Estudo Elife: homens dominam na comunicação digital e as mulheres continuam presas a papéis tradicionais

Análise às publicações do Instagram dos 20 maiores anunciantes em Portugal revela que ainda há um caminho a percorrer na inclusão: idosos, pessoas com deficiência e “plus size” e comunidade LGBTQIAPN+ surgem de forma residual nas campanhas.

Como é que as portuguesas e os portugueses são representados pelos principais anunciantes nas redes sociais? Para responder a esta questão, a Elife uniu-se à Buzzmonitor, a sua plataforma de social listening, para realizar o seu primeiro estudo sobre “Diversidade na comunicação de marcas nas redes sociais em Portugal”. A análise incidiu sobre a presença no Instagram dos 20 principais anunciantes do país, que se traduzem em mais de 90 marcas, cruzando os dados obtidos com a realidade demográfica nacional.

Para este diagnóstico, a Buzzmonitor utilizou as suas ferramentas de Inteligência Artificial para analisar 4.393 publicações abertas no Instagram e sem investimento em media, recolhidas entre 1 de janeiro e 8 de maio de 2026. A metodologia envolveu a classificação automática de imagens para identificar grupos presentes e os contextos de representação, cruzando estes dados com estatísticas oficiais do INE e outros organismos para aferir a fidelidade da comunicação à realidade social.

A investigação focou-se na representação de nove grupos distintos: Brancos, Mulheres, Homens, Negros, Idosos (+65 anos), Asiáticos, Pessoas com Deficiência (PcDs), comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas “Plus Size”. Estes perfis foram analisados transversalmente em 16 categorias de mercado, onde se incluem, entre outros, o setor Financeiro, Retalho, Higiene e Beleza, Energia, Bebidas Alcoólicas, Telecomunicações, Turismo ou Automóveis.

Homens, pessoas negras e asiáticas aparecem sobrerrepresentadas

O estudo indica que os homens têm uma presença marcante na comunicação digital, aparecendo em 55,4% das publicações analisadas, um valor que supera a sua representação real de 47,8% na população portuguesa. Os homens surgem associados a figuras de ação, de autoridade e de performance. A representação dominante é uma masculinidade pública e ativa, deixando as representações de vulnerabilidade e afeto para segundo plano.

Também as pessoas negras e asiáticas são representadas nesta análise da Elife em proporções superiores à sua presença estatística na sociedade (4,6% e 2,2% nas publicações, respetivamente). No que toca às pessoas negras, são retratadas de forma positiva, em contextos ligados ao desporto, à música e à moda, bem como a funções operacionais e de atendimento. No entanto, essa visibilidade é frequentemente mais estética do que narrativa, com pouca presença em papéis de liderança. O mesmo se passa relativamente aos asiáticos. A sua presença está muitas vezes ligada a uma estética cuidada e a ambientes modernos, associados a tecnologia e moda, mas nem sempre com protagonismo real. Em vários casos, funcionam mais como elemento visual ou simbólico do que como personagens centrais.

  • Top empresas participação masculina: Sonae, Grupo Nabeiro, Vodafone e MEO

  • Top empresas participação de negros: Jerónimo Martins, Vodafone, Sonae, MEO e Nestlé

  • Top empresas participação de asiáticos: EDP, Mercadona, SONAE, Jerónimo Martins e IKEA

Mulheres ainda representam papéis tradicionais

As mulheres surgem em 37,9 % das publicações analisadas, um valor abaixo da percentagem da sua representação na sociedade portuguesa (52,2%) . As figuras femininas surgem frequentemente associadas a contextos tradicionais como cuidados do lar, maternidade e beleza. A presença em contextos mais diversos existe, mas ainda é minoritária. De realçar ainda a diferença, dentro desta categoria, da presença de mulheres brancas na comunicação das marcas (72,8%) relativamente a mulheres negras (23,6%), idosas (5,1%), asiáticas (3,6%), mulheres com deficiência (0,5%) e Plus Size (0,1%) e LGBTQIAPN+ (0,1%).

  • Top empresas participação feminina: Sonae, EDP, Mercadona e Grupo Nabeiro

Presença residual de idosos, pessoas com deficiência e “Plus size” e comunidade LGBTQIAPN+ 

A análise destaca um fosso significativo no que toca à terceira idade: apesar de representarem 24,3% da população, os idosos surgem apenas em 15,5% dos posts. As pessoas mais velhas são apresentadas como figuras de autoridade, símbolos de memória e vulnerabilidade. Os homens dominam o espaço público e as mulheres estão associadas a tarefas domésticas e de cuidado. A representação recorrente é formal, “branca” e marcada pela fragilidade, com exceções ativas.

Mais crítica é a situação das Pessoas com Deficiência, que constituem 10,9% da população, mas aparecem em apenas 0,8% da comunicação das marcas. Quando surgem, estão frequentemente associadas a narrativas de superação ou acessibilidade. O estudo revela ainda que a representação de pessoas “Plus Size” e da comunidade LGBTQIAPN+ é residual, com apenas 0,1% de presença cada, destinando-se a momentos específicos ou campanhas pontuais.

  • Top empresas participação de idosos: Sonae e Nestlé

  • Top empresas participação de Pessoas com Deficiência: Nestlé e IKEA

  • Marca que inclui pessoas LGBTQIAPN+: Jornal Público

  • Marcas que incluem pessoas “Plus Size”: Shopping Colombo e Gaia Shopping

Diversidade ainda precisa de validação

Os dados mostram também que grupos minoritários aparecem frequentemente com grupos dominantes, sobretudo pessoas brancas: pessoas negras surgem acompanhadas por brancos em 78,4% das publicações e pessoas asiáticas aparecem acompanhadas por brancos em 51% das publicações. Este padrão sugere que a diversidade ainda é enquadrada dentro de contextos padronizados, em vez de surgir de forma autónoma e plenamente representativa. 

25.06.2026 | por martalanca | comunicação digital, género, inclusão

Novas Narrativas da Caça - projeção e conversa, Jardins de Verão, Gulbenkian

Estúdio do Centro de Arte Moderna, entrada gratuita

27 de junho, 18h Moamba, de Luís Almeida
Conversa com Luís Almeida, Gonçalo Cabral e Joana Gorjão Henriques,
moderação Marta Lança 

Moamba, o episódio piloto da antologia “Novas Narrativas de Caça”, é o ponto de partida para uma conversa entre o realizador Luís Almeida, o ator Gonçalo Cabral e a jornalista Joana Gorjão Henriques sobre o raciscmo enraizado e o legado da colonização.

Angola é independente há mais de meio século. Mas terá essa mudança acontecido também dentro de nós? Ou permanecem, silenciosas, certas ideias de império a viver debaixo da nossa pele?

