Regina Guimarães: uma poética do devir

Regina Guimarães: uma poética do devir A descoberta não aconteceu de facto, pelo menos no sentido de um reconhecimento capaz de activar os mecanismos da crítica, esse discurso de mediação entre os autores e os leitores, discurso de apresentação e de revelação (mesmo quando veicula juízos negativos), e discurso último da legitimação e do reconhecimento. Talvez a popularidade que a banda rapidamente alcançou tenha afinal contribuído para a diluição da imagem da poetisa na imagem da letrista, com todos os preconceitos que esta imagem ainda carrega: a ideia de ligeireza, de facilidade, etc. Assim, a poesia de Regina continua a ser até ao presente uma poesia de minorias. Jogo, com alguma ironia, com as palavras de um título que fui buscar a um jornal de há alguns anos, numa pesquisa frustrada sobre a obra poética da autora

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13.07.2021 | por Maria de Lurdes Sampaio

Novo Arquivo para a História das Lutas de Libertação em África

Novo Arquivo para a História das Lutas de Libertação em África A partir do dia 14 de Julho está aberto ao público o portal da Associação Tchiweka de Documentação (ATD) colocando online uma grande parte do arquivo que, desde 2006, o seu Centro de Documentação tem vindo a gerir, organizar e ampliar.

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13.07.2021 | por Associação Tchiweka de Documentação

A história da minha negritude

A história da minha negritude Poder declarar-me mulher negra, é fazer visível o laço invisível da minha ancestralidade, identidade legítima e que me aceita, esfera onde eu deixo de ser bastarda. Nela eu sou filha, sou humana, tenho voz e tenho o amor e a aceitação daqueles que se reconhecem em mim, por vezes nos meus cabelos crespos, por outras vezes na cor da minha pele, mas sempre nas nossas histórias de resistência e conquistas.

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12.07.2021 | por Aline Djokic

Justiça racial e colonialismo em Portugal: da negação à reparação

Justiça racial e colonialismo em Portugal: da negação à reparação Nos anos 30, com o slogan “Portugal não é um país pequeno”, o Estado Novo procurou cultivar um orgulho nacional derivado da dimensão do império colonial português. Contudo, nos anos 50, numa altura em que os impérios coloniais se encontravam em colapso pelo mundo inteiro, o regime viu-se obrigado a justificar a sua presença colonial em África. Nesse sentido, amplificou a narrativa do lusotropicalismo – um imaginário de Portugal como uma nação multirracial e pluricontinental, com uma capacidade inata para um tipo de colonização amigável e não-violenta, e uma atitude liberal relativamente a relações sexuais e casamentos interraciais. Silenciando a realidade do racismo e do colonialismo, a propaganda solidificou-se em livros de história, estátuas e monumentos, cimentando uma narrativa histórica profundamente alienada.

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12.07.2021 | por Rui Braga

Mães do 27

Mães do 27 Uma visão mais alargada dos contornos dos acontecimentos do 27 de Maio, prestando especial atenção aos sentimentos dos que ficaram, em particular as mães. Com isso, não pretendemos de todo ignorar os restantes familiares, mas sim começar por onde a humanidade tem o seu início: no ventre materno. As consequências destes acontecimentos foram de tal maneira nocivas, que pretendemos dar início a um longo processo de cura, humanizar a tragédia para mitigar a dor e buscar a paz interior.

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11.07.2021 | por vários

"Estamos Aqui | Twina Vava | Nous Voici"

"Estamos Aqui | Twina Vava | Nous Voici" O livro "Estamos Aqui | Twina Vava | Nous Voici" é uma viagem pela cosmogonia kongo e o mote para o regresso da escritora Branca Clara das Neves ao "Mar de Letras".

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08.07.2021 | por Branca Clara das Neves

Pã̃o Seco - pré-publicação

Pã̃o Seco - pré-publicação Quando a fome grassa no Rife, uma família parte para Tânger em busca de uma vida melhor. Nas noites passadas ao relento, nos becos da cidade, o pequeno Muhammad, orgulhoso e insolente, descobre a injustiça e a compaixão, a tirania da autoridade, a loucura labiríntica da miséria, o consolo das drogas, do sexo e do álcool. E é na prisão que um companheiro lhe desvenda as maravilhas da leitura, mudando para sempre a sua vida. Estreia do autor em Portugal, em tradução directa do árabe, 'Pão Seco' foi publicado originalmente em 1973, na tradução inglesa de Paul Bowles (For Bread Alone), quando os editores de língua árabe não estavam ainda preparados para o caos narrativo, a linguagem crua e a indisciplina gramatical que desafiavam a tradição e o «bom gosto». «Verdadeiro documento do desespero humano» (Tennessee Williams), obra de culto proibida até recentemente nos países árabes por tocar em tabus da sociedade magrebina, este avassalador romance autobiográfico consagrou o autor e continua a iluminar o caminho de várias gerações de renegados marroquinos. O BUALA pré-publica o primeiro capítulo de 'Pão Seco', publicado pela Antígona, em tradução direta do árabe pela mão de Hugo Maia.

