MARIA AMPÁ

MARIA AMPÁ Como reaver uma certa efectividade nos gestos dissidentes? Como construir um comum que se levanta? De que forma? O recuo do império é inseparável da potência do contra-poder. (...) Nos momentos de crise dos impérios, o senso comum tende a sofrer alterações muito rápidas e só aí a palavra emancipação ganha a possibilidade de estar em todas as cabeças. É preciso desejar a surpresa de recém-chegadas sensibilidades radicais para que a revolta não nos apanhe ciumentos, rancorosos e ultrapassados.

Mukanda

07.11.2019 | por Maria Ampá

Um mundo de ideias, conversa com o escritor Chinua Achebe

Um mundo de ideias, conversa com o escritor Chinua Achebe Não são demónios; não são anjos; são apenas pessoas. E escutem-nas. Nós próprios temos feito um imenso exercício de escuta. A ponto da pessoa mais forte até se esquecer que a pessoa mais fraca poderá ter algo a dizer, veja, porque está simplesmente ali; é um acessório, simplesmente fala com ele, compreende?

Cara a cara

06.11.2019 | por Chinua Achebe

Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason

Remember remember the 5th of November for I see no reason to forget treason Saí de Portugal rumo a Londres em 1993, a Lisa Stansfield era a musa do momento e os Eurythmics ainda faziam boa música, daquela que nos movia a questionar e já nos apresentava boas pistas. “There must be an angel playing with my heart”. Éramos uma geração de europeístas verdinhos como manda a lei da vida, com vinte aninhos de vontade, tesão e muita alegria.

Jogos Sem Fronteiras

06.11.2019 | por Adin Manuel

Museus: zonas de contacto por excelência

Museus: zonas de contacto por excelência Os Museus são espaços democratizantes, inclusivos e polifónicos, orientados para o diálogo crítico sobre os passados e os futuros. Reconhecendo e lidando com os conflitos e desafios do presente, detêm, em nome da sociedade, a custódia de artefactos e espécimes, por ela preservam memórias diversas para as gerações futuras, garantindo a igualdade de direitos e de acesso ao património a todas as pessoas.

A ler

04.11.2019 | por António Pinto Ribeiro

Subversões da memória

Subversões da memória Para ativar a discussão sobre a relação entre memória e criação artística os organizadores, Maria João Brilhante e Tiago Rodrigues, propuseram três eixos de aproximação ao tema que, resumidamente, questionavam: (1) como o próprio fazer teatral desenvolve-se como um trabalho da memória; (2) como o teatro produz e performa memórias; e (3) em que medida a memória torna-se matéria do teatro, isto é, como o teatro elabora e relaciona memórias coletivas e individuais e pode assim construir contra-versões das “histórias oficiais” produzidas pelas sociedades.

Palcos

04.11.2019 | por Joana Levi

Exposição Meta-Arquivo: 1964-1985: Espaço de Escuta e Leitura de Histórias da Ditadura

Exposição Meta-Arquivo: 1964-1985: Espaço de Escuta e Leitura de Histórias da Ditadura Reflexão acerca da documentação pública arquivada pelo Estado Brasileiro: como ler esses arquivos? Como construir memória a partir deles? Como aprender coletivamente sobre a história do país e de seu povo, a partir de sua análise? Como preservar esses acervos e, como consequência, a memória dos processos civilizatórios que alicerçam a sociedade atual?

Vou lá visitar

03.11.2019 | por vários

Mar Fronteira

Mar Fronteira E eis que agora, na praia, Teófilo aguarda para que o sibilar do vento erga as ondas. Vê-a agitar as asas com graciosidade. Os seus pulsos tocam-se na fluidez da respiração. As penas negras da cabeça confundem-se com o tutu negro e o ondular de todo o corpo flutua em círculos pelo mar. E, de repente, uma perna tem a liberdade de um braço. A cabeça basculante debate-se. Fátima voa, foge, tem medo, encolhe-se. Mergulha e emerge. É devorada pela água. Emerge. Vai para cima e para baixo, repetidamente. Entre o mar e o céu, o céu e o mar.