Em Moamba, quatro personagens encontram-se à mesa para um almoço onde o passado irrompe no presente. Entre silêncios, desconfortos e ironias, revelam-se diferentes níveis de consciência sobre formas de agressão que muitos ainda não conseguem ou preferem não ver.

Perante isto, a pergunta impõe-se: queremos continuar protegidos pela ideia de que “Portugal não é racista”? Ou está na altura de debater verdadeiramente o legado da colonização portuguesa?

Para a conversa que se segue ao episódio juntam-se Luís Almeida, realizador e autor desta comédia inspirada em factos reais; Gonçalo Cabral, ator e bailarino que dá vida a uma das personagens e que traz consigo experiências pessoais de racismo, mais ou menos explícito; e Joana Gorjão Henriques, jornalista que tem dedicado o seu trabalho a investigar as colónias, os retornados e as várias expressões de racismo na sociedade portuguesa.

28 de junho, 18h Recursos Humanos, de Gisela Casimiro
Conversa com Gisela Casimiro, Flávio Almada e Nuna,
moderação Marta Lança 

Recursos Humanos, episódio da série “Novas Narrativas de Caça”, dá o mote para uma conversa em que a argumentista Gisela Casimiro, a atriz e ativista Nuna e o ativista e MC Flávio Almada, abordam a discriminação em contexto laboral e a falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Em Recursos Humanos, Gisela Casimiro revisita o tempo em que trabalhava numa cadeia de fast food – um tempo em que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, como ficou imortalizado pela voz de Elza Soares.

Vinte anos passados, qual o estado das coisas? O mercado de trabalho evoluiu, mudou, ou os velhos padrões continuam a repetir-se, apesar de terem novas roupagens?

Nesta conversa sem tabus, Gisela Casimiro, argumentista deste episódio, Nuna, a atriz que interpreta Taís, e Flávio Almada, o ativista, criador e dinamizador de oficinas de formação para jovens que trará para a conversa mais factos do que perceções, não hão de fugir a perguntas difíceis, abordando todo o tipo de temas, desde as oportunidades e do acesso, à tão proclamada – e tantas vezes ilusória – meritocracia. 

 

11 de julho, 18h00
Undeu, de Diogo “Gazella” Carvalho
Conversa com Diogo “Gazella” Carvalho, Mavá José e António Brito Guterres

 

11 de julho, 20h30
Sobrevivente, de Dércio Tomás Ferreira
Conversa com Dércio Tomás Ferreira e Marco Mendonça

 

12 de julho, 18h00
Once You Go Black, de Lara Mesquita
Conversa com Lara Mesquita, Catarina Amaral e Raquel Lima

24.06.2026 | por martalanca | cinema, Novas Narrativas da Caça

Jerónimo Pizarro apresenta Minha Querida Mamã: A Mãe de Fernando Pessoa, de João Pedro George

29 de junho, 17h30, na Biblioteca Nacional de Portugal  

«[…] a senhora possuía um conjunto de manuscritos muito antigos, o que não era nada de extraordinário, não fosse tratar-se de uma série de poemas escritos na África do Sul […] e por serem da autoria de Maria Madalena […], mãe do poeta português mais famoso em todo o mundo: Fernando Pessoa.»
 Em Minha Querida Mamã, A Mãe de Fernando Pessoa, João Pedro George toca um ponto sensível: o papel de Maria Madalena na vida do filho Fernando Pessoa nem sempre tem sido tido em devida conta pelos especialistas na obra do poeta.
Graças à descoberta de um conjunto de poemas da mãe de Pessoa, que sobreviveram inéditos durante perto de 100 anos, este livro (que inclui outros poemas e excertos de cartas nunca publicados) vem resgatá-la dos porões do esquecimento, lançando uma luz poderosa, impregnada de um tom sépia, sobre a mulher mais importante da vida do artista que se desdobrou em Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis ou Bernardo Soares.
Organizada e apresentada pelo autor de O Super-Camões. Biografia de Fernando Pessoa, esta obra abre uma janela sobre o passado mais longínquo do genial poeta português, permitindo ao leitor ver a família de Pessoa através dos olhos da mãe.
Já nas livrarias.


23.06.2026 | por martalanca | fernando pessoa, Jerónimo Pizarro, João Pedro George

Artista cabo-verdiana Zubikilla Spencer confirmada nos Jardins de Verão

Zubikilla SpencerZubikilla Spencer

A atuação está marcada para o próximo dia 28 de junho num dos mais prestigiados festivais culturais de Portugal, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Representa mais um importante passo no percurso artístico de uma jovem criadora que tem vindo a afirmar-se, de forma consistente, nos palcos nacionais e internacionais. Nesta apresentação, Zubikilla será acompanhada por uma talentosa formação musical composta por Khaly (piano e direção musical), Jery Bidan (guitarra), Heber Pires (baixo), Ariel Rosa (bateria) e Jörg Demel (saxofone). Juntos dão corpo ao universo sonoro da artista, contribuindo para uma experiência musical rica, contemporânea e profundamente enraizada na diversidade de influências que caracterizam a nova música cabo-verdiana.

A cantora Sílvia Medina é a convidada especial da Zubikilla Spencer, reforçando o caráter singular deste show de celebração da música e da diversidade cultural. Reconhecida pela sua identidade musical singular, que cruza Nu Soul, Hip Hop, ritmos urbanos e influências da tradição musical cabo-verdiana, Zubikilla Spencer tem

conquistado públicos diversos através de uma proposta artística autêntica, inovadora e profundamente ligada às suas raízes. Zubikilla Spencer participou no mês passado, no XXI Seia Jazz & Blues Festival, em Portugal, um dos eventos culturais de referência da região da Serra da Estrela e tem ao longo dos últimos anos, participado em importantes eventos culturais, entre os quais o Atlantic Music Expo (AME), o Kriol Jazz Festival, o Festival Músicas del Mundo, em Palma de Maiorca, o Mindel Summer Jazz e o Festival Sete Sóis Sete Luas, consolidando uma carreira marcada pela criatividade, sensibilidade artística e capacidade de diálogo entre diferentes universos culturais.

