014) e coordenado pela Professora Ana Mafalda Leite (CEsA/CSG e FLUL)

O evento, inédito em Portugal, propõe-se reunir professores, investigadores, escritores, poetas e artistas de diversas áreas do Oceano Índico.

Objectivo do Colóquio é:

- reflectir sobre as representações e circulações culturais no Oceano Índico 

- fortalecer a colaboração académica, cultural e artística internacional no quadro dos Indian Ocean Studies.

PROGRAMA
5 de Dezembro

9h Abertura
9h30-10h30 - Conferência de Abertura: “Coolitude, quand l’engagisme réécrit l’océan Indien et l’Histoire en résistances et créativités incessantes” Khal Torabully (Maurícias e França)
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10h45-12h15 - Painel Circulações no Oceano Índico
“Literatura de viagens e matriz colonial na periferia do oceano Índico. De Moçambique a Timor” Manuel Lobato (FLUL, Portugal)
“Pela voz das mulheres. Nação e nacionalismo na Índia portuguesa” Rosa Maria Perez (CRIA, ISCTE, Portugal)
“Conceptualização, imaginação e experiência do Índico na imprensa goesa: um inquérito” Sandra A. Lobo (CHAM, FCSH, Portugal)
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14h-15h30 - Narrativas do Oceano Índico no Espaço Lusófono
“O projecto de investigação NILUS” Apresentação: Giulia Spinuzza e Jessica Falconi (CEsA/CSG, ISEG-ULisboa, Portugal)
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16h-18h - Diálogos literários do Índico
16h-17h Sessão I João Paulo Borges Coelho (Moçambique) e Barlen Pyamootoo (Maurícias)
17h-18h Sessão II Luís Carlos Patraquim (Moçambique) e Khal Torabully (Maurícias e França) 

6 de Dezembro
9h-10h - Conferência Plenária / Keynote 2 “Ficções do Índico Moçambicano” João Paulo Borges Coelho (Moçambique)
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10h30-12h - Painel Representações do Oceano Índico e debate
“Moving frames and circulating subjects: photographic reflections on Indian Ocean Africa” Meg Samuelson (University of Adelaide, Australia)
“Moving Still: Bicycles in Ranchhod Oza’s Photographs of 1950s Stone Town (Zanzibar)” Pamila Gupta (WISER, WITS University, South Africa)
“Crossing frontiers: the writings, collections and travels of a Bombay scholar and doctor (1860-1900)” Filipa Lowndes Vicente (ICS, ULisboa, Portugal)
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14h-15h – Diálogos literários do Índico
Jessica Faleiro (Goa, Índia) e Luís Cardoso (Timor-Leste)
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15h-16h Lançamento da Antologia de Textos Teóricos em Português sobre o Oceano Índico
Lançamento do website NILUS _____________

16h30-17h30 – Conferência de Encerramento
“I am an Ocean Artist” Subodh Kerkar (Goa, Índia)

02.12.2019 | por martalanca | colóquio, Oceano Índico