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07.07.2021 | por Muhammad Chukri

Memoirs na Brotéria

Memoirs na Brotéria Entre os dias 5 e 10 de Julho, o projeto Memoirs promove – em parceria com a Brotéria – um curso que quer criar ferramentas para que quem participa nele possa analisar e pensar criticamente a questão pós-colonial em Portugal, na Europa e no mundo. Para isso, partir-se-á de um conjunto de tópicos que tem vindo a preencher e questionar a atualidade do século XXI e as suas relações com o social, o político, o tempo e o espaço.

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06.07.2021 | por Francisco Martins SJ

Areia e aprumo, Timbuktu

Areia e aprumo, Timbuktu Timbuktu nunca escolhe a via da esquematização ou do maniqueísmo e tratando da violência armada, da humilhação de um povo ocupado pela brutalidade de uma milícia, observa sobretudo as questões transculturais das paixões, da justiça e da morte; a linhagem de sangue, o direito à terra, a propriedade, os limites da lei e a dignidade cultural; numa meditação sobre o espaço de vida que resta entre o discernimento e a selvajaria. Assim, o imã explica aos jihadistas que, na mesquita, devemos descalçar-nos e usar a cabeça; Samita lembra a Kidane que usava uma arma antes de ter uma filha; Kidane, encarcerado, quer compreender as razões do amigo de infância entretanto radicalizado, a quem reconhece pelo olhar.

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05.07.2021 | por João Sousa Cardoso

Vida: os cinco elementos (V e último)

Vida: os cinco elementos (V e último) A vida organiza-se em rede. Os produtores primários produzem o seu próprio corpo que serve de alimento aos herbívoros que, por sua vez, são o alimento para os carnívoros. Os decompositores alimentam-se da morte de todos os anteriores. As relações entre produtores, consumidores (herbívoros e carnívoros) e decompositores regulam os ciclos em que a matéria é reciclada. Transferem entre si a energia do Sol, que só pode ser capturada pelos produtores primários. Em cada transferência de energia, a maior parte é perdida.

Corpo

05.07.2021 | por Yayo Herrero

"Só quero saber do que pode dar certo"

"Só quero saber do que pode dar certo" Sozinha, bebendo uma bica, penso nas estradas que me levaram ao sol, antes de estar tudo tão ocupado com a carreira, os filhos, e os editais. Sempre derivei para o sol, sem conseguir bem explicar. Estou tão cansada. Porque não me organizei a tempo de usufruir de um certo status? No entanto, vejo que está toda a gente farta dos maus vinhos, de comer o doce depois do salgado, e de esperar eternamente pelos arroubos de Verão. Quando foi que a magia se perdeu?

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03.07.2021 | por Rita Brás

Lisboa Criola

Lisboa Criola Promover a diversidade, a representatividade e a igualdade são pilares desta missão conjunta, através da qual nos dedicamos a ser agentes ativos no fortalecimento e na criação de pontes por via da aproximação e da partilha de experiências, valorizando o respeito pelo “outro”, tendo como veículo a educação e a aprendizagem intercultural. É este o mote da Lisboa Criola, que nos une na diferença, abraçando o desafio de, através das artes e da cultura, aproximarmos e promovermos o diálogo entre pessoas de comunidades, culturas e origens diversas.

Cidade

29.06.2021 | por vários

Contos de Mar: resistências cruzadas

Contos de Mar: resistências cruzadas A América Latina banhada por oceanos com rotas cruzadas. Duas histórias de barcos que atravessam o Atlântico em sentido oposto. Viagens de luta mediatizadas e outras que se afundam num silêncio profundo. Navegantes aparentemente desconectados e sem relação, mas profundamente ancorados na resistência humana que os une em águas latino-americanas.