A presença de Zubikilla Spencer no Jardim de Verão assume um significado especial para a artista, e para Cabo Verde. Trata-se do reconhecimento do talento de uma nova geração de criadores cabo-verdianos que continua a levar a cultura nacional para além das fronteiras do arquipélago, contribuindo para a projeção internacional do país e para o fortalecimento dos laços culturais no espaço lusófono. A edição de 2026 do Jardim de Verão destaca particularmente as expressões culturais dos países africanos de língua portuguesa, do Brasil e de Portugal. A programação musical foi concebida sob a curadoria do músico e produtor luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago, uma das vozes mais influentes da atualidade na promoção da diversidade cultural e do diálogo entre os povos que partilham a língua portuguesa. A seleção de Zubikilla Spencer para integrar este cartaz constitui, por isso, um reconhecimento particularmente significativo do seu talento e potencial artístico.Ao lado de outros nomes de referência da música lusófona, a presença de Zubikilla

Spencer neste importante festival confirma o crescente reconhecimento da sua obra e reforça o papel da música cabo-verdiana como veículo de afirmação cultural, inovação e aproximação entre povos.

Para Cabo Verde, esta participação representa mais um motivo de orgulho e demonstra a capacidade dos seus artistas de conquistarem espaços de grande relevância no panorama cultural internacional, levando consigo a criatividade, a identidade e a riqueza cultural do arquipélago.

Mais informações: Instagram de Zubikilla Spence, Casa Municipal da Cultura de Seia

Para contactos: Whatsup: +238 920 49 40

Zubikilla SpencerZubikilla Spencer

 

23.06.2026 | por martalanca | Zubikilla Spencer

Novos nacionalismos e a negação da história

10 jul 2026 sexta, 18:00 Auditório 3 Fundação Calouste Gulbenkian

Nesta conferência, Orlando Serrano e Marta Lança vão debater acerca da crescente emergência de movimentos nacionalistas e do seu papel na negação de episódios da história que põem em causa visões celebratórias e panegíricas do passado.

Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente polarização e radicalização do debate político e público sobre a história, o que inviabiliza a criação de um entendimento comum sobre o passado, relativizando a violência verbal e física e legitimando o uso da força contra posições diferentes daquela que se pretende normativa.

Estes extremismos são frequentemente acompanhados por visões nacionalistas que defendem narrativas históricas celebratórias que apagam ou negam determinados episódios do passado. É o caso das negações do Holocausto, das relativizações da história do tráfico transatlântico de escravizados ou da celebração da “missão civilizadora” dos impérios coloniais europeus.

Embora estas visões distorcidas do passado não sejam novidade no espaço público, a sua disseminação tem vindo a acelerar com o impacto das redes sociais. Como resultado, são cada vez mais mobilizadas para legitimar determinados discursos políticos, propostas legislativas e, em casos extremos, iniciativas violentas que colocam em causa as instituições democráticas e a própria democracia.

A Fundação Calouste Gulbenkian e o Slave Wrecks Project convidam Orlando Serrano (Museu Smithsonian de História Norte-Americana) e Marta Lança (Buala) para uma conversa que cruza as realidades norte-americana e portuguesa, e na qual se vai refletir sobre a  emergência de novos nacionalismos que põem em causa direitos que há muito se julgavam cimentados nas sociedades democráticas ocidentais.

Mais infos. 

 

23.06.2026 | por martalanca | nacionalismos, negação história

Movimento #Fartudibos

Sobre o Lançamento de Álbum de Intervenção Política 

#Fartudibos é um movimento musical de intervenção política que reúne rappers, activistas e poetas guineenses maioritariamente residentes fora da Guiné-Bissau. Foi criado em Julho de 2023 com o objectivo de participar, através da produção da música de intervenção, no combate à ditadura encabeçada por Umaro Sissoco Embaló. Ao longo de três anos, o Movimento produziu 17 canções cujos conteúdos denunciam

raptos, espancamentos, perseguições políticas, prisões arbitrárias, instrumentalização étnico-religiosa, violação da Constituição da República e outras leis do país, assassinatos e outros crimes praticados pelo sissoquismo, hoje camuflado de Comando Militar. Estas músicas são feitas de mensagens que se pretendem afirmar no espaço público como contra-narrativas face ao populismo veiculado pelo autoritarismo no poder na Guiné-Bissau, que também usa a desinformação como instrumento de mobilização política, muitas vezes através da música produzida pelos seus agentes no meio artístico.

Assim, serve esta nota para informar a todas as pessoas que se comprometem com os valores da democracia e liberdade, sejam guineenses ou não, que, depois de três anos de um trabalho realizado com compromisso patriótico e em defesa da dignidade humana, as músicas do álbum intitulado Sissoco na Kai (“Sissoco vai cair”, traduzido da língua guineense) já se encontra disponível em todas as plataformas digitais desde 20 de Junho corrente. Contacto e-mail: fartudibos@gmail.com Kilis ku sta fartu di bos!

23.06.2026 | por martalanca | #Fartudibos

Apresentação do livro "Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey"

Seminários e WorkshopsTer . 23 Jun . 16h00 Sala 2 - ICS-ULisboa Alice von Bieberstein (Humboldt Universität, Berlin)Organização: Irene Peano (ICS-ULisboa)

No próximo dia 23 de Junho, pelas 16h00, terá lugar no ICS-ULisboa (sala 2) a apresentação do livro Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey (University of Pennsylvania Press, 2025) na presença da autora, Alice von Bieberstein (Professora Auxiliar de Antropologia Social, Humboldt Universität, Berlim). 

O livro explora o modo como o genocídio e a espoliação dos arménios, que começaram em 1915, moldaram regimes de propriedade, cidadania e lógicas económicas que continuam a ter repercussões até hoje. O evento é organizado por Irene Peano (ICS-ULisboa) em colaboração com o Grupo de Investigação Impérios e o Urban Transitions Hub.

 

22.06.2026 | por martalanca | Post-Genocide

50 anos depois: revisitar a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção (Estoril, 1976)

Três dias de cinema, conversas e mesas-redondas em Lisboa, convidam a reflectir sobre os potenciais políticos e emancipatórios das práticas cinematográficas.

De 24 a 26 de junho de 2026, o Doc’s Kingdom organiza um programa de encontros e sessões de cinema na Casa do Comum (Bairro Alto) e n’A Voz do Operário (Graça), com o apoio do IFILNOVA, e em colaboração com um grupo internacional de investigadores. 

Em maio de 1976, no Centro de Congressos do Estoril, realizou-se a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção: um festival de nove dias inteiramente dedicado ao cinema militante e ativista. Reunindo mais de 150 filmes politicamente comprometidos provenientes do Sul e do Norte globais, o evento articulou, através do ecrã, lutas anticoloniais, anti-imperialistas, antifascistas e anticapitalistas. Organizado pelo Centro de Intervenção Cultural, no rescaldo imediato da Revolução dos Cravos, contou com a presença de realizadores e coletivos cinematográficos internacionais. Foi o primeiro evento do género desta envergadura a ser realizado na Europa, após iniciativas semelhantes em Montréal ou Argel, por exemplo. Apesar da sua importância histórica, o evento permanece praticamente ausente da historiografia cinematográfica, tanto a nível nacional como internacional.

