Caro amigo guineense (da colonialidade)

Caro amigo guineense (da colonialidade) Caro amigo guineense, o povo da Guiné é claramente dominado, doutrinado, manipulado, segregado e explorado pelo próprio estado. Um estado que se diz soberano, entretanto manietado e manipulado pelos colonialistas, que hoje simplesmente se chamam de capitalistas, portanto, ainda servimos os mesmos amos, e carregamos o povo com o fardo de escravo moderno. É mais do que certo que o estado guineense desenvolve a sua colonialidade, o estado também trabalha para bancos privados e interesses económicos bem obscuros, que só mantém o povo no escuro e faz furos nos seus bolsos e nas suas vidas, esvaziando-os até dos direitos mais básicos, como a saúde e a educação.

Mukanda

07.09.2023 | por Marinho de Pina

Cara equipe editorial da Routledge

Cara equipe editorial da Routledge Exigimos que a editora republique imediatamente o livro completo, incluindo o artigo. Exigimos que os académicos referidos no artigo cessem toda perseguição às autoras e às outras vítimas que se manifestaram. Exigimos que esses académicos comecem a agir de acordo com as suas próprias palavras, e se disponibilizem para um processo real de justiça reparativa. Exigimos que as instituições académicas, incluindo as editoras científicas, constituam grupos de trabalho diversificados e idóneos para promover reparações pelas práticas de abuso fomentadas pelo sistema racista, capitalista e patriarcal do qual fazem parte, seja no sentido histórico ou no imediato. Todas sabemos.

Mukanda

07.09.2023 | por várias

Cinéfilos & Literatus: da palavra à imagem. Da ação à ficção

Cinéfilos & Literatus: da palavra à imagem. Da ação à ficção Ao olhar para as questões levantadas no começo desta abordagem, pode inferir-se que com Cinéfilos & Literatus ganha-se “novos olhares” sobre o cinema e a literatura; angolana e não só. Vê-se a literatura a partir do cinema. Alargam-se as competências de leitura e de imagética; elementos fundamentais para análise das transposições cinematográficas. Especificamente no campo da literatura angolana, o projeto permitirá conhecer, ainda que de maneira reduzida, que obras literárias foram adaptadas e especificar a razão da escolha das mesmas. Esse procedimento é importante, porque tende a possibilitar de (re)pensar a situação do cânone literário; e este é um elemento fundamental para o Plano Nacional de Leitura.

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31.08.2023 | por Salvador Tito

AGNÈS AGBOTON: O exílio feito poema irradiante - PRÉ-PUBLICAÇÃO

AGNÈS AGBOTON: O exílio feito poema irradiante - PRÉ-PUBLICAÇÃO     Agnès Agboton nasceu em Porto-Novo, no Benim, em 1960. Fez os estudos primários e secundários no seu país natal e na Costa do Marfim, e vive desde 1978 em Barcelona, em cuja Universidade se licenciou em filologia hispânica. O seu interesse, desde muito jovem, pelas culturas de tradição oral e pela gastronomia da África Ocidental em particular, matérias da sua investigação e estudo, levou-a à publicação do primeiro livro, La Cuina Africana [A Cozinha Africana], em 1989, ao qual se seguiram África des dels Fogons [África a Partir dos Fogões], em 2001, e Las Cocinas del Mundo [As Cozinhas do Mundo], em 2002. Desde 1990, tem percorrido escolas e bibliotecas em Espanha, narrando lendas e histórias da tradição oral do seu povo, tendo, nesse domínio, publicado Contes D’Arreu del Món [Contos de Todos os Lugares do Mundo], em 1995, Abenyonhú, em 2003, Na Miton: La Mujer en los Cuentos y Leyendas Africanas [Na Miton: A Mulher nos Contos e nas Lendas Africanas], em 2004, Eté Utú: De Por Qué en África las Cosas Son lo que Son [Eté Utú: O Por Quê em África de as Coisas Serem Como São], em 2009, e Zemi Kede: Eros en las Narraciones Africanas de Tradición Oral [Zemi Kede: Contos Eróticos da Tradição Oral do Golfo da Guiné], em 2011.