Jogos Sem Fronteiras

30.10.2019 | por Yara Monteiro

Amazona

Amazona Se a espécie humana se autodestruísse e desaparecesse do planeta, o Rio de Janeiro seria uma das primeiras cidades a recuperar o seu biótopo natural. Em poucos meses, a humidade racharia o cimento, permitindo a infiltração da água, e o tempo faria essas fendas se alargarem, favorecendo a irrupção de ervas. Se os esgotos fossem destruídos, antigos cursos de água reapareceriam e novos surgiriam. Não tardaria para que praças e ciclovias fossem invadidas por gambás, gaviões, cobras, capivaras e corujas. Em pouco tempo, a floresta ocuparia toda a região.

Cidade

29.10.2019 | por Rita Brás

Mário Lúcio Sousa e o pão feito pelo diabo

Mário Lúcio Sousa e o pão feito pelo diabo O autor usou a voz de vários prisioneiros, todos com o mesmo nome – Pedro –, chegados em alturas diferentes de Portugal, da Guiné, de Angola e de Cabo Verde. Descreveu o terror de dentro com uma fluidez que em nada instrumentaliza acontecimentos para provar alguma coisa.

A ler

28.10.2019 | por Ana Bárbara Pedrosa

O jardim

O jardim The Garden está a par das imagens domésticas de Deana Lawson. Adão e Eva estão ainda em casa, nesta aldeia do Congo. Mas, na casa de quem? Serão dois amantes deixados pernoitar em casa de amigos? Estarão na casa de todos, que é toda parte e lado nenhum? O que é uma casa, pergunta Eva. Deixa-te de perguntas, meu amor, responde Adão.

Mukanda

28.10.2019 | por Djaimilia Pereira de Almeida

Por que razão o racismo ainda é uma questão europeia?

Por que razão o racismo ainda é uma questão europeia? Entretanto, o verdadeiro combate está em trazer para o campo da discussão os problemas estruturais reais da sociedade: a pauperização da população, a precarização do trabalho, as discriminações racistas e sexistas, a mundialização do capitalismo e uma série de preconceitos que herdámos do passado colonial, como a islamofobia, a falta de políticas públicas para a integração dos imigrantes, a abundância de discursos civilizacionais, as teorias como o lusotropicalismo, o racismo contra os negros, entre outros.

A ler

28.10.2019 | por Fernanda Vilar

A lua de Atenas

A lua de Atenas Que ferida é esta que me consome e me deixa com o vento de mil cascos de cavalos em fuga adiante pelo horizonte. A miragem? A ferida que espuma de perda e desarranjo, de memória, de remorso, de... é tarde demais, escrevo, para a cura. Fraco demais para tanta batalha, tanta purga. Vou falando aqui e ali sobre o que é ter disforia de gênero uma vida inteira e não saber como me curar. Só em Atenas e ainda assim com toda a noite de Atenas.

Cidade

27.10.2019 | por Adin Manuel

O rebentar sul-americano, encruzilhadas do neoliberalismo

O rebentar sul-americano, encruzilhadas do neoliberalismo Há algumas semanas que as direitas sul-americanas estão numa encruzilhada. As resistências no Chile, Equador e Argentina procuram, por diversas vias, confrontar o neoliberalismo pós-globalizado. As pessoas sentem que já nada têm a perder. Menara Guizardi diagnostica três respostas a um modelo voraz. São compostas pela reação imediata ao ajuste económico e pela experiência acumulada durante anos de protestos.