Cinquenta anos depois, o Doc’s Kingdom – Seminário Internacional de Cinema Documental (organizado pela Apordoc – Associação pelo Documentário) apresenta um programa de filmes e de conversas que revisitam a Mostra, confrontando-a ao presente. O programa não pretende celebrar uma data, mas reabrir questões que a Mostra colocou: o que pode o cinema militante hoje? Que formas são capazes de produzir pensamento e movimento, em vez de confirmação e paralisia? Como se constroem solidariedades cinematográficas entre geografias diferentes, num tempo em que a linguagem da crítica política está sob pressão?

22.06.2026 | por martalanca | cinema de intervenção, Doc’s Kingdom

Warped Tapes, Brassalano Graça

No fundo, é uma questão de perceber o Movimento

perpétuo das palavras. Da Máquina extrema da Linguagem.

Um movimento contra a inércia das Certezas.

O movimento da boca sobre a concentração do rosto

no sismo de um sorriso.

Um sorriso nunca é só um sorriso,

é também uma Oscilação circunstancial de qualquer dor.

O movimento tectónico das mãos sobre o corpo que ama,

e que desliza para a fronteira do Pecado.

Não há um Deus que abocanhe esse movimento da dor,

não há felicidade que suplante o vigor da ferida que arde no peito.

Faz-se o Movimento do fumo rumo ao sítio de concentração da Beleza.

Essa saturação da nossa fragilidade, da nossa impotência

perante o limite dos sentidos,

perante o tremor da Imaginação.

Solo negro, pois,

onde tudo se esvai entre os dedos trémulos

de uma força acabada de nascer,

nascitura das Trevas de um sonho.

A Poesia vem das trevas, tal como a Fotografia –

vêm, saem, das Trevas de uma Visão.

A Arte é isso, uma Visão, uma usurpação da Realidade

pelos Olhos alagados pelo coração.

É essa a Terminologia da Humanidade dilacerada

pela lucidez.

Esta Trilogia - Poesia, Fotografia, Música - é o término das pedras, 

o início dos ventos.

O meio do Sol.

A claridade do Desejo,

sujo como todas as raízes arrancadas da terra.

Aqui inventou-se o terror do Amor.

Brassalano Graça


22.06.2026 | por martalanca | Brassalano Graça

Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional

Sexta-feira, 19 de Junho, às 18h

Conversa com Luís Mendes e Ana Jara, com moderação por Eugénia Pires.

Livraria Tigre de Papel 

 A crise da habitação é hoje um fator decisivo das desigualdades que afetam o país. Em Lisboa, o caso da alienação de ativos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa prolonga uma estratégia que abdica de reforçar o stock habitacional público e a custos controlados — sem sequer favorecer a sustentabilidade da histórica missão de proteção social da instituição. Nesta sessão, conversamos com o geógrafo Luís Mendes e a arquiteta Ana Jara sobre o artigo que ambos assinam no número de Maio da edição portuguesa do Le Monde diplomatique ‘Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional’. A moderação ficará a cargo de Eugénia Pires, do Conselho Editorial do Le Monde diplomatique – edição portuguesa.

Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa)

19.06.2026 | por martalanca | habitação, Le Monde diplomatique, lisboa

Sob a força das coisas. Olhares cruzados sobre dinâmicas de subalternidade social: Portugal, França e Bélgica

Virgílio Borges Pereira e Yasmine Siblot (orgs.)

Este livro “procura abrir espaço para o aprofundamento do questionamento sociológico e para um universo de investigação (…) que merece a atenção de quem se interessa por compreender as recomposições sociais vividas nas sociedades estudadas, tendo presente, globalmente, os universos sociais estruturados em torno dos mundos operários industriais e dos empregos de execução, posicionamentos sociais agregadores das regiões do espaço social privilegiadas na análise que, como se saberá, experimentam, nas últimas décadas, reconfigurações sociais muito significativas.”

19.06.2026 | por martalanca | França e Bélgica, Portugal, subalternidade

Germinar encerra com evento dedicado à Feira Semanal de Monte Abraão

Exposição, conversa, oficina e dj set para celebrar a diversidade e o papel comunitário da feira de Monte Abrãao

Depois de dois momentos de programação que deram visibilidade às histórias, práticas e expressões culturais do território de Massamá e Monte Abraão, o ciclo de programação cultural Germinar encerra no próximo dia  27 de junho, com o evento Entre bancas e fronteiras. A partir das 15:00, o espaço Mbongi 67, em Monte Abraão recebe uma programação gratuita que prolonga a experiência da feira para além do seu horário habitual, transformando-se num ponto de encontro entre arte, reflexão, gastronomia e música.
O programa conta com a inauguração de uma exposição de fotografia com obras de Sarita Furtado e Uncle C., resultado de um trabalho de curadoria da Kubata que convidou artistas a refletirem sobre as múltiplas vidas que atravessaram a feira entre migrantes, comerciantes, trabalhadores e visitantes que contribuem diariamente para a construção e vivência deste espaço.
Durante a tarde decorre a conversa Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária, com a moderação da curadora, jornalista e investigadora Amina Bawa e participação de Ruth Amélia dos Santos Falcão, Milene Pereira e Tarine Carvalho. Uma reflexão sobre a feira enquanto território de encontro, cuidado comunitário, atividade económica e de construção de imaginários periféricos. 
Neste dia decorre ainda a oficina de Dusa Dolls “Bonecas Africanas - Ancestralidade, Arte e Comunidade”, uma atividade inspirada na partilha de saberes de identidade e ancestralidade africana através da criação artesanal de bonecas.
O evento encerra com um dj set de PatiSol, produtora cultural e cofundadora dos projetos Malagheto, Baile Doce e Revoada. Reconhecida pelo cruzamento de ritmos da diáspora africana, sonoridades brasileiras e influências latinas, propõe uma celebração musical que reflete a diversidade cultural presente na feira todos os sábados.
Esta iniciativa pretende afirmar a Feira Semanal de Monte Abraão como um espaço agregador da diversidade do território, promovendo a partilha de experiências e saberes entre os seus intervenientes, ao mesmo tempo que convida à reflexão sobre as desigualdades e barreiras institucionais que continuam a marcar quem pode (ou não) participar plenamente nestes espaços de sociabilidade e sustento.
Entre bancas e fronteiras marca o encerramento de um ciclo de três eventos integrado no projeto Germinar: Vamos à horta? (11 abril) e Educação - Intervenção - Intergeracionalidade (6 Junho).