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30.08.2023 | por Zetho Cunha Gonçalves

Canções comerciais

Canções comerciais Há cerca de um mês, num supermercado de uma ilha portuguesa encontrei música de origem caribenha. Ao som do congo e do piano, as vozes masculinas e femininas bailavam. Salsa? Rumba? Merengue? Cumbia? Associei os sons às origens das raparigas que trabalhavam na loja. Simpáticas e gentis, esclarecem-nos as dúvidas num português cheio de espanhol. Apontaram num mapa a localização de uma praia e indicaram-nos num folheto o nº do autocarro para o Funchal. No fim, satisfizeram-me a curiosidade. “Sim, nascemos na Venezuela, e agora vivemos aqui”. Já no dia seguinte, a música que envolvia as prateleiras era outra: metálico, acelerada, electrónica. Reggaeton?, perguntei-me algo surpreendido. Ali, aquela mutação do reggae parecia-me ganhar um sentido que antes não apreendera. Voltei às perguntas, com renovada curiosidade: “São vocês que fazem a selecção destas canções, que escolhem esta música?”. Com a simpatia do dia anterior, uma das raparigas abanou a cabeça. “Não, não. A música é da própria da loja. Não é nossa”.

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29.08.2023 | por José Marmeleira

“Gli Occhi della Foresta”, por ocasião do Festival de Veneza

“Gli Occhi della Foresta”, por ocasião do Festival de Veneza O filme oferece uma observação feminina sobre papéis e rituais muitas vezes limitados aos homens, como maravilhosamente descrito por David Kopenawa no livro "A queda do Céu". Os mesmos diretores produziram o curta-metragem Yuri u xëatima thë (A pesca com Timbó) sobre a prática da pesca com timbó, substância usada para paralisar peixes. Todos a/os diretora/os fazem parte de um coletivo de cinema que atua na formação audiovisual em comunidades indígenas.

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29.08.2023 | por Laura Burocco

Para ler Giz

Para ler Giz Você já viu uma onça? Já insistiu no cruzamento entre o seu e o olhar de um jaguar? Já acariciou o fim e o começo quando um felino, unhas grandes, dorso em contorção, pêlo arrepiado, pára perto de si e decide que é aqui o acontecimento que fará tudo começar: tornar-se ao mesmo tempo aquele que mata, aquele que manda matar e aquele que morre. Caso a sua resposta seja “não”, recomendo que evite este livro. Recomendo que dê meia volta, que não se arrisque. Se você tem medo de tudo aquilo que não está no seu controle, talvez seja melhor evitar Gisela Casimiro.

Mukanda

21.08.2023 | por Maria Giulia Pinheiro

Tradidanças, na serra, entre bailes e cantos, poços e florestas

Tradidanças, na serra, entre bailes e cantos, poços e florestas Além do que está organizado durante os dias de Festival, abundam espontâneos encontros musicais e de dança, alguns acontecem madrugada fora na zona do recinto, com dezenas de pessoas que vão fazendo a música e a dança sem alinhamento, outros nos espaços envolventes. O espírito de encontro e de convívio marca toda a gente que participa no Tradidanças, assim como a possibilidade de fazer junto. Este relacionamento social mais impactante resulta, por certo, dos diferentes tipos de baile que proporcionam uma socialização diferente daquela que é vivida na maior parte dos Festivais de Verão. Aqui há convívio garantido mão na mão, olhos nos olhos, entre saltos ritmados, galopes e trocas de par. O Festival tem ainda outra particularidade: é claramente intergeracional, com muitas atividades para crianças e gente de todas as idades.

Palcos

21.08.2023 | por Maria Prata

Duas biografias de Fernando Pessoa criam confronto de autores e ‘guerra civil literária’ em Portugal