Jogos Sem Fronteiras

26.10.2019 | por Menara Guizardi

Chile: um modelo de maltrato e privilégio

Chile: um modelo de maltrato e privilégio Encontrei slogans contra a polícia e o governo, barricadas com fogo, muita gente batendo panela, saques em supermercados, esperança, indignação, medo e muita solidariedade. Senti-me parte de um coletivo e, vivendo um momento único, senti orgulho de ser chileno.

Cidade

24.10.2019 | por Pablo Mardones

“Agora sabemos que o colonialismo está vivo e esperneia”. A renovação do AfricaMuseum no filme de Matthias De Groof

“Agora sabemos que o colonialismo está vivo e esperneia”. A renovação do AfricaMuseum no filme de Matthias De Groof Um modo de vermos a colonialidade ressurgir é precisamente na missão que o museu se atribui. "África" ​​é um objeto de estudo, enquanto a ideia de representatividade e o desejo de ser uma janela num continente são os princípios epistemológicos básicos da lógica imperialista. A cenografia dá continuidade à "coisificação" e à “domesticação",

Afroscreen

23.10.2019 | por Marta Lança

Dos primórdios do rap em Portugal: margens e centro, acomodação e emancipação

Dos primórdios do rap em Portugal: margens e centro, acomodação e emancipação O rap funcionou também como um poderoso questionador de identidades e de exclusões, tomando frequentemente o subúrbio como ponto de observação e crítica do racismo, da exclusão social, da pobreza, da xenofobia e da violência policial. Se «Nadar», dos Black Company, se tornava num grande sucesso nas rádios e televisões, surgem por esta altura temas e intérpretes que fazem uso da língua cabo-verdiana e outros que acentuam letras de forte cariz político, de que General D foi dos exemplos mais evidentes.

Palcos

23.10.2019 | por Miguel Cardina

Steffen (Germany)

Steffen (Germany) "A dor é inevitável, sofrer é opcional”, diz Steffen, andando vagoroso na floresta de Fisterra, na Galiza, Espanha. Um ativista da paz que uma vez serviu o exército na Operação Tempestade do Deserto, em 1990, na qual advogava pelo direito humano à água e ao saneamento para todos.

Cara a cara

23.10.2019 | por Sinem Taş

Investigando o conflito urbano e a reciprocidade entre a Chicala e Luanda, Angola

Investigando o conflito urbano e a reciprocidade entre a Chicala e Luanda, Angola No contexto da actual trajectória neoliberal de regeneração urbana de Luanda, após uma longa guerra civil (1975-2002), a Chicala atravessa um período de demolição e substituição por projectos imobiliários de alto padrão. A investigação teve início justamente antes que iniciassem os planos da eliminação completa do bairro, e que as autoridades e investidores privados obrigassem os seus habitantes a deslocar-se para assentamentos remotos em condições de vida inadequadas.

Cidade

22.10.2019 | por Paulo Moreira

Descentralizar a Biopolítica, observações em torno de uma genealogia colonial da ecologia política

Descentralizar a Biopolítica, observações em torno de uma genealogia colonial da ecologia política A emergência destas formas de subjectividade ambientais atesta também a necessidade (bio)política de compreender as relações individuais e colectivas com o meio ambiente, muito para lá da dicotomia entre propriedade/gestão pública e privada, imposta primeiro pela colonização e depois pelo discurso desenvolvimentista.

A ler

19.10.2019 | por Orazio Irrera

A Story From Africa, entrevista a Billy Woodberry

A Story From Africa, entrevista a Billy Woodberry As fotografias foram tiradas por um membro do exército português, o olhar colonial vem da sua condição histórica. Porém, estas mesmas fotografias admitem e apontam - involuntariamente talvez - para um testemunho espetacularmente raro do seu tempo: a luta e a reacção das populações nativas ante as campanhas de conquista e a subjugação colonial, testemunho este que seria muito difícil de alcançar de qualquer outro modo dado que o povo Cuamato não teve oportunidade de registar a sua própria luta e discernimento sobre a batalha.

Afroscreen

18.10.2019 | por Marta Lança