Programa

15:00
Inauguração da exposição de fotografia e artes visuais
Obras de Sarita Furtado e Uncle C.

16:00
Conversa “Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária”

17:00
Oficina “Bonecas Africanas – Ancestralidade, Arte e Comunidade”
Dusa Dolls

18:00
DJ Set PatiSol

Sobre a Claraboia

A Claraboia é uma associação cultural juvenil que desenvolve projetos de criação e mediação artística com forte ligação ao território da Linha de Sintra. Através de metodologias participativas e processos de co-criação, a associação tem vindo a afirmar-se pelo desenvolvimento de práticas culturais enraizadas nas comunidades locais, promovendo o encontro entre artistas, residentes e diferentes públicos.

O trabalho d’A Claraboia cruza dimensões artísticas, sociais e educativas, apostando na inclusão, na experimentação e na valorização de contextos frequentemente periféricos no panorama cultural. Com o projeto Germinar, a Claraboia consolida uma abordagem sustentada e continuada, focada na participação ativa, na construção coletiva e no impacto social da cultura.

18.06.2026 | por martalanca | conversa, exposição, Monte Abrãao

Arquivo Vivo – artistas em diálogo com o arquivo pessoal de Mário Pinto de Andrade

Ensaísta, sociólogo, crítico literário, poeta, tradutor e filólogo, Mário Pinto de Andrade foi um intelectual angolano que desempenhou um papel fundamental na divulgação da cultura africana no século XX. Profundamente cosmopolita, o seu percurso foi marcado por trânsitos entre culturas, espaços e geografias diversas, assim como por diversas línguas. Ao mesmo tempo, a sua trajetória intelectual é indissociável do seu empenho político. Promotor de várias organizações anticoloniais de caráter transnacional e um dos fundadores do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual foi também o primeiro presidente, colocou a sua vida ao serviço da luta contra o colonialismo e o neocolonialismo em África.

A excepcionalidade do seu percurso político, intelectual e humano reflete-se na riqueza do seu arquivo pessoal, um fundo que reúne uma quantidade e uma variedade notável de materiais: correspondência, fotografias, esboços de ensaios, documentos relativos às atividades dos movimentos de libertação, recortes de imprensa, bem como cadernos repletos de anotações de natureza variada.

Esta exposição nasce do projeto de investigação de Elisa Scaraggi, dedicado à valorização e revitalização deste acervo. Para além da investigação académica e da produção de conhecimento histórico, o projeto procurou explorar o arquivo como um espaço de memória, criação e imaginação, aberto a novas leituras e interpretações.

Neste contexto, três artistas foram convidados a desenvolver trabalhos inéditos a partir do contacto com documentos do arquivo de Mário Pinto de Andrade. O desafio para cada um consistiu em estabelecer um diálogo pessoal com esses materiais, fazendo com que deixassem de ser apenas testemunhos do passado para se tornarem matéria de criação artística no presente.

O resultado é Arquivo Vivo, uma exposição que reúne formatos e linguagens distintas através das obras de Lino Damião, Raquel Lima e João Ana. As suas propostas revelam novas formas de reimaginar e reapropriar o passado e convidam o público a pensar o arquivo como um espaço vivo e em transformação.

A exposição está patente na Casa do Comum, um espaço que se quer ponto de encontro da cidade com a cultura, atento às grandes questões do mundo e sensível às preocupações de artistas — um lugar de reflexão, partilha e ação, frequentado por uma audiência transversal em termos de geração, nacionalidade, profissão e proveniência social.

Programação

17 de junho, 18h — Inauguração na Casa do Comum

Às 19h, projeção da curta-metragem Monangambééé (1969), de Sarah Maldoror.

21 de junho — Performance Alvorada de Olhares Íntimos, de Raquel Lima

Construída a partir do cruzamento de correspondência selecionada de Mário Pinto de Andrade e da própria vivência da artista.

3 de julho, 18h — Conversa: arquivos pessoais, história e prática artística

Encontro com investigadoras, arquivistas e artistas que trabalham com arquivos relacionados com o passado colonial português e com as lutas de libertação das antigas colónias africanas. (Mais informações em breve.)

5 de julho — Lançamento do livro Os Papéis do Leste

Organizado por Elisa Scaraggi e Nelson Pestana, o livro reúne documentos produzidos por Mário Pinto de Andrade durante ou em consequência da sua experiência junto dos guerrilheiros da Frente Leste (1971–72). Publicado pela Tigre de Papel, na coleção Buala.

16.06.2026 | por martalanca | Mário Pinto de Andrade

MORADA ABERTA – Onde o Gesto Cura de Tânia Dinis

19 + 20.06.2026 21H30, Rampa
Entrada gratuita sujeita à lotação do espaço

Morada Aberta – Onde o Gesto Cura desenvolve-se em diferentes linguagens e espaços, cruzando projeções de vídeo digital e analógico com técnicas de cinema expandido e composição de imagens em tempo real. A obra organiza-se em três momentos interligados, atravessando diferentes tempos, atmosferas e modos de presença.
O projeto parte de histórias e memórias — pessoais e coletivas — e da observação sensível do quotidiano, assumindo um olhar imagético e poético sobre os territórios, os corpos e os gestos. A pesquisa nasce das memórias da artista e das histórias do lugar onde cresceu, expandindo-se aos territórios do Norte de Portugal, do Alto e Baixo Minho, da Galiza e do litoral atlântico.
Acompanhando o dia a dia de mulheres trabalhadoras, guardiãs de saberes ancestrais ligados à terra, ao mar, aos ciclos naturais e às formas de cuidado transmitidas entre gerações, a obra aproxima-se de gestos invisíveis que sustentam comunidades e mantêm vivas formas de conhecimento não oficializadas.
Entre o documentário e o ficcional, o trabalho interroga a doença e a cura no imaginário popular, entendendo a cura não apenas como rito ou palavra, mas também como gesto, trabalho, classe, cultivo e relação íntima com a natureza e com o outro. Observa práticas e movimentos que atravessam gerações, preservando a energia do sagrado, da resistência, da ausência, do mistério, e propondo um espaço de escuta, memória e partilha.
Depois da recolha e apresentação em Braga, este novo formato distribui-se por três eixos de apresentação - Porto, Corunha, Vila do Conde.