Duas biografias de Fernando Pessoa criam confronto de autores e ‘guerra civil literária’ em Portugal O que tampouco o impedia de ser Fernando em pessoa, e de urdir esquemas quiméricos para ganhar dinheiro, eterno endividado que era. Além de depenar parentes e amigos, concebeu jogos de tabuleiro (incluindo um futebol de mesa), elaborou manuais sobre “como montar uma vitrine” ou formatar cartas comerciais, escreveu um Guia Turístico de Lisboa (publicado só em 1990), fundou editoras efêmeras e considerou criar uma empresa cinematográfica. Com o maior topete e candura, chegou a escrever a Andrew Carnegie, sugerindo que o magnata americano do aço fosse seu mecenas. Os luxos do poeta eram os ternos (cada vez mais puídos, mas sempre elegantes – um dândi chaplinesco), os quatro maços de cigarro por dia e doses gorgolejantes de álcool (embora nunca ninguém o tenha visto de porre). Um dia, consultou o psiquiatra Egas Moniz, Nobel de Medicina em 1949 – que se tornará um constrangimento para os portugueses, devido ao motivo do prêmio: a invenção da lobotomia. O médico prescreveu-lhe exercícios físicos, e FP frequentou uma academia durante três meses – ah, imaginar Pessoa malhando...

Mukanda

20.08.2023 | por Paulo Nogueira

Notas sobre descolonização das coleções de História Natural da Universidade de Coimbra

Notas sobre descolonização das coleções de História Natural da Universidade de Coimbra Estas breves notas centram-se principalmente em possíveis passos para iniciar a discussão sobre a descolonização, ou descolonizações, das coleções e práticas botânicas na Universidade de Coimbra. Não pretendem delimitar um percurso unidirecional e hierarquizado de atividades a desenvolver e não são um roteiro fechado para uma releitura decolonial das coleções, que nos interpelam de forma constante, sempre com questões em aberto e respostas incompletas.

A ler

28.07.2023 | por António Carmo Gouveia

Um tour pelo inferno migrante da selva do Darien: aventura garantida, para contar aos seus netos

Um tour pelo inferno migrante da selva do Darien: aventura garantida, para contar aos seus netos A “aventura da sua vida”, descreve, num dos lugares mais macabros, perigosos e mortais para milhares de migrantes que tentam cruzar da Colômbia para o Panamá, no caminho para o norte rumo aos Estados Unidos. À margem da realidade alucinada do “Panama Jungle Tour” (assim se chama o “caminho pela selva mais infame da América do Sul em caminhos de contrabandistas”) vive-se uma das maiores crises humanitárias do mundo.

Jogos Sem Fronteiras

24.07.2023 | por Pedro Cardoso

Por ocasião do 48º aniversário da proclamação da República de Cabo Verde livre, independente e soberana

Por ocasião do 48º aniversário da proclamação da República de Cabo Verde livre, independente e soberana      sem a diária interiorização do mal-estar devido à localização geográfica da ilha onde se nasceu, se cresceu e se almeja permaneça envolta exclusivamente em salitre e espuma marítima dos mares incógnitos ondulando navegados pelas naus portuguesas das descobertas, assaz distante da Europa, por demais próxima das terras dos pretos da Guiné e dos demais gentios da restante Costa de África, sem as crenças, a farda, o bivaque, o s de Salazar incrustado aos cinturões dos exercícios para-militares da Mocidade Portuguesa, sem os inspectores, os agentes e os torcionários da PIDE-DGS

Mukanda

23.07.2023 | por José Luís Hopffer Almada

Declaração do Porto: reparar o irreparável

Declaração do Porto: reparar o irreparável Inscrevendo-se numa constelação histórica por reparações, tão antiga quanto o colonialismo e a escravatura, e tendo nascido de um contexto específico para acomodar distintas vontades e realidades sócio-políticas, a Declaração do Porto: Reparar o Irreparável será sempre um documento inacabado e, por isso mesmo, nele não se encerra.

Mukanda

21.07.2023 | por várias

Comemoração verde e prática não-invasiva - o caso de “O Salgueiro da Ester”

Comemoração verde e prática não-invasiva - o caso de “O Salgueiro da Ester” Jason Francisco falou da sua experiência de percorrer os sítios com memórias judaicas em toda a Europa onde faz recolha de plantas. Por sua vez, Daniela Naomi Molnar reiterou o que Francisco dissera e evocou também a recolha de plantas dos sítios com passado pesado como materiais para usar com as cores nas suas pinturas. A apresentação da Marta Sala parece-me o mais pertinente da conversa, pois o seu caso pode provocar a contradição de “práticas não-invasivas”. Trata-se da plantação de uma árvore, ou seja intervenção física, que é, ao mesmo tempo, verde.

