Mulheres africanas: um olhar por trás das imagens

Mulheres africanas: um olhar por trás das imagens Cada capítulo da publicação identifica distintas esferas de actuação das mulheres africanas. Porque, segundo a autora, o objectivo é “mostrar a longa duração da presença africana em Portugal; mostrar que os africanos desenvolveram um conjunto de trabalhos, de funções, extremamente importantes, porque a sociedade portuguesa não seria o que é sem a participação constante de uma massa de população de origem africana extremamente vasta. E é preciso que as pessoas percebam que nem todos esses homens e mulheres eram escravos”.

A ler

14.10.2020 | por Carla Fernandes

Não Podemos Todos Morrer na Cama

Não Podemos Todos Morrer na Cama O texto que se segue é escrito aquando a morte de Pasolini e no seguimento de uma mais abrangente discussão sobre a natureza do assassinato. Pela a importância actual da crítica feroz que faz ao processo de assimilação, higienização, e mesmidade da homossexualidade tardia — um processo que só 30 anos depois tomaria o nome de ‘homonormatividade’ —decidimos publicar a sua tradução.

Corpo

13.10.2020 | por Guy Hocquenghem

«Ilhismo»: uma hipótese

«Ilhismo»: uma hipótese Em Cabo Verde não é novidade nos dias de hoje porquanto muitas são as tentativas de formalizar o fenómeno do bairrismo em discursos descentralizados ou regionais, que infelizmente caiem em “saco roto”…talvez devido à sua conceptualização equivocada… Mas a tentativa de compactar o assunto vem desde o fim do séc. XX, numa monografia por mim realizada em que auscultava a possibilidade de haver rivalidades em duas cidades de Cabo Verde, cuja perceção era maior do que o conhecimento das suas próprias realidades.

Cidade

12.10.2020 | por Elsa Fontes

A Arte na Educação Para a Cidadania e Direitos Humanos

A Arte na Educação Para a Cidadania e Direitos Humanos O documentário aborda os fundamentos de cidadania e direitos humanos, através da educação artística nomeadamente: Música, artes plásticas, dança, teatro, literatura, entre outras nas suas múltiplas dimensões (cognitivas, sociais, políticas, afectivas, éticas e estéticas).

Afroscreen

12.10.2020 | por Faradai

Depois do fim do trabalho: em direção a uma humanidade supérflua?

Depois do fim do trabalho: em direção a uma humanidade supérflua? Não é em nome do trabalho e dos trabalhadores que se protesta contra o capital, contra a especulação, contra as políticas neo-liberais? E, sobretudo: como é que uma sociedade poderia existir sem o trabalho? Não é o trabalho um dado eterno da vida humana, por vezes dura necessidade, outras vezes factor de desenvolvimento pessoal, mas sempre inevitável – de maneira que só podemos reduzi-lo graças às tecnologias, mas nunca aboli-lo?

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11.10.2020 | por Anselm Jappe

Um imaginário real | Ato Malinda

Um imaginário real | Ato Malinda Assim, numa espécie de ‘Eterno Retorno do Mesmo’ tentamos, em vão, definir um objecto – homem – que nunca corresponde ao momento em que o olhamos. Porque assim que o capturámos, encontramo-nos já no passado e na História. Como pode, então, alguém deslindar o futuro se não como uma extrapolação do instante vivido e como uma projeção cuja força reside na subjectividade do olhar e na força da luminosidade desse mesmo olhar? Aperceber-se da impossibilidade de representar o real permite aceder à liberdade do artista criador. É entrar no domínio da metáfora e da lenda.

Mukanda

08.10.2020 | por Simon Njami

The working class

The working class E se for eu mesma que, nalgum momento, por descuido ou por cansaço ou pelos dentes cravados na minha perna, resvale por estes caminhos molhados, tropece em alguma das suas avultadas rugosidades e desvaneça? Ninguém notaria a minha ausência... mas claro, isso é perfeitamente compreensível, porque para os outros e, será mau admiti-lo mas como eles para mim, sou uma pessoa como outra qualquer. E por isso, vou estar bem mais atenta.

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08.10.2020 | por Candela Varas

Contact Zone

Contact Zone Contact Zone questiona o que significa viver numa sociedade multi-cultural onde a identidade, cultura e costumes são diariamente negociados. Contact Zone é um termo cunhado pela linguista Mary Louise Pratt para referir “espaços sociais onde culturas se encontram, chocam e lutam umas com as outras, frequentemente em contextos de assimétricas relações de poder, no caso do colonialismo, escravatura ou, consequentemente, em muitas partes do mundo de hoje.”

Jogos Sem Fronteiras

08.10.2020 | por Isabel Lima

Quem define as memórias que cabem na Europa?

Quem define as memórias que cabem na Europa? Este crescimento da extrema-direita tem parasitado o modo como a acumulação neoliberal cria, em significativas parcelas da população, um cenário de expectativas socioeconómicas minguantes. Um tal quadro favorece populismos de direita que se declaram anti-sistema ao mesmo tempo que mantêm o extrativismo capitalista a salvo. A estratégia consiste em mobilizam preconceitos contra alvos de expiação concretos: LGBTQ+, imigrantes, negros, ciganos, Estado Social, corrupção, etc.

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08.10.2020 | por Bruno Sena Martins

Conhecer e animar o arquivo de RDC: processos e resultados a partir de uma inventariação

Conhecer e animar o arquivo de RDC: processos e resultados a partir de uma inventariação Recorro aos materiais produzidos por Carvalho durante um longo período de tempo para mostrar algumas dimensões do seu processo criativo, procurando fornecer uma primeira interpretação destas em relação a algumas das suas obras. Uso livremente várias áreas exploradas pelo autor, concentrando-me, porém, sobretudo em dimensões gráficas e visualmente estimulantes. Combino essa discussão com a apreciação de alguns resultados do que chamo “animar” este arquivo obtidos através da inventariação e apresentados na exposição, e termino enquadrando um dos vídeos baseados em material de arquivo nela apresentado.

Ruy Duarte de Carvalho

08.10.2020 | por Inês Ponte

Correr o mundo no pé da palavra que venta: Terreirização X Militarização

Correr o mundo no pé da palavra que venta: Terreirização X Militarização A partir de Fogo no mato. A ciência encantada das macumbas (Rio de Janeiro, Mórula Editorial, 2018), de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino. Lemos em Fogo no mato o eco desse grito do século: terreiros terreiros terreiros... Há muitas diferenças e mais de uma semelhança aí. Mas além de conectar com a veia antropofágica do livro dedicado à “ciência encantada das macumbas”, representada pela boca de Enugjaribó, novo e ancestral Abaporu, vale desdobrar o significado da expressão fogo no mato, que chega a soar incorreta no presente brasileiro, nesse segundo ano de queimadas liberadas Brasil afora. Digamos que justo por isso é um bom exemplo da inversão de perspectiva que os Luízes propõem, adotando a mirada afro-ameríndia das macumbas.

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07.10.2020 | por Jorge "Joca" Wolff

A busca do exotismo no cinema

A busca do exotismo no cinema The Calming é um filme que comove profundamente com a serenidade que este lança. Serenas são particularmente as cenas de neve no filme que são nada mais do que uma homenagem prestada ao escritor japonês vencedor do Prémio Nobel de Literatura: Yasunari Kawabata. Segundo os comentários que pude ler no site chinês Douban (ou Tao Pan em cantonenese), este género de serenidade não foi bem acolhida por toda a gente. Contudo, foi bastante apreciada no filme que ganhou um prémio na Berlinale.

Afroscreen

07.10.2020 | por Cheong Kin Man e Mathilde Denison Cheong

Essenciais no TBA online

Essenciais no TBA online Todas as peças destes Essenciais são também uma terceira coisa: autobiografia, retratos tocantes de todos os envolvidos numa altura crítica. Será talvez por isto, por assumirem uma subjectividade que é simultaneamente estética e política, que estes vídeos são “rascunhos” e estão “errados”: não são de todo a versão passada a limpo de uma “História dos vencedores”, é essa a sua verdade (frágil e resistente ao mesmo tempo).

Palcos

02.10.2020 | por Francisco Frazão

O grão de areia em Estocolmo

O grão de areia em Estocolmo A grande revolução do género foi e é marcada pelo objectivo de que um dia este não seja mais um problema, por isto o alvo é a dissolução da mesma quando esse momento chegar que deve ser lá para o século XXII. O dia em que ser pessoa conta mais que ser de um género ou de outro, ou mesmo transitar nesse corredor, ainda está muito longe.

Cidade

02.10.2020 | por Adin Manuel

Comunidade Obra de Maria em Cabo Verde

Comunidade Obra de Maria em Cabo Verde Os seus membros podem optar pelo celibato ou pelo matrimónio para levar a cabo a evangelização através do exercício de piedade e caridade, animação espiritual e social, promovendo a família e o espírito cristão. Os membros consagrados vivem a vida fraterna, estando à disposição da Igreja naquilo que esta necessitar, assumindo na sua consagração a pobreza, a castidade e a obediência através da efusão do Espírito Santo. Os membros estudam a Bíblia, valorizando a participação na missa e a adoração do Santíssimo Sacramento, procurando estar unidos à Igreja.

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01.10.2020 | por Eloisa Andrade Ramos e Carlos Alberto Alves

Uma Voz

Uma Voz Quando convidei a Isabél, antes de tudo é a artista que ela é e a parceria que nós temos. Depois a ideia da Uma Voz era — talvez mais que uma mulher negra — uma mulher. Uma mulher que fala até porque “o porta-voz”, normalmente, é masculino. Tem um pouco isso de portar a voz e de importar a voz. E a Isabél tem muita...ela fez um personagem em que é a escrava do Tira Dentes e que tem um caso com ele. O modo como ela desenhou esse personagem é muito forte. Porque muitas vezes em filmes, no Brasil, esse papel ele é feito com uma doçura em que, curiosamente, há uma mistura de colocar personagens que eram escravos como se eles fossem empregados e é totalmente diferente. Assim, muita da violência da escravidão é escamoteada...alguém a chamava de preta e ela disse “preta é cor. Eu tenho nome”.

Palcos

30.09.2020 | por Marta Brito

Em defesa das membranas, ou homenagem a Lynn Margulis, “We are consortia”

Em defesa das membranas, ou homenagem a Lynn Margulis, “We are consortia” Esta ideia de simpoiésis, o fazer com, esta rede imbrincada de emaranhamentos, aparece sempre nestas histórias – e por histórias também quero dizer estas pequenas unidades de imagem que funcionam sozinhas ou em relação entre si – porque existe o tal awareness dos vários feixes, sobrepostos e simultâneos, que compõem a pessoa, e que são tão necessários reiterar no caso da pessoa-mãe, e que fica tão claro nestas narrativas, em que a intensidade da relação simbiótica entre as entidades mãe\filho também permite (e até vive de) outras histórias e outras vivências.

Corpo

28.09.2020 | por Patrícia Azevedo da Silva

“O inevitável nunca acontece, porque acontece sempre o imprevisível”

“O inevitável nunca acontece, porque acontece sempre o imprevisível” E será que conseguimos sequer imaginar um mundo sem o constante stress da competição capitalista, sem o infinito stress da imersão tecnológica nas redes, sem o horrível stress do fluxo informativo ininterrupto, que quanto mais diz, menos sentido produz? À medida que as Crónicas avançam, e se aproximam do ponto onde nos encontramos quando as publicamos a questão que ocupa um espaço cada vez maior é a da nova “normalidade” que se impõe a partir do momento em terminaram os confinamentos. Na verdade, as perspectivas não são boas: o provável é que todas estas coisas, a luta pela sobrevivência, a exploração tecnológica, a psicose informativa, e outras ainda saiam reforçadas. Como já o era desde o início da pandemia, também para Berardi.

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24.09.2020 | por Ana Bigotte Vieira e Nuno Leão

O Caminho da Anaconda

O Caminho da Anaconda São tempos de fogo e crime. A Amazónia arde e o mundo reduz a indignação a lamentos inconsequentes. Os povos indígenas estão praticamente sozinhos na luta contra o colapso. Em 2018, começaram a exigir a proteção institucional de uma terra ancestral na América do Sul que une os Andes, a Amazónia e o Atlântico. O “Caminho da Anaconda”, assim lhe chamam, é um corredor ecológico, espiritual e cultural. Por aqui serpenteiam espíritos e voam rios.

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23.09.2020 | por Pedro Cardoso

Visões do império, a 1ª exposição colonial portuguesa de 1934 e alguns dos seus álbuns

Visões do império, a 1ª exposição colonial portuguesa de 1934 e alguns dos seus álbuns A Primeira Exposição Colonial Portuguesa realizada no Porto em 1934 foi a consequência visível do impulso que Salazar quis dar à «política colonial» portuguesa e a uma orientação imperial em que colonizar e civilizar as populações indígenas eram as palavras de ordem. Como corolário da exposição foram produzidos, entre outros, dois importantes álbuns, hoje documentos de inegável interesse histórico, não só enquanto discurso de propaganda do regime do Estado Novo, mas também enquanto narrativas visuais ou “visões do Império”. São eles, o Álbum Fotográfico da autoria do fotógrafo Domingos Alvão e o Álbum Comemorativo, com reproduções de pinturas e desenhos do pintor Eduardo Malta. Neste trabalho pretendemos reflectir sobre essas “visões do Império”, pois elas expressam uma visualidade e um imaginário que se traduz em práticas sociais, em valores e em relações de dominação que definem uma política do olhar, onde o corpo se torna um espaço de inscrição, bem como de categorização racial e cultural. Em suma, é através dessas imagens que vemos as relações de poder e as formas de dominação sobre o outro, que impregnaram a exposição.

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21.09.2020 | por Filomena Serra