 foto de amorafoto e s8cinemafoto de amorafoto e s8cinema

Tânia Dinis  (Vila Nova de Famalicão, 1983) é realizadora e artista de artes performativas, desenvolvendo um percurso interdisciplinar entre cinema experimental, documental e práticas artísticas contemporâneas. A sua investigação centra-se na utilização de imagens de arquivo, memória familiar e metodologias performativas para a construção de narrativas alternativas, com especial atenção às histórias de mulheres e a contextos de trabalho historicamente invisibilizados.
Doutoranda em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, concluiu o Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (2015) na mesma instituição. É licenciada em Estudos Teatrais pela ESMAE e realizou formação na Escuela Internacional de Cine y TV (Cuba), especializada em criação cinematográfica a partir da memória familiar.
A sua obra tem sido apresentada e distinguida em festivais nacionais e internacionais. Destaca-se o filme Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas, premiado no IndieLisboa e no MDOC em 2024, bem como em festivais internacionais em 2025. Trabalhos anteriores, como Laura e Não são favas, são feijocas, confirmam a consistência do seu percurso autoral.
Paralelamente, desenvolve projetos de investigação-criação como Operariada, Corpografia, Álbuns de Guerra, Linha de Tempo e Morada Aberta, frequentemente em colaboração com instituições culturais e artísticas. O seu trabalho explora práticas colaborativas, ativação de arquivos e construção de memória coletiva em contextos comunitários.
É docente nas áreas do cinema e do teatro, tendo lecionado na Universidade do Minho e na ESAP. Integra regularmente júris de festivais de cinema e o seu trabalho faz parte da Coleção de Arte Contemporânea do Município do Porto. 

 
Direção artística, pesquisa, edição, imagem e intérprete: Tânia Dinis
Produção: Patrícia Gonçalves 
Apoio à produção (Galiza) - A p a l l e i r A
Assistência imagem: Tales Frey 
Espaço Cénico: Tânia Dinis, Tales Frey 
Espaço sonoro: Marina Leite Soares 
Telas projecção: Sofia Pereira
Figurino: Svenja Tiger 
Infusão de flor de sabugueiro: José Luís Araújo
Construção e desenho escultura looper 16mm: Filipe Ferreira
Construção e desenho escultura looper super 8mm: Joaquim Dinis e Tânia Dinis
Vídeo mapping - Inês Costa 
Operação imagem analógica - Tânia Dinis 
Acompanhamento científico: Prof.ª Rosa Pinho
Coreografia: Ángela Diaz Quintela 
Comunicação: Bruno Moreira 
Design Gráfico: Dayana Lucas 
Registo imagem em movimento - Rodrigo de Carvalho
Fotografia de Cena - José Caldeira
Com: Lola Diaz, Amélia Dinis, Olívia Pereira, Isabel Carneiro, Luísa Gomez, Emília Pinto, Ermelinda Dinis, Lurdes Carneiro.
Gestão de projecto e produção: Associação Cultural - Tenda de Saias
Residências Artísticas:  2023 - Programa de Residências Artísticas CRL – Central Elétrica - 1ª mostra de Processo; 2026 - CRL - Central Eléctrica; A p a l l e i r A
Acolhimento: RAMPA 
Co-Produção: Braga25 - Desejar
Apoio:  Criatório da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M., S.A, Fundação GDA, Curtas de Vila do Conde, TEP -Teatro Experimental do Porto, Casa do Xisto - Residência de Cinema e Artes Visuais
Agradecimentos: Armindo Carvalho Alves, Bando à Parte, Elvira Lobo, ESAP, José Marques Moreira, Rui Brito, Teatro da Didascália, Juliana Julieta, TUP

15.06.2026 | por martalanca | performance, Rampa

Uma carta em um minuto: Festival do Minuto lança concurso de vídeo-carta

Tem coisa que não cabe no papel: o concurso temático “Vídeo-carta” propõe transformar

cartas em vídeos de até 60 segundos. As inscrições vão até 31 de julho de 2026, e os

melhores trabalhos concorrem ao Troféu Minuto.

Clique aqui para assistir à vinheta do concurso.

Sugerido pelo educador Lucas Lespier, da Universidade Anhembi Morumbi, o concurso

temático “Vídeo-carta” convida à criação de vídeos de até 1 minuto que explorem o que

pode ser dito quando imagem e som assumem o lugar da escrita.

Inscrições até 31 de julho

“Vídeo-carta” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo

Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho. Além dos

concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias

permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As

inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo sitewww.festivaldominuto.com.br.

35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima

duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento

das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No

Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as

periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a

iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e

independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como

espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força

expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas

semelhantes em mais de 50 países.

SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO

ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026

CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580

13.06.2026 | por martalanca | carta video

PAINEL RACISMO E IMIGRAÇÃO

Uma conversa essencial sobre as formas estruturais do racismo na sociedade portuguesa.
O racismo será abordado não como um fenómeno individual, mas como um mecanismo de controlo social que define quem pode ocupar quais espaços, quais trabalhos e quais direitos.
As convidadas partilharão as suas experiências diretas nos territórios onde atuam: escolas, ruas, campos agrícolas, centros de detenção e mediação comunitária.
Moderador:
Yuri Ataídes (Renovar a Mouraria)
Participantes:
Luana Gomes: Geógrafa, educadora e mediadora linguística e cultural num Agrupamento de Escolas em Portugal, onde vive há mais de seis anos.
Mariana Carneiro: Socióloga, dirigente do SOS Racismo. Acompanha imigrantes em situação de sem-abrigo, nomeadamente timorenses das tendas do Terreiro do Paço e grupo da Igreja dos Anjos. Atua em campos agrícolas, portos do Sul e centros de detenção do Porto.
Farhana Akter: Natural do Bangladesh, em Portugal desde 2020. Mediadora intercultural na Renovar a Mouraria e cofundadora da Cooperativa Bandim, que capacita mulheres migrantes.
19h00 - Suricata da Mouraria
Esta noite recebemos o Suricata da Mouraria, num set especial para dançar e viajar. Do Brasil ao Japão, pela Colômbia ao Irão, dançamos num tapete voador tecido em samba, semba, salsa e funaná, discotecas de Beirut e tambores de Guadalupe. Num encontro sem fronteiras, temos uma noite de puro contrabando.
>>> Banca Benefit | Livraria das Insurgentes
A Livraria das Insurgentes dedica-se à divulgação de obras escritas por mulheres, pessoas trans e não-binárias, com o objetivo de apoiar e amplificar especialmente as vozes frequentemente marginalizadas no mercado editorial e estigmatizadas na sociedade. Têm como objetivo criar um espaço seguro onde se possa abordar temas a partir de uma perspetiva feminista, queer e antirracista, com foco na comunidade e na acessibilidade.

11.06.2026 | por martalanca | imigração, racismo

Carta aberta em defesa do Ensino Português no Estrangeiro

Numa altura em que está em debate uma reestruturação do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), anunciada há vários meses pelo Governo, continuam os protestos. Neste dia 10 de junho, em que se festeja o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o LusoJornal publica mais uma Carta Aberta, da Rede do EPE, que integra Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores.

“Os profissionais da rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores – vêm manifestar publicamente a sua profunda preocupação perante a proposta de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE).

O EPE constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa. Numa língua pluricêntrica e global como o português, o ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país.

Ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais. Foram eles que consolidaram projetos educativos, criaram e fortaleceram parcerias com escolas e universidades, estabeleceram redes de cooperação internacional e garantiram a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos.

É precisamente por reconhecer a importância estratégica desta missão que encaramos com enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico do EPE.

Longe de reforçar a estabilidade, a atratividade e a valorização da rede, esta proposta de alteração ao regime jurídico e enquadramento remuneratório aprofunda a precariedade existente. Mantém os profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro.

Na prática, a proposta determina o fim da continuidade profissional de todos os atuais Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores, independentemente da experiência acumulada, da avaliação do seu desempenho, das necessidades das instituições onde exercem funções ou do interesse estratégico dos projetos que desenvolvem. Para muitos profissionais, após anos ou décadas de serviço, o horizonte deixa de ser a continuidade do trabalho realizado e passa a ser o desemprego ou a sujeição a novos processos concursais para funções que já desempenham com mérito reconhecido.

Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE. A proposta ignora o conhecimento especializado adquirido ao longo de anos, compromete a continuidade pedagógica e institucional dos projetos em curso e fragiliza relações de confiança construídas com comunidades portuguesas, escolas, universidades e entidades parceiras em todo o mundo.

Paralelamente, a possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação profissional levanta sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica do Ensino Português no Estrangeiro.

Mantêm-se igualmente por resolver problemas estruturais relacionados com a valorização profissional dos recursos humanos da rede: remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação, inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação. Muitos profissionais acumulam funções docentes, científicas, culturais, administrativas e de representação institucional sem o correspondente reconhecimento material. Esta acumulação de funções implica ainda um aumento significativo da carga horária semanal, também este não compensado. Importa ainda assinalar a inexistência de redução da componente letiva em função da idade para os profissionais do EPE, ao contrário do que sucede em Portugal, gerando mais uma situação de inequívoca desigualdade.

De referir que esta proposta afeta não só os profissionais da rede EPE, mas também as suas famílias. Ao longo dos anos, muitos docentes, leitores, adjuntos e coordenadores construíram os seus projetos de vida no estrangeiro com base na expectativa de continuidade das suas funções, integrando os seus agregados familiares nas comunidades de acolhimento e tomando decisões pessoais e profissionais para permanecerem unidos. A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português.

Prometeu-se uma reforma orientada para a estabilidade, a valorização e a atratividade. No entanto, o que emerge desta proposta é uma rede mais precária, mais instável e menos capaz de atrair e reter profissionais qualificados.

Apelamos ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Camões I.P. e a todas as forças políticas para que promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade do Ensino Português no Estrangeiro.

Defender a rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) é defender a língua portuguesa, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e a presença internacional de Portugal. Não é possível fortalecer a projeção internacional da língua portuguesa enfraquecendo aqueles que diariamente a representam além-fronteiras.

A REDE EPE – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores

ASSINE A Petição AQUI 

10.06.2026 | por martalanca | vários

Seminário Internacional Arte, Arquitetura e (in)Visibilidades Africanas em Portugal

15 de junho de 2026 Auditório B3, Torre B (Av. Berna), NOVA FCSH (Lisboa)

O projeto MAKING PORTUGAL | Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afro-descendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836) (https://doi.org/10.54499/2023.12349.PEX) desafia o passado. Desafia uma ideia, uma narrativa sobre o passado. Interroga a história moderna da arte e da arquitetura, que negou, à partida, às pessoas e comunidades africanas e afrodescendentes a possibilidade de terem participado ativamente na construção do património nacional português dos séculos XVI-XVIII, enquanto patronos, patrocinadores, fundadores e criadores.

MAKING PORTUGAL ilumina silêncios, revela exclusões e restitui nomes, ações e impactos a protagonistas esquecidos/as pela narrativa canónica do conhecimento histórico. O olhar desloca-se das obras para as pessoas que, por detrás delas, as materializaram e financiaram, mas cujos rostos e ações foram ignorados e relegados para a sombra. Ao colocar novas perguntas, MAKING PORTUGAL trilhou caminhos poucos explorados ou totalmente invisibilizados: Quem foi Vitória de Jesus, mulher negra escravizada, fundadora de uma igreja e de um recolhimento? Quem foi José, homem negro escravizado, que ergueu uma pequena capela? Qual foi o impacto da construção da Capela do Espírito Santo em Lisboa? Quem mandou entalhar a estátua de São Benedito? Quem encomendou a pintura de Nossa Senhora do Rosário? Quem inventou novas músicas e encenações?

Este seminário final do projeto exploratório MAKING PORTUGAL pretende partilhar e debater os dados produzidos pela investigação, com vista a ampliar e aprofundar a pesquisa futura, sempre em diálogo com a sociedade civil. Pretende, igualmente, apresentar as experiências de educação participativa e de ciência cidadã desenvolvidas em colaboração com a Escola Secundária de Amora (Seixal), como possíveis inspirações para outros contextos e colaborações.

09.06.2026 | por martalanca | arquitectura

Frida Orupabo: Cloud of Confusion, curadoria de Marta Mestre

03.06 — 01.11.26 Piso -1 MAC/CCB


Na sua primeira exposição individual em Portugal, Frida Orupabo revisita o vasto arquivo de imagens que reuniu na sua conta de Instagram, composto por tensões entre intimidade e violência, imagens de uso privado e mass media, para instaurar um espaço crítico. Cloud of Confusion parte de um gesto que todos reconhecemos — o scroll de um feed de Instagram — e, em diálogo com a arquitetura do MAC/CCB, desenha um percurso linear de oito momentos, à semelhança do deslizamento contínuo entre ecrãs que caracteriza a experiência digital. O título evoca não só a nuvem digital onde armazenamos imagens e dados mas também a névoa de informação, memória e esquecimento que aquela implica, à semelhança do fluxo digital que enfatiza o «abismo» das imagens — a sua estranheza e a sua reverberação dispersa. 

Transpondo a lógica digital para o espaço do museu, a exposição assume-se como uma sequência descontínua de imagens, pontuada por obras tridimensionais, onde o scroll habitual se transforma em deslocação física. A montagem e a edição, que Frida Orupabo entende como gestos relacionais, só se revelam plenamente a um espectador presente, com corpo e tempo.

A PALAVRA À CURADORA:

Frida Orupabo nasceu em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, e vive e trabalha atualmente em Oslo. O seu trabalho desenvolve-se no campo digital, alimentando-se de imagens encontradas na internet, que reconfigura através da descontextualização e da colagem. 

Entre 2013 e 2016, Frida Orupabo manteve a conta de Instagram @nemiepeba, um fluxo de imagens e pequenos vídeos em loop que Arthur Jafa descreveu como «implacável» e «incandescente». O artista norte-americano referia-se ao olhar de escafandrista de Frida Orupabo, que, tanto na superfície saturada como nas suas camadas mais profundas, esquadrinha e recolhe relações intensas entre imagens. 

O trabalho da artista propõe uma lógica de montagem e colagem que não apenas se desenvolve de forma narrativa como também aprofunda e faz exceder a sua matéria-prima, tal como um poema. As imagens, na sua interrelação, cruzam arquivos coloniais, cinema, televisão, sistemas algorítmicos, violência, maternidade ou estéticas musicais. Na obra de Orupabo, a recombinação e o deslocamento abrem novas leituras sobre o imaginário visual negro, restituindo, em particular, uma forma de soberania aos corpos — e às vidas — que essas imagens historicamente capturaram. Como refere a artista, trata-se de criar trabalhos que «olham de volta» e questionam um olhar branco e a sua perceção do corpo negro.

Esta exposição coloca a hipótese de transpor o feed de Instagram para o espaço do museu, explorando a sua experiência ao longo das salas, cuja configuração linear parece já conter, em si, essa possibilidade. Nesta passagem, a montagem e a edição, às quais a artista atribui uma qualidade relacional, tornam-se legíveis apenas na vivência de um espectador implicado e corporalmente situado no espaço e no tempo. A lógica do gesto contínuo do scroll organiza-se numa sequência descontínua, pontuada por obras tridimensionais da artista. 

O título Cloud of Confusion («nuvem de confusão») é retirado de uma das muitas imagens do Instagram da artista, na qual boiam palavras como que numa sopa de letras. Que leitura do mundo, então, se torna possível quando a construção da memória cede a uma lógica digital de «armazenamento» — ou quando dissolvemos a experiência humana na confusão da cloud?

Marta Mestre Curadora da exposição

SOBRE A ARTISTA:

Frida Orupabo, nascida em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, vive e trabalha em Oslo. Estudou Estudos do Desenvolvimento e Sociologia na Universidade de Oslo (2005–2011). Entre as suas exposições individuais destacam-se as que realizou no Fotomuseum Winterthur, Winterthur (2022); Museu Afro Brasil, São Paulo (2021); Kunsthall Trondheim, Trondheim (2021); Huis Marseille, Amesterdão (2020); Portikus, Frankfurt am Main; e Kunstnernes Hus, Oslo (ambas em 2019). Orupabo participou na 34.ª Bienal de São Paulo (2021), bem como na 58.ª Bienal de Veneza (2018). Em 2025, foi distinguida com o prémio SPECTRUM — Internationaler Preis für Fotografie.

Com formação em sociologia, Orupabo começou a recolher imagens da internet enquanto trabalhava num centro de apoio a vítimas de tráfico humano e profissionais do sexo. Este arquivo encontrou expressão pública, em primeiro lugar, no Instagram e, posteriormente, na colagem física. A manipulação destas imagens inscreve-se numa tradição de fotomontagem em que a artista corta, reorganiza, inverte e sequencializa em loop imagens fixas e em movimento. Tão poderosas quanto perturbadoras, estas intervenções dão origem a releituras imaginativas e incisivas de motivos visuais que procuram desafiar noções coloniais ainda enraizadas nas estruturas sociais, económicas e políticas, permitindo uma reflexão sensível sobre temas como raça, género, sexualidade e laços familiares.

PROGRAMAS PÚBLICOS:
02.06.26

18h30 Conversa com a curadora Marta Mestre no Auditório MAC/CCB
19h00 Inauguração no piso -1
20h00 DJ Arrlomp no Foyer do Grand Hall
Arrlomp nasceu em Cabo Verde e, como um relâmpago, percorre o mundo partilhando a sua música, criando ligações geográficas entre ritmos e grooves que se acompanham e misturam, sempre com muito amor e a delicadeza de uma descarga de energia positiva.
03.06.26 > 01.11.26
Sala de Leitura e Escuta
Esta sala, localizada ao fundo da exposição, acolhe ativações periódicas e oferece um espaço onde o público pode consultar bibliografia e projetos editoriais relacionados com o universo referencial de Frida Orupabo. 
Conceção e dinamização: colectivoFACA (Andreia Coutinho e Maribel Mendes Sobreira) e Ícaro Lira
21.06.26 | 27.09.26 11h00
Visita guiada à exposição
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu@ccb.pt
18.07.26 14h00
Oficina
Cartonera de Livros Artesanais
Oficina de produção artesanal de livros, orientada por EVA Cartonera, com recurso a materiais reciclados cujo conteúdo se relaciona com a obra de Frida Orupabo.
Duração: 4 horas. Máximo: 10 adultos. Participação gratuita mediante inscrição prévia.
19.09.26 15h00
Visita guiada à exposição com a curadora Marta Mestre
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu @ccb.pt
19.09.26 18h00
Conversa: MANAS no CCB
Práticas artísticas, inclusão e produção de contra-arquivos. Conversa pública dedicada às relações entre práticas artísticas, inclusão, participação e produção de contra-arquivos no interior das instituições culturais.
Coletivo MANAS — Grupo de Apoio Mútuo
Duração: 1 hora e 30 minutos
Participação gratuita mediante inscrição prévia.

MAIS INFORMAÇÕES: Manuela Costa manuela.costa@ccb.pt + 351 925 313 416

02.06.2026 | por martalanca | Frida Orupabo, marta mestre

Novela gráfica «Caderno de Memórias Coloniais», de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata

Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, «Caderno de Memórias Coloniais» regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique.

Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização.

Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, Caderno de Memórias Coloniais, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro, e A Gorda, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Os seus livros estão publicados em França, Itália, Alemanha, Espanha e Brasil e alcançaram grande êxito junto do público e da crítica, especialmente em Portugal e no Brasil, sendo constantemente reimpressas. Em 2022 publicou Um Cão no meio do Caminho, o seu mais recente romance que é também um sucesso de vendas.

JÚLIA BARATA nasceu em Portugal, cresceu em Moçambique até 1988 e vive atualmente em Buenos Aires. É arquiteta e autora de banda desenhada. Publicou novelas gráficas em Portugal, Argentina e Espanha.

Apresentação na Feira do Livro de Lisboa l Praça LeYa l 31 de março l 19h00

29.05.2026 | por martalanca | novela gráfica