Vou lá visitar

18.07.2023 | por Cheong Kin Man

‘A prática, porém, encarregar-se-ia de desbloquear a situação’: Cinema e antropologia a partir da obra visual de Ruy Duarte de Carvalho

‘A prática, porém, encarregar-se-ia de desbloquear a situação’: Cinema e antropologia a partir da obra visual de Ruy Duarte de Carvalho A partir da revisitação da sua filmografia, em particular da série documental Presente Angolano, Tempo Mumuíla (1979) e da ficção Nelisita (1982), bem como através da análise das reflexões encetadas pelo autor no ensaio O Camarada e a Câmara (1984), o presente artigo procura contribuir para a discussão teórica em torno das possibilidades de um encontro entre cinema e antropologia para além do filme etnográfico.

Ruy Duarte de Carvalho

18.07.2023 | por Sofia Afonso Lopes

Banlieu

Banlieu Disseste-me que sou um idiota por ter queimado a Biblioteca. Um verme por ter grafitado aqueles prédios com as placas de Alojamento Local na zona cinzenta da cidade. Depois, chamaste-me capitalista, porco, burro e incoerente porque parti as vitrinas da NIKE, do LIDL, por ter trazido uns Airmax e sacos de comida para o bairro.

Cidade

16.07.2023 | por Francisco Mouta Rúbio

Queer, impreciso e aqui.

Queer, impreciso e aqui. Precisamos de uma crítica queer, ainda, por nos encontrarmos numa relação de curto-circuito causal com as instituições que governam o conjunto das relações sociais. O ciclo de acomodação e assimilação, pela sua lógica aditiva e integrativa, colocará sempre a racionalidade da instituição primeiro. Eventualmente, esta poderá atualizará a sua retórica, o seu reportório: as fórmulas da sua representação. No limite, talvez seja impactada, a um nível menos percetível, pelos princípios e pautas políticas às quais dedica apenas a mais performativa das atenções.

Corpo

16.07.2023 | por Salomé Honório

'Os Sons da Nação', História Política e Social da Música Urbana de Luanda: 1945-2002 - excerto

'Os Sons da Nação', História Política e Social da Música Urbana de Luanda: 1945-2002 - excerto Eu defendo que é na e pela música popular urbana, produzida esmagadoramente nos musseques de Luanda, que os homens e mulheres angolanos forjaram a Nação e articularam expectativas sobre o nacionalismo e sobre a soberania política, económica e cultural. Fizeram-no pelas relações sociais que se desenvolveram em torno da produção e do consumo de música. O conteúdo lírico e o som musical importavam, mas o público e os músicos davam-lhes um significado dentro do contexto. Por outras palavras, a música, no fim da Angola colonial, moveu as pessoas para uma Nação e de encontro ao nacionalismo, porque as aproximou de novos espaços urbanos, de novas maneiras, através de linhas de classe e etnia, através da política íntima e pública do género.

Palcos

13.07.2023 | por Marissa Moorman

Avanço evangélico ameaça religiões afro em quilombos de Pernambuco

Avanço evangélico ameaça religiões afro em quilombos de Pernambuco Umbandistas resistem à pressão pela conversão em quatro comunidades tradicionais de Betânia (PE), onde há nove igrejas. Entre as imagens de Santa Luzia, Cosme e Damião, São Jorge, Nossa Senhora da Conceição, Preto Velho, Iemanjá e da Cabocla Jurema, Abel José, 43 anos, sacerdote da Umbanda, acende algumas velas, apanha suas guias de proteção e acomoda o seu chapéu de palha na cabeça. Ele se prepara para atender quatro pessoas de povoados vizinhos, que vieram à sua casa em busca de ajuda espiritual e para tratar de problemas de saúde. 

A ler

11.07.2023 | por Géssica Amorim

À editora Routledge: Indisponibilidade para venda do livro “Sexual Misconduct in Academia”

À editora Routledge: Indisponibilidade para venda do livro “Sexual Misconduct in Academia” A publicação do livro foi determinante para que nos organizássemos em coletivo e para a decisão de juntarmos provas testemunhais e documentais que corroboram os diversos tipos de abusos descritos naquele capítulo. Nesse sentido, verificamos com muita preocupação a indisponibilidade para venda do livro “Sexual Misconduct in academia: informing an ethics of care in academia” e a informação de que está em processo de revisão.

A ler

10.07.2023 | por várias