Jogos Sem Fronteiras

26.06.2021 | por Pedro Cardoso

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os ilegais

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os ilegais O fim do caminho. Cada vez mais angolanos chegam à fronteira do sul do México, vindos do Equador. Encontram um muro militar que não os deixa continuar. Alguns fintam as autoridades e conseguem chegar aos EUA e Canadá, onde se organizam para começar uma nova vida. Despedimo-nos de Ana e João. Reencontramo-nos com Luzia por quem a conheceu.

Jogos Sem Fronteiras

25.06.2021 | por Pedro Cardoso

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os passageiros

Angolanos ilegais a caminho dos Estados Unidos: os passageiros O caminho penoso e interminável da selva ficou para trás. Com poucas paragens, os angolanos Ana e João avançam pela Costa Rica, Nicarágua, Honduras e Guatemala. Nas esquinas das fronteiras, os esquemas de corrupção abundam. Passo a passo, juntam-se aos milhares de centro-americanos que também tentam chegar aos Estados Unidos.

Jogos Sem Fronteiras

25.06.2021 | por Pedro Cardoso

Como descolonizar as nossas cidades?

Como descolonizar as nossas cidades? ReMapping Memories Lisboa – Hamburg: Lugares de Memória (Pós)Coloniais propõe pensar a relação da cidade com a colonialidade: o modo como o colonialismo e a resistência anticolonial são transmitidos na memória coletiva, nos vestígios materiais e no espaço público das cidades portuárias de Hamburgo e Lisboa. Partindo destes dois antigos centros do colonialismo europeu, procura-se evidenciar como as relações de poder de matriz colonial perduram até hoje, e encontrar modos de inscrever outras histórias nos debates sobre as disputas de memória e estratégias de descolonialização das cidades europeias.

Cidade

24.06.2021 | por vários

Conversas sobre racismo e pós-colonialismo - "Pele escura - da periferia para o centro", de Graça Castanheira

Conversas sobre racismo e pós-colonialismo - "Pele escura - da periferia para o centro", de Graça Castanheira Pele escura - da periferia para o centro", de Graça Castanheira, parte de uma ideia original de Kalaf Epalanga. Representa a viagem da periferia ao centro de seis amigos afrodescendentes, inscrevendo-se na paisagem branca e nas suas marcas exteriores de prosperidade.

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24.06.2021 | por vários

“Não podemos por o gênio de volta na lâmpada”: uma conversa com Chiké Frankie Edozien

“Não podemos por o gênio de volta na lâmpada”: uma conversa com Chiké Frankie Edozien Então eu comecei a pensar que se essas pessoas não conseguiam encontrar ninguém para conversar, e se este seria o registo das nossas vidas naquele momento histórico, eu precisaria fazer um mergulho profundo nessas vidas, nessas histórias. À medida que o projeto foi avançando, ficou claro para mim que a melhor coisa que eu podia fazer era escrever um livro.

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23.06.2021 | por Caio Simões de Araújo

"Ciclo Perpétuo": Memórias (re)aparecidas e práticas decoloniais no Tarrafal, Cabo Verde

"Ciclo Perpétuo": Memórias (re)aparecidas e práticas decoloniais no Tarrafal, Cabo Verde Hoje o Tarrafal é um museu e monumento nacional e, desde 2004, integra a lista indicativa de Património Mundial da UNESCO. Portugal, para além de ter ajudado com a criação e desenvolvimento deste museu, anunciou em 2019 que iria apoiar Cabo Verde com a sua candidatura do Tarrafal à UNESCO. Recentemente, foram levadas a cabo obras de restauro do espaço, por uma empresa portuguesa, e no próximo 5 de Julho, os governos de Cabo Verde e Portugal vão assinar um memorando de entendimento para a candidatura deste espaço à UNESCO.

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21.06.2021 | por Sofia Lovegrove

Esculpir a paisagem com o tempo (e os gestos) em "O movimento das coisas"

Esculpir a paisagem com o tempo (e os gestos) em "O movimento das coisas" Este é um filme de restituição. Um dos legados de António Ferro e da sua “política do espírito” foi a estetização e aportuguesamento do mundo rural – dos gestos, dos modos de vestir e de habitar e mesmo da paisagem, com uma tentativa de definição estrita da “casa portuguesa”. O modelo, nacionalista, eliminou a crónica da pobreza, abstraiu-se dos caminhos de mau piso, alagados; escondeu o estrume e as lenhas, escamoteou que pessoas e animais partilhavam espaços.

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16.06.2021 | por Maria do Carmo